Encantos e Sabores da Thrill of the Chase da Perennial Artisan Ales
- Thrill of the ChaseImperial Debo Stout · Perennial Artisan Ales · Pursued Spirits
- Envelhecimento e Longevidade24 meses · microoxigenação
- Notas de degustaçãoaromas de espresso e figos · toques de fudge e marshmallow
Sejam bem-vindos. Hoje a nossa missão é fazer aquele mergulho profundo nas notas de degustação e nos dados de uma cerveja muito específica e honestamente impressionante. Muito impressionante, com certeza.
Pois é, a Thrill of the Chase. É uma Imperial Debo Stout da cervejaria Perennial Artisan Ales. E, bom, vamos destrinchar isso, porque logo de cara a gente bate o olho na ficha técnica e vê 13% de álcool. É muita coisa.
Sim, 13% normalmente é o território de um vinho tinto bem encorpado. Ou seja, exige uma arquipetura muito precisa para não virar só uma bomba alcoólica no copo, sabe? Exatamente. E olhando para os números nas nossas fontes, dá para ver que eles acertaram em cheio nessa arquitetura. Para quem acompanha aquelas métricas de plataformas de registro, essa cerveja sustenta uma nota altíssima. É uma nota de 4,39.
E isso baseado em 662 avaliações de um total de 772 check-ins. E vale ressaltar que ela ainda está em produção. Nossa, uma mostragem desse tamanho mantendo uma nota tão alta assim indica um consenso quase que absoluto, né? Sim, total. Mostra que não é tipo o fator embriaguez que está atraindo as pessoas. O que brilha ali é a complexidade estrutural impecável mesmo.
E é aí que eu travo um pouco, confesso, porque sempre que eu provo uma Stout que passa da marca dos 10% ou 11%, na maioria das vezes, eu sinto que estou bebendo um xarope alcoólico meio desequilibrado. Aquele calor agressivo roubando a cena. Isso, aquele negócio que queima a garganta. Então, assim, qual foi a engenharia que a Perennial usou para domar esses 13% e evitar que o álcool domine completamente o paladar?
Bom, para quem já acompanha o cenário de cervejas artesanais, o envelhecimento em barril de uísque não é exatamente uma novidade. Mas o que é fascinante aqui é o tempo.
Ah, o tempo de barril. Exato. Foram longos 24 meses. A imensa maioria das cervejarias tira suas stouts da madeira entre 6 e 12 meses, justamente para evitar muita adstringência. Entendi, hein? Então o segredo estrutural da Thrill of the Chase está no que acontece quimicamente durante esse segundo ano. E isso dentro dos barris da Pursued Spirits, que é uma destilaria lá de Louisville, no Kentucky.
Ah, então a gente está falando de paciência em nível molecular, quase. Porque, tipo, no primeiro ano, a bebida pega aquelas notas mais superficiais do uísque, que ainda estava na madeira, certo? Isso mesmo. Mas no segundo ano, é aí que a microoxigenação deve entrar em cena bem pesada.
Precisamente. A madeira do barril respira, né? Ao longo desses 24 meses, ocorre uma evaporação lenta e constante daquele etanol mais volátil. O álcool mais agressivo vai embora. Uhum. Ele vai evaporando. Sim. E, ao mesmo tempo, o álcool que fica atua como um solvente de longo prazo. Ele extrai bem devagar uns compostos muito profundos do carvalho americano carbonizado. Coisas como a vanilina e os taninos.
Nossa, então não é só uma infusão rápida de sabor de uísque. Não, de jeito nenhum. É uma alteração física da textura. Isso literalmente arredonda aquelas arestas cortantes do álcool que a gente mencionou antes.
Gente, isso faz todo sentido agora. Porque olhando aqui para os perfis sensoriais, as notas de degustação apontam os aromas bem intensos de espresso e figos, mas que terminam com toques muito claros de fudge e marshmallow. É incrível, né? Demais!
Antes de ler isso, eu até achava que eles podiam ter colocado, sei lá, xaropes ou algum ingrediente extra na fervura. Mas, na verdade, esse marshmallow tostado na fogueira vem justamente da extração química do carvalho. Exatamente. É o barril conversando intimamente com o malte tostado durante dois anos. Não tem atalhos aqui. E é por isso que a natureza dessa colaboração importa tanto.
É, o documento menciona que o projeto foi feito com velhos amigos, se referindo à equipe da Pursuit Spirits. Pois é. E quando a produção envolve esse tipo de afinidade dentro da indústria, a dinâmica muda por completo. Mas como assim? Você diz em relação ao acesso aos melhores barris da destilaria? Isso também ajuda muito, claro. Mas é principalmente em relação ao relógio.
Em uma colaboração focada em pequenos lotes, o famoso small batch, feita entre profissionais que se conhecem, a prioridade absoluta passa a ser a excelência. Ah, não tem aquela pressão de esvaziar barril rápido para cumprir cota de prateleira? Nenhuma. Eles podem se dar ao luxo de provar aos 12 meses, depois aos 18, e simplesmente dizer, ah, ainda não está no ponto. Eles só engarrafam quando a química sinaliza a perfeição.
É fascinante pensar para esse lado, porque num mercado moderno que praticamente exige que tudo seja produzido para ontem e mobilizar um produto por dois anos inteiros é quase um ato de rebeldia. Com certeza, é nadar contra a maré. Sim, mostra que a excelência real, aquela que arranca notas 4,39 em centenas de avaliações, simplesmente não tem como ser apressada. Então, o que tudo isso significa no fim das contas?
Significa que a Three Love the Chase é uma aula de paciência artesanal engarrafada. Se a gente conectar isso a um contexto maior da produção atual, é um lembrete muito claro de que processos tradicionais, tipo o respeito ao tempo natural das coisas e a ausência de atalhos industriais, ainda são insubstituíveis quando se busca o ápice do sabor.
Então fica aqui uma provocação para se pensar depois do mergulho de hoje. Se dois anos de paciência cega dentro de um barril de carvalho escuro podem transformar água, malte e lúpulo nessa alquimia com sabor de marshmallow e fudge, bom, quais outras fronteiras geniais de sabor poderiam ser cruzadas se mais indústrias decidissem simplesmente desacelerar o relógio e cruzar suas técnicas tradicionais? Fica aí a reflexão para quem nos acompanha.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
Perennial Artisan Ales
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