Episódios de Conversa de pastor

Conversa de pastor - Ep 10: Reset - a hora de desacelerar

08 de maio de 202628min
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Participantes neste episódio2
J

Jonas Madureira

Host
J

Jefferson Santana

Co-host
Assuntos4
  • Encorajamento para pastores e membros esgotadosDesconexão entre graça teológica e vida diária · Falta de graça motivadora e moderadora · Cuidar do corpo como 'cavalo' da mensagem · Prioridade inferior para exercício, nutrição e sono por pastores · Senhor Graça vs. outros perfis no trabalho
  • Cultura geracional de 'effortless' (sem esforço)Desacelerar para não quebrar na corrida · Alta performance e ativismo cristão · A metáfora do atletismo e da corrida · A importância de chegar ao fim · David Murray
  • Perseveranca e SuperacaoPerseverança como vivência de quem chega ao fim · Ajustes necessários com o envelhecimento · Consciência de si mesmo e dos limites · O ritmo da graça como guia
  • Estratégias para lidar com BurnoutLer o livro 'Reset' · Ouvir o ritmo da graça · Buscar exemplos nas Escrituras
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Sejam bem-vindos a mais um Conversa de Pastor, um podcast onde nós esperamos, eu vou terminar minha frase virada para cá, onde nós esperamos que essa conversa possa ser edificante para vocês, possa auxiliar pastores a plantar igrejas saudáveis, a edificar também igrejas saudáveis, a revitalizar igrejas. Estou aqui mais uma vez com ele, Jonas Madureira.

Nós estamos hoje, Jonas, com um tema que é sobre um texto que você está lendo. Conta pra gente, Jonas, o que você está lendo, se você acha que essa leitura seria uma leitura indicada para pastores e por que você indicaria essa leitura para pastores que estão nos ouvindo hoje. Esse é um livro que eu já, acho que é a terceira ou quarta vez que eu já estou manuseando ele, Jeff, foi uma indicação.

de um amigo em comum, você também conhece ele bem, que é o Mauro Meister. O Mauro uma vez disse para mim que esse livro era um livro muito bom, falou assim, nossa, esse livro é excelente. Eu fiquei com aquilo na cabeça e resolvi pegar o livro para ler. Na época, a primeira vez que eu li, já foi uma leitura muito boa. Dali eu tenho sempre indicado esse livro para muitas pessoas à minha volta.

Mais recentemente eu voltei a ler ele novamente. E eu descobri aquilo que a gente descobre nas releituras. Os bons livros são aqueles que a gente não quer ler só uma vez. A gente precisa ler ele duas, três vezes. Porque ele deixou algumas marcas, deixou algum trabalho por fazer.

Então, a ideia de voltar num bom livro é porque a gente sabe que, quando terminamos a leitura dele, ficou alguma coisa ainda para fazer. E nessa última leitura que eu fiz, eu descobri uma coisa que eu não tinha notado nas outras leituras e que estava, por sinal, bem no início do livro. Não é porque a gente vai ganhando a leitura e vai ganhando as outras páginas do livro e as questões que vão surgindo vão chamando cada vez mais a atenção.

E aí essa recente leitura me fez debruçar sobre o próprio tema do livro, mas numa chave que ele coloca desde o início e que eu achei que seria bastante oportuno a gente conversar hoje, que é a presença da graça, não apenas como um conceito, não apenas como uma doutrina que o pastor conhece.

mas algo que ele usa a seu favor. Algo que está disponível. Algo que está disponível para ele. Ou seja, a gente pode ser extremamente habilidoso para explicar as doutrinas da graça e até a própria graça. Mas a grande pergunta é, somos capazes de usar?

desfrutar, deleitar da graça. Então, acho que esse é um ponto que valeria a pena a conversa de hoje com esse livro do David Murray, que se chama Reset. Ele tem aí um subtítulo, Vivendo no Ritmo da Graça em uma Cultura Estressada.

E ele abre esse contexto, Jeff, com uma imagem que eu queria ler, para a gente talvez começar a partir daqui. Ele diz assim, Em anos recentes, numerosos líderes cristãos têm conclamado cristãos letárgicos e de coração dobro, ou duplo, a acelerar o seu ritmo, a dedicar mais de seu tempo, talentos, dinheiro e esforços para servir o Senhor na igreja local e no trabalho evangelístico, em casa e no exterior.

E aí ele faz um disclaimer aqui, né? Dou boas-vindas a essa mensagem radical de não desperdice sua vida, acelere o passo e me alegro para o seu impacto positivo sobre milhares de cristãos, especialmente entre as gerações mais jovens. Eu acho que ele, nesse disclaimer, já coloca para a gente a cena, né? A gente vive um contexto de alta performance, a gente tende a entregar muita coisa.

A gente é conclamado a não desperdiçar o nosso tempo, a sermos crentes radicais, a fazermos coisas grandiosas, aproveitar o nosso tempo, não ficar com a cabeça vazia, porque a cabeça vazia faz você enfiar os pés pelas mãos. Então vamos entrar numa espécie de ativismo aí. Então ele está chamando a atenção para o fato de que há no nosso contexto moderno uma cultura de convocação que é que se tornou,

a produção. E ele parece apontar que isso, pelo menos, tem o seu aspecto positivo. É isso. Esse é o ponto dele. Pelo menos, aparentemente, até aqui, pelo terceiro, ele está dizendo olha...

Isso não é de todo ruim. Isso. Mas é onde estaria, então, o ponto que parece que ele preparou para colocar para a gente. Esse é o disclaimer dele, né, Jeff? Porque ele está dizendo, não há nada de errado em a gente querer avançar, a gente querer produzir, a gente querer ser de alguma forma... Realizar aquilo que tem que ser feito. Exato, produtivo, alta produção. Não há nada de errado. Ele está dizendo, não é pecado você aplicar bem o seu tempo, usar bem o seu tempo, etc.

Mas ele faz e responde a sua pergunta dizendo o seguinte, há outros, porém, muitos deles cristãos fiéis e zelosos,

E aí ele vai dizer uma coisa muito curiosa, Jeff. Especialmente aqueles com mais de 35 anos de idade. Você tem quantos anos, Jeff? Você sabe que no último sermão você disse o seguinte, que a meia-idade está entre 40 e 45, não foi isso? Pronto, 50. E eu falei, puxa, eu estou com 39, eu escapei por um fio. Por um fio.

Na hora que você falou, falei, ufa, foi por um fio aqui. Pronto. Mas eu estou com 39. Então, imagina só, está dizendo que muitos deles, cristãos fiéis e zelosos, especialmente aqueles com mais de 35 anos de idade, que precisam ouvir uma mensagem diferente.

Que não é essa mensagem radical, entendeu, Jeff? Você precisa produzir mais. Faz mais. Ou seja, ele está dizendo que talvez para essa faixa etária de 35 para frente, o discurso deveria ser desacelere. Faz sentido, Jeff? Faz, mas é interessante porque... Não se sentia ofendido, não?

Eu achei curioso, porque, em geral, com 35 anos, imagina-se que ainda existe muito para frente, muito a produzir. E realmente, por um lado, tem. Mas por que 35 anos seria uma idade para se pensar em desacelerar? Parece que tem muita gente que vai começar, na verdade, a produzir algo hoje em dia, se produz tardiamente.

e parece que vai produzir algo a partir dos 30. Eu acho que ele tem na mente aqui, Jeff, uma metáfora, que é a que ele vai usar para abrir as questões iniciais do livro, que é a metáfora do atletismo, especialmente da corrida. O corredor...

Ele vai, se a gente está pensando em corredores de maratona, de alta performance, esses caras vão lutar para não quebrar. Porque em algum momento da corrida, se eles não fazem uma reserva de energia... Controla o ritmo. E não controla o ritmo.

se eles dão um tiro muito forte agora, no final da jornada, ele pode quebrar e não conseguir mais, pode não completar sequer a jornada. Então, os bons atletas são aqueles que vão aprender o ritmo. O ritmo.

Por isso que o subtítulo é muito interessante. Vivendo no ritmo da graça em uma cultura estressada. Uma cultura totalmente desritmada. Uma cultura fora do ritmo. Que ela acelera demais. E por isso ela cansa mais rápido e não termina nada.

O problema é que quando você é muito jovem, você ainda consegue terminar algumas coisas porque você tem energia de sobra. Mas quando ele bota aqui os 35 para frente, ele já está dizendo o seguinte, ó, pensa num jogador de futebol.

O cara, quando estava jogando com 17, ele tinha uma explosão. Aguentava mais coisas, mais tempo no campo. Vê que quando ele está com 30, 35, olha como o povo já está falando em encerrar a carreira.

Você entende? Sim. Porque ele já não consegue dar mais aquela explosão final, não aguenta mais. E para poder ter alta performance, eu estou pensando aqui num CR7, ele precisa trabalhar muito e ter uma dinâmica de compensação de energia e de inteligência, de ritmo, para ele poder compensar no campo quando ele tem jovens que não precisariam fazer essa compensação. Então, eu penso que ele está trabalhando, Jeff, e eu penso que ele está trabalhando.

com essa questão da energia. Veja só o que ele vai dizer aqui. Há outros, porém, muitos deles cristãos fiéis e zelosos, especialmente aqueles com mais de 35 anos de idade, que precisam ouvir uma mensagem diferente. Desacelere o passo ou você nunca vai terminar a corrida. Esse é o ponto. Ele não está dizendo desacelere, desista, pare, bota o seu pichaminha.

azul de bolinha laranja. 35 anos, já fiz o que precisava ser feito. Põe a perna pra cima e vai assistir sessão da tarde, porque você precisa descansar e não faz mais nada nessa vida. Não, ele não tá dizendo isso, ele tá dizendo não tá dizendo pra você parar. Ele tá dizendo que você tá muito intenso. Ele tá dizendo, desacelera por uma razão.

Porque o mais importante não é você dar toda a sua energia, é você chegar no fim. Se você der toda a sua energia agora, você não chega no fim. Mas se você distribuir bem a sua energia, você chega no fim. Então a ideia é que a gente seja capaz de vencer a última tentação, Jeff. Aquela que não está no início, aquela que está no fim. Eu gosto de pensar na jornada do Frodo.

O filme mostra a cena em que ele sobe a montanha para destruir o anel, que é a missão dele.

mas não mostra o discurso dele. Quando você vai para o livro, Frodo, ele diz com todas as letras, quando ele tem o anel em mãos e ele pode destruí-lo nas chamas da montanha, ele diz, não, não vou fazer aquilo que vim para fazer, não vou cumprir a minha missão. E aí ele coloca o anel e aí desaparece. E aí a gente vê que o que faz o anel ser destruído não é a fidelidade de Frodo à missão, mas é aquilo que...

Nas entrelinhas, como cristãos, a gente sabe que é isso que estou trabalhando ali, a providência. A providência faz o anel ser destruído, ou seja, e não a fidelidade daquele ser, daquela criatura que na Terra-média seria, aos olhos, a que mais seria capaz de resistir à última tentação e não resistiu.

Eu entendo que esse é o nosso maior desafio, Jeff. Como é que a gente resiste à última tentação como Jesus? Jesus ouve no início do seu ministério, no deserto, Satanás perguntar a ele, se tu és filho de Deus, transforma essa pedra em pão. No final, a última tentação está lá na cruz. Se tu és filho de Deus, salva-te a ti mesmo e a nós também. Então, a gente é tentado a não cumprir a nossa jornada no início dela, como também no fim.

E a alerta que o David Murray faz pra gente nesse livro, o que eu acho sensacional, é a de que a gente precisa se preparar pro último passo, pra última cena. E eu não tô dizendo a última cena da vida, porque alguém poderia dizer assim, nossa, é o fim da vida. Não. Das jornadas que a gente precisa fazer. A gente não vai fazer uma só jornada nessa vida. A gente vai ter vários planos, várias corridas que a gente vai ter de fazer nesse mundo. E a gente vai precisar terminar bem essas coisas.

ministérios que precisam terminar bem. A gente pode ter começos que são muito bons, começos que podem ser bem ajustados, mas o fim desses projetos, desses planos, desses ministérios, desses serviços, podem ser patéticos, podem ser ruins.

Há exemplo do rei Uzias, como a gente meditou no último domingo, no sermão de domingo. Então, penso que esse é o ponto, Jeff. A desaceleração, não para a gente ficar parado e não fazer nada, mas para a gente poder chegar até o final.

Você acha que esse pode ser, Jonas, um dos principais, ou um dos motivos, melhor dizendo, de frustração no Ministério Pastoral, de alguém que de repente está acostumado com o ritmo e ele quer manter aquele ritmo até o final e ele quebra e ele não consegue entregar isso, começa a frustrar e outras pessoas que no começo pareciam mais lentas?

mas conseguiram talvez manter um ritmo mais adequado, porque eu acho que a metáfora da corrida é muito boa, porque você pensa o ritmo desde o começo. Sim. Você precisa pensar do começo. E é isso, Jeff. Quando você chega até os 35, você chega na flor de tudo, de força, de vigor, etc. Dos 35 para frente, o resultado é isso aqui.

O resultado é que você vai perdendo cada vez mais força, mais energia. Eu não faço mais as coisas que eu fazia com meus 35 anos de idade, fazia um monte de coisa. Hoje, se você me perguntar, é muito difícil, porque é um fator natural. E ele diz uma coisa curiosa sobre os 35 aqui, que me chamou muita atenção. Ele diz assim, ele não está falando...

para que o sujeito ponha os pés para cima e viva uma vida fora de serviço de gestão. Ele está dizendo, não, estou falando de ajustar com cuidado as mudanças na vida ao envelhecermos. A gente está envelhecendo desde sempre. Então, como é que a gente faz esses ajustes reconhecendo?

que o nosso próprio físico vai mudar para que a gente fique com a mensagem, mas fique também com o cavalo que nos leva a pregar a mensagem, para lembrar do McChane, né? Não adianta nada Deus nos dar uma mensagem, dar um cavalo e a gente mata o cavalo. A mensagem nunca vai chegar. Nunca vai chegar, então a gente tem que cuidar do cavalo. Então, me parece que é isso que ele está chamando a atenção, quando as responsabilidades aumentam.

As famílias crescem. Os problemas se multiplicam. Os níveis de energia diminuem. Surgem complicações de saúde. Então, é essa hora que o ministro, especialmente que é quem a gente está se referindo aqui, a pastores, mas isso vale para qualquer pessoa que está no mesmo movimento da vida. Se não diminuir, se não desacelerar, não chega no fim.

Então, ele diz muito interessante, olha o exemplo. É o que os corredores de sucesso fazem ao manter o ritmo certo. São sensíveis a mudanças significativas em si e as condições da corrida. Configurando novamente o ritmo para evitar ou machucado, ou cansar demais. Garantindo um final bem sucedido. Ou seja, não podemos...

dar, Jeff, uma coisa como que entregue ao fracasso, a ideia de que vamos começar bem, mas que se dane a preocupação com o final. Não, a gente tem que se preocupar em começar bem a jornada, mas também tem que se preocupar em terminar bem.

Terminar fases da vida, etapas da vida, projetos da vida, tarefas que nos são entregues bem. E para isso a gente precisa aprender a ter ritmo. O ritmo que mantém a gente perseverante. A palavra perseverança, Jeff, só funciona para quem chega até o fim. Se alguém chegou na praia da Normandia, mas não entrou, não chegou até o fim. Você morreu na beira da praia.

Entende? Só persevera, a perseverança, ela é uma vivência daqueles que chegam até o fim. Então, como é que a gente chega ao fim? Como é que a gente pode dizer perseverei até o fim? Porque quem persevera, mas não persevera até o fim, pode dizer que perseverou? Essa é a grande pergunta. Eu acho que nesse ponto, uma das dificuldades que se tem como jovem, que pelo segundo autor eu já passei...

Você já era, Jesse. Eu já atravessei a linha dos 35. Você já está no envelhecimento. Então eu já estou aqui. Eu vou sair dessa conversa muito triste. Mas encorajado também. Uma das coisas que citei como jovem de muito difícil é...

A consciência de si mesmo, o conhecimento de si mesmo, dos seus limites, porque parece que quando você é jovem, você pode fazer tudo e que essa energia nunca vai acabar. Você vai fazer isso para o mundo. A energia é mais forte, mais intensa que o pensamento, que a prudência. Isso mesmo, ela chega antes. Então você não consegue conhecer si mesmo e também uma consciência do ministério. Quando você lê o título...

A graça entra nessa jogada. Como que a graça entra nessa jogada para que esse ritmo possa ser ajustado de acordo com o ritmo da graça, para usar as palavras do autor que você leu? Ele faz um caminho para chegar nisso chamando a atenção para o fato de que é preciso desenvolver uma habilidade. Ele vai dizer, né? Descobrir que essa habilidade de manter o ritmo está em falta entre homens cristãos.

Sendo que o resultado é que muitos, especialmente aqueles mais dedicados a servir a Cristo em suas famílias, no seu lugar de trabalho, na sua igreja local, estão desmoronando ou murchando antes da corrida terminar. Não terminou a corrida, os caras já estão cansados, os caras já estão entregando os pontos, já estão desistindo. Então, veja como ele vai construir isso, né? Essa questão do esgotamento, né? Ele vai dizer assim, isso não nos surpreende, especialmente quando se trata da questão dos pastores. Ele diz...

Visto que as pesquisas revelam que os pastores relegam exercício físico, nutrição, sono, há uma prioridade muito inferior à de outros trabalhadores. Então, o mesmo problema que existe, qualquer um vai existir também com um pastor se ele em algum momento não cuidar do cavalo. Vamos usar essa metáfora que é do McChane, que é cuidar do seu corpo, cuidar do seu tempo, cuidar do meio pelo qual você precisa, com ritmo, manter-se para poder chegar até o fim.

E aí, depois de apresentar essa dificuldade, ele diz assim, né? Ele aprendeu que precisava cuidar do corpo, mas isso não é suficiente.

Você pode ir para a academia, você vai fazer a sua corrida, vai fazer a sua caminhada, vai melhorar a sua alimentação. Ok, mas ele fala de uma outra descoberta. Aprendi que Deus graciosamente tem provido várias maneiras para reajustar vidas quebradas e esgotadas e para nos ajudar a viver orientados pela graça numa cultura de esgotamento.

Então, é aí que aparece a palavra graça. Ele nota que, embora dois esgotamentos não sejam idênticos, ao aconselhar inúmeros cristãos que passam por isso, ele notou que a maioria tem como uma coisa, déficit da graça.

Os dois estão esgotados. Esse aqui é um engenheiro, esse aqui é um diácono da igreja, esse aqui é um estagiário que está buscando ascensão no governo, no seu trabalho. Então, pensa que esses três, ele está aconselhando os esgotamentos dos três. Não são os mesmos, mas ele vai notar algo em comum nos três. Falta graça.

eles estão numa cultura do esgotamento, uma cultura do cansaço, como Bill Michulham está dizendo aí nos seus livros, uma cultura que estressa, mas ao mesmo tempo sem nutrir de uma das dádivas que Deus deu ao seu povo, que é a graça.

Então, ele fala desse déficit dizendo o seguinte, não é que estes cristãos não creiam na graça. E aqui eu acho que é o ponto fundamental da nossa conversa, Jeff. Não é que eles não creiam na graça, eles creem na graça.

Todos eles estão bem fundamentados nas doutrinas da graça. E muitos deles são pastores que pregam a graça poderosamente cada semana. Então se a gente fala ainda da seara dos pastores reformados, isso ainda fica mais evidente. Cinco solas, cinco pontos, são alimento e bebida teológica para eles.

mas possuem, por outro lado, uma desconexão entre a graça teológica e sua vida diária, resultando em cinco déficits da graça. Ou seja, ele percebe que o sujeito prega sobre a graça, ensina sobre a graça, fala sobre a graça, mas ainda assim ele está esgotado. Faz uso dela. Exato, ou seja, ele é uma pessoa esgotada ao lado de todas essas outras que eu acabei de mencionar. Mas o que há em comum? Déficit.

E ele nota esse déficit de uma maneira interessante. Ele conta a história desse déficit dessa forma, Jeff. Dizendo assim, não é?

O poder motivador da graça está em falta. Como ilustração, tomemos cinco pessoas que imprimem bíblias na mesma linha de montagem. Aí ele vai falar do senhor dólar, como conseguir ganhar mais dinheiro, o senhor ambicioso, como vou conseguir uma promoção, o senhor agradador, como posso deixar meu chefe mais feliz, o senhor egoísta, como posso obter satisfação pessoal em meu trabalho. Todos eles são chateados, eles estão estressados. E aí aparece o senhor graça.

que pergunta, em vista da maravilhosa graça de Deus em Cristo para mim, como poderei servir melhor a Deus e ao próximo aqui no meu trabalho? Ou seja, todo mundo está esgotado, mas o senhor Graça, como é que eu posso servir mais? Como é que eu posso trabalhar mais? Ou seja, todo mundo está reclamando porque está trabalhando muito e o senhor Graça está dizendo, como eu posso servir mais? Ou seja, o que ele tem que faz ele servir mais?

E aí vem a graça. A graça é a chave. Porque a graça não é uma bebida que você toma e faz você trabalhar mais do que você conseguiria. A graça traz o equilíbrio para que você não trabalhe mais nem menos, mas na medida certa. Para que você produza na medida certa. Para que você ande nesse ritmo da graça que permite você... E aí

realizar o seu serviço sem esse peso do esgotamento que leva a gente a ficar chateado com culpa e nunca conseguir realizar nada porque a culpa está no fato de que as performances nunca são alcançadas e a gente sempre fica se sentindo aquém, nunca consegue realizar tudo que precisa realizar e no final das contas não termina nada, entrega tudo pela metade.

E aí para essas demandas da graça, ele termina dizendo, sem a graça motivadora apenas descansamos em Cristo e não agimos. Sem a graça moderadora corremos sem parar até esgotarmos em tudo. Precisamos dessas duas graças. Ou seja, nesses...

Nesse caminho que ele vai fazer, a gente não vai poder trabalhar hoje aqui. Fica com gostinho para os nossos... Quem está acompanhando o podcast encontrar isso no livro. Mas essa primeira abordagem desses déficits de graça está justamente o déficit dessa graça que, de um lado, ela é motivadora, ela não quer que a gente desista, não quer que a gente pare. Vai, continua!

mas ela ao mesmo tempo é uma graça moderadora, equilibrada, porque ela também vai dizer quando a gente precisa parar. Ele diz, a primeira, a graça é necessária para nos aquecer ao fogo quando estivermos frios, a segunda para nos refrescar quando estivermos perigosamente quentes. A primeira nos tira da cama.

A segunda nos põe para dormir na hora certa. A primeira reconhece as exigências justas de Cristo sobre nós. A segunda recebe a plena provisão de Cristo para nós. A primeira diz, apacentem o corpo em sacrifício vivo. A segunda diz, o seu corpo é templo do Espírito.

A primeira vence a resistência de nossa carne. A segunda respeita as limitações da nossa humanidade. A primeira nos faz aumentar a velocidade. A segunda nos força a ir mais devagar. A primeira diz, filho meu, dá-me as tuas mãos. A segunda diz, filho meu, dá-me o teu coração.

Isso é bonito demais. Se a gente pudesse terminar, Jonas. Eu acho que aqui cabe um encorajamento que serve não só a pastores, mas também a membros que se encontram numa cultura do estresse, cansados, esgotados, com a sensação de que...

mesmo ainda numa idade onde deveriam produzir, já se encontram esgotados. Parece que estão chegando no final da carreira, antes do tempo. Um 35 já estão acabados. Não tenho mais como avançar. Então, que encorajamento nós poderíamos dar? Tanto para pastores, como para membros que estão ouvindo esse podcast, estão se sentindo, estão nesse ponto agora e precisam de um encorajamento.

Olha, um bom conselho que eu daria é ler esse livro mesmo. Reset, acho que é um bom livro para ajudar a pensar essas coisas no nosso contexto, no contexto que a gente vive hoje. O segundo é ouvir o ritmo da graça. Às vezes a gente precisa ouvir, Jeff. Então, quando você tem ali um metrônomo... Marcando. Puxa, agora eu tenho uma referência. Então, procure homens que estão no metrônomo.

Procure pessoas que estão no ritmo certo da graça para você ver como essas pessoas estão conseguindo dar conta e, ao mesmo tempo, sendo saudáveis. Ah, mas Jonas, não estou encontrando ninguém à minha volta. Suponhamos que você seja uma pessoa que não tem ninguém para olhar. Olha para as Escrituras, as Escrituras vão mostrar para você gente descompassada e gente no ritmo.

olha para os grandes exemplos e talvez esses sejam os mais importantes do que até os exemplos vivos que a gente tem e aí a Bíblia ganha a maior de todas as expressões na nossa caminhada, porque ela vai mostrar a ruína de quem disse não para a graça quando ela disse desacelera

Então, é isso, que Deus nos abençoe, que Deus nos dê graça, Jeff, pra andar no ritmo da graça. Porque até pra andar no ritmo da graça, a gente precisa de graça. Isso tudo pra não viver uma vida sem graça. Tinha que terminar com um trocadilho pastoral.

E com esse trocadilho pastoral, nós estamos encerrando mais um Conversa de Pastor. Se você tem gostado do trabalho que temos feito, compartilhe para que esse conteúdo possa chegar a mais pessoas. Se você deseja também contribuir para que o trabalho que estamos fazendo possa servir a mais pessoas para a edificação da igreja, os dados para que você possa contribuir estão...

Também estão na descrição desse vídeo. A sua contribuição vai ser destinada para edificação de igrejas saudáveis, para revitalização de igrejas. Então encerramos mais um episódio do Conversa de Pastor com Jonas Madureira e Jefferson Santana. Até a próxima.

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