A Revolução da Barleywine com King Henry II da Goose Island Beer Co.
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Análise técnica do BarleywineKing Henry II da Goose Island Beer Co. · English Barleywine · Teor alcoólico de 13.5% · Amadurecimento em barris de bourbon · Reutilização de barris
- Evolução da Goose IslandRegra de ouro da Goose Island · Bourbon County Brand Rare Stout · Imperial Rye Stout · Envelhecimento duplo em barris · Lançamento original de 2011
- Flexibilidade versus inflexibilidadeQuestionar práticas rígidas · Curiosidade como caminho para excelência · Recursos considerados gastos · Segunda chance para inovação
Imagina uma cerveja com uns bons 13,5% de teor alcoólico e, assim, adiciona a isso uma nota absurda de 4,46. É, e isso baseando em mais de 1.100 degustações registradas, viu? Não é pouca coisa.
Exato. Bom, boas-vindas à nossa imersão de hoje. A nossa missão aqui é analisar as notas técnicas e a história por trás dessa produção, a famosa King Harry's Second da Goose Island Beer Co. Certo, vamos desvendar isso. Como é que uma bebida consegue um consenso tão absoluto de aprovação entre tantos paladares diferentes?
Fico muito impressionada com esses números. Ah, a resposta curta para isso é que o segredo não está só na receita da cerveja em si. Tipo, o que acontece depois que ela fica pronta é que é o ponto. A mágica toda e até a quebra de uma das maiores regras da cervejaria está na madeira.
Peraí, quebra de regras com madeira? Como assim? Porque se a gente está falando de reutilizar barris, nossa, isso me soa como uma péssima ideia. Sabe, é tipo reutilizar um saquinho de chá.
A analogia é muito boa. Pois é, a primeira xícara é forte, cheia de sabor, mas a segunda rodada já sai bem mais fraca, meio aguada e sem graça. Então por que eles fariam uma coisa dessas? Exatamente o que a intuição diria, né? Mas a questão é que muita gente esquece do que acontece ali no meio do caminho.
Porque, historicamente, a regra de ouro da Goose Island era muito rígida. Eles usavam barris de bourbon uma única vez para envelhecer a clássica Bourbon County Stouts deles. Tá, usou uma vez e descartou. Isso. Só que o barril não fica, digamos, aguado depois desse primeiro uso.
Na verdade, a madeira age quase como uma esponja. Ela acaba absorvendo as notas intensas, aquelas notas torradas e de chocolate, da stout que estava lá dentro antes. Ah, entendi. Então, quando eles colocam uma cerveja nova lá dentro, ela não está recebendo só um resto fraco de bourbon. Ela meio que mergulha numa fusão de bourbon com uma stout super escura e complexa. É isso.
Com certeza, é bem por aí. Eles sacaram que o barril, teoricamente, esgotado, na verdade estava carregado com um perfil de sabor totalmente novo. E olha, é exatamente por isso que a King Henry II é uma English Barley Wine. Que é um estilo bem diferente, né?
Sim, uma barley wine é uma cerveja extremamente robusta, muito maltada, bem encorpada. Pensa bem, se eles usassem uma cerveja mais leve, o barril ia simplesmente engolir o sabor dela. A barley wine tem força suficiente para bater de frente. Ela consegue absorver a serança pesada da madeira sem sumir.
Nossa, faz muito sentido agora. Sendo uma barley wine, ela aguenta o tranco. Mas assim, eles não devem ter acordado um belo dia e simplesmente decidido arriscar um lote inteiro de barley wine em madeira usada. Isso com certeza foi um risco calculado. Ah, sem dúvida. Foi uma evolução bem cuidadosa, sabe? Se a gente olhar para o que eles fizeram em 2022, por exemplo, eles pegaram a Bourbon Country Brand Rare Stout.
que é uma Imperial Rye Stout, certo? Exatamente, uma Imperial Rye Stout, ou seja, uma cerveja escura, super alcoólica e com aquele toque picante do centeio. E aí eles deixaram essa cerveja descansando não só em um, mas em dois conjuntos diferentes de barris de bourbon. Caramba, um envelhecimento duplo então. Eles estavam realmente forçando a barra para ver o quanto a madeira aguentava entregar.
Forçando muito foi um teste super agressivo dos limites de extração de sabor da madeira. Mas há confiança para testar esses extremos todos em 2022?
veio de bem antes. Tudo começou, na verdade, com uma intuição lá no lançamento original da primeira King Harry. Ah, lá em 2011? Isso mesmo. Aquela primeira cerveja provou que a reutilização funcionava de verdade. E ela serviu de base histórica para esses testes todos, o que acabou culminando nessa evolução a King Harry II que a gente analisa hoje.
Que legal. Então eles pegaram uma sacada genial de 2011, aplicaram aquela ousadia dos testes de 2022 e acabaram criando esse monstro de avaliações altíssimas. E acho que isso nos traz a grande lição prática da nossa imersão. Com certeza.
Porque, para quem está escutando, por que toda essa história de envelhecimento de cerveja deveria importar no fim das contas? Olha, acho que se resume a uma palavra. Flexibilidade. Como eu falei, a Goose Island tinha uma regra imutável de que barril é de uso único. Se eles tivessem se apegado a esse dogma de produção, a King Henry Second simplesmente não existiria.
Nossa, é verdade! A lição principal que a gente tira dessas notas técnicas é que questionar as próprias práticas rígidas é essencial. Olhar para um processo com curiosidade muitas vezes é o único caminho para a excelência absoluta.
É basicamente se recusar a usar aquela desculpa velha de que sempre foi feito desse jeito. E acho que isso deixa uma reflexão super instigante para quem acompanha a gente continuar pensando. Porque pensa bem, se sabores residuais deixados em barris que, pioricamente, já estavam completamente esgotados, conseguiram transformar uma barely wine e criar uma verdadeira obra-prima... O que mais está por aí esperando uma chance, né?
Exato. Que outros recursos que a gente considera gastos ou inúteis nas cozinhas, nos escritórios ou até em indústrias criativas, estão só esperando uma segunda chance para virar um sucesso inesperado. Talvez a próxima grande inovação não venha de uma folha em branco, mas daquele nosso próprio saquinho de chá reutilizado.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
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