11. Especial Festejo Abrição Seu Estrelo (21/03/2026)
- Festa de Abrição do Seu EstreloHistória e significado da festa · Tradições e mitologia do terreiro · Ocupação cultural de Brasília · A importância do terreiro como espaço de encontro · A relação com o aniversário da cidade
- Cultura Popular e a CidadeA importância da cultura popular na ocupação urbana · A relação entre tradição e a cidade nova de Brasília · O papel da arte na criação de encontros e comunidade · A produção cultural e o cuidado com os mestres · A necessidade de sonhar e imaginar a cidade
- Música e arte no Ocupa BSBMúsica 'Coroa Vermelha' e homenagem ao TT · O disco 'Eixo Monumental' · Poema de Lucas Berg sobre os eixos de Brasília · Apresentação de artistas locais e regionais
- As Três Festas do Seu EstreloFesta de Sinhá Laiá (abertura em abril) · Festa de Seu Estrelo (junho) · Festa do Calango Voador (setembro) · A evolução e dimensão da Festa do Calango
- Manifesto e a necessidade de sonharO Inocente Manifesto ou o Julgamento do Triste Jumento pela Besta Alegria · A frase de TT Catalão: 'Se você não gosta da cidade, mude ela' · A cultura popular como ferramenta de criação e reinvenção · A frase de Ailton Krenak sobre a criação diária do mundo
- A importância da produção culturalO papel da produtora Isabela Aquino · A cultura popular como produção e brincadeira · Valorização do trabalho de bastidores · A cultura popular como escola e troca
E aí Meu Santo Antônio de Batalha Vem vencer essa demanda E comer no meu congão
A sua língua tem navalha, no meu jogo deu ciranda que começa a girar. Daqui de casa, contei três ruas pra riar. Quisei farinha, comprei cachaça e um cigarro pra ofertar.
Meu santo Antônio de batalha, vem vencer essa demanda e comer no meu congá. A sua língua tem navalha, no meu jogo deu ciranda, que começa a girar daqui de casa.
Dei três ruas pra riar Quisei farinha Comprei cachaça E um cigarro
meu jogo deu ciranda, sua coroa é vermelha, Santo Antônio de Batalha, vem aqui na minha aldeia, te ofereço anel de ouro, saraba, saraba companheiro, porque lá em Aruanda você é meu mensageiro.
Meu mensageiro foi pro deserto caminhar. Vem seu demanda, abre o caminho, traz medicina.
A CIDADE NO BRASIL
Sua coroa é vermelha Santo Antônio de batalha Vem aqui na minha aldeia Te ofereço anel de ouro Sarafa companheiro Porque lá em Aruanda Você é meu mensageiro
O programa a seguir não é recomendado para menores de 18 anos. Começa agora. Ocupa. BSB.
Salve, salve, ouvintes da Rádio Cultura. Mais um Ocupa BSB está no ar. Hoje, 25 de abril, eu, Leonardo Rodrigues, juntamente com os nossos coletivos e iniciativas que compõem o Ocupa BSB, estaremos com vocês das 19h às 20h, trazendo o melhor da agenda cultural, artística e de como ocupar a nossa cidade.
E hoje quem abriu o programa foi seu estrelo e fuá do terreiro. Inclusive já dou as boas-vindas ao Tico, o nosso convidado especial, para falar um pouquinho da festa de abertura à abrição que acontece todos os anos. Agora em abril, não é esse, Tico?
Exatamente. Boa noite, boa noite a todos. Primeiro, agradecer o espaço, para a gente é sempre importante. A gente ocupamos essa cidade muito por causa desses espaços também, por essas divulgações. E sim, estamos fazendo a festa agora novamente, 22 anos. 22 anos.
A gente parou exatamente só na pandemia ali, né? Voltou. As festas entraram no calendário oficial da cidade. Sim. Hoje são lei. E novamente a gente está fazendo a festa, abrindo o terreiro, abrindo os festejos, né? Na casa e na sede do grupo.
Inclusive, o nosso primeiro especial de festivais e festas que são relevantes para a ocupação da cidade foi o Festival do Patrimônio Brasileiro, que fez todo o resgate de vários íntimos e tradições populares, inclusive citamos também a importância do reconhecimento como patrimônio local do terreiro e do seu estrela.
E aproveitando como a gente tem de tradição sempre um artista local que abre o programa e explica um pouquinho, eu queria que você falasse um pouquinho da música Coroa Vermelha, aproveitando também que a gente está aqui nos estúdios da Rádio Cultura, no Espaço Sagrado Renato Russo, a ligação com o TT e tudo isso que a gente já conversou um pouquinho.
Sim, essa música é super importante pra gente. Foi engraçado porque ela foi a última, é feita pela Bela, Bela Mineses, e ela foi a última, assim, a escolha, porque na verdade o disco é uma homenagem ao TT, né? Quando a gente começa a gravar o disco, o TT se encanta.
E era engraçado porque toda vez que eu estava com o Tetei, a gente passava no eixo monumental, ele dizia, isso aqui é uma grande encruzilhada, né? O eixo monumental mora aqui. E aí, por isso, o disco se chama eixo monumental. E é o único que não é no samba pisado, é o único que a gente não toca o ritmo do samba pisado, né? É o único que a gente toca uma levada para o eixo, para Santo Antônio.
E aí a gente faz essa homenagem, no caso do Santo Antônio, para o Exu e para o TT. Então, como era uma homenagem para ele, como tinha o Exu, tinha que ser uma música para ele de abertura. A partir da segunda faixa é que a gente desenvolve a brincadeira da gente com o samba pisado. Então, de qualquer forma, como era a abertura, era a primeira, e era sua homenagem para o TT, a gente traz essa música, e aí a Bela Menezes acompanha essa música.
abrindo o disco da gente, o eixo monumental. Tem um poema do Lucas Berg em que ele fala que os eixos se cruzam e as pessoas que não se encontram. Vamos discutir um pouquinho aproveitando o eixo monumental. Brasília carece de cruzos. Onde estão as pessoas e quais são os pontos de encontro desse nosso território?
Impressionante isso, porque Brasília é uma grande cruzada. Esse cruzar, tanta gente de tanto lugar chegando. Nesse lugar também que é o Cerrado. Essa cidade que veste o Cerrado.
que também gera um ponto de encontro de vários povos indígenas que se cruzaram por aqui. A gente no Começão estava falando do Paulo Bertrand, que é essa figura. Eu acho uma pena, muitas vezes, o Paulo não está nas escolas. Eu tenho de Recife, para mim, o Josué de Castro fala muito que ele apresenta Recife para a gente. O Paulo foi quem me apresentou muito o Cerrado. Então, essa terra de memória, essa terra de cruzos já...
E aí chega Brasília nesse X, nessa grande encruzilhada. Eu acho que muito da função da gente que faz, que brinca, que faz cultura, que faz as festas, é promover exatamente esses cruzos, a possibilidade desses encontros.
E aí você vai vendo, a partir das festas, eu acho que muito da função da arte é exatamente essa possibilidade de abrir esses encontros mesmo. O espaço lá é esse espaço da gente no aterreiro, um momento em que a gente volta de novo, a gente começa com as festas.
De repente, a festa do Calango, ela ganha uma dimensão, vira o Festival de Cultura Popular, a gente vai lá para a FUNARTE, né? Mas no momento eu sinto de novo a necessidade de voltar para o terreiro, voltar para o espaço da gente, voltar para essa casa onde a gente se encontra, né? Onde a gente passa todos os dias. Eu falo muito que ser o estrelo, a gente não vive para fazer uma festa, né? A gente faz festa porque a gente vive a brincadeira, né?
Então, eu acho que a arte tem um pouco essa função, né? A produção, quem produz, as festas, os artistas, de possibilitar, de abrir essa possibilidade de cruzo dentro dessa cidade, que foi pensada e constituída para isso. Foi sonhada nisso.
Vamos continuar esse papo no próximo bloco. Eu queria que você fizesse um convite para quem está nos escutando para correr, para ir para a festa. Então faça esse convite e no próximo bloco a gente fala um pouquinho do que é a festa de agressão. Pois é, vem assim, bora. A gente está começando a festa. Já abre com essa máquina, né? A gente fala de encantamento que é a orquestra alada, trazendo as figuras da brincadeira da gente. Já, já começa a orquestra.
A gente tem o prazer de convidar esses artistas da Zona da Mata, do Pernambuco, da Mata Norte, que a gente está fazendo um aponte muito grande. Então está aqui Nailson Vieira, está aqui Mestre Anderson Miguel também, com as cirandas. Seu estrelo e essa homenagem dessa festa que é para a Laiá, a nossa sereia do Cerrado. Perfeito. Ocupa a BSB, ocupando sua rádio e a nossa cidade. Ocupa a BSB na Rádio Cultura.
Estar isolado me fez exalar Saudade em sentir o gosto da brisa Saudade em vestir a nossa camisa Saudade em ver o tempo passar Saudade em ver a luz do luar Mas Deus por ser grande une as nossas peças Com calma e ciente não trabalha às pressas Consigo e deciso nos replanejar
Pra ver novos traços dos filhos da terra Quem teme acertar, não tente nem erra Não vai nem fica para esperar De um canto fechado, a luz do luar Já é mais escura, com modéstia contem Trazem novos passos e não desapontem Quem quer para o vento
Que banho nascer da nova jornada E mole o coer da fase passada Dando novas chances num outro raiar O barco é pesado, mas ao navegar O vento é apoio pra vela inerente E junto a mim vai andar pra frente Quando a maré decide voltar
Estar isolado me fez exalar Saudade em sentir o gosto da brisa Saudade em vestir a nossa camisa Saudade em ver o tempo passar Saudade em ver a luz do luar Mas Deus por ser grande une as nossas peças Com calma e ciente não trabalhe às pressas Conciso e deciso nos replanejar
E aí
Tchau.
100,9 Cultura FM Oh minha mãe das águas Deixa eu brincar nesse terreiro Peço pra acabar com esse berreiro Ajuda os seus filhos a trabalhar
Minha senha veio cantar Trouxe flor e trouxe cheiro Mãe de seu estrelo vem abençoar Minha senha sereia de rio Vem pra lavar o terreiro e qualquer desespero É senha laia
Música
Minha senha, venho cantar Trouxe flor e trouxe cheiro Mãe de seu extremo, venha abençoar
Pede a benção, a flor das águas, pra esse mundo, a luaia, ó minha mãe das águas. Deixa eu brincar nesse verão.
A antiga geração de candangos construiu Brasília. A atual geração ocupa Brasília. Diretamente dos estúdios da Rádio Cultura, o Ocupa Brasília está sempre no ar, das 19h às 20h, e hoje com um especial em homenagem à festa de abrição, uma das quatro festas. São quatro festas, não são? Três. Uma delas tem o teatro de terreiro, né?
E quem vocês acabaram de escutar é o Tico, nosso convidado para falar um pouquinho sobre a Festa de Abrição, especificamente o que está acontecendo agora lá no terreiro. Tico, fala um pouquinho para a gente o que é a Festa de Abrição, especificamente pode também falar o que são as três festas, ou depois no final você cita com a minha audiência quarta, também o festival, mas vamos para as três festas.
Pois é, dentro da mitologia, a gente acaba que nessa intimidade, a gente fala muito sobre essa intimidade com as figuras, com a brincadeira, esse território sagrado da intimidade. E aí a gente acaba se envolvendo muito com três figuras, particularmente, que é Sinh Alayá, Mãe de Seu Estrelo, Seu Estrelo e O Calango Voador. São as três festas, são as três figuras que a gente acaba puxando para essas homenagens dentro da mitologia.
E aí a gente sempre abre nessa festa em homenagem a Laiá. Quando a gente lava a casa, lava o espaço, e aí a gente abre todos os festejos. Sempre em abril, em junho, vem a festa em homenagem ao seu estrelo, e aí a festa em setembro em homenagem ao Calango.
É uma forma também da gente estar junto o ano inteiro, dentro do terreiro, direcionando essas homenagens. Então a festa de Laia é toda voltada para ela, tudo azul e branco, tudo em homenagem a ela. Essa é a estrela onde a gente distribui as frutas, pela mitologia, essa figura, esse cuidador do cerrado, esse zelador do cerrado.
E aí a última para o calango. É uma forma que a gente tem de estar um ano inteiro brincando, vivendo, vivenciando essa própria mitologia. Há 22 anos a gente faz as festas.
Teve uma época que a festa do Calango, ela cresce, não sei te explicar exatamente por que a festa do Calango, mas ela cresceu de uma forma absurda, né? Acabou que a gente foi para um fundarte, 25 mil pessoas, 4 dias de festa, né? E aí a gente acabou diminuindo muito as outras festas, assim, né?
E aí é um momento que a gente sente a necessidade de voltar para o terreiro, de voltar para casa, de voltar para a comunidade também. Era um momento também que a gente estava numa tensão muito grande pela briga pelo próprio espaço também. Então a gente entende a força do lugar, entende a força de estar na casa, da cidade se reconhecer nesse espaço também. Porque muitas vezes quando a gente saía também de lá e estava na FUNAT,
Muitas vezes a cidade não entendia onde a gente estava, a casa da gente, o espaço da gente. A gente fala muito sobre essa coisa da comunidade. Quando a gente fala sobre isso, a gente fala dessa troca humana, dessa comunidade humana, mas também com as coisas mais do que humanas. Então a gente toca também para o vento, para o rio, para as árvores que estão arredeando a casa, para o local da gente.
Então a gente volta de novo, o festival continua hoje por outras produtoras, mas a gente volta de novo para as festas na casa, traz para o terreiro de novo, fortalecendo a comunidade, o espaço da gente.
Fazendo com que as pessoas vejam quem é a gente durante o ano todo. Conheçam o espaço da gente. E criem essa afetividade por esse espaço também. Então, para a gente é importante essa volta. É isso. Então, a primeira festa é sempre essa... É uma festa que a gente sempre fica, porque vira o ano. Então, é a que demora mais no calendário, de uma para a outra. Então, geralmente é a festa que a gente fica com mais expectativa. E para a mãe de todos, assim, das figuras da gente, que é a sereia laia.
E antes da gente entrar aqui no estúdio, você fala que algumas pessoas perguntam, mas vai ter de novo. Queria que você falasse um pouquinho desse lugar da repetição. A gente pode falar de tradição dentro de uma cidade que é tão nova? E aproveitando, vou fazer mais uma perguntinha junto para a gente poder encerrar esse bloco. Se em abril essa escolha tem algo a ver com o aniversário da cidade, a criação de Brasília? Então fala um pouquinho da gente sobre isso.
Pois é, assim, eu acho que essa ligação, ela tem, assim, era engraçado, porque quando a gente pensa na festa, também era um período, no começo do grupo, o meu trabalho ainda tinha um trabalho muito ligado em Recife, né? Então, geralmente, quando acabava ali esse período de novembro, dezembro, janeiro, eu voltava para Recife.
E aí ficava até carnaval. E aí saía no Maracatu, no Maracatu Piaba de Ouro, né? Antes no Estrela Brilhante, depois eu conheci o Mestre Salustiano, começa a sair de Cabuco, no Piaba de Ouro. E aí era meio que no começo do grupo tinha esse período mesmo. E de novembro, a gente até fazia a última festa em novembro e a gente chamava a Dona Saudade, né? Pra ficar tomando conta do terreiro até a volta.
E aí depois a gente voltava, se despedia dela e aí começava as atividades. E geralmente era em abril, que a gente realmente abria o terreiro e aí as festas chegavam. Então coincidentemente, e não coincidentemente, batia com o aniversário da cidade também. Depois foi engraçado que a gente começa também a assumir um pouco do carnaval. Então eu também começo a não...
mais descer pra Recife, né? E aí isso muda um pouco também, mas aí essa feitura, essa tradição já tava marcada pra gente também. E aí a gente assume ela, né?
A gente fala que as festas são o momento da gente dividir a brincadeira com a cidade também. Todo dia, na verdade, dentro do espaço da gente, a gente está nesses encontros. Seja por meio das oficinas, toda segunda e quinta-feira a gente tem o bordado, onde a gente está fazendo.
Toda segunda tarde, toda quinta tarde, se você chega lá, a gente está fazendo figurino, reformando, fazendo as coisas. Toda noite tem ou tem ensaio ou tem oficina. No final de semana a gente ensaia, então a gente está o tempo todo em contato e vivendo a brincadeira, vivendo essas figuras.
E aí quando chega a festa é o momento que a gente sente de dividir um pouco isso mais com a própria cidade. A gente fala muito desse momento do coração coletivo, de você dividir, de você harmonizar um pouco a brincadeira com toda a cidade, com toda a comunidade.
festejando essas figuras também. Então, para a gente é muito importante, a gente fala muito isso da cultura popular, não é porque é igual que a mesma coisa. Verdade. E esse ciclo que a cultura popular gira, de você fazer, é sempre um outro lugar. Uma festa novamente acontecendo.
É a forma de você de novo se conectar, é a forma de você de novo se harmonizar com a comunidade, é a forma de você ir criando esses vínculos. E para a gente, a gente tem uma coisa também que a gente sempre, por conta dessa mistura que é Brasília, a gente tem sempre uma coisa que é chamar também esses outros grupos para trocar.
Então é uma festa que a gente brinca, que a gente vai com tudo que o grupo pode oferecer, ao mesmo tempo sempre com convidados para que a gente possa manter esse sonho dessa cidade, dessas confluências, de sempre estar trocando, sempre estar possibilitando essas trocas culturais.
Então, aproveitando essa deixa, eu queria que você relembrasse os convidados para a gente fazer novamente o convite a quem está escutando para poder correr lá para o terreiro. Sim. Então, o mestre Anderson já é uma figura que para a gente é de casa. É, já está quase candango já. E o mestre Anderson é super engraçado, porque a gente faz a festa e de repente Anderson chega na festa. Nem avisa para a gente, mas ele compra a passagem da festa.
E aí a gente oficializa mais uma vez esse convite para ele e traz Nailson Vieira, que a gente também está trazendo, que está fazendo um trabalho maravilhoso, presidente do Estrela Brilhante, do Maracatu. Isso é muito a Zona da Mata, em Recife, esse movimento do Baque Souto, esse movimento da Ciranda, esse bloco rural que eles chamam. Tem um som lá que é o frevo rural, eles estão inventando.
E é engraçado que a gente vem tendo muita ligação, né? Essa troca, né? Alguns artistas de lá vêm para o grupo fazer algumas vivências, porque eles também estão gerando essas figuras, estão criando figuras. Então a gente acaba trocando, né? Hoje o Lipe Guima, que é do grupo, virou mestre de maracatu rural, de maracatu de Baxouto. Sai contra mestre de João Paulo, no maracatu de João Paulo.
Então essa troca está sendo muito forte. Para abrir, já teve abertura, a gente abriu na verdade quarta-feira com a Karen, trazendo a coisa do Maracatu Nação. A Karen Aguiar que assume, a primeira mulher a assumir uma regência de Maracatu, desses mais antigos, o Leão Coroado.
E que foi maravilhoso também, essa vivência. E é isso, assim, hoje a gente tá nesse encontro que já tá acontecendo, né? Essa troca já vem acontecendo e aí, assim, imperdível vocês escutarem, virem hoje pra festejar com o Nailson, com o Anderson, com o seu estrelo. E assim, a festa vai até de manhã, viu? Pode se preparar aí que a festa vai chegar até de manhã. Então se embora. Ocupa a BSB, ocupando sua rádio e a nossa cidade.
Vem na lembrança, vem na lembrança Feito onda que conta uma história Remexe a memória que não se perdeu Não adianta, não adianta Se a imagem for viva ela mora No hoje e na hora que acontecer
A minha história e a sua, a noite e a lua, a onda e o mar A onda, o malé vai trás e a lua é que faz a noite brilhar Na noite o mar se agita, a lua bonita cativa nós dois A onda do malé leva as dores e volta com flores pra eu te dar depois A onda do malé leva as dores e volta com flores pra eu te dar depois
Vem na lembrança, vem na lembrança Feito onda que conta uma história Remexe a memória que não se perdeu Não adianta, não adianta Se a imagem for viva, ela mora no hoje e na hora que acontecer
A minha história é sua, a noite e a lua, aonde o mar, a onda o mar levitaz, e a lua que faz a noite brilhar. Na noite o mar se agita, a lua bonita cativa nós dois, a onda o mar leva as dores e volta com flores para te dar depois.
A onda de uma leva dores e volta com flores, porque dá depois. Vem na lembrança, vem na lembrança, feito onda que conta uma história, remexe a memória que não se perdeu. Não adianta, não adianta, se a imagem for viva, ela mora no hoje e na hora que aconteceu.
Música
Não adianta, não adianta, se a imagem for viva, ela mora no hoje e na hora que acontecer.
Você está ouvindo Ocupa BSB, o seu manual de ocupação do Distrito Federal. Mandei uma saia pra alegria bem rodada.
Cheia de fitas engomada com anáguas Bato meu bumbo pra alegria que chega Pois a tristeza não tem saia pra sambar Lá vem seu estrelo
Cheia de fitas engomada com anáguas. Mandei uma saia pra alegria bem rodada. Cheia de fitas engomada com anáguas. Bato meu cumbo pra alegria que chega.
Vem seu estrelo Quero ver sambar
Efeito vem desamar Usina do tempo O mundo girou Usina do tempo O mundo girou Usina do tempo O mundo girou
Fim de carnaval Cusina do tempo O mundo girou Cusina do tempo O mundo girou Cusina do tempo O mundo girou Sofro de chama Um bater de bumbum
Mais uma novela chega em seu final. Usina do tempo, o mundo girou. Girou, girou, girou. Usina do tempo, o mundo girou. Girou, girou, girou. Usina do tempo, o mundo girou.
Música
A Terra Vermelha ainda se encontra debaixo do concreto. Vamos encher a cidade Brasília de árvores e gente. Ocupa a BSB aqui na Rádio Cultura. Hoje um especial com seu estrelo, um especial da Festa da Abrição que está acontecendo nesse momento.
E eu consegui aqui com muito esforço uma participação especial para a gente falar um pouquinho de quem bota a mão na massa, valorizar quem não está no palco, quem não está à vista, falar um pouquinho da produção. Por favor, Bela, se apresente. Eu sou a Isabela Aquino, produtora do Seu Estrelo e do Centro Tradicional de Invenção Cultural, que é a sede e a escola do grupo também.
Eu vou conversar um pouquinho com o Chico, antes da gente estar no ar, justamente sobre essa necessidade de reivindicação da performatividade, do que não é considerado muitas vezes artístico. E o Chico trouxe uma frase que qualquer pessoa que dedica a vida para um brinquedo é também brincante. E eu queria que você trouxesse um pouquinho da sua brincadeira, do seu esforço, de colocar isso tudo que está acontecendo agora de pé.
É curioso, assim, porque pra mim a produção cultural da cultura popular é algo muito peculiar, né? É um lugar que você produz brincando mesmo, né? Então a gente tá lá abordando, aprendendo a tocar, ensinando o que a gente aprendeu.
para as outras pessoas e aí vai entrando nisso da produção de fazer um evento, um festejo vai fazendo na coletividade aprendendo junto com as pessoas que estão chegando também passando o que a gente conseguiu aprender antes delas terem chegado
Eu acho que não só no seu estrelo, mas na cultura popular, é importante a gente saber que tem um jeito ali, né? Tem um cuidado com os mestres que a gente chama, os grupos de cultura popular, com pessoas da tradição. Eu acho que tem um jeitinho...
Pelo menos que a gente lá no Seu Estrelo gosta de firmar, de receber isso com cuidado, valorizando de fato. Quando a gente faz um festejo, a gente pensa no cuidado de recepcionar essas pessoas que estão chegando, oferecer tudo da maior qualidade possível, porque na cultura popular muitas vezes a galera dá uma menosprezada, acha que pode ser uma arte um pouco menor.
não sei, que não precisaria de tanto cuidado quanto qualquer outra, né? E no Seu Estrela a gente inverte isso, né? A gente dá o maior cuidado possível para poder receber essas pessoas, trocar com elas, afinal de contas, né? É uma escola de cultura popular também, né? A gente aprende muito com quem vem desses outros lugares, né? Dessas outras matrizes e, então, nada mais justo, né? Do que honrar esse lugar mesmo e receber da melhor forma possível.
E vocês também recebem o público, então eu queria que você deixasse um convite para quem está escutando a rádio, para que possa correr para a festa de abrição. Então venham para o festejo, está rolando aqui o nosso festejo de abertura do Fuá do Seu Estrelo. A festa é aberta, é gratuita, aberta a todos os públicos, famílias, crianças, jovens que se interessarem por cultura popular, por um festejo de alegria mesmo, de coletividade, é só chegar no terreiro.
Ocupa BSB, ocupando sua rádio e a nossa cidade. Ocupa BSB na Rádio Cultura. Vou apitar o baque dessa maestria, a fantasia de inventar um carnaval. O nosso mestre que nos enche de poesia, acaricia o estremecer do vendaval. O nosso mestre que nos enche de poesia, acaricia o estremecer do vendaval.
São tantos versos, tantos pontos tão bonitos Seres vindos do infinito pisam samba no quintal Nem lá nem cá, na grandeza desse rito Costuramos nosso mito pra brincar na capital Nem lá nem cá, na grandeza desse rito Costuramos nosso mito pra brincar na capital
Tchau.
do que da paz São tantos versos, tantos contos tão bonitos, seres vindos do infinito pisam samba no quintal Nem lá nem cá na grandeza desse rito costuramos nosso mito pra brincar na capital Nem lá nem cá, na grandeza desse mito, costuramos
São tantos versos, tantos pontos tão bonitos Seres vindos do infinito pisam samba no quintal Nem lá nem cá na grandeza desse rito Costuramos nosso mito pra brincar na capital
Vindos do infinito pisam samba no quintal Nem lá nem cá na grandeza desse rito Posturamos nosso mito pra brincar na capital Nem lá nem cá na grandeza desse mito Posturamos nosso mito
100,9. A sintonia da cultura.
Nessa mata de guerreiro, onde a coral piou. Lua brilha o terreiro pra fazer samba de amor. Eu vos peço a licença pra cantar esse louvor. A corrente está ligada, seu estrelo já chegou.
do EFM, Alternativa Inteligente.
Traz em teu pio, meu amor, me leva, por favor, pra saudade repousar. Traz em teu pio, meu amor, me leva, por favor, pra...
Transcrição e Legendas Pedro Negri
Em pedaço, meu amor, me leva, por favor, pra saudade repousar. Em pedaço, meu amor, me leva, por favor, pra saudade repousar. Obrigado.
Em pedaço, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão, senão
Uma cidade que não sonha é uma cidade morta. Ocupa BSB está no ar com um especial do Seu Estrelo, trazendo um pouquinho desse calendário de festas que agora é oficial, com a presença do Tico e da Bela, conseguimos colocá-la aqui no estúdio. E é para a gente encerrar nosso programa, passou rapidinho, aproveitando essa frase de abertura sobre a necessidade de sonhar, de imaginar.
Eu estava lembrando que eu fiquei muito impactado quando eu li O Inocente Manifesto ou o Julgamento do Triste Jumento pela Besta Alegria. Eu queria que vocês falassem um pouquinho desse manifesto e da necessidade de sonhar, de imaginar. Primeiro assim, eu queria parabenizar, trazer a Bela aqui.
É tão importante isso, né? Você traz também, assim, a gente só faz cultura popular porque tem essa força, né? Porque se pensa, porque tem pessoas que conseguem desvendar esse outro mistério que é a burocracia, muitas vezes, né? Essas políticas, muitas vezes, culturais, assim, ela exige muito de quem faz a cultura dos mestres e das mestras.
E alguém que possa chegar e fazer isso e desvendar isso também para a gente é muito importante. Então é massa sempre poder estar aqui porque uma coisa não existiria sem a outra. A gente não conseguiria estar fazendo esse festejo sem a dela, sem quem pensa nisso. E com os aprendizados de quem já fez e quem está chegando para aprender.
É isso. Eu acho que, assim, a gente vive uma cidade pensada, sonhada e arquitetada, né? Eu acho que a gente tem que aprender muito também a arquitetar essa cidade pelo imaginário, arquitetar essa cidade que a gente quer. O TT Catalão, a gente falou dele, estando aqui também, na 508, assim, isso que é sempre um espaço onde me lembra muito o TT. O TT falava uma coisa, uma frase que dizia se você não gosta da cidade, não precisa se mudar dela, mude ela, né?
Então, acho que a função da gente é arquitetar essa cidade que a gente quer, por meio dos sonhos, por meio dessa utopia. E aí, novamente, a gente entra nesse poder do imaginário, da cultura popular, do imaginal. É uma forma, é um caminho aí, o imaginal poderoso, de invenção e reinvenção. A gente, assim que lançou o mito, só para também finalizar, uma das primeiras pessoas que a gente entrega.
Quando a gente escreve, porque ele era oral, na pandemia a gente escreve ele, e uma das primeiras pessoas que a gente entrega é para o Ailton Krenak. E o Krenak, ele fala uma coisa, quando a gente senta com ele, pergunta para ele se ele tinha lido o mito, o que é que tinha achado. Ele fala, cara, o que é mais impressionante do trabalho de vocês é que vocês mostram para a gente que o mundo suja todo dia, que o mundo se cria todo dia.
E eu acho que a gente tem esse... A cultura popular é uma ferramenta poderosa para que a gente crie essa cidade que a gente quer. Crie os festejos para comemorar, festejar esse cerrado e essa cidade. E festejar, né? Estar com a nossa comunidade, com tudo que arrudeia aqui, né? A gente poder festejar esse lugar junto com as pessoas que estão aqui, né? Deixar habitar a cidade, deixar a cidade habitar a gente, né? Perfeito.
Vou complementar então com uma frase que a gente repete aqui no Culpa do TT. A cidade que nasce de um sonho tem o compromisso de fazer da realidade um sonho ainda mais bonito. Eu convoco então todo mundo que faz essa cidade sempre um sonho mais bonito. Convoco novas pessoas.
a mudarem a cidade que já pensou em se mudar. É esse o nosso convite, o nosso manifesto aqui do Ocupa. Agradeço demais a presença do Tico, sou muito fã desse papo um pouco mais sobre Brasília, sobre ocupação. Obrigado a Bela por também ter aceitado o convite, ter intermediado novamente nesse lugar de produção. Vamos romper as cortinas do palco e do fundo do palco. E por fim, deixo com vocês o último convite para quem ainda não foi para a festa.
para poder correr para o terreiro. Então vamos lá, pessoal. Está rolando o festejo. Aproveitem. É o festejo de abertura, um dos melhores festejos de Brasília. Venha-se embora viver essa cultura popular serratense com a gente. Obrigado. Ocupa a BSB, ocupando sua rádio e a nossa cidade. Ela entrou no balão, pegou fogo no ar.
E só resta o ar
E sobra a lua. O final é recomeço. No tropeço se conhece o chão. O meu peito bate forte. O medo toma o coração. Só se sabe do caminho. Depois que começa a andar. Se a água se torna vinho. Se a coragem é pra ir.
Minha poe se agirá e só resta luar e sobra luar. É o sobo, é o tempo, minha poe se agirá e só resta luar e sobra luar. 100,9 Cultura FM