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Explorando a Flash Point (2024) da Bottle Logic Brewing: Um Barleywine Inspirado no Bananas Foster

03 de maio de 20267min
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Neste episódio, embarcamos em uma jornada de sabores com a Flash Point (2024) da Bottle Logic Brewing, uma cerveja que eleva o Barleywine ao patamar de sobremesa líquida. Com uma graduação alcoólica de 12.5%, essa criação foi inspirada no clássico Bananas Foster e já conquistou paladares pelo mundo. Originalmente apresentada na Week of Logic 2024 como “Warne Lawton Baker”, essa cerveja não está mais em produção, mas deixou sua marca com uma nota admirável de 4,2 baseada em 1.297 avaliações. Descubra como a combinação de barris de bourbon e conhaque VSOP, junto a bananas flambadas em rum e nozes tostadas, criam uma sinfonia de sabores digna de aplausos. Vamos detalhar a experiência dos sabores e as histórias por trás dessa criação exclusiva da Bottle Logic Brewing, evidenciando por que a Flash Point (2024) deixa saudades em cada sorvo.
Participantes neste episódio2
B

Beer Review

Host
H

Hair Beer Brasil

Co-host
Assuntos4
  • Flash Point BarleywineInspiração Bananas Foster · Bottle Logic Brewing · Envelhecimento em barris de bourbon e conhaque VSOP · Adição de bananas flambadas e nozes tostadas · Comparação com alta confeitaria e alquimia
  • Beleza como Elemento NarrativoInfluência da história e do mistério na experiência gustativa · Interação entre culinária, história e disfarce intencional
  • O mistério do nome Warner Lawton BakerHomenagem às primeiras mulheres detetives dos EUA · Intenção de estimular a investigação palativa · Remoção do viés de expectativa
  • Análise técnica do BarleywineBaixo IBU e alto teor alcoólico · Estrutura do Barleywine inglês como base · Função da base como 'esponja' para doçura e álcool
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Geralmente, tipo, quando a gente pensa em alta confeitaria, vem logo aquela expectativa de uma precisão absoluta, né? Total. Aquela coisa milimétrica. É, quase como engenharia mesmo. Você assa o negócio na temperatura exata, pesa o açúcar alegrama por grama e pronto. A perfeição. Mas, assim, imagina pegar a essência dessa sobremesa toda meticulosa e trancar isso dentro de barris de carvalho por meses. É.

E deixar o tempo e o caos assumirem o controle da situação. Exatamente. É aí que a ciência exata vira uma coisa totalmente indomável. Vira... é... alquimia pura, eu diria. É uma paisagem de sabores que abandona aquela previsibilidade toda e se torna incrivelmente complexa.

E na nossa análise aprofundada de hoje, a gente vai destrinchar exatamente uma garrafa que fez isso. É a Flashpoint, a edição de 2024, da cervejaria Borológica. Nossa, essa é de peso.

Demais! A nossa missão aqui é entender como que uma bebida consegue unir essa alta confeitaria, um envelhecimento cheio de nuances e até a história investigativa norte-americana. Tudo isso como uma homenagem líquida a Bananas Foster, né? Sim, aquela sobremesa clássica e flambada lá de Nova Orleans. É, e sinceramente a sensação deve ser tipo a de beber um prato de sobremesa que foi perfeitamente flambado na sua frente. Com certeza.

Mas para tentar replicar uma sobremesa flambada em forma de líquido, existe um problema estrutural gigantesco aí no meio. Qual seria? A base. É, precisa de uma base que suporte todo esse peso, sabe? Não é qualquer estilo de cerveja que aguenta um impacto desses sem simplesmente desmoronar no paladar. E é aí que os dados sobre essa garrafa chamam muito a atenção.

Olhando para a recepção da comunidade assim, não é um experimento de nicho qualquer. É uma bebida super aclamada, sim, e dificílima de encontrar hoje em dia, né? Muito. Os números mostram que, tipo, só um punhado de pessoas consegue provar a cada mês. São uns 10 check-ins mensais só. Mas tem um detalhe na receita que parece meio contraditório para mim. Qual detalhe?

É que ela é uma barley wine inglesa, com impressionantes 12,5% de teor alcoólico, mas tem apenas 25 IBUs.

Ah, sim. O amargura é baixíssimo. Pois é. Para quem não acompanha muito essa parte técnica, esse IBU indica o nível de amargor que é quase inexistente. O que significa que a doçura vai dominar completamente. Com tanto álcool e quase nada de amargo para equilibrar, como é que isso não vira só um, sei lá, um xarope alcoólico super enjoativo? Aí que está a mágica da coisa.

A resposta está justamente na química e na estrutura do estilo barley wine inglês. Fica mais fácil se em vez de pensar na cerveja como um líquido simples, a gente pensar nela como uma base rica e densa de pão de ló, sabe?

Ah, entendi. Uma fundação mais robusta. Exatamente. Ela tem uma base de malte que é tão profunda e encorpada que consegue absorver e ancorar toda essa doçura extrema sem colapsar. Se fosse uma base mais leve... O álcool e o açúcar iam dominar tudo. Iam simplesmente atropelar o paladar de quem estivesse bebendo.

Tá, então a base funciona quase como uma esponja que segura toda essa intensidade. Mas o que acontece depois, lá dentro dos barris, é ainda mais curioso para mim. Porque não é só colocar a cerveja lá e cruzar os braços esperando.

Nem pensar. O processo de extração é o que transforma essa base numa verdadeira sobremesa. O líquido repousou numa combinação de barris de bourbon e de conhaque VSOP. E vale lembrar que essa sigla VSOP indica que o conhaque envelheceu por pelo menos 4 anos. Isso é vital porque empregue na madeira com umas notas frutadas muito, muito maduras e profundas.

Sim, e como se essa madeira toda não fosse o bastante, eles ainda adicionaram bananas flambadas no rum, nozes tostadas e um toque de canela. Eu fico impressionada como tudo isso se junta sem virar uma bagunça gustativa total.

Através da interação direta com o carvalho mesmo. Os barris de bourbon, por exemplo, eles liberam a vanilina, que é aquele composto responsável pelo sabor da baunilha, né? Certo. A baunilha é da própria madeira. Isso. E essa baunilha, junto com os traninos, cria ligações químicas perfeitas com o açúcar caramelizado das bananas flambadas e com os óleos daquelas nozes tostadas.

É tipo, literalmente a química reproduzindo as reações de uma panela de confeiteiro. Sensacional. O que torna a forma como essa cerveja foi lançada algo simplesmente genial. Porque ela não estreou com o nome Flashpoint. Não mesmo. Teve um mistério aí. Pois é. Durante o festival Week of Logic, de 2024, ela apareceu sobre um pseudônimo, Warner Lawton Baker.

E esse nome é, na verdade, uma homenagem àquele trio radicado em Nova Orleans que formou as primeiras mulheres detetives dos Estados Unidos. Uma escolha temática muito específica e inteligente para um evento cheio de especialistas. Demais. Isso levanta aquela questão. Por que uma cervejaria esconderia um produto tão luxo e complexo sob o codinome de investigadoras do passado?

É um ponto interessante. A sensação que dá é que a intenção era forçar quem estava ali provando a atuar como um verdadeiro detetive com o próprio paladar. Obrigar os sentidos a procurar as pistas, né? Exato, procurar as notas de conhaque, de rum e banana, mas sem aquela muleta de ter um rótulo dizendo exatamente o que pensar.

E olha, isso funciona de uma forma implacável. Tirar o nome real remove o viés de expectativa do nosso cérebro. Quando não se sabe o que está ali no copo, o paladar é obrigado a investigar cada camada. Para entender o porquê de cada ingrediente estar ali. Exato. A banana e a canela constroem a ponte temática para Nova Orleans, enquanto o conhaque e o bourbon trazem todo o mistério e a complexidade.

O que deixa a experiência toda ainda mais mítica, já que a cerveja não está mais em produção. É, as garrafas que restaram por aí viraram basicamente cápsulas do tempo culturais. Pois é. E entender essas técnicas e histórias nos deixa com uma reflexão final bem intrigante sobre a forma como todos nós vivenciamos o sabor.

Como assim? Pensa bem. Considerando que essa garrafa funde o marco da culinária com figuras históricas super obscuras, usando um disfarce intencional, a questão é até que ponto a narrativa, o mistério e a história que nos contam alteram fisicamente a percepção de sabor no nosso cérebro, antes mesmo da bebida tocar os nossos lábios.

E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.

Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!

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