Ep. 51 - A Serpente de Bronze: Olhe e Viva
Histórias bíblicas para crianças sobre fé e obediência: a serpente de bronze no deserto. Depois de reclamar contra Deus, o povo de Israel enfrenta um perigo real — e a cura vem de um jeito surpreendente. Um episódio do podcast infantil cristão O Baú de Histórias sobre confiar mesmo quando a instrução de Deus parece estranha.
Michele Menezes
- O Abraço do Pai Celestial· ReligiaoSerpente de bronze·Fé e obediência·Jesus
- Serpentes ardentes no deserto· ReligiaoIsrael·Moisés·Deserto·Maná
Olá, pequenas e pequenos exploradores! Eu sou a Michele Menezes. Sejam muito bem-vindos ao Baú de Histórias. Aqui dentro não guardamos brinquedos, guardamos algo muito melhor: mundos distantes, personagens incríveis e muita diversão. Estão prontos para a história de hoje? No 3, a gente abre o baú. 1, 2, 3! Da última vez, a gente viu Moisés perder a paciência diante da rocha, ferindo-a em vez de simplesmente falar, e a consequência séria que essa escolha trouxe para o próprio líder.
Pouco tempo depois desse episódio, o povo precisou contornar a terra de Edom. Um caminho mais longo e mais cansativo do que gostariam. E foi durante essa volta que a reclamação, mais uma vez, tomou conta do acampamento. A alma do povo se angustiou muito por causa do caminho, contam as Escrituras. E não era para menos. Um homem, arrastando os pés cansados pela areia quente, resmungou para o filho ao lado: Por que Deus nos tirou do Egito para morrermos aqui no deserto?
Não há pão, não há água, e a nossa alma já enjoou deste pão tão vazio. Eles estavam se referindo ao maná, aquele mesmo alimento que Deus enviava fielmente todas as manhãs, agora tratado com desprezo por corações cansados e ingratos. Naquela mesma noite, um grito de dor cortou o silêncio do acampamento. Uma mulher correndo desesperada entre as tendas gritava: Uma serpente! Meu filho foi mordido por uma serpente! Logo outros gritos se juntaram ao dela, vindos de diferentes pontos do acampamento.
O Senhor tinha enviado serpentes ardentes, cujas mordidas queimavam como fogo, e muitas pessoas, picadas, começaram a morrer. Um pai segurando o filho pequeno nos braços corria sem saber para onde ir, gritando por ajuda, o pânico tomando conta de cada família ali. Os anciãos se reuniram apressadamente diante da tenda de Moisés. Fizemos mal em falar contra o Senhor e contra ti, disse um deles, a voz embargada de medo e arrependimento.
Roga ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Moisés, vendo a gravidade da situação, o número de famílias já enlutadas, foi até um lugar afastado e orou, intercedendo mais uma vez por aquele povo tão inconstante que ora confiava, ora se rebelava. O Senhor respondeu com uma instrução que à primeira vista parecia estranha demais para fazer sentido. Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste, e será que viverá todo aquele que, tendo sido mordido, olhar para ela?
Moisés pegou bronze e moldou com as próprias mãos uma serpente, colocando-a no alto de uma longa haste de madeira, bem no meio do acampamento, onde todos pudessem enxergar. Um jovem ainda com a marca vermelha da mordida ardendo na perna, foi carregado pelo pai até perto da haste. Filho, você precisa olhar para ela, disse o pai com urgência na voz. O menino, fraco e confuso, perguntou: Como é que olhar para uma serpente de bronze vai me curar, pai?
Não faz sentido nenhum. O pai, segurando o filho com força, respondeu: Eu também não entendo completamente, meu filho, mas Deus disse que seria assim, e eu prefiro confiar nele do que confiar na minha própria lógica. O menino ergueu os olhos fracos e trêmulos na direção daquela serpente de bronze brilhando sob o sol. E aos poucos, a dor ardente foi diminuindo, a força voltando ao corpo. Até que ele conseguiu se levantar sozinho, curado.
Pelo acampamento inteiro, a mesma cena se repetiu, vezes e vezes. Pessoas mordidas, algumas já perto da morte, erguendo os olhos para aquela serpente erguida no meio do povo e sendo curadas naquele mesmo instante. Uma avó ajudando a neta ainda tonta a se levantar depois da cura. Comentou baixinho: Não foi a serpente que nos salvou, minha filha. Foi a obediência de olhar para onde Deus mandou olhar. Meus pequenos exploradores, essa história pode parecer estranha à primeira vista, mas ela guarda um ensinamento muito profundo.
Muitos anos depois, o próprio Jesus usou essa mesma história para explicar a sua missão. Dizendo: Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Assim como aquele povo precisava apenas olhar com fé para a serpente de bronze, hoje nós somos convidados a olhar com fé para Jesus, confiando que ele é suficiente para nos salvar.
Mesmo quando a nossa lógica não consegue explicar tudo direitinho. Antes de encerrarmos, deixa eu te chamar para um momento de fé, assim como aquele povo precisou ter. Senhor, me ajuda a olhar para ti nos momentos difíceis, mesmo quando eu não entendo completamente o teu plano. Obrigado por Jesus, que se ofereceu para que eu pudesse ter vida de verdade. Perdoa as vezes em que eu reclamei do que tu já tinhas me dado, sem enxergar o quanto isso era, na verdade, um cuidado teu.
Obrigado por seres o Deus que cura e que salva. Em nome de Jesus, amém. O nosso baú se fecha por hoje, mas conforme o povo de Israel se aproximava cada vez mais das fronteiras da Terra Prometida, um rei estrangeiro do outro lado das montanhas, começou a tremer de medo só de ouvir falar deles. E esse rei estava disposto a pagar uma fortuna para um profeta muito estranho, que logo descobriria que nem todo mundo consegue ir contra a vontade de Deus, nem mesmo com a ajuda de um animal falante.
No próximo episódio, prepare-se para uma das histórias mais inusitadas de toda a Bíblia. Nos vemos lá, tchau!