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Uptalks #30 - Mar calmo nunca fez bom marinheiro

20 de julho de 20269min
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Mar calmo nunca fez bom marinheiro.

É fácil manter a calma quando tudo funciona. Difícil é decidir quando o vento muda, o plano quebra e as respostas desaparecem.

Neste episódio de Conselhos que ninguém me pediu, Marcus Nunes fala sobre como situações desafiadoras revelam o que o conforto escondia — e por que passar por uma tempestade não basta. O crescimento está no que aprendemos enquanto tentamos não afundar.

O Uptalks está no Instagram e no Youtube, no @uptalksbr.

Participantes neste episódio1
M

Marcus Nunes

Host
Assuntos2
  • Aprendizado em tempestadesMar calmo nunca fez bom marinheiro · Situações desafiadoras · Crescimento pessoal
  • Superação e ResiliênciaLiderança em crise · Adaptação a mudanças · Confiança em si mesmo
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Mar calmo nunca fez bom marinheiro. Essa frase me marcou desde a primeira vez que eu a vi. Eu até comprei um quadro com essa frase, que foi quando eu vi a frase pela primeira vez. E tudo porque eu tava passando por um momento muito turbulento numa empresa onde eu trabalhava, empresa nova, Brasil numa leve recessão, concorrência batendo forte. A gente tava muito longe do orçamento e tava sendo muito cobrado por isso. Eu era o diretor comercial da empresa, eu era o mais cobrado, e eu tava sentindo que meu emprego tava assim por um fio.

E eu sentia que assim, mesmo fazendo tudo certo, eu achava que eu tava fazendo tudo certo, as coisas simplesmente não funcionava, não iam. De verdade, eu só queria que aquela tempestade passasse. Foi quando eu vi esse quadro e me deu um estalo. Eu entendi que alguma das capacidades mais importantes que eu precisava para minha vida e para passar por aquele momento, eu tava aprendendo ali no meio da tempestade, tentando literalmente não afundar.

Hoje é dia de conselhos que ninguém me pediu aqui no UpTalks. Então pega o seu café e vem comigo. Você está ouvindo o UpTalks, ideias, conselhos e boas histórias para você aprender, provocar e transformar em ação. Mar calmo nunca fez bom marinheiro é a tradução de uma frase antiga em inglês, a smooth sea never made a skilled sailor, que aliás era a frase que tava no quadro que eu vi e comprei. E essa é uma frase que ela já apareceu atribuída a Franklin Roosevelt, mas ela também aparece como antigo provérbio africano.

E na verdade ela não tem uma origem comprovada dessa frase, E nem precisa, porque a imagem por si só ela é simples. O marinheiro ele não aprende a navegar quando o vento tá sempre tocando a favor. Quando o mar tá tranquilo, céu limpo, barco seguindo exatamente na direção planejada, você não tá aprendendo nada. A gente aprende quando o vento muda, quando a onda bate forte de lado, quando por causa de uma tempestade o barco se perde e o mapa deixa de fazer sentido é quando a gente precisa decidir rápido, mesmo sem ter certeza se a decisão tá certa.

Quando tá tudo funcionando, é difícil saber se a gente é realmente bom ou é porque tudo tá com a condição favorável. É fácil a gente parecer um grande gestor quando a empresa tá crescendo, existe dinheiro no caixa, Cliente continua vindo e comprando. É fácil manter a calma assim quando não tem nada em risco. É fácil defender os próprios valores quando não custa nada. Também é muito fácil falar de resiliência quando o problema é dos outros.

O desconforto às vezes ele revela o que o conforto escondia. Às vezes o mar revolto, ele nem cria os nossos problemas, ele apenas mostra os problemas que já estavam lá, mostra que o barco não tava assim tão bem cuidado, que a rota não tava tão clara, não fazia tanto sentido, que a equipe não tava tão bem preparada, que aquela confiança toda dependia muito mais das circunstâncias do que a gente gostaria de admitir. É quando as coisas saem do controle que a gente aprende a se adaptar, a decidir sem ter todas as respostas, controlar a própria ansiedade, pedir ajuda e reconhecer que não sabe tudo e que talvez nem saiba nada.

É difícil abandonar um plano que deixou de fazer sentido. E continuar andando mesmo sem enxergar o caminho inteiro. Tem uma coisa, gente, que nenhum curso ensina, nenhum livro consegue explicar completamente. Você já pode ter lido tudo sobre liderança, mas liderar alguém durante uma crise é outra coisa. Você pode também, da mesma forma, estudar negociação, mas negociar quando você precisa realmente do acordo é outra coisa. O plano de negócios pode ser impecável, mas na hora que você descobre que você precisa fazer alguma coisa porque o mercado mudou, o cliente desapareceu, é outra coisa.

A teoria, ela ajuda, mas ela não prepara quando a água começa a entrar no nosso barco. E, ó, pelo amor de Deus, eu não tô falando que a gente precisa procurar sofrimento. Ninguém precisa sair por aí caçando tempestade para provar que é forte, até porque a vida já se encarrega de mandar algumas para gente. Também não tô dizendo que toda dificuldade acontece por um motivo. Às vezes a situação ela é apenas difícil mesmo, dura, e Pronto, é isso.

E também, gente, passar por uma situação difícil também não torna ninguém automaticamente mais forte. Tem gente que passa e fica apenas cansada, machucada, amargurada, porque o sofrimento sozinho não ensina. O que ensina é o que você faz com ele, é olhar para o que aconteceu e entender o que aquela situação revelou de você, o que que você cresceu com aquilo, saber que talvez precisa mudar alguma coisa. E quando você decide que você não vai sair do outro lado da tempestade exatamente da mesma maneira que você entrou, a experiência ela só vira aprendizado quando ela produz alguma mudança em você.

Se você enfrentou o mesmo problema 4, 5, 6 vezes e continua reagindo exatamente da mesma maneira Você não ganhou experiência, você só repetiu o problema. E essa é uma das diferenças entre envelhecer e amadurecer. Envelhecer é acumular anos, tempo. Amadurecer é transformar o que aconteceu com você na sua vida em repertório. É quando te permite olhar para uma situação nova e perceber: já vi alguma coisa parecida com isso. Já sei por onde isso aqui tá indo e por onde vai dar errado.

Já sei que eu vou precisar te pedir ajuda nessa daqui. É quando você aprende que você não toma decisão de cabeça quente, que sabe que o plano pode falhar. E a tempestade, ela te treina, ela te treina na confiança, porque antes da primeira tempestade temporada, você só torce e reza: eu espero conseguir passar. Depois da tempestade, quando a próxima tempestade vier, você já pensa: já passei por coisa pior. Percebe a diferença? Não é otimismo, é memória.

Você não acredita que vai conseguir porque alguém disse que você é forte. Você acredita porque você já se viu naquela situação conseguindo passar pela tempestade. Você já perdeu e continuou, já errou e corrigiu, mesmo que não tenha sido do jeito que você imaginava, ou do acordo, de acordo com o plano original. Talvez você passou com uns arranhões a mais, mas deu conta. No mar calmo, você confia no barco. Depois da tempestade, você começa a confiar no marinheiro, e essa confiança ela é construída problema por problema, cicatriz por cicatriz.

Bom, então, se você tá enfrentando uma situação difícil agora, eu não vou te dizer que ela chegou para te ensinar alguma coisa, porque eu não sei. Você também não precisa agradecer por ela, tempestade, enquanto Tá, ela tá destruindo tudo. Mas já que você tá nela, tenta não sair de mãos vazias. Se pergunte o que que essa situação tá revelando sobre você, o que que você tá sendo obrigado a aprender. Porque, gente, mar calmo nunca fez bom marinheiro, mas também a tempestade sozinha não faz.

É o que o marinheiro aprende enquanto ele tenta não afundar. Compartilha esse episódio com aquele colega de trabalho que tá atravessando um mar revolto e que precisa se lembrar do marinheiro que ele é, ou do marinheiro que ele tá se tornando. E se você gostou dessa conversa, o @uptalksbr está no Instagram e no YouTube. A gente continua essa conversa por lá. Até a próxima semana, valeu!

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