Ele criou um sistema para organizar a locação de uma cabine de fotos. Hoje, está presente em 10% dos eventos do Brasil | Tiago Ferreira da MeEventos
Quando a gente fala em inovação, normalmente imagina uma grande ideia.
Mas, no caso do Tiago Ferreira, CEO da MeEventos, tudo começou com um problema muito mais simples: evitar alugar a mesma cabine de fotos para dois eventos no mesmo dia.
O que nasceu como um sistema para resolver a própria operação acabou se transformando em uma plataforma que hoje está presente em cerca de 10% dos eventos realizados no Brasil.
Neste episódio do Uptalks, conversamos sobre essa jornada de empreendedorismo, tecnologia e crescimento.
Falamos sobre:
- Como um desenvolvedor autodidata transformou uma necessidade em um negócio SaaS.
- O impacto da pandemia, que levou a empresa de 80 para mais de 1.000 clientes.
- Por que o mercado de eventos ainda é pouco profissionalizado.
- Os desafios de vender tecnologia para empresas que ainda trabalham no papel, Excel e WhatsApp.
- Como dados estão ajudando a entender o comportamento de um dos maiores mercados da economia brasileira.
- Os bastidores de construir uma empresa de software em um segmento extremamente pulverizado.
Uma conversa sobre produto, vendas, gestão, delegação, cultura e, principalmente, sobre enxergar oportunidades onde quase todo mundo vê apenas um problema.
Pega o seu café… e vem com a gente.
Tiago Ferreira
- Impacto da pandemia no comércioCrescimento de clientes durante a pandemia · Adaptação de negócios · Desafios do mercado de eventos
- Mentalidade EmpreendedoraJornada de empreendedorismo · Tecnologia no mercado de eventos · Crescimento de negócios
- Eventos e apresentaçõesUso de papel, Excel e WhatsApp · Gestão de negócios · Venda de tecnologia para empresas
- Inovação em produtos e processosGrupos de WhatsApp · Mi Check-in · Hub do mercado de eventos
- Relatos de Avistamentos e FenômenosOrganização de locação de cabine de fotos · Desenvolvimento autodidata · Modelo SaaS
- Batalha da Expansão e Organização de EventosDelegação de tarefas · Cultura organizacional · Erros e aprendizados
- Mudanças no Comportamento do ConsumidorAnálise de dados de eventos · Comportamento do cliente · Termômetro da economia
Fala, pessoal!
Bem-vindo ao Uptalks. Hoje o café é com o Thiago Ferreira, CEO da Mi Eventos. Thiago, seja muito bem-vindo ao Uptalks. Obrigado pela sua disponibilidade.
Eu que agradeço pelo convite, por estar compartilhando. Eu acho que compartilhar informação, compartilhar conhecimento é sempre válido e um pouquinho que a gente puder contribuir, tamo junto. Boa, boa.
Thiago, olhando para trás, a ME Eventos tem quantos anos?
Fez 12 anos mês passado.
12 anos. Olhando para trás, você era desenvolvedor?
É, eu caí no mundo de— eu acho que todo negócio meu eu caí de paraquedas, né?
Desenvolvedor também?
Também. E assim, eu não tenho formação, então eu aprendi na raça, a programar. Então, meus 14 anos, eu tô com 38, nos meus 14 anos eu ganhei um 486, computador bem antigo para quem conhece, e não tinha jogo. Meus amigos tudo com jogo, e eu falei, ah, o que que eu vou fazer? Vou aprender a fuçar. E aí eu fui aprendendo os códigos, fui gostando daquilo ali, fui lendo a apostila e aprendi a programar assim.
Era PHP?
Não, lá atrás eu mexia com um pouquinho, lá atrás eu gostei, eu programei muito em Clipper.
Clipper era a linguagem do que tinha dentro do Delphi?
Era, sabe aqueles programas de locadora de vídeo que você ia?
Ah, aquele cara meio DOS ali, aquela interface.
Eu ia na locadora, eu achava aquilo fantástico, você digitava o número da fita, falava você tem que entregar a fita dia tal, aí eu falei poxa, Eu queria aprender a fazer esse sisteminha que imprimia ali, né? Aí eu fui procurando saber como é que era que desenvolvia e me falaram, ah, isso é em Clipper. Aí foi onde eu comecei a estudar Clipper, aprendi a programar, repliquei um sistema de locadora, não vendi, isso lá com meus 14, 15 anos e foi isso. Parei.
Que louco, cara, em Clipper então?
Em Clipper.
Que eu acho que a gente teve uma conversa que pelo menos, então é o Mi Eventos que nasceu em PHP? É, a Mi Eventos, mas foi bem assim, Mas aí, quando a Mia Eventos, antes da Mia Eventos nascer, você trabalhava como desenvolvedor?
Não. O que que acontece? Eu, como eu comecei a programar muito cedo, eu, poxa, eu criei o site da minha banda, isso lá atrás quando a internet ainda era—
Mais uma coisa que eu não sabia de você, você teve banda?
É só uma caixinha de surpresa. Pois é, eu tinha banda de hardcore, tocava guitarra. Aí eu Lá atrás, quando eu fiz meus 17 anos, eu peguei o jornal Balcão para procurar vaga de emprego na área de desenvolvimento. E aí eu lembro que eu liguei na época para RM Sistemas, depois foi adquirida pela Tots e tudo. E lá atrás eu lembro de ter ligado e falava assim, olha, eu faço 18 anos daqui a 2 meses, mas eu queria ter a oportunidade de ir participar do processo seletivo.
E aí me deixaram ir. E aí eu lembro que eu fui achando um rolê danado, porque não tinha telefone igual tem hoje, né? Então foi a primeira vez que eu fui para Rágia. Então eu tinha que pegar dois ônibus, descer no centro para pegar um outro ônibus. Aí eu fui atrás de banca de jornal para saber que ônibus eu pegava, né? Banca de jornal antigamente era igual aos GPS de hoje, né? Você pedia informação em banca de jornal. E aí eu lembro que eu peguei o ônibus Parei lá no lugar onde era a RM Sistemas, subi.
Na hora que eu subi, eu bati o olho ali, eu falei assim: nossa, tem umas 30 pessoas aqui para fazer o processo. Eu falei: não vou passar nisso aqui. Eu achei que eu ia chegar lá, mostrar o que eu já sabia fazer de programação e tudo, e não. Aí eu fiz uma provinha, um teste de lógica, eu voltei para casa frustradaço, frustrado. E nisso Umas semanas depois eu falei assim, ah, quer saber, eu já sei fazer site, deixa eu oferecer. Daí eu peguei uma avenida aqui que é a Pedro II, fui oferecendo site porta em porta, cheguei no final da avenida, já tinha vendido 2 sites.
Aí eu falei, pô, acho que dá para fazer disso aqui um negócio. E foi onde eu de fato comecei a trabalhar com programação.
Então, antes da minha Eventos, você já foi empreendedor?
Já, já. Eu, com meus 17 anos, eu montei uma agência, né, que era de faz tudo, né, fazia logo, site, editava vídeo, áudio, a gente fazia de tudo um pouco, era comercial, financeiro, enfim. Fiquei nessa agência por quase 9 anos e não foi pra RM. Não, não fui pra RM. Fiquei quase 9 anos nessa agência fazendo de tudo. Eu devo ter feito mais de 500 sites aqui de Belo Horizonte. Eu vou andando em Belo Horizonte e falo, já fiz site nesse lugar, já mexi no site desse lugar.
É meio que assim, eu fiz muita coisa nesses 9 anos porque foi o hype ali, né, 2010, que a internet já tava discada, já tava começando a ter alguns celulares com acesso, mas era muito ainda no início. Então tava todo mundo querendo ter um site. Então eu peguei essa onda, só não ganhei dinheiro, né, porque fazia site barato demais naquela época. Fiquei por 9 anos com essa agência e aí eu casei em 2013. E aí a gente falou assim, ah, o que a gente vai colocar no nosso casamento?
Colocamos aquelas cabines de foto instantânea, que é a foto lembrança. E depois daquilo eu falei, poxa, eu acho que eu vou montar uma empresa disso, de cabine de foto para alugar para casamento, para formatura. Eu lembro que a gente montou a primeira cabine e a gente começou a receber muito pedido de orçamento. A gente quer aqui no nosso evento e tal. Eu falei, pô, agora já tinha saído da agência, tava por conta, né? Falei, eu vou focar nisso aqui.
E eu falei, pô, agora vou criar um sistema para eu não alugar essa cabine para dois eventos no mesmo dia, porque senão dá bagunça.
Você pulou o Excel.
Eu fui, eu vou fazer um sistema aí.
Nem Excel, né? Podia ser um calendário.
É, não, mas desenvolvedor, a gente quer fazer tudo, né? Não tem jeito. Aí eu fui e falei, não, vou criar o sistema para fazer a gestão aqui da cabine. E aí todo lugar que eu ia, um espaço de eventos, um buffet que eu ia trabalhar, eu falava assim, nossa, a gente quer esse sistema aqui também, como é que faz para fazer, para ter?
Isso desde o começo?
Isso é.
Você chegava, abria o computador ali e entrava para bucar ali?
É, aí a gente levava a cabine para trabalhar e aí eu chegava, conversava com o dono do espaço, olha, sisteminha que eu tenho aqui para fazer gestão da cabine. Eu ficava encantado.
Você já tava com a ideia então de— você já tinha visto que aquilo ali era um produto?
Já, já tava com uma sementinha, só que eu tava com traumas da agência, não queria fazer algo assim de vender e tá aqui o produto, porque lá a gente era fazer o site e entregava.
É seu, se vira.
Então assim, é muito antes de conhecer o que que era SaaS, né, de ter ali mensalidade nos softwares. Eu falei, poxa, eu vou cobrar mensalidade. Em vez de eu vender, né, cobro mensalidadezinha e vamos ver o que que vai dar. E aí eu comecei a— aí eu falei, primeiro tem que pôr o nome no produto. Aí, pô, Mi, Mi de meu negócio e eventos. Eu falei, pronto, vai virar Mi Eventos. Então esse foi o nome. E ali a gente foi, eu fui trabalhando por muitos anos no boca a boca, muitos anos no boca a boca.
É lógico que eu já tinha o conhecimento da agência, eu fui, montei o site do produto, investi muito em blog desde o início. Então eu era daquela estratégia assim, eu sei que isso é importante, estratégia de blog é a longo prazo, não é retorno imediato, mas é importante ter. Então isso foi uma coisa que eu fiz de consciência e que deu uma virada de chave depois pra gente.
Legal. É interessante porque você já fez uma base de marketing ali atrás, né?
É isso. E pra gente isso foi muito importante, principalmente na pandemia.
E como é que chegou o primeiro cliente? Foi dessas conversas ali? Desse olha meu sistema aqui?
Foi, exatamente.
Você lembra quem era o primeiro cliente?
Aí eu tenho uma, assim, eu acho que eu não vou falar pra não dar briga, porque tem as pessoas que falam assim, eu fui o primeiro. E pior que eu não lembro se foi, mas é porque eu acho que foi um conjunto assim que teve vários primeiros que eu visitei o pessoal, mas eu não lembro quem fechou o primeiro de fato. Mas assim, A gente tem alguns clientes que estão com a gente desde o início, né, que apoiaram ali toda a evolução do produto, de sugestão. Mas assim, eu tenho um carinho bem especial por eles.
Legal. E você cobrou desses clientes desde o começo? Você já tinha fechado esse modelo de SaaS, mesmo sem falar que era um SaaS, um modelo de mensalidade? E aí você manteve paralelo a agência?
Agência eu já tinha Cerrado, saí da agência.
Você tava só com a cabine?
Só com a cabine, exatamente. Aí a cabine, a gente foi no paralelo. Então a gente, né, a Gisele cuidava mais da cabine, falei, eu mais do sistema. Então nos paralelos ali, final de semana, a gente ia para os eventos para trabalhar, nós dois carregando a cabine, montando, ficava lá a noite toda trabalhando na festa. E aí veio, quando veio pandemia, que foi um pouco da virada de chave nossa.
A pandemia te empurrou para, ok, esquece a cabine e vamos para cá.
Mais ou menos, deu um medo primeiro, porque a gente, quando chegou a pandemia, a gente primeiro pensou, pô, a gente tá no mercado de eventos, vai ser o mercado mais impactado. Ferrou! Aí veio, pensei, puxa, cabine de fotos vai parar, o sistema ele atende o mercado de eventos, ele também vai parar. E aí a Gisele ainda fala assim, olha, eu tô grávida. Aí eu falei, nossa senhora! Aí que eu falei, nossa! E assim, esse é assim, eu lembro até hoje que eu falei assim, meu Deus, sentei, eu montei um dashboard na mão, eu peguei um flip chart, risquei ele todinho, coloquei os dias.
E eu todo dia de manhã eu acordava e anotava quantos clientes eu perdi hoje, quantos eu ganhei, quantos eu tive que dar desconto, fazendo isso manualmente, porque eu falei, não, não quero exigir tanto. Nessa época a gente tava com pouco, a gente tava com 80 clientes em média.
E terminou a pandemia com quantos?
1000. E aí que foi a importância do blog, que olha para você ver que curioso, é muita gente procurou no Google porque o mercado de eventos parou E aí, o que as empresas pensaram? Ah, é passageiro, uma hora isso vai passar. Então vamos aproveitar esse momento para colocar a casa em ordem, nos organizar. Procuraram lá sistema de gestão para empresas de eventos, tinha muito artigo de blog nosso, tudo, foi encontrando a gente. Nesse período foi onde teve uma busca incrível, a gente cresceu, fazia live toda semana.
Mostrando o sistema para novos usuários. E foi onde de fato eu falei, poxa, agora realmente— isso foi uma questão de 4 meses assim de pandemia, foi quando começou esse flip chart meu, começou a subir, inverter a curva. E olha que eu nem acho que eu nem tinha desenhado assim novos clientes, eu tinha desenhado só quantos clientes eu vou perder e quantos eu vou ter que dar desconto.
Meu Deus!
Aí que eu fui falar assim, você vê que a gente tem coisa que a gente não espera, né, do momento em si. E foi onde eu aprendi muita coisa. Fui, poxa, foi onde eu fui contratar as primeiras pessoas na pandemia.
Então foi todo mundo remoto, porque até então era só você, nem a Gisele tava com você.
A Gisele já tinha aí nesse período, ela já começou a participar ocupar mais da Mi Eventos, porque a cabine já tinha morrido, né, não tinha como. A gente ainda ficou com a cabine de fotos um ano depois, que a pandemia foi mais para a gente, pelos contratos mesmo, né, que a gente tinha que ainda cumprir. Mas a Mi Eventos já tinha tomado muito tempo nosso, aí a gente não tinha como eu nem manter as duas empresas. Eu falei, ó, tive que optar. Então cabine de fotos vou deixar de lado e vamos focar agora na Mi Eventos.
Que louco, cara, sair de 80, movimento de queda, chegar em 1000, termina a pandemia, você fala, cara, aí você já termina sem dúvida nenhuma, né? Ou não, ainda tinha dúvida?
Não, aí já não tinha dúvida mais, aí já foram tendo outros desafios, né, que é o desafio do crescimento mesmo, né, de poxa, de ter time, de tirar o Thiago que era o centralizador, porque eu sempre fui centralizador pra caramba e tudo assim um pouco, então tirar um pouco, né, de passar algumas demandas que eram minhas para outras pessoas foi uma dor, se eu for falar. E porque eu era assim, até hoje entra gente na empresa e fala assim, pô, tem um Daniel aqui, quem que é esse Daniel?
Era eu, era o codinome, porque eu tinha vários codinomes diferentes, era o Daniel do suporte, era o Daniel do comercial, era, dá para não falar que era o Thiago e tudo, né. Então eu sempre tive os codinomes dentro da empresa. Entendi, entendi.
É bom, né? Porque já passava uma imagem, não, nós somos uma empresa, né?
Exato. E tava lá o Thiago dirigindo e respondendo suporte.
Que barato, cara. Qual que é a sua visão desse mercado de eventos hoje, né? Vamos trazer para hoje. Ele ainda é muito amador? Ele é muito pouco profissionalizado ainda?
Muito.
Muito.
E assim, é um mercado que pouca gente sabe realmente a proporção que ele tem. É um mercado que quem tá de fora é pior ainda, porque quem tá dentro do mercado ainda tem ali, sabe, né, da proporção que é o mercado. Quem tá de fora vai num evento, às vezes não sabe que para aquele evento acontecer existe N profissionais. Às vezes tem mais gente trabalhando no evento do que convidado. Então é um mercado que movimenta uma economia absurda, né, de mão de obra, de enfim.
Então, só que é um mercado ao mesmo tempo que ele cresceu de forma amadora sempre. Era a doninha que, poxa, todo mundo gostava do salgado dela no bairro, ia lá, encomendava, de repente já tava fazendo uma festa maior, de repente ela cresceu, virou um mega buffet. Só que ela sempre cresceu de forma exponencial do jeito dela, no bloquinho de papel, no Excel, do jeito que ela sempre se virou. E o produtor de eventos, ele tem muito disso, ele foca muito na execução do serviço, ele quer entregar o evento.
Foca no core dele.
É isso, ele quer entregar o evento da melhor maneira possível, só que eles não olham tanto para gestão do negócio. E isso a gente vê muito próximo aqui, sabe? E aí quando você assusta, poxa, tá trabalhando 3 anos com a mesma tabela de preço, não reajusta. Às vezes acompanha o preço do concorrente porque o concorrente tá fazendo isso, ele acaba fazendo o mesmo. Então é um mercado que ele não olha para dentro, ele tem uma entrega muito boa, mas para o negócio dele, ele ainda precisa dar uma atenção maior.
Então por isso que a gente fala que é um mercado que ainda precisa se profissionalizar muito.
Você ainda vê muito, muita empresa controlando tudo ali na agenda barra Excel barra WhatsApp?
Com certeza. E assim, e não são só as pequenas, tá? Companhia, empresa grande, que às vezes eu vou sentar na mesa e começa a desabafar assim: Thiago, você não acredita, um belo dia aqui a gente foi conciliar as agendas e descobriu que tinha fechado 3 eventos para mesma data aqui no espaço. E aí, para falar para os clientes, quem que ia ficar com a data? Então você vê que isso não é exclusivo do pequeno, do médio, grandes empresas já me falaram isso.
Eu falei, caramba! Então a gente vê que realmente falta um apoio da tecnologia primeiro, né? Porque é humanamente impossível você conseguir conversar com todo mundo, guardar muita coisa na cabeça. Principalmente num mercado que é cheio de detalhes. Então a gente vê que não é algo exclusivo só do pequeno.
Não é só do pequeno. O problema você acha que tá mais na gestão, no financeiro ou na operação? Ou em todos?
Eita, eu acho que um pouco de tudo, tá? Não vou mentir não. Tem algumas empresas, mas aí que tá. E o profissional de eventos, ele tem muito o que eu tinha lá atrás. Que é o centralizador. Então, para ele, ele tem que estar no evento também acompanhando tudo. Poxa, e o sistema ele acaba sendo um apoio mesmo para ele conseguir delegar, ele ter aquelas informações registradas, passar para alguém do time acompanhar. Eu falo que hoje muita gente me procura: Thiago, olha, eu quero saber sobre o sistema.
Eu aprendi que para mim eu tenho que passar essa pessoa para o comercial. Porque senão eu não vou conseguir dar atenção para ela, vou acabar esquecendo ela ali do WhatsApp, depois ela vai falar, poxa, ah, você vai até fazer uma apresentação ali verbal para ele, mas você não vai conseguir colocar na agenda. Exato, não vou conseguir dar o acompanhamento, a devida atenção para ele. Então, poxa, eu aprendi que isso eu preciso delegar até para melhorar a gente como serviço, enfim. Então, profissional, ele tem que entender isso também, sabe?
Deu para entender, o mercado é um mercado que ainda precisa passar muito por profissionalização. Deve ser também um desafio vender tecnologia para esse mercado.
Muito, porque diferente de outros sistemas do mercado, que quando o cliente tem pelo menos o fator comparação, né, então vamos supor Aí ele tem uma loja virtual, ele vai contratar ali, poxa, ele quer mudar de plataforma, mas ele sabe que ou eu vou contratar essa, essa ou essa, ou ele já vem de uma plataforma que ele já tá familiarizado, mas ele sabe que ele vai migrar a operação dele para loja virtual, que tem ferramentas que ele pode escolher ali.
No nosso caso, o cliente ele vem ou da agenda de papel, do Excel, ele não tá familiarizado com a tecnologia. E isso é muito ruim porque quando ele vem, e como toda tecnologia, você tem que se adaptar a ela. É um processo inicial de fazer os primeiros cadastros, demanda mais tempo, não tem como, né, você falar, pô, vou instalar um ERP dentro da empresa, não é uma tarefa simples. E a gente no mercado, que se ele tivesse vindo pelo menos de outro sistema para o nosso facilita, porque ele tem o fator comparação.
Agora, você brigar da forma como ele fazia na agenda, com a agenda, que ele consegue de qualquer forma lá rabiscar e fazer uma anotação do jeito que ele quiser. Daí quando ele chega no sistema parametrizado, você tem que colocar essa informação para te gerar um relatório. Você começa a pedir dele informações que antes ele não tinha, porque não era tão cômodo, que ele às vezes não vê valor imediato, mas a longo prazo vai ver. Que aí você fala assim, poxa, como é que eu explico a um mercado que isso é importante lá no futuro?
Sabe? Então a gente tem esse desafio muito grande, né, que é educar o mercado e o fato de não ter um fator de comparação quando ele vem, quando ele chega, ele realmente chega num nível assim, eu não tô vindo de sistema nenhum. Porque quando ele vem, a gente já sabe, poxa, me conta o que que o outro sistema não te atendia, Ah, então é mais fácil. Agora, quando ele vem zerado, a gente sabe que, opa, vai ser um desafio.
E qual que é a proporção de quem vem zerado e de quem vem por...?
90% vem zerado. Você falou, ah, é um mercado que ainda precisa de muita profissionalização. Precisa.
Deus meu! 90% vem do papel?
Do papel. É assim, é um Excel, um Google Agenda, Vai trabalhando ali da forma que dá.
E como é que você faz esse cara enxergar valor? Porque pra mim é muito óbvio, mas é como você falou, ele vem de uma experiência onde ele não precisava parametrizar nada, tava tudo ali. Ah, ok, aconteceu um caso que eu boqueei o mesmo espaço 3 vezes, mas imagino que isso é mais exceção do que a regra.
O que acontece? É muito fácil vender pro mercado de eventos. Porque ele tem a consciência que ele precisa melhorar. Então assim, falar com ele, olha, o sistema vai te ajudar nisso, fazer aquilo, tá, tá, tá. Ele vem com a necessidade que ele sabe que ele precisa melhorar e até como empresa ele sabe que para ele dar um salto maior, para ele sair do operacional, que ele conseguir passar, contratar gente, passar demandas para o time, enfim, ele precisa de alguma ferramenta para auxiliar.
Então ele vem com a consciência sabendo que precisa. O fato é depois, ele contrata, mas eu falo assim, beleza, agora vamos implementar. Aí vem o desafio. Aí vem o desafio porque ele começa a não ter tanto, é um mercado que, poxa, quinta-feira ele tá montando o evento de sexta, sexta o evento de sábado, final de semana esquece. Segunda, geralmente ele tá desmontando os eventos. Na terça, ele começa a responder o WhatsApp dessa galera que ficou toda atrasada. Na quarta, ele já começa a planejar o evento do final de semana.
Ele não descansa.
Ele não descansa. E quando que esse profissional vai ter tempo para alimentar um sistema? Que porque precisa, né? Então esse é o maior desafio que a gente tem hoje, é fazer o profissional ter ali um tempo para ele gastar no início ali do sistema para implementar, mesmo que sabendo que, poxa, isso vai te poupar tempo depois. Mas é difícil.
E esse cara, quando ele vem, Thiago, ele necessariamente, o ticket médio dele precisa ser mais baixo ou não? O cara já sabe que ele precisa e bora?
Olha, a gente tem perfis, tá? A gente tem um perfil do ticket baixo. Naturalmente é o perfil que mais cancela com a gente, porque é o eu empresa, né? Então é natural. Então quando entra, a gente já tem alguns sinais que dão alerta ali se vai cancelar ou não. E tem o perfil que tem time, né? Aí, poxa, aí sim, esses já conseguem delegar para o setor, Cada um, olha, você vai aprender a parte do comercial, da logística, e esse é um perfil mais fácil de implementar o sistema.
Porém, a gente tem a mesma, da mesma forma que é mais fácil, pode ter os sabotadores, né? Aquele gente dentro do time que fala, não, mas eu sempre fiz assim, agora vai ter um sistema? Ou o pessoal que fala assim, poxa, agora vai ter um sistema para monitorar a gente. O pessoal às vezes não vê o valor que o sistema pode entregar para ele ferramentas de valor. Igual, por exemplo, hoje dentro do sistema a gente tem a parte do CRM.
Então o vendedor ele vai lá, faz toda a negociação, envia a proposta para a pessoa fazer a festa dela, enfim, no espaço. E quando ela envia, ela consegue monitorar se o cliente abriu a proposta, quantas vezes abriu, se a proposta está vencida, ele avisa um alerta para o vendedor falando: olha, o cliente abriu a sua proposta aqui, que venceu. Então ajuda o vendedor a vender. Aquela coisa de você mandar a proposta, não saber se o cliente nem sequer abriu.
A gente tem isso dentro do CRM que auxilia o vendedor. Só que por muitas vezes o vendedor ele não olha os benefícios, ele olha assim, ele já fica assim: opa, a empresa tá querendo monitorar a gente.
Até porque também vendedor, vamos combinar, vendedor não gosta muito de preencher CRM.
Não, não gosta, exatamente.
Vamos achar um vendedor que gosta de preencher CRM.
Por favor, mande currículo. Assim, mas é de fato, é isso. O vendedor ele não gosta gosta de vender, de preencher o CRM. E a gente sabe que é fundamental, né? Poxa, até para ter, a gente ter dados lá no futuro para saber o que que tá acontecendo, nem que seja para brigar com marketing, né? Aquela briga que tem comercial e marketing para falar: não, mas, gente, tá acontecendo isso aqui, ó, tá aqui os registros. Então é importante preencher.
Mas de fato, aí a gente tem perfis diferentes, né? Mesmo que às vezes tem empresas maiores, ticket maior, que tem setores Aí a gente tem talvez esses desafios, que tem gente dentro do setor que fala assim, não, faz de tudo para não implementar o sistema. Isso é um desafio também. Mas aí com o tempo a gente acaba aprendendo a lidar, sabe? Assim, poxa, a gente puxa alguém, fala assim, olha, pega alguém da liderança e fala assim, olha, me conta lá quem do seu time comercial é a pessoa que a gente pode ter o apoio ali.
Aí a gente coloca essa pessoa para puxar as outras, para ver os benefícios. Porque quando a gente vai para uma reunião que tá participando muita gente, cada um vai querer opinar de um jeito. E aí quando a gente já sente, opa, isso aqui não vai funcionar, porque cada um dando uma opinião sobre o sistema, ah, vamos fazer assim, assim, acaba que ninguém faz nada, né? Então a gente aprendeu a lidar com o tempo de sempre às vezes puxar um para, olha, você vai ser a levantar a bandeira de implementar o sistema aí dentro do seu negócio, tá bom?
E aí costuma fluir bem. Então a gente acaba tendo essa divisão. A gente sabe que os tickets mais baixos a gente tem que dar uma atenção maior, porque a taxa de cancelamento é maior mesmo. E os maiores a gente tem que lidar ali com as pessoas que às vezes veem de forma negativa a implementação de um sistema e os que veem totalmente de forma positiva.
E como funcionam esses módulos? Se eu hoje fechar uma assinatura, todos os módulos eles estão incluídos ou não? Eu tenho que— ah, eu quero um módulo para XPTO.
Não, a gente, o que que acontece? A gente no decorrer dos anos, a gente foi descobrindo que o mercado de eventos é muito parecido, né? Então assim, algumas coisas a gente desativa do sistema, outras não. Ativa só quando o cliente, a gente já sabe que é um perfil de um cliente, por exemplo, um espaço de eventos que tem vários espaços, né? Um centro de convenção. Então a gente tem um módulo específico que ativa um módulo lá de multiagendas, que ele consegue ver todo o espaço dele, quais são os espaços que estão disponíveis para ele não alugar dois espaços no mesmo dia.
Ou um pessoal que trabalha com feira, estandes, ele saber quais os estandes dele já estão alugados, vendidos, enfim. Então tem opções dentro do sistema que você acaba ativando para alguns segmentos específicos, mas a maioria dos segmentos eles trabalham de forma muito parecida. É uma agenda que eles sabem a limitação que eles têm para atender, E hoje a gente atende diversos segmentos dentro da área de eventos. Então atende despacho de eventos, bufês, artistas.
A gente tem muito artista utilizando a gente tanto para fazer gestão da carreira mesmo, agenda, equipe que vai trabalhar junto, o que tem que levar de equipamento, cronograma do evento e a parte financeira do evento. Então ele consegue fazer toda a gestão de ponta a ponta dentro do nosso sistema.
É um mercado bem segmentado, bem fragmentado. Pelo que você tá me falando, né? E é um desafio crescer dentro desse mercado, de você saber como falar com cada um?
Olha, eu te falo que talvez não. Acho que o desafio maior é a questão da barreira de colocar tecnologia nessas empresas. Eu acho que é o maior desafio nosso hoje. Falar pra eles, eu acho que a gente já consegue comunicar muito bem.
É mais fácil conquistar esse cliente novo então do que fazer ele usar o sistema na plenitude.
Exatamente. Eu também. E é legal assim, quando vem cliente visitar a gente aqui no escritório, né, a gente, poxa, a gente apresenta o sistema como um todo e tudo. E aí o pessoal às vezes fica assim, nossa, eu não uso nem 10% do sistema. E aí ele vê que dá para ter mais potencial de usar e acaba sendo o nosso desafio como empresa, como é que a gente vai educar o cliente a usar mais a ferramenta. Então a gente fica quebrando essa cabeça do lado de cá também.
E vocês são super ativos inclusive, né? Porque assim, página de vocês no LinkedIn é super movimentada, Instagram, vídeo e tudo mais. Vocês são muito engajados assim em mostrar o produto, né?
E a gente, poxa, quando a gente veio para esse escritório, a gente criou um auditório aqui. A gente veio com essa ideia assim, olha, precisamos de um espaço que a gente precisa criar um Academy do mercado de eventos. Então a gente sabe do desafio do mercado, vamos criar algo que que a gente consiga educar ele de fato. Então, poxa, a gente veio, montou uma auditoria, a gente faz 1 a 2 eventos por mês aqui para o mercado de eventos.
Então, por exemplo, tá vindo agora a reforma tributária. Poxa, o mercado tá todo em dúvida. Vamos trazer um especialista em reforma tributária para falar para o mercado de eventos?
Que bom, você já achou um especialista.
Você tá melhor do que a maioria, porque— Não, mas assim, a gente traz a pessoa para falar. Mas você vê que o mercado, até ele falou, toda vez altera alguma coisa. Então assim, a gente tem que, eu posso estar falando para vocês aqui hoje sobre a reforma tributária, daqui a 2 meses ainda vai mudar alguma coisa ou ainda não será. Na época que a gente trouxe ele, eu acho que no mês seguinte que ia sair de fato o definitivo que ia.
Então a gente trouxe para ele já ir preparando o mercado, porque o mercado está totalmente perdido.
Até porque esse definitivo não foi definitivo. Inclusive, vale a ressalva que o definitivo ainda não foi definitivo.
E a gente não sabe nem como, poxa, acho que agora, mês que vem, vai ser obrigatoriedade, quem não tá no Simples vai começar a dividir ali. E aí a gente vai saber de fato se vai funcionar ou não. Início do ano foi um caos, porque desabilitou das prefeituras de emitir nota fiscal e muita coisa parou de funcionar. E assim, aqui a gente como empresa de sistema ficou louco, porque cliente veio Ah, nota fiscal parou. Poxa, mas é porque agora tá tendo que emitir por outro canal, enfim. Aí a gente realmente, início do ano aqui foi um caos.
Dentro do Mia Eventos, inclusive, eles conseguem emitir a nota fiscal do sistema?
Conseguem, a gente tem a parte fiscal também.
Então, ou seja, faz todo sentido trazer essa discussão.
Exatamente. E aí, quando a gente trouxe realmente essa parte do mercado, da gente ter um auditório aqui para dar treinamentos, foi justamente para quê? A gente sabe que o pessoal tem dificuldade em implementar o sistema, de usar o sistema, então vamos educar o mercado? Então foi uma forma da gente ir aos poucos trabalhando na cabeça do profissional de eventos mesmo.
Pensando nesses clientes seus assim, você consegue ter um padrão de, cara, esse cliente aqui é um cliente que vai crescer pelo jeito que ele usa a sua plataforma? Sim. Você consegue enxergar esses cases ali dentro?
Sim, sim. A gente tem um, inclusive a gente tem um relatório dentro do sistema que cada CS acompanha. Então a gente tem um gráfico de performance de cada cliente. Então quando eles entram ali para acompanhar um cliente, eles sabem o que que ele mais tá usando, como que tá usando, a régua, o que que dá para ele explorar mais no sistema. Então o próprio CS, ele bate o olho, sabe o que pode sugerir, e a gente tem um score disso. Então por esse score a gente já sabe se o cliente vai deslanchar ou não. Ou se ele tá mediano ali também.
Até porque esse cliente que deslancha vira case de sucesso, te ajuda a vender outros e vai continuar aqui.
Exatamente.
Que ele vê, é o cara que mais vê valor no teu serviço.
Exatamente. E aí a gente tem a régua do mediano. O mediano é o que a gente tem que ter atenção porque ele ainda não viu o valor na plataforma, mas ele usa, ele usa bem básico mesmo, mas ele ainda não viu o valor real. E aí a gente precisa ter uma atenção para ele porque às vezes por qualquer motivo ele cancela e volta para alguma outra forma de fazer, algum sistema genérico do mercado.
Ou ele volta para o papel ou ele volta para um... É. Entendi. Bom, é legal porque assim, pelo que a gente está conversando aqui, vocês conseguem entender muito mais do que o funcionamento do Mi Eventos, né? Porque vocês estão vendo aqui, vocês têm milhares de clientes hoje, então você está vendo o comportamento médio não só da utilização, evento aqui, como também do que esses caras estão fazendo no mercado. Você tem essa noção disso?
Temos, temos. E isso foi um case nosso também, porque assim, eu voltando de São Paulo ano passado, falei assim, gente, qual que é o impacto que a gente gera no mercado de evento? Ah, eu queria saber a proporção da AB Eventos no mercado de evento. E fui falar assim, ah, vamos fazer um levantamento de dados. E para você ter uma noção, hoje passa, na época era 15 mil eventos por mês dentro da plataforma, passava, hoje já são 18 mil eventos por mês e uma média de 200 mil propostas por mês do cliente final pedindo a solicitação para o buffet, para o espaço de evento, fotógrafo, artista, uma cotação de serviço para fechar ou não.
Então com isso a gente tem muita informação do mercado, a gente tem os meses que têm maior pedido de orçamento, o porquê que esses orçamentos fecham, não fecham, de que canal de comunicação que eles vêm, desses eventos quais são quantidade de evento social, corporativo. Então a gente tem muita informação do mercado de eventos de fato e é um mercado que é carente de dados. Então a gente tem algumas associações, mas elas são separadas, elas não unem informações entre elas.
Então se você for buscar a quantidade de eventos que são realizados no Brasil, você vai ver muito fragmentado e às vezes pesquisa lá de 2013. Então você não tem informação atual. E aí eu fui levantando, fazendo esse levantamento, poxa, quantos casamentos são realizados por ano? Quanto que é a média desses casamentos? Quantos viram festa ou não? Para entender, ah, poxa, por mais que ele não faz uma mega festa, mas às vezes um evento pequeno que, poxa, vai envolver ali pelo menos o buffet, o espaço evento e o fotógrafo.
Então você vê que são eventos menores, mas também movimenta o mercado de eventos. Então qual que é a proporção? E aí eu cheguei num número lá de 2 milhões de eventos por ano acontecem no Brasil. Peguei a média lá dos 15 mil que a gente fazia na época, fiz uma divisão por 12 e falei, pô, então a cada 10 eventos, 1 evento a gente está presente com algum fornecedor.
10% dos eventos que acontecem no Brasil, a minha evento está lá.
Algum fornecedor a gente está presente. E isso se concretizou tanto quando o pessoal de assessoria de imprensa virava pra gente e falava assim, olha, Thiago, Você tem alguém no festival XYZ que pode falar um pouquinho sobre o festival? E a gente pesquisava, olha, empresa tal tá prestando serviço lá. Então a gente começou a ver que a gente tava, era muito fácil pegar um fornecedor nosso em algum evento no Brasil. E aí a gente falou, realmente a gente tá, tomou uma proporção muito grande do mercado.
E nisso, né, desses dados, foi um algo que a gente falou assim, pô, a gente não pode ficar com esse dado só para a gente também. O que que a gente vai fazer com Então a gente criou uma plataforma que chama Data Eventos, dataeventos.com.br, que é gratuita, e lá a gente colocou um ranking do Brasil, as cidades que têm mais eventos, a proporção de evento social, corporativo, quanto tempo leva em média uma proposta para ser aprovada por segmentos, horários que tem maior demanda de eventos, dias da semana, e a gente faz algumas pesquisas bem esporádicas também. Então foi uma forma da gente colaborar com o mercado também.
Sendo dessa estatística ou de outras, o que você fala assim que, cara, só a gente consegue enxergar hoje desse mercado de eventos no Brasil?
Eu acho que é a ponta, vamos dizer assim, porque a gente tem muitas plataformas, por exemplo, de venda de ingresso. Essas plataformas, elas conseguem mensurar os eventos quando de fato eles acontecem ou estão muito próximos de acontecer.
A gente não sabe os eventos que não aconteceram.
É, não aconteceram e que são muitos. Tem muito evento que não é mapeado. Você não consegue mapear um evento, sei lá, um evento corporativo menor para 50, 30 pessoas, mas que envolve fornecedores. É um evento, né? Mas tem um outro detalhe que só a gente tá conseguindo mapear é o quê? Quando de fato o cliente procura uma empresa para fazer o evento. Porque o evento ele acontece com muito tempo de antecedência. Tem evento que é com um ano antes, até mais, bobeada a proporção do evento, né?
Então a gente consegue prever isso, então a gente consegue ver lá na ponta quando o cliente levanta a mão para alugar o espaço do evento dele. Então a gente já sabe que aquele mês ele pode ser um mês que tá aquecido ou não para eventos. Então a gente consegue prever isso com muita antecedência.
Que legal! Você me falaria que com base nesses eventos, em tudo, isso serve meio como termômetro da economia?
Com certeza! E é uma coisa que a gente fala, que a gente hoje acaba sendo termômetro do mercado de eventos. E a gente vê lá que, vou até te falar alguns dados aqui, ó, por exemplo, de evento social. Janeiro é o pico de orçamento. Não quer dizer que tenha muito casamento em janeiro, mas janeiro é o pico de orçamento de noiva pedindo orçamento para buffet, para fotógrafo, para todo mundo. Mas para o mês de janeiro não, janeiro é o mês que elas tiram para pedir orçamento.
Exatamente, mas por quê? Aquela virada de ano, vou ir para academia, minha vida vai mudar e tal, eu vou casar esse ano, deixa eu ver quanto que vai custar. Isso em dados, isso mostra claramente lá, janeiro é disparado. Você tem um pico. Só que o cliente não fecha em janeiro, ele tá pedindo um orçamento para casar em setembro ainda, sabe? Tanto que a maioria dos eventos de casamentos, eles começam do segundo semestre para frente.
A mesma coisa do corporativo. Agora, o corporativo tem uma diferença. O corporativo em janeiro já não tem muito pedido de orçamento. Os pedidos de orçamento se concentram no segundo semestre. O segundo semestre é onde tem maior demanda.
Corporativo.
Então é onde, e assim, é um tempo muito curto de fechar. Então às vezes é a empresa que tá pedindo, olha, vou fazer o meu evento, vai ser daqui a 15 dias. Então é bem, bem próximo, né? Então tem muito essa diferença de perfis também de eventos, e hoje a gente tem isso bem mapeado assim.
Quando o mercado melhora, né? Você falou que a gente pode ter um termômetro da economia olhando para eventos. Quando a economia melhora, qual que é o segmento que mais, o que aquece primeiro ou que cresce primeiro?
Olha, a gente tem dentro do mercado assim, acaba que o mercado acaba se beneficiando como um todo, né, assim, porque para um evento funcionar diversos outros fornecedores acabam participando, mas o principal são principalmente feiras de grande proporção demanda muita mão de obra e é uma dificuldade no mercado também encontrar mão de obra hoje. A gente tem cliente que na época de carnaval, por exemplo, fala assim: Thiago, eu contrato 600 freelancers, 600 pessoas para trabalhar.
E aí é uma dificuldade enorme para ele encontrar essas 600 e assim agradecer que os 600 vão estar lá, porque muita gente fura e não aparece, né? Mas é um mercado que movimenta a economia no nível assim fornecedores, mão de obra, então é, poxa, movimento hotelaria, turismo, então é uma proporção gigantesca que toma, né?
Que louco, cara. Quando você olha para esses dados, vocês já usaram esses dados também para tomar decisões estratégicas aqui da Mi Eventos?
Sim, principalmente para entender que perfis de clientes a gente vai focar. Então hoje a gente tem uma tendência muito grande de focar em espaço de eventos e bufês, porque a gente entendeu que são perfis que além de ter uma aderência mais fácil do sistema, eles são geralmente o primeiro canal que o cliente procura para contratar. Então, ah, vou fazer um evento, primeiro vou contratar o espaço primeiro. Depois de contratar o espaço, ah, vou contratar o bufê.
Quando eles não estão em conjunto, o espaço às vezes oferece o bufê junto, o bufê não oferece espaço. Então a gente acaba vendo que a demanda maior, principal, é por esses dois primeiros serviços. A gente acaba focando nesses dois serviços também como cliente na ponta.
Você olha esse cohorte ali primeiro, é onde que você tem os maiores esforços aí de— a sua captação é mais ativa ou passiva? Você ainda falou de estratégia do blog, você ainda capta cliente?
Hoje é muito menos. Hoje a gente É muito tráfego pago ainda que a gente investe, né? E a gente investe muito em feiras, né? Eventos, eventos do próprio mercado de eventos mesmo. Então tava recente agora no evento em Curitiba, que foi um evento focado para profissionais do mercado de eventos, para produtores. Então a gente vai, compartilha os dados do mercado, a gente vai com stand. Então pra gente isso é muito bom, porque eu até falo assim, tem coisa que o marketing tradicional ele não O cliente não vai chegar até você pelo marketing tradicional.
Você tem que pensar fora da caixinha. Então às vezes você tem que ir pra cidade, né, participar de eventos, que aí o pessoal vai chegar: poxa, onde é que vocês estavam? Que eu nunca fiquei sabendo que tem um sistema de gestão para empreendimento. Então a gente tem que mostrar, dar a cara também. Não é só ficar na internet não.
É muito bom.
É, não, que a gente ouve cada coisa, eu falo assim: nossa, meu Deus. Aí você fala assim: ô marketing, a gente precisa melhorar a comunicação, mas Mas tem coisa que a gente entende que realmente a gente tem que ir para fora para aparecer. Sim.
Para o futuro da Me Eventos, você imagina a Me Eventos continuando com o RP sendo o carro-chefe ou existe uma empresa muito maior sendo construída para além desses?
Vamos lá, o RP ele vai ser o carro-chefe. Eu acho que assim, a gente tem muito uma visão que a gente quer virar um hub do mercado de eventos. Sendo o URP como o principal canal ali centralizador. Então ele no meio ali e as pontas são as ferramentas que a gente vê que é uma dor do mercado. Então, por exemplo, a gente tá para lançar duas ferramentas. A primeira é um assistente de WhatsApp, porque a gente entendeu que uma das barreiras de fazer, poxa, fazer a pessoa entrar dentro do URP para digitar, é a quarta-feira que ele tem que usar para responder Os orçamentos que estão parados.
Então a gente está lançando uma ferramenta que o quê? Parou no posto de gasolina, manda uma mensagem no WhatsApp: ó, parei aqui, R$50 de gasolina, coloca no meu financeiro. Pum, insere dentro do RP. Então a gente começou a criar uns facilitadores. E uma outra coisa que a gente também está fazendo, que é de check-in em evento. Pô, por mais que tenha muita ferramenta de check-in, você chega, lê o QR code, Esses dias, esses meses para trás, eu fui num evento que tava uma fila, e todo mundo que vai em evento, pô, você chega, sempre tem aquela fila de credenciamento.
Aí eu fui num evento que eu falei assim, gente, o evento já vai começar, tem uma fila de caracol aqui, não vai dar para esse pessoal todo entrar a tempo, né? Não vai dar para esse pessoal todo entrar a tempo. Dito e feito. Deu faltando 5 minutos pro evento começar, fila gigantesca, o produtor de evento sai lá fora: aqui, pode entrar todo mundo, depois a gente credencia.
Socorro!
Aí eu fiquei com aquilo na cabeça, falei: gente, tem que ter uma solução melhor. E aí eu falei: pô, se tivesse umas maquininhas que já ia na fila bipando, porque a credencial ela já é feita, pô, é só colar a etiqueta e dar o check-in pra pessoa.
As maquininhas Nossa, então são esses check-in?
É, a gente, o que que a gente fez? Pegou essas maquininhas igual de bar, que o pessoal vai pagar ali a conta no cartão, cospe ali, ó, aqui seu recibo. Adaptamos ela para uma ferramenta de check-in, chamamos de Mi Check-in. E o que que a gente— e ela tem câmera, então a gente colocou leitor de QR code, leitor de facial nela. Então hoje o pessoal vai num evento, a gente, ela vem na fila, deu, a fila ficou grande, vem alguém com a maquininha bipando todo mundo, entregando ali a etiqueta que sai em adesivo e só colando na credencial e mandando a pessoa entrar.
Então, pô, saiu de uma necessidade que eu vi no mercado, que era uma dor de credenciamento. E aí eu comecei a ouvir os produtores de eventos, os problemas que eles tinham. Fala assim, Thiago, não é só participante, a gente tem muito problema com fornecedor. A gente não— o pessoal às vezes não manda a lista dos fornecedores que vão trabalhar, a gente descobre de última hora quem tá vindo. Isso quando a pessoa não perde o crachá e alguém entra com o crachá da pessoa que tava trabalhando aqui.
Ou casos assim, ah, contra uma montagem de um evento de 3 dias, aí no segundo dia a pessoa acorda indisposta, tira o crachá e vira para o primo e fala assim: aqui, vai lá trabalhar no meu lugar, é só entrar com o crachá. E aí esse primo sofre um acidente dentro do evento. Olha isso aí. Aí o pessoal contando para a gente, Thiago, E aí a responsabilidade caiu no produtor, no fornecedor e no espaço de eventos, porque a gente não teve controle de acesso.
Aí a gente vai ouvindo, né, o que acontece no mercado, enfim. E aí a gente falou, não, então vamos fazer a maquininha também fazer a gestão dos fornecedores. Então hoje ela faz gestão de participante, fornecedores, equipe, de controle de acesso de carro, de controle de acesso de guarda-volume. Então a gente evoluiu ela para muita coisa. Então quando a gente pensa, o ERP ele é o principal, mas a gente tá criando outras soluções que são complementares à dor do mercado de eventos como um todo. Então a gente acaba querendo virar realmente um hub do mercado de eventos.
Então hoje vocês são uma plataforma, um ERP, CRM.
CRM, aí vem dentro do ERP toda a parte fiscal financeira da empresa, um financeiro por evento, Não fica só o financeiro da empresa, gestão de estoque, logística, de equipe que vai trabalhar no evento. Então a gente tem vários braços ali dentro.
E uma conexão entre quem quer fazer o evento e quem, como uma plataforma única, tem algo assim no radar?
Essa ainda a gente tem mapeado, mas ainda a gente nada assim que a gente fala assim, olha, vamos fazer? Não. A gente tem algumas barreiras. Tem tantas prioridades. É, a gente tem outras prioridades, igual por exemplo, A gente tem muitas análises internas também, de tomada de decisão. Por exemplo, poxa, no suporte aqui a gente deve receber uns 20 feedbacks por dia de cliente falando assim: podia ter tal coisa no sistema. Então tudo isso a gente manda para um BI.
E como é que você faz para triar isso?
A gente tem um BI disso. A gente manda para um BI, ele analisa, categoriza e depois dá um relatório para a gente com gráfico de que módulo do sistema está tendo mais demanda e o que o pessoal está pedindo. Aí a gente passa depois para uma curadoria nossa interna, joga para produto, e aí a gente segue no desenvolvimento.
Curiosidade: que grande módulo já saiu disso daí, de escutar esses feedbacks?
Olha, tem muita coisa. Por exemplo, a gente por muitos anos a gente não investiu na parte fiscal, e aí a gente começou a ver o pessoal pedindo muito fiscal. Fiscal, fiscal, fiscal, fiscal. Ah, podia emitir nota fiscal de produto, serviço, de transporte. E aí a gente foi começando, opa, isso aqui acendeu um alerta, gente. Aí a gente começou a colocar no sistema, um ano depois veio a questão do anúncio da reforma tributária. Aí a gente falou assim, opa, o mercado já tava enxergando algo que a gente não tava vendo.
Então esse da nota fiscal foi uma virada de chave muito grande, porque agora vai vir a reforma tributária E por mais que a empresa não tenha um sistema ainda, uma hora, poxa, vai obrigar ela a ter um sistema. Não tem como você não ter um controle financeiro com a reforma, né? Principalmente na questão agora que vai gerar crédito, né, e tudo. Você precisa saber quanto de crédito tem que recuperar. Então a gente tá, né, isso foi uma coisa que a gente acendeu um alerta lá atrás.
Pô, tá tendo muita demanda desse módulo. Foi um ano depois, concretizou de fato.
Inclusive Com reforma tributária ele te abre mais possibilidades ainda de trazer novos clientes.
Sim, com certeza. Que é o, né, hoje um dos canais de aquisição nosso que mais convertem é o de indicação. Quando vem de indicação a gente sabe que 70% que indica fecha.
Indicação de clientes ou de próprios clientes?
De próprios clientes, porque é um mercado que eles se comunicam muito. Então tem muitos parceiros, né? Então ele acaba que contribui.
Qual que você acredita que vai ser a próxima grande avenida de crescimento da Mia Eventos?
Olha, a gente tá bem confiante nessa parte do credenciamento do check-in, porque a gente tá vendo que é uma dor real do mercado e uma dor que, né, o pessoal fala assim, ô Thiago, a gente tá tendo cada vez mais visita do Ministério do Trabalho vindo entrando aqui dentro do nosso espaço para ver se todo mundo que tá trabalhando aqui tá legalizado, credenciado, enfim. Então a gente começa a ver que isso vai ser algo que o mercado vai ter uma atenção maior, né?
E até porque, até em grandes festivais mesmo, você vê quando acontece algum acidente, o nome que leva não é o do fornecedor, é o do evento. Então cada vez mais esses eventos, eles vão ficar mais rigorosos com critérios de quem tá trabalhando ali. Então a gente tá vendo isso como uma oportunidade do mercado ali enxergar isso como uma ferramenta obrigatória, né, vamos dizer assim.
Legal. A Mi Eventos surge de você programando, fazendo um sistema para gerenciar sua cabine de eventos, aí você vê Resumindo do resumo, você vê ali uma oportunidade de um negócio e aí hoje estão aqui 1 em cada 10 eventos que acontecem no Brasil passam pela Mia Eventos de alguma forma, né? Ou seja, a gente tá falando de bilhões de reais que dependem do seu sistema. O Thiago, CEO dessa máquina, Ele é muito diferente do Thiago desenvolvedor barra empreendedor barra eu empresa barra...
O famoso assim, CPF, CNPJ, eu sigo.
Não, o CPF mesmo, o quanto que o CPF mudou de... Qual que foi a mudança mais difícil? Você já falou um pouco dessa dificuldade de delegar, porque Porque era o Thiago e o Daniel. Aí o Daniel é o último sobrenome, né?
Virou o codinome porque, assim, eu falo que é até difícil eu pensar no que mudou de fato, porque acho que as coisas foram acontecendo tão rápida, né? Eu acho que para mim realmente assim o que mais foi a viradinha de chave mesmo foi eu aprender a delegar mais. Isso mudou muito assim, me abriu mais horizontes para isso pós-pandemia. Isso foi bem depois da pandemia, um pouco, sabe?
Isso aí foi, mas pandemia você começou a contratar, aí você não delegava.
Não, não, porque acontece, contratamos na pandemia, a gente tinha um time, começou de 5, 10 pessoas, 15, 20, de repente 30. Falei, meu Deus, assim, quando era 10 pessoas era muito mais fácil. Pô, passou para 30, eu falo assim, nossa senhora, às vezes eu tenho medo de errar o nome, sabe?
Assim, eu falei assim, quantas pessoas hoje?
A gente tá com 33 pessoas, estamos com vaga em aberto ali. E ainda eu ainda tenho um pezinho em cada área, né? Igual você chegou aqui, eu brinquei, ó, hoje eu tô no marketing aqui porque me expulsaram lá da outra sala. Então cada mês eu fico um pouquinho numa sala, mas hoje eu tenho uma confiança muito grande já no time de Poxa, viajo, o pessoal toca muito bem aí, mas eu ainda tenho algumas coisas que eu, assim, tem coisa que você fala assim, gente, quando você acha que tá tudo, não vou passar por mais nada, eu acho que eu já tive todos os problemas possíveis, sempre vem um algo diferente que o time traz, Thiago, aconteceu isso, você fala assim, não, não é possível, essa é nova pra mim, porque tem coisa que você já com o tempo, né, sua própria experiência, é o pessoal às vezes traz alguma coisa, você fala, olha, isso aqui você vai resolver assim, assim, assim.
Então você já sabe, né? Então você, eu acabo, eu não acabo pegando para resolver, mas eu mostro como vai ser resolvido, né? E isso é legal, né? Eu acabo não envolvendo nas coisas da empresa, de certa forma acabo treinando o pessoal para fazer. Mas tem coisa que chega, eu falo assim, gente, você é novo, Esse desafio eu não tinha passado.
Esse eu não sei ainda não, vamos ver.
Mas vamos aprender juntos, porque se tiver você tá no rolo aqui, no próximo você sabe resolver também.
É isso. Qual foi o erro que nessa história assim mais custou caro para mim, Eventos?
Assim, a gente, que eu considero alguns erros talvez de talvez não demorar muito para lançar alguma coisa. Então eu sempre falo, eu sou um perfil de muito ser executor. Então eu já penso, planejo, eu falo, gente, vamos fazer, bora, né, bora. E tem algumas coisas que eu sinto que a gente errou e perdeu o time, sabe? Assim, poxa, poderia ter feito diferente. Eu acho que isso é uma das coisas que eu assim mais carrego assim de de erro, que hoje eu reflito bastante na hora que a gente for, vai lançar alguma coisa, né?
Então alinho com o time, gente, de marketing principalmente. Gente, a gente vai lançar tal coisa digital, vamos criar uma esteira para a gente já ter tudo o material pronto para a gente não fazer igual a gente fez da última vez, que a gente lançou e aí não tinha comunicação, o time não sabia vender, e a gente acaba queimando o produto. Aí esse eu acho que é um aprendizado assim que eu aprendi Que hoje eu prefiro segurar uma coisa, mesmo que ela tá pronta, mas seguro até toda a comunicação com o time, com os clientes estejam alinhados bonitinho pra gente soltar uma coisa legal.
Tem uma frase aqui de uma amiga que trabalhamos junto na hotelaria, que ela fala, acontece muito evento dentro da hotelaria, ela falava assim, quando somos nós fazendo o evento, Só trazendo um paralelo, a gente já sabe onde os eventos dos nossos clientes dão errado. A gente, no nosso evento, não pode acontecer.
É isso. E a experiência, tem coisa que você só vai saber fazendo, errando e fazendo. Então não tem jeito, né?
O que que você fazia no começo, a Mia antes fazia no começo, e que Hoje você jamais faria?
Poxa, é assim, eu acho que eu não tenho nada assim que eu falo assim, poxa, isso eu não faria.
A gente cometeria novamente os mesmos erros.
Talvez, eu acho que faz muito parte do crescimento, não tem como eu falar assim, ah, isso eu não faria. Eu acho que acaba que o erro ele faz parte da construção, né? Seja da pessoa, seja da empresa, do produto. Então, um livro que fala assim: apaixone-se pelo problema. Então eu falo assim, pô, quando eu bati o olho na capa desse livro, eu falei: não, vou ter que ler isso aqui, cara.
Eu preciso nem ler o livro, mas a capa já me chamou atenção.
Apaixone-se pelo problema. Enfim, porque o problema ele é onde vai vir Você vai querer resolver aquilo, então a solução vai vir em cima de um problema, né, o conflito, enfim. O problema ele tem que existir, senão a gente não estaria aqui também como uma solução para resolver uma dor do mercado. Então acho que o problema ele faz parte da construção.
Boa. O que que você falaria para o Thiago que começou essa história?
Então, falaria que, ó Thiago, deixa eu falar um negócio, você demorou muito para delegar, você poderia ter delegado antes. Insiders, porque dá um alívio, né, principalmente das crises de estresse que eu tive lá atrás, que graças a Deus hoje eu não tenho. Mas eu acho que foi isso assim, uma coisa que eu falaria lá atrás assim, principalmente porque nesse período do primeiro cliente ao 80, lá na pandemia, eu era o Thiago que basicamente trabalhava sozinho.
Então eu acredito que a empresa poderia ter crescido muito mais nesse período de 6 anos. Poxa, 80 clientes em 6 anos é muito pouco, né? Vamos dizer assim, para— eu acho que se eu tivesse delegado lá atrás alguém para o comercial, para acompanhar o suporte, não ter ficado só comigo, acho que lá atrás eu poderia ter crescido a base muito mais e tá colhendo muito mais agora. Mas eu entendo que é tudo processo. Faz parte, eu precisava disso também.
Se você hoje encontrasse, não o Thiago, mas hoje, hoje mesmo, você encontrasse com uma pessoa que desenvolveu um sistema para poder gerenciar, cuidar de uma dor que ele— que é sua história, certo? O que que você falaria com ele para poder entender que é o momento dele transformar aquilo ali em Qual foi o seu maior aprendizado desse começo lá de trás?
É não focar. Eu acho que eu demorei muito focar em vendas. Eu acho que se a pessoa hoje tem um produto que tá validado, que tem gente usando, se ele não é a melhor pessoa para vender, coloca alguém para vender, porque ele precisa escalar o mais rápido possível, porque ele vai entender que se ele vende, entra cliente O resto fica mais fácil, porque se ele tem, vamos dizer assim, dinheiro no caixa e sobrecarregou o suporte, ele vai trazer alguém de suporte.
Ah, sobrecarregou o desenvolvimento, ele vai trazer alguém de desenvolvimento. Mas o comercial acho que é o principal. Acho que muita gente inverte, né? Às vezes, ah, eu tenho um produto, eu preciso mais desenvolvedor para desenvolver mais, para vender mais. Não. E uma coisa que eu entendi nesse mercado: quanto mais você desenvolve, mais ainda você vai ter que desenvolver. O produto ele nunca vai estar pronto. O produto ele nunca vai estar pronto.
A gente recebe, igual eu falei, a gente recebe uma média de 20 pedidos de sugestão para melhorar o sistema. Então se a gente fosse esperar o sistema estar perfeito para vender, a gente não teria vendido um até hoje. Então eu acho que se alguém está querendo começar, você tem um sistema que já tem o primeiro cliente funcionando, validado, foca em vender.
Porque aí vai aparecer outros problemas e aí você vai contratando gente para resolver esses outros problemas.
Exato. E o cliente, ele é importante, ele faz parte também, o feedback, a construção, né? Tem coisa que você vai entendendo, o seu cliente vai entender mais do mercado que você. Então é importante você ter clientes na base dando sugestão para você melhorar, né? Acaba sendo uma parceria mútua ali, principalmente nos primeiros clientes.
Boa, boa. Agora, cara, pra finalizar, eu queria te pedir sugestões de livros. Já é padrão, no final do livro me indica um livro para ler.
Tá, vamos lá, deixa eu pegar aqui. Na verdade, eu indiquei um hoje no meu Instagram, quer ver? É o— eu sou péssimo com nome, tá? Péssimo com nome, nossa! Mas, ó, O Princípio de Oz. Por que que eu recomendo esse livro? Ele é um livro que ele me deu uma visão muito boa, porque ele fala sobre os principais, as principais desculpas que as pessoas dão para elas mesmas. Ah, eu não fiz isso porque sempre foi assim, ou porque ninguém me falou que dava para fazer assim.
Então ele ajuda você a criar um senso de responsabilidade e entender das pessoas também se elas estão dando desculpa para elas mesmas. Então é um livro que me marcou bastante assim, sabe? De, poxa, hoje eu consigo identificar, a pessoa às vezes traz para mim alguma coisa, eu falo assim, cara, você tá dando desculpa, que poxa, assume a responsabilidade, faz algo diferente, né? E até para mim mesmo, né? Às vezes você não tá num dia tão legal que você fala assim, poxa, acho que eu fiz errado, errei aqui.
Mas aí você não percebe, opa, tô dando uma desculpa, deixa eu ver como é que eu poderia evitar isso aqui, o que que eu posso fazer diferente. Então é um livro que eu recomendo aí.
Boa, Thiago, cara, obrigado, obrigado por compartilhar essa história. Eu acho que é inspiradora. Eu já conhecia, eu não conhecia todos esses detalhes que a gente conversou hoje. Acho que para quem perder essa horinha aí escutando vai ter ganhado bastante coisa, cara.
Obrigado. Então espero ter contribuído e por mais que eu acho que Acho que qualquer, né, conversa, papo, eu acho que ele acaba, a pessoa, alguma coisa acaba levando, né? Assim, nem que seja aprenda com os meus erros, né? Mas a ideia é essa mesmo. Eu acho que põe uma pulguinha atrás da orelha aí de todo mundo que tiver ouvindo. E para quem tem uma empresa de eventos e quer conhecer a Mi Eventos, só acessar o nosso site mieventos.com.br, tem lá um teste grátis do sistema, já pediu o teste, alguém do nosso time já entra para fazer uma apresentação, para conhecer todo o sistema, e aí testa nesses 7 dias aí para ver se faz sentido ou se tá no momento ou não da empresa.
Fechou, pessoal! E se você ainda não segue o Uptalks, estamos em todas as plataformas de podcast, no Instagram @uptalksbr, no YouTube também Uptalksbr. E até a próxima semana, valeu, valeu, gente!