#83. Sincretismo na Umbanda: estratégia de sobrevivência ou tradição que precisa ser repensada?
O que é o sincretismo na Umbanda?
Neste episódio do Podcast Macumbaria, explicamos por que os povos africanos escravizados associaram os Orixás aos santos católicos e discutimos uma questão atual: ainda faz sentido manter o sincretismo nos terreiros hoje? Um episódio sobre história, resistência e identidade espiritual.
- Entidade na UmbandaAssociação de Orixás a santos católicos · Estratégia de sobrevivência · Tradição e identidade espiritual
- Debate sobre a manutenção do sincretismoSincretismo como parte da história da Umbanda · Reforço da dependência simbólica do catolicismo · Valorização da ancestralidade africana
- Diálogo interreligioso e sincretismoEscravização de africanos no Brasil · Proibição de práticas religiosas africanas · Resistência e preservação da fé
E vamos para mais um episódio do seu podcast favorito. Aquele que quanto mais você ouve, mais você tem vontade de ouvir. E eu, o apresentador Nelson Gentil. Se vocês que desejaram me seguir nas redes sociais, arroba Psy Nelson Gentil. Vamos nós para o episódio de hoje, hein?
Sincretismo na Umbanda, estratégia de sobrevivência ou tradição que precisa ser repensada.
Quando entramos em muitos terreiros de Umbanda, é comum vermos imagens de santos católicos. Nossa Senhora, São Jorge, São Sebastião, Santa Bárbara. Mas para quem conhece a tradição afro-brasileira, sabe que muitas dessas imagens representam também os orixás. São Jorge, associado a Ogum, estamos falando de Rio de Janeiro. Nossa Senhora da Conceição, associada a Oxum. São Sebastião, associado a Oxóssia. Santa Bárbara, associada a Inhansã.
Essa prática é chamada de sincretismo religioso. Mas para entender o sincretismo na Umbanda e nas religiões afro-brasileiras, precisamos voltar um pouquinho no tempo. Precisamos falar sobre o período de escravização. Quando milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil, eles não trouxeram apenas seus corpos. Eles trouxeram também suas línguas, suas culturas e, principalmente, suas religiões.
Esses povos cultuavam os seus orixás. Mas havia um problema. Os colonizadores portugueses eram católicos e proibiam qualquer prática religiosa africana. Cultuar orixá era considerado crime. E até há pouco tempo no Brasil também era. Era considerado feitiçaria. Era considerado algo demoníaco pela loja colonial. Muitos africanos foram perseguidos, castigados e até mortos por praticarem sua espiritualidade.
Então, o que foi preciso ser feito?
Criamos uma estratégia de sobrevivência espiritual. Passamos a associar os orixás às imagens de santos católicos. Assim, quando estavam diante de uma imagem de santo, para os senhores de escravos parecia que estavam rezando para o catolicismo, mas, na verdade, estavam reverenciando seus orixás. Era uma forma de proteger a fé sem ser punido por ela. Ou seja, o sincretismo não nasceu por escolha teológica, ele nasceu por necessidade histórica.
por sobrevivência. Foi uma forma de resistência, uma forma de preservar uma espiritualidade que o sistema colonial tentou destruir. E estamos aí até hoje. Por isso, como falamos de sincretismo, também estamos falando de memória, luta e sobrevivência. Mas agora chegamos a uma questão importante. Hoje, o Brasil não vive mais o período de escravidão.
Hoje, os terreiros podem, entre aspas, cultuar seus orixás abertamente. Então surge uma pergunta cada vez mais aparece dentro da própria Umbanda. Faz sentido ainda hoje mantermos o sincretismo?
Alguns terreiros defendem que sim. Dizem que o sincretismo faz parte da história da Umbanda, que ele ajudou a religião a se formar e que faz parte da identidade espiritual do culto. Ok. Outros terreiros pensam diferente. Defende que continuar usando imagens de santos católicos pode reforçar uma dependência simbólica do catolicismo.
e que os orixás merecem ser representados por suas próprias imagens e símbolos, sem precisar se esconder atrás de santos. Então, hoje, existe um movimento dentro de muitas casas de Umbanda que buscam retomar representações próprias dos orixás.
Não por rejeição ao catolicismo, mas por valorização da ancestralidade africana. E aqui entra uma reflexão importante. A Umbanda sempre foi uma religião viva. Ela se transforma com o tempo. Ela dialoga com a história. Ela escuta as necessidades espirituais de cada geração. Por isso, talvez a pergunta não seja simplesmente.
O sincretismo é certo ou errado? Mas talvez a pergunta seja, o que o sincretismo significa hoje para umbanda? Ele ainda é uma proteção? Ele é uma tradição? Ou ele já não é mais necessário? E é justamente aqui que queremos ouvir você. Se você frequenta terreiro, se você já viu imagens de santos representando orixás, se você pratica umbanda, o que você pensa sobre isso?
Você acredita que o secretismo deve continuar? Ou acha que chegou a hora de representar os orixás diretamente? Deixe o seu comentário aqui nesse episódio. Será muito importante saber o que você acha. E construirmos esse pensamento juntos. Porque o Macumbaria também é um espaço de reflexão coletiva sobre a nossa espiritualidade.
Saravá, meu povo, saravá os orixás, saravá nossa ancestralidade. E é isso. Eu sou Nelson Gentil e hoje ficamos por aqui com mais um episódio do podcast Macumbaria, o seu axé de todo dia. Espero vocês aqui amanhã. Axé e até, meu povo.