Episódio 5 - Violência de Género
Neste episódio de Nós, Voz, Elas, entramos num território delicado e urgente: a violência de género.
Um tema que fere, mas que também convoca à transformação, ao reconhecimento e à ação.
À conversa com Valentina Silva Ferreira e Catarina Rodrigues estão Rita Canas Mendes e Ana Cristina Silva, duas escritoras que acreditam na literatura como espaço de denúncia, de memória e de resistência. Falamos sobre as histórias que os livros guardam, sobre o silêncio imposto e sobre a importância de nomear a violência para a poder enfrentar.
Refletimos sobre a literatura como janela e espelho, mas também como ferida e possibilidade de cura, um lugar onde contar é já romper o silêncio e escrever é resgatar dignidade.
Um episódio que convoca à escuta, à consciência e à mudança.
- Função social da literaturaAgitar consciências e mobilizar cognição e emoção · Dar textura e tridimensionalidade a números e estatísticas · Permitir a empatia e a identificação com as personagens · Romper silêncios e contestar normalizações · Oferecer saídas e companhia através da arte
- Violência contra a mulherLiteratura como denúncia e resistência · O silêncio imposto e a importância de nomear a violência · Literatura como janela, espelho, ferida e cura · A literatura como espaço de transformação de consciências
- Detalhes de Publicação e ConteúdoCuidado com a revitimização e o retraumatismo do leitor · A importância da nuance e do distanciamento na narrativa · A violência pode ser crua, mas também estética e poética · Dificuldade em publicar obras multi-temáticas e a especialização do mercado · O impacto da inteligência artificial na escrita e tradução
- Crise da MasculinidadeHomens leem menos e exercem mais violência · Preconceito contra a escrita feminina e temas considerados banais · Dificuldade dos homens em verbalizar emoções e dar feedback · A libertação dos homens como parte do feminismo · A necessidade de os homens se envolverem na luta contra a violência
- Violência PsicológicaPrevalência do fenómeno em países ocidentais · Influência das redes sociais e modelos tóxicos · Retrocesso em termos de progresso social e aumento da misoginia · A necessidade de continuar a luta pela mudança
- Mensagens que machucamFalar com alguém como ponto de partida para a saída da clandestinidade · Ouvir e não julgar quem está a passar por violência · Oferecer recursos e apoio prático · Compreender o ciclo da violência e o papel do questionamento com ternura
É hora de tomarmos a palavra. Somos mulheres. Somos escritoras. Escritoras portuguesas. Criámos o Clube das Mulheres Escritoras, cujo nome é uma provocação. Pelo alcance, reconhecimento e valorização da literatura escrita por mulheres. Desmontando os preconceitos que a silenciam. Porque a literatura não tem género.
Estão todos convidados a juntar-se a esta causa.
Bem-vindas e bem-vindos a mais um episódio de Nós Vozelas, o podcast do Clube das Mulheres Escritoras. Este é um espaço onde a palavra se transforma em eco, em resistência e em caminho.
onde a literatura se encontra com a vida e a voz das mulheres ganha corpo contra o silêncio que tantas vezes a aprisiona. Hoje, caminhamos por um território delicado e urgente, a violência de género. Um tema que feira, mas que também convoca a transformação.
Porque contar é romper o silêncio, porque escrever é resgatar a dignidade. E hoje connosco estão duas escritoras que pela força da sua obra sabem que a literatura pode ser janela, espelho e ferida, mas também cura. Connosco temos Rita Canas Mendes e Ana Cristina Silva, duas vozes diferentes, unidas pela coragem de escrever, onde muitos preferem calar. Que história podem os livros guardar sobre a violência?
Que possibilidades de mudança se escondem entre páginas, personagens e narrativas? E de que forma a literatura nos ajuda a compreender, a nomear e a transformar a realidade que nos rodeia? É sobre isto que vamos conversar hoje, mas primeiro vamos apresentar as nossas convidadas. Eu vou começar pela Rita Canas Mendes, roubando uma biografia curtinha que está no seu site, mas que achei imensa piada e gostava de partilhar.
Nasci em Lisboa, estudei filosofia, sou escritora e também faço tradução. Não, espera, nasci escritora, estudei em Lisboa, sou tradução e também faço filosofia. Ou será que nasci em filosofia, estudei tradução, sou Lisboa e também faço escrita? A Rita já fez várias residências artísticas e literárias, é autora do livro Teoria das Catástrofes Elementares, que foi menção honrosa do Prémio Literário Alves Redol e finalista do Prémio S de Queiroz.
Rita Canas Menos é ainda dinamizadora do Book Club da FNAC Chiado. E também temos a nossa Ana Cristina Silva, que nasceu em Lisboa e é professora universitária no ISPA, o Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, na área de aquisições precoces da linguagem escrita, ortografia e produção textual.
Autora de 16 romances e de um livro de contos, foi três vezes finalista do Prémio Literário Fernando Namora, em 2011, 2012 e 2013. Foi assim sempre de seguida, não deu chance a ninguém.
que venceu em 2017 com o romance A Noite Não é Eterna. Recebeu também o Prémio Literário Urbano de Arbares Rodrigues pelo romance O Rei do Monte Brasil, em 2012. Depois de Bela, biografia ficcionada de Flor Bela Espanca e de À Procura de Manhã Clara, retrato ficcional de Ani Silva Pais, filha do último diretor da PIDE, publicou, em 2024, El Rei de Nosso Senhor Sebastião José,
o seu terceiro romance com chancela Bertrand, editora. Duas convidadas de luxo. Muito obrigada por estarem connosco. E vamos então começar por perceber de que forma é que cada uma se relaciona com este tema na sua escrita. O que é que vos motivou a trazer a violência de género para a vossa escrita? Ela partiu de uma experiência pessoal, de uma vivência coletiva ou de uma necessidade de dar visibilidade a quem não tem voz?
Começa quem quiser. Agora decidam vocês. Vocês são as anfitriãs. Rita, podes começar tudo. Antes de mais, muito obrigada pelo convite para estar aqui no podcast. É um verdadeiro prazer e uma honra falar deste tema que é difícil, mas por isso mesmo precisa de ser muito falado. O que é que me motivou a trazer a violência de género para a minha escrita? Não é que tenha havido uma motivação consciente. A violência de género está por todo lado.
Acho que faz parte da experiência de qualquer mulher ou pessoa não binária, sobretudo. E portanto, quando eu escrevo sobre um Portugal contemporâneo, inevitavelmente é um tema que assoma. Claro que a partir de experiências pessoais, claro que a partir de vivências coletivas. E sim, é também necessidade de dar visibilidade.
narrativas que ainda são pouco discutidas, ou porque são tabu, ou porque não são convenientes, ou porque no sistema patriarcal em que vivemos, essas narrativas, essas vozes, essas denúncias, são tantas vezes silenciadas e soterradas debaixo de outras coisas. Dito isto, não é o foco central da minha escrita de tudo.
é algo que acaba por premiar aquilo que eu faço e os vários temas, porque quando se fala de relações humanas, quando se fala de relações entre pais e filhos, entre homens e mulheres, é um tema que acaba por vir sempre à baila e então surge de forma muito espontânea, muito natural, sem intenções panfletárias, mas tocando...
em feridas, que eu acho que é importante tocar, porque se não remexermos na ferida, ela também não sara. É verdade. Obrigada, Rita. Ana Cristina. Ora, eu tenho um romance, que aliás foi o meu segundo romance, que é especificamente sobre a violência doméstica, que se chama A Mulher Transparente. E numa altura em que, em 2003, chegaram a dizer, porquê que faz um programa de televisão, mas porquê antes?
mas porquê que vais falar sobre violência doméstica? Eu quando escrevi esse romance, eu não conhecia ninguém que fosse vítima de violência doméstica. E o que eu fiz foi estudar, estudar o chamado ciclo de violência, que hoje, tal como nessa altura, eu acho que é fundamental ser compreendido, ser compreendido...
é muito diferente de haver em formação sobre violência doméstica, porque é o facto de se compreender esse processo que se pode verdadeiramente ajudar as vítimas ou os sobreviventes, como se diz hoje em dia. E como é que é esse ciclo?
Muitas vezes, e queria dizer outra coisa, muitas vezes disse-se que as vítimas ou os sobreviventes já têm sob o jacente uma determinada patologia. Qualquer pessoa pode cair nesta ratoeira, digamos assim. Portanto, a violência de género acontece na maior parte das vezes em contextos relacionais, certo? E os contextos relacionais amorosos baseiam-se, vocês sabem disso, na confiança, certo?
Portanto, as pessoas esperam apoio, etc. Portanto, quando acontece a primeira vez, muitas vezes as próprias mulheres desvalorizam. É porque têm ciúmes, é porque consideram que são episódicos, não sistemáticos. E, de facto, os primeiros episódios de Leo S.A. costumam ser pontuais.
Só que de pontuais passam a sistemáticos. E começam a ser por fatores cada vez mais triviais. Passam a ser repetitivos e a culpa é atribuída a ela. Ou porque esteve a falar.
com a vizinha demasiado tempo, ou porque pôs demasiado sal na comida, ou porque não estava disponível sexualmente, etc, etc. E neste contexto, as mulheres aprendem aquilo que se chama, aquilo que se chama, passa a redundância, a desesperança aprendida. Ou seja, há um medo, e acho que é uma das coisas que se subestima.
muito, que é o papel do medo e o medo repetido neste tipo de situações portanto, há elas vivem como se caminhassem em cascas de ovo porque a qualquer momento é perfeitamente arbitrário quando é que pode surgir esse episódio de violência pode acontecer ou não acontecer e no meio disto arregulado arregulado arregulado arregulado arregulado arregulado arregulado arregulado
sobretudo ao princípio, depois deixa acontecer, há os episódios de pedidos de perdão, de nunca mais se vai voltar a repetir, etc. Só que gradualmente elas deixam de acreditar nisso. À volta disto, há muitas vezes por parte do agressor uma tentativa de isolar a sobrevivente ou a vítima. E...
elas vão ficando, e como eu repeti, o medo, a vergonha, a solidão, conduz àquilo que se chama essa desesperança aprendida. Portanto, as sobreviventes ou as vítimas vivem, isto está estudado, no mesmo nível de stress do que as vítimas de tortura. E, portanto, é fundamental compreender que é deste ciclo.
quer a vulnerabilidade para de facto ajudar as pessoas e para que, mesmo hoje em dia, há um prejuízo muitas vezes em que... Mas porquê que elas não se foram embora? Porquê que elas não saíram? Porque elas...
em determinada altura acreditam, têm medo das represálias, acreditam é lhes repetido 500 mil vezes que eles não são nada sem eles e se alguém lhes repete 500 mil vezes que elas não são nada, as pessoas começam a acreditar, sobretudo se estiverem isoladas e essa vergonha, esse embaraço, essa solidão e esse medo cada um
faz com que muitas vezes elas não apresentem queixa, elas retirem a queixa, elas não fujam, etc. Ou quando fogem, voltam atrás. Por outro lado, as nossas instituições muitas vezes não são suficientemente apoiantes, nem suficientemente célebres. Geralmente são elas que têm que sair de casa.
e de alterar e levar os filhos, e alterar toda a dinâmica familiar, portanto são as vítimas que têm que mudar, e não os agressores. E portanto, eu estudei isto e escrevi um romance à volta disto, que tem depois as suas voltas, porque eu tenho muita dificuldade em... O Quimbert Matos, que era um psicanalista, falava naquilo que se chamava a vingança.
reparadora. E ali há uns episódios de vingança reparadora e depois um fim feliz que quase nunca acontece, que é absolutamente inverosímil, mas que era uma forma de deixar esperança. E, de facto, a violência doméstica acaba por repetir-se até num livro que eu acabei ontem, ou nesse que ganhou o Prémio Fernando da Mora, mas sempre com base neste estudo.
Não sei se abusei do tempo de antena. Não, não, este tempo é vosso, é totalmente vosso. Tu mencionaste várias coisas que eu achei muito importantes, nomeadamente as vítimas de violência doméstica, elas vivem em estado de permanência e vigilância, certo? Estão sempre preocupadas quando é que pode acontecer, estão sempre nesse estado de alerta, de medo. Exato, portanto vivem, é o que eu acabei de dizer, vivem, têm o mesmo nível de stress.
de uma vítima de tortura política, da PIVA ou qualquer coisa. É o mesmo nível. É o mesmo nível, e isto está estudado. Porque os episódios são absolutamente arbitrários e triviais. Pode ser porque, e umas vezes acontece e outras vezes não acontece, esse fator aleatório.
Umas vezes é porque está cinco minutos atrasado no jantar, outras vezes está cinco minutos atrasado no jantar e não acontece nada. Isso faz com que estejam de facto sempre em estado de stress. E depois a vergonha, o embaraço.
o medo, a baixa autoestima, etc. Sim, outra coisa que tu mencionaste que é importante é que qualquer pessoa pode ser vítima desta ratoeira, independentemente do nível de escolaridade. Eu já ouvi testemunhos de mulheres que são altamente qualificadas, que elas dizem eu tinha vergonha porque eu sou uma mulher inteligente, sou uma mulher formada e deixei-me levar nesta espiral e lá está. Independentemente do nível de escolaridade, qualquer pessoa pode sofrer deste abuso. É absolutamente transversal.
a toda a sociedade e quem fala de escolaridade fala de classe social também classe social, faixas etárias a violência de género tem muitos rostos, muitas formas a violência doméstica é aquele de que nós mais falamos também é aquele que faz mais vítimas todos os anos e sem dúvida que as mulheres são as principais vítimas, embora todo o ecossistema familiar seja afetado nomeadamente filhos depois também há a violência doméstica de filhos para pais e outros fenómenos cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez cada vez
parecidos ou relacionados, mas o principal de facto é vermos as mulheres condenadas, infelizmente, a essa situação, porque vivemos numa sociedade patriarcal que desde muito cedo socializa as mulheres para serem compreensivas, para tolerarem e portanto não é culpa delas ficarem, elas são vítimas de...
Dois grandes agressores. Um, o sistema, que está montado para não as ajudar, para não as ouvir, para as fazer encolherem-se, para as tornar como que santas, compreensivas, terapeutas dos seus companheiros.
a quem vão suportando as coisas e vão cozinhando como um sapo em água cada vez mais quente e à medida que o tempo passa ficam de tal forma debilitadas psicologicamente e emocionalmente que é difícil ou quase impossível saírem dessas relações ou saírem delas com vida e depois são vítimas dos seus agressores que são responsáveis por atos de violência individual e que em Portugal infelizmente
são muito pouco condenados. O nosso sistema judicial não está feito para apoiar vítimas e sobreviventes. Não só nos falta um sistema de amparo a quem procura refúgio e a quem procura sair dessas relações, como depois também não temos um sistema judicial capaz de defender as pessoas mais vulneráveis.
Nos últimos anos, felizmente, e graças a romances como o da Cristina e as de muitas outras autoras, são sobretudo as mulheres a falarem disto, mas os homens também falam, atenção, os homens também falam. É bom sinal. É bom sinal, exatamente. E também se começou mais recentemente a falar de abusos dos quais os homens são vítimas, que é capaz de ter um tabu ainda maior.
Mas ninguém gosta de ser vítima, nem de se ver nesse papel e custa muito acreditar que de repente caímos nessa ratoleira. Mas os agressores sabem fazer muito bem a folha, sabem procurar a pessoa mais vulnerável, sabem explorar os seus pontos fracos, sabem minar a confiança e destruí-la psicologicamente. Isso aí, portanto, é que sabem procurar as pessoas mais vulneráveis, isso é verdade nos casos e outros casos não.
Ou seja, há pessoas perfeitamente saudáveis, que depois se tornam menos saudáveis, porque quem vive isto não sai de lá como era, vai ter muitas, muitas dificuldades em voltar a confiar, em voltar a amar, etc, etc, sobre isso que for prolongado no tempo.
E há uma outra coisa que tu disseste que é importante, que é a questão dos filhos. Os filhos, portanto, os filhos, muitas vezes, há uma correlação, não quer dizer que seja uma relação de causa e efeito. Muitas vezes, os filhos de agressores tornam-se os próprios em agressores. Muitas vezes. Não quer dizer que aconteça sempre ou que seja uma questão de causalidade. Mas, por outro lado, os filhos...
mesmo nestas situações de desesperança apreendida, podem ser o principal motor delas conseguirem fugir. Porque elas não querem. E eu digo elas porque, de facto, é verdade que hoje em dia se fala também na agressão a idosos. O contrário também acontece, mas 90% das queixas continuam a ser...
de violência do género em relação às mulheres, não só por uma questão, há de facto, como a Rita dizia, uma interação entre normas sociais mais amplas, que prejudicam os próprios homens, porque os homens também são prejudicados pelo patriarcado, na medida em que um homem forte não pode ter emoções, um homem forte não pode não sei o quê. Estou a falar do ponto de vista dos estereótipos. Como?
e agora perdi-me, que é uma das minhas características, é começar agora a se perder-me, como de facto, muitas vezes, esses agressores tornam, portanto, essa dimensão psicológica.
Porque há o patriarcado para toda a gente, mas nem todos os homens se transformam em agressores. Claro, mas vivemos num caldo que, infelizmente, incute muitas vezes maus valores.
incentiva comportamentos, não protege quem precisa de ser protegido e portanto há um caldo em que todos andamos a nadar e que passamos esta violência entre quatro paredes é uma violência que reflete uma violência sistémica eu não sei que é que influencia o quê se é a violência de fabrico caseiro que depois cada vez cada vez
se expande para uma esfera maior é uma interação é uma interação, é como tudo mas é transmitida de facto de gerações para gerações há uma dimensão de uma patologia narcísica e sádica que tem muita influência e muitas vezes essas pessoas os agressores, era outra coisa que eu disse são vistos como pessoas exemplares cá fora mhm
Ninguém dizia muito manipuladores Não é por acaso que quando ocorre uma situação de femicídio E os jornais vão entrevistar os vizinhos O que é que nós ouvimos normalmente dizer Ele era muito empático, muito conversador E ela que, pelo contrário, era mais reservada Era mais calada E isto reflete muito bem aquilo que vocês estavam a dizer Aqui a Ana Cristina falou sobre o ciclo da violência E eu trabalho na área e todos os dias lido E eu trabalho na área e todos os dias lido
com crianças e jovens com quem tento conversar e passar a mensagem que desconstrua estes estereótipos e estes preconceitos que suavizem a possibilidade de ocorrer situações de violência
E o que nós vemos é exatamente isso que vocês estavam a dizer, as pessoas não acreditarem nas vítimas, não entenderem porque é que elas continuam nesse ciclo, porque não fazem esse exercício de empatia. E sobretudo não compreendem o ciclo, porque uma coisa é informação. Hoje em dia fala-se muito da violência, não sei o quê.
E outra coisa é a compreensão, por isso é que eu fiz esta coisa que começa assim, e é assado, e é assado. Uma das coisas que me aconteceu nesse livro, que já tem muitos anos, na altura em que não se falava assim tanto, foi, portanto, eu estou no ISPA, mas sou da área de educacional, foi um colega meu dizer-me, aliás, houve duas pessoas, aliás, foi verdadeiramente assustador para mim, porque eu não conhecia ninguém.
agora já conheço, mas na altura não conhecia ninguém que eu soubesse que fosse vítima de violência doméstica. Um colega meu veio-me dizer que uma paciente disse que parecia que eu a conhecia. O que é verdadeiramente... Portanto, a identificação à minha personagem foi tal...
parecia que eu a conhecia, o que é verdadeiramente assustador, quase. Porque há padrões de comportamento. Exatamente. A violência doméstica não é nada original nesse aspecto. São padrões repetidos e há uma lista de coisas que se verificam em quase todos os cenários de violência de género em contexto de relações afetivas, ou supostamente afetivas, pois afeto acaba por haver muito pouco, só o suficiente para manter a vítima presa durante mais uns tempos.
Mas sim, importa muito falar disto e a Cristina tocou aqui num ponto super importante que é o da empatia e aí é que eu acho que a literatura tem um grande, grande, grande papel no de nos levar a entrar um bocadinho na cabeça da vítima, conseguir empatizar com ela e não a julgar.
E também perceber qual é a mecânica, muitas vezes, que está por trás dos comportamentos de um agressor, ainda que seja narcísica e sádica. Nós queremos explicações para esses fenómenos, senão também não conseguimos transformá-los. E a literatura, além da informação, além das ações de sensibilização, junto de jovens e de toda a população, mas a literatura é um veículo único que tem esta...
capacidade de pôr o leitor na pele de outra pessoa, com outras experiências diferentes da sua. E nesse aspecto a escrita tem mesmo um papel a cumprir.
Moral, ético. Tocaste num ponto muito importante porque nós queríamos discutir também esta capacidade que a literatura tem de transformar consciências e gostaríamos de vos perguntar se vocês sentem que os vossos livros contribuem para sensibilizar e gerar alguma mudança social. Cristina, queres começar tu por responder? Ah, eu, a minha forma de fazer política é através da literatura. Eu escrevo, eu não sou capaz de...
eu escrevo nunca escrevo, para começar escrevo coisas muito violentas aliás a Tereza Horta no meu segundo romance disse-me que eu era a escritora da violência mas eu costumo dizer muitas vezes em sessões que o meu que eu gostava de seguir duas máximas, uma é do Cardoso Pires que dizia que o papel da literatura é exatamente o de agitar consciências não sei mas
E por isso é que eu referi, por exemplo, a esta prece que ela me conhece, não sei se esta senhora, por ter lido o livro, conseguiu fugir de casa, ou sair, ou tomar essa decisão. Mas eu acho que não há nada mais verdadeiro do que a ficção, porque a literatura deve ser...
A literatura, através de processos que podem até ser de entretenimento, é o que chega à essência do que é humano. E chegar à essência do que é humano é ser capaz, através de processos descritivos, narrativos e linguísticos, demonstrar...
os vários tipos de conflitos que no fundo são aqueles que o Shakespeare já falava, desde a inveja, o poder, o amor, a ganância, etc. E portanto, eu quando escrevo, mas nós não sabemos, nós não estamos na cabeça dos leitores, não sabemos até que ponto é que os livros são... A minha única experiência verdadeiramente transformadora foi com o livro que não está.
que está esgotado, que eu gostaria muito de ter reeditado no 25 de Abril, que foi sobre o... que chama-se As Longas Noites de Caxias, é sobre uma PIDE, que também foi... E está com miúdos, que conhecem muito... Miúdos, quer dizer, putos do secundário e de escolas, com aquele livro, e relacionar...
dados estatísticos do fascismo e depois passagens do livro sobre como é que era a escola no tempo do fascismo a fome a violência doméstica que também lá tem e depois os procedimentos da PIDE e ver os putos a regalar os olhos completamente coisa que não se consegue meramente dizendo arreguláticos arreguláticos arreguláticos arreguláticos arreguláticos
Os dados estatísticos que há não sei quanto, que havia não sei quanto, a mortalidade infantil era assim, que havia não sei quanto, uma porcentagem de 30% de analfabetos, isto não faz é. Porque a literatura consegue ir, mobilizar simultaneamente a cognição e a emoção.
E dá textura, dá tridimensionalidade a números, a estatísticas, a fenómenos. E permite aquele truque de magia, não é? De nos pormos na pele daquelas pessoas e de conseguirmos imaginar outros cenários além da nossa...
da nossa vivência. Sim. Desde que o neorrealismo saiu de moda, agora não fica muito bem dizer que sim, sim, eu escrevo para gerar mudança social, eu escrevo para transformar o mundo e eu escrevo para...
para transformar consciências hoje em dia parece que é um bocado fuleiro ou ingéneo, sobretudo ingéneo assumir essa vontade mas se nós não escrevemos para mudar o mundo eu sou de Vila Franca onde está o neorrealismo tu és da Lhantra há seis anos e a Lhantra tem uma grande história de luta grande tradição, se nós não escrevemos para mudar o mundo de alguma forma embora possa haver muitas outras motivações na nossa escrita cada cada cada
ambições, enfim, de vária ordem, estética, não só mas se nós escrevemos para transformar um bocadinho o mundo, então escrevemos para quê? Exato. Eu não, quando estou a escrever falando agora a título pessoal, não tenho pretensão de, ah, isto vai sensibilizar muita gente, ah, isto vai mudar a forma das pessoas verem as coisas. Não.
Não é só desse o pressuposto de exercício da escrita. Mas uma vez tendo o livro cá fora, e quando ele entra em contato com os leitores, e aquele passo de mágica acontece, aquela alquimia entre livro e leitor,
O que tem acontecido foi ter tido bastantes reações. Pessoas que me disseram, parece que conhece a minha família. Ou eu passei por uma situação muito parecida. Ou é curioso ter falado daquela personagem, porque eu tive um tio exatamente assim, com o mesmo comportamento.
E é quando os leitores vêm ao meu encontro e me dizem que se identificaram com isto ou com aquilo, ou que acharam que estava bem explicado, ou resumido, ou quando me dizem que o livro se transformou um pouco, fosse pela descoberta, fosse pela identificação.
aí a sensação de ver cumprido é imensa mas eu nunca espero que isso aconteça, mas fico muito feliz quando acontece Vargas Rosa dizia sempre que qualquer escritor, e Vargas Rosa não era nem o realista, o que era mudar o mundo só que os livros não mudam tanto como a gente gostaria com os milhares de livros sobre a guerra, foram escritos por pessoas que viveram a guerra e a guerra continua a acontecer mas sim arreguláticos arreguláticos arreguláticos arreguláticos arreguláticos
A arte, em geral, é talvez uma das poucas coisas que pode iluminar a nossa escuridão. E quando vocês escrevem essas histórias, já percebemos que vocês não pensam se vai mudar mentalidades ou vai mudar alguma coisa, mas têm...
Algum tipo de cuidado para não, por exemplo, levantar gatilhos a quem vai ler, ou nem sequer pensam nessa possibilidade. Sim. Alguém que já tenha passado por alguma situação idêntica, que vai ler a história e vai sentir ali quase que uma revitimização. Retraumatizar. Exato. Retraumatizar. Tem esse cuidado, nem sequer pensam nisso. Cristina. Eu acho que quando se está a escrever, eu cá não penso.
Eu quando estou a escrever... Ou seja, eu tenho objetivos. Como eu disse, sou de Vila Franca e, portanto, devo ser muito neorrealista. Porque nasci em Lisboa, mas nasci em Matrilha Alves da Costa. Eu vivi sempre em Vila Franca. E, portanto, sempre escrevi sobre coisas que pudessem mudar alguma coisa. Mesmo nos romances históricos. Mas quando se está a escrever,
Eu não penso no leitor, eu continuo a escrever porque a coisa é, é como montar um puzzle, é intrinsecamente interessante escrever um livro e um bocadinho esvaziante chegar ao fim. Agora, uma coisa é isso, outra coisa é, sei lá, eu, se por acaso sou de clínica, a minha base inicial é de clínica, mas nunca tinha tido nenhum caso sobre violência doméstica. E o...
fui estudar a violência doméstica, tal como quando escrevi sobre a Inquisição, fui estudar a Inquisição. O que é diferente, como qualquer pessoa que escreve um livro, tem que se fundamentar, senão aquilo não é verusível. O que é diferente de estar a pensar no leitor se vai retraumatizar ou se vai desencadear, não sei o quê. A gente só pensa, eu só penso, e eu acho que a minha parte de escritor, só pensa no leitor.
quando o livro está cá fora, porque o leitor é aquela coisa, é aquela entidade extraordinária que reescreve o livro e que o recria, e que faz e que seleciona aquilo que por ele é relevante. Por isso é que, por mais manuscritos que nós tínhamos no computador, só são livros quando entram em interação com o leitor. E o leitor, desse ponto de vista, é tão importante quanto o escritor. Verdadinho, é verdade. Eu, por acaso.
tenho uma abordagem um bocadinho diferente porque não é que eu penso no leitor enquanto estou a escrever porque o ato da escrita, aquele gesto de criadores é uma coisa que vem de outro sítio, não vem de uma preocupação com quem lê, embora possa haver aí evidentemente estar arraste arraste
uma das raízes ser a vontade de comunicar. Mas não penso ativamente num leitor em particular, num leitor concreto. Mas, como leitora e como tradutora, já tive contacto ao longo de muitos anos, estas décadas de leitura e já de tradução também, tive contacto com várias obras que eu achei que pela sua crueza,
pela forma como estavam escritas, eram quase atos de agressão. Posso dar um exemplo. Há um livro da Edna O'Brien que eu gostei muito de traduzir. Chama-se Pequenas Cadeiras Vermelhas.
retrata a guerra nos Balcãs relata uma série de atrocidades e houve páginas em que eu tive quase um dia inteiro para traduzir aquela página porque era uma resistência enorme voltar àquele texto era de tal forma angustiante e eu não fui vítima da...
daqueles crimes em particular era de tal forma cru que a reação gerada era absolutamente epidérmica e eu não imagino uma vítima a ler aquilo com o mínimo grau de conforto enfim, se calhar quem passou por isso até precisa dessa narrativa para ou identificação ou catarse quer dizer, pode cumprir esses objetivos mas pessoalmente a maneira como a história está contada cada vez cada vez cada vez
E nós podemos ter o mesmíssimo episódio contado de infinitas maneiras diferentes, mas a maneira como a história está contada muda tudo. E eu tenho o cuidado de quando escrevo, seja sobre coisas que partiram de experiências pessoais, de experiências de pessoas que eu conheço, de experiências que eu vejo narradas, seja nas redes sociais ou nos meios de comunicação oficiais, tenho o cuidado de narrar aquilo de tal forma é...
que haja ali um distanciamento e que aquilo não venha em cru. Porque eu acho que tragédias na vida já baixam. Não é que eu vá aligeirar ou minimizar quando estou a escrever um episódio.
de violência de género que passo pelo piropo mal criado na rua ou que passo por uma agressão sexual a uma menor ou por um episódio de stalking ou outra cena qualquer eu tenho cuidado pela maneira como escrevo de dar muita dignidade à vítima naquela situação cada wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp wyp
e contar a história de maneira que ela não repila quem está a ler. O meu objetivo não é chocar, não é repugnar. Sei de muita gente que o faz, percebo qual é o ponto de partida.
Não me parece a maneira mais eficaz de passar a mensagem muitas vezes. Às vezes fica sensacionalista. Às vezes parece quase explorar ali uma ferida, seja própria, seja alheia. Aproveitarem-se desse local tão pavoroso para criar sensacionalismo, como tu disseste. Sim.
se aquilo vai ser demasiado doloroso para quem ler então não deixa de ser útil e todos nós arranjamos maneiras de lidar com as coisas difíceis na nossa vida, não é? Há quem usa o amor que é muito uma das minhas estratégias há quem use cada vez
outras técnicas, mas há formas e formas de contar, e eu quando toco em temas muito sensíveis, procuro ter o cuidado de o fazer de forma gentil e com o gosto possível, não é? Quando estamos a narrar coisas atrozes, narrar aquilo com um certo...
com muito respeito por aquilo que aconteceu àquela personagem, de maneira que o leitor consiga pôr-se no lugar dela e, portanto, espero que um homem consiga identificar-se como uma rapariga de 15 anos, embora tenham experiências de vida totalmente diferentes.
mas ao mesmo tempo sem ter a pena dela ou sem que aquilo gere algum tipo de asco ou seja, que consiga vê-la como um ser humano inteiro e que não espere sequer da vítima grande
grande perfeição e portanto tento narrar as coisas de forma suportável e com a maior nuance possível, portanto tenho muita preocupação com a nuance não pôr as coisas num simples preto e branco e isso ajudar
Quem lê-se já passou por situações parecidas a rever-se, mas a rever-se de uma forma suportável. E quem não passou por situações parecidas entrar em contato com aquela realidade sem que isso aliene, sem que isso...
contamina excessivamente a experiência da leitura. E é uma grande responsabilidade narrar este tipo de histórias, não é? Como autora tens essa responsabilidade e esse cuidado de criares essa nuance.
Eu penso que sim. Quando nos propomos escrever sobre acontecimentos difíceis, há aí um grau de responsabilidade. Aí entra o papel ético e moral do escritor. E pessoalmente não conseguiria escrever algo demasiado cru que agradece quem lê. Porque me parece que é contra-producente.
E eu escrevi imensas coisas sobre violência, mesmo agora sobre o Marquês. Eu escrevi a sequência das torturas dos Távoras. Ou escrevi o Massacre do Vídeo, um livro muito antigo chamado... Mas há uma coisa que se pode fazer e que alguns autores... Porque eu sou, de facto... E eu sou, de facto...
pode-se fazer com sutileza estética ou seja ser profundamente violento estou a ler um livro que é eu li os atos humanos recentemente daquela escritora que ganhou o prémio o prémio Nobel o ano passado é um livro profundamente violento
e profundamente poético. E, portanto, esse tipo de poruridos eu não tenho porque a violência eu acho que deve ser não tem a ver com crueza. Tem a ver com mostrá-la como é. Ela pode ser acompanhada por uma certa por uma certa cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada
de subtileza estética, que torna a experiência da violência ambivalente. Percebes o que é que eu quero dizer? Ou seja, mas a violência tem que lá estar. Se nós estamos a falar de coisas violentas...
E estou a falar de guerra. Aliás, eu devo dizer que é uma coisa que me assusta. Quanto mais violente, mais fácil é escrever para mim. Eu não sei o que é que isso dirá sobre mim. Mas estamos a falar sobre guerra. Para o ideia gostar. Sobre tortura. Sobre... Que foram coisas que eu escrevi em vários livros. Sobre violência doméstica. Eu não... Sobre luto. Sobre dor.
eu tenho que fazer sentir. Quer dizer, quando eu estou a escrever, não é isso que me faz, vou fazer sentir. Não. Aquilo para fazer um todo nesse sentido pode ser ter essa gradação em termos estéticos e de linguagem. Estou-me a lembrar de uma coisa que quando o livro sobreviveu, o livro de...
A Mulher Transparente foi reeditada por uma pequena editora, porque é um livro de 2003, editado pela Gótica, que é uma editora que é quase quando a Catarina nasceu. Fabulosa, com um belo catálogo. Diga, diz Catarina. Tinha um belo catálogo. A minha primeira editora foi... T Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town
Depois foi à falência. Uma das minhas especialidades é levar as editoras à falência. Elas acabam por ir sempre, Cristina. Não és tu. As primeiras editoras foram à falência. E, portanto, e era, sei lá, que as marcas eram, já não me lembro, porque eu não me lembro o que é que escrevo, que as marcas eram com borboletas, qualquer coisa assim. E, portanto, o dar, as marcas estão lá. São feitas, têm outro tipo de analogias.
mas têm que lá estar. Têm que lá estar e isso não tem a ver com o sensionalismo, do meu ponto de vista. Tem a ver com a necessidade de agitar as tais consciências. Ou seja, é preciso que as pessoas entrem e vivenciam. Eu devo dizer, houve duas situações em que eu própria pensei, esta da sequência da tortura dos estábulos e um livro muito antigo também que eu escrevi sobre a Inquisição, em que...
O meu inquisidor era um sádico e havia, não sei se sabem, mas as pessoas antes de... Quando eram condenadas à fogueira, a igreja protegia a sua alma e eles tinham as mãos atadas atrás das costas. E eu ia espreitá-las, dizendo a si próprio que é para ver que se eles estavam próximos da conversão. Mas o que ele queria era espreitar o sofrimento. E eu lembro de pensar que pessoa sou eu para escrever este tipo de coisas.
mas eu acho que é preciso eu não estou a ver essa maldade existe no mundo eu não estou a ver um homem escrito com é cru tem que ser cru há determinados níveis em que tem que ser cru mesmo que sejamos capazes de eu não estou a ver
cobrir essa crueza com alguma estética do ponto de vista linguístico. Eu percebo a preocupação da Rita porque hoje em dia também se vê na literatura. Ou seja, enquanto a Rita falou deste cuidado de trazer dignidade à vítima, há muitos livros que pôram só a parte da violência de uma forma um bocadinho sensacionalista e põem a vítima quase num lugar de secundário, porque querem explorar. Exatamente. Por isso eu percebo e concordo contigo.
é o que é, não vamos pôr paninhos quentes mas que também em termos literários é importante trazer essa dignidade à vítima, porque uma vítima que passou por uma situação de grande abuso, atrocidade ver-se a ser tratada dessa maneira não estamos a ser justos para conhecer sobre isso, eu percebo o teu ponto de vista, mas também percebo a preocupação que a Rita levantou. Desculpa Valentina Força, eu entro. Só ia dizer que na verdade não há a forma certa de escrever não é sobre isto não é sobre isto
E a terça da própria singularidade. Claro. E cada leitor fará a escolha da sua leitura consoante a sua preferência. É muito importante ali. Não quer dizer que não se dê dignidade à vítima. Por exemplo, nesse livro de Violência Doméstica, a vítima, por causa do filho, planeia assassinar o marido. Mas depois acaba por não assassinar. Porque exatamente o marido tem um acidente.
E então há uma espécie de inversão que ela depois, ou seja, ela se identifica paraplégico. E, portanto, há a possibilidade de vingança, que ela faz durante um bocadinho, mas depois se retira. Portanto, há outras formas, mesmo sendo particularmente violento em determinados aspectos, depois de atribuir essa dignidade, digamos assim, à vítima, obviamente.
porque a literatura não quer... A literatura é o diferente do sensionalismo. Como eu disse ainda há pouco, a literatura é entrar nessa essência.
e uma das essências dos seres humanos infelizmente é maldade. Verdade, não somos assim tão originais. E nós sabemos que também, muitas vezes, esta violência de género é silenciada ou normalizada, e nós já falámos aqui sobre isso, já falámos também da importância da literatura, e vocês acham então que a literatura consegue romper esse silêncio de uma forma diferente da comunicação política ou mediática? Sim, sem dúvida, porque exatamente...
as pessoas são conduzidas através de uma história. Era aquilo que tanto eu como a Rita estávamos a dizer. Ou seja, nós vamos simultaneamente pela cognição e pela emoção. Somos levados pela história. A forma de sermos levados pela história pode ser de muitas maneiras. Pode ser pelo suspense, pelo errei, pela linguagem, pela forma como organizamos a estrutura narrativa. Mas somos levados simultaneamente pela emoção e pela cognição.
Se quase de forma inconsciente, porque muitas vezes os próprios preconceitos são também os próprios inconscientes, nós começamos a pôr em causa. E isso, quer dizer, eu quero acreditar que pode acontecer...
alguma coisa pela literatura. Sim, eu diria pela literatura e por toda a arte em geral, criatividade em geral. A arte é uma das maneiras de romper silêncios, de contestar normalizações. Temos pinturas icónicas com cabeças em bandejas.
que são muito metafóricas Tenha ali esse quadro É um tema que me agrada bastante eu também não sou alheia à violência e às vezes um bocadinho de um bocadinho de sangue é preciso
agora lembrai-me de um pequeno um micro-conto que escrevi e que deixa a maior parte das pessoas horrorizadas eu tive horrores a escrever aquilo rimo enquanto escrevia aquilo e muitas pessoas ficam impressionadas sobretudo os homens as mulheres percebem quase sempre de onde é que aquilo vem é um micro-conto chamado Mandolina e está num livrinho pequenino
chamada Observatória, que foi publicado no ano passado pela Urutal. Mas ainda sobre a literatura conseguir romper esses silêncios e essas normalizações, sem dúvida, tanto pelo papel da empatia, como nós já dissemos, como pelo facto de ser uma maneira muito...
subtil de fazer a mensagem chegar ao destinatário. As estatísticas não comovem, pelos distos não fazem grande diferença na cabeça das pessoas, está aprovado. Medidas e comunicações políticas e mediáticas também não...
não adiantam assim tanto quanto isso, aumentam a consciência de que há um problema, mas muitas vezes o excesso de mediatismo acaba por ser até contraproducente, contribuindo para a normalização ou para uma exploração das vítimas que as faz encolher-se e através da literatura, e não só, eu digo literatura.
Mas se vamos pensar em telenovelas, por exemplo, o que as telenovelas fizeram em Portugal e noutros países a abordar temas de violência doméstica, é incrível. Temos muitas, sim. Temos muitas. E no Brasil agora houve uma recentemente, eu não conheço em rede, não acompanho telenovelas há muitos anos, mas sei que houve um...
todo um movimento de mulheres que se divorciaram, que exigiram aos maridos que pagassem pensões de alimentos, etc., porque viram aquilo numa telenovela, que de outra forma não tivessem visto aquilo em personagens, numa narrativa, não teriam imaginado outros cenários para si. E a literatura em particular, mas a arte em geral, o que faz é isso, é permite às pessoas imaginarem outras possibilidades. E a partir do momento em que abrimos o leque de possibilidades...
o leque de desfechos o leque de reações possíveis estamos a dar liberdade ao leitor estamos a oferecer saídas estamos a oferecer companhia eu quando digo estamos não é que eu esteja quem escreve qualquer coisa e partilha, quem produz qualquer tipo de obra criativa e a partilha
e eleva por esses caminhos está muitas vezes a oferecer uma uma boia de salvação que podem-se aperceber que está a fazer, então sim, essas ferramentas esses veículos são muito diferentes da comunicação política ou mediática que são indispensáveis na mesma evidentemente, se pode se comunicar de forma política e mediática sobre os problemas mas depois tanto cada um
faz todo o sentido e é muito necessário que haja outras formas de comunicar acerca destes fenómenos. E vocês encontram desafios ao tentar publicar ou divulgar as vossas obras? Porque é um tema que ainda é considerado incómodo. Não é um tema fofinho, sim. Não é. É agradável. Também pode dizer que em... Mas eu publiquei esse livro em 2003. Em 2003 chegaram-me a dizer armo Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town Town
porque é que eu estava uma figura mediática mas porque é que eu me estava a meter nisso Estavas-te a meter em caminhos apartados E também a minha editora da altura perguntou-me se eu era vítima de violência doméstica Isso é uma coisa terrível que as pessoas fazem que é confundir personagens, protagonistas Também, mas foi a minha editora e era uma grande editora Era a Piedade Ferreira que foi editora do Lourão Antunes porque me perguntou se foi vítima de violência eu nunca tinha lido Então
Depois falou-me de um filme, eu nunca tinha lido nada, depois disso li, eu nunca tinha lido nada sobre violência doméstica. Aliás, li recentemente um que foi publicado pelo Relógio de Água, A Mulher que Baquia Contra as Portas, que é um livro fabuloso sobre violência doméstica. Ou seja, é fabuloso porque a própria estrutura narrativa repete-se.
E a repetição traduz a repetição que acontece no ciclo da violência doméstica. E é um livro que saiu nos anos 90.
Eu é que nunca tinha, comprei agora na Relógio de Água, naqueles de 5 euros. Boa compra. E tu, pronto, deves ter sido das primeiras escritoras em Portugal a abordar o tema, em romance. Nas novas cartas portuguesas, já é abordado. Já é abordado, já é abordado, sim, certo. Bem visto, bem visto. Já é abordado, que aliás foi um livro que eu li na adolescência e que me... Portanto, eu li esse livro devia ter 14, 15 anos.
e que me marcou profundamente em relação às questões do feminismo isso e o facto de ter vivido em Marrocos 3 meses quando tinha 12 anos também me tornou muito feminista porque aos 12 anos ter vivido em Marrocos e ver como é que as mulheres eram tratadas torna qualquer um feminista pelos vistos não porque as coisas continuam
Há certas práticas que continuam a perpetuar-se. Sim, é particularmente assustador o grau de violência doméstica, não é violência doméstica, de violência no namoro. As estatísticas e os estudos que são feitos por universidades em relação à violência no namoro demonstram que, de facto, a nossa literatura não é suficientemente poderosa. Não chega, não chega. Porque... Entre adolescentes, no século XXI...
em países ditos ocidentais, de matriz judaico-cristã. Portanto, não tem que ver tanto com questões culturais nem nada. É um fenómeno absolutamente transversal, como dissemos no início. E é preciso muita literatura para transformar.
A literatura é mais uma das peças que pode ajudar, mas sozinha não consegue. Não, é porque muitas vezes, por isso é que é a tal história da corroação em que é mais provável, volto a dizer, não há uma roação de causa e efeito, é mais provável haver agressão em famílias já muitos funcionais. E, portanto, porque...
Porque as atitudes, a forma de comunicar, aprende-se de forma inconsciente através dos modelos. A repetição, como falavas. Exatamente. E é muito difícil. Mesmo nós. Nós, a forma como comunicamos, a metadeza automática.
Não pensamos e, portanto, reagimos a determinadas emoções e determinadas coisas, não é por acaso que se diz que a infância tem a sua importância. E esses modelos não estão só dentro da família, nós estamos a assistir a retrocessos. Sim, acho que isso é verdadeiramente assustador. Pelos modelos que eles encontram nas redes sociais. Exatamente, porque a socialização agora muitas vezes é feita através, não há aquela interação como havia,
No vosso tempo, no meu tempo, e no vosso tempo, as coisas estão muito diferentes nos últimos 10, 15 anos e muitas vezes a socialização é feita através dessa interação que permite todas as parvoices virem ao de cima porque não há uma interação direta. E, portanto, é muito assustador. É muito assustador. Os 400 mil seguidores do não sei quantos tóxicos.
um qualquer que ia para a televisão e que não foi. É muito assustador. E, de facto, eu acho que se calhar sempre se manteve a misoginia na sua... No meu tempo, eu acreditei, sinceramente, que havia todo um progresso para a libertação. Nos anos 90, a Ana Vicente, que era uma escritora de género que tem...
E falava exatamente da importância da libertação das mulheres para os próprios homens. E que o que os homens estavam a perder. Estamos a falar nos anos 20. E as mulheres já fizeram grandes progressos e estão muito libertas. Mas eu diria que agora a fase seguinte será libertar os homens. Há uns tempos, em conversa com uma amiga escritora, a Lúcia Vicente, que também pensa muito estas questões, ela dizia uma coisa que me deu alguma esperança.
Dizia que nas últimas décadas, de facto, as conquistas foram tantas, a sociedade mudou tanto e tão depressa. Não é possível haver processo. Agora, não, não, não é que não seja possível. O que ela diz é que é absolutamente natural que haja aquilo a que se chama um movimento de backlash, portanto, de reação. E é isso que estamos a atravessar agora.
Portanto, a sociedade tende a progredir dois passos para a frente, um para trás, dois para a frente, um para trás. E nós estamos naquele momento que é um para trás, em que muitas pessoas perderam privilégios e neste momento estamos em fase de birra e, portanto, a resistência a isso vai ter de continuar para progredirmos. E vendo a coisa desse ponto de vista, que de facto é assombroso o grau de conquistas diversas comunidades.
minorias e mulheres conseguiram em termos dos seus direitos nas últimas décadas, foi de facto espantoso e nós em Portugal tivemos a grande festa de 25 de Abril, mas a revolução faz todos os dias e temos de continuar a fazê-la porque vai haver quem...
quem reaja a ela e quem não queira que a mudança aconteça e quem acredita que tanto é que era bom nós sabemos que tanto é que era péssimo mas esse é um cartaz com que eu costumo desfilar à vida do livro de paz dizem letras grandes tanto é que era péssimo lembrando que esses saldosismos não têm grande sentido havia coisas boas havia coisas boas cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada cada
Mas havia coisas muito, muito, muito mais. Não havia ainda estas plataformas que dão tanto acesso a pessoas tóxicas a comunicarem com adolescentes muito impressionáveis. Era uma coisa boa, isso não ia existir. Mas, no geral, as condições eram muito piores para mulheres.
minorias e convém ir lembrando isso. Em relação à tua pergunta, Valentina, e para não me esquecer, se eu encontro desafios ao tentar publicar obras que abordem temas incómodos, incómodos entre aspas, não. Encontro desafios por diversos motivos.
Não diria que por causa dos temas incómodos, até porque eu não tenho um livro, nenhum dos meus livros é só acerca de um tema. Não há um livro que seja sobre a violência doméstica, ou sobre a saúde mental, ou sobre a guerra colonial, ou sobre tudo aquilo que eu escrevo, pela natureza da minha escrita, acaba por ser sempre...
muito multi-temático, multifacetado. E cada pessoa vai depois retirar daquilo, aquilo que quiser ou que mais lhe interessar. Mas acaba por tocar sempre tantos temas diferentes que não se pode dizer que são obras ou romances.
ou é penas de poesia, ou biografias, seja que obra for, que tenha um só tema. Então, por acaso, nunca senti que o tema fosse incómodo para algum editor ou para o público. Por aí não sinto, mas isso devido à particularidade da minha escrita. Não sei como é que é a experiência.
de outras autoras e autores que, tocando em temas delicados, possam ter encontrado resistência. As questões não... A mim também nunca se pesaram pelos temas. Puseram-se por outras variáveis. Agora, pelos temas, não. Não é isso. E também é... Por acaso, aquele livro, O Mulher Transparente, é especificamente sobre o Nacer Mestre.
É uma história sobre violência doméstica, mas a maior parte dos livros têm sempre muitas camadas. É impossível ser... Claro, há aquele livro, ou romances biográficos, que eu também escrevo, têm sempre muitas camadas, necessariamente não são, porque a própria natureza humana tem muitas camadas. Se a literatura quer refletir...
a natureza humana também tem que ter vários camados. Sim, exatamente. E nós sabemos também que estatisticamente as mulheres é que são de facto, é que representam a maior porcentagem de vítimas de violência doméstica e que os homens são aqueles que mais exercem essa violência. Tendo isto em consideração, não acham que seria importante termos homens ou cada vez mais homens a ler estes livros? E se isto acontece ou se vocês notam que isto é em vida a acontecer, qual é o feedback que vocês têm recebido deles?
Nunca recebi. Nunca recebi. Nenhum homem. Pronto, excepto os psicólogos clínicos, que eram homens. Mas nunca recebi. Só de mulheres, por acaso.
Não é por acaso, Cristina. Não. Isto diz muito. O cenário é bastante desolador. As estatísticas indicam que os homens são aqueles que mais exercem violência de género, mas também indicam que são os homens que menos leem. Eu não estou a dizer que há aqui uma causalidade.
Mas há uma curiosa correlação. Curiosa, sim. E as mulheres leem mais. Quando vamos ao lançamento ou a qualquer evento literário, nós vemos que 80% da plateia são mulheres. E se calhar já estou a ser generosa. As mulheres são quem, apesar de serem quem mais trabalha dentro e fora de casa, quem tem mais carga mental, ainda são quem consegue arranjar tempo para ler.
e para pensar estes temas e depois para vir falar com as autoras e os autores. A escrita por parte de mulheres também sabemos que é muito discriminada junto dos leitores, tanto homens como mulheres, mas sobretudo os homens torcem bastante o nariz.
E as mulheres também ali mais autores masculinos. Sim, sim. Eu disse homens e mulheres tendem a ser maridos. Eu acho que é uma questão de divulgação. Continua a vir. Para isso é que o clube das mulheres escritórias existe. É precisamente para combater, para remar contra essa contra essa maré. Aqui há uns anos eu traduzi um livro maravilhoso chamado Manual para Mulheres de Limpeza da contista americana Lucia Berlin.
é um livro absolutamente brilhante e recomendei-o a um homem e ele disse, mas escrito por uma mulher e com esse tema que tem no título da mulher mulheres e limpezas, tu achas que isso me vai interessar? que coisa corriqueira e banal absolutamente magistral, e estamos a falar de um homem com formação superior, era um médico
e quando ele me pediu uma recomendação de leitura e depois torceu o nariz quando eu lhe sugeri esse título pronto, é neste nível que estamos o tal preconceito que existe existe bastante, bastante preconceito no entanto, eu já tive feedback de alguns homens que leram obras minhas e me disseram que tinham gostado, o que é que acontece? os homens geralmente, embora se pronunciem e
embora se tenham pronunciado nessas ocasiões foram muito vagas não, também não exagerimos eu disse que não em relação àquele livro específico a mulher transparente é que eu nunca me lembro, por acaso fora aos meus colegas clínicos de ter um homem a falar dele também
As leitoras mulheres vêm ter comigo e contam-me episódios da sua vida. Dizem esta parte, se tocou aqui mesmo numa coisa importante para mim ou esta personagem.
põe-lhe-lhe na ferida, ou seja, falam das obras realçando aspectos muito particulares e fazendo uma análise que passa pelas suas vidas e porquilo que elas observam na sociedade. Os homens, quando se pronunciam, fazem muito menos vezes e fazem de maneira geral. Mas isso tem a ver também com a questão do processamento emocional dos homens.
Porque exatamente a educação continua a ser muito castradora para muitos jovens, rapazes. Castradora no sentido de dar modelos. Os homens não choram, têm que ser fortes, têm que não sei o quê.
Esse tipo de coisas, ou seja, às mulheres é dada a maior, pelo menos essa liberdade, dar a maior liberdade de exprimir as emoções.
Isso faz com que as mulheres tenham tendencialmente um registro mais empático e que também depois na abordagem dos livros o façam de uma forma diferente. Não quer dizer que eles não o sintam e não pensam e não sejam capazes de... Não sabem em verbalizar. Claro, não estou a dizer que eles têm menos complexidade. Estou a dizer que no momento de dar o feedback eles se leem...
aparecem muito menos e quando fazem comentários são muito mais sucintos e genéricos não mostram tanto o quanto se deixaram tocar mas sim, isso também fará parte de toda uma questão sistémica e que vem já da infância e da maneira como socializamos os rapazes também, que é tão problemática como a maneira como socializamos as rapazes Exatamente Exatamente
Porque o feminismo passa também pela libertação dos rapazes. Então vamos deixar aqui uma mensagem aos nossos ouvintes, homens. Façam chegar as vossas opiniões. Eu tenho vergonha. E em relação a próximos projetos, querem falar sobre isso? Se puderem, claro, se quiserem. Eu posso e quero, não sei. Quero falar primeiro, Cristina.
Não, se podes e queres, começa. Eu acabei um romance ontem. Ontem mesmo, eu acabei um romance ontem. Ah, eu tenho a história fase final. Parabéns, parabéns. É sempre um grande momento quando se põe esse ponto final. E fui limpar casas de banho para comemorar. Pensava que ia dizer que abriste uma garrafa de vinho ou champanhe. Esta casa tem três casas de banho.
Alguém tende o fazer, não é? Muito bom, muito bom. As escritoras também têm. São pessoas normais que limpam a casa, que cuidam dos filhos, têm um trabalho. Têm um trabalho, tenho muito trabalho. Mas pronto, eu escrevi sobre um transsexual. Portanto, também é um tema. E sobre um detetive. Gostava de conhecer. Estou curiosa. E há planos para publicação? Logo se vê, vamos ver. Vamos ver. Boa sorte. Obrigada. Parabéns, Cristina.
Eu estou a acabar de escrever o meu próximo romance. Estou a... Três capítulos e meio. É a primeira vez que estou a escrever de forma... Mas tu põe aí os meus livros para saberes... Era isso que eu ia dizer. É a primeira vez que eu estou a escrever de forma tão linear. Mas, por acaso, neste livro... Não, eu estava a perguntar se tu escreves. Por exemplo, caso tu se estivesse três capítulos e meio, aqui no primeiro capítulo fiz isto.
No primeiro capítulo fiz isto. É a primeira vez que estou a fazer isto num livro. Mas fizeste isto.
Desta vez fiz, porque... E ligaste-te alguma coisa? A própria natureza do livro pede esse tratamento. A ação decorre toda em três semanas e acaba por ser quase um capítulo por dia daquelas três semanas. Então, avançar de forma linear e de forma estruturada foi o que acabou por fazer mais sentido. E, portanto, neste momento eu sei... O que é que vem a seguir?
Quanto é que já escrevi e o que é que me falta acabar de escrever? Estou há três dias e meio. Não, eu estou a dizer. Eu estava a perguntar porque eu tenho um livro que ela falou sobre a Anny Silva Paz. Como aquilo era muito complexo. Eu fiz isso. Sim. Fiz isso. O que é que eu tinha feito? Primeiro capítulo, segundo capítulo, terceiro capítulo. Depois não liga nenhuma aquilo. Por isso é que eu estava a perguntar. Sim.
A pessoa faz assim, alinhada, mas depois quando chega a hora de costurar é outra coisa. Mas a propósito de romance direito, a minha mãe, eu não escrevo geralmente romance direito, porque gosto, uma das minhas características, eu acho que tem duas características enquanto escritora, uma é a densidade psicológica, modéstia à parte, e a outra é a manipulação de estruturas narrativas.
E o único livro linear que eu escrevi foi o que ganhou o Prémio Fernando Namora. E a minha mãe, quando o leu, disse-me finalmente escreveste um livro a direito. E depois desse estou a trabalhar agora em simultâneo em duas obras juvenis que vão ser ilustradas e que vão sair por editoras diferentes. Uma pela Calandraca. Adoro essa editora.
Talvez sairá para o ano. E outro que também deve sair para o ano que vem, que vai sair pela imprensa nacional. Ambos vão ser profusamente ilustrados. Os manuscritos já estão fechados. Mas agora estamos na fase da ilustração. E as coisas em edição são muito moradas. Sabemos disso. É um rito próprio. É. Portanto, daqui a um ano temos novidades. O romance talvez até saia primeiro. Vamos ver. Cá estaremos. É sempre. Vamos ver.
Mas é uma coisa que me interessa. Eu não sei, eu não sou uma pessoa profícua, como vocês. Eu só sei fazer romances. Não sei fazer... Nunca experimentei fazer literatura infantil, nem acho que seja capaz. Mas tenho muito interesse do ponto de vista profissional. Aliás, convidei uma das nossas delusas colegas para avaliar a Sara. A Sara Rodi. Para fazer o primeiro estudo importante sobre o efeito da literatura infantil na empatia.
Ela vai ser uma grande altura. Científica. Incrível. Esse tema já me está aqui a goçar o apetite. Força, Rita, desculpa. Claro, queria só dizer. É engraçado que a Cristina diga que fala em ser-se profícua e é verdade que eu já publiquei guias práticos, alguns ilustrados, biografia, ensaios, semi-jornalístico, romance. Eu já disse poesia.
Ainda não disseste. Não. E poesia. E tenho mais umas coisas diferentes em carteira. E é engraçado que digas, depois de mais de 20 obras publicadas, ficaste sempre na área do romance. Não, também publico artigos científicos. Sim, artigos científicos. E tens uma coletânea de contos também. Mas há bocadinho falavam da...
se os temas tornavam difícil a publicação, no meu caso, em particular, e agora isto é assim, gossip entre escritoras, o que tem tornado a publicação difícil, muitas vezes, é o facto de eu publicar em tantos géneros diferentes. Porque sou uma marca difícil de vender ao público porque não estou conotada com um género em particular. Publico em áreas muito diferentes e já ouviço alguns editores. Eu sou de uma idade que me custa que tu sejas uma marca.
A literatura A especialização O que eu respondi foi A especialização é para os insetos Não, é porque O que tu estás a dizer Tem que ver como é que funciona o mercado E um dia destas Todos nós Aliás, eu disse isto ao meu Último editor, ou seja Todas nós vamos ser Substituídas pela inteligência artificial Minhas amigas, portanto Neste momento está a começar a tocar Tchau
os tradutores. Não sei se já reparaste. Já. Como tradutora já senti. Pronto. Está a começar a tocar os tradutores e os ilustradores. A seguir... Estão a ser muito castigados. A seguir vão para os editores. Por quê? Análise da probabilidade de venda. Isso é isso que os editores fazem.
correções em relação à repetição de palavras ou em relação às estruturas ou não sei o quê. Daqui a dois, três anos, a inteligência artificial faz isso. A seguir, vem portanto, ficam só lá os administradores e os porteiros. E no meio, mas depois não é preciso mais nada. Porque a seguir arregulando arregulando arregulando
Somos nós. Eu estive nas correntes escritas este ano e falei de uma coisa. Eu adoro a Virginia Woolf e conheço muito bem o estilo da Virginia Woolf. E pedi a inteligência artificial. Não a que eu tenho no ISPA, que é mais sofisticada, mas esta ou a chat-chap-té que toda a gente tem não pago. Olha, escreve-me. Um conto de duas páginas sobre suicídio.
Não podes repetir, como sabem, têm que ser instruções muito específicas. Não podes repetir nenhuma frase deste livro, daquilo, daquilo, daquilo, daquilo. Tens que ter determinado tipo de espírito. E eu fiz. E eu fiz. Portanto, a seguir, somos nós, porque é que qualquer dia fica ao... E a seguir, os administradores também vão, porque os meninos mais para a frente vão dizer olha, e alguns não o fazem. Agora quero uma história deste tipo.
E qual é o problema disso? É como o chat GPT agora já ter versões pornográficas e conversas eróticas. É perdermos lentamente a alma humana. E a capacidade... Não é distópico. Não é distópico. O problema é que não é distópico. Pois já não é distópico. O problema é que não é distópico. E, portanto, é destas coisas que lamento por ser um espírito negro.
uma vez fizeram uma coisa e disseram que sou quase tão sombria como o João Tordo o João Tordo é mais sombrio que eu mas não me importo de ser uma senhora idosa exatamente porque eu não vejo o futuro nada brilhante
E, portanto, vocês agora têm umas coisas leves, não é? Para animar a malta. É verdade, pois temos desmembrado aqui um tema muito importante e difícil, com muitas camadas. Temos, assim, uma parte mais divertida e leve também para nós. Nós também nos merecemos divertir um bocadinho depois desta longa conversa.
Então, agora temos um pequeno desafio que é muito simples, que se chama Isto ou Aquilo, em que nós temos uma série de perguntas em que vos damos duas opções e vocês podem escolher uma delas, as duas ou nenhuma, ok? Não é preciso pensarem muito, não façam grandes racionalizações, digam a primeira coisa que vos vem à cabeça. Mas, portanto, é para uma primeiro, depois para o outro, como é que é?
Nós lançamos a pergunta e vocês podem responder uma de cada vez, não se atropelem, ou podem se atropelar também. Então, estão prontas? Primeira pergunta, gato ou cão? Eu adoro os dois, eu já tive os dois, é impossível escolher as duas coisas.
Gato, por mim gato. Gato, ok. Doce ou salgado? Doce. Doce, ou doce era onde fosse, costuma-se dizer. Desculpa. Não consigo escolher, mais uma vez, é as duas coisas, por favor, adoro-se. Um bom folhado de chaves, um bom pastel de mato, ah, não consigo escolher, as duas coisas. Eu estou contigo, Rita. Ficar em casa ou sair? Ah, já ficar em casa.
Mas também saía às vezes. A ter de escolher, eu adoro viajar, mas a ter de escolher e ficar em casa, diria, a maior parte do tempo.
Ler no sofá ou na cama? Cama. Na cama. Somos mulheres de cama, muito bem. Desde sempre. E na praia, na praia, mas não vou na pergunta. Ai, que bom. Também pode ser uma boa sugestão. Nada como ler na praia, é verdade. Adoro ler na praia. Chamada telefónica ou mensagem escrita? Ou chat de IPT? Não estou a gozar, essa não dá. Essa não dá. Eres?
Não dá porquê. É, porque a pergunta era só, chamada telefónica ou mensagem escrita? Porque nós já escrevemos estas perguntas. Aqui, como falámos do chat GPT, que eu resolvi emeter. Mas não está lá. As duas coisas têm propósitos completamente diferentes. Às vezes quero mesmo ouvir a voz da pessoa. Às vezes dispensam o telefonema e basta uma mensagem curta. Eu não sei o telefonema, mas eu não gosto de mensagens escritas.
A antiga. A antiga, exatamente. A antiga, por isso é que não vai ficar nada gravado. Tudo a antiga. Eu sou do tempo em que se não se perem encher pautas em potefones.
escrevia-se à mão e dava-se à senhora da secretaria. Era tão... Então vamos agora fazer um exercício que olhava a se gostar, Cristina. Vocês vão completar uma frase com aquilo que vocês quiserem. E a frase é... A literatura pode ser um espaço de denúncia, mas também de... Liberdade. Amém. Eu respondo também ou eu apanho a próxima frase? É a mesma para as duas.
Ok. Quer dizer do início, para ficar bonito, sucorrido? A literatura pode ser um espaço de denúncia, mas também de... Celebração. Lindo. Adoro. Liberdade e celebração, lindo, lindo. Não é à toa que vocês são as duas grandes escritoras. E já estamos quase a terminar aqui a nossa conversa, que tem sido muito, muito interessante, muito importante e temos para terminar uma pergunta mistério.
que é a seguinte, se pudessem deixar uma mensagem a leitoras e leitores que atravessam situações de violência, qual seria? E que papel recomendariam a quem acompanha, seja família, amigos ou comunidade? Queres começar, Cristina? Mas eu vou outra vez a pergunta, o que é que eu faria? O que é que eu diria? Se pudesses deixar uma mensagem a quem está a atravessar por situações de violência?
e que papel recomendarias também a quem acompanha, ou seja, para quem está a passar e para quem acompanha eu estava distraída, peço imensa desculpa não estávamos a pensar em limpar casas de banho não vais a seguir limpar não, esta hora não vou pensar em limpar casas de banho tem mesmo a ver com a minha perfectidade que estava distraída eu diria para que essa pessoa dê um abraço a alguém arregulado
a que ainda sinta confiança. Porque a partir do momento em que essa pessoa der um abraço, vai acabar por verbalizar o que precisa de verbalizar. E a segunda parte da pergunta era? E que papel recomendariam a quem acompanha, seja família, amigos ou comunidade? O primeiro papel é compreender, por isso é que eu tive esse discurso todo, muito didático ao princípio, é compreender o ciclo.
E perceber onde é que aquela pessoa está no ciclo. E em função disso, dar abraços quando for necessário e questioná-la. Questioná-la porque nós não conseguimos levar a pessoa... Questioná-la porque não é... Tu não vês, mas porquê que tu não vais embora? Porquê que não, não sei o quê? Não, não é assim. É preciso... Essas duas coisas. Ternura e questionamento.
Trenura a ser do toque. Do toque. Nós somos criaturas de toque e precisamos, é verdade. A minha resposta já estava pensada antes da Cristina falar, mas vai totalmente ao encontro daquilo que a Cristina disse.
E não estavas destruída como eu. Não, não, estava a vir-te com muita atenção. E reparei que coincidíamos em absoluto, com formulações um pouco diferentes, mas o espírito é o mesmo. Que mensagem é que eu deixaria a alguém que está a passar por uma situação difícil de violência de género, e aqui falámos muito da violência doméstica, mas há outros tipos de violência. A mensagem que eu deixo é muito simples, mas é essencial, é o ponto de partida de tudo. Ele fala com alguém. A partir...
Do momento em que falamos com alguém, as coisas ganham outros contornos, outras proporções. Saem da clandestinidade, deixa de haver tanta vergonha, deixa de haver a solidão que aprisiona. É o início da porta de saída, é falar com alguém, seja com quem for. A mensagem que eu deixo a quem está à margem e pode ou quer ajudar.
também vai ao encontro daquilo que a Cristina disse e é basicamente não julgar. Ouvir e não julgar. O primeiro passo é não julgar. Nunca se sabe o que é estar na pele de outra pessoa. Portanto, o primeiro passo é ouvir, não julgar e a seguir, se possível, oferecer à pessoa recursos que ela sozinha não está a conseguir encontrar. Seja
ligar para a APAV, seja procurar o número de um psicólogo de confiança, seja chamar um assistente social, seja prontificar-se a ligar para a polícia, acompanhar a vítima numa audiência, seja o que for. Deixa-me só dizer uma coisa que é importante, de qualquer maneira. Nós não estamos aqui a falar de uma pessoa... Eu, quando disse isso, não estávamos a ser testemunhos.
de uma situação de violência. Qualquer situação de violência que sejamos testemunhas, a primeira coisa... Porque o crime de violência é público, a primeira coisa a fazer é não ser. A violência doméstica é. Há outros crimes que não estão ainda... Mas a violência doméstica é... Codificados na lei. Portanto, a primeira coisa a fazer é imediatamente telefonar. Sem paninhos quentes.
Sim, não esquecer quando se houve pronto, estávamos a falar seja assim de cima seja qualquer coisa que se passe na rua tem que se fazer imediatamente isso
Seja com alguém muito próximo, seja com um desconhecido na rua, seja com um vizinho de cima, são sempre situações a serem denunciadas. Longe vai o tempo daquela máxima do estado novo. Entre marido e mulher não se mete a colher. É das coisas mais horríveis que se possa fazer, que é abandonar totalmente a vítima à sua sorte e contribuir para aquele desespero aprendido.
de que há pouco falavas a resposta é sempre solidariedade e portanto o primeiro passo é sair do silêncio, contar a alguém e depois que a resposta a isso seja solidariedade e procura de justiça Obrigada Rita e Ana mensagens muito importantes que acho que encerram a nossa conversa de maneira muito bonita e importante para quem está a ouvir, obrigada Obrigada
Obrigada pelo convite, foi um prazer e agora vamos ver se eu consigo dar-vos isto a casa toda. Não fico com a Rita apenas e acabou. Vamos conseguir.
Chegamos ao fim de mais um episódio do podcast Nós, Vós, Elas. Muito obrigada por nos ouvires. Subscreve o nosso podcast na tua aplicação favorita de podcasts para não perderes nenhuma conversa. Leia-nos em clubedasmelherescritoras.substack.com e segue-nos no Instagram em clubedasmelherescritoras. Até breve!