Degustando a Sofisticada Barrel-Aged Ambiente (2022) da Cervejaria Shared
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Peach Cobbler Bourbon Barrel AgedAnálise da Imperial Stout da cervejaria Shared · Avaliação de 4,41 com base em mais de mil avaliações · Processo de envelhecimento em barris de centeio Willett Family Estate e Still630 Rallypoint Rye · Variação de tempo de maturação (13 a 44 meses) · Adição de nibs de cacau de Gana, baunilha mexicana, canela e pimentas Ancho · Equilíbrio de sabores com o calor da pimenta Ancho
- Filosofia de Produção CervejeiraValor do produto final vs. busca pela perfeição · Raridade e efemeridade de produtos artesanais
Bom, no mergulho de hoje a gente vai olhar para uma daquelas garrafas que são tipo uma cápsula do tempo líquida.
Exatamente, uma relíquia engarrafada. É a Battle Aged Ambient, a edição de 2022. É uma Imperial Stout, ou Double Stout, da cervejaria Shared. E o nosso objetivo é desvendar o porquê dessa cerveja ter uma nota absurda de 4,41 com base em mais de mil avaliações. E olha, o processo por trás dela é completamente exaustivo.
É uma loucura, né? Eu sempre fico fascinada com esse tipo de dedicação. Pra quem gosta de analisar os detalhes, é um prato cheio. Estamos falando de uma base escura super densa e com 14% de teor alcoólico. Pois é, 14% é muita coisa. E antes da gente chegar no sabor, a gente precisa entender o tempo que isso levou. Eles usaram barris de whisky de centeio, que já traz aquela pegada mais rústica, mas o que me pegou mesmo foi a variação de tempo. Sim.
Os barris da Willett Family Estate de 4 e 5 anos. A Shard deixou a cerveja descansando lá dentro por períodos que vão de 13 a 44 meses. E não para por aí, porque eles ainda misturaram lotes que ficaram 29 meses em barris Steel 630 Halley Point. Espera, 13 a 44 meses. Isso é uma janela de tempo gigantesca. Por que não padronizar logo, tipo, deixar tudo por dois anos e pronto?
A magia está justamente nessa imperfeição, sabe? O que é fascinante aqui é que uma variação tão brutal de tempo cria camadas completamente diferentes. O lote de 13 meses ainda tem aquele soco agressivo do álcool fresco e da madeira nova. Já o lote de 44 meses passou por muita micro-oxidação, a bebida respira pela madeira, então ele traz notas muito mais redondas.
O trabalho deles para achar a proporção certa exigiu mais de dois dias inteiros. Nossa, mais de dois dias só tirando amostras de um lote gigante e provando. Exato, só retirando amostras e testando exaustivamente. Cara, isso me lembra muito a imagem de um maestro, sabe? Aquele maestro fazendo audições intermináveis com centenas de músicos diferentes só para achar a harmonia perfeita para uma única sinfonia.
Uma analogia perfeita. Eles estão basicamente equalizando a base da cerveja antes mesmo de colocar qualquer outro ingrediente. E aqui é onde fica realmente interessante. Porque depois de todo esse trabalho com a madeira, eles adicionam nibs de cacau de gana, vavas de baunilha mexicana, canela moída na hora e pimentas anchotiles.
Uma confeitaria inteira dentro da garrafa, né? Sim, mas confesso que fiquei meio cético com essa pimenta. Tipo, uma pimenta ancho não entraria em conflito com a doçura da baunilha e do cacau numa stout?
Olha, se conectarmos isso ao panorama geral, faz todo sentido. Lembra dos 14% de álcool que a gente mencionou? Lembro, claro. Então, o calor dessa pimenta ancho junto com esse teor alcoólico altíssimo serve justamente para cortar a doçura da baunilha do cacau. Ah, faz sentido. Pois é, se não tivesse isso, uma cerveja tão encorpada ficaria muito enjoativa logo no primeiro gole.
O calor da pimenta cria aquele contraste sofisticado que meio que limpa o paladar e convida para o próximo gole. Entendi. A pimenta não está lá para fazer arder, mas para equilibrar a balança. E todo esse malabarismo deu resultado, né? Além das avaliações altíssimas, tem um detalhe nas fontes que chama muita atenção. Ela é uma vintage, derivada da versão de 2020, e teve 1.253 marcações exclusivas. Sim.
Mas ela está marcada como descontinuada, ou seja, não está mais em produção. Gente efêmera. Quem bebeu, bebeu. Basicamente isso. Não é só degustar uma cerveja bem avaliada. É abrir um artefato raro que não vai ter reposição. A raridade eleva a experiência. O que transforma a própria garrafa num tipo de relíquia.
Bom, para fechar nossa análise de hoje, eu fico com um pensamento provocativo sobre isso tudo. Manda! Se uma cerveja exige até 44 meses presa na escuridão de um barril, além de dias de uma seleção agonizante só para ser consumida em questão de minutos, a pergunta que fica é... Onde está o valor real, né? Exato! Será que o verdadeiro valor da produção artesanal está no produto final que a gente bebe ou nessa busca obsessiva pela perfeição que quem consome nunca vai poder testemunhar de fato?
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
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Barrel-Aged Ambiente (2022)