Uptalks #26 - Foco no progresso e não no placar. O Poder da Constância
A gente adora olhar para o placar.
Peso, faturamento, audiência, meta, resultado.
Quando melhora, empolga. Quando piora, derruba. Quando não muda, começa a dúvida.
Mas Bill Walsh, técnico histórico do San Francisco 49ers, tinha uma ideia melhor: deixar que o placar cuide de si mesmo.
Não porque o resultado não importa. Importa.
Mas porque resultado é consequência de um processo bem executado.
Neste episódio do Conselhos que ninguém me pediu, a conversa é sobre parar de negociar tanto com o processo e voltar para o que está no nosso alcance: a próxima jogada.
Pega o seu café e vem comigo.
Bill Walsh foi técnico do San Francisco 49ers, um dos grandes times da NFL, liga de futebol americano. Ele não queria que os times que ele treinava fossem obcecados pelo placar, queria times obcecados pelo processo, pela próxima jogada. E ele resumia isso em uma frase: o placar cuida de si mesmo. Não porque o resultado não importa, porque ele importa, mas porque o resultado é consequência de um processo bem executado. Bill Walsh estava falando de futebol americano, mas ele podia estar falando de qualquer outra coisa: emagrecer, vender, construir um negócio.
Quase tudo que importa na vida funciona assim: você não controla o placar o tempo todo. Mas controla a próxima jogada. Hoje é segunda-feira e segunda-feira é dia de conselhos que ninguém me pediu aqui no UpTalks. Então pega o seu café e vem comigo. Você está ouvindo o UpTalks, ideias, conselhos e boas histórias para você aprender, provocar e transformar em ação. Vamos pegar um exemplo simples para a gente entender melhor: emagrecer.
E para a gente emagrecer existe uma conta básica: a gente precisa gastar mais energia do que consome. Pode fazer isso comendo menos ou fazendo mais exercícios, ou fazendo os dois. Pode também usar alguma coisa que vai ajudar nesse processo, como um remédio. Mas no final a conta continua sendo a mesma: gastar mais do que consome. Só que a gente saber essa conta não faz a gente emagrecer, como também o vendedor saber que precisa vender não vai fazer ele bater meta.
Saber que precisa treinar não vai transformar ninguém em atleta. Saber o que precisa ser feito é só o começo. A diferença está em fazer o que precisa ser feito por tempo suficiente. E é aqui que às vezes a gente se perde, quando a gente coloca a meta como se fosse uma profecia de realização, como se eu quiser emagrecer 10 kg, eu vou emagrecer 10 kg, ou eu quero escrever um livro, então eu sou um best-seller, eu abri minha empresa, eu serei rico.
A meta aponta direção, aponta o objetivo, mas quem diz que se a meta vai ser atingida ou não é o trabalho, é o processo, é o dia a dia. Se a minha meta é emagrecer, o processo é treinar hoje, comer menos hoje. Se a minha meta é escrever um livro, o processo começa em escrever uma página, depois outra, depois outra. Se a meta é crescer um negócio, o processo é todo dia ligar para cliente, ajustar produto, melhorar proposta, aparecer com consistência.
Meta é o alvo, mas para meta ser atingida, o processo tem que aparecer na agenda. E é por isso que a gente negocia tanto com ele. A gente quer emagrecer, mas negocia o treino. Quer vender mais, mas negocia a prospecção. Quer melhorar, mas negocia a repetição. Acha que isso não é importante, por isso a gente negocia. E a repetição é a parte que ninguém quer fazer, é fazer o básico de novo e de novo e de novo e de novo. E é Sim, isso é difícil, porque a gente fazer o feijão com arroz ali todo dia quando o resultado ainda não apareceu é difícil, é chato, porque a gente olha para o placar e acha que tá tudo lento demais.
Vamos voltar em Bill Walsh: o placar cuida de si mesmo, a gente só pode cuidar do jogo, porque o placar ele não vai mudar só porque a gente tá olhando para ele. Não adianta eu me pesar 10 vezes ao dia que o peso não vai mudar. O faturamento da minha empresa não vai subir se eu ficar atualizando o dashboard de 5 em 5 minutos. O placar não executa nada para gente. Quem executa somos nós mesmos, na próxima refeição, no próximo treino, na próxima reunião, na próxima decisão pequena.
Que parece não valer muita coisa, mas vale. O problema é que a gente é viciado no placar, e quimicamente faz sentido, porque quando o placar melhora, a gente empolga porque a dopamina tá entrando em campo. Por outro lado, quando piora ou permanece na mesma e a gente desanima, o estresse sobe e o cortisol domina, e a gente começa a duvidar. Será que está funcionando? Será que vale a pena? Será que eu não devia tentar outra coisa?
Essa dúvida é perigosa porque ela faz a gente abandonar o processo. A gente faz tudo certo por uma semana, mas aí a balança não mexe. Aí você pensa: não adiantou nada. Só que talvez tenha adiantado e você ainda não viu. Mas a gente quer prova, número, evidência que alguém dizendo para a gente continua tá dando certo. E por isso o placar é importante. Mas quando a gente se apega ao processo e entende que o resultado não acontece por mágica, que o resultado acontece pelo acúmulo de coisas na direção certa que eu faço, Que a constância, que é o nome que a gente dá para isso, esse acúmulo que a gente vai fazendo das coisas, a gente é constante naquilo ali até virar resultado.
Então, a próxima vez que você achar que o resultado não tá vindo, olha menos para o placar, olha mais para o jogo. Você tá fazendo o que precisa ser feito? Está repetindo o que precisa ser feito? Está ajustando o que precisa melhorar? Você tá permanecendo dentro do processo? Se a resposta for sim, continua, porque o placar pode até demorar para aparecer, mas ele aparece e ele denuncia quem ficou no jogo. E se você continuar no processo o placar vai refletir o seu processo, porque você teve constância, você foi constante, consistente.
E esse foi o conselho que ninguém me pediu dessa semana. E até a próxima segunda-feira, até o próximo café.