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O Lendário A Deal With the Devil - Triple Oaked (Batch 15 - 2024) da Anchorage Brewing Company e Seus Segredos

04 de maio de 20267min
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Neste episódio, exploramos a fascinante trajetória da A Deal With the Devil - Triple Oaked (Batch 15 - 2024), uma criação da renomada Anchorage Brewing Company. Conhecida por sua complexidade e caráter único, essa barleywine americana se destaca por seus impressionantes 18,66% ABV, conquistando uma nota média de 4,72 com base em 858 avaliações. Este lote especial foi maturado por 26 meses em uma combinação de barris de bourbon Old Fitzgerald de 6 anos, bourbon Calumet Farm de 15 anos e rye whiskey Russell Reserve, passando ainda por um processo de transferência para barris novos três vezes durante seu envelhecimento. Embora não esteja mais em produção, deixou sua marca como um exemplar vintage, evoluindo a partir da célebre versão de 2018. Venha descobrir o que faz desse rótulo uma verdadeira obra-prima e o impacto que ele continua exercendo entre os apaixonados por cerveja artesanal.
Participantes neste episódio2
B

Beer Review

Host
H

Hair Beer Brasil

Co-host
Assuntos3
  • A Deal With the Devil Triple OakedAnchorage Brewing Company · American Barley Wine · Triple Oaked process · Bourbon Old Fitzgerald barrels · Bourbon Calumet Farm barrels · Russell Reserve rye whiskey barrels
  • Envelhecimento em barris de madeiraTriple Oaked technique · Transferência para barris frescos · Interação com açúcares e taninos · Oxidação de álcoois agressivos
  • Cervejas ArtesanaisBusca por perfeição artesanal · Métodos extremos de envelhecimento · Transformação do produto
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Imaginem uma bebida tão potente que bate de frente com muito destilado puro por aí e que exige mais de dois anos de um trabalho braçal super exaustivo para ser criada. Sim, e com uma nota de avaliação quase impossível, né?

Exato. A nossa missão, nessa nossa exploração detalhada de hoje, é justamente tentar decodificar os segredos de uma lenda absoluta entre quem curte o assunto. A cerveja A Deal With The Devil, na versão Triple Oaked, Batch 15.

A famosa edição lançada em 2024 pela Anchorage Brewing Company. E olha, os dados das nossas fontes refletem exatamente o peso dessa reputação toda. Com certeza. Trata-se de uma American Barley Wine que, um detalhe importante, já não está mais em produção. Ela é classificada como uma safra vintage, derivada direto daquela versão super aclamada de 2018.

E os números dela são de caiu queixo, tipo, impressionantes mesmo. Uma nota de 4,72, baseada em 858 avaliações. Mas assim, o que me deixou chocado de verdade foi a força bruta dela.

O teor alcoólico, né? Isso. O famoso ABV bate na casa dos 18,66%. Para comparar isso, é mais álcool que muito vinho encorpado ou licor. Sinceramente, a minha primeira impressão é que uma cerveja com esse nível de graduação ia descer queimando a garganta igual uma vodka barata. É, qualquer um pensaria isso. Pois é, como é que ela consegue atingir essa carga alcoólica tão absurda e, em vez de ficar intragável, ainda recebe uma nota beirando a perfeição?

Bom, o segredo começa na própria base do estilo dela. Por ser uma American Barley Wine, ela parte de uma carga massiva de malte, que é tipo, basicamente, pão líquido. Pão líquido, boa definição. E essa montanha de açúcar residual é justamente o que dá o combustível para o fermento gerar tanto álcool. Só que, ao mesmo tempo, isso deixa a bebida com um corpo muito denso, muito doce. Entendi.

E esse corpo pesado funciona meio que como um escudo, sabe? Ele mascara aquela agressividade e a queimação natural do álcool.

Ah, isso faz todo sentido e explica bastante o comportamento de quem consome essa garrafa. Verdade, os dados mostram bem isso. É, analisando os registros das nossas fontes, a gente vê 1.010 check-ins totais. Só que 926 deles são únicos. A conta é bem simples, quem bede não repete a dose na mesma hora. É um padrão inegável. O material cita uma média de apenas 25 consumos registrados por mês no mundo todo. Nossa, raríssimo.

Muito raro. Fica muito claro que ninguém abre uma garrafa dessas de forma casual, só para matar a sede. É uma degustação lenta, contemplativa. O álcool não agride, ele vai aquecendo para dar progressivamente. Mas assim, se o malte é só a base que suporta esse álcool todo, a cervejaria precisava de uma técnica extrema para refinar isso e evitar que o sabor ficasse enjoativo.

Com certeza, e é aí que a gente entra na parte da madeira. O processo que descrevem aqui é simplesmente insano. Dois anos, né? Exato, a complexidade ganha vida num envelhecimento de 26 meses e numa mistura muito específica de barris, a procedência importa demais nesse caso.

E de onde eles vêm? O material menciona barris de bourbon ou de Fitzgerald, de 6 anos, bourbon Calumet Farm, de 15 anos, e também barris de whisky de centeio, o rye whisky, lá da Russell Reserve. E aqui entra aquela técnica triple-oaked. A bebida não fica simplesmente lá, esquecida, na mesma madeira durante esses dois anos. Ela é transferida para barris totalmente frescos três vezes ao longo do processo.

Três transferências completas. É, dá para pensar nisso como fazer um chá. Se um sachê fica esquecido na xícara por muito tempo, a água fica super amarga e adstringente. Mas se você for mergulhando em folhas novas, em três etapas diferentes, a gente extrai só os sabores mais ricos.

Deixando o amargor de lado. Adorei a analogia. E é perfeito para a química do barril, porque ao transferir o líquido para barris frescos repetidas vezes, eles forçam a cerveja a interagir constantemente com novos açúcares. Vaunilha, taninos... Tudo isso e de forma fresca.

Simultaneamente, esse manuseio todo ajuda a oxidar bem lentamente os álcoois mais agressivos, então aquela queimação inicial vira um conjunto de compostos muito mais complexos, sabe? Mais sedosos. Cara, pensando no custo de uma operação dessas, na evaporação a cada transferência, e, bom, no trabalho braçal absurdo, seria esse esforço monumental o tal pacto com o diabo que dá o nome à cerveja?

Olha, a dedicação é meio infernal mesmo. E tem um detalhe fascinante nas fontes. A sobreposição desses perfis de madeira e as idades diferentes criam um mosaico tão intenso que o amargor tradicional da cerveja simplesmente não existe.

No IBU, né? Isso. O IBU nem está catalogado. Consta apenas como não aplicável. As camadas criadas por esse revezamento triplo acabam assumindo aquele papel de equilibrar a bebida, que normalmente seria do lúpulo. Incrível. A madeira e o tempo redefinindo a estrutura da bebida. Totalmente.

Bom, resumindo tudo, a gente está diante de uma obra-prima 100% autoral da Anchorage. O material confirma que não tem colaboração externa nenhuma. É só a visão pura dos mestres cervejeiros lá, engarrafada, sem nenhum atalho.

E que agora está fora de produção. É basicamente uma fotografia de um momento super específico no tempo. E que dificilmente vai ser replicada de novo. O que me deixa com um pensamento bem provocativo para quem está escutando a gente. Qual? Quando a gente olha para essa busca quase insana por uma perfeição artesanal, aplicando métodos extremos de envelhecimento em barris de destilados, até que ponto a bebida não se transforma em algo completamente diferente? É uma boa pergunta.

Quando cruzamos essa fronteira de potência e processo químico, será que não estamos desafiando a própria definição fundamental do que significa ser uma cerveja? Fica aí a reflexão.

E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.

Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!

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