Uptalks #25 - Comunicação muda vidas! - Paulo Felipe, Founder Tagarela
Neste episódio do Uptalks, Marcus Nunes recebe Paulo Felipe, o Paulo Tagarela, mentor de oratória, para uma conversa sobre comunicação, medo de falar em público e a importância de encontrar a própria voz.
Paulo conta sua trajetória de menino tímido, que travava na hora de se apresentar, até se tornar professor de oratória e ajudar mais de 5 mil pessoas a se comunicarem melhor.
A conversa passa por temas como preparação, autoestima, autoridade, improviso, escuta ativa, linguagem corporal e o erro de tentar copiar o estilo de outras pessoas.
Mais do que “falar bonito”, comunicação é uma ferramenta para abrir portas, gerar conexão, vender melhor, liderar melhor e participar das oportunidades que aparecem.
Um episódio para quem já travou, já teve medo de se expor ou sente que tem algo importante a dizer, mas ainda não encontrou a melhor forma de colocar isso no mundo.
Porque, como o Paulo resume bem: comunicação muda vidas.
Marcus Nunes
Paulo Felipe
- Impacto das palavras e da comunicaçãoAbrir portas profissionais · Melhorar relacionamentos · Transformação pessoal · Comunicação muda vidas
- Trajetória de Paulo PezzolanoTimidez na infância · Medo de falar em público · Superação e aprendizado · Paulo Felipe
- Desenvolvimento da comunicação em criançasLinguagem corporal · Voz e entonação · Organização de conteúdo · Escuta ativa · Improvisação
- O Papel da Comunicação e MídiaOratória não é só falar bonito · Comunicação como ferramenta · Importância da comunicação
- Clareza e Efetividade na ComunicaçãoConsciência da necessidade · Uso do celular para treinar · Disciplina e hábito · Prática diária
- Superando o medo e a negaçãoFalta de preparação · Autoestima baixa · Medo de julgamento · Pressão e ansiedade
- Comunicação ConscienteOratória é treino, não dom · Respeitar o próprio estilo · Modelagem de comunicação · Autoconsciência
- Indicação de livro técnicoComo Fazer Amigos e Influenciar Pessoas · O Poder dos Quietos · As Armas da Persuasão · Manual da Programação Neurolinguística · Inteligência Emocional
Você está ouvindo o UpTalks, ideias, conselhos e boas histórias para você aprender, provocar e transformar em ação. Fala, pessoal, bem-vindos a mais um UpTalks. Hoje um UpTalks que eu confesso que para mim é especial. Toda vez que eu converso com pessoas que me inspiram, e o Paulo particularmente é uma pessoa que me me auxiliou muito, mas a gente já vai falar do Paulo, porque hoje é dia de falar de um tema que para mim mexe muito e minha vida mudou depois que eu conheci o Paulo, que foi e é o meu mentor de oratória. E hoje a gente vai falar de comunicação.
Paulo, bem-vindo! Obrigado, Marcão, obrigado pela oportunidade. Falar de comunicação para mim é a minha vida, meu olho fica até brilhando, porque eu faço isso com muito amor, sabe, Marcos? Porque a comunicação mudou minha vida e eu vejo como que muda as pessoas também. Então assim, vamos trocar uma ideia aqui e mostrar para as pessoas que comunicação é uma ferramenta muito, muito importante. Obrigado pela oportunidade, vamos trocar ideias aqui.
Bora! É engraçado, Paulo, porque as pessoas acham que oratória é falar bonito, como se oratória fosse só falar bonito. Não que não seja, mas que como se fosse somente falar bonito, né? E hoje a ideia é que a gente desmistifique um pouco dessas questões, né? Entre um pouquinho mais o que que é comunicação, o que que não é, como fazer, como melhorar e tudo mais. Mas antes eu queria saber quem que é o Paulo Felipe e quem que é o Paulo Tagarella? Onde que um encontrou o outro? Conta essa história pra gente.
Vamos lá. Bem, eu sou o Paulo Felipe, Tenho 40 anos, eu sou da região do Barreiro ali, nascido e criado no Barreiro. Então assim, as minhas raízes estão lá. Por que eu tô falando disso? São raízes mais humildes, raízes que o simples vale muito. E por que que isso é importante? Porque em comunicação o simples vale muito. Você falou sobre falar bonito é bom ou é ruim? Depende, depende do momento. Então assim, Sou uma pessoa lá no fundo da alma, vamos dizer assim, com as características mais tímidas.
Pode parecer um contraponto, professor de oratória ser tímido, mas é exatamente assim. Se vocês repararem aqui durante a conversa, eu não sou o cara mais extrovertido, mais falador, porque cada um tem uma característica. E é isso que eu quero trazer aqui para vocês hoje, tirar esse mito de que para falar bem eu tenho que ser o Zé Conversinha, eu brinco desse jeito. Cada um tem o seu jeito, respeite o seu jeito. E desde que eu percebi que comunicação mudava a vida, eu precisei ir em busca disso, Marcos.
Eu fiz teatro, eu fiz oratória, eu fiz terapia, eu fiz tudo que você imaginar, porque a comunicação travava a minha vida. Tem alguns episódios, deixa eu contar um rápido aqui. Eu fiz meu TCC E aí eu não tive coragem de apresentar o meu TCC.
Uau!
Meu TCC era no sábado. Na sexta para o sábado eu tive uma crise de enxaqueca que eu nunca tinha tido na minha vida. Foi algo assim muito, muito forte. E querendo ou não, foi uma virada de chave também, porque eu era aquele menino na escola, provavelmente alguém que está nos escutando aqui também já fez isso: eu faço e você apresenta. E aí a pessoa ficava grandona.
Você era o que fazia ou o que apresentava?
Eu fazia. Eu era o que fazia, o que estudava, o que trabalhava. Tinha alguns colegas que só ficavam na esbórnia. Opa, fez? Fiz. Isso não faz sentido, sabe? Nós temos muito o que contribuir com os outros. Cada um tem a sua história, cada um tem a sua vivência. E aí você falou, quando que o Paulo Felipe tímido encontra com Paulo Felipe da tagarela? Foi uma oportunidade também de negócio. Eu sempre fui muito inquieto. Por mais assim tímido que eu sou, minha cabeça não para, eu sou muito criativo.
E eu já tive agência de marketing, eu já tive marca de roupa, já tive lava-jato, já tive tudo que você imaginar. E aí, olha como que Deus coloca as coisas no momento certo. Depois que eu fiz o curso de oratória, lá isso foi o quê, 2008, 2009, as pessoas me perguntavam sobre o curso de oratória. Não, você fez? Como é que foi e tal? Só que teve um período em 2015, olha que coisa doida, 2015, umas 6 pessoas me perguntaram praticamente assim em sequência.
E aí eu fiquei, gente, tem negócio aí, tem negócio. E aí, Marcos, eu peguei e comecei a estudar, cara. Assim, questão de 15 dias fiz a primeira turma com os colegas ali que perguntaram. Foi uma turma bem mais ou menos, bem tosca, mas eu fiz a primeira turma ali. E eu comecei a perceber que eu precisava me dedicar mais. Então são 11 anos de dedicação assim plena sobre comunicação para chegar aqui hoje. Não é do dia para noite, nós vamos falar muito sobre isso, é uma construção, é um processo.
Quem nasce com habilidades mais reais de comunicação tem mais facilidade. Isso não significa que uma pessoa mais fechada não consiga, Mas como qualquer outra coisa na vida, e você que é músico sabe disso, se você ficar muito tempo sem tocar o seu instrumento ali, você vai dar uma enferrujada. E a mesma coisa para comunicação, é prática, é processo. Então o Paulo Felipe tímido, ele encontrou uma oportunidade de negócio e hoje nós estamos aqui, 11 anos depois, mais de 5 mil pessoas formadas, e uma delas você. Então vamos falar muito sobre comunicação e inspirar essas pessoas aí. Boa!
Cara, você falou uma coisa que me chamou atenção, que você travava.
Sim.
E eu converso às vezes com as pessoas e até a gente tava comentando aqui agora há pouco de uma pessoa que te procurou e tal, que ela trava. E eu acho que é uma coisa muito comum, o travar, né? Eu, por exemplo, eu sou tímido, mas eu não sou de travar. Mas eu sou de talvez, ou eu era quando eu não me preparava, quando eu não tinha as ferramentas, de meio sair atabalhoado. Atabalhoado? Atabalhoado!
Olha que palavra bonita! Trava-língua!
Trava-língua total! Por que as pessoas travam na hora de falar?
Tá, vamos lá. Alguns pontos importantes aqui que nós precisamos pensar. Um deles, o principal, você falou. Você falou algo parecido assim: quando eu não me preparo, eu vou meio que atabalhoado fazer as coisas. Então esse é o primeiro ponto, é a preparação. Não adianta, Marcos, a pessoa aí deixa comigo que eu vou sem preparação. Pode dar certo? Pode, mas pode dar muito errado. Então, por exemplo, quando você me convidou hoje, eu te perguntei o quê?
Qual que vai ser a pauta? Para quê? Para que eu pudesse me preparar. Não era para eu definir quais as perguntas, porque o podcast é seu. Eu queria simplesmente me preparar. Então a preparação é fundamental. Essa trava acontece muito por falta de preparação, por autoestima baixa. Tem pessoas que naturalmente já: ai, eu não consigo, ô céus, ô vida. A pessoa já tem isso meio que enraizado. E aí entra outra questão, não só de oratória, mas de cuidado mental.
Cuidado mental, porque as pessoas, ainda mais nessa época de internet, querem aparecer o tempo inteiro. E aquela pessoa que tem dificuldade, ela fica se culpando porque ela não consegue. E aí ela vai ficando cada vez mais ansiosa.
Ela tem medo de ser julgada?
Tem medo de ser julgada porque ela não nasceu para aquilo na cabeça dela. Mas na verdade não é que não nasceu para aquilo, é que ela não está preparada para aquilo. Mais uma vez, voltando à música aqui, eu não entendo nada de música. Me dá um violão aqui, vai ser um blum blum, porque é o que eu sei bater nas cordas. Mas o que adianta eu bater nas cordas sem saber qual nota eu vou colocar naquela música? Então quando a pessoa ela não tem as informações, de fato ela não vai conseguir fluir e aí vai travar.
Entra outra questão interessante também que é a pressão. Dentro de empresas a pressão vai acontecer. Não adianta eu falar no país da Alice das Maravilhas lá que a empresa não tem pressão, porque tem, tem resultados. E aí quando a pessoa chega, por exemplo, para conversar com o CEO da empresa, Meu Deus, é o CEO! E aí já travou. E se ela começar a mudar a linguagem dela? Por exemplo, vou conversar com o CEO da empresa. Não é uma grande oportunidade de serviço?
Então é começar a entender a comunicação como uma aliada e não como algo que vai, nossa, vai acabar comigo. Eu gosto muito de falar, Marcos, que é um processo. E esse processo, para você passar por fase a fase dele, você tem que ter as orientações certas. Não é uma receita de bolo. Existem momentos, existem cenários para você melhorar a comunicação. Então, da mesma maneira que você cuida das suas atividades físicas, que você tem um processo, você não começa fazendo supino com 100 kg, não.
Começa só com a barra, daqui a pouco coloca 5 de cada lado. Na comunicação é a mesma coisa, processo, respeitar o processo.
Você acha que as pessoas, além de não ter o processo, tem um pouco a ver com a pessoa ter medo de esquecer o que ela vai falar? Talvez porque ela não se sinta com autoridade?
Eu acredito que tem muita ligação, viu, Marcos? Porque a pessoa foi chamada pra falar. Se ela não tem aquela questão que nós mencionamos anteriormente da autoestima, por que eu? E aí a autoridade dela vai onde? No chão. E aí ela já começa a falar, a linguagem corporal já entrega que ela tá nervosa. Então essa questão de entender o que que você vai falar para você ter a autoridade e passar faz uma diferença muito grande. Esquecer, gente, é extremamente normal, porque você é um ser humano, você não é um robozinho de comunicação.
E aí entra naquilo que eu mencionei da pressão. Quando você está pressionado, o que você quer? Você quer sair daquela situação de pressão porque é uma ameaça. Então o que você menos quer é falar, quer sumir dali. Então entender o momento de pressão e como sair dele com a preparação. Por exemplo, a primeira palestra que eu fui, foi algo assim muito legal, que foi na Vale lá em Itabira. E eu tinha um ano de estagarelo, então ainda era aquela pessoa com resquícios de timidez. 300 pessoas, Marcos, na palestra.
Cheguei lá, olhei aquele auditório lotado, falei, meu Deus, o que que eu vim fazer aqui, cara? Só que lá no fundo, na hora que eu falei, meu Deus, o que eu vim fazer aqui? Veio uma mensagem imediatamente, você tá preparado. Porque eu estudei demais. A palestra era, vamos supor, daqui 15 dias para frente. Estudei muito, cheguei lá e consegui fazer uma palestra muito adequada para aquele ambiente. Então a autoridade ela vem muito da preparação, vem muito da sua autoconsciência.
E é importante também, vamos trazer aqui para sua área de atuação, quando você não sabe exatamente a resposta, aquilo vai trazer para você um, ai meu Deus. Mas quando você entende que falta um conteúdo, falta uma informação, Você procura aquela informação, por consequência a sua confiança volta. Então tá vendo como que tudo vem encaixando, processo, processo. Eu vou falar isso eternamente com os meus alunos, porque tem pessoas que, ah, vou fazer um curso de oratória e agora eu falo bem.
Beleza, faz o curso e não segue os processos, vai voltar a estaca zero, porque agora você tem as informações, sabe o que fazer, só que você não faz. Então, mais uma vez, processo.
Que não é só ferramenta, né? Não é só conteúdo. Não adianta você ter o conteúdo, você precisa da ferramenta. Não adianta só você ter ferramenta se você não tem um conteúdo. É um pouco de tudo, né? É tudo.
Por exemplo, sei jogar futebol, mas não tenho uma bola, que hora que eu vou jogar? Sei jogar futebol, tenho uma bola, mas não tem a quadra, onde você vai jogar? Então é a mesma coisa. Eu tenho conteúdo aqui, dependendo da forma como eu te passo esse conteúdo, Eu vou te passar uma mensagem completamente diferente. Eu posso, por exemplo, falar com você: oi, Marcos. Eu posso falar: oi, Marcos. Usei a voz errada na segunda parte. Na primeira foi um oi de conexão e no segundo foi um oi de vou te matar.
Então eu usei a ferramenta, o conteúdo com a ferramenta errada. Isso faz total sentido que você falou.
É interessante porque assim, pelo que você tá falando, Oratória não é dom.
Não, não.
Oratória é treino.
Oratória é treino, é uma habilidade. Claro, existem pessoas que são mais, no popular, conversadas, e aí quando elas aplicam aquilo ali fica ainda mais natural porque ela já tem um pezinho na comunicação. Agora, nada impede de uma pessoa que é mais tímida conseguir passar a mensagem, porque agora ela já tem um conteúdo Tem que ter o conteúdo, porque senão vai entrar no quê? Aquela pessoa que fala, fala, fala, fala e não fala nada com nada.
Isso não é comunicar. Falar muito não significa falar bem. Então a pessoa, ela tem a técnica, tem o conhecimento, não importa o perfil dela, cada um tem um jeito. Imagina só, lá, não, fly mesmo. Marcelo, ele é um cara mais tranquilo, e o Mazinho é mais expansivo. Cada um passa sua mensagem de um jeito. Mas ambos com estratégia, com técnica. Então é importante dar o devido cuidado para comunicação e entender que não é um dom, é um trabalho.
O que que essas pessoas que naturalmente são conversadas, o que que elas têm que a gente consegue trazer para eu, por exemplo, para mim, por exemplo, que não sou naturalmente conversado?
Vamos lá, a pessoa que ela é mais conversada, o que que ela é? Depende da característica do ambiente. Por exemplo, uma pessoa que é mais conversada, ela é melhor para quê? Comercial, por exemplo. Ela, em qualquer ambiente, ela chega, conexão, e por aí vai. Ela consegue se conectar rápido. Então a forma de abordar dela é mais natural, bate-papo. Pessoal tá aqui, ela tem uma energia que todo mundo olha, nossa, eu quero conversar.
Agora, por outro lado, Nós que somos mais tímidos e introspectivos, o que que nós temos de bom? Nós somos mais o quê? Observadores. Então a pessoa que observa mais, ela consegue conectar a mensagem na hora certa, ela não fala por falar. Então é entender que cada um tem o seu perfil. Não adianta também a pessoa ser extremamente conversada e aí ela vai para uma equipe que é extremamente técnica. Por exemplo, lá na Onfly tem as pessoas de tech, de tecnologia, são extremamente técnicas mesmo.
E aí elas pegam uma pessoa que fala muito, aquilo enche a cabeça delas, elas ficam: meu Deus do céu, para de falar, para de falar. E o contrário também, não adianta você colocar um cara muito, muito reservado para ser um cara de comercial, linha de frente, não vai adiantar 100%. Então é entender o cenário, entender o que que cada perfil traz de mais relevante para o momento ali.
É um erro então, eu posso falar que é um erro então a pessoa que tenta copiar um estilo. Aí eu quero tentar copiar o estilo do William Bonner. Por exemplo, eu tenho uma tia minha que é falecida, infelizmente, que ela falava que eu ia ser o próximo William Bonner, porque meu sonho era fazer jornalismo. Então não cheguei a ser o William Bonner.
Você é o Marcos Nunes.
Eu sou o Marcos Nunes. É um erro as pessoas tentarem copiar, tentar copiar o estilo de um vendedor, de um palestrante, de um influencer, de um jornalista?
Ô Marcos, de todo o coração eu falo que é um grande erro, porque cada um tem o seu jeito. Imagina só, eu, se eu tentar ser— olha que legal, gente, se vocês pesquisarem muito sobre o Professor de Oratória, No YouTube tem vários e os caras são todos conversados, aquela bagunça, eles são engraçadões, e eu não sou assim. Eu sou um cara mais analítico, sou um cara mais técnico. Então eu pego essas características e adequo ao conteúdo que eu quero passar.
Então cada um tem um estilo. Eu posso tentar ser engraçadão? Posso. Mas imagina uma situação: eu tento ser engraçadão, faço uma piada, ninguém curte. Eu vou ficar assim, nossa, você tá vendo? Aqui que eu arrumei. Então assim, cada um tem a sua essência, nada impede que eu possa me inspirar. Então vou trazer aqui uma análise mais técnica da situação. Tem dentro da Programação Neurolinguística, a famosa PNL, tem um dos pontos que tem o nome de modelagem.
O que é a modelagem? É você observar no outro aquilo que é legal e trazer para o seu perfil. Por exemplo, eu acredito que o Faustão seja um comunicador muito bom, senão eu não estaria aí 90 anos na televisão. O que que ele tem de legal? Na minha concepção, ele pensa muito rápido, ele pensa muito rápido. Agora, o que que ele tem de chato? Interrupção. Então, ao entender que interromper as pessoas não faz parte do meu estilo, opa, não quero.
Agora, pensa rápido, poxa, que legal, como é que ele pensa rápido? Então ele lê muito, ele tem um mapa mental já desenhado na cabeça dele daquilo que ele quer falar. Então eu pego uma característica daquela pessoa e tento adaptar ao meu estilo. É adaptar, não é copiar. Porque se você copia na íntegra, pode funcionar? Pode. Mas uma hora a máscara cai. E na hora que a máscara cair, você vai sentir que tá sendo falso. Se você sentiu, imagina as outras pessoas.
Nossa, o Marco está tentando forçar amizade aqui. E uma vez que você criou uma imagem falsa, você afasta daquela pessoa. Você tem seu estilo, entenda o que que tem de positivo, o que que pode ser trabalhado e caminhe com ele.
É engraçado, você tá me fazendo lembrar da nossa primeira mentoria. Você virou e falou, cara, se você é um cara tímido, Seja tímido, explore isso.
Você não tem que sair forçando ser o que você não é, porque você, se você tenta forçar, você vai ficar incomodado. Eu não sou assim, por que que eu tô tentando fazer isso? E aí você vai ficar prestando atenção no seu comportamento e vai deixar de lado a mensagem, e a mensagem vai ficar quebrada. Cada um tem um jeito, gente, e graças a Deus é assim. Imagina se o mundo fosse barulhento, todo mundo barulhento. Nossa Senhora! E se todo mundo fosse calado?
Que chatura também que seria! Então é importante, cada um tem a sua característica, entender, respeitar e potencializar.
Boa! Falar melhor transforma a vida das pessoas? Você acredita nisso?
Muito, Marcos, muito! O falar melhor é entender o que você pode fazer com a sua mensagem. Então vamos voltar lá no início da nossa conversa. Se eu não tivesse entendido que comunicação faz bem, eu não teria por que ir em busca de melhorias. Eu continuaria sendo aquele menino tímido do computador, aquele menino bonzinho do computador. Só que eu percebi que eu tinha muito para contribuir com as pessoas. E tem algumas histórias, é que já passaram mais de 5 mil pessoas, então tem muitas histórias.
Teve uma que foi muito legal. Eu sou muito católico, você também é. A menina pediu a palavra durante a turma. Antes eu fazia turma durante a semana e era bem assim mais rápido, sabe, um curso mais rápido. Mas mesmo assim, olha o que a menina fez comigo, tirou minha estabilidade toda. Ela falou assim, deixa eu falar uma coisa. Ela foi, falou alguma coisa parecida assim, Eu tenho 35 anos, nunca ninguém escutou a minha voz, e aqui nesse ambiente eu consegui falar algumas coisas que estavam presas aqui comigo.
E eu fui, eu senti uma liberdade. Então por isso eu quero pedir a Deus que proteja a sua vida e da sua família.
Cara, acabou, acabou.
Não tem técnica de oratória para isso. Então olha como que Se eu não tivesse me permitido melhorar a comunicação, eu deixaria de viver um momento espetacular como esse. E quando eu falo disso, Marcão, não é só sobre grana. Quando você fala bem, é claro que você vai ser exposto a cargos mais altos, você vai vender mais, mas são sobre essas situações assim. Imagina lá você que é pai, quando o seu filho fala algo que você ensinou para ele e a forma como você ensinou, como que você fica?
Nossa, deve ficar grandão, deve ficar, meu Deus, que legal! Mas você só ensinou ele como? Pela sua comunicação. Então a sua comunicação mudou a vida do seu filho. Então uma palavra que você fala com alguém, você pode mudar o dia de alguém. Às vezes a pessoa quer escutar só um, vem cá, deixa eu te dar um abraço. Só isso que ela quer escutar, mais nada. Não é falar bem bonito, você não tem que falar num palco para mil pessoas, você tem que falar onde você está, e contribuir. Então pode ter certeza que faz uma diferença muito grande.
Então quando nessa questão do abraço, a comunicação ela vai além das palavras, né?
Muito além, muito além. Vamos lá, tem 3 pilares visíveis: corpo comunica muito, então um gesto ou uma falta dele, um olhar ou a falta dele. Então o corpo comunica muito. Depois a voz, Foi aquele exemplo que eu falei, eu posso passar o tempo inteiro com uma voz desse jeito e a pessoa desmaia, a pessoa desmaia porque... E a parte de organizar o seu conteúdo, porque você fala não para você, você fala para o outro. E se você não organiza o seu conteúdo de uma maneira simples, vai dificultar a pessoa entender.
Imagina só, nós estamos vivendo uma época de 500 milhões de informações por minuto. E aí você explica algo simples, só que você vai dando voltas e voltas e voltas. Aí você já começa a observar a linguagem do outro, pezinho da impaciência batendo. Você começa a observar que a mensagem não tá chegando. Então é ter uma organização de conteúdo interessante. Esses 3 pilares são visíveis, mas existem outros. Por exemplo, comportamento.
Aquela pessoa que quer ser engraçadona o tempo inteiro em um ambiente fica chato. Ela pensa que tá sendo muito legal, ela quer fazer piada o tempo inteiro, ela conversa encostando o tempo inteiro, então o comportamento dela é ruim. Pessoas que atrasam. Atrasar também comunica. Comunica o quê? Irresponsabilidade, desleixo. Roupa comunica. Então, por exemplo, eu dei o treinamento lá no Onfly semana passada. Normalmente, quando eu vou numa empresa mais formal, eu vou de terno e gravata.
Lá eu não fui porque é uma empresa mais jovial. Então a minha roupa tinha que minimamente comunicar com as pessoas que ali estavam. Só que eu não sou acostumado a vestir sem ser blazer para dar treinamento. Se eu tiro o blazer, eu vou ficar incomodado. Então eu vesti o mais próximo que eu poderia naquele momento. Então muitas coisas comunicam. E aí eu tenho meio que um clichê que eu explico para os alunos, que comunicação são vários detalhes.
E aí você vai juntando os detalhes para entregar a mensagem com menos ruído possível. O ruído vai acontecer, Mas quanto mais eu preparo a mensagem, menos ruído de comunicação. Então não é só falar. Quer ver, Marco, um outro exemplo legal aqui? Eu posso chegar para você e falar assim, desse jeito aqui, ó, presta atenção: eu tô muito feliz, viu, Marcos, tá aqui com você, tô felizasso, viu? Não tá, cara. O texto fala uma coisa, o corpo fala outra, e aí no fim das contas a voz outra.
Eu vou acreditar na voz no que eu estou vendo ou no conteúdo que você passou. Então é uma conexão de elementos que você entrega a mensagem como você deseja passar. Tá vendo? Não é só falar.
Bom ponto, cara. Muito bom ponto. Paulo, pensando assim, quem tá escutando agora e fala, cara, eu preciso melhorar a minha comunicação. Antes, fazendo jabá, vem fazer o curso com o Paulo. Que realmente muda a vida. Mas segundo, pensando assim num plano de ação, o que que a pessoa precisa focar? Vamos pensar os 30 primeiros dias. O que que a pessoa precisa fazer para ela dar o próximo passo?
Ótimo.
Ou dar o primeiro passo, no caso.
O primeiro grande passo é entender que comunicação precisa ser estudada. Esse é o primeiro grande passo, a pessoa ter consciência Porque você pode ter uma oportunidade única de falar com o CEO da sua empresa, só que aí você não tá preparado, você, ah, vou falar de qualquer jeito. Então o primeiro ponto é: crie consciência de que comunicação precisa ter o real cuidado ali. E uma forma simples, Marcos, é o celular. Pega o seu celular e começa a treinar, põe ele de frente com você ali e começa a gravar o que você quer falar.
Porque ali você vai ter informações importantíssimas. Como que está o meu ritmo de fala? Como está a minha linguagem corporal? Como que está a minha linguagem de conteúdo mesmo? Então você começa a treinar. E o que vem por trás disso tudo? Uma palavra mágica. Isso eu falo que é uma palavra mágica porque muda a vida: disciplina. Se eu comecei a treinar e aí eu treinei oratória hoje, minha energia tá lá em cima, nossa, vou treinar.
Aí no segundo a energia vai caindo, vai caindo, vai caindo. Você para de treinar. Então treina 10 minutos por dia, é melhor do que 5 horas em um único dia. 10 minutos todo santo dia, disciplina, faça um cronograma. Chega em casa, olha que legal isso também, família é o lugar que teoricamente teria que ser o lugar mais amigável. Então cria ali na família o momento do como foi seu dia. E aí cada um tem 2 minutos para contar como que foi o dia.
Porque o celular, da mesma forma que eu dei a dica aqui para você usá-lo para treinar, se você reparar, ele afasta você das pessoas. Você chega na sua casa, pega o celular, oi, WhatsApp, WhatsApp, o que que foi? Então começa a usar a ferramenta a seu favor. Quando tiver uma oportunidade, você com seus filhos, por exemplo, não sei se você faz isso, mas fica como dica: filho, conta como que foi na escola hoje. Se você tem um filho, quantos anos que tem seus meninos?
8 e 10.
Ótimo, melhor momento, que é o momento que as crianças começam a se comunicar, tem as apresentações na escola, tem os trabalhos em grupo. Então você que tem um filho, cria oportunidades para ele falar. Filho, pode contar, não tem problema. Abre oportunidades para que ele ganhe confiança. Então são esses pontos que eu quero trazer aqui, Marcos. Primeiro, consciência de que você precisa trabalhar. Eu, por exemplo, eu dou aula de oratória tem 11 anos.
Todo santo dia eu estudo alguma coisa, todo santo dia eu vejo algum, alguma apresentação diferente, porque eu entendo que eu nunca estou pronto. E você nunca vai estar. No momento que você pensar assim, eu estou pronto, é o primeiro momento que você tá perto de cair ribanceira abaixo, porque você fica muito perto da soberba. Ah, deixa comigo, eu tô nem aí, eu sou bom mesmo, vou lá e faço. Então é consciência, é disciplina e muito, muito trabalho.
Mas me lembrou de duas coisas aqui. Primeiro, daquele meme, daquela trend, no primeiro dia sem café e segundo dia sem café. Primeiro dia sem café, começa tudo de novo. E segundo, da nossa mentoria. Eu tinha um podcast anterior ao Optalks que chamava The Sellercast, e eu tinha gravado 8 episódios, acho, e eu nunca tinha assistido nenhum. E você me fez assistir.
E foi difícil para você?
Foi demais, demais. Eu nunca nem tinha escutado a gravação em áudio. Eu sou assim, eu era um péssimo consumidor do meu próprio conteúdo.
Gravei, toma, toma, toma, toma.
É isso aí, sabe? Não, não, tá aí, já tá para o mundo já. Aí E realmente assistir ou escutar, lembrando das técnicas, lembrando do, olha, observa isso daqui, observa como a voz, que eu lembro que foi uma coisa que você tinha me falado, Marcos, sua voz tá sempre aqui assim, olha, é confortável, é confortável, mas cara, você tem que brincar, chamar atenção de alguém para alguma coisa ou levar para reflexão, você tinha, né? E acho que isso me fez evoluir muito, de verdade, sabe?
Eu escuto às vezes as pessoas falando, principalmente que segunda-feira tem sempre o episódio de começar a semana, eu brinco que é o nome do quadro é Conselhos que Ninguém Me Pediu.
É muito bom esse nome.
Inclusive assim, várias dessas coisas que você falou, cara, treina todo dia, o primeiro dia que você achar que que você tá, ó, pô, não, já tô bom, é o primeiro dia do Reino, já passamos por alguns desses assim, é o momento tapa na cara, vamos começar a semana, né, curtinho, 6 minutos, só para dar aquela provocada mesmo. E aí o pessoal fala, nossa, Max, puta, é tão legal escutar do jeito que você tá falando, tal, envolve. E cara, gente, aqui, ó, tá aqui o responsável por isso, sabe, quem abriu os olhos para isso. E é o que você falou, não é— você tem que fazer disso hábito, né?
Sim, um hábito.
O hábito eu acho que é a coisa mais poderosa que a gente tem assim de qualquer coisa, que eu particularmente acredito muito nisso, que somos eternos aprendizes na vida. O dia que a gente achar que a gente já sabe tudo daquilo realmente, cara, vai fazer outra coisa, porque isso daqui você não vai fazer mais, você vai ser rapidamente substituído. E essa sede, né? Busque outras coisas, complementa aqui.
Ah, o que que já tá bom?
Ah, isso aqui já tá bom? Tá, sempre pode melhorar, mas pô, vamos olhar esse, isso aqui agora.
O que dá para ajustar?
O que que dá para ajustar? O que que dá para a gente melhorar? Vamos, vamos buscar o mais, vamos, vamos em frente, vamos em frente.
Exatamente isso. Eu, a primeira coisa que eu falo com os alunos quando eles entram aqui na sala Não tem receita de bolo. Se você veio procurar receita pronta de bolo, tá errado, porque comunicação não é receita de bolo. Por exemplo, aqui, ó, o Marcos tá segurando aqui, tem um script, só que ele já me perguntou umas 300 coisas fora do script e eu não tenho como saber o que que ele vai me perguntar. Se eu chego aqui esperando uma receita de bolo pronta, eu ia ficar: é, Marcos, esse aí eu não sei te responder não.
Então comunicação não tem receita de bolo. Tem boas práticas e essas boas práticas que vão conduzir você a ter essa segurança de fala. E é muito importante a pessoa pensar sobre isso.
É, isso daqui na verdade ele é, apesar de não estar numa função de um mapa mental, mas ele funciona como se fosse para mim como um mapa mental, porque não são as perguntas, é por onde a gente vai caminhar, né? Essa é a ideia, até porque a comunicação ela não pode ser receita de bolo, Porque a partir do momento que eu te pergunto uma coisa, ou vamos mudar a situação, sou um vendedor e eu tô fazendo uma prospecção, eu já tenho ali aquele roteiro, né?
Tem uma linha, já tem uma linha ali, mas eu não sei o que que a pessoa do outro lado vai responder. Isso aí, se eu tenho um roteiro, eu tenho que mandar o roteiro antes para o comprador, cliente.
Ó, eu vou te perguntar isso, me respondi isso, senão lascou.
Porque se você responder alguma coisa diferente Deu ruim. Então acho que é essa a ideia da comunicação, né? Meio que um ping-pong.
Sim, tem que ter uma estrutura, tem que ter uma linha, porque vamos lá, um vendedor, se eu vou vender curso de oratória, que é o meu negócio, eu tenho os pilares que me levam a direcionar a pessoa para o fechamento comigo aqui. Se eu não tenho esses pilares, eu vou começar a achar Olha, acidentes. Eu vou começar a achar que aquilo está funcionando, só que eu não posso achar, eu tenho que facilitar o entendimento da pessoa. Então essa estrutura de fala, ela é potencial para você ter um resultado.
É claro, você não pode— outra coisa importante, você não, na minha concepção, você não pode decorar. Pessoas que fazem apresentações decoradas Primeiro, fica muito artificial, parece ter um teleprompter aqui e a pessoa tá lendo o que ela tá falando, e não fica legal. E se ela perder uma vírgula ali do raciocínio, já era, porque ela vai ficar procurando a vírgula e o resto do conteúdo vai embora. Então, quando você for fazer uma apresentação, e quando eu digo apresentação é qualquer momento, isso que eu e o Marco estamos fazendo aqui é uma apresentação, você não tem que decorar, você tem que entender.
Aí é completamente diferente. Eu entendo de comunicação, por isso qualquer coisa que você me perguntar sobre comunicação aqui eu vou conseguir desenvolver, porque eu entendo do negócio. Agora, se eu decorei e a pergunta do Marcos for fora desse contexto, aí já era. A minha segurança, minha cara vai ficar lá no chão, porque é, Marcos, eu não sei. Então é entender, gente. E você, do seu negócio, você entende muito, você entende muito.
Se você tá numa determinada posição dentro da empresa Você não caiu aí de paraquedas, você estudou, você tem vivência de mercado, ou seja, a palavra bonita, você tem background para isso. Então agora é usar isso a seu favor.
Vamos falar de background agora. Existe uma técnica, por exemplo, para improvisar?
Sim.
Porque assim, vamos pensar no mundo real, né? Pô, beleza, eu tenho uma apresentação com a diretoria ou com o cliente, apresentação da minha vida. Ok, eu vou me preparar, eu conheço o contexto, sei de tudo, vou me preparar, vou chegar lá e vou fazer minha apresentação. Só que imprevistos acontecem, né? Ao mesmo tempo, pô, entrei no elevador aqui e tem o tal presidente mundial de uma grande empresa que eu Eu tô querendo prospectar, é o momento pelo qual eu não me preparei, não esperava, então eu não me preparei. Como é que a gente lida com improviso?
Vamos lá, improvisar, eu gosto de falar o seguinte: até mesmo para improvisar você tem que ter conhecimento. Por exemplo, se você me pedir aqui agora, Marcos, para improvisar algo sobre a Onfly, que é o seu negócio, eu vou uns 2, 3 minutos aqui, eu vou enrolar porque é o que eu sei. Vai chegar um momento que é um flyer, né, é legal aquela, acabou o conteúdo, acabou, eu improviso. Então o primeiro passo é estuda muito, esteja muito municiado sobre aquilo.
Entrei no elevador, vi que é uma oportunidade de apresentar o meu negócio para aquela pessoa, Pra quê? Meu negócio é oratória. Pra quê que eu vou chegar pra essa pessoa e falar sobre, sei lá, sobre a Onfly? Não faz sentido. Agora, vamos supor o seguinte: eu quero improvisar algo dentro da Onfly, que é uma startup de tecnologia voltada para viagens corporativas. Eu consigo trazer este contexto para o que eu domino que é a comunicação?
Consigo. Viagem corporativa é uma viagem que gera negócios? Sim. Para gerar negócios tem que haver comunicação? Sim. Então eu peguei a essência OnFly e trouxe para minha área. Ô, Marcos, então a OnFly ela trabalha com viagens, não é isso? Viagens corporativas. Vamos lá, vamos conversar. E nesse período aqui dessas viagens corporativas, as pessoas têm algum momento que elas conseguem fechar negócios?
Com certeza. O setor de viagens corporativas, ele responde, apesar de— são dois pontos. Primeiro, que ela responde por um grande volume das despesas de uma empresa, que é algo que a gente faz muito bem ajudar a controlar isso. Só que existem pesquisas de BTA, Fórum de Viagens Brasileiro, etc., que mostra que a cada real investido em viagens retorna outros 7 em negócios para as empresas. Então sim, olha que legal, viagem apesar de ser uma linha de despesa muito grande, ela também é uma linha de resultados muito grande dentro das empresas.
Traz muitas oportunidades de negócios, de conexões, você conhecer outros executivos, e isso é muito importante você ter uma comunicação, Marcos, que chame a atenção da pessoa. Não é simplesmente falar que você é da Onfly. A forma como você fala da Onfly muda o significado, tá vendo? Eu poderia ficar aqui com o Marcos até 2075 falando sobre isso, mas o que que eu fiz? Entendi o negócio dele e trouxe para minha área de conforto.
Eu improvisei. Então, até mesmo para improvisar, você tem que saber o que você tá falando.
Você usou aí também uma técnica de— não foi, não era você falando. Você jogou para que eu falasse, ou seja, você praticou uma escuta.
Isso, coleta de informação.
Coleta de informação, que também faz parte da comunicação.
Muito, muito. Aqui em Minas nós temos um ditado que é mais ou menos assim, para quem não for de Minas depois pesquisa: quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. Então o que que isso significa?
Deus deu para a gente uma boca e dois ouvidos por alguma razão.
Escutar mais. Isso é muito importante, gente, quando você tá numa conversa, coletar informações. Se eu chego para o Marcos aqui e tento impor o meu conteúdo de comunicação sem entender como que o meu conteúdo vai agregar no negócio dele, vai ficar uma mensagem forçada, e comunicação forçada não conecta. Então trabalha estrategicamente por meio de perguntas. Faça perguntas que a outra pessoa vai trazer informações para você, só que são perguntas abertas.
Não: Marcos, você trabalha no online? Sim ou não? Marcos, como é o setor de viagens?
É uma pergunta aberta.
E aí o Marcos desabafa, e ao desabafar sobre aquilo você começa a coletar informações. Quem conduz uma conversa não é quem fala mais, é quem faz a pergunta certa, porque aí vai direcionando. Então é muito importante a pessoa pensar nisso. E aí este ponto que você falou reforça lá no início da nossa conversa: tem que falar muito para falar bem? Não.
Tá, então vou conectar com uma pergunta disso daí. O que que você diria para uma pessoa que tem medo de falar, medo de se expor, medo de ir para o jogo?
Quantas oportunidades você perdeu? Quais oportunidades você perdeu? Como você se sentiu naquele momento? Porque vamos lá, Paulo Felipe até os 22 anos, o que que era? Mais uma expressão de Minas Gerais: um bicho do mato. Então eu lembro, eu trabalhei aqui em Belo Horizonte na Fundação Getúlio Vargas, e a pessoa quando ela é mais tímida ela não quer conversa, então por isso ela faz o trabalho dela muito detalhado. Para não ter questionamento.
E como eu era uma pessoa muito— as pessoas observavam em mim essa característica de fazer um trabalho muito detalhado, eu fiz uma campanha de marketing, cara, modéstia à parte, ficou muito boa, ficou muito boa. O mote, o conceito ficou espetacular. Só que na hora de apresentar para a empresa, o boca aberta aqui ficou lá escondido.
E aí fez o trabalho e o coleguinha apresentou.
Nossa, você viu o o trabalho que o X apresentou, que ideia fantástica. E eu fiquei frustrado, e eu fiquei muito frustrado, Marcos, de verdade, porque eu trabalhei demais para aquilo. Então este momento aqui foi uma oportunidade gigante que eu perdi. E aí tem aquele clichê empresarial que é balela, todo mundo fala, mas que faz muito sentido: quem não é visto não é lembrado. Mas não é aquele visto de ser aparecido, uma pessoa aparecida, né, não sei o quê, eu faço aquela coisa toda.
Ser aparecido você fica chato. Agora, você ser visto e lembrado pelo seu conhecimento muda o jogo. Poxa, o Paulo ele é criativo, então deixa eu pedir ele para criar algo criativo. Então é pensar que da mesma maneira que hoje você pensa vai dar errado, muda sua linguagem. Pode dar certo. Por que que não pode dar certo? Você tentou? Não, não tentei porque eu tenho medo. Medo, gente, é saudável. Porque eu não vou fazer uma apresentação para 5 mil pessoas sem me preparar.
O medo faz com que eu me prepare muito. Então, ao observar o medo por essa ótica, a ótica de que vou me preparar, vou estudar, ótimo. Agora, o medo que vai te paralisar, aí não faz sentido.
Ou seja, o medo ele vai continuar existindo. Você tem que saber agir apesar do medo.
Isso aí. Só que não é tá com medo, vai com medo mesmo. Não, tá com medo, me preparei, agora eu vou. Aí é diferente, porque você vai ter a casca para ir ali. E sobre comunicação, tem uma máxima que eu falo com os meus alunos, que é o seguinte: das duas, uma. A pessoa que fala que não tem medo nenhum de falar em público, ou ela morreu ou ela tá mentindo. Alguma coisa ela vai sentir, alguma ansiedade. Por exemplo, Marcelo. Marcelo é o CEO lá da Onfly.
Quando ele vai para uma reunião de negócios ali para captar mais investimento, por mais que ele conheça a Onfly, olha quantas famílias dependem daquilo, olha a pressão que tá por trás disso. É claro que ele sente um frio na barriga e é claro que ele se prepara.
Sim, bom ponto. Que frase que você gostaria que as pessoas que escutaram, assistiram esse episódio guardasse ao final aqui?
Comunicação muda vidas.
Mudou a sua? Muito, muito.
11 anos depois mudou a minha vida. O menino lá do Barreiro, dificuldade de conexão, Dificuldade de conseguir emprego, que era terrível. Eu tinha um sonho de trabalhar em duas empresas, que eu tinha um sonho. Uma que é a Valorec, que era a famosa Mannesmann lá do Barreiro. Nunca tive a oportunidade porque eu conhecia muitas pessoas, mas eu não falava, Marcos, você pode levar meu currículo? Não tinha essa coragem. E uma outra que era a Drogaria Araújo.
Eu tinha, nossa, era um sonho trabalhar no marketing da Araújo. Consegui participar de um processo seletivo. Marcos, pensa, 40 pessoas numa sala. Se apresente, fale as perguntas clássicas, né? Se apresente, fale 2 defeitos e 2 qualidades. Cara, eu só falei meu nome. E naquele voo não falei, eu falei meu nome, fiquei Eu parecia um pimentão, eu queria sumir dali correndo.
Não queria ir.
Não, cara, foi assim, eu tenho isso também, um filme certinho na minha cabeça. Eu entrando, a Araújo tinha o processo seletivo ali perto da rodoviária, continua, que é a sede deles ali, não sei. Foi uma experiência terrível. E aí eu vi que não fazia sentido nenhum. A comunicação, ela mudou minha vida de tal forma que Hoje, se você me falar assim, Paulo, vai lá na convenção de vendas da Onfly para 1000 pessoas e fala, tranquilamente.
Hoje, quanto mais pessoas para mim, melhor, porque eu tenho a consciência do que, o que eu posso entregar pode mudar vidas. Então, se eu tô ali falando para 1000 pessoas, eu tenho a possibilidade de contribuir com 1000 pessoas. Mas se eu não contribuir com as 1000, se eu contribuir com uma Se esse podcast nosso aqui, uma pessoa perceber que ela pode mudar esse medo de comunicação pra ser uma ferramenta de abrir portas, Marcos, eu ganhei minha vida, eu ganhei o dia.
Eu gosto muito de falar que oratória pra mim não é só um negócio. Claro que é um negócio, mas não é só um negócio. Quando um aluno entra aqui na sala e faz a primeira atividade assim em 15 segundos e fala, oi, eu sou fulano, e senta de tanta vergonha, e no último dia ele faz uma apresentação de uns 10 minutos, cara, pra mim aquilo ali valeu muito a pena, porque eu mostrei pra pessoa como que ela pode ter uma nova perspectiva sobre comunicação.
Então a frase é: comunicação muda vidas. E agregando: comunicação muda vidas e abre portas. Boa!
Quase pra fechar agora, a gente sempre pede uma indicação de um livro para você deixar para os ouvintes e para mim também.
Beleza, posso ir além de um?
Por favor.
Vou trazer aqui alguns livros. O primeiro é mais clichê de comunicação, mas se você ler, você já começa a ter mais ferramentas para isso. Esse livro, ele foi escrito em 1934, 39, alguma coisa assim, eu não lembro a data exata, mas ele é muito clássico dentro de comunicação, que é Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. Esse é o basicão do basicão do basicão do basicão. Tem alguns outros, por exemplo, tem um livro que esse vai para quem é muito tímido, muito tímido mesmo, como eu era.
Hoje eu sou tímido, mas eu sou um tímido que controla a situação, que é O Poder dos Quietos. É um livro muito legal, de capa azul ali, ele deve ter umas 300 páginas, leitura rápida. Esse livro é fantástico porque ele mostra outras perspectivas das pessoas que são tímidas. Tem um livro também, eu vou empolgando, um livro que é voltado para vendas, que é As Armas da Persuasão, que aí você começa a organizar o seu conteúdo de uma maneira mais vendável, vamos dizer assim.
E tem também alguns livros mais técnicos. Se você tiver paciência para ler, são livros interessantes, que é o Manual da Programação Neurolinguística, que ali você começa a entender as técnicas de PNL. Mas parênteses, a leitura é mais pesada, mais chata. Então se você tiver paciência, ok. E um outro livro também que é muito divulgado, que é o Inteligência Emocional, que é do Daniel Goleman, que é um livro de capa azul também. No início também bem técnico, mas depois a linguagem flui.
Mas o importante é: leia aquilo que faz sentido para você também. E o que eu gosto muito de falar também nesses momentos, Marcos, é: leia com calma. Porque não tem o hábito de leitura, aí a pessoa vai, pega um chumaço lá, pega lá O Mundo de Sofia, 600 páginas, leu. Inteligência Emocional, é gigante, ele é gigante também. Aí leu ali as primeiras 5 páginas, bate o olho, nossa, ainda tem 490, depois eu leio. Começa a ler algo mais na sua área de atuação.
Se você é da área de turismo, leia turismo. Começa a criar o hábito, porque leitura, gente, no início realmente, se você não tem aquele hábito, você vai lendo e você vai, daqui a pouco você tá desmaiado de sono, porque a leitura força o olho, força pensamento. Mas se forçou você a fazer algo, significa que você tá crescendo.
Boa! Paulo, cara, obrigado! Sem palavras mesmo, obrigado mesmo. Uma aula, todos os momentos com você são assim muito enriquecedores, né? E vou deixar nos comentários o arroba do Paulo, que pessoal, Comunicação muda vidas. Já ficou a mensagem do Paulo. Muda mesmo, mudou a minha, pode mudar a de vocês, mudou a do Paulo. Passei a ficar ainda mais fã dele porque eu não conhecia essa história. E é isso, até semana que vem. Valeu, pessoal!
Valeu, Marcos! Valeu, até mais!