Episódios de RareBeerBrazil - Beer Review

Desvendando a Harbors 1 (2024) da Wax Wings Brewing Company: O Regresso de Uma Dádiva Envelhecida

05 de maio de 20266min
0:00 / 6:44
Neste episódio, exploramos a fascinante Harbors 1 (2024) da renomada Wax Wings Brewing Company, uma verdadeira obra-prima do estilo Barleywine inglês. Com um teor alcoólico impressionante de 15% e uma nota média de 4,48 em 153 avaliações, esta cerveja não está em produção no momento, mas marca um retorno triunfal à série Harbors. Sua complexidade é resultado de uma maturação cuidadosa, iniciada em barris de Elijah Craig de 8 anos por 9 meses, seguida de um acabamento em barris de Apple Brandy da Laird por mais 4 meses. O resultado é uma experiência única similar a uma maça caramelada líquida, deslumbrante, rica e inesquecível. Esta edição vintage promete agradar os apreciadores mais exigentes de cervejas envelhecidas, reafirmando porque continua a ser uma das variações favoritas desta série tão estimada e aguardada pelos entusiastas.
Participantes neste episódio3
A

anfitriã da sessão

Host
B

Beer Review

Co-host
H

Hair Beer Brasil

Co-host
Assuntos3
  • Harbors 1 (2024) da Wax WingsEstilo English Barley Wine · Teor alcoólico de 15% · Maturação em barris de Elijah Craig · Acabamento em barris de Apple Brandy · Comparação com vinho raro
  • Cervejas ArtesanaisÁlcool como solvente químico · Extração de compostos da madeira · Duplo envelhecimento de barris
  • Mercado e ColecionismoCervejarias experimentais vs. vinícolas centenárias · Prestígio de bebidas envelhecidas
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

imagina a seguinte cena, pagar o preço de um vinho super raro, guardar a garrafa numa adega climatizada e abrir em uma ocasião super especial, só para descobrir que na verdade é uma cerveja.

É uma baita quebra de expectativa, né? Exato, exato. O mergulho de hoje nas nossas fontes vai, tipo, explorar exatamente essa linha tênue. Vamos dissecar a Harbors One, a versão de 2024, da Oxbeam's Brewing Company.

E olha, o que chama atenção logo de cara nos dados é a nota dessa cerveja. Nossa, sim. 4,48 de média em 153 avaliações. Para quem acompanha esse universo, sabe que tirar uma pontuação quase perfeita de uma comunidade tão exigente não é qualquer coisa. Eu confesso que fiquei muito curioso.

Eu fico impressionada, é um nível de aprovação raríssimo, com certeza. E quando a gente olha para a ficha técnica, fica bem claro que a cervejaria não quis, tipo, fazer o básico, sabe? Nem pouco. Pois é, o alicerce dessa bebida é uma English Barley Wine com estrondosos 15% de teor alcoólico. 15%? Caramba! Sim, é altíssimo. Isso já coloca a bebida direta no território de muito vinho potente por aí.

O próprio nome do estilo Barley Wine, que seria vinho de cevada, parece que finalmente está sendo levado ao pé da letra. É totalmente literal dessa vez. Mas, tipo, a dúvida que fica é um teor de álcool tão alto assim não acaba ofuscando os outros sabores da bebida?

Pelo contrário, na verdade, e é aí que entra a ciência fascinante por trás da produção. Porque esse nível de álcool não tá lá só pra dar uma pancada, sabe? Ah não? Achei que era só pela potência. Não, o álcool atua como um solvente químico extremamente forte. Quando a cerveja entra no barril de madeira, esses 15% literalmente puxam e dissolvem os compostos de baunilha. Pode crer.

puxam os taninos e os açúcares da madeira de uma forma que uma cerveja comum de, sei lá, 5% jamais conseguiria extrair. Ah, entendi. Então essa base pesada é o motor que faz o envelhecimento funcionar de verdade. Faz todo sentido, cara. O álcool meio que vira o veículo de extração do sabor. Exato. E no caso da Harbour Zooming, o roteiro desse veículo é super intenso. As anotações mostram nove meses de maturação em barris de bourbon.

O Elijah Craig, de 8 anos. Isso. E seguidos por uma transferência para barris de Apple Brand da Lairds por mais 4 meses. E aqui eu preciso jogar a real. Pode falar. 13 meses de madeira, pulando de um destilado intenso para o outro. Isso não acaba virando uma bagunça no paladar? Tipo, não seria só uma jogada de marketing para colocar umas palavras bonitas no rótulo e inflar o preço?

É um ceticismo super válido quando a gente vê tanta complexidade assim no papel. Mas eu garanto que a execução química aqui tem um propósito muito específico. Tá, me explica isso. A própria cervejaria e os avaliadores descrevem o resultado final como tipo uma maçã do amor líquida. E isso não acontece por acaso de jeito nenhum.

Maçã do amor líquida, uau! Sim, a inspiração veio da primeira versão vintage da série, que usava notas de Weller. Para quem não está tão familiarizado com o uísque, o Weller é um dos borbons mais cultuados e caros do mercado. É super escasso, né? Muito escasso, famoso por um perfil bem rico, macio e doce. Então, como eles não tinham Weller dessa vez, tentaram recriar o peso dessa herança usando Elijah Craig.

Ah, para extrair essa base profunda de caramelo e baunilha. Entendi. E aí depois o barril de brandy entra para injetar a nota exata mais frutada da maçã. Exatamente isso. A química do duplo envelhecimento separa os papéis de uma forma genial. O primeiro barril constrói aquela casca doce do caramelo da maçã do amor. Nossa, que imagem legal.

E o segundo entrega fruta. E aquele álcool solvente de 15% garante que essas duas características se fundam perfeitamente. Amarrando tudo sem que uma nota atropele a outra. É uma arquitetura de sabores realmente impressionante. Tipo, o caramelo de uma madeira abraçando a maçã da outra.

É uma descrição perfeita para o que acontece lá dentro. Mas quem escuta isso e já pensa em ir atrás de uma garrafa precisa saber de um detalhe implacável nas nossas fontes. A bebida não está mais em produção. Pois é, acabou. E talvez seja justamente essa efemeridade que torna a experiência tão discutida, sabe?

Com certeza. O tempo meticuloso de maturação e as heranças botânicas deixadas pelos destilados nas madeiras pegam ingredientes básicos e transformam em um item histórico. É puro colecionismo mesmo. Sim. Uma vez engarrafado e esgotado esse lote, passa a viver só na memória e nas anotações daqueles poucos avaliadores surtudos.

O que mostra que estamos falando de um processo que exige, assim, o mesmo respeito de uma garrafa de vinho de guarda clássico. Sem dúvida nenhuma. E isso deixa uma reflexão muito interessante no ar, para a gente encerrar esse mergulho, considerando esse nível absurdo de engenharia química e a complexidade de harmonizar perfis tão distintos de madeiras e destilados. É muita coisa envolvida. Muita.

Será que o futuro da alta gastronomia e das bebidas de coleção vai pertencer cada vez mais a essas cervejarias experimentais? Tipo, será que elas vão desbancar o prestígio intocável daquelas vinícolas centenárias? Olha, uma excelente pergunta para o mercado atual. Fica a provocação para se pensar na próxima vez que alguém for abrir uma garrafa especial.

E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.

Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!

Anunciantes2

Hair Beer Brasil

Podcast Beer Review
external

Wax Wings Brewing Company

Harbors 1 (2024)
external