Cire da The Bruery: A Complexidade da Old Ale em Barris de Bourbon
anfitriã da sessão
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Cire Old AleTeor alcoólico elevado (18,9%) · Envelhecimento em barris de Bourbon · Método Solera · The Bruery · Buffalo Trace · Heaven Hill
- Avaliação de CervejaMistura fracionada contínua · Preservação de notas antigas · Adição de açúcares residuais e vitalidade
- Aplicação do Solera na vidaProjetos criativos · Experiências passadas e presentes
Gente, se alguém esbarra numa garrafa com 18,9% de teor alcoólico, a primeira coisa que vem à cabeça é que é um licor ou um destilado, certo? É, totalmente. Mas no nosso mergulho de hoje, a gente vai falar de uma cerveja. E, tipo, não é uma cerveja qualquer. É a CIR, que a The Brewery lançou para comemorar os 16 anos deles na liderança dessa indústria.
E olha, é uma baita declaração de força, né? Porque lançamentos comemorativos geralmente tentam agradar todo mundo com algo mais fácil de beber. Mas a Siri vai na contramão. Nosso foco hoje é entender como o tempo, a paciência e uma curadoria super específica transformam essa potência toda num marco histórico. Então vamos destrinchar isso logo de cara.
porque 18,9% de ABV é um número absurdo. E aí eu fiquei bem curiosa, uma cerveja com tanto álcool não passa do ponto? Como assim, de ficar intragável? É, porque geralmente quando a fermentação passa de um certo limite, fica aquele gosto de álcool superior, os álcools fúsel que queimam a garganta.
Ah, com certeza. Isso aconteceria se fosse uma fermentação acelerada. Mas a ciréria é uma old ale, ou stock ale. Quem já curte o estilo sabe que o álcool, nesse caso, funciona tipo um alicerce de preservação, sabe? Ah, entendi. É, com o tempo certo, esses álcoois mais agressivos se quebram. Eles reagem com os ácidos da cerveja e formam ésteres bem complexos. Então, em vez daquela queimação, o envelhecimento traz notas de frutas escuras e couro.
Nossa, que interessante. E isso me leva a pensar na questão do tempo. Porque essa transformação química, tipo, não rola num tanque de inox em 30 dias, né? De jeito nenhum. O grande segredo sensorial da ciréria é a arte da mistura. Eles usam o método solera. Método solera. Eu conheço esse termo do mundo dos vinhos e geréis. Mas como a Drury faz isso na prática com cerveja?
É basicamente um sistema contínuo de mistura fracionada. A cervejaria nunca esvazia os barris totalmente antes de engarrafar. Eles tiram só uma porcentagem da cerveja mais velha e completam o espaço vazio com a safra nova. Certo, é como se fosse uma cachecrata, então. Exato. O barril mais velho recebe uma parte do segundo mais velho, que recebe do terceiro e vai indo.
Peraí, então é o mesmo princípio de fazer pão com fermento natural, aquele levain? Porque a base original nunca morre, né? A massa de hoje tem lá os traços do DNA da primeiríssima mistura de anos atrás. Perfeita analogia. É uma cascata viva que integra a história toda da produção.
Mas tem uma coisa. Se a cerveja nova, super vibrante, entra em contato com esse estoque envelhecido, ela não acaba atropelando aquelas notas sutis do lote mais velho? Olha, essa é a armadilha que pega muita cervejaria por aí. E é por isso que eles controlam as proporções de forma tão rigorosa. A cerveja mais jovem não entra para dominar. Ela entra para dar açúcares residuais e vitalidade.
Ah, para reacender a química, digamos assim. Isso mesmo. Enquanto a base antiga continua ditando a profundidade aromática. E o lugar onde isso descansa também não é aleatório, né? As notas técnicas falam de barris de bourbon superprestigiados.
Sim, os da Buffalo Trace e Heaven Hill, certo? Exatamente. E a The Brewery não escolheu essas madeiras de bobeira. Os barris da Buffalo Trace trazem notas muito claras de baunilha e caramelo, sabe? Sei. E os da Heaven Hill devem trazer uma tosta mais forte, talvez um toque de especiarias. Perfeito. E é isso que faz a ponte. A madeira acaba abraçando aqueles ésteres de frutas escuras que a gente falou antes.
Então é por isso que os quase 19% de álcool ficam redondos, para não parecer uma agressão ao paladar. Exato. A madeira funciona como um mecanismo de fusão. Deixa o passado e o presente da bebida com uma textura aveludada.
E olha, os números mostram que essa ousadia deu super certo. Vendo os dados de recepção, a Sinetri tem uma nota impressionante de 4,13. É um feito e tanto por um sabor tão denso. E a gente está falando de 913 avaliações.
999 degustadores únicos, pelo que eu vi. Quase mil paladares confirmando que essa alquimia toda de tempo e madeira funcionou. Isso é uma verdadeira aula prática de curadoria. Com certeza. Prova que arquivar, preservar e, tipo, revisitar o próprio trabalho dá um resultado muito mais rico do que qualquer projeto feito na pressa.
Isso me deixa com um pensamento bem intrigante. Para quem está ouvindo a gente, manda ver. Se o método Solera permite misturar o que há de melhor no passado para construir o presente incrivelmente rico de uma cerveja, como a gente poderia aplicar isso na prática? Nossa, na vida mesmo.
É, tipo em projetos criativos ou no trabalho. Em vez de sempre começar do zero numa folha em branco, a grande sacada talvez seja criar a nossa própria mistura fracionada juntando os fragmentos mais brilhantes das nossas experiências do passado com a energia dos desafios de hoje.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
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