Desvendando a The Falcon Slayer da North Park Beer Company: Uma Stout de Extrema Potência
- The Falcon SlayerImperial Stout · Colaboração com Horus Aged Ales · Colaboração com Toppling Goliath · Notas de baunilha · Barris de bourbon
- Processos de produção alimentarUso de madeira · Blend de barris · Condicionamento final · Origem geográfica dos ingredientes
- Avaliação de CervejaNota média de 4,35 · 225 avaliações
15% de álcool. Para a maioria da galera, essa é a gradação de um vinho fortificado ou, sei lá, um licor. Mas o nosso mergulho de hoje foca numa cerveja. A The Falcon Slayer, que é uma Imperial Double Stout da North Park Beer Company. É, lançada ali no início de 2025, né? E ainda em produção, que já é um feito e tanto.
Sim, exato. E o que chama atenção logo de cara, tipo, não é só o número em si, mas o desafio técnico da coisa toda. Como que uma cerveja chega a esse extremo sem queimar a garganta, sabe? Sem perder totalmente o equilíbrio. Bom, o segredo dessa estabilidade alcoólica está muito na divisão do trabalho e no uso super estratégico da madeira. A North Park não fez isso sozinha de jeito nenhum.
Tem uma colaboração pesada aí no meio. Com certeza. Eles montaram uma collab tripla com a Horus Aged Ales e também com a Topling Goliath. E em vez de simplesmente jogar toda a bebida num único tipo de barril de madeira, eles optaram por um blend. E não é qualquer blend. Eles pegaram uma parte da cerveja feita com a Topling Goliath e envelheceram em barris de bourbon da marca Old Forrester. Daí pegaram a parte feita com a Horus e envelheceram em barris de bourbon da Blentons. Exatamente.
É quase como tipo equalizar o som de uma banda mesmo. Porque se usar só um tipo de barrilo num teor alcoólico tão alto assim, o som acaba distorcendo. A bebida fica amadeirada demais ou muito enjoativa. Dá pra imaginar o Old Forrester trazendo aquelas notas pesadas, de carvalhos graves, enquanto o Blentons entra com os agudos. Nossa analogia perfeita. Juntar esses dois perfis preenche o espectro de sabores sem ensurdecer o paladar de quem tá bebendo.
O destilado residual e a madeira de cada marca entregam taninos super diferentes. É uma construção, né? É, essa sobreposição de camadas cria a complexidade estrutural que de fato sustenta os 15% de álcool. Se fosse um barril só, ia ficar unidimensional e, bom, a potência alcoólica ia dominar tudo.
Então a madeira constrói a base, dá aquele peso, só que tem um ponto aí. Muito carvalho e 15% de álcool costumam trazer um problema bem sério de aspereza, de adstringência. É aí que entra a grande sacada do condicionamento final. Pois é. A Defalconcilera leva favas de baunilha de três origens diferentes. Comorish, Congo e Papo Nova Guiné.
Confesso que, assim, olhando os dados de primeira, parece até um pouco de exagero. Por que não usar logo um lote excelente de baunilha só, mas em maior quantidade? Porque a meta não é simplesmente deixar a cerveja com aquele gosto óbvio de baunilha. O álcool tão elevado traz uma queimação natural. Então espalhar a baunilha por três origens garante um espectro aromático muito mais amplo. Funciona quase como um truque no paladar, então. Exato.
A percepção de doçura e cremosidade que vem dessa mistura meio que mascara o calor do álcool, sabe? E acaba equilibrando a intensidade daqueles dois barris de bourbon. É literalmente uma correção de rota química. Caramba! O que explica as métricas impressionantes que a gente está vendo? Temos aqui os registros. E é uma nota altíssima de 4,35. Isso baveando em 225 avaliações.
que deram nota de 256 marcações totais lá no aplicativo. 249 são de usuários únicos. Isso é um detalhe crucial. Mostra que é um consenso real entre quem provou, né? Não é só um fã-clube repetindo nota para inflar o número.
Mas pensa bem, tirar 4,35 de mais de 200 avaliações não é brincadeira, especialmente para uma cerveja tão potente. É muito comum o álcool roubar a cena nessas Imperial Stouts mais extremas e o pessoal geralmente punha a bebida na nota porque ela fica muito difícil de beber. Fica pesada demais. Exato. Então o fato da avaliação estar tão alta prova que a engenharia por trás dessa baunilha arredondou a experiência de um jeito perfeito.
Tipo, um verdadeiro quebra-cabeça, unindo mestres cervejeiros, madeiras específicas e esse blend global de baunilhas. Tudo isso super calibrado para não deixar a potência destruir a experiência de degustação. Mostra que a força bruta, quando ela é manipulada com a técnica certa e os elementos corretos, acaba se transformando em pura harmonia.
Totalmente. E, bom, isso deixa um ponto bem interessante para todo mundo que está acompanhando a gente pensar. Considerando todo esse trabalho minucioso de buscar favas lá no Congo, em Papua Nova Guiné, em Comores, só para domar uma cerveja tão forte... Um trabalho absurdo, aliás. Pois é.
Até que ponto a origem geográfica, o terroir desses ingredientes adicionais, se tornou tão ou mais importante do que a receita base na hora de construir sabores tão extremos? Fica a reflexão de que talvez a verdadeira identidade das cervejas complexas de hoje não esteja mais só no malte e no lúpulo, mas sim no passaporte do que é adicionado depois.
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
North Park Beer Company
The Falcon Slayer