In the Weeds da Forager Brewery: Uma Sinfonia Decadente em Notas de Marshmallow e Amendoim
anfitriã da sessão
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Reflexão sobre a percepção do sabor e a experiênciaAmendoins torrados · Mini marshmallows · Nibs de cacau torrados · Sal marinho
- Produção Contínua e Mística da CervejaImperial / Double Pastry Stout · Forager Brewery · Elijah Craig · Back Channel
- Envelhecimento e LongevidadeMaturação em barril de bourbon · Extração de taninos e notas residuais · Integração do álcool
- Cervejas ArtesanaisCuradoria de memórias · Técnica impecável e diversão
É, imagina só esperar quase três anos, tipo, monitorando pacientemente um barril de bourbon numa adega super silenciosa, pra no fim das contas, sei lá, abrir e jogar um saco de mini marshmallows lá dentro. Nossa, sim. Soa quase como um crime pra quem é mais purista, né? Pois é, total.
Mas hoje o nosso mergulho vai justamente nos manifestos de produção e nos dados da Forger Brewery, sobre uma criação deles chamada Indoweeds. A nossa missão é desvendar as engrenagens dessa Imperial ou Double Pastry Stout. Que é uma categoria bem específica.
Exato. E pra quem acompanha e não tá muito familiarizado com o jargão, uma pastry stout é tipo literalmente uma sobremesa líquida no copo. É como pegar a ficha técnica de uma bebida e achar que tá lendo a receita de um restaurante com estrela Michelin. Eu fiquei muito curioso com isso.
E eu fico fascinada com a fundação que sustenta toda essa ambição gastronômica dele, sabe? Porque a base da In The Wheats tem um teor alcoólico cravado em impressionantes 16,2%.
Caramba, 16%? É, não é pouca coisa. E ela passou 29 meses maturando num único barril de bourbon Elijah Craig de 8 anos. E tem um detalhe técnico bem crucial nas nossas fontes sobre isso. Espera aí, qual detalhe? Esse barril específico já tinha abrigado uma colaboração anterior com a cervejaria Back Channel.
Ah, então vamos desempacotar isso. Por que eles usariam um barril, tipo, de segunda mão para uma cerveja tão premium? Então, se a gente olhar para o quadro geral da produção, usar um barril de segundo uso é uma escolha estratégica brilhante. Por quê? Porque na primeira vez que a cerveja envelhece na madeira, ela extrai os taninos mais agressivos, aquela mordida forte do carvalho, sabe? Ah, entendi.
É. Aí, ao usar o barril pela segunda vez, a Forager consegue absorver aquelas notas mais ricas de baunilha e do bourbon residual, só que com uma extração bem mais suave e redonda. O que cria aquela base estrutural super espessa, né? Exatamente. Fica muito sedosa.
Mas aí eu levanto uma questão. Com 16,2% de álcool e quase dois anos e meio de barril, a minha impressão é que eles estão fazendo basicamente um licor de cerveja. Como que uma base tão alcoólica não queima o paladar e ofusca o resto da receita?
Então, a mágica desse longo período de maturação é que o álcool meio que muda de função. Como assim? Em vez de atuar como uma chama que queima a língua da pessoa, esses 29 meses integram o álcool de um jeito que ele vira tipo um solvente de sabor. Ele passa a extrair e amplificar os óleos e aromas dos ingredientes que entram depois. Nossa, faz sentido.
Sim, e se gera uma complexidade térmica que abraça o paladar em vez de só atropelar tudo. Mas é justamente essa base espessa e adocicada que cria um problema de viscosidade absurda. E é por isso que a cervejaria toma uma decisão que parece loucura à primeira vista.
A famosa festa dos adjuntos. Exato, a festa dos adjuntos. E adjunto é o termo técnico para qualquer ingrediente não tradicional que vai na cerveja. O trio da Forager, que eles mesmos chamam de Gruesome Threesome, juntou forças com a turma lá de Spring Park e a Groovy Gang.
Os apelidos são os melhores. São sensacionais. E eles adicionaram amendoim torrado, mini marshmallows, nibs de cacau tostados e sal marinho. A própria cervejaria descreve essa mistura como música para a alma. É quase poético. E os números de recepção mostram que funcionou, né? Porque a cerveja continua ativa, está em produção e tem 126 check-ins registrados. E o mais impressionante... A nota, né?
Sim, ela sustenta uma nota raríssima de 4,28. Isso baseado em 108 avaliações. É o contraste conceitual que explica essas notas tão altas. É a extrema seriedade do envelhecimento na madeira cruzando com a leveza dos marshmallows. Perfeito. E de poliando para essa lista de ingredientes, a minha primeira reação foi achar que ia ser um xarope super enjoativo. Mas notando sal marinho na receita, me parece muito com alta confeitaria. Com certeza.
É a mesma intenção de quando fazemos um caramelo, sabe? O sal entra para quebrar a saturação, para não deixar virar só um doce líquido enjoativo. É ele que salva a bebida. Esse é o ponto exato. O sal não é só um tempero ali. Ele atua meio que como um semáforo neurológico. Sem o sal, os receptores de açúcar da língua iam saturar logo no primeiro gole.
E ia ficar intragável. Pois é. O sal limpa as papilas gustativas e aí permite que a pessoa perceba as notas mais profundas e amargas do cacau tostado e até aquele lado umame do amendoim. É pura engenharia de sabor. Então, o que isso tudo significa no fim das contas?
A In The Weeds meio que prova que uma paciência implacável de 29 meses, junto com essa ousadia de usar ingredientes lúdicos, pode resultar num produto genial. Isso levanta até uma reflexão importante sobre o momento atual da produção artesanal, porque o rigor técnico extremo não exclui a diversão. Na verdade, é a técnica impecável que deixa essa brincadeira de sabores funcionar sem desmoronar. Sim, perfeitamente colocado.
E isso deixa um pensamento final bem intrigante para o pessoal que acompanha a nossa exploração pensar a respeito. A cervejaria usou um barril que já tinha toda uma história. Os ingredientes têm apelidos e são escolhidos de um jeito puramente nostálgico. É muita memória envolvida. Exato. Talvez o futuro das cervejas artesanais de elite não seja só sobre botânica e química super complexa, mas sim sobre curadoria de memórias.
Quando uma bebida carrega notas de carvalho centenário, junto com os marshmallows da infância, a pergunta que fica é... Em que momento ela deixa de ser cerveja, né? Pois é. Até que ponto estamos bebendo uma cerveja e até que ponto estamos pagando para... engarrafar uma lembrança com 16% de álcool? Fica aí a reflexão.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
Elijah Craig
Bourbon BarrelForager Brewery
In the Weeds Stout Imperial / Double PastryHair Beer Brasil
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