Episódios de Between Futures

#026 - Chega de planejar, é hora de fazer, Superinteligência, Stripe + OpenRouter

21 de agosto de 20261h10min
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O que acontece quando a AI deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser mais inteligente que a maioria das pessoas — ou, na previsão de Elon Musk, que toda a humanidade combinada?

No episódio 26 do Between Futures, Flavio Pripas e Rodrigo Conde discutem a entrevista de Musk para a The Economist: superinteligência, trabalho opcional, abundância, UBI, o futuro do dinheiro e a corrida geopolítica entre Estados Unidos e China.

Depois, analisam a aquisição da OpenRouter pela Stripe e a possibilidade de a empresa construir a infraestrutura financeira da economia de agentes — uma camada capaz de conectar modelos, decisões e transações.

Por fim, o episódio volta a uma mudança prática para empresas: quando o custo de executar e testar cai abaixo do custo de planejar, o plano deixa de ser contrato e vira hipótese. O que permanece estável é o outcome, acompanhado de métricas, guardrails e critérios de parada.

Um episódio sobre inteligência, poder, infraestrutura e como trabalhar quando fazer ficou mais barato que planejar.

Participantes neste episódio2
F

Flavio Pripas

HostApresentador
R

Rodrigo Conde

Co-hostApresentador
Assuntos7
  • Superinteligência e Futuro da Humanidade· TecnologiaElon Musk·Inteligência Artificial Geral (AGI)·Previsão de superinteligência em 5 anos·Impacto geopolítico da IA·Corrida tecnológica EUA vs China
  • Stripe OpenRouter Acquisition· NegociosOpenRouter·Stripe·Infraestrutura da economia de agentes·Routing de modelos de IA·Transações financeiras entre agentes de IA
  • Futuro do Trabalho e Economia· EconomiaSuperabundância de produtos e serviços·Renda Básica Universal (UBI)·Fim do dinheiro em 2036·Job displacement massivo·Sociedade do Star Trek
  • Fim do Planejamento Tradicional· SociedadeOutcome-based·Custo de fazer vs. custo de planejar·Metodologia ODA (Observar, Orientar, Decidir, Agir)·Guardrails e critérios de parada·Adaptação de empresas e trabalhadores
  • Futuro do Trabalho Intelectual e IA· TecnologiaPensamento crítico com IA·Gerenciamento de contexto em conversas com IA·Documentação como base de contexto·Impacto em profissões de planejamento estratégico
  • Papel da China no Brasil· InternacionalDomínio econômico chinês·Podcast 'Inevitável China'·Exploração de países dominados
  • Habilidades Digitais e Nova Geração· TecnologiaPerda de habilidades técnicas básicas·Streaming vs. download de conteúdo·Engenharia reversa de atalhos da Apple
Transcrição54 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
FPFlavio Pripas

Fala, pessoal! Meu nome é Flávio Prippas e eu sou o Rodrigo Conde.

RCRodrigo Conde

Bom dia, pessoal!

FPFlavio Pripas

Esse episódio 26 do Between Futures. Já estamos no episódio 26, Rodrigo. Olha, e a gente tá recebendo cada vez mais feedback positivo desse nosso bate-papo. Tá sendo legal, né?

RCRodrigo Conde

Tá sendo muito legal. Eu também tenho recebido um monte de mensagem no Insta, no LinkedIn, e sempre respondo as pessoas ali porque é muito legal receber esse feedback mesmo. Tem sido muito bacana fazer esse podcast, sem dúvida.

FPFlavio Pripas

Não, muito. E antes da gente começar a gravar, eu te contei uma história, daí eu falei, putz, vamos contar essa história no podcast, que faz todo sentido. Anteontem, meu filho mandou uma mensagem desesperado à noite falando, pai, pai, um amigo meu mandou um link aqui no WhatsApp, eu cliquei e estragou meu celular, acabou com meu celular assim, ele me mandou um vírus e não sei o quê, desesperado, desesperado. E eu falei, filha, é muito difícil você receber um link por WhatsApp e ser um vírus no seu celular.

Aliás, já é uma lição, né, para você não clicar numa coisa que você não sabe o que que é, mas não tem como. Um amigo manda, você vai clicar. E daí, o que que é? Me manda que eu quero ver. E meu filho mandou, era um shortcut, era aquele atalho da Apple que tava no iCloud. Que que são esses atalhos da Apple? É como se fosse uma receita de bolo de configuração que você pode empacotar e mandar para uma outra pessoa. E um amigo mandou, encaminhou esse, que é como se fosse uma pegadinha mesmo, porque aquele atalho mudava um monte configuração de, principalmente de acessibilidade.

Ele invertia a tela, aumentava o tamanho da letra, colocava o som diferente, mudava o teclado. Ele fez assim uma lambança no celular. E o meu filho desesperado falou, não, porque tá todo mundo clicando e tá todo mundo tá estragando o celular de todo mundo, ninguém sabe o que faz. Eu falei, calma, filho, deixa eu ver então como que eu posso ajudar. Eu peguei aquele shortcut, eu peguei o link do shortcut, peguei o Codex E falei, olha, tá aqui um link de um shortcut da Apple e que é um prank, é uma pegadinha, e ele tá mudando a configuração de um monte de telefone celular do meu filho e dos amigos.

Faz um reverse engineering, ou seja, vê o que que esse link, esse shortcut, esse atalho tá fazendo e me dá a receita de bolo de todas as configurações que têm que ser refeitas para voltar para trás. Demorou um minuto, ele me deu lá a receita, mandei para o meu filho por WhatsApp, ele resolveu, ele mandou para os amigos, resolveu tal tal tal, e foi super legal. Aliás, Rodrigo, você falou, eu deveria ter ensinado meu filho a fazer isso, né? Não eu fazer, porque é verdade.

RCRodrigo Conde

É exatamente, cara, eu acho que você deveria ter ensinado seu filho. Mas, cara, primeiro, que sacana o moleque que enviou esse negócio, né? Acho que sacanagem, mas o cara foi ligeiro, ele sabia o que ele tava fazendo. Você sabe que, cara, essa história me lembrou uma coisa. Quantos anos tem seu filho mesmo? 12, 13, não é isso?

FPFlavio Pripas

Tem 14.

RCRodrigo Conde

14 anos, cara. Sabe que uma coisa que me chama atenção na galera mais nova hoje em dia? Quando eu comecei a mexer no computador, cara, meu, a gente sabia fazer tudo no computador. Baixar música pirata, Napster, LimeWire, cara. Eu lembro que eu ficava, eu gostava de ficar baixando os vídeos de corrida de rua na época. De Toyota Supra, esses carros japoneses. E eu lembro que eu ficava esperando lá no LimeWire baixar o vídeo horas e horas e horas.

Era um vídeo de 50 megabytes, de 5 minutos, todo pixelado assim, mas era o jeito que devia ser, coisa de 1 minuto. Então, exatamente, era super assim, é ridículo, né? Early days. E cara, você sabe que hoje a molecada não sabe fazer mais essas coisas, né? Não sabe mais baixar torrent, e se virar e tal. Alguns sim, mas a maioria não sabe, né, cara? Parece que tá sumindo essas habilidades aí.

FPFlavio Pripas

Early days, né? Porque é tudo muito, muito fácil hoje. Hoje, por exemplo, eu tô quase naquele nível, preciso criar uma pasta no meu computador, eu peço para o cloud, ah, cria uma pasta, eu peço para o Codex. Então assim, é que tá ficando, a interface ela tá mudando e tá ficando muito fácil, e as pessoas estão deixando de aprender a fazer. Eu lembro que quando eu era pequeno, quando começou a era dos eu tinha um PC que eu formatava ele toda semana porque eu baixava vírus de BBS só para ver como que funcionava, aqueles vírus que deixava a tela toda zoada, que fazia não sei o quê e tal. É assim, era divertidíssimo, mas é raro hoje em dia o pessoal tá fazendo isso.

RCRodrigo Conde

É raro, né, cara? E eu acho que boa parte disso também é o streaming, porque, cara, na minha época, quando eu baixava música pelo Napster Cara, não era assim, ou você comprava música no iTunes que custava, sei lá, $2 por faixa do CD, ou era $10 o CD que você tinha que comprar o álbum, ou você baixava pirata. E eu com 15 anos não tinha dinheiro para comprar música, aí você baixava tudo pirata, né? Napster, quem é da nossa época vai lembrar com certeza do Napster, do LimeWire.

Mas me chama atenção porque era uma coisa que forçava a gente a entender certas coisas de computador, né? E sei o quê, HTML, é tudo mais ou menos da mesma época lá que você foi, que a gente foi aprendendo e meio que nasceu com isso. Aí veio streaming, cara, acabou. Por que que você vai baixar filme pirata se o Netflix custa, sei lá, R$20 por mês, entendeu? $10 por mês.

FPFlavio Pripas

Eu não sei quantas horas da minha vida eu fiquei organizando biblioteca de áudio que eu baixava os álbuns inteiros, daí eu tinha que achar o álbum cover, eu tinha que achar aquela imagem do álbum, daí eu pegava um software que integrava no Winamp, que você deve lembrar, e que nomeava os arquivos todos bonitinhos, separava por pasta. Cara, eu juro para você, eu fiquei muito mais tempo organizando a biblioteca de músicas com não sei quantos milhares de músicas do que ouvindo as músicas.

E depois, quando surgiu o Spotify, é outro mundo, mas pelo menos a gente aprendeu bastante.

RCRodrigo Conde

É, cara, e a gente aprendeu muito. E assim, filme, por exemplo, pirata na época, você tinha que saber o que que era container, o que que era codecs. E essas coisas existem até hoje, né, óbvio, entendeu? Só foi evoluindo. Mas me chamou atenção porque eu converso com a galera mais nova, e não é tão nova assim também, meu, pessoal de 20, 25 anos que eu falo, que já é bem mais novo que eu, que tô beirando os 40. Eu falei, aí, mas você sabe baixar um torrent se precisar?

Cara, não tem a menor ideia. Assim, e isso me chama atenção porque eu lembro que quando eu tava no colégio ainda e eu tinha computador, meus amigos todos tinham computador, e cara, era meio que um skill assim que meus amigos, pelo menos a maioria deles, sabia baixar uma música no Napster, entendeu? E hoje em dia sumiu essa habilidade. Mas é isso, é uma oportunidade de ensinar a molecada aí a se virar, né? Exato.

FPFlavio Pripas

Tem que saber, hoje as ferramentas estão aí. Eu tô beirando os 50, eu passei por coisas, talvez você não passou, mas assim, as ferramentas estão aí, tem que saber utilizar. Mas ó, da próxima vez que meu filho me mandar uma mensagem, pai, pai, aconteceu isso, não sei o quê, eu vou dar, eu vou dar a vara em vez de ensinar a pescar. Acho que essa que tem que ser a regra. Mas independente de qualquer coisa, eu achei incrível como foi fácil mandar um link, ele fazer a engenharia reversa, ele achar tudo que tinha feito.

Assim, a gente se surpreende cada dia com com como as coisas estão. Mas é, Rodrigo, eu vou para o nosso primeiro tópico. Vai lá, desculpa.

RCRodrigo Conde

Não, imagina, imagina, eu ia falar, não, totalmente, a gente surpreende o tempo todo mesmo com essas habilidades da AI, né? E aí, só para wrap up aí essa intro, cara, eu volto a falar do que a gente sempre fala aí, do índice de curiosidade para usar e não sei o quê, e usar AI de jeitos que não tá no manual de instruções, entre aspas, entendeu? Não é Não é uma coisa que tá todo mundo fazendo, não é tão óbvia, mas cara, seja curioso, vai lá e vê se a AI consegue responder isso para você, cara.

Eu tenho também inúmeras dessas histórias aí de coisas que eu falei, meu, deixa eu ver se a AI responde isso para mim, deixa eu ver se ela sabe fazer isso. Eu sempre me surpreendo, cara, sempre.

FPFlavio Pripas

E esse índice de curiosidade do livro lá do meu amigo Guilherme Horn, que é o CEO do WhatsApp, o livro O Mindset da AI. Fazer jabá para ele porque o livro dele é bom. Então daí já vai. Mas vamos lá, primeiro tópico, Rodrigo, que é um tópico que a gente queria trazer aqui para o podcast já há algum tempo, da entrevista que o Elon Musk deu para Zanny Minton Beddoes, que é a editora-chefe da The Economist, que o The Economist colocou no YouTube agora no dia 29 de julho.

E foi uma entrevista, foi a primeira grande entrevista que o Elon Musk deu depois do IPO da SpaceX. E ele trouxe coisas muito legais nessa entrevista. A gente já, já quis trazer aqui para o podcast, mas foram tantos assuntos nas últimas semanas, a gente não conseguiu. Só que a gente combinou, não, vamos trazer, porque tem coisas que o Elon Musk fala nesse, nessa entrevista que vale a pena a gente comentar. A primeira delas é sobre a superinteligência.

O Elon Musk fala que nós estamos a menos de 5 anos da superinteligência. Que que significa isso? Significa que a AI vai ficar mais inteligente do que a soma agregada de todos todos os seres humanos no planeta Terra. Eu vou repetir: segundo Elon Musk, em menos de 5 anos a AI vai ficar mais inteligente do que a soma de todos os humanos agregados do planeta Terra. E não é muito diferente daquilo que a gente discute aqui, daquilo que a gente acredita, né, Rodrigo?

Eu particularmente, a minha opinião pessoal é que a gente já chegou naquela chamada AGI, na Artificial General Intelligence, numa AI que ela é tão inteligente que tá superando a inteligência humana. Inclusive, a gente já falou aqui no podcast algumas vezes sobre sobre teorias ou teoremas que foram provados pela, pela AI de forma autônoma, coisas que os seres humanos nunca tinham encontrado na matemática, por exemplo, que dizem que é a língua universal.

Aí foi lá e provou um teorema que tava, que tava em aberto. Então a gente já tá tratando com algo muito inteligente. E segundo Elon Musk, em menos de 5 anos a gente vai chegar nessa inteligência onde a AI ela é mais inteligente do que a soma agregada da humanidade. Isso tem um monte de impacto enorme. Mas vamos começar por esse ponto, Rodrigo. Sua opinião, você acha que a gente, você acha que a AI já é inteligente ou não? Você lembra que eu já, eu comentei aqui, só abrir um parênteses antes de abrir para você falar, que eu mudei de opinião, né?

Que até alguns anos atrás eu achava que AI, o termo AI, ele tava errado. Não era artificial intelligence, não era inteligência artificial, deveria ser augmented intelligence, que era inteligência aumentada. E eu mudei essa opinião há cerca de 2 anos, 1 ano, sei lá. Hoje já é, eu já chamo de AI, artificial intelligence, porque no meu dia a dia com a AI, a AI me traz ideias, me traz perspectivas, me traz caminhos que eu não tinha pensado sozinho.

Se isso não é inteligência, eu não sei o que que é. Então assim, mudei de opinião e eu concordo com essa previsão do Elon Musk, eu sou até mais agressivo que ele. E você?

RCRodrigo Conde

É, cara, eu tendo a concordar também com a perspectiva dele. O que eu acho interessante é uma coisa que com certeza a gente já tá vivendo, é que assim, a AI, ela pode ser que não é, ela pode ser, ela ainda não chegou a ser mais inteligente do que 100% das pessoas, mas ela já é mais inteligente do que a grande maioria das pessoas. A gente tende a achar que todo mundo tem o nosso nível de conhecimento, entendeu? Independente de qual nível que você tá de conhecimento, tá?

FPFlavio Pripas

Ou da bagagem que você tenha, ou da bagagem que você—

RCRodrigo Conde

independente do nível que você tá, você é uma característica humana. A gente tende a achar que todo mundo meio que opera naquela faixa, tá? Seja para cima ou para baixo um pouquinho, mas que todo mundo opera naquela faixa, sendo que, cara, não é verdade, entendeu? A grande maioria das pessoas não teve acesso à mesma educação que a gente teve, não teve acesso à mesma informação que a gente teve, a mesma formação intelectual, né, que a gente teve.

E assim, eu não tive acesso à mesma formação intelectual que muitas pessoas que estão obviamente acima de nós, entendeu, né? Então eu acho que quando a gente olha aí hoje, ela já é mais inteligente do que a grande maioria da população mundial. E isso por si só já é assustador, né? Ontem mesmo eu fui tomar café com um cara aqui e a gente tava falando de AI. Ele também tá, enfim, empreendendo com um negócio de AI muito bacana. E ele virou para mim e falou assim, cara, quanto tempo faz que você não escreve um email, né?

Eu falei, cara, eu não sei mais o que é escrever um email há muito tempo. Eu sei o que é, o que eu quero passar naquela mensagem, mas eu sentar e redigir um email né, cara? Eu não faço isso há muito tempo e honestamente ela escreve melhor email do que eu, entendeu? Quem direciona ali a ideia, né, central da mensagem que eu quero passar sou eu, mas o jeito com o qual a inteligência artificial organiza as minhas ideias e transparece isso para outra contraparte melhor do que eu faço, entendeu?

Simplifica melhor as minhas ideias e enfim, tem uma uma, cara, é isso. Acho que ela traduz melhor o que tá na minha cabeça. Então assim, esse já é um excelente exemplo, e fazendo um comparativo comigo mesmo, entendeu, cara? Eu acho que a gente tá muito, muito próximo de um cenário como esse. A gente, de novo, como ser humano, acertar o timing aí acho que é a maior dificuldade, né? Você vai ser 5 anos, 6 anos, 4 anos, 3, Eu não sei exatamente, mas cara, já assim, isso você pode ter certeza que a AI já tá melhor do que, meu, arrisco dizer que 90% da população, a AI é mais inteligente que 90% da população.

FPFlavio Pripas

Assim, só que você tá colocando em termos individuais, aí é melhor do que a pessoa. O que o Elon Musk coloca nessa inteligência É aí o melhor do que a humanidade agregada, do que você pega o planeta Terra, a cabeça de todos os seres humanos vivos no planeta Terra, e ele fala: aí vai ser mais inteligente do que todos esses seres humanos. Eu acho que ele tá certo, para ser honesto. Até no episódio passado que a gente falou, não, mesmo porque não tem limite.

O ser humano, você tem limite, você tem limitação, você tem que ter comida, você tem que ter água. Pro ser humano. Aí você vai fazendo chip, vai fazendo chip enquanto tiver energia. E energia no universo é ilimitada. Quando a gente pegar, conseguir aproveitar melhor energia solar, energia de— já tem fusão, mas energia de fissão nuclear, assim, a energia é ilimitada quando a gente conseguir dominar essas tecnologias. Então você vai agregando chip, você vai agregando energia, aí não tem limite para onde ela pode chegar.

Enquanto humano, ele tem o limite físico e de alimento, de água, de moradia, de bem-estar que o humano precisa. Até no episódio passado, Rodrigo, a gente falou da entrevista do Koko Tajlo, que ele falava que como a AI tende a chegar nessa superinteligência, ele defende colocar freio e governança no desenvolvimento da AI. O Elon Musk tem uma perspectiva completamente diferente. Ele falou, olha, é inevitável, vamos aceitar que a AI vai ficar mais inteligente do que o agregado do que a humanidade. Vamos aceitar e vamos construir nesse meio tempo.

RCRodrigo Conde

Eu tendo a concordar com Elon Musk também. Eu não acho que, assim, eu acho que seria bom ter os guardrails, seria bom dar uma freada talvez, mas eu não vejo isso acontecendo assim. Acho que a gente falou já isso algumas vezes aqui, a caixa de Pandora tá aberta, né? E Em relação a outra coisa que você falou, eu li um artigo essa semana falando sobre essas descobertas matemáticas que a AI tem feito, né? E esse artigo levantou um ponto que eu achei muito interessante.

Eu falei, cara, isso tá absolutamente correto, esse ponto, que é: não é que necessariamente a AI ela está sendo mais inteligente do que os matemáticos, mas ela tem uma capacidade de memorização muito maior do que os matemáticos. Então Os matemáticos às vezes eles olham um problema, eles estão olhando por uma perspectiva, só que matemática você precisa conectar os pontos, né, fazer correlação, esse tipo de coisa. E o que o artigo falava é o seguinte: muitas vezes os matemáticos esquecem de coisas que são correlacionadas, só que na cabeça dele ele já esqueceu.

Ele, aquilo tá no, já num ponto tão profundo na mente dele que ele já não consegue mais fazer a correlação direta porque ele simplesmente esqueceu. Isso é uma coisa que não acontece com a inteligência artificial. Ela lembra de, vai, praticamente tudo, né, mais ou menos, mas ela consegue lembrar muito melhor do que o ser humano. Então, para resolver esses teoremas matemáticos, ela consegue fazer a correlação porque ela vai lá atrás e fala, opa, peraí, tem uma coisa aqui que eu acho que pode ser correlacionada, deixa eu testar.

E o ponto era esse, que os matemáticos humanos não têm essa capacidade de memorização tão grande quanto a AI. E aí consegue chegar na solução primeiro. Então não é necessariamente nesse caso específico que aí é mais inteligente que os matemáticos, mas de novo, ela tem uma memorização melhor e consegue chegar no resultado, coisa que os matemáticos não conseguem nem enxergar às vezes, entendeu? E eu achei super interessante isso.

E de novo, tem a ver porque a gente tá falando, né? É uma capacidade além do que a mente humana consegue realizar hoje em dia. Porque por mais inteligente que você seja, não dá para lembrar de absolutamente tudo que você se deparou na vida, muito menos todos os teoremas matemáticos possíveis para fazer uma correlação.

FPFlavio Pripas

Então é, mas com a IA dá. Eu implementei para mim, acho que você também implementei aquele, tava todo mundo falando de implementar aquele brain, aquele seu cérebro pessoal. E eu fiz para mim com todos os artigos que eu já escrevi, com todos os posts que eu já fiz no LinkedIn, com todos os livros que eu publiquei. Entrevistas que eu dei para jornal, revista, não sei o quê. E hoje, se eu vou escrever alguma peça, eu faço me baseando nesse segundo cérebro, como se fala.

E o resultado, ele é absolutamente incrível, que é aquilo que você falou. A gente não tem capacidade de lembrar tudo. Agora, você coloca no computador, o computador consegue lembrar, consegue fazer as relações e consegue extrair o melhor para você construir algo novo em cima daquele histórico, daquela bagagem que você já tem armazenado. Isso funciona super bem. Uma outra coisa, na entrevista do Elon Musk, ele falou sobre geopolítica, que você falou, ah, o ideal seria a gente colocar um freio, alguma coisa, controlar, mas a caixa de Pandora ela tá aberta.

A partir do momento que abriu a caixa de Pandora, não dá para, não dá muito para gerenciar o que tá acontecendo. E o Elon Musk fala a mesma coisa. Que o problema agora é geopolítico, porque a geopolítica ela torna a pausa voluntária, essa questão dos laboratórios falarem, ah não, agora vamos pausar, vamos fazer o desenvolvimento mais devagar, ela torna a pausa voluntária muito difícil, porque se um lado desacelera e acha que o outro não vai desacelerar, daí todo mundo vai correr ao mesmo tempo, né?

RCRodrigo Conde

É, exatamente, cara. É, não tem como desacelerar. E assim, de novo, ele sabe disso com certeza também, que a gente tá vivendo essa corrida aí, barra Guerra Fria com Oriente, China, com esses modelos de AI. E, cara, vai ter um vencedor. Não um vencedor, né, como se fosse uma guerra, um conflito mundial, que também a gente já falou algumas vezes aqui que Esse é um dos cenários possíveis aí para um futuro de médio, longo prazo aí.

Mas, cara, vai ter, vai ter alguém que vai sair na frente dessa corrida. Acho que esse ponto é importante. E quando o assunto é inteligência artificial, sair na frente significa sair muito na frente, assim, a ponto de você deixar o cara para trás e o cara nunca mais conseguir te alcançar em termos de tecnologia, né? E olha o que aconteceu na Guerra Fria. Os Estados Unidos foi vencedor aí na Guerra Fria com o modelo capitalista, e hoje é o modelo capitalista que domina o mundo.

E de novo, a gente tá vendo uma outra coisa surgir lá na China que não é exatamente o capitalismo americano, que tá desafiando um pouco esse status quo, né? Mas eu acho que a AI vai fazer de novo ter um vencedor, né? E a gente talvez vai tocar um pouco nesse assunto, mas eu acho que a AI inclusive vai desmontar o capitalismo americano como a gente conhece. E favorecer um outro modelo que a gente não sabe qual que é ainda. Mas de novo, vai ter um vencedor.

Se esse vencedor vai ser os Estados Unidos ou se vai ser a China, a gente não sabe ainda.

FPFlavio Pripas

Aliás, vou abrir um parênteses aqui porque tá saindo cada vez mais notícia que o governo Trump tá em contato com todos os aliados e falando: olha, você tem que escolher um lado, você tá na corrida daí é junto com os Estados Unidos ou junto com a China. E eu acabei de voltar do Brasil e o Brasil tá absolutamente dominado pela China. É impressionante. Aliás, até um amigo meu, o amigo meu chama Enxê, eu adoro ele, é um dos caras mais legais que eu conheço, brilhante.

E não sei se você conhece também, mas ele trabalha, ele é chinês, ele trabalha muitos anos com a China. Ele que trouxe o TikTok Shops para o Brasil, ele que fez vários projetos e tal. E ele acabou de lançar um podcast chamado Inevitável China, e que vai fazer um sucesso enorme lá no Brasil. E eu vou mandar um post para ele que ele não vai gostar, que eu falei: eu tô do outro lado, cara. Eu acho que esse— eu queria fazer um podcast chamado Evitável China, não inevitável.

Porque assim, o domínio que a China tá fazendo no Brasil, e é um domínio, na minha opinião— desculpa, Wind, desculpa, Marina Miranda, que trabalha, que amiga minha também trabalha com a China, Desculpa o Felipe, que fez uma viagem para um grupo meu para China com quase 30 pessoas. Cara, a China, ela é, ela explora os países que ela domina, ela não faz muita troca de tecnologia. Então eu tenho, eu tenho um medo enorme do que tá acontecendo no Brasil, porque o Brasil vai ser explorado, empregos não vão aumentar, arrecadação não vai aumentar, a qualidade de vida do brasileiro não vai aumentar por conta dessa, dessa conquista chinesa.

Eu vou, eu vou querer trazer esse assunto para um dos nossos episódios, Rodrigo. E daí eu vou mandar para o In, convidar ele. Ó, In, você tá fazendo inevitável China, eu tô, eu tô levantando a bandeira do evitável China.

RCRodrigo Conde

É, a China tem um lance meio, meio distópia, né, porque eles têm um controle populacional muito grande, coisa que aqui nos Estados Unidos, por mais que eu acho que exista até certo com controle aí da população através da mídia, do marketing e tal. Na China isso é muito mais evidente, né? E até existem os dois livros lá, o 1984 e— esqueci o nome do outro livro lá, mas o 1984 é um governo que controla mais diretamente com o Big Brother.

É o Big Brother, exatamente. E o outro livro que tá me fugindo o nome, vai vai aparecer aqui até o final do episódio, é um cenário diferente de controle em que as pessoas são controladas através do prazer. Então as pessoas têm acesso a absolutamente tudo, todos os produtos, todas as coisas, coisas que mantêm a população sob controle. Então, cara, você não tem mais vontade de se rebelar contra o governo porque na sua vida você tem tudo que você precisa.

E eu acho que um pouco do que a China tá fazendo É um pouco esse segundo cenário, né? A China ficou tão boa em produzir e ser a fábrica do mundo em que, cara, chinês, que que você quer? Você quer uma air fryer? Tá aí uma air fryer. Você quer um carro muito bom e barato? Tá aí o carro barato. Só que as pessoas não percebem o que elas estão abrindo mão de liberdade, de, né, perante essas coisas. O governo controla você totalmente lá, entendeu?

Cara, lá o vizinho te denuncia se você atravessa a rua fora da faixa, entendeu? E o cara é incentivado a fazer esse tipo de denúncia. Mas de novo, é uma sociedade diferente também, né? Eles aceitam muito melhor isso e o Ocidente não, porque a gente tem essa liberdade, né, individual muito mais intrínseca na nossa sociedade.

FPFlavio Pripas

Eu não sei o que que vai ser, mas eu vou pegar seu comentário e vou voltar para entrevista do Elon Musk, porque o Elon Musk ele fala algo parecido com essa questão que você que você colocou de fazer controle populacional pelo bem-estar ou pelo prazer. O que que o Elon Musk falou na entrevista? Esse para mim foi um dos pontos mais interessantes da entrevista. Ele falou o seguinte, ele virou lá para redatora-chefe da The Economist e falou assim: o que que é economia?

Economia é circulação de produtos e serviços. Economia é circulação de produtos e serviços. Gente, só abre um parênteses, isso daqui é Elon Musk que tá falando, tá? Então vai lá e assiste. Então ele fala: economia, circulação de produtos e serviços. Você trabalha para você ter acesso a produtos e serviços. A tecnologia, a AI, e a AI no mundo físico através dos robôs, porque o Elon Musk também coloca que os robôs vão trazer a inteligência artificial para o mundo físico, e ele tá investindo nisso com o Optimus.

Que é o robô dele, ele fala: aí, aí, os robôs, eles vão falar com que produtos e serviços sejam feitos muito mais rápido, muito mais barato e com muito mais qualidade. A partir do momento que você tem abundância de produtos e serviços em qualquer frente, por que que você vai trabalhar para ter acesso a esses produtos e serviços? Então qual que é o raciocínio que ele chega? Se você tem uma superabundância de produtos e serviços, essa base da economia, você trabalha para ter acesso a produtos e serviços, os produtos e serviços estão amplamente disponíveis, o trabalho deixa de ser importante e o dinheiro deixa de ser importante, porque o dinheiro é um meio de circulação para você poder pagar por produtos e serviços.

E a previsão do Elon Musk é que em 2036 o dinheiro vai sumir da sociedade. Daí a redatora-chefe da The Economist pergunta: mas Elon, Mas não faz sentido. Que que você vai falar para todos esses milhares de acionistas que acabaram de comprar ações da SpaceX agora no IPO? Ele simplesmente, todo esse dinheiro que eles pagaram agora pelas suas ações da sua empresa, esse dinheiro ele vai sumir? Daí nessa hora o Elon Musk ficou quieto.

Ele falou, não, a economia vai ter que mudar. A gente dele começou a enrolar, ele deu uma de político, vai, de começar a dar respostas genéricas para sair um pouco da daquela sinuca que ele ficou. Só que ele tocou no ponto de UBI, de Universal Basic Income, que é um termo que eu ouvi pela primeira vez, o termo UBI, no South by Southwest. Eu vou no South by Southwest, que é o evento de inovação lá, desde 2014, e todo ano. E eu ouvi pela primeira vez esse termo UBI, acho que em 2016 ou 2017.

E eu falei, cara, não faz sentido nenhum você dar uma renda familiar mensal para toda a população. Mesmo porque as pessoas são diferentes, as pessoas têm anseios diferentes, têm ambições diferentes. Eu quero um carro melhor do que você, então assim, eu vou trabalhar para comprar meu carro. Você, o problema seu, e eu, problema meu. Assim, essa cabeça um pouco mais individualista, que eu acho que é inerente do ser humano, né? Usei o exemplo do carro, que é um exemplo simples.

Daí quando vem essa história de UBI, eu acho que é uma utopia totalmente fora de cogitação. Mas por outro lado, tem muita gente inteligente, mais inteligente do que eu, falando sobre esse assunto. Elon Musk fala sobre isso, Sam Altman fala sobre isso, Dario Amodei fala sobre isso. Você tem um monte de gente falando sobre isso. E é aí, é um ponto que eu acho que a gente vai ter que voltar daqui a pouco, conforme a AI vai ficando mais inteligente, hein, Rodrigo?

RCRodrigo Conde

É, cara, com certeza. Assim, é difícil não imaginar um cenário em que esse job displacement monstruoso que vai acontecer aí no médio e longo prazo não vai afetar o modelo econômico que existe hoje dominante no mundo, que é o modelo capitalista americano, né? Eu até ontem que eu fui tomar esse café com esse empreendedor, eu não quero falar o nome dele, não quero falar a empresa também, porque o cara tá muito early e o negócio dele é muito grande assim.

E ele virou para mim, ele falou assim, Rodrigo, a gente tá— e ele fez um round monstruoso, tá super financiado, uma empresa muito legal. E ele falou para mim assim, cara, a gente tá medindo o tamanho de mercado pela quantidade de pessoas que a gente vai desplazar. Ele falou, meu, é triste, às vezes eu perco sono pensando nessas coisas. Ele falou que os filhos dele, meu, assim, ficam super críticos a ele porque ele tá fazendo um negócio que ele sabe que vai mudar a vida de muita gente.

Ele falou que o produto que ele tá fazendo, geralmente o time que faz essa função dentro das empresas é um time de, vai, 10 a 20 pessoas aí em média, e que ele vai reduzir esse time para 2, 3 pessoas. Inclusive o modelo econômico que ele fez com o cliente fica uma lição aqui também para as pessoas, que eu achei o modelo dele extremamente inteligente. Ele virou para os caras e falou assim, olha, Você me dá 50% do que você economizar.

Então, se você economizou da sua folha de pagamento 1 milhão de dólares, você vai me pagar upfront 500 mil, e a partir do segundo ano é 30% do que eu economizar para você. Falei, cara, esse é um modelo econômico novo de startup, na minha opinião, né? Não é um SaaS, é um modelo super agressivo, mas de novo, ele tá medindo o impacto que a empresa dele vai ter com quantas pessoas ele vai desplace. E o estudo que ele fez globalmente dentro do mercado que ele tá atacando é que só o produto que ele tá fazendo tem o potencial para desplace de 4 a 6 milhões de pessoas.

Eu parei para pensar, eu falei assim, cara, assim, e é uma coisa, é uma função só dentro da empresa. Ele tá focando ali em tiro de sniper em uma coisa só que a AI consegue automatizar. E assim, Depois que você escuta ele falar e você entende o processo, eu não sou da indústria, então para mim era uma coisa mais ou menos nova, né? E depois você entende, você fala assim, tá óbvio que aí consegue fazer isso, consegue fazer isso muito melhor do que o humano, né?

Ele até deu uma métrica lá para mim, ele falou, cara, o melhor humano consegue fazer essa função, acho que ele falou lá de 20 a 30 vezes por semana, aí ele consegue fazer isso 90 vezes por dia. Entendeu? Não tem como comparar assim, é incomparável. E aí eu fiz a pergunta para ele, eu falei assim, tá, aí agora vamos falar mais abrangente aqui, que você acha que vai acontecer? E ele falou para mim, ele falou, cara, eu acho que as pessoas vão para rua, que é o que a gente vem falando também aqui algumas vezes já, né?

Cara, eu acho que as pessoas vão para rua, tem uma, assim, alguma coisa vai acontecer, vai ter um turning point aí, um um crest que a economia vai passar, em que vai ter cada vez mais desemprego. Essas pessoas não vão conseguir se recolocar. E aí, o que que vai acontecer? Aí eu acho que essa conversa do Universal Basic Income volta à tona, porque deixa de ser, na minha opinião, uma questão de, ah, eu quero um carro melhor, ou eu quero um iPhone mais legal, não sei o quê, e passa a ser uma questão de sobrevivência, né?

FPFlavio Pripas

É assim, eu quero sobreviver.

RCRodrigo Conde

É, eu não tenho dinheiro para pagar moradia, eu não tenho dinheiro para pagar saúde, eu não tenho dinheiro para pagar alimentação, cara, acabou. Você vai para rua, você briga, você, né, alguma coisa você vai fazer.

FPFlavio Pripas

Querendo ou não, sobrevivência.

RCRodrigo Conde

E aí eu volto a falar do outro livro que eu tinha falado, que é o Brave New World, do Aldous Huxley. Lembrei o nome. Volta a falar desse livro porque assim, o Universal Basic Income nada mais é do que isso, né? Fala assim, tá, tá bom, que O que que você quer? Você quer um iPhone? Tá bom, eu vou te dar dinheiro suficiente que você vai poder ter um iPhone por ano novo, um iPhone novo a cada 3 anos, sei lá. Mas é dar essas necessidades que o humano tem para que você mantenha a população sob controle.

É exatamente isso. Porque o que essas pessoas que estão perdendo o emprego querem, de novo, eles vão querer moradia, saúde e alimentação. Se você cobre essas coisas, com certeza vão querer umas coisas a mais, né? Entretenimento, esse tipo de coisa. Se você dá o pão e circo, né, acho que quem estuda história sabe exatamente do que eu tô falando. Se você dá o pão e circo para a população, a população vai manter sob controle. Só que acontece que se você tem um job displacement monstro, como as pessoas estão prevendo, e o Elon Musk tem razão, ele consegue enxergar isso, tenho certeza, cara, você precisa dar o pão e o circo. E de novo, Roma antiga dava isso de graça, entendeu?

FPFlavio Pripas

O problema é que sempre quem dá o pão, quem dá o pão e circo, tem mais pão e tem mais circo para eles. A história da humanidade mostra isso. Você pega lá, você falou da Roma antiga, você pega os czares, você pega qualquer ditador, você pega qualquer, qualquer um, você pega qualquer socialista de carteirinha ou comunista, o que quer que seja, qualquer coisa relacionada a isso. Quem dá o pão e circo tem mais pão e circo do que os outros e vive melhor do que os outros, vive em condições melhores, trabalha, talvez trabalhe pesado menos.

E essa é uma equação que é difícil de resolver. O Vinod Kojla, lá da Kojla Ventures, é um cara super inteligente. Ele pegou essa entrevista do Elon Musk, e que o Elon Musk falou, né, que money won't matter in 2036, que é o dinheiro não vai importar em 2036. E o Vinod Kojla, ele falou, olha, A abundância só importa se a política permitir distribuição, que é exatamente o que você falou. Se tiver abundância para todo mundo, ok, mas isso é uma utopia que é muito difícil de você chegar nessa utopia.

Você não consegue ter abundância para todo mundo, você vai ter abundância para, você vai ter uma abundância para poucos. Às vezes você vai ter uma abundância para muitos e uma abundância melhor para poucos. Então é uma equação que a gente vai ter que entender como que ela vai parar em pé.

RCRodrigo Conde

É a sociedade do Star Trek, né? No Star Trek não tem dinheiro também, e é todo aquele mundo maravilhoso, super high-tech, em que todo mundo tem acesso a tudo. Quem conhece um pouco mais do Star Trek sabe exatamente do que eu tô falando. No Star Trek é isso, não tem dinheiro. A sociedade já evoluiu além do dinheiro, do capitalismo, e virou uma coisa diferente. Cara, pessoalmente eu acho que é isso que vai acontecer, tá? Eu acho que é isso que vai acontecer.

Eu acho que o modelo capitalista moderno que a gente tem é um modelo que, se AI cumprir a promessa— AI e robótica, tá? Acho que o Elon Musk tem razão aí em relação à robótica também. Se AI e robótica cumprirem essa promessa de libertação do trabalho, né, que o ser humano tem, é, cara, o modelo econômico atual não se sustenta, não fica de pé, né? Mas aí eu acho que você também tem absolutamente razão no que você tá falando, porque quem controla a distribuição do pão e do circo Mantém todo o controle e vai horde pão, né, e entretenimento, porque sabe que é aquilo que mantém o resto da população em xeque.

Era exatamente o que acontecia em Roma Antiga, foi o que aconteceu na União Soviética, entendeu? E aconteceu em outros episódios aí da humanidade igualzinho. Agora, você um pouco mais utópico aqui, talvez, tá? Duas coisas. Primeiro, que quem tá no topo, para um modelo utópico, tem que descer de degrau, né, com certeza. E segundo, é uma sociedade administrada pela inteligência artificial, né. Aí eu acho que pode fazer sentido, entendeu.

Um exemplo que eu gosto de usar com as pessoas: eu gosto muito de carro, então isso para mim é uma coisa até que dói de falar, mas um carro como uma Lamborghini não tem sentido algum existir. Ele não tem uma funcionalidade nenhuma na sociedade, a não ser, né, causar um prazer que é temporário para um cara que tem dinheiro para comprar aquilo. Mas a quantidade de horas de desenvolvimento, engenharia, capacidade intelectual para alguém desenvolver aquilo, materiais, né, um carro como esse usa os materiais mais avançados que tem no planeta, titanio, fibra de carbono, ouro, né, porque é o melhor conduzente de temperatura que tem, é ouro.

Então o motor muitas vezes tem componentes de ouro dentro. Então, cara, é uma coisa que não deveria existir. Tudo aquilo que tá indo para construir uma Lamborghini deveria ir para outro lugar, entendeu? Talvez para fazer um carro mais eficiente que sirva, um Tesla Model 3, entendeu? Para que ele fique mais barato, mais eficiente. Entendeu? E talvez a inteligência artificial, se for, se tomar conta da administração de um governo ou de um planeta, vamos falar assim, consiga enxergar isso e fala assim: opa, pera aí, é o seguinte, eu vou tirar recursos aqui da Lamborghini e eu vou alocar mais recursos aqui para Volkswagen, entendeu?

Que faz muito mais sentido para o bem-estar geral da população. Mas de novo, utópico, tá? Não sei se a gente vai viver para ver isso. Eu acho que até chegar no momento como esse vai ter muita briga, assim, muita.

FPFlavio Pripas

É boa. Mas vamos fechar esse tópico, já falamos bastante do Elon Musk. E se quem tiver nos ouvindo, que tiver curiosidade, entrevista tá lá no YouTube da The Economist, vale a pena, é 1 hora e 20, 1 hora e 30 minutos de entrevista. E eu queria passar para o segundo tópico do nosso bate-papo, Rodrigo, que para mim foi a jogada corporativa mais inteligente, mais incrível que eu vi nos últimos anos, nessa história recente pós-COVID.

A Stripe acabou de anunciar a compra da OpenRouter, que eu quero que você explica o que que é a OpenRouter, o que que eles falam, o que que eles fazem. E é um assunto que a gente já tem falado aqui há muito tempo sobre essa questão de routing de modelo, de uso de modelo. Dependendo da sua tarefa, você vai usar um modelo diferente. Por que que para mim foi foi o anúncio de aquisição corporativa mais inteligente que eu vi nos últimos anos, porque a Stripe ela se gaba de estar construindo a infraestrutura da economia.

Com essa aquisição ela vai construir a infraestrutura da nova economia de agentes, que eu tenho certeza que o tráfego na internet entre agentes, agentes de AI, vai ser muito maior do que o tráfego na internet dos humanos. E eu tenho certeza que o que as transações econômicas entre agentes de AI no futuro próximo vai superar as transações econômicas entre humanos ou entre instituições. Sempre vai ser mediado por um agente de AI.

A Stripe fazendo essa compra, ela entra exatamente na camada de orquestração e comunicação entre os agentes. Assim, é inteligente de um nível absurdo. Foi incrível esse movimento da Stripe. Mas vamos lá, vamos começar pelo começo. Rodrigo, dá uma palhinha para todo mundo. Quem é a OpenRouter, cara?

RCRodrigo Conde

A OpenRouter, ela é um agregador de API de AI, né? Então, ao invés de você conectar o seu sistema ao API da Anthropic, ao API da OpenAI, o API de whatever it is, tá, do Alibaba, do Quain, Moonshot, qualquer coisa que vale aí, você tem um API que você conecta, que é o API que a OpenRouter te fornece, e eles fazem o roteamento para o modelo correto, né? Eu não sei exatamente se eles têm uma inteligência aí que faz a seleção do modelo.

Eu acredito que sim. Se não tiverem, tenho certeza que eles estão evoluindo para isso. Mas é basicamente isso, eles fazem um routing dos modelos e fica mais fácil para você como conector conectar numa API só do que você ter que fazer uma integração com diversos modelos que tem aí, né? E é engraçado que é uma coisa, esse negócio do routing é uma coisa que a gente vem falando aí nos últimos capítulos aí, já faz um tempo já, falando que é o next big thing aí com AI.

E aparentemente a gente tava certo, né? Mas acho que muita gente conseguiu enxergar isso além de nós. E aparentemente o pessoal da Stripe foi, foi muito esperto. E super aquisição, muito inteligente aquisição deles, muito, muito inteligente aquisição deles.

FPFlavio Pripas

É só para as pessoas entenderem melhor essa questão de routing. Routing. Imagina, por exemplo, que você faz uma, você tá conversando com ChatGPT e daí você fala bom dia. Para te responder o bom dia, você não precisa usar o último modelo que hoje, dia, a gente tá gravando isso na quinta, dia 20 de agosto de 2026, porque se alguém for escutar daqui a um ano esse podcast, vai ser alguma coisa completamente diferente. Mas hoje você fala bom dia para o ChatGPT, você não precisa usar o o GPT-5.6 Sol na capacidade máxima de raciocínio.

Você pode usar o 5.6 Luna, o Lua, o menorzinho, na menor capacidade de raciocínio para ele te responder: bom dia, tudo bem? E você? Agora, se você vai fazer uma pergunta sobre: olha, me descobre um buraco negro novo no universo se baseando nesses dados que eu tenho, Daí você pode colocar lá no GPT-5.6 só o extra high para ele descobrir esse negócio. Vai que ele descobre ou não. Mas é esse tipo de routing para o ser humano normal, ele é feito manualmente.

A gente comentou isso acho que no episódio passado, retrasado. Eu faço raramente, eu confesso que na maioria das vezes eu deixo lá no modelo lá no mais capaz e vou usando. Eu mudo só o nível de reasoning, ou seja, eu mudo só o nível de raciocínio. Raras vezes eu mudo de modelo, mas se você tá desenvolvendo um produto baseado em AI, é muito importante você usar o modelo correto, porque senão sai muito caro. O token, que é a unidade que é usada hoje para medir o consumo desses modelos, do GPT-5.6 Sol é o dobro do que o GPT-5.6 Luna.

O Terra fica intermediário. Então assim, se você oferece um produto ou serviço, se você não faz o routing correto, o serviço vai custar muito caro pelo valor que ele entrega. Mas é porque que para mim essa jogada da Stripe é espetacular, porque exatamente pelo que você comentou, Rodrigo, eles estão entrando com essa jogada, eles estão entrando na infraestrutura de transação entre os agentes. E o OpenWallet já é utilizado, eles, eles divulgaram que são utilizados por 5 milhões de desenvolvedores no mundo.

Se já é tão utilizado assim para fazer o auring de modelo, é um passo para fazer auring de modelo, para fazer auring de transação financeira, para fazer auring de transação econômica, para fazer auring de qualquer tipo de transação. Então assim, que é o que a Stripe ela se propõe a construir, a infraestrutura, uma infraestrutura econômica. Então realmente foi um passo, e eu digo mais, Me surpreende que, ou me surpreende não, que a gente não vê os grandes bancos fazendo esse tipo de movimento, né?

Porque o grande banco, ele acaba ficando um negócio meio antigo, que é um cofre, que hoje é um cofre digital. Mas ele, se ele quiser entrar no que vai acontecer nos próximos anos, ele deveria, eles deveriam estar fazendo alguma coisa parecida como isso que a Stripe fez, você não acha?

RCRodrigo Conde

É, cara, com certeza. Eu acho que esse, esse é o grande problema com a Open Router, é que acho que é o grande problema com todos os produtos de AI, né, que não tem muito moat assim. Desenvolver o que eles têm não é necessariamente difícil de fazer, né. O difícil é você ser o cara que realmente roda as transações. No momento que o ecossistema comprou a sua versão daquilo, né, ficou a versão que todo mundo tá usando, aí eu acho que o produto passa a ter um valor.

É interessante que isso é o que tá acontecendo com a maioria dos produtos de AI, né. Eu converso bastante com os empreendedores e tal de AI e eu tenho exatamente essa conversa. Eu falo, tá, mas e aí, você não tem Molt, né? Porque eu consigo replicar o que você tá fazendo aí.

FPFlavio Pripas

Explica o que que é Molt. Bom, o que que é moat?

RCRodrigo Conde

Moat é o fosso do castelo, né? Então é uma barreira de defesa que o castelo medieval tem para uma invasão. E é um termo usado aí no mercado de startup, barra tecnologia, barra outras coisas talvez, para dizer que você tem uma barreira de proteção contra a sua concorrência porque você tem uma propriedade intelectual ou você tem alguma coisa que é uma barreira defensiva contra a sua concorrência, né? E o que muita gente fala é que inteligência artificial não tem muito moat, porque não tem muito essa barreira defensiva, porque desenvolver software ficou tão fácil que hoje em dia qualquer um faz, qualquer um replica coisas, né?

Eu mesmo tive um cliente aqui que virou para mim e falou, Rodrigo, eu quero um aplicativo para controlar meu business. Hoje em dia existem esses 5 SaaS aqui que são gigantes, só que, meu, os caras querem me cobrar de $1.000 a $2.000 por mês para fazer isso aqui. Eu falei, tá, cara, dá aqui, vou replicar isso para você. Cobrei dele, óbvio, né? Não é um SaaS, eu não cobrei para ele o valor que o SaaS tá cobrando, mas eu desenvolvi para ele em 2 semanas.

Então acho que esse é um exemplo perfeito assim, que é uma empresa que antes tinha uma barreira grande, que era, cara, para você desenvolver o que os caras desenvolveram, você precisaria de um time de desenvolvedor, várias pessoas, meses, se não anos de desenvolvimento, interações de produto. Cara, hoje em dia em duas semanas eu repliquei o produto inteiro desses outros caras, entendeu? Então eu acho que esse é o mote, é você não ter essa barreira defensiva mais.

E no caso do Open Router é isso, qualquer um pode replicar. O que que impede a Mastercard, a Visa de falar, então tá bom, a gente vai fazer o roteamento agora, ou a própria Anthropic, ou a própria OpenAI, de oferecer isso como parte do pacote, que é o que eu acho que vai acontecer. Eu acho que os laboratórios vão começar a absorver esse roteamento, porque eles não querem que você roteie os modelos para outros modelos de outros laboratórios.

Não, fica aqui dentro da minha casa, eu faço roteamento para você dentro dos meus modelos, entendeu? E você seleciona qual. Aí me ocorreu uma outra ideia aqui que eu acho que é o próximo passo do que significa routing, que é memorização. Uma coisa é o routing, se você passar o processamento computacional para cada um dos modelos, mas se você tá passando de modelo para modelo, de laboratório para laboratório, muitas vezes o contexto barra memorização não vai junto.

Agora, se o laboratório começa a oferecer e fala assim, eu faço o routing e mantêm a memorização, cara, já é uma coisa diferente, entendeu? Que eu acho que desmonta um pouco o modelo do Open Router.

FPFlavio Pripas

Então, de novo, ou se a Open Router fizer isso, ela aumenta o business dela, porque daí ela pode, por exemplo, porque assim, imagina que os modelos estão virando commodity, entre aspas. Você tem que, os modelos estão ficando cada vez mais baratos, os preços estão caindo, e se você tem uma camada que compara as ofertas e ela desloca a demanda em tempo real, isso é incrível. E se conseguir deslocar a demanda com a memória, ele tem o serviço.

E se conseguir fazer transação financeira em cima também, que é o que é a aposta da Stripe, tem mais valor ainda.

RCRodrigo Conde

É exatamente o que eu acho. O valor dessas empresas de AI tem muito uma coisa de first mover, né, nesse mercado. Porque se você é um first mover, você já conquista um market share grande e você tem um volume de operações barra transações passando dentro do seu sistema, eu acho que aí você começa a ter um moat, porque talvez fica mais complicado do cara virar a chavinha do Open Router para qualquer outra coisa diferente, tá? Aí você começa a formar um moat.

Mas de novo, não é um moat tradicional que a gente tá acostumado a ouvir, que é tecnológico, de produto, de IP, de patente. Cara, tudo isso tá caindo um pouco por água, né? Porque ficou muito mais fácil de você desenvolver essas coisas, especialmente produto tecnológico. Hoje em dia software ficou ridículo de você desenvolver. Então assim, foi muito inteligente essa aquisição, obviamente. Acho que a Stripe acertou. Routing é definitivamente o próximo, né, a próxima necessidade aí dos modelos para não ter esse desperdício de token, desperdício de energia e poder computacional.

Mas de novo, resta saber se o mercado vai de fato adotar o Open Router como o principal provedor de roteamento. Acho que fica incógnita aí, pode ser que sim, pode ser que não. Então não tem um mote muito grande aí, a não ser o número de transações.

FPFlavio Pripas

É, para mim, eu sou um pouco mais, eu enxergo como um passo estratégico incrível, tá? Para mim, a Stripe ela tá construindo praticamente a Visa, Mastercard da era da inteligência. Então assim, hoje você tem tudo quanto é transação no mundo passando por Visa, Mastercard, quando as pessoas estão na rua. Daqui a pouco você vai ter muita transação sendo feita pelos agentes de AI. E quem vai ser o cara que vai estar no meio dessas transações por conta dessa aquisição e tá se preparando para isso, para mim, vai ser a Stripe.

Então assim, se tiver alguém da Visa, da Mastercard escutando aqui, tem que se preocupar.

RCRodrigo Conde

Né, eu concordo com você, eu não discordo não. Mas de novo, fica essa dúvida, né, porque que existe a possibilidade, existe a possibilidade. Mas eu concordo com você, eu acho que a Stripe vai pegar isso e vai ter um crescimento exponencial na adoção do Open Router agora, porque eles entraram no ecossistema da Stripe, na minha opinião.

FPFlavio Pripas

É, mas putz, legal. Mas vamos mudar de assunto, Rodrigo, um outro assunto. Que é follow-up do que de um assunto que a gente falou no episódio 25. No episódio 25, que é o episódio anterior, a gente falou muito sobre outcome-based, que os projetos hoje eles têm que mirar o outcome, tem que mirar o resultado. Eu inclusive falei uma frase que eu tô repetindo cada vez mais, que hoje em dia o custo de você fazer é menor do que o custo de você planejar.

E isso muda tudo como as empresas executam projetos. Mesmo porque toda empresa, ela, ela tem, ela tá acostumada a executar um projeto com modelo consolidado, só que mais tradicional, onde você determina um escopo, faz um cronograma, faz um orçamento, você determina a equipe, tem uma sequência de entrega bem definido, tem uma sequência de teste. Se qualquer desvio daquele plano é tratado com um cinismo, com assim, é tratado como uma falha.

Agora, projetos de tecnologia, principalmente hoje em dia com as ferramentas de AI, fica muito mais barato você trabalhar com a AI para levantar uma hipótese, para você fazer um teste, para colocar aquele teste no ar, para que ele, para as pessoas usarem aquele teste, te passarem feedback, você evoluir aquilo de forma contínua do que o modelo tradicional. E as empresas, elas têm que abrir o olho para isso. Não quer dizer que você vai construir uma ponte, construir um prédio dessa maneira, porque o prédio é uma ponte de Sky.

Agora, nem todo projeto é um prédio, é uma ponte. Tem muito projeto que você pode melhorar ele de forma incremental. A própria escola das startups lá do livro do Eric Ries, que falava startup enxuta, Lean Startup, ele já colocava essa metodologia mais ágil para as empresas, para as empresas pensarem. O Eric Ries tem até um livro lá de capa vermelha que chamava, que é voltado para empresas, com esse modelo ágil voltado para empresas.

Mas eu acho que hoje, com as ferramentas de AI, a gente tá num passo além, num passo onde não faz sentido perder tempo de reunião em reunião em reunião em reunião em reunião em reunião. Para definir algo que você já poderia ter pronto antes da primeira reunião. Qual que é a sua visão sobre esse assunto?

RCRodrigo Conde

Eu concordo em gênero, número e grau, assim. Eu acho que a indústria já passou por momentos semelhantes, né? Por exemplo, a indústria automotiva. E bom, vou dar alguns exemplos aqui. A indústria automotiva, por exemplo, cara, antes, para você prototipar um carro, eles faziam aqueles modelos de argila e depois faziam um modelo tamanho 1:1 para você poder visualizar as dimensões, o carro e tal, não sei o quê. Cara, hoje em dia todos esses caras usam headset de realidade virtual em que eles visualizam ali o carro na frente deles, né, como se fosse um modelo de argila, e conseguem ter, saber as dimensões, saber esse tipo de coisa.

Eles continuam fazendo modelo de argila, que eu sei, Porque tem algumas vantagens de você ter o modelo de argila para você ver ele no mundo real. Mas de novo, ao invés de fazer 20 modelos de argila, você faz um hoje só para depois que você passou por 200 interações na realidade virtual. Impressão 3D também é uma coisa que, cara, você quer visualizar como que um produto vai ficar na sua mão, ergonomia, esse tipo de coisa. Cara, ficou muito mais fácil você fazer isso.

Você desenvolve o arquivo 3D no computador, imprime, em 2 horas, 3 horas tá pronto o negócio. Você vê, fica, pô, ficou legal, tá bom, vamos seguir por esse caminho. Puts, não, ficou uma porcaria, joga fora. E eu acho que agora isso tá acontecendo com o trabalho intelectual de planejamento, né, que era uma coisa que antes você tinha que de novo passar, repensar, olhar por diferentes perspectivas, né. Aqui tem aquele ditado que a galera usa muito, de que é sleep on it, né?

Então, cara, calma, chegamos aqui, vamos, deixa passar um tempo, vamos processar isso na nossa cabeça durante uns dias, e aí a gente revisita isso depois que todo mundo processar um pouco o que isso significa. Cara, é só uma coisa intrinsecamente humana. Aí não precisa sleep on it, entendeu? Ele já vai reiterando aquele planejamento dele. Conforme ele vai encontrando caminhos melhores e falhas, né? E isso muda como que as empresas trabalham, né?

Com certeza. Eu não sei exatamente como que as empresas devem adotar isso, tá? Eu não sei, porque é uma mudança tremenda assim em termos de workflow e de trabalho, especialmente para uma grande corporação. Se a empresa é pequenininha, cara, uma pequena, média empresa, Ficou muito fácil você absorver esse modelo novo, né? Porque, né, é pequeno. Eu, mas uma empresa grande, difícil.

FPFlavio Pripas

Eu escrevi um livro sobre isso, tá? Inclusive falando como empresa pequena, média e grande pode adotar essa mentalidade nova. O livro chama Oda, tá disponível na Amazon. Mas é que qual que é a grande mudança dessa, a grande mudança que tá acontecendo agora? Durante décadas, planejar fazia sentido porque a execução era muito cara. Você tinha que contratar equipe, você tinha que aprovar orçamento, você tinha que integrar sistema, construir produto.

Hoje, a AI, ela consegue criar o plano, ela faz um protótipo, ela testa a hipótese, ela analisa o resultado, ela propõe uma tentativa da próxima hipótese que tem que ser testada. Por mais que a gente fala que o planejamento morreu, não é que o planejamento morreu, É que o líder da empresa, ele tem que mudar aquilo que ele tá gerenciando. Em vez de transformar o plano original num contrato que a equipe precisa defender, porque eu já participei do projeto que o projeto não podia desviar um milímetro, porque senão ia ser um fracasso lá da equipe.

Mas hoje em dia não é mais, hoje em dia não é mais aquele contrato. Hoje em dia o líder ou quem tá fazendo o projeto tem que definir um outcome, tem que definir uma, qual que é a saída E como que você vai chegar naquele, naquela saída, naquele resultado? O que que precisa acontecer? Para quem? Até quando? Como vai ser medido? Que que não pode ser? Qual fronteira não pode ser ultrapassada? Aquilo que a gente chama de guardrails, né, os safeguards, ou seja, até onde pode trabalhar?

Qual que é o limite de risco aceitável. E se essa execução mostrar um caminho melhor, esse caminho ele muda. Aí a pergunta da empresa não vai poder ser mais se a equipe cumpriu a etapa, o prazo e o orçamento. A empresa ela vai ter que começar a perguntar se foi produzido o efeito desejado e se alguma coisa foi aprendida nesse processo dentro daqueles limites de risco, e assim por diante. E reexecutando aquele fluxo. Por isso que eu uso ODA, né, que ele acaba sendo um fluxo.

Quem tiver curiosidade, tá lá no livro, que é um fluxo onde você observa o que tá acontecendo, você se orienta, você decide, você age. Com aquilo você aprende, daí você volta no fluxo, você observa, orienta, decide, age, observa, orienta, decide, age. Ele é muito simples de falar e é o que, na minha opinião, é necessário para que empresas de todo tamanho tem que adotar para conseguir fazer projeto do jeito que o mundo tá exigindo hoje em dia.

RCRodrigo Conde

Concordo. É, eu tinha esquecido do seu livro, mas acho que seu livro é um excelente ponto de partida mesmo para as empresas começarem a adotar isso. E esse, esse modelo do UDA, né, que foi inventado pelos militares, é uma coisa que, cara, funciona muito bem para esse mundo de inteligência artificial. E a própria, o próprio sistema de AI trabalha com uma coisa mais ou menos parecida com UDA, né? Ele tem isso intrínseco já no sistema, que é o loop engineering.

Nada mais é do que isso. Traduzido tecnicamente dentro do que significa para o sistema. Mas sim, as empresas com certeza vão ter que se adaptar e mudar. E assim, as pessoas, né, esse é o lance, as pessoas vão ter que se adaptar a esse tipo de trabalho. Eu acho que tem muita gente que é, o trabalho é fazer planejamento estratégico, né, e esse cara vai ser diretamente impactado por esse tipo de coisa, né. Ou seja, um planejamento que antes demorava, tinha um output do cara de meses, né?

Pô, eu já trabalhei em corporação grande e eu já vi inúmeras pessoas apresentando trabalhos para o time de C-level, diretoria que seja, que tomou meses de pensar e reiterar e pensar como executar aquele trabalho, né? E eu acho que a expectativa que existe em cima daquela mesma pessoa hoje é que você tem um output igual, se não melhor, só que num tempo muito mais curto. Porque hoje a gente sabe que você não precisa sleep on it, né?

Então eu, por exemplo, eu faço uma série de perguntas para quando eu tô trabalhando com AI, que é do tipo: ah, tem alguma coisa que a gente pode melhorar nesse processo? Tem alguma coisa que eu não tô enxergando aqui? Tem algum problema aqui no meu processo que a gente não conversou? E são perguntas que extraem esse tipo de raciocínio do sistema, né? Porque se ele não tá configurado para funcionar em loop em que ele faz isso de forma automática, ele vai sempre chegar numa resposta e você fala, putz, tá bom agora.

Mas e aí, será que tá bom mesmo? Será que não dá para melhorar um pouquinho? Se você não faz essa pergunta, ele não dá o próximo passo de interação, né? Gente automatizada. Então, para quem tá escutando aí, acho que quem tem muita conversa com ChatGPT a respeito de trabalho Faça esse tipo de pergunta, você vai se surpreender às vezes com a resposta que ela dá, porque às vezes ela fala assim, ah, tem, tem sim, tem uma coisa aqui que a gente não discutiu, mas que eu acho que melhoraria o projeto integralmente.

E aí você se surpreende, porque nem você nem a AI tinham visto aquilo ainda, mas quando você faz a pergunta, você faz o cérebro dela, vai entre aspas olhar para trás e ver o que ele poderia melhorar ou o que tem de erro ali, né? Enfim, esse tipo de coisa.

FPFlavio Pripas

E que é o ciclo ODA no final das contas, né? Observar, orientar, decidir, agir. Observar, orientar, decidir, agir. Observar, orientar, decidir, agir. Que é super legal. Para quem está escutando a gente, no nosso site a gente publica a íntegra das notas dos episódios. E eu estava vendo aqui a nota sobre esse tópico aqui. Ele tá um manual de como você tem que pensar esse autocampeio, tá? Eu recomendo muito você entrar no nosso site.

Aliás, a gente só libera as notas integrais se a pessoa se cadastra no site, de propósito, para a gente pegar o email das pessoas. Mas enfim, Ela tá lá. E a nota inclusive fala, olha que bacana, o que que um bom outcome ele precisa conter: a mudança desejada, o beneficiário, ou seja, para quem que aquele resultado cria valor, as evidências, os sinais que demonstram que o resultado aconteceu, o horizonte, até quando e com qual cadência aquele progresso vai ser revisado, quais restrições de custo, risco, sistema estão fora do limite.

Quais são os critérios de parada, que é quando a AI ou a equipe tem que parar de buscar aquele resultado, e quem são os responsáveis. Então é super legal. E aí as notas aqui também dão o exemplo prático de um projeto em uma grande empresa, que eu tenho certeza que um monte de gente vai se identificar. Que um projeto tradicional, o que que ele fala? Ah, eu quero implantar um novo sistema de atendimento em 6 meses com 12 integrações e 40 requisitos.

O que que, como que as empresas deveriam pensar? Eu quero reduzir em 30% o tempo de resolução dos 3 principais motivos de contato sem reduzir satisfação, aumentar incidente de segurança ou excluir cliente que precisa de atendimento humano. No primeiro modelo, no modelo tradicional, a equipe pode até entregar o sistema e o atendimento não melhora. No segundo, a equipe vai buscar aquela melhoria Incremental. Então assim, é o modo de pensar que ele é muito necessário hoje em dia, sempre reforçando.

Como tá cada vez mais rápido e barato fazer os testes, quanto mais rápido você faz os testes, mais você consegue pegar feedback, enxergar quais são os pontos de melhoria para incrementar e melhorar aquilo que tá sendo feito.

RCRodrigo Conde

É, exatamente, cara. E de novo, acho que é o futuro entre aspas aí do trabalho é esse, é você saber trabalhar dentro desse novo, dessa nova metodologia, né? E onde que você, como ser humano, você insere a sua capacidade intelectual dentro desse processo, né? Não é só, e eu acho que muita gente trabalha dessa forma que eu vou descrever, que é você passa lá o que você quer de output para AI, qual que é o problema que você tem para resolver, Aí ela te dá alguma coisa e você fica nesse loop só chamando o sistema, né, falando assim, ah, mas dá para melhorar, dá para ficar melhor, não sei o quê.

Mas você não tá impondo nada intelectualmente falando, né. E aí eu acho que isso é um problema. Acho que as pessoas têm que ter um parar, ler o que aí tá falando, entendeu, analisar aquilo com pensamento crítico, com senso crítico, coisa que é uma coisa rara hoje em dia, mas que as pessoas vão ter que desenvolver cada vez mais. E tentar guiar o sistema, guiar o output do sistema para chegar onde você quer. Mas é uma adaptação.

Acho que muita gente vai ter que se adaptar bastante em como tá exercendo as suas funções aí, especialmente white collar, né, trabalho intelectual.

FPFlavio Pripas

Aliás, uma dica para as pessoas, tá? A AI, ela é ótima em inventar coisa nova para fazer. Nem tudo que aí inventa é útil para aquele resultado que você quer atingir. Então, se você realmente começa trabalhar com outcome-based, ou seja, mirando no resultado. Se a AI foi para um caminho que é desnecessário, que pode até ser bom, mas é desnecessário, manda ela parar. E se aquele contexto— olha a dica— se aquele contexto ficar sujo por conta da insistência da AI de ir por um determinado caminho, abre uma nova conversa, um contexto limpo, e faz o negócio do zero. Porque isso já me ajudou várias vezes. Você já faz isso também, né, Rodrigo?

RCRodrigo Conde

Eu faço, cara. Inclusive essa semana eu cheguei numa conversa com a É que nunca tinha acontecido comigo. Ela falou assim, eu não consigo mais seguir essa conversa, essa conversa já tá muito extensa, eu não consigo seguir mais. Eu fui obrigado a abrir uma conversa nova. Mas sim, eu faço isso às vezes porque às vezes ela se perde no próprio raciocínio, né? E aí entra o problema de memorização, que eu até levantei essa bola aí, como eu acho que vai ser depois do routing, o problema de memorização vai ser uma coisa importante, que é Aí ainda tem dificuldade de saber o que ela grava na memória dela e como, e o que ela não grava na memória dela.

Então esse é o problema de um chat muito comprido, ela escolhe às vezes as coisas erradas para gravar na memória dela. E então conforme você vai tendo a conversa depois de muito tempo, você vai perdendo pontos de contexto que são importantes, mas que aí não sabia, ela excluiu aquilo quando ela comprime a conversa. E aí quando você vai continuar, você fala, pô, pera aí, mas isso aqui tá indo, tá indo para outro caminho agora, né?

Não era exatamente o que eu tinha na cabeça no começo. Uma técnica que eu uso, que eu acho que é um bom caminho, e aí eu já não tô falando mais de uma conversa dentro do ChatGPT ou dentro do app da Anthropic com o Claude, não, é no Claude Code que você tem a possibilidade de ter um repertório com arquivos, né? Eu sempre peço para ela finalizar toda sessão de trabalho que eu faço com a AI, eu peço para ela atualizar a documentação.

E aí eu sinto, eu faço isso, ela atualizou a documentação, porque, meu, aí, cara, você precisa iniciar uma conversa nova, todo o contexto tá naquela documentação. E não precisa ser um livro de documentação, pelo contrário, precisa ser uma documentação bem feita, bem executada, mas que só precisa transparecer o contexto daquilo que você fez. E se você tem essa, essa dinâmica de trabalho com a AI, fica muito mais fácil de fazer esse tipo de metodologia que a gente tá falando do Uda, né?

Porque ela, ela tende a não se perder tanto, porque todo o contexto do porquê que vocês estão trabalhando junto, qual que é o objetivo, o que que mudou ao longo das interações que vocês fizeram, tá lá num documento, né? E enfim, acho que essa é uma boa dica aí para quem quem tá começando, vai.

FPFlavio Pripas

Ô Rodrigo, aliás, num dos próximos episódios a gente podia pegar um dia só mostrar como que a gente usa AI no nosso dia a dia. A gente compartilha a tela, conversa, mostra, porque acho que o pessoal vai gostar. É uma boa ideia, vou colocar isso no nosso bot para os próximos episódios. Mas Rodrigo, vamos tentar manter aqui uma hora e pouco. Pessoal adorou quando a gente acabou o episódio uma hora, porque fala que é exatamente o tempo da esteira.

Então é mais um bate-papo muito bom, muito bom. E obrigado, obrigado. E vamos lá, episódio 26. Obrigado, Rodrigo.

RCRodrigo Conde

Muito bom, valeu, Prippas. Papo excelente. E pessoal, continuem mandando, mandando coisas aí para nós, mandando feedback, mandando assuntos.

FPFlavio Pripas

Eu, eu, eu e o Prippas, a gente lê todos e curte bastante e usa aqui. Inclusive, a gente vai começar a incorporar cada vez mais feedback que o pessoal tá usando. Legal. Se você tiver curiosidade, a nota completa tá no nosso site, inclusive com uma, um livro aqui, toda a metodologia para você fazer o outcome-based. Tem várias dicas, não é um livro porque tá bem resumido, mas super, tá super legal. E crítica, sugestão, comentário, só mandar para gente, todos os canais, tá bom? Valeu, pessoal, abraço!

RCRodrigo Conde

Valeu, pessoal, abraço!

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