Explorando a Munichwine Bourbon Barrel: are we really strangers? da cervejaria everywhere
anfitriã da sessão
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Peach Cobbler Bourbon Barrel AgedAnálise de dados e estatísticas · Cervejaria Everywhere · Teor alcoólico de 14,2% · Processo de envelhecimento em barris de bourbon · Old Elk Bourbon · Avaliações e check-ins
- Características da Munich WineDefinição de Munich Wine · Uso de maltes alemães de Munique · Riqueza e doçura do malte · Açúcares residuais e textura · Interação do álcool com a doçura
- Envelhecimento em barris de madeiraFunção do carvalho carbonizado · Filtro de carvão ativado · Liberação de compostos químicos (vanilina) · Notas de baunilha, caramelo e carvalho · Arredondamento do teor alcoólico
Hoje, o nosso mergulho é sobre uma daquelas obras de arte efêmeras. A gente vai analisar os dados de uma cerveja com um nome super irônico, tipo Are We Really Strangers? Ou Nós Somos Realmente Estranhos? Ah, sim. Essa é da cervejaria Everywhere, né?
Isso mesmo, da Everywhere. E a nossa missão aqui é desvendar as estatísticas dessa bebida. Só que, sabe o que é mais doido logo de cara nos nossos dados? O que diz na ficha técnica? Tem um campo lá que diz em produção e o valor é falso. Nossa, então já saiu de linha.
Exatamente. Ela virou literalmente uma estranha que a imensa maioria das pessoas nunca vai ter a chance de conhecer. O que torna a explorar esses dados algo bem mais fascinante, sabe? Porque se a gente olha para a base da receita, fica claro que ela não foi feita para durar para sempre na prateleira. Ela é uma Munich Wynn. Que, bom, para quem não está familiarizado, é o quê? Uma ale bem pesada. Isso é uma ale super pesada, com um foco gigantesco no malte.
Eles usam maltes alemães de Munique, que trazem uma riqueza e uma doçura, sim, extremas para a bebida. E é essa carga massiva de malte que leva a gente para o número mais assustador daqui, o teor alcoólico. Os famosos 14,2%, certo?
Sim, 14,2. É quase um vinho encorpado. Eu fico pensando aqui, a base de malte é tipo uma ponte suspensa gigantesca, construída só para aguentar esse peso todo do álcool, sem desabar no paladar. Exatamente. É uma ótima analogia.
Mas me explica, como é que se bebe algo com essa voltagem toda sem parecer que está engolindo puro combustível? Então, a imagem da ponte suspensa é perfeita. Se fosse uma cerveja comum, fermentada até 14%, o álcool ia ser totalmente abrasivo. Ia queimar a garganta inteira. Exato, ia queimar tudo. Mas na Munich Wine, a mágica acontece na mecânica dos açúcares residuais.
O malte de Munique deixa um monte de açúcar complexo que o fermento não consegue consumir. Ah, e isso muda a textura da bebida? Muda muito. Fisicamente falando, esses açúcares revestem a boca de quem está bebendo. Cria meio que uma camada espessa que mascara a agressividade do álcool, sabe?
Entendi. E aí o álcool corta a doçura para não ficar enjoativo, né? Perfeito. Uma coisa precisa desesperadamente da outra para funcionar. Só que essa ponte não se sustenta só com o malte, né? Tem também o processo de envelhecimento. Ela foi lançada ali no terceiro trimestre de 2024 e tem um detalhe importante. Passou por Barris de Bourbon.
Isso, envelhecida em barris de bourbon da marca Old Elk. E olha, os resultados nos aplicativos de check-in são absurdos. Tem quase 400 avaliações únicas com uma nota beirando os 4,45. É uma nota de excelência para uma cerveja que não é nem colaboração, nem edição especial de aniversário.
Pois é, mas deixa eu bancar a cética aqui rapidinho. Pode mandar. Estampar o nome ou o gel que de forma tão específica no rótulo, tipo, isso não é só uma tática de marketing barata. Sabe, para gerar um hype e inflar a nota antes mesmo da pessoa dar o primeiro gole. Olha, é muito fácil ser cínico com esses rótulos super detalhados, eu entendo. Mas nesse universo das cervejas extremas, a destilaria do barril faz uma diferença mecânica muito real.
Não é só para pegar o gosto do que estava lá antes? Não, não é só o gosto da bebida anterior. O carvalho carbonizado por dentro do barril atua fisicamente como um filtro de carvão ativado. Ah, que interessante! Ele quebra os compostos mais ásperos da cerveja e, ao mesmo tempo, a madeira libera compostos químicos, tipo a vanilina.
Que traz aquela nota de baunilha, né? Exatamente. É uma infusão constante de baunilha, caramelo e carvalho, que interage com a Munich Wine durante meses, arredondando aqueles 14%. Nenhum tanque de inox conseguiria fazer isso.
Então o barril atua quase como a ferramenta que aperta os parafusos daquela nossa ponta suspensa. Com certeza. Bom, amarrando o nosso mergulho de hoje. A gente tem uma Munich Wine massiva de 14,2%. Domada por esses compostos dos barris ou de elk.
Isso mesmo, que teve um lançamento meteórico no final de 2024 e logo depois desapareceu. Isso é o retrato exato de como a cultura cervejeira atual cria essas obras de arte efêmeras. Verdade. Mostra que grande parte do valor que a comunidade encontra está justamente na experiência de vivenciar algo altamente exclusivo e passageiro.
O que, no fim das contas, me deixa com um questionamento psicológico bem curioso aqui no ar. E qual seria? A gente dissecou toda a química e a excelência técnica dela, né? Mas até que ponto o simples fato de sabermos que uma bebida saiu de linha influencia a nossa avaliação? É um excelente ponto.
Será que o cérebro humano não infla automaticamente a percepção entregando essas notas estratosféricas de 4,43 só porque a gente sabe que a experiência nunca mais vai poder ser repetida? A raridade mexe muito com as nossas expectativas.
Pois é, fica a reflexão para quem nos ouve. Talvez a gente valorize tanto isso numa tentativa inconsciente de eternizar na memória algo que, bem, que já nasceu para ser um estranho.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
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