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Uptalks #31 - O fracasso não dá entrevistas

27 de julho de 20267min
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A gente conhece as histórias de quem venceu. Mas quase nunca conhece quem tentou a mesma coisa e fracassou.

Neste episódio, Marcus Nunes fala sobre o viés de sobrevivência, a história dos aviões que voltaram da Segunda Guerra Mundial e o que os fracassos podem revelar quando paramos de tratá-los apenas como derrotas.

Também conta a história de Stewart Butterfield, que tentou criar dois jogos, fracassou nos dois e, a partir do que aprendeu, criou o Flickr e o Slack.

Porque persistir não é repetir. É aprender, mudar o plano e tentar de outro jeito.

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Participantes neste episódio1
M

Marcus Nunes

Host
Assuntos2
  • Falhas empreendedoras e aprendizadosStewart Butterfield · Flickr · Slack · Invenções de Thomas Edison
  • Viés de sobrevivênciaAviões da Segunda Guerra · Abraham Wald · Dados invisíveis
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Os dados mais importantes normalmente estão invisíveis porque a gente vive cercado de história de sucessos, porque o algoritmo entrega para a gente sucesso. LinkedIn, YouTube, Instagram, eles entregam o sucesso para a gente. Os podcasts falam de sucesso, os livros falam de sucesso. Ninguém faz post dizendo que quebrou a empresa pela terceira vez, que copiou exatamente a estratégia de uma empresa do Vale do Silício e que deu tudo errado, que levantou investimento e destruiu a saúde.

Sabe qual o problema? O problema é que o fracasso, ele não dá entrevista. A gente só vê os aviões que voltaram. Hoje é dia de conselhos que ninguém me pediu no UpTalks, então pega o seu café e vem comigo. Você está ouvindo o UpTalks, ideias, conselhos e boas histórias para você aprender, provocar e transformar em ação. Os dados mais importantes são invisíveis. Isso vem de uma história real da Segunda Guerra Mundial. Os americanos, eles analisavam os aviões que retornavam das missões, e os aviões, eles voltavam cheios de marcas de balas nas asas e na fuselagem.

A conclusão parecia óbvia: precisamos reforçar onde os tiros estão acertando. Até que um matemático chamado Abraham Wald trouxe uma pergunta brilhante: e os aviões que não voltaram? Porque os aviões analisados eram justamente os sobreviventes. As marcas mostravam onde o avião conseguia ser atingido pelas balas, e sobreviver. Os aviões que caíram provavelmente foram atingidos em outros pontos, talvez no motor, na cabine, no tanque de combustível.

Ou seja, o lugar mais importante era o lugar que justamente estava parecendo intacto nessas análises. E olha só, a nossa vida inteira funciona assim. A gente olha para o empresário de sucesso e tenta copiar a rotina dele, mas a gente não vê as milhares de outras pessoas que fizeram igual esse empresário de sucesso e quebraram. A gente olha para um influencer fitness, mas a gente não sabe a história de quem lesionou o corpo inteiro tentando viver daquela rotina.

A gente lê sobre as startups que viraram unicórnios, mas a gente não lê sobre as centenas que morreram no silêncio fazendo exatamente a mesma coisa, porque o fracasso ele é invisível. E isso distorce completamente nossa percepção de realidade. A internet ela faz parecer que enriquecer é comum. Empreender é simples, crescer rápido é normal, produtividade extrema é sustentável, e não é. A maioria das empresas falha, a maioria dos projetos não cresce, a maioria das ideias não funciona.

Tem uma história muito legal que mostra muito bem o valor desses fracassos. Tem um cara chamado Stewart Butterfield que ele tentou criar um jogo online chamado Game Neverending, mas o jogo não deu certo. Só que durante o desenvolvimento, a equipe criou uma ferramenta de compartilhamento de fotos. Butterfield percebeu que aquilo tinha muito mais potencial que o próprio jogo. Ele abandonou o plano original e ali desse jogo nasceu Flickr, que é um, talvez um avô do Instagram, era um aplicativo de compartilhamento de fotos.

E anos depois ele tentou criar outro jogo, dessa vez chamava-se Flickr, mas esse jogo também não deu certo. Só que a equipe tinha criado uma ferramenta interna para conversar e trabalhar. E mais uma vez, Butterfield olhou para o que tava funcionando dentro de um projeto que havia fracassado, abandonou o jogo, e daquela ferramenta nasceu Slack, que é uma ferramenta que inúmeras, inúmeros times usam, de publicidade, de desenvolvimento de tecnologia, usam para se comunicar.

Percebe a diferença? Ele persistiu, mas não ficou repetindo a mesma coisa até dar certo. É um caso diferente de Thomas Edison, que conta-se a história de que descobriu mil maneiras de não fazer a lâmpada funcionar. Aqui também cada fracasso trouxe para ele uma informação nova, mas ele teve a capacidade de mudar o plano a partir dela. Persistir nem sempre é repetir, é entender o que deu errado e usar essa informação na próxima tentativa.

Só que sobreviventes contam histórias incríveis, os outros somem em silêncio. E aí a gente começa a tomar decisões olhando só para quem venceu, só para quem deu certo. Porque sucesso deixa rastro, ao passo que fracasso, silêncio. E silêncio não viraliza. Por isso que temos que aprender a nos perguntar: o que que tá faltando nessa análise? Quem tentou e não conseguiu? Quem desapareceu? Quem não sobreviveu para contar? Porque às vezes os dados mais importantes são justamente os invisíveis.

Esse foi mais um episódio de Conselhos que Ninguém Me Pediu. Compartilha esse episódio com aquele colega de trabalho que está precisando de um empurrãozinho para começar a semana em alta. E se você gostou da conversa, a gente continua ela lá no Instagram e no YouTube, no @uptalksbr. Até a próxima semana!

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