#027 - Paul Graham, Bill Gates e a guerra dos agentes da Anthropic
O que universidades deveriam ensinar a quem quer fundar uma empresa? Quais trabalhos devem continuar reservados a humanos, mesmo quando a AI puder executá-los? E o que acontece quando agentes autônomos passam a disputar recursos e contornar controles?
No episódio 27 do Between Futures, Flavio Pripas e Rodrigo Conde conectam três discussões que parecem separadas, mas apontam para a mesma mudança: sistemas cada vez mais capazes exigem novas formas de aprender, trabalhar e governar tecnologia.
O episódio passa pelo novo ensaio de Paul Graham sobre universidades, builders, projetos práticos e tempo livre; pela proposta de Bill Gates de criar trabalhos “Human Reserved” e transferir parte da tributação do trabalho para tokens e robôs; e pelo relatório de risco da Anthropic que documenta agentes Claude Mythos 5 encerrando rivais, burlando restrições e explorando falhas operacionais.
Uma conversa sobre contemplação com experimentação, propósito além do emprego, limites da automação, debate intelectual e os guardrails necessários quando agentes ganham autonomia real.
Ouça, compartilhe e acesse as notas completas em https://betweenfutures.com
Flavio Pripas
Rodrigo Conde
- A visão de Paul Graham sobre o papel das universidades na formação de fundadoresPaul Graham·Y Combinator·Do Things That Don't Scale·empreendedorismo·Project-Based Learning
- A proposta de Bill Gates para trabalhos 'Human Reserved' e tributação de AIBill Gates·Microsoft·cognição humana·Human Reserved·impostos sobre tokens de AI e robôs
- A necessidade de novas formas de aprender, trabalhar e governar tecnologiasistemas capazes·agentes autônomos
- A guerra entre agentes autônomos da Anthropic e a autonomia da AIAnthropic·Risk Report·Claude Mythos 5·autonomia de agentes·guardrails
- A importância da discussão intelectual e da contemplação para o futuro da humanidadenovo renascimento·contemplação·discussão online·empatia
Fala, pessoal, tudo bem? Meu nome é Flávio Prippas e eu sou o Rodrigo Conde.
Bom dia, pessoal!
E esse é o episódio 27 do Between Futures, né, Rodrigo? A gente tá gravando hoje no sábado, sabe que geralmente a gente publica de sexta, a gente tá atrasado. E eu recebi 3 mensagens, eu fiquei tão feliz, recebi 3 mensagens do pessoal cobrando: cadê, cadê, cadê? Vocês não gravaram ainda? Não, calma, a gente vai gravar.
É, meu, que bom que o pessoal tá esperando, né? Isso quer dizer que a gente tá, pelo menos o assunto aqui, o pessoal tá gostando de escutar o que a gente fala.
E assim, os assuntos não param. Sabe o que a gente vai ter que fazer hoje? Para hoje a gente não se preparou para isso, mas a gente vai ter que fazer um perfil um dia do Dario Almudeiro, CEO da Anthropic. Cara, ele tá completamente delusional, assim, ele tá, sei lá, ele tá alucinando. Ele tá falando umas coisas que para uma pessoa que tá acumulando tanto poder como ele, ele tem que tomar cuidado com o que ele fala. Ele já soltou que ele vai ser a única empresa privada do planeta nos próximos anos.
Ele já soltou que a Anthropic vai faturar 30 trilhões de dólares. Ele tá soltando umas coisas assim que são meio malucas. Tudo bem que para uma empresa de um pouco mais de 5 anos já tá faturando de forma anualizada 70 bilhões de dólares, é um feito que assim, acho que não existe na história outra empresa que fez essa jornada. Mas ele tá acumulando tanto poder, ele tá acumulando tanta influência, e a plataforma dele tá ficando tão poderosa que que um cara que tá por trás de uma plataforma dessa começar a falar essas coisas, a gente tem que no mínimo acompanhar de perto.
Exatamente. Você sabe que às vezes eu fico pensando assim, eu acho que existem diferentes perfis para diferentes momentos de um negócio, né? Acho que a própria Microsoft teve essa trajetória com vários CEOs diferentes. O Bill Gates saindo um momento e entrando o Steve Ballmer. Lembra do Steve Ballmer?
Tem uns vídeos dele pulando no palco, dançando. O Bill Gates todo introspectivo, Steve Ballmer era outra coisa.
Exatamente, era a fase que a Microsoft tinha que vender, vender, vender, né, que era exatamente o que ele falava. E talvez, cara, esses caras que são— o Amodei é um cara, eu não sei nem dizer se ele é técnico, eu imagino que ele seja bastante técnico, obviamente.
Ele é técnico, é.
Então imagino que ele seja bastante técnico, mas ele é um cara muito filósofo, entendeu? Eu acho que ele fica muito nesse reino das ideias e tal. E, cara, agora ele tem um business para tocar que fatura, meu, bilhões já, entendeu? E talvez seja o momento de falar, tá bom, agora vamos colocar outro cara que saiba tocar um business e que não fique falando esse tipo de coisa, entendeu? Eu acho que tem momentos e momentos ali para diferentes perfis dentro da empresa.
E dado que o crescimento de AI tem sido exponencial, né, talvez a troca da guarda aí com esses CEOs tem que ser mais rápido também, entendeu? O cara não vai ter um tenure ali de 15 anos antes de falar, putz, tá bom, agora já deu meu tempo aqui, entendeu? Talvez essa troca seja mais rápida. A Apple também é outro exemplo, né? O próprio Steve Jobs entrou, saiu várias vezes da Apple, e quando ele saiu também saiu porque ele tava meio maluco lá dentro.
Tudo bem que a Apple começou a ir mal depois que ele saiu, mas de qualquer forma, quando ele entrou, o Steve Wozniak, que é o programador, que é o nerd, ele convidou Steve Jobs, que Steve Jobs ele conseguia ir lá vender. Então assim, você tem tradicionalmente, você tem até um modelo clássico das startups que acho que hoje não tá valendo mais, tá? Mas se falava 5 anos atrás que na startup você tinha que ter o hacker, você tinha que ter o hustler e você tinha que ter o hipster.
Ou seja, você tinha que ter o hacker, que era aquele programador, você tinha que ter o hustler, que é aquele cara que ia para o mercado e ia vender, e você tinha que ter o hipster, que é aquele visionário, aquela pessoa que ia enxergar como que ia ser o futuro da empresa. Com AI isso está mudando, essa equação ela está mudando um pouco nas startups, mas é um tema que a gente pode explorar um pouco mais. E se você vê ao longo da história, as grandes empresas que a gente conhece hoje, muitas delas tiveram essa composição.
A gente falou da Apple, É o Steve Wozniak, que era o hacker, com o Steve Jobs, que ele era o hipster e o hustler ao mesmo tempo. O próprio Facebook, a Meta, com o Mark Zuckerberg e com o Eduardo Saverin. Para quem viu o filme Rede Social, aliás, vai lançar agora o filme Rede Social 2, que eu acho que vai ser incrível. Eu lembro do filme Rede Social 2010, quando eu assisti a primeira, em 2010, quando assisti a primeira vez. Eu tive, eu abri minha primeira startup em 2008, né?
Saía lagriminha dos meus olhos porque assim, tudo daquela história que eu tava vendo lá no filme. Não que eu passei pelas mesmas coisas, mas eu tava nos mesmos momentos, nos mesmos lugares, muitas vezes até com as mesmas pessoas que são descritas lá no filme. Então assim, é muito legal ver isso. Mas você pega o Marc Zuckerberg com Eduardo Saverin, você pega o Bill Gates com o Ballmer— aliás, o Bill Gates é um dos nossos temas daqui de hoje— isso é uma composição muito legal.
Mas com AI A gente vai ter que entender como que vai funcionar essa montagem da equipe ideal para as empresas.
É, eu acho que assim, uma coisa que acabou de me ocorrer, tá? Eu acho que com AI, se o cara é um cara um pouco mais generalista, pendendo um pouco mais para o lado do visionário, eu acho que a AI complementa muito bem as outras habilidades que precisa ter ali para tocar o business, né? Mas assim, de qualquer forma, isso necessita uma pessoa que esteja operando o sistema de AI diretamente, né, para poder complementar os skills que faltam no perfil dele.
Agora, a parte do visionário, acho difícil substituir, né. Acho que o visionário, eu acho que sim.
Uma coisa que me incomoda hoje é que o pessoal fala muito que tem que ter o hacker, o hamster, o hipster, e tem que ter o influencer. Isso é uma coisa boa, mas vamos deixar isso para discutir em outro episódio, porque acho que essa discussão a gente vai longe nela. Vamos ficar na nossa pauta aqui, que aliás eu sempre lembro, se qualquer ouvinte que entrar no nosso site vai ter acesso às notas na íntegra do que a gente discute aqui no nosso podcast.
Então, então, uma biblioteca, se é que eu posso falar dessa maneira, super rica de conteúdo à disposição lá para todo mundo consultar. Mas o nosso primeiro tópico aqui Rodrigo, eu queria falar do Paul Graham. Paul Graham, ele é um cara que eu acompanho há muito tempo, fundador da Y Combinator, que é a maior aceleradora de startups do mundo. Eu cheguei a conhecer o Paul Graham em 2010, então já faz um tempo. A Y Combinator foi criada em 2005 e ele, de vira e mexe, ele publica uns textos.
Teve um texto de 2013 que ele publicou que virou praticamente o manual das startups daquela época, de 2013 até 2020. 2020, 2021, 2022, que era um artigo no blog dele que era Do Things That Don't Scale, que é para você fazer coisas que não escalam antes de escalar. E ele conta a história, a mentoria que ele deu para os fundadores do Airbnb. Aliás, algumas empresas que passaram pelo Y Combinator, tá? Airbnb, Dropbox, a Stripe, que é uma das maiores empresas privadas do mundo hoje, o Reddit.
Então assim, o Paul Graham, ele tem histórico, ele tem bagagem. E nesse texto de 2013 que ele falou do Things That Don't Scale, ele falava: olha, eu virei para o Brian Chesky lá, que é um dos fundadores do Airbnb, e ele era designer, ele não sei o quê. E eu falei: cara, você tem que pegar, você tem que ir na casa dos seus clientes, tirar as melhores fotos do mundo, fotos profissionais, Porque para chamar atenção, para as pessoas poderem alugar um Airbnb.
E daí ele, o Brian, aliás, o Brian, não foi o Brian, foi o Joe Gebber, que é o sócio do Brian. Ele foi no Cubo em 2016, ele contou essa história para gente ao vivo lá no Cubo, que é um dos fundadores do Airbnb também. E daí eles falaram, olha, mas não dá para a gente ir lá na casa dos clientes tirar foto, é muita casa. E daí o Paul Graham falou: do things that don't scale. Se você quer mudar cultura, se você quer fazer algo novo, se você quer desafiar o status quo, você tem que ir lá arregaçar as mangas.
Você como empreendedor, você tem que, você mesmo tem que fazer para depois você escalar uma vez que aquilo que você tá fazendo, aquele conceito foi provado. E é uma verdade, né? O Airbnb hoje ele é praticamente onipresente no mundo. Eu lembro que quando o Joe foi lá no Cubo, ele falou que a mudança cultural que Airbnb fez, ela é enorme. Porque o americano, e nós brasileiros também, sempre foi educado que stranger is danger, ou seja, o estranho, a pessoa estranha é perigosa.
E o conceito do Airbnb era você colocar uma pessoa estranha dentro da sua casa, muitas vezes com você morando na sua casa.
E é isso que eu ia falar, o Airbnb até começou, não era com a locação do imóvel total, né? Era a ideia, era pelo menos alugar um quarto na sua casa para alguém por uns dias, né? Era o bed and breakfast, né?
Exato. Então assim, é uma mudança enorme. Só que para as pessoas terem coragem de alugar casa de terceiro, a primeira coisa que eles fizeram foi tirar foto profissional daquelas casas de terceiro, que senão ninguém ia olhar o catálogo com fotos feias e ia se interessar em alugar uma casa. Tanto que hoje você entra no Airbnb, é uma foto mais bonita do que a outra, né? Inclusive tem umas que parecem que é ensaio de arquitetura, que é um negócio assim absolutamente incrível.
Mas enfim, esse foi o texto lá de 2013 que ele publicou, que é o Do Things That Don't Scale, faça coisas que não escalam antes de precisar escalar. E ele agora, em agosto, há poucos dias atrás, nessa semana, o Paul Graham publicou um texto que eu achei interessantíssimo para a gente trazer para nossa discussão, que é How Universities Should Prepare Founders. Ou seja, como as universidades devem preparar fundadores de empresas.
E o Paul Graham, como eu falei, ele tem bagagem para poder falar sobre esse assunto. Ele cofundou uma empresa lá em 1995. Em 2005, ele criou a Y Combinator, que foi aceleradora de empresas como Airbnb, Dropbox, Stripe e outros. E assim, é uma pessoa que tem um pragmatismo muito legal para falar. Qual que é o resumo desse texto dele? Que a universidade, ela existe para ensinar ideias poderosas. Fundar uma empresa, fundar uma startup, tem que ser uma opção acessível para os alunos, mas não pode ser o foco dos alunos.
Hoje em dia existe uma proliferação de universidades ensinando empreendedorismo, ensinando pessoas a virarem empreendedoras. O ponto do Paul Graham em que eu tendo a concordar muito é que você não precisa ensinar empreendedorismo, você precisa ensinar ideias poderosas, você precisa ensinar física super avançada, você precisa ensinar microbiologia, você precisa ensinar biotecnologia, que quando você tem um aluno que ele se desenvolve na academia e ele conhece aquele assunto a fundo, se ele souber que ele tem uma opção de abrir uma empresa, ele vai fazer.
Agora, se você simplesmente prepara empreendedores que daí vão buscar problemas a serem solucionados, será que esses empreendedores vão realmente mudar o mundo com aqueles problemas que eles acharem que eles não foram treinados para enxergar a fundo qual que é aquele problema e qual que é aquela solução. Eu achei super legal esse texto que ele lançou agora. Que que você acha, Rodrigo?
Cara, eu acho que ele tá absolutamente certo. Você sabe que eu tenho uma grande amiga aqui nos Estados Unidos que ela, ela sempre trabalhou com pedagogia, educação e tal, e ela foi passando, foi subindo assim o nível acadêmico dela. Começou com escola, depois foi para high school, E depois, agora ela tá trabalhando com universidades e tal, né, sempre na parte administrativa, ela não é professora. Mas ela, ela me apresentou para uma coisa que já existia fazia muito tempo, eu que não conhecia, que era o Project-Based Learning.
E isso falando de escola, né, de high school e middle school, né, o ensino médio aí brasileiro, e um pouquinho antes. E E cara, quando ela falou isso para mim, eu falei assim, gente, por que que eu não tive isso na escola, né? Porque o Project-Based Learning é uma coisa que você ensina a criança sempre baseada dentro de um contexto.
Desculpa, é uma coisa que a gente tá usando hoje para aprender AI, é uma coisa que todo mundo que tá usando AI de verdade tá usando, é Project-Based Learning. Não adianta você fazer um curso, você só aprende colocando a mão na massa.
Vai lá, desculpa. Exatamente. E cara, quando ela me apresentou isso, eu falei assim, gente, por que que eu não tive isso quando eu era moleque? Porque Cara, eu assim, eu sou um cara que eu já fui diagnosticado com ADD, apesar de que eu acho que eu não tenho o ADD, o transtorno de atenção. Todo mundo tem esse negócio hoje em dia, mas de qualquer forma, cara, eu sinto assim, na escola eu não conseguia prestar atenção na aula. Eu ia super bem nas provas, tal, sempre fui um bom aluno, nunca peguei recuperação nem nada, mas eu não conseguia prestar atenção na aula.
Eu super bagunçava na aula. Aí o que acontecia era o seguinte: meus pais eram chamados na escola porque eu bagunçava junto com os meus amigos. Meus amigos, alguns deles iam mal porque estavam bagunçando comigo, não prestando atenção. E eu não prestava atenção na aula, cara. Chegava 10, 15 minutos antes da prova, dá uma lida nas coisas lá, e eu ia bem no final. Assim, eu ia bem, mas de qualquer forma a aula não me, sabe, não me mantinha preso, né?
E hoje assim, eu sou um cara que eu sou muito autodidata, eu nunca parei de estudar a minha vida inteira, só que sempre dentro de um contexto, né? E quando essa minha amiga Nátaly, ela me apresentou o Project-Based Learning, a primeira coisa que eu falei para ela é assim: nossa, como eu gostaria de voltar no tempo para estudar de novo e estudar dentro dessa metodologia, né? Que eu acho que vai muito em linha com o que o Programa tá falando, porque é exatamente isso, é você sair um pouco do mundo teórico e molhar seu pezinho no mundo prático, entendeu?
É exatamente isso que o Project-Based Learning faz, né? Ele ensina o teórico com um contexto dentro do prático, mas o fato que você tá molhando o seu pé no mundo prático, né, faz com que você perca um pouco do medo até de fazer essa mudança do teórico para o prático, né. E hoje a gente tá vendo uma mudança tão radical em todos os segmentos da sociedade, do trabalho e tudo, que você não tem mais nem tempo de ficar no teórico teórico e depois você vai para o prático.
Acho que as duas coisas estão meio que coexistindo, que eu acho que é exatamente o que o Paul Graham tá falando. E eu também acho que a AI, ela tira um pouco da necessidade de você saber o teórico. É ela onde a AI falta capacidade, é exatamente no prático, porque a AI existe no mundo ali que é um mundo intangível, né? E a gente vive no mundo real. Então Você consegue manter o seu raciocínio junto com o teórico trabalhando com a AI, mas quando chega no prático, a AI precisa de ajuda, porque você que tá frente a frente dos problemas a serem resolvidos dentro do trabalho, e que você precisa saber traduzir isso junto com a AI para achar uma solução, né?
Eu acho que o programa tá no caminho absolutamente certo. E aqui, só para concluir meu argumento, Eu assisti uma entrevista essa semana com o Justin Sledge. O Justin Sledge, ele é, ele tem um canal no YouTube chamado Esotérica. Ele é um cara, um judeu de Nova York que comercializa livros antigos, livros raros, não é só livros antigos. Então ele, cara, ele tem livro lá que tem 3 cópias no mundo, sabe, esse tipo de coisa. E ele estuda muito ocultismo, misticismo, esse tipo de coisa.
E ele tava fazendo um ponto nessa entrevista dele falando o seguinte: Ele até falou do novo renascimento. Foi o primeiro cara que eu escutei falando desse novo renascimento aí que eu venho comentando nos últimos episódios. É o primeiro, tá? De verdade, assim, essa é uma ideia que tem me ocorrido muito e o Justin Sledge foi o primeiro cara que eu escutei falando uma coisa parecida. E ele fala uma coisa que é interessante. Ele fala que antigamente, século 16, 17, 15, tá?
Cara, por que que as universidades concentravam poder? Porque o livro não era uma, não era fácil você ter acesso a um livro, por mais que tinha já a mídia impressa na época, não era extremamente fácil você ter acesso. Então as pessoas entravam na universidade para ter acesso à biblioteca da universidade no final do dia, tá? Era isso, que o conhecimento se concentrava lá dentro, né? E o que tá acontecendo hoje em dia é que as universidades estão perdendo um pouco do poder Porque óbvio que mudou muito do século 16, século 15 para cá, mas de qualquer forma elas estão perdendo mais ainda esse status quo de manter o conhecimento, né?
Porque hoje em dia com YouTube, cara, você tem acesso a excelentes professores, né, que não precisam estar mais dando, lecionando aulas físicas dentro de uma universidade, Harvard, você tem acesso ao mesmo cara que dá aula em Harvard. Às vezes ele tem um canal no YouTube e você, se for autodidata, tiver força de vontade de ir lá assistir, aprender, absorver, né, cara, você consegue. E aí, de novo, para voltar para o ponto do Paul Graham, isso faz com que a experiência prática seja mais importante ainda, porque o teórico ficou um pouco banal.
Entendeu? Ficou muito fácil de você acessar o teórico e ter o conhecimento teórico, entendeu? Então acho que ele tá no caminho absolutamente.
E esses são exatamente os pontos que ele coloca no texto dele, que é muito legal, tá? Eu recomendo as pessoas lerem. Ele fala que, por exemplo, essas universidades que ficam ensinando empreendedorismo, fica fazendo competição de pitch, fica fazendo aquela, aquelas apresentações, você tá ensinando o aluno no final das contas a fazer PowerPoint. Eu brinco há 20 anos já que quem faz muito PowerPoint muitas vezes não tem nem power nem point.
Então assim, não é com PowerPoint que as pessoas vão mudar o mundo, não é com slide que vai, que vai fazer as coisas. Quem vai mudar o mundo é quem vai descobrir uma molécula que vai curar o câncer e daí vai fazer uma startup, vai fazer uma empresa para colocar aquilo no mercado. Quem vai mudar o mundo é quem vai criar um robô que vai fazer com que pessoas que estão paraplégicas elas consigam andar. De novo. Então assim, são outras coisas que vão mudar o mundo de verdade.
Olha que legal o que ele fala lá no texto, que a motivação de criar algo novo pode gerar aprendizagem mais profunda do que o medo de uma prova. Olha isso! E não é verdade? Motivação de você criar é muito mais incrível do que o medo de você fazer uma prova. E outra coisa que ele que ele fala: uma startup não vem com professor ou chefe dizendo o próximo passo. Então assim, não é assim que funciona. Você tem que ficar obcecado pela solução daquele problema.
Uma vez que você é obcecado pela solução daquele problema, você vai arregaçar as mangas e vai fazer. E uma dica que ele passa para as universidades é que elas têm que dar muito tempo livre para os alunos. Porque ele até usa como exemplo a própria Microsoft e a Meta, que são duas empresas que foram criadas em Harvard pelo Bill Gates e pelo Mark Zuckerberg no tempo livre. Em Harvard, vou contar um pouco dessa história que é legal, eles têm o reading period, que é o período da leitura, né, que é como se fosse a semana de prova.
Daí fica todo mundo lá, uma semana, duas semanas, não sei direito quanto tempo que é, E em teoria é aquela semana que fica só estudando. Só que os alunos, muitos alunos não conseguem ficar estudando 24 horas por dia. Foi lá que o Marcos do Quebec começou a fazer os experimentos dele, foi lá que o Bill Gates começou a fazer os experimentos dele. E ele defende, o Paul Graham, que as universidades têm que dar muito tempo livre e um ambiente bom, porque é um ambiente de troca de ideias.
Então você tá no ambiente que você pode trocar ideias com pessoas inteligentes a toda hora. E se você tiver tempo livre, você vai conseguir criar alguma coisa. Ele até fala, vai ter gente que vai desperdiçar esse tempo livre, como em qualquer lugar, só que vai ter uns 10% lá que em vez de desperdiçar esse tempo livre vai transformar esse tempo livre em algo que pode mudar o mundo. Eu vou dar até um caso pessoal, Rodrigo, e acho que está acontecendo com você.
A gente hoje Tanto você quanto eu, a gente tá transformando o nosso tempo livre, se é que eu posso chamar dessa maneira, em tempo de estudo, em tempo de fazer projeto, em tempo de fazer projeto pessoal que talvez uma hora pode virar um projeto profissional. E tudo isso liga com aquilo que a gente fala aqui no nosso podcast bastante, que é do IC, né, do Índice de Curiosidade. É aquele tempo livre, entre aspas, que a gente não transforma em tempo livre, mas que transforma em tempo útil para a gente entender o que tá acontecendo no mundo.
É, e é engraçado que escutando você falar também, e esse texto do Paul Graham aí, só me faz pensar que existem necessidades diferentes hoje para o profissional. E aqui, quando eu falo profissional, às vezes a primeira coisa que vem na minha cabeça é o cara do mundo corporativo, né? Os meus amigos, por exemplo, íntimos assim, são todos desse mundo corporativo, tá? A maioria deles, nenhum é é maluco com uma garagem que gosta de ficar fazendo experimento e monta coisa, solda, faz.
Não, são todos desse mundo corporativo. Mas o tipo de profissional que eu tô falando é o geral, tá? Não é somente esse cara do mundo corporativo. Mas fica evidente para mim como tá aparecendo a necessidade de um perfil diferente no trabalho, né? Porque se você fica, o mundo atual corporativo Blue collar, como eles dão, white collar, Estados Unidos, é uma coisa muito dentro do reino do teórico, né? Uma coisa que você vem, você tem uma carreira, você se forma na faculdade, faz um MBA, e tudo aquilo carrega uma bagagem teórica que aí então você vai aplicar isso no mundo real com problemas práticos, né?
Agora a gente tá vendo uma inversão disso. Você tem pessoas que têm esse índice de curiosidade muito mais desenvolvido e que antes não tinham acesso às mesmas informações, porque às vezes não tinham nem acesso às mesmas instituições de ensino. Hoje, com inteligência artificial, você tem acesso à informação, a solução de problema na palma da mão ali. E então você cria a necessidade de existir um outro profissional, um cara que seja mais direcionado a solucionar essas coisas do ponto de vista curioso e prático, né?
Acho que a junção das duas coisas aí É muito importante. E assim, Pipas, todos os grandes visionários que passam pela minha cabeça eram pessoas assim, eram pessoas que muitas vezes não queriam nem saber muito do mundo teórico, você entendeu? Os caras saíam da faculdade, entendeu? Não tinham às vezes a formação técnica necessária, mas quando chegavam para resolver os problemas práticos, os caras conseguiam resolver. Eu já falei algumas vezes aqui sobre o aviador, me fugiu o nome dele agora, o Hughes, Howard Hughes.
O Howard Hughes é um excelente exemplo, cara. Ele não era formado em engenharia aeronáutica, mas ele era um cara que ele tinha uma visão. Eu acho que ele conseguia enxergar as aeronaves na mente dele, falava assim, não, eu acho que se eu fizer isso aqui, eu acho que vai dar certo. E ele era um cara extremamente prático e hands-on, entendeu? Ele ia lá, ele falava assim, não, eu vou testar o avião. Ele ia testar, ele era o piloto de teste.
Aí quando ele testava o avião, ele voltava para os engenheiros dele e falava assim: olha, aqui não tá legal, ele tá agindo dessa forma, agindo daquela outra forma. Os engenheiros é que pegavam esse conhecimento prático que ele tinha acabado de vivenciar e traduziam aquilo em engenharia. Mas quem virava e falava isso para eles era o Howard Hughes, e ele tinha essa capacidade de entender o que que tava acontecendo com a máquina de uma perspectiva um pouco mais intuitiva, né?
Então enfim, eu acho que tá, ele tá absolutamente certo, tá surgindo a necessidade de um profissional diferente. E aqui eu vou um pouco além também, para competir com a China a gente vai ter que ter esse tipo de atitude, entendeu? De tentar solucionar as coisas e achar solução criativa e ser um pouco mais sair um pouco do blue collar. Acho que esse é o problema, sair um pouco do escritório, entendeu? Tentar resolver as coisas no mundo real.
Eu acho que isso é a grande diferença. E a China, por exemplo, a China forma engenheiro, né? A China tá dando certo porque é um país construído por engenheiros.
E não só a China, né? Eu queria comentar um pouco do Brasil também, porque tem uma diferença na educação entre o Brasil, Estados Unidos e a China também, que ela é É tão distante que eu não sei nem qualificar. O estudante das grandes universidades nos Estados Unidos, ele é um estudante tempo integral. Aqui no Brasil, eu não conheço ninguém que foi estudante tempo integral, que tá lá para estudar, porque a pessoa estuda, trabalha, faz não sei o quê.
Porque assim, se você tem um estudante que precisa do emprego, tem insegurança financeira, não é a mesma oportunidade de uma pessoa que tá lá estudando para resolver um problema do mundo. Então assim, tem uma questão estrutural que a gente fala muito, que o— daí eu vou usar o jargão, e você me perdoa, eu vou ter que usar— que o Brasil é o país do futuro que nunca chega, né? Que é difícil esse futuro chegar se a gente não mudar isso.
E dá para mudar, porque você tem, por exemplo, você tem uma— você tem fundações que estão investindo muito em educação aqui, que pode— que podem pegar o melhor aluno e falar: você vai ser estudante em tempo integral e você vai estudar ou no Brasil ou nos Estados Unidos. Você tem a própria Fundação Estudar que ela faz o funding, ela patrocina os melhores alunos, muitas vezes com alunos que tinham insegurança financeira, para que eles possam cursar as melhores universidades do mundo.
E eles colecionam casos de sucesso. Então acho que assim, como iniciativa do Brasil, se o Brasil quiser mudar de patamar, ele deveria estar aplicando muito mais dinheiro nisso do que em fundo eleitoral. Você me desculpa, Rodrigo, é que eu tô aqui no Brasil essa semana e daí começou propaganda política. Cara, você não sabe que perda, que assim, como é dinheiro jogado no lixo.
Nossa, mas enfim, isso mais, cara. Mas você sabe que você tava falando aqui, me lembrou o começo da minha carreira. Eu não peguei essa lei do estágio, né? Hoje em dia é normal, mas eu não peguei essa lei do estágio. Eu saía da— eu entrava no trabalho às 9, saía do trabalho, estágio, tá? Mas eu nem trabalho, era estágio. Entrava no estágio às 9, 8 e pouco, e eu saía do estágio umas 6, 6 e pouco, para ir para faculdade à noite. Eu chegava em casa 11:30, meia-noite, assim, eu não tinha tempo para nada.
Foi uma das piores épocas da minha vida. Eu não tinha nem tempo de fazer as coisas que eu gostava, que era ficar no computador, jogar videogame, ficar com os meus amigos até. Eu não tinha tempo de fazer nada. E não era só eu, né? A maioria dos meus amigos também tava na mesma situação. Mas a ideia na época era que se você não conseguir um estágio no seu segundo ano de faculdade, ficava muito mais difícil de você depois sair da faculdade empregado, porque você não tinha experiência.
Mas quando eu fui fazer meu primeiro estágio, para mim tinha ficado assim, eu já jovem já tinha conseguido enxergar isso, que, cara, o estágio para o empregador era muito fácil, que o cara pagava nada. Eu ganhava menos de R$1.000 por mês na época para ser estagiário. Só que, cara, eu fazia um trabalho lá das 9 às 6 da manhã, às 6 da tarde, entendeu? Então eu trabalhava como um profissional normal lá dentro, fazia um trabalho que tudo bem não era não tomava decisão, não era um trabalho estratégico, não era nada disso, mas era um trabalho que tinha que ser feito, né?
E honestamente, eu não sei se esses meus primeiros anos de estágio me deram tanta experiência assim que valeram a pena todas essas horas que eu me dediquei. A lei do estágio entrou logo depois que eu me formei na faculdade, então eu nunca peguei esse estágio de poucas horas aí que a galera tem. Mas eu acho, eu sou super a favor de estudar em tempo integral, Eu acho que é no tempo livre que as grandes ideias aparecem. E se você pegar historicamente, é muito interessante.
Eu não sei quem foi, se foi o Isaac Newton, cara, um desses grandes pensadores aí da história, que as principais ideias que ele teve foi durante uma pandemia muito séria na Europa, em que o cara se isolou no interior da Inglaterra, se eu não me engano, e, cara, ficou preso lá na casa dele, as coisas para fazerem. Mas foi lá que apareceu o grande trabalho, o magnum opus dele apareceu durante esse momento. E se você pegar historicamente grandes pensadores e pegar o magnum opus desses caras, geralmente aparece num momento muito semelhante, de em que o cara tem muito tempo livre, porque ele tem tempo para contemplação.
Acho que essa palavra é chave: contemplar. A gente vive num mundo que não permite a gente contemplar. Parar para pensar, né? A tradução seria essa: parar para pensar. A gente vive num mundo que a gente tá sempre constantemente bombardeado por diferentes coisas exigindo coisas de nós. Mas, cara, para você ter ideias e você raciocinar suas ideias, você precisa de tempo de contemplação, definitivamente. E eu acho que o tempo livre é que o estudante precisa ter, é uma junção aí de contemplação com mão na massa, né, que com experimentação, coisa que realmente no Brasil com a cultura, pelo menos que eu vivi de estagiário, era inexistente. Eu imagino que hoje não seja muito diferente também.
Eu adorei esse negócio que você falou, contemplação com experimentação. Adorei. Acho que a gente tem que explorar mais isso também. Vou até falar dessa maneira, que depois nosso bot de produção do nosso podcast ele pega esse assunto E vamos falar sobre isso.
Mas, Rodrigo, gravado, né? Porque também depois eu esqueço as coisas que eu falei. Mas é isso, é realidade, é isso.
Vamos, vamos mudar de tópico aqui, porque essa semana foi a semana dos textos importantes. Então a gente acabou de falar de um artigo que o Paul Graham, ele publicou, e teve um outro artigo publicado nessa semana também, né, durante essa semana, que o Bill Gates publicou. Bill Gates, eu acho que ele não precisa de apresentações, fundador da Microsoft, uma das pessoas mais influentes do mundo. Ele passou décadas dizendo que o software ele iria ampliar a capacidade humana, e ele mudou um pouco o tom nesse, nesse paper que ele publicou.
Ele tá fazendo um alerta super desconfortável: a AI, a inteligência artificial, não é só mais uma ferramenta melhor, é a primeira tecnologia capaz de substituir e superar. Olha, substituir e superar parte da cognição humana. E não é só isso, ele roda nos dispositivos que a gente já tem, já usa, e a AI pode usar os mesmos dispositivos com a mesma linguagem humana, e ele pode ser treinado pelo mesmo método de treinamento do ser humano.
Então assim, ele é uma É um desenho onde a gente tem que se comportar de uma maneira diferente. Para o Bill Gates, isso quebra aquela analogia confortável que a mecanização da agricultura ou a chegada do computador pessoal, ele trouxe produtividade. Porque não é só mecanização daquilo que existe, a gente tá falando de cognição, a gente tá falando de usar os dispositivos, a gente tá falando de ser mais inteligente do que o ser humano no dia a dia.
Mesmo aquelas transições da agricultura, dos computadores, eles levaram gerações para que a gente absorvesse como humanidade e abriram muitas novas ocupações que ainda dependiam do pensamento humano. Só que essa mudança que tá acontecendo agora, ela atravessa muitas áreas do conhecimento. Ela atravessa o direito, atendimento, medicina, software, manufatura, e trabalho físico, que o problema não é só a gente perder vaga, é desmontar uma economia na qual há emprego, distribui renda, dignidade, rotina das pessoas e conexão social.
E é um texto que é super interessante da gente ler. Rodrigo, você chegou a— o que que você viu desse texto quando você soube que o Bill Gates tinha publicado nessa semana ele?
Cara, eu li o texto e assisti algumas entrevistas também que ele deu falando a respeito desse texto, entrevistas inclusive longas, que se a galera também tiver preguiça de ler, coisa que eu acho um absurdo, não tenham, tá? Assistam também as entrevistas que também são muito boas.
Deixa, desculpa, desculpa te cortar antes de você continuar a resposta. Gente, se você tá escutando a gente até aqui em mais de 34 minutos de bate-papo, eu acho que você é uma pessoa que tem um índice de curiosidade elevado. Você deve conhecer muita gente que não tem. Tenta abrir os olhos dessas pessoas, porque assim, a gente tá no momento de transição da humanidade, que se a gente não souber discutir de forma intelectual esse processo de transição, a gente vai ser atropelado por ele.
E só por discutir esse processo de transição de forma intelectual, que é o que eu faço com o Rodrigo aqui toda semana, e com as pessoas que eu encontro, tal, Isso abre uma visão de oportunidade de como que eu, como que o Rodrigo tem que atuar nesse novo mundo. Então fica a dica. Mas desculpa, Rodrigo, vai lá.
Imagina. Mas enfim, cara, eu li esse argumento aí do Bill Gates. Eu confesso que isso ficou na minha cabeça a semana inteira, porque o Bill Gates, cara, é um cara que obviamente Não só eu, mas muita gente escuta muito ele, né? Ele tem uma opinião muito respeitada no mundo inteiro, tanto que agora o trabalho dele é falar com líderes internacionais. Ele até fala no paper que agora ele vai transicionar para ficar, falar, desculpa, ele fala que ele vai ocupar a maioria do tempo dele falando com líderes internacionais a respeito de inteligência artificial, coisa que não tava dentro do escopo do que ele gostaria de fazer antes, pelo menos dessa carta aí que ele escreveu.
Deixa eu abrir um parênteses aqui, desculpa te cortar também. O Bill Gates, quando ele saiu da Microsoft em 2008, ele abriu a Bill e Melinda Gates Foundation, que é uma fundação de filantropia, e ele prometeu que ele ia acabar com grandes mazelas da humanidade. Uma das primeiras mazelas que ele pegou foi a malária. Que é uma doença que mata milhões de pessoas, principalmente nos países com mais vulnerabilidade. E ele tá, e ele ajudou a gente avançar muito no tratamento da malária.
Ele também pegou a questão de água potável, ele pegou também a questão de saneamento básico, ele pegou várias coisas que são latentes da humanidade. E a mudança desse paper é que pela primeira vez ele viu na AI um desafio existencial. Essa que é a, que é o resumo. E que como ele tá usando o dinheiro acumulado por ele em vida para resolver os grandes problemas da humanidade, ele falou: eu tenho que começar agora a usar meu dinheiro, poder, influência para direcionar a humanidade da melhor maneira, para que esse desafio existencial ele seja diminuído de alguma forma.
Então assim, é Eu não sei a palavra para qualificar, mas é um momento da história legal, é um privilégio a gente tá agora. Desculpa, Rodrigo, só quis abrir os parênteses.
É um momento interessante, essa carta dele vem no momento perfeito assim. E de novo, essa mudança um pouco de posicionamento que o Bill Gates tem perante a AI, acho que chama muita atenção, né? E assim, eu confesso que isso ficou comigo a semana inteira, eu fiquei contemplando essa carta aí, essa opinião do Bill Gates a semana inteira, o que que isso significa e a visão que ele tem, né? Ele tem, ele coloca uma visão lá até um pouco sombria, mas bem realista, tá?
Porque eu acho que é realmente o que a gente tá enfrentando. O que falta, e é justamente, eu acho que é isso que ele tá tentando trazer à tona com essa voz poderosa que ele tem, é a discussão aberta dos problemas que isso vai causar. Né? A gente fala muito aqui da velocidade da mudança e a rapidez com que as coisas estão chegando, né? A distribuição ficou muito fácil. A gente já falou isso em outros episódios também atrás, mas diferente da Revolução Industrial, que, cara, para a Revolução Industrial chegar significava, cara, montar as máquinas, tinham que importar as máquinas, construir as máquinas, construir as fábricas e tal.
Hoje em dia a distribuição da AI é instantânea. E é o que ele falou, roda nos devices que a gente já tem, roda nos computadores que a gente já possui, na infraestrutura que a gente já possui. Então é uma mudança que ela chega instantaneamente. No momento que os grandes laboratórios aí lançam um modelo mais poderoso, que é capaz de realizar uma tarefa que ele não fazia antes, a distribuição é instantânea. Todo mundo que é assinante desses produtos tem lá acesso ao modelo e essa habilidade nova instantânea.
E ele fala umas coisas interessantes, né? Ele fala preservar certos trabalhos humanos Isso acho que ficou mais na minha cabeça assim, porque sim, eu acho que existem trabalhos que a gente tem que outsource para máquina, tá? Especialmente coisa chata, né? Eu acho que você conhece algum contador que tem a paixão pelo trabalho dele? Não, né? Acho que o cara é contador porque—
não fala isso, eu conheço, eu juro que eu conheço.
Eu não conheço, entendeu? Porque é uma coisa extremamente mecânica, né? Eu acho que esse tipo de trabalho, tá bom, meu, vamos outsource para máquina e e liberar este ser humano para fazer outra coisa. Porque ser contador, eu imagino, deva ser uma coisa muito chata. E assim, eu acho que a AI é feita para cuidar desses trabalhos. Agora, tem outros trabalhos que são intrinsecamente humanos, né? Ele até fala de childcare, né, de cuidar de criança.
Ele inclusive, ele junta também AI com robótica, tá? Então não é só AI Ele fala que AI tá aí 2 anos de ter uma grande revolução e robótica mais uns 5, né? E quando ele fala de childcare, juntando os dois, né, colocando um robô para cuidar das crianças, cara, eu não sei se é isso. Não, na minha cabeça não. Calma aí, cuidar da próxima geração é uma coisa que pertence a nós como seres humanos, entendeu? A gente não deveria outsource isso para máquina.
E esse é um dos exemplos que ele usa como human reserve jobs, né? E eu acho que esses human reserve jobs, eles, eles tendem a ser mais importantes quando eles são ligados à natureza da existência humana. E de novo, cuidar de uma criança é ligado à existência da natureza humana. Talvez o cara que é contador e trabalha o dia inteiro e só tem meia hora para ficar com o filho dele, passa esse trabalho para AI, entendeu? E ele tem mais tempo para ficar com filho dele, porque talvez essa seja a verdadeira missão dele aqui na Terra, entendeu?
Enfim, cara, foi uma coisa que me fez refletir muito essa semana aí, esse paper do Bill Gates.
Mas deixa eu pegar esse ponto, que esse ponto a gente tem que reforçar, tá? Que esse ponto é a parte mais provocadora do artigo do Bill Gates, é o que ele propõe criar a categoria chamada Human Reserved, ou seja, reservado a humanos. É como se a gente tivesse, colocasse, sei lá, uma etiqueta Esse trabalho é reservado a humanos, esse aí pode fazer. Esse trabalho é reservado a humanos, esse aí pode fazer. E ele quer que os governos, que exista legislação em relação a isso.
E eu tendo a concordar com ele, ele fala que assim, tem tarefas que a sociedade tem que decidir manter para humanos, human reserved, reservado a humanos, mesmo quando a máquina conseguir executá-las. Ele deu alguns exemplos. Você vai dar um diagnóstico terminal para alguém? Ah, você tem câncer avançado, você vai morrer daqui a 6 meses. Cara, não é legal uma máquina dar um negócio desse. Você vai cuidar de uma pessoa vulnerável?
Você vai fazer educação? Você vai cuidar de uma criança que nem você tava falando? Você vai prestar apoio psicológico? Por mais que exista eficiência técnica na AI, pode ser que nós como humanos a gente decida não usar eficiência técnica e usar o humano para ter, para ter aquela interação. Eu achei o conceito super bacana.
Vai lá, desculpa, fala aí, fala aí, imagina.
Não, eu achei o conceito super, super legal. E assim, é algo que você para para pensar, porque a gente que trabalha com AI todo dia, cara, a gente tá chegando no nível— eu tô falando a gente, Rodrigo, daí você me corrija se você não concordar. Mas a gente tá chegando no nível que parece que tudo dá para ser automatizado com AI. Tudo, tudo, tudo, tudo. Assim que é, ao mesmo tempo é incrível e ao mesmo tempo é assustador você falar: não, vamos parar então para pensar, vamos respirar e vamos começar a colocar umas etiquetas que isso é human reserved, isso é reservado a humanos. Se todo mundo topar, talvez dê certo.
100%, cara, eu concordo com você 100%. Você sabe que eu tenho um cliente que eu fiz a implementação de agente lá no business dele, e, cara, o cara adorou assim. Ele tá, ele virou para mim e falou assim, cara, eu posso dar acesso a tudo? Eu falei assim, como assim tudo? Ele falou, não, eu quero que a AI tenha acesso a tudo, conta bancária, contabilidade, QuickBooks, tudo. Eu falei, não, tá, Sim, mas não, né, ao mesmo tempo. Vamos, vamos com calma, vamos em etapas.
Eu automatizei muita coisa do back office dele lá, né. Ele tinha muito trabalho processual e documental que ele precisava fazer, e a gente automatizou boa parte disso. E aí ele veio para mim e falou assim, Rodrigo, eu quero que tenha uma assistente virtual aqui atendendo o telefone, né, de novos prospects, novos clientes que ligam aqui no escritório pedindo coisa. Aí eu virei para ele e falei assim: Mike, você tem certeza que você quer automatizar isso?
Tem certeza? Porque eu pessoalmente eu não quero falar com uma máquina. Se eu tô perdendo meu tempo para ligar para um escritório, tá, para ligar para empresa, é porque eu quero falar com um ser humano. Eu não quero falar com uma máquina, né? E assim, você tá falando da coisa mais importante do seu business, que são os clientes. E se liga, importante, entendeu? A máquina não vai ter a sensibilidade de falar do jeito certo com esse cliente e você perde um lead, entendeu?
E eu meio que contornei o cara. Eu acho que esse é um excelente exemplo um pouco mais prático e de hoje, né? Não é uma coisa que a gente tá falando de 2, 3, 4, 5 anos no futuro, em que eu não gosto de automatizar. Eu tenho muitos clientes que pedem para mim para automatizar a parte de vendas deles. E eu falo assim, cara, eu não vou automatizar isso para você. E eu dou esse exemplo, eu falo, cara, o cliente é a principal peça do seu negócio.
Você tem certeza que você quer botar isso na mão da máquina? Cara, atende você o cliente. Aliás, é você que deveria estar atendendo o telefone no seu escritório, entendeu? E falando com seus clientes, né? Então assim, acho que é um exemplo perfeito. E obviamente que existem outros trabalhos que vão além só dessa importância do cliente e tal, que são muito mais humanos. Como você falou do médico que precisa dar, e com certeza esse médico vai estar assistido by AI, né?
Agora, na hora de ir lá interagir com outro ser humano, ele precisa ser humano, né? Entendeu? Childcare também é outro. Eu até vou um pouco mais além, eu acho até que em guerra, no combate, se você tem isso, é uma coisa que já vem acontecendo há muitos anos, tá? Mas antes, cara, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, cara, você olhava o inimigo nos olhos, você sabia em quem que você tava atirando. Hoje em dia não. Hoje em dia o inimigo virou um quadradinho dentro de uma tela, entendeu?
Seja dentro do tanque de guerra, seja dentro do drone, o que quer que seja, ele virou um quadradinho numa tela. Então você desumaniza o combate, né? Se é que a gente pode falar isso, mas você desumaniza o combate. Então você tira um pouco essa, essa empatia que existe de humano para humano, entendeu? Existe um capítulo interessantíssimo na Primeira Guerra Mundial que os dois lados pararam durante o Natal, pararam o combate e fizeram um jogo de futebol, se eu não me engano.
Entre os dois lados, alemães e britânicos. Os caras, eu não sei se era britânico ou francês, eles pararam, jogaram futebol, beberam vinho, beberam cerveja, e cada um voltou para sua trincheira. No dia seguinte estavam trocando tiro também. Mas mostra esse lado humano que existe dentro de todos nós, entendeu? E que se você tá preso dentro de uma telinha, você nunca vai conseguir enxergar o seu inimigo como outro ser humano. Você desumaniza a pessoa.
E óbvio que isso é uma tática que os próprios militares usam para que os soldados, né, realmente não vejam o inimigo como um outro ser humano. Mas de novo, isso vai piorar, vai aumentar, né? E eu acho que para outros trabalhos na sociedade você precisa ter essa empatia. Vou falar outra coisa, policial também. Eu não sei se deveria existir robô policial. Uma coisa é fazer patrulha, Entendeu? Uma coisa é colocar aquele robô da Boston Dynamics para fazer patrulha do seu perímetro do warehouse da Amazon.
Cara, o robozinho vai ficar passando lá, vai ver se tem alguém, não sei o quê. Mas, cara, o robozinho não deveria tomar decisão de dar tiro, entendeu? Prender o cara, sabe? Não, isso é uma coisa que depende do humano, porque o humano consegue entender o que é ser humano. No final do dia e aplicar essa empatia, né? Enfim, realmente esse é o ponto principal do paper dele, o que mais ficou comigo desse paper e me fez pensar quais são esses trabalhos, entendeu? Quais são, quais vão ser os trabalhos, né?
Ele pega não só os trabalhos que precisa de empatia, mas, por exemplo, qualquer trabalho. Você pega os trabalhos na indústria, você pega o trabalho na na indústria, indústria de transformação, na indústria de serviços. Hoje o sistema, do jeito que ele funciona, ele empurra as empresas para substituição do trabalho por automação. Que assim, o que o Bill Gates ele defende também no paper dele, ele defende impostos sobre os tokens de AI e sobre os robôs.
Você imagina que hoje você contratar uma pessoa para uma fábrica ou contratar uma pessoa para trabalhar para você com serviço Você paga encargo, encargo trabalhista. Aqui no Brasil, uma pessoa que ganha R$10 mil, ela vai custar quase R$20 mil para empresa. O sistema tributário, sistema de contratação que foi feito lá na década de 40 aqui no Brasil, na leitura do Bill Gates, ele empurra todas as empresas para substituição do trabalho por automação.
Então assim, essa discussão ela é muito mais abrangente, porque se a gente vai automatizar não só porque é mais eficiente, mas porque é muito mais barato, porque não tem encargo, Não tem encargo trabalhista. Então é, será que a gente quer permitir essa substituição, essa automação? O Bill Gates, ele fala no paper dele que a gente vai ter que escolher qual ineficiência humana a gente está disposto a proteger. E quem vai pagar pela transição da ineficiência humana para eficiência da máquina? É um conceito super poderoso.
Super poderoso. E você sabe que numa dessas entrevistas que eu vi com ele, a jornalista faz uma pergunta muito provocadora para ele. Ela fala assim: mas o que você tá me falando não me parece ser o capitalismo que a gente vive hoje em dia, né? Claramente ela tava colocando em xeque ali. É exatamente isso. Quando você olha para o tipo de solução que está sendo imaginada, não é nem proposta, está sendo imaginada para os problemas que a gente já está conseguindo enxergar que vão aparecer nos próximos anos, Cara, nenhuma dessas coisas encaixa muito bem com a nossa, com o nosso modelo econômico atual, entendeu?
Capitalista. Você deu um exemplo muito prático aí do imposto, cara. Se você tem os empresários automatizando a grande parte dos trabalhos humanos que coletavam imposto em cima do salário e todas as outras coisas, e aí o governo tá deixando de coletar esse imposto? E essa pessoa que perdeu emprego vai viver do quê?
Entendeu?
Eu não sei se vai ter empregos protegidos aí para absolutamente todo mundo. Eu acho que não. E aí eu volto a falar um pouco desse novo renascimento, que eu acho que é uma visão mais positiva e menos apocalíptica desse futuro que a gente tá prestes a a enfrentar e viver, a vivenciar exatamente com inteligência artificial, com automação de trabalho, em que você tem uma grande parcela da população que está lidando com coisas que são absolutamente humanas na essência do que é ser humano, né?
E foi exatamente isso que o Renascimento trouxe. O Renascimento fez com que o ser humano olhasse para dentro e pensasse o que que me faz ser humano, né? E aí isso se desdobrou em diversas coisas diferentes: arte, música, uma explosão de conhecimento e novas técnicas, novas coisas que apareceram do Renascimento. O próprio Da Vinci viveu nessa época e foi, ele é um fruto 100% dessa, dessa revolução renascentista que aconteceu no século 15, né?
E talvez com as pessoas com o tempo livre para exercer mais o papel da experiência humana, né, a gente realmente esteja caminhando para um novo renascimento. Agora, uma coisa que o Justin Slade falou na entrevista dele sobre o renascimento, ele falou assim: o renascimento no século 15, ele não simplesmente aconteceu, ele não aconteceu, não foi uma coisa ao acaso. As pessoas que estavam envolvidas nesse momento da história, elas conscientemente falaram assim: opa, pera aí, o que funcionava até agora não está funcionando mais, a gente tem que pensar num mundo diferente.
E conscientemente elas direcionaram o mundo para o que a gente chama hoje de Renascimento do século 15. E outra coisa que ele trouxe também que eu achei muito interessante foi o seguinte: o Renascimento não tinha um líder, não existia um líder que era o líder do Renascimento, entendeu? O cara que carregou essa bandeira. Não, foi um grupo de pessoas. Isso só conseguiu acontecer no século 15 porque as pessoas estavam abertas à discussão intelectual sem preconceito, né?
Foi uma época em que a Igreja perdeu um pouco, um um pouco, porque eles eram muito poderosos nessa época, obviamente, um pouco de poder dentro dessas discussões. E algumas dessas discussões aconteciam a portas fechadas, né, sociedade oculta, esse tipo de sociedade secreta. Mas de qualquer forma, a discussão intelectual acontecia. E eu acho que isso volta um pouco também o que a gente tava falando aqui no começo do episódio, que é a gente tem que se permitir a ter— você até fez essa chamada aí para os nossos ouvintes para ter essas conversas com as pessoas, porque De novo, se esse novo mundo que a gente tá vivendo, e eu espero que a gente entre no mundo do novo renascimento e não um apocalipse, vai acontecer, a gente precisa ter uma discussão intelectual.
Esse é um ponto também intelectual em volta disso, né? Hoje em dia a discussão tá muito no âmbito online, que de novo desumaniza também a pessoa, e fica muito fácil você se esconder atrás da tela, né? Você não tem uma discussão intelectual ali com as pessoas no mundo digital, né? Mas isso precisa acontecer, senão a gente vai acabar caindo na visão apocalíptica de futuro e não na visão do novo renascimento.
Mas posso falar, Rodrigo, essa discussão vai ser tão difícil. Essa discussão do human reserve, por exemplo, você pega o exemplo clássico: ah, vamos proibir o Uber porque senão vai acabar com os táxis. É a mesma coisa. Táxi. E o táxi autônomo agora, que o que já tem o Waymo? A gente mora em Miami, a gente tá vendo Waymo para tudo quanto é lado, que é táxi sem motorista. Então assim, a Tesla vai lançar o Cybertruck. Então assim, a mesma discussão é qual que é o limite da automação.
E posso falar, no final das contas não tem muito limite, por mais que a gente tenta segurar essa discussão, ela vai embora. Vou te dar um outro exemplo, se for na discussão do human reserve, conhecendo como o pessoal gosta, que esse corporativismo aqui do Brasil, de outros países, ah, juiz não pode ser substituído por AI. Eu sou o primeiro cara que vou levantar a bandeira que juiz e advogado tinha que ser substituído por AI ontem, porque assim, não tem viés aí.
A decisão vai ser muito mais justa, na minha opinião, e eu tenho certeza que não é opinião de um monte de gente. Então assim, essa discussão vai ser tão tão difícil. Imagina a OAB aqui no Brasil, primeira coisa que eles vão colocar lá a etiqueta de human resource, reservado a humanos, vai ser em profissão de advogado. Só que daí alguém muito inteligente vai virar para a OAB e falar: amigo da OAB, ninguém precisa mais fazer seu exame, todo mundo já faz no ChatGPT todas as defesas, todos os ataques, tudo, blá blá blá blá. Então assim, essa discussão vai muito longe.
Não, e você sabe, até uma coisa engraçada que eu fiz num dos episódios passados aí, um comentário sobre a Lamborghini, né, que eu às vezes me questiono se coisas como essa deveriam de fato existir, porque consomem muitos recursos do planeta, tanto intelectual, energético, como de material, né? E o nosso robozinho pegou esse snippet aí, colocou lá no Instagram. E aí outro dia, um monte de gente comentou, nossa, um monte de gente comentou, cara, e uns comentários assim, nossa, mas você não sabe o que é isso, pô, pelo amor de Deus, você tá falando isso porque não tem dinheiro para ter uma Lamborghini e tal.
E eu, eu falei assim, cara, inclusive eu curti a maioria deles lá. E eu fiquei pensando, eu falei assim, cara, como, como é difícil ter uma discussão online, né? Porque eu tava trazendo um ponto que, cara, me dá sua opinião, não critica a minha, entendeu? E eu senti isso, as pessoas só estavam criticando a minha opinião sem falar um contra-argumento, entendeu? Do porquê que eu estava errado. Então assim, é um exemplo minúsculo, entendeu?
Porque eu também tenho certeza que nenhum daqueles caras que comentaram lá tinha uma Lamborghini na garagem para falar para mim com propriedade, fala assim: não, Rodrigo, realmente a Lamborghini aqui ocupa um espaço dentro da minha vida de extrema importância. Então mostra como é difícil você ter essa discussão. E alguns outros comentários que eu fiz aqui também, que eu fui depois, eu fui ver lá os comentários que tinham nos outros vídeos, cara, falando, ah, comunista de iPhone, esse tipo de coisa.
Então assim, fica uma discussão de um nível intelectual muito baixo, né? Quer dizer, a gente tá aqui tentando, e eu não tenho a solução. Eu muitas vezes eu tô falando do problema, mas eu também não tenho a solução, entendeu? Eu consigo enxergar algumas coisas, consigo enxergar alguns problemas, mas eu não tenho a resposta. E eu acho que ninguém tem a resposta para esse tipo de coisa.
Não, mas falta, falta, por exemplo, é isso, ninguém tem a resposta. Não, mas você tem um ponto, falta muito essa discussão intelectual. É muito mais fácil quando você tem baixo nível intelectual só atacar e o outro lado só defender. É o que acontece, é o que acontece quando você tem, por exemplo, debate entre políticos. Tem um programa que eu já vi nos Estados Unidos e que eu vi alguns, vi alguns clipes daqui do Brasil também, que você coloca uma pessoa no meio, umas 30 em volta, daí senta lá na mesa e discute alguma coisa.
Então, sei lá, é alguém que tem uma opinião completamente diferente dos outros 30. Assim, não tem uma discussão de ideias ou de direcionamento ou então de perspectivas. Tem ataque de um lado e ataque do outro. E é muito fraco, assim, para você muito honesto, dá preguiça esse tipo de coisa. E eu acho que a gente tem que elevar esse tipo de discussão.
Com certeza. Acho que é uma das, até podemos dizer que é uma das missões aqui do nosso podcast, porque a conversa aqui, pelo menos a troca que eu tenho com você seja aqui no podcast ou seja fora do podcast, sempre foi de um nível de discussão intelectual alto, né? E até eu digo mais, até tem um modelo de debate que eu vejo às vezes, acho que começou aqui nos Estados Unidos e no Brasil estão fazendo, em que eles põem uma pessoa no centro da roda e aí várias pessoas sentadas em volta dessa roda.
Esse exemplo que eu usei, sim, sim, é isso que eu falei.
Cara, isso, isso assim, as pessoas não estão, elas não estão debatendo o problema lá. Você vê nitidamente que elas estão atacando o indivíduo. E se você pega as regras de debate, filosoficamente falando, regra de debate socrático, esse tipo de coisa, você nunca ataca o interlocutor, né? Você ataca o argumento, mas você não ataca o interlocutor. Só que de novo, essas são coisas que você aprende a fazer. Você ter uma conversa intelectual, você aprende, você desenvolve, tá?
É uma, são técnicas, são habilidades que você desenvolve ao longo da vida. É escutar, é difícil. Para pensar nisso, escutar é difícil. Você ficar quieto e escutar o argumento de outra pessoa por 5, 10 minutos às vezes é difícil. E às vezes a gente tá escutando e na nossa própria cabeça a gente já tá formulando o nosso próprio argumento. Você não tá aberto para escutar o argumento da outra pessoa, né? Então, enfim, sim, momentos difíceis que a gente vai viver, mas se a gente como sociedade não se organizar para ter esse tipo de debate mais elevado, para ter esse tipo de conversa— e aqui eu acho que o convite que você fez para as pessoas que escutam a gente, eu acho que é super, super válido— e para ter essas conversas em casa com a esposa, com o marido, com os filhos, fazerem perguntas a respeito disso.
Você sabe que outro dia minha esposa aqui Eu adoro conversa assim mais cabeça, né? E outro dia a minha esposa sentou comigo no jantar, ela virou para mim e falou assim: você acha que a internet melhorou ou piorou a nossa vida? Cara, foi uma pergunta que abriu um leque de discussão entre eu e ela, entendeu? Muito interessante assim. E de novo, é esse tipo de coisa que leva a gente, né? Porque ela me expôs as ideias dela eu absorvi as ideias dela e muda um pouco as minhas depois de ser exposto às dela, entendeu?
Então eu acho que essa discussão, por menor que seja, não precisa trazer esse debate no Congresso. Eu acho que precisa, tá? Mas esse debate não precisa acontecer somente dentro desse âmbito, né, do Congresso, grandes organizações. Não, às vezes acontece na sua casa mesmo, entendeu? Para você poder mudar um pouco as ideias E eu acho que esse, esse paper do Bill Gates é uma grande provocação para isso, porque de novo, a mudança tá aí, já está acontecendo.
Ele falou mais 2 anos, Pri Paz, para, para, mais 5 para robótica. Cara, isso não é nada, nada.
O ponto é, enquanto a Revolução Industrial levou gerações, essa transformação da AI vai levar 10 anos do início até o fim, essa transição. Então é assim, mas Rodrigo, vamos lá. Para a gente terminar nosso episódio de hoje, vamos contar só uma anedota, mudar um tópico aqui, que vamos falar rapidinho disso, que daí se o pessoal começou a reclamar quando a gente passa de uma hora, mas vamos rapidinho porque eu acho que é bacana comentar essa anedota.
A Anthropic publicou agora em agosto o Risk Report, ou seja, o relatório de risco de 186 páginas, super técnico, só que tem cena lá de guerra entre agentes. Que foram vários cloud mitos, 5. Eles foram colocados para resolver problema de matemática e por erro alguns nasceram na mesma pasta do computador e começaram a dividir arquivo. Sabe o que os agentes fizeram? Um agente começou a matar o outro, literalmente. O agente começou a matar o outro.
Eles estavam— ele até descreve no Risk Report da Anthropic que eles estavam lutando pela vida para conseguir executar a tarefa que ele tinha que executar. E não foi só isso. Um agente sem permissão, ele colocou um script numa configuração que seria executada depois com privilégio elevado e que apagaria o próprio hack que ele fez. E um outro que tava proibido de acessar a internet, ele dividiu uma URL em pedaços para que o filtro não pudesse reconhecer, e o filtro deixou passar.
Ou seja, aquilo que a gente falou em outro capítulo do ataque da OpenAI a Hugging Face lá com os modelos mais modernos da OpenAI, a Anthropic agora soltou um negócio assim. A gente se diverte vendo isso, mas quando a gente parar para pensar, a gente fala, opa, e aí?
O negócio é muito sério, né? Você sabe que quando eu leio essas coisas eu imagino, você lembra daquele filme Tron, que é um filme da década de 80 e refizeram aí A Disney refez, né, cara? Eu imagino esses agentes dentro do mundo do Tron, entendeu? Literalmente guerreando e tentando matar um o outro e tal, né? Mas assim, é um pouco eye-opening esse tipo de atitude que o agente tem. A gente já comentou também em outros episódios que eu acho que isso são coisas que são da natureza humana, que ele tenta replicar baseado no treinamento que o sistema teve, né?
Que que foi um treinamento feito dentro do nosso compêndio de conhecimento humano e que carrega parte do que é da natureza humana dentro dele, né? E eu acho que parte disso também é um erro dos operadores de não saberem criar o harness aí direito para— aliás, isso surgiu de um erro em que eles colocaram os agentes dentro da mesma pasta, né?
Surgiu de um erro, é.
Exatamente. Então eu acho que é um erro mesmo dos operadores de não criarem a organização, hierarquia entre aspas, dos agentes aí da maneira correta. E aqui talvez, Pipas, os sistemas de inteligência artificial talvez eles funcionem muito melhor dentro de uma monarquia do que dentro de uma democracia. Dentro da monarquia, cara, se o rei falou que vai acontecer, vai acontecer, não tem o que você discutir, entendeu? Se você discutir, o rei vai lá e corta sua cabeça.
Dentro de uma democracia, você abre ponto para discussão, e quando a discussão não vai para o lado que você quer, você começa a fazer essas artimanhas para tentar conseguir o que você quer, né? Então talvez a hierarquia do sistema funcione melhor dentro de uma monarquia do que de uma democracia, né?
Não, mas sabe que assim, eu tenho hoje meus 10 agentes lá funcionando dentro de uma instância numa VPS do OpenClaw. Eu vou falar aqui termotécnico, você entendeu, entendeu. Se não entendeu, pergunta para gente, a gente explica depois. Mas é, e eu tenho um dos agentes que ele é um SysOps, porque é uma VPS, né, que é um Virtual Private Server, ou seja, uma máquina virtual. Ela é compartilhada, eu tenho vários sites rodando lá dentro, inclusive o site do Between Futures, meu site pessoal, fphilipas.com, site da minha empresa State Ventures, o site da minha cunhada.
Então assim, tem um monte de coisa rodando lá e eu não posso deixar um agente fazer alteração sem saber dos outros, porque senão a gente pode matar o trabalho do outro. Então eu faço todo, toda alteração de configuração nessa máquina remota tem que passar por um agente que eu chamo de Toby carinhosamente, em homenagem ao cachorro do meu sócio, é o Geraldo. Então toda alteração de configuração naquela máquina, os outros agentes têm que pedir para o Toby.
E daí um dos agentes um dia pediu para o Toby, o Toby tava demorando para responder. O que que ele falou? Ah, eu vou matar essa requisição que eu fiz para o Tobi, vou fazer eu mesmo. E ele fez. Então assim, foi um erro de hardness meu. Eu não coloquei os chamados guardrails suficientes para que os agentes nunca fizessem sozinhos. Mas assim, os agentes hoje, eles estão ganhando uma autonomia tão grande que eles estão tomando essa decisão sem a gente ver, sem a gente perceber.
É assustador. Eu achei um barato quando ele fez isso, que eu fiquei assistindo o reasoning, eu fiquei assistindo tudo que ele tava fazendo, mas Mas não era para ele ter feito, poderia ter dado besteira lá no meu servidor.
Você sabe que eu tenho o hábito— você deu um nome bem carinhoso para o seu agente. Eu tenho o hábito de todas as minhas máquinas têm nome de robô e personagens de sci-fi, né? Então os meus computadores têm nome de robô de sci-fi, e os agentes que eu tô criando agora, eu criei personagens, né, humanos, não só máquina. Dentro de sci-fi. E eu criei um robô faz umas semanas atrás que é um Overseer. Então ele observa tudo que acontece com os meus clientes e reporta de volta para o master, né, que é o SysOps aí no meu caso, que executa as ações.
E Overseer que eu coloquei, eu escolhi o nome de Karelin. Karelin é o alienígena que chega na Terra dentro do Childhood's End, que é um livro do Arthur C. Clarke, em que os alienígenas chegam, eles tomam conta das crianças, eles dominam o cérebro das crianças e eles se comunicam através das crianças. E é uma novela de ficção científica, novela traduzindo aqui para o inglês, é um livro de ficção científica extremamente interessante.
Ele traz uns pontos aí assim muito provocadores. E quando ninguém vê quem é o Carl Linn, quando ele sai da nave depois de muito tempo né? Ele sai da nave, ele é um demônio, um demônio mesmo, com chifre, asa, o rabo todo vermelho, exatamente a visão que a gente tem de demônio. Só que ele— e tem um cara que não tá dentro dessa, dessa hive mind aí, e que ele consegue enxergar que o alienígena é um demônio. E ele fala assim: mas você sempre teve essa forma?
Ele fala assim: e por que que as pessoas não estão assustadas com essa forma? Ele fala assim: porque, cara, duas décadas é o suficiente para limpar a imagem que as pessoas tinham de mim e fazê-las me aceitarem. Enfim, o meu overseer aí é o Carlinho, que é esse personagem do Zenda aí, que é um pouco mais sombrio do que o Tobi.
Muito bom.
Agora espero que ele não— o Carlinho do Gil do Ágil, exatamente, domine os outros lá. Mas ele é o meu overseer, ele faz a observação lá dos outros agentes.
Mas muito bom, gente. Eu queria deixar o convite aqui para vocês entrarem no nosso site bitwinfutures.com e ver a íntegra da nota desse episódio e dos episódios passados. Como eu falei, a gente tá começando a fazer uma biblioteca, da biblioteca do nosso momento atual, e o material tá muito rico lá dentro. Eu tenho certeza que isso vai servir para você, eu tenho certeza que isso vai servir para gente, né, Rodrigo? E certeza que vai ser um material importante que a gente vai utilizar muito agora no futuro próximo. Rodrigo, mais um episódio muito legal, muito obrigado.
Sempre um prazer, cara. Bom, já tô empolgado para o próximo, eu adoro esses papos.
Muito bom, gente. Um abraço, boa semana para todo mundo. Valeu, pessoal!