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Descubra a Riqueza da Maillard: A Barleywine do Trillium Brewing Company

04 de maio de 20267min
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Neste episódio, exploramos a intrigante Maillard, uma Barleywine - American criada pela Trillium Brewing Company. Em uma colaboração especial com a Side Project Brewing, esta cerveja excepcional é o resultado de um processo de envelhecimento duplo, onde passou mais de dois anos em barris de bourbon cuidadosamente selecionados. Com 15.4% de teor alcoólico, cada gole revela a complexidade dos maltes Maris Otter utilizados. Inspirada na reação de Maillard, a Maillard exibe camadas de sabores caramelizados que se misturam harmoniosamente com aromas de caramelo, figo maduro e frutas escuras. Com uma amargura suave, esta Barleywine permite que o caráter dos barris resplandeça, criando uma experiência robusta e memorável para os amantes de cerveja artesanal. Não perca os detalhes desta obra-prima da cervejaria Trillium Brewing Company.
Participantes neste episódio2
B

Beer Review

Host
H

Hair Beer Brasil

Co-host
Assuntos4
  • Envelhecimento em barris de madeiraProcesso de transferência entre barris · Microoxigenação e quebra de notas alcoólicas · Trillium Brewing Company · Side Project Brewing
  • Reação de Maillard na cervejariaProcesso de fervura noturna prolongada · Reação de Maillard vs. caramelização · Malte Maris Otter
  • Análise técnica do BarleywineTeor alcoólico e IBU · Notas de caramelo, figo e frutas escuras · Equilíbrio entre amargor e doçura
  • Verticalização e ManufaturaCusto e complexidade na produção de cerveja · Valor do tempo na criação de bebidas
Transcrição21 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Na indústria cervejeira, tempo é dinheiro. A maioria das cervejas vai do grão à garrafa em questão de semana, sabe? É, seguindo uma linha de montagem biológica super previsível e otimizada. Exato. Mas a nossa exploração profunda de hoje analisa uma receita que simplesmente pega esse relógio industrial e joga pela janela.

Com certeza. Estamos falando de uma bebida que passa a madrugada inteira fervendo no fogão. Sim, e que depois ainda leva mais de dois anos saltando entre barris de bourbon. Nós vamos votar na malharda.

que é uma criação impressionante, uma colaboração entre a Trillion Brewing Company e a Side Project Brewing. Isso. Ela é o que a gente chama de American Barley Wine. Na prática, é uma cerveja construída para ter a força e a complexidade de um vinho. Os números assustam de um jeito bom, com impressionantes 15,4% de teor alcoólico. E tem os 45 IBU, que é aquela medida padrão de amargor.

além de uma nota robusta de 4,16 entre os especialistas. É a definição exata de testar os limites logísticos e químicos. Certo, vamos desvendar isso. O que é necessário para construir uma bebida tão extrema? Bom, a premissa básica é que não basta só amontoar uma quantidade absurda de ingredientes, sabe? A mágica acontece quando se une uma paciência quase irracional com a química básica lá no começo do processo.

Ah, entendi. E essa afundação de sabor começa muito antes do envelhecimento, lá na panela, né? Pelo que eu vi aqui, a receita usa 100% de malte Mary's Otter. Sim, que não é um grão qualquer. É o malte premium inglês famoso por trazer um perfil super rico e amendoado.

E a grande loucura para mim é essa fervura noturna prolongada. Tipo, é como pegar um molho de tomate num domingo e deixar reduzindo lentamente no fogo bem baixo a madrugada toda só para concentrar o máximo de sabor.

Uma ótima analogia. O que é fascinante aqui é justamente o que acontece dentro dessa panela e que dá nome à cerveja, que é a reação de Mayard. Tá, mas isso não é só uma caramelização? Não. É importante esclarecer isso. Não estamos falando de caramelização simples, que seria basicamente só queimar açúcar.

Ah, então o que rola exatamente? A reação de Maier exige que os aminoácidos das proteínas do grão reajam com os açúcares sob a ação do calor constante. Essa química específica que cria aqueles compostos profundos de tostado e assado.

Então, voltando àquela analogia do molho de tomate reduzindo... Exatamente. Assim como o molho fica cada vez mais escuro e rico no fundo da panela, a fervura extensa força essa reação química repetidas vezes. Eles desenvolvem uma complexidade absurda direto na base, muito antes de qualquer levedura entrar em ação.

Certo, então temos essa base super densa. E aí entramos no processo de envelhecimento, que traz um detalhe bem curioso. A bebida descansa por mais de dois anos em barris de bourbon. Dois anos é bastante tempo.

Sim, mas ela passa um ano num primeiro conjunto de barris e depois é retirada e transferida para um segundo conjunto por mais um ano. Eu, honestamente, fico bem com o pé atrás com isso. É, parece estranho no comércio. Porque, sabe, esperar dois anos e ainda ter o trabalho de trocar bebida de recipiente na metade do caminho parece um pesadelo logístico e financeiro para a cervejaria. Sem falar novisco, né?

Pois é, o risco de oxidar a bebida nessa transferência, o ganho de sabor realmente justifica isso, em vez de só deixar a cerveja lá quieta num único barril por dois anos. Olha, justifica e muito. Se a gente deixasse em um barril só, a bebida ia extrair quase tudo o que a madeira fresca tem para oferecer logo no primeiro ano. Ah, o barril perde a força.

Isso, ele essencialmente esgota a contribuição principal dele de baunilha e carvalho. Ao transferir o líquido, a cerveja é exposta a uma madeira recém-tostada novamente. Entendi, ganhando uma nova camada de sabores de um destilado fresco. E sobre aquele risco de oxidação que a gente comentou? É aí que entra a ciência invisível do amadurecimento. Essa transferência, de fato, introduz uma quantidade minúscula de oxigênio no líquido. O que normalmente é péssimo, né?

Geralmente sim, mas para uma cerveja com mais de 15% de álcool, essa microoxigenação é uma aliada essencial. Ela quebra aquelas notas alcoólicas mais ásperas, o resultado é um perfil surpreendentemente mais leve e macio. Nossa, aqui é onde a coisa fica realmente interessante. Como todo esse pesadelo químico e logístico se traduz na hora de colocar na taça.

É a melhor parte. Porque as notas de degustação apontam para aromas muito específicos e tipo inusitados. Bala de caramelo Wurders, açúcar brulé, carvalho suave e frutas de caroço escuras subindo do copo.

E no paladar, a experiência segue exatamente essa mesma promessa. A gente encontra camadas e mais camadas de açúcar caramelizado e figo maduro. E lembra dos 45 IBUs? Lembro, o amargor. Ele se faz presente de forma muito elegante, funcionando como espinha dorsal da bebida. Não é apenas doce, o amargor traz o equilíbrio exato para que o caráter agressivo do bourbon e a riqueza do malt brilhem, sabe? Sem sobrecarregar o paladar.

Então, o que tudo isso significa no final das contas? A Mylard é essencialmente uma interpretação magistral de uma barley wine de malte único. Perfeitamente desenhada. Exato. Desenhada para que a profundidade do grão, puxada até o limite na fervura, e o caráter fresco dos barris assumam totalmente o protagonismo. É uma aula magna de técnica.

o que naturalmente nos faz questionar a lógica da fabricação moderna, onde tudo é acelerado para cortar custos. É verdade. E considerando o esforço imenso de manter uma panela fervendo por uma madrugada inteira, somado a um envelhecimento super meticuloso em dois barris diferentes, fica uma reflexão.

Até que ponto o tempo absoluto de espera, essa passagem silenciosa dos anos, é na verdade o ingrediente principal e mais caro na construção da verdadeira complexidade de uma bebida?

E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.

Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!

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