Conversa de pastor - Ep 09: O boletim
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Jonas Madureira
Jeff Santana
- Uso do boletim na igrejaBoletim como ferramenta informativa vs. formativa · Boletim e a cultura de discipulado · Boletim e a teologia bíblica do culto · Boletim como recurso intencional para o pastor · Boletim e a função do pastor como diretor litúrgico
- Detalhes de Publicação e ConteúdoO versículo de capa como 'portal' · Conexão entre o versículo de capa e a pregação · Leitura coletiva e referência cruzada no boletim · Oração e hinos como resposta ao conteúdo do boletim
- Declarações de féDiversidade de tradições nos hinos (Batista, Presbiteriana, Menonita, HCC, Charles Wesley) · Hinos como expressão da tradição e da congregação · Critérios para seleção de hinos (bíblicos, não heréticos) · A igreja como embaixada do Reino
- Aplicação prática para o larEnsinar filhos com o boletim e o Credo Niceno · Cantar hinos da palavra como segredo do canto congregacional · Alternativas para quem não tem boletim na igreja
- Reflexão sobre a liturgiaCinco atos litúrgicos: ouvir, pregar, ler, cantar e ver a palavra · O boletim como ferramenta para engajar nos atos litúrgicos · O culto como encenação do drama da redenção
Bem-vindos a mais um Conversa de Pastor, um podcast que existe para que através dessa conversa
outros pastores possam ser ajudados a edificar igrejas saudáveis, a revitalizar igrejas. E como sempre, estou mais uma vez com ele aqui. Sorridente, Jeff. Gostei. Eu sou simpático. Eu percebi. Já está cada vez melhor. Desde o primeiro encontro, aquele olhar cisudo deu lugar a um riso. É isso mesmo. Agora estou mais à vontade. Estou aqui com o Jonas Madureira para mais esse episódio. Com o Jeff Santana.
Nós vamos falar hoje, Jonas, de boletim. Muito bem. E eu tenho uma primeira pergunta pra você. Dizem por aí. Dizem. Dizem as mais lindas. Entendi. Que a única razão pela qual você imprime boletim é pra que as pessoas não batam palma na igreja. A primeira pergunta é... Não, não, não. Essa informação que circula...
É verídica. Não, isso é intriga da oposição. Temos nenhum problema com palmas, não temos problemas com tecnologia, nenhum problema, zero problema. Mas então por que uma igreja precisa de um boletim? Hoje, igrejas precisam de boletins? Parece que a gente volta atrás, para o passado, uma coisa mais jurássica, né? Já que fica a musiquinha, né? Não vou imitar o T-Rex, não. Mas pode seguir.
A trilha sonora já é suficiente. O pessoal fala, sua igreja usa boletim. A trilha sonora já é suficiente. O pessoal aí imagina. Não, não é uma questão jurássica. Não é porque a gente tem uma, digamos assim, uma idolatria, para usar um termo mais...
pontual do nosso universo, pela tradição, pelo boletim. Não é isso, não. A gente entende que o boletim é um recurso que a gente encontrou que extrapola o universo do culto. A gente não tem nada contra o uso de data show, de telão, para transmitir no telão as letras das músicas. Zero problema com isso.
Só que cada igreja vai usar a estratégia que ela julga ser a melhor. Tem gente que prefere que as pessoas estejam olhando para frente e daí tem a letra e elas fiquem mais livres para que elas possam olhar para a letra. E às vezes tem igrejas que a estratégia é econômica mesmo, financeira. Às vezes ela quer poupar ali para poder investir em uma outra área que ela julga ser mais importante. A gente também.
Quando investe no boletim, a gente, obviamente, tem de investir nele, e por quê? Outras áreas a gente teve que abrir mão. É uma negociação que a gente acaba fazendo com escolhas que são determinadas, Jeff, pelas intenções litúrgicas, eclesiológicas, pastorais, e eu diria até teológicas de uma igreja.
Então a escolha do boletim é uma escolha intencional que extrapola, eu acabei de dizer, o universo do culto, porque um dos elementos no nosso contexto que torna o boletim necessário é a cultura de discipulado. Para você desenvolver numa igreja uma cultura de discipulado, para que não seja um ministério, mas para que todos os membros possam entender.
que a cultura do discipulado é a cultura que gira em torno do Evangelho, e para isso um dos elementos é a reverberação do sermão de domingo.
O boletim ajuda muito, especialmente quando o boletim oferece para os membros da igreja uma jornada. Uma jornada. E uma jornada, Jeff, que eu costumo dizer aqui, entre nós, uma jornada em teologia bíblica do culto. Porque é isso, o que a gente quer é que os membros da igreja, os nossos visitantes...
quando eles acompanham o culto no boletim, eles vejam não só as escolhas das músicas, mas uma teologia bíblica expressa em cada boletim e útil para o discipulado, ensino, estudos em pequenos grupos, anotações do sermão, tudo aquilo que possa contribuir para reverberar o ponto alto.
uma de cada movimento que fazemos no culto, que é a exposição da palavra. Todo culto tem seus atos litúrgicos e a gente considera cinco atos como os mais importantes. A gente tem de ouvir a palavra, a gente tem de pregar a palavra.
A gente tem de ler a palavra, a gente tem de cantar a palavra e a gente tem de ver a palavra nos sacramentos, batismo e ceia, ou ordenanças. Então, a gente precisa ter esses elementos determinantes da liturgia. E o boletim ajuda.
os membros da igreja se engajarem nestes atos, entendendo a importância de ler, a importância de ouvir, a importância de falar, a importância de ver, a importância de cantar a palavra. Então, não é à toa que o centro...
no qual orbitamos nessa jornada semanal de serviço e culto prestado a Deus, é em torno da palavra. Seria então correto, em outras palavras, a gente afirmar que o boletim, como ele é estabelecido aqui, ele não é apenas informativo, mas ele é formativo. Ótimo, excelente pergunta.
Por isso que quando alguém me pergunta assim, ah, Jonas, mas por que vocês estão usando o boletim? Faz uma coisa mais prática. Uma coisa que as pessoas já olhem ali no telão, já está tudo resolvido. Porque está pensando só no aspecto informativo, talvez. Porque está pensando só no aspecto informativo. Não percebe.
que a igreja usa o boletim de maneira formativa. Tanto é que se você hoje pergunta para um membro de nossa igreja sobre o boletim, quando a gente, por motivos X, não podemos ter o boletim, seja por uma crise financeira da igreja, seja por uma questão...
qualquer que seja, as pessoas sentem. Por isso que mesmo quando a gente não consegue a impressão do boletim, ele tem de existir, ainda que seja, e a gente usa a tecnologia para isso. Ele tem de ser nos meios virtuais para que cada um possa usar. E aqui a gente entra numa outra seara, né, Jeff? Porque a pessoa diz assim, ah, então por que não substitui o boletim?
pelo aspecto virtual, digital. A gente tem momentos que a gente precisa fazer isso. Eu acabei de dizer, quando a gente está num momento de transição e a gente precisa fazer cortes de gastos para poder avançar e etc., não tem jeito, a gente precisa fazer esses recursos.
E aí a gente acaba usando o celular. Mas é uma experiência completamente diferente. Porque o que a gente quer é que a pessoa saia do celular na hora do culto. Ela está cantando, aí vem aquela maldita mensagem do WhatsApp que não tem nada a ver com o culto e tira ela já dali. E a semana toda dela é digital. A semana toda está ali no WhatsApp, é pitando.
Tira ele um pouquinho ali, bota um papelzinho aqui, faz a sua anotação. Acho que a gente precisa resgatar um pouco dessa experiência. Mas daí, Jeff, mais uma vez, ela não é modelo. Ela não é critério para dizer, essa igreja é bíblica e essa não é bíblica. Ah, minha igreja é bíblica porque usa boletim. Não, você vai ter problemas inúmeros com igrejas que usam boletim. Como você vai ter problemas inúmeros com igrejas sem boletim? O boletim não é e não serve de aferimento espiritual de uma igreja.
Mas ele é um recurso. E dependendo dos objetivos da igreja, da filosofia ministerial da igreja, ele é extremamente útil ou ele é completamente desnecessário. No nosso caso, é extremamente útil.
Falando de uma perspectiva talvez mais prática, Jonas, pensando no lado do pastor, o boletim seria uma ferramenta importante para o pastor para que ele seja mais intencional na escolha? Porque você disse na sua primeira fala que o boletim precisa...
de ser uma teologia bíblica. E para você fazer isso, no mínimo, você tem que ter intencionalidade, tem que ter uma mente por trás, pensando para entregar algo para a igreja. Então o boletim seria também uma ferramenta importante para o pastor, para que ele seja mais intencional com os atos de culto e com a comunicação da igreja? Até para desenvolver ele mesmo, discipulado com pessoas da igreja. Vou dar o exemplo.
Um culto tem de ser regado por orações. Orações de confissão, orações de gratidão, orações pastorais voltadas para a igreja, oração por outras igrejas, oração por missionários que estão no campo, missionários que estão passando por dificuldades, oração pela liderança da igreja. A gente pode ter várias orações e elas têm de regar um culto. Um culto tem de ter leitura das escrituras.
Um culto tem de ter hinos que professam a fé em Cristo Jesus. Um culto tem de ter exposição das escrituras. Um culto tem de ter contrição. Um culto tem de ter chamado ao arrependimento. Chamado a uma vida de piedade, de santidade, de confissão, de pecados. Tudo isso tem que ter num culto. Então a gente precisa organizar, colocar isso numa ordem. Cada igreja vai ter a sua ordem.
Então, um boletim é construído com base nisso. E o pastor é uma figura importante, porque ele é o elemento que a gente julga ser crucial por ser, digamos, não só o arauto da igreja, mas o mordomo da ordem bíblica na igreja. É ele aquele que vai ser responsável pela direção da igreja. Usei um termo aqui.
que vem das leituras do Van Huser, Kevin Van Huser, no livro O Drama da Doutrina, quando ele diz que o pastor funciona como uma espécie de diretor. Então você tem o grande dramaturgo, o dono da peça, o dono do teatro, o dono do palco, que é Deus. Você tem... ...
o grande protagonista de todo o drama da redenção, que é Cristo. A gente tem o palco, que é o mundo, e ele vai espelhar isso de uma expressão que Calvino usa para se referir ao mundo como o teatro de Deus. E é preciso dizer que isso não é uma invenção de Calvino. A gente já vai encontrar em João de Salisburia, por exemplo, essa identificação do mundo como um...
um teatro de Deus. Aliás, Platão vai dizer que o mundo é um teatro. Shakespeare vai dizer que o mundo é um teatro. Calvino que vai dizer depois, já na frente, no contexto reformado, das igrejas reformadas, que o mundo é um palco, é o teatro de Deus, junto com outros tantos teólogos de tradição medieval.
que não é da mesma tradição de Calvino, mas que vão concordar que o mundo é um palco. Mas você vai ter um diretor. O diretor não é quem fez a peça. O enredo é as escrituras. O que o diretor faz é olhar para as escrituras, olhar para a cena, olhar para o palco. Dizer, ó, na Bíblia a mesa não é assim não. Pode deixar lá dentro que essa mesa é moderna e faz exegese.
Não, vocês fizeram a mesa aqui e essa mesa não pode ter essa altura. A mesa é rente ao chão, a mesa não esconde os pés, os pés ficam para fora. Está preocupado com a exegese. Ele vai dizer, não, não, não, não, não, não, não. São essas as palavras que foram ditas. Perceba, o diretor está preocupado em manter a fidelidade da dramatização a cada domingo da história da salvação no culto, dessa sombra da grande boda do Cordeiro.
que é também encenada no dia da ceia do Senhor. Então o pastor está ali. Então como responsável por essa direção, Jeff, ele precisa participar da ordem de culto. E é aqui que entra o papel dele, porque ele pode fazer isso sozinho.
como ele pode chamar um grupo de pessoas para perto e aproveitar aquele momento para discipulá-los, para mostrar como um boletim reverbera a confissão de fé de uma igreja, a missão de uma igreja, a teologia de uma igreja, mas também as grandes necessidades da igreja. E aí você pode abrir esse momento de determinação da ordem, não só para você...
estabelecer o boletim, mas aproveitar e fazer dali um lugar de ensino, de discipulado, de cuidado de pessoas na igreja. Então, a gente faz isso toda terça-feira, quando a gente se reúne à tarde para preparar.
a ordem de culto. E a gente não faz isso sem antes passar uma, duas horas ali mastigando o texto bíblico do sermão, fazendo exegese coletiva, todo mundo ali meditando no texto para depois a gente começar a escolher os elementos do culto e etc. E ali é uma oportunidade maravilhosa de a gente poder compartilhar a palavra com os irmãos ali e a gente ter um outro tipo de ensino.
Entende, Jeff? Um pastor tem de aproveitar todo o minuto que ele tem com a sua congregação para ensiná-la.
Esse é o grande objetivo. Ele não vai querer demonstrar nada. Ele vai querer aproveitar a oportunidade. Eu não vou perder uma oportunidade de ensinar aquilo que Deus nos deu. Então, vamos aproveitar todos os momentos possíveis. Então, por que eu vou deixar a liturgia ser trabalhada individualmente, particularmente, se eu posso, além disso, ter a contribuição de irmãos que estão fazendo uma leitura coletiva da Bíblia? Isso é maravilhoso.
A gente não tem um padrão para boletim que seja universal. Perfeito, concordo. Pela tradição. A tradição diz que um boletim tem que ser assim. Tem que ter essa ordem, esse começo, esse meio e esse fim. Não existe. Mas nós temos o nosso. Sim. E o nosso tem algumas partes.
E eu acho que a gente poderia, de repente, falar um pouco das funções dessas partes, porque nós temos, pelo menos, um texto que vai na capa que você sempre chama de portal. Muito bom. Por que se chama ele de portal? E o que tem depois do portal? Muito bom. Para onde vai o portal? Acho que dá para a gente falar sobre isso, sim.
Se a gente pensar no nosso boletim, a gente tem mesmo, como a maioria dos boletins de igreja que a gente vê, os irmãos sempre colocam um versículo de capa, que é o que você está dizendo. Eu gosto de entender que esse versículo isolado, como por exemplo, aqui a gente tem um boletim, aqui está a capa do boletim, aqui tem um versículo, bem pequenininho aqui. E nesse domingo, a exposição era em Isaías, foi em Isaías 5, do 26 ao 30, e foi o Igor Mendes que trouxe a exposição desse texto.
Então, a escolha foi Gênesis 1, 3. Haja luz. E o texto todo do...
que o Igor expôs, era um texto que era o contrário, é haja trevas. É um texto que vai confessar, vai mostrar o pecado do povo. Então, a ideia era chegar nesse haja trevas oferecendo no final como o haja luz de Deus, ele dá a palavra final e não as trevas. E aí não é mais o haja luz de Gênesis 1, que quando Deus disse haja luz, ele não só...
traz à luz o mundo, ele traz à luz para que os homens se contemplem as suas obras. E é isso que está acontecendo com os homens de Judá. Os homens de Judá, eles estão zombando de Deus, eles estão cegos, e eles não conseguem ver as obras de Deus, e por isso Deus...
acusa eles de falta de entendimento e de vigilância com relação aos grandes feitos dele. Então Deus lança a luz para que os homens, desde o início de Gênesis, vejam as suas obras. Jeff, Deus nos chamou para ver as suas obras. Mas se somos cegos, como podemos ver? Haja trevas. Mas aí vem Jesus, que segue o modelo da criação, só que é o modelo redentivo. Criação quer da redenção. Então, contra o haja trevas, há o haja Cristo.
que é expressa João 1. E isso foi passando pelo boletim, por exemplo. Então você tem aqui, Haja Luz, Gênesis 1, 3. O dirigente do culto, ele tem de aproveitar essa deixa que a gente chama de portal e convocar a igreja a entrar nessa jornada de reflexão sobre isso. Então o dirigente...
Nesse dia, ele tem que abrir o culto, chamando a igreja para a contrição, mas ao mesmo tempo ele tem que botar dentro da cena. Sem entregar o elemento principal, central. Ele precisa estar oculto, tem que estar velado. Ele usa o versículo para colocar um problema para a igreja. Por exemplo, Deus disse, haja luz.
E quando ele disse haja luz, foi para que todas as obras de Deus fossem feitas. Mas será que quando Deus diz haja luz, a luz ilumina apenas as obras de Deus? Será que a luz não ilumina também as obras dos homens? Não só as obras boas, mas será que também não ilumina as obras más?
E o que fazer quando nós não enxergamos nem as obras de Deus, nem as nossas más obras? O que fazer quando vemos a luz de Deus e encontramos as nossas más obras?
Você deixa a igreja ficar no suspense. Aí cada igreja pode ter a sua ordem, mas é o momento em que a gente vamos curvar nossa cabeça com um tempo de silêncio, com trição, para que a gente possa ter a resposta dessa pergunta hoje no sermão que será entregue para a igreja. Aí, obviamente...
a gente depois do tempo de silêncio, o convite é a leitura bíblica junto, leitura coletiva. E essa leitura coletiva aqui, por exemplo, foi em 1 João 1, de 1 ao 10, que já é uma referência cruzada, por isso que tem a ver com teologia bíblica. 1 João 1, 1 é o exemplo de que João é um leitor da Bíblia, um leitor de Gênesis.
Então ele diz, o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam a respeito do verbo da vida e aí vai. A mensagem que dele ouvimos e que anunciamos a vocês é essa, Deus é luz, tá vendo? Então todo o texto vai e aí chega no grande final do texto, se confessarmos os nossos pecados. Então você vê o texto todo trabalhando a questão da luz, dos pecados, das obras dos homens.
Então, em primeiro lugar, chamando a atenção para a luz da criação, que nos faz ver as obras de Deus. Depois, puxa, mas essa luz também pode mostrar as nossas obras, pode mostrar as obras dos nossos pais no jardim. Pois é, e aí? Aí vem a palavra de Deus. É, tem um caminho. Quando a luz de Deus mostra as nossas obras más, e a gente viu...
A gente tem que dar glória a Deus, porque a gente só pode ver as nossas obras más se nós não estivermos mais cegos. E se alguém viu as suas obras más na luz do Senhor, a única coisa que se espera é a confissão, a confissão dos pecados. E aí vem a oração, oração de abertura nesse momento. É importante que o dirigente faça uma oração que corresponda a isso, que chame a igreja para responder isso. E aí vem o primeiro hino. Sim.
esse primeiro hino, ele tem de nos levar pra essa discussão. E aqui a gente tem o primeiro hino, que é um convite e adoração, que começa com a frase luz do mundo vieste à terra. Que conversa muito bem com o primeiro João. Então, imaginando a sequência até agora, a gente tem haja luz, o texto de primeiro João que é a luz, Cristo como a luz que ilumina, e aí logo depois tem uma oração e a igreja começa.
Luz do... Entendeu? É isso aí. E é bom que a gente não continuou cantando, porque a gente estragaria agora a beleza dessa liturgia. Por isso que o pastor tem... Só ora, pastor, e prega. Ele só fala. Já te deu um dom. Eu uso ele. Já te deu um dom. Fica quieto aí.
E aí depois nós temos, como você escolhe as músicas, Júnior? Como nós escolhemos as músicas? O que a gente deve levar em consideração na escolha das músicas de um culto? Músicas, por exemplo, Vim Para Adorar, é uma música de 2001. Para o nosso contexto, é uma música...
Moderna, contemporânea. A segunda foi do Ademar de Campos. Foi gravada pelo Ademar de Campos. Uma versão do Ademar de uma canção do Bob Fitts. Uma música de 96. Mas na sequência a gente tem uma do HCC. O Hino 17, Fonte Astúria e Toda a Benção. De 1758. Como que a gente faz com que isso converse e ensine a igreja? Eu acho, Jeff, que a gente... Isso aqui é uma maneira de recuperar...
uma vivência que alguns mais antigos tiveram no passado do inário. Então, quando menino, ou a gente tem o inário que a gente levava na Bíblia, algumas Bíblias vinham com o inário junto, ou a gente tinha o nosso próprio inário, ou a igreja disponibilizava no fundo a estante com os inários ali. Ou no banco da igreja que ficavam os inários. Cantor cristão, HCC, dependendo da igreja.
Ali os seus inálios. Hoje eu amo inálios, eu tenho quase todos. Em diversas edições, eu acho que... Línguas diferentes também. Também línguas diferentes. Só para complexar. O Jeff já conhece o acervo. Mas eu sou encantado com isso porque eu acho que tinha um lugar. Essa tradição começa com Lutero. Lutero fez esse movimento de...
de colocar um inário na mão do povo, para o povo cantar, a igreja vai cantar, não é só mais um coro, a gente vai participar, nós vamos celebrar. É um movimento da congregação dos santos exercerem o seu papel na inologia, na inórdia da igreja. Então, eu acho que a gente acaba trazendo de novo essa tradição de ter um inário ali com a referência do hino, com um pouco da história do hino, quem é o autor do hino.
E o que a gente fez de diferente foi não ficar só com a nossa tradição batista, para que a gente pudesse ter uma experiência no nosso boletim de unidade da fé entre cristãos que, às vezes, discordariam em alguns pontos teológicos, mas que jamais discordariam na profissão e no cântico de um hino respaldado pela Escritura.
Então, aqui a gente vai ter inários de diversas tradições. Você citou aqui HCC, o cantor cristão. Eles acabam aparecendo muito mais do que os outros, porque somos batistas. Mas aparece aqui o novo cântico, por exemplo, dos presbíteros.
a gente coloca, e uns que são muito bonitos que estão ali, às vezes, a gente vê assim, essa versão dos irmãos presbiterianos está melhor que a nós, está mais bíblica essa aqui. E não tem problema, bênção demais, a gente vai cantar ali, esses dias a gente encontrou um hino dos Menonitas, do Inário Menonita.
Que coisa linda aquele hino. Por exemplo, nesse hinário aqui, por exemplo, a gente encerrou o culto com um hino de Charles Wesley, um hino do século XVIII, que a gente fez a versão para que a igreja pudesse perceber...
Tem hino aqui, por exemplo, do HCC, que é um hino irlandês do sexto século. A gente quer mostrar para a igreja que a gente está cantando hinos novos, porque tem hinos contemporâneos. Tem hinos que são hinos da nossa igreja, que nós fazemos os hinos, porque é fruto da pregação e do ensino aqui.
E tem nos modernos, para a gente mostrar e educar a igreja para o fato de que ela não tem que escolher cantar. Ah, eu só vou cantar aí no contemporâneo. Não, canta tudo.
Vamos cantar nossa tradição, vamos cantar os hinos que atravessaram séculos. Estamos ligados a um povo que não se reduz à nossa denominação e à nossa igreja local. Nossa igreja local, Jeff, é como o Mark Dev costuma dizer, Jonathan Lehman também, a nossa igreja local é uma embaixada.
O reino não está reduzido às embaixadas. As embaixadas representam o reino. Então, uma igreja tem de ter a consciência de que ela tem irmãos e que tudo bem se eles tiverem uma confissão de fé diferente.
A gente tem, obviamente, preocupações doutrinárias e que dizem respeito a tensões de doutrina e que vão oscilar entre aquelas questões que são, de fato, erro. Por exemplo, alguém pode errar mesmo do ponto de vista da citação bíblica, de um texto bíblico inadequado, o texto prova que foi usado para determinado ensino, não cabe, é erro.
A gente tem heresia. Heresia inadmissível. Então a gente não pode admitir. Então a gente não aceita cantar hino dentro de um contexto herético. Complicado isso. A gente tem que ter zelo. Zelo precisa ter. Então, nesse sentido, Jeff, a gente tem uma leitura que incorpora outras tradições, mas ela não é uma incorporação cega.
É uma incorporação cega, não. A gente tem de perceber as nuances e o nosso zelo doutrinário pela igreja, pela palavra e, sobretudo, pela confissão de fé.
Então esse é um dos pontos altos da escolha dos hinos. Acho que a gente falou muito sobre o aspecto do pastor na sua relação com o boletim. Mas se a gente puder terminar esse episódio falando para membros que possuem o boletim em suas igrejas, como nós encorajaríamos eles a usarem de maneira prática.
Por exemplo, eu uso na minha casa, canto com a minha filha, canto com os meus filhos. Como nós poderíamos encorajar membros que possuem boletim a usarem eles de maneira prática e intencional? E como nós poderíamos encorajar membros que estão vendo aqui, eu queria boletim na minha igreja, mas na minha igreja não tem. Quer dizer que eu não vou fazer nada em casa? Não, a primeira coisa é não vai fazer, achar que você vai fazer a reforma genebrina na sua igreja. Não, não é isso, não é isso.
Entende? Cada igreja vai ter a sua ordem de culto. Então, o boletim é só uma sugestão de como a gente tem feito a ordem do culto. Eu entendo que é uma oportunidade de ensino em casa? É.
Então, a gente tem a oportunidade de, em algum momento do nosso contexto, cantar um daqueles hinos, como você disse, ou ler. No caso do Discipulado Maravilhoso, por exemplo, você pega esse boletim. No meio do caminho, a gente fez a leitura da Confissão de Fé do Credo Niceno nesse domingo. Lemos o Credo Niceno. Aqui embaixo tem um estudo sobre o Credo Niceno. Tem luz de luz no Credo Niceno. No Credo Niceno tem luz de luz. Exato. O Credo Niceno está conversando.
Então o que a gente faz é isso, é usar o credo para ensinar nossos filhos. Veja aqui, vamos ler o credo nisseno, explica a doutrina também. Então é uma mini teologia bíblica, dogmática, mas também doxológica, cheia de louvor, cheia de música e centrada em Cristo, na obra de Cristo. Todo ele centrado na palavra, biblicamente referenciado. E quando a gente canta a palavra, Jeff, a igreja pega fogo.
E tem que pegar fogo mesmo. Qual é o segredo do canto congregacional? Cantar a palavra. Quando você tem a palavra, você bota pra fora aquela voz poderosa que você tem pra cantar.
porque é a palavra de Deus, não é a ideia de um homem. Mas se você não tem um boletim, o que a gente faz? Se uma pessoa que está assistindo esse podcast... Olha para a tela da igreja, o pastor botou lá a letra da música no telão, no data show, canta com toda a força. Ah, eu gostaria de cantar. A gente compra o Inário, o Inário está à venda ainda.
seja como meu colecionador de inários em várias línguas estamos encerrando aqui mais um episódio do Conversa de Pastor não vai encerrar cantando não o último não vou encerrar cantando mas vou encerrar dizendo que se você deseja contribuir para edificação de igrejas saudáveis para revitalização de igrejas os dados estão aqui na descrição do vídeo então estamos mais uma vez encerrando esse episódio do Conversa de Pastor com Jonas Madureira do Conversa do Conversa
e Jefferson Santana. Até a próxima. Até.
IB Palavra
Ibravin
Contribuição para plantação e edificação de igrejas saudáveis