#011 - O Momento Kodak da SAP, China x EUA (x Brasil), a corrida da AI
Neste episódio 011 do Between Futures, Flavio Pripas e Rodrigo Conde discutem como a tecnologia está mudando de escala: do design digital que deveria levar a uma vida mais offline até a guerra industrial por GPUs, energia e data centers.
A conversa passa por:
- a campanha do Pinterest e a crítica ao scroll infinito;
- Anthropic alugando compute da SpaceX e dobrando limites do Claude Code;
- a previsão de data centers orbitais até 2031;
- 1.302 casos reais de IA generativa mapeados pelo Google Cloud;
- agentes corporativos, automações reais e linguagem natural sobre sistemas legados;
- o “momento Kodak” da SAP ao restringir APIs para IA;
- EUA x China, indústria, tecnologia e o dilema estratégico do Brasil;
- Codex Pets, Clippy e a nova interface emocional dos agentes de IA.
A pergunta central: a IA vai ampliar a vida real, redesenhar empresas e democratizar automação — ou vai concentrar ainda mais infraestrutura, dados e poder nas mãos de poucos players?
- Lei de Moore e limites da computaçãoAcordo Anthropic e SpaceX para uso de data center · Elon Musk e seu data center 'Colossus 1' com GPUs NVIDIA · Demanda por capacidade de computação para IA · OpenAI e projeto Stargate com Oracle e Iconsoft Bank · Ameaça de algoritmos de IA rodando localmente em computadores · Modelos open source chineses e quantização · Barreira de entrada crescente para competir em IA · Modelos de IA se auto-evoluindo · Falta de dados para treinar modelos de IA · Uso de dados sintéticos e seus problemas · O 'momento Kodak' de empresas que não abraçam a mudança · Data centers orbitais e a Terra ficando pequena para IA · Previsão de data center espacial operacional em 2031
- Gestão de vida offline vs onlineCampanha do Pinterest: 'The best things you can find online is a reason to go offline' · Crítica ao scroll infinito e vício em redes sociais · Uso de tecnologia para atividades offline (cozinhar, hobbies, viajar) · Impacto da tecnologia na saúde mental e relações interpessoais · Reddit como plataforma construtiva vs. mídias sociais · Uso de IA para planejar viagens e resolver problemas do mundo real · O futuro do design digital: gerar melhores consequências offline · IA como ferramenta para ampliar a vida real
- Modelos de IARelatório do Google Cloud com 1.302 casos reais de IA generativa · IA saindo do campo teórico para produção em larga escala · Agentes de IA proativos e automação de processos · Automação de fluxos de trabalho com IA e Python · IA como assistente para resolver problemas do mundo real · Secretária virtual e interação com agentes de IA · Gestão de inventário com agentes de IA · Uso de IA para interpretar logs técnicos (Watchtower) · Cinco padrões emergentes do relatório do Google: times de agentes · Linguagem natural como tradutor de sistemas legados (SAP, Mainframe, COBOL) · Mídia generativa como fábrica de baixo custo para variações personalizadas · Multimodalidade da IA digitalizando o mundo físico · Cibersegurança com autorremediação via agentes de IA · Agentes de IA como silos especializados com personas · Transformação de dados em informação pertinente pela IA · Janelas de contexto crescentes em modelos de IA · Democratização do acesso a sistemas legados via linguagem natural · Analogia da aviação: IA simplificando a interface do cockpit
Fala pessoal, tudo bem? Meu nome é Flávio Pripas. Meu nome é Rodrigo. E esse é o episódio 11 do Between Futures. Aliás, Rodrigo, eu recebi um feedback que o pessoal tá adorando o nosso podcast, o nosso bate-papo, mas a nossa introdução não tava tão boa. Então hoje a gente profissionalizou um pouquinho, né? A gente vai adaptando aí o que o pessoal tá falando e vamos que vamos, cara. Que bom que o pessoal tá gostando. Eu também tenho recebido um feedback super positivo. E vamos pra mais um.
E vamos pra mais um. Já vamos começar com o primeiro tópico. Eu fui no cinema nesse final de semana, eu assisti dois filmes. Eu assisti aquele Diabo Veste Prada 2 e eu assisti o filme do Michael Jackson. E nos dois no cinema aqui nos Estados Unidos tem uma campanha do Pinterest que eu achei muito legal, que eu falei, eu tenho que começar o episódio dessa semana no podcast falando dessa campanha.
que ele falou, que ele faz uma inversão super interessante, que ele falou que the best things you can find online is a reason to go offline. Ou seja, as melhores coisas que você acha online são razões para você ir offline.
O que ele quis dizer com isso? As melhores coisas que você vê online são pessoas viajando, são pessoas se divertindo, são pessoas indo para lugares bonitos, são pessoas vendo coisas bonitas, fazendo coisas agradáveis. E no final das contas, são todas coisas que levam as pessoas para o mundo offline e não online. Eu achei uma inversão tão bacana que eu quis trazer para cá essa discussão, porque é uma discussão...
que é bastante filosófica até, porque a gente está passando cada vez mais tempo em tela, e no último episódio, no episódio 10, a gente falou daquela transformação, principalmente na juventude, com as crianças, que é da rua para o condomínio, do condomínio para a sala, da sala para a tela, da tela para a gente. Por mais que a gente está indo, entrando cada vez, interagindo cada vez mais com a tecnologia, o mundo offline é ainda aquilo que traz...
o nosso ser humano é ainda que traz o nosso, talvez o melhor da gente. O que você acha disso, Rodrigo? É o mundo real, né? Eu acho que faz total sentido. É interessante também porque eu fiquei pensando a respeito disso do ponto de vista de business também, né? E eu acho que a gente está entrando num...
no mundo agora com inteligência artificial, que problemas virtuais, problemas de software, coisas que você precisa resolver, que são problemas para você dentro do computador, ficaram muito mais fáceis de resolver. Tanto que a gente falou em outros episódios do Saspocalypse, que as empresas de SaaS estão perdendo valor. E por que isso está acontecendo? Porque esses problemas estão ficando muito mais fáceis de resolver. O que está difícil de resolver são os problemas do mundo real também.
Então, tanto que o tipo de automação que eu faço para os meus clientes são automações, a sua grande maioria, mais de 90%, para resolver problemas do mundo real. São coisas que envolvem o mundo digital, mas são para resolver problemas do mundo real. E eu acho que isso tem a ver também com essa campanha do Pinterest, que é isso, o que você encontra hoje na internet, no mundo virtual, são coisas que refletem...
o mundo real. Então hoje você quer, sei lá, planejar uma viagem, cara, ficou muito fácil planejar uma viagem com inteligência artificial, muito fácil. E é um negócio do mundo real, certo? Você está planejando alguma coisa para fazer.
no mundo real. E antes não, antes planejar uma viagem era difícil, você tinha uma série de problemas, como que eu vou pegar tudo, compilar dentro de um software só, aí tinha o Kayak que fazia isso, há muito tempo atrás que lançou esse negócio, e hoje ficou muito mais fácil de você fazer esse tipo de coisa. Eu acho que faz total sentido, eu acho que é exatamente para o caminho.
que a gente tem que ir e a promessa que a inteligência oficial trouxe, né? Que é liberar a gente para fazer mais coisas reais.
É, ficou mais fácil por um lado, mas por outro lado, acho que eles estão fazendo uma crítica enorme àquele scroll infinito, né? Que as pessoas estão ficando cada vez mais viciadas e está dando até impacto na saúde mental das pessoas. Porque as plataformas sociais, elas foram treinadas, elas foram desenvolvidas, na verdade, para que você viciasse naquele scroll, você ficasse olhando...
uma coisa atrás da outra sem parar. E a crítica que ele faz é, não, tudo bem você usar uma rede social, mas usa isso para começar a cozinhar, para começar um hobby, para viajar, para decorar, para criar, para aprender, para encontrar alguém. Tenta sair da tela, não usa só na tela. A vida não acontece na tela. Esse que é o mote principal. A vida acontece fora da tela. A tela é parte.
mas a vida acontece fora da tela. E a gente tem que cada vez mais equilibrar isso, porque senão a gente fica completamente dependente. Tem um curta, um curta muito legal, que eu usava numa palestra minha de 2017.
Eu vou pegar até o nome, eu não peguei agora como referência, depois eu pego e coloco aqui na descrição. Mas era um curta que mostrava as pessoas só olhando para baixo no celular, andando de um lado para o outro. A pessoa estava andando na rua, abria um bueiro, caía no bueiro. Uma criança estava jogada num canto, os pais estavam usando o celular. Uma das coisas que eu acho mais horríveis na face da Terra, uma mesa de jantar assim com toda a família, todo mundo olhando no celular, ninguém conversando com ninguém.
Então, assim, a gente tem que tomar cuidado para que isso não aconteça. A gente tem que olhar e ver que o mundo está acontecendo lá fora e que o mundo é bonito também quando a gente olha o mundo através de uma lente mais positiva.
É, eu acho que talvez é uma crítica mais à social media, né, como um todo, porque essa parte viciante que você falou vem do social media. Inclusive, eu aqui, eu comprei um negócio que chama Brick, que é um tijolinho que você põe em qualquer lugar da sua casa e ele bloqueia os aplicativos e você só consegue desbloquear o aplicativo se você vai lá e dá um tap, né?
NFI aí, que tá dentro desse quadradinho, e ele bloqueou os aplicativos. Porque eu senti que eu tava assim, cara, eu tinha um tempo livre, eu pegava o celular e ficava lá no Instagram, e cara, eu gosto muito de carro, o Instagram pra mim mostra muita coisa de carro, e eu fico lá, assim, num loop infinito, né? E eu percebi que isso não tava me fazendo bem, porque não...
tava adicionando o zero na minha vida nesse sentido, entendeu? A tela. Tem coisas que eu acho que sim, eu gosto muito do Reddit por exemplo, e o Reddit é um que eu não bloqueio mas eu sinto que o Reddit eu uso de uma maneira muito mais construtiva tá? Eu me conecto com
diferentes pessoas, eu converso sobre assuntos diferentes. Rola uma troca no Reddit, especialmente minha. Eu não sinto que o Reddit eu só consumo. Eu sinto que o Reddit eu também troco. Eu converso com as pessoas, eu pergunto, eu posto coisas e espero uma resposta.
Mídia social não, né? Mídia social você mais consome do que posta. Inclusive eu, pessoalmente, eu tenho postado cada vez menos em mídia social. Minha vida pessoal, nossa, raramente hoje em dia eu pego e falo assim, ah, vou fazer um post aqui. Eu não tenho motivação mais para fazer isso, assim. É engraçado, mudou um pouco minha perspectiva em relação a isso. Talvez seja um reflexo exatamente que essa campanha quer pegar aí, né? De eu estar a querer...
querer estar mais presente no mundo real, mas eu acho que faz total sentido, mas é uma crítica mais à mídia social, né, porque a internet, de novo, o Reddit, eu não considero exatamente mídia social, muita gente considera, eu vejo como uma coisa diferente, eu vejo, pelo menos para mim, como uma coisa mais construtiva, né, que é o que você falou, é usar a tela para fazer outras coisas, né, então...
a maneira com a qual eu interajo e consumo o conteúdo do Reddit é muito mais construtivo, é para fazer coisas, às vezes de trabalho, eu vejo muita coisa lá de AI também que eu uso no meu dia a dia, vejo as coisas dos meus jogos de simulador, conecto com as pessoas. A semana passada eu vi um cara que conectou um volante de Ferrari real no simulador mental dele.
Cara, entrei em contato com o cara e falei assim, meu, como é que você fez? Eu tenho um volante de Alfa Romeo aqui do meu carro que eu vendi e, pô, quero fazer igual, entendeu? Então, assim, é uma coisa mais construtiva, entendeu?
É, eu acho que é exatamente isso, né? A gente mesmo, quando a gente falou de começar esse podcast, a gente falou, pô, a gente não posta quase nada em rede social, mas hoje, queira, queira, não é uma ferramenta de trabalho. Tá gerando resultado pra você, tá gerando resultado pra mim. Acho que a gente não tem como negar isso, além da gente poder fazer essa nossa terapia conjunta de poder verbalizar.
tudo aquilo que a gente lê, tudo aquilo que a gente estuda. Mas a gente sabe que em rede social tem muita coisa falsa, aquela brincadeira. Parece que no Instagram todo mundo é alegre, feliz e contente. Parece que ninguém tem problema no Instagram. Parece que todo mundo é rico, bem-sucedido e viaja para os lugares mais bonitos, enquanto você sabe que tem gente que fica refém disso e tem gente que se engana para enganar os outros.
nessa postagem, que é uma coisa extremamente nefasta na minha opinião mas o que eu gostei também, eu concordo com os seus pontos e o que eu gostei também dessa campanha do Pinterest é que me traz um insight onde talvez a gente tem que até mudar o que que significa um bom design digital porque o design digital agora nos últimos 10, 15 anos ele foi feito pra prender as pessoas e aí
Mas talvez o melhor design digital, a partir desse ponto, não é o que vai prender as pessoas, mas é o que vai gerar melhores consequências offline. A pessoa aprender uma coisa, a pessoa fazer uma coisa, a pessoa se interessar por alguma coisa nova, a pessoa ter curiosidade. Eu vou lembrar de novo lá o índice de curiosidade do Guilherme Horn. Então, assim, quanto mais índice de curiosidade as pessoas têm hoje no mundo, que está mudando cada vez mais rápido, melhor.
A internet, todas essas tecnologias, elas têm que ser uma ferramenta para a gente viver melhor. Então, em vez dos produtos digitais, eles substituírem a vida, para mim, os produtos digitais, eles têm que ampliar a vida. E essa é uma mudança urgente que a gente tem que fazer. E a AI, para mim, está vindo para isso. Ela vai ampliar o nosso potencial.
Eu concordo. Tem um porém, né? Por exemplo, o Instagram é uma plataforma que, cara, todos os meus amigos estão lá no Instagram, entendeu? Pelo menos a grande maioria dos meus amigos estão lá no Instagram. Então, cara, morando fora, especialmente, é uma maneira que eu sinto de me conectar com esses amigos. Grupo de WhatsApp, eu tenho um grupo de WhatsApp com todos os meus amigos no Brasil.
E, cara, é uma maneira de eu me comunicar com eles, entendeu? Saber o que está acontecendo na vida deles e tal. Porque, cara, eu no final do dia vou para o Brasil duas, no máximo três vezes por ano, entendeu? Então tem isso também. Eu acho que...
Para dar certo, você precisa ter a sua audiência lá, né? Você precisa ter o seu público lá, seus amigos lá. Esse é o grande problema. O Reddit, por exemplo, para mim, é diferente. Meus amigos não estão no Reddit, tá? Eu não sigo nenhum dos meus amigos lá, nem sei se eles estão lá ou não. Mas eu sigo assuntos específicos que eu gosto, que fazem parte de uma comunidade maior.
Então a gente fala do mesmo assunto. Até o que você falou de muita gente mentir e tal, não sei o quê. Cara, o Twitter e o Instagram, lotado disso, né? O Instagram, então, cara, lotado desses especialistas que mal sabem o que estão falando direito. Mas eu sinto também que a comunidade não cobra desses caras uma posição mais elevada. Enquanto que no Reddit, como as comunidades são muito focadas...
Todo mundo que está lá, está lá a fim de conversar, é um fórum, a fim de trocar ideia. Então, se aparece um desses caras meio charlatão, que não sabe direito o que está falando, cara, não tem algoritmo, né? Porque você vota para baixo lá no Reddit. Então, você vai, o cara começa a falar besteira, vota para baixo, acabou. O post dele vira flechinha negativa lá, já não começa a aparecer para mais ninguém, entendeu? Fica super downvoter aí.
Tanto que algumas comunidades que eu sigo, tem uns caras lá que entram e tentam fazer marketing.
tentam falar assim, ah nossa eu inventei esse produto aqui cara, não passa um então é uma coisa positiva no final do dia, mas eu ainda acho que tem um aspecto viciante, tem que tomar cuidado aí com
É, para mim a pergunta que fica no ar, e a gente vai deixar essa pergunta no ar para a gente passar para o próximo tópico, é que será que desconectar é liberdade ou privilégio? Mas vamos lá, vamos passar para o próximo tópico. Uma notícia quente, que sobre essa... A gente fala dessa aceleração do uso de AI. A Antropic estava sofrendo, estava perdendo um monte de usuário do Cloud Code nas últimas semanas. A Antropic não estava dando conta da demanda.
E a Antropic anunciou ontem um acordo com a SpaceX que o mercado todo achou incrível ao mesmo tempo e bizarro ao mesmo tempo. Porque a SpaceX, para quem não sabe, a SpaceX é fundada pelo Elon Musk, acabou de fazer um merge com a XAI, que também é do Elon Musk, e que acabou de fazer um merge com o X, que é o Twitter, tudo do Elon Musk. É o ecossistema Elon Musk.
está se juntando de uma maneira e de outra. Só que o Alomansky, ele é uma pessoa extremamente visionária. Não dá para a gente negar isso. Enquanto estava todo mundo brigando, ele estava comprando o chip da NVIDIA. Ele estava comprando máquina da NVIDIA para poder fazer treinamento e inferência de AI. E ele hoje, ele tem um data center que ele está chamando de Colossus 1, que é um dos maiores data centers para treinamento e inferência de AI, com 220 mil GPUs da NVIDIA.
com mais de 300 megawatts de energia, e esse data center é em Memphis, e a Antropic anunciou que vai começar a usar o data center do Elon Musk. Vai começar a usar? A primeira coisa que a Antropic fez, ela já liberou o uso do Cloud Code, já deu o dobro de uso nas janelas de 5 horas, tirou restrições de pico para os planos Pro Max. Então, assim, ela falou, gente...
Comprei capacidade de computação. Agora vai lá e usa. E é o que a gente está vendo. A própria OpenAI tinha anunciado no final do ano, no começo do ano, aquele projeto Stargate com a Oracle e com a Iconsoft Bank. Também para poder fornecer poder de computação para todo mundo. Porque quer queira, quer não.
Da mesma forma que a gente tem fábrica, uma coisa que se fala muito é fábrica de produtos físicos aqui nos Estados Unidos, uma das coisas mais importantes que a gente precisa construir é fábrica de tokens, para que as pessoas possam usar AI e possam extrapolar os seus limites. Coisa que o Brasil não está fazendo, que a gente vai falar mais tarde sobre Brasil versus China, tá? Então fica aí no podcast para você escutar, que vai ser um tópico que vai chegar aqui um pouquinho depois. Mas, enfim, movimento Dantropic.
Compra de capacidade, entrega de capacidade para os usuários, os usuários demandando cada vez mais capacidade. Onde que isso vai parar?
É, cara, eu, assim, algumas coisas aí no que você falou. Eu achei bizarro esse deal aí da Antropic com a SpaceX, mas o que eu acho que aconteceu? Eu acho que o Elon Musk fez esse data center esperando um surge aí de uso do Grok ou do XAI, o que é que eles chamem lá, a inferência de inteligência artificial dele. Isso não veio, tá? Então ele tinha... Não veio.
capacidade computacional ali disponível que ele falou, tá, tá bom, agora como é que eu faço dinheiro com todo esse negócio aqui que eu investi? Quem que tá precisando de computador? Antropic, vou lá falar com esses caras. Antropic, OpenAI também, mas ele tem toda uma briga lá com o Sam Otman, então eu não imaginava esse deal saindo com a OpenAI de maneira alguma, tá? Até fazer qualquer coisa com a Antropic é uma alfinetada no Sam Otman no final do dia, né?
Só deixa eu abrir um parênteses aqui Antes de você continuar Que o Elon Musk Ele tinha criticado publicamente Antropic antes Ele tinha chamado Antropic de misantropic De evil, de demoníaca E daí ele falou agora Ontem, anteontem, que ele passou um tempo com a equipe E ninguém acionou O evil detector dele Ninguém acionou Se alguém é demoníaco lá Botou o dinheiro na frente dele Ninguém acionou
Acho que ele mudou um pouco a opinião do que ele achava. Mas eu acho, olhando de maneira bem pragmática esse deal aí, eu acho que é isso que aconteceu. Eu acho que ele construiu uma coisa esperando uma demanda de computação da própria X. Isso não aconteceu. E aí ele está vendendo esse poder computacional. E aqui, no outro lado...
Pô, para usuários da Antropic, eu sou usuário do Cloud Code também, cara, maravilhoso. Se dobrou os rates, pô, maravilhoso. Eu estava no tier mais alto da Antropic, pô, agora eu já cogito descer talvez um tier, entendeu? Porque se dobrou a capacidade do tier anterior, quem sabe o que eu estou usando já não encaixa lá, né? Eu não sei, porque eu uso, assim...
Muito. Então eu não tenho uma resposta ainda pra saber se eu encaixo no tier anterior, mesmo com essa dobrando a capacidade de tokens. Mas, cara, é maravilhoso pra quem é usuário. Eu acho que dá uma vantagem competitiva aí no final pra Antropic um pouquinho, porque você tem uma capacidade maior agora pra usar o algoritmo deles. E volta aquilo que a gente já falou em outros episódios, de que o grande vencedor dessa corrida aí tchau
quem vai fazer dinheiro nessa nova revolução industrial, entre aspas, que a gente está vendo acontecer, é o cara que é dono do computador, né? Não é só a NVIDIA, mas é quem é dono do hardware, é quem é dono do poder computacional, porque todos esses algoritmos, todos, absolutamente todos eles, precisam de poder computacional, de inferência. E eu acho que, e aí também a gente pode falar isso junto com o assunto da China depois, eu acho que a grande ameaça...
para esses data centers é você ter algoritmos de inteligência artificial rodando localmente no computador. Porque não vamos esquecer que, cara, existe um poder computacional descentralizado na mão das pessoas gigantesco. Meu laptop super poderoso, meu computador de gaming aqui super poderoso. Cara, ele está idling, ele está com o processador dele em 10, 15, 20%. Muito.
95, 99% do tempo ele está com o processador sem fazer nada, entendeu? Se alguém inventar um processamento descentralizado, que é um pouco a promessa que o blockchain tinha, eu conheço algumas empresas que estão tentando fazer isso, cara, é uma ameaça. E os modelos open source chineses, que hoje o QAN 3.6, por exemplo, que hoje o QAN 3.6, por exemplo,
eles fazem quantização, então ele diminui quantos tokens estão ativos no modelo, fazem uma destilação, destilação, e o modelo fica menor, dá para rodar em laptop, dá para rodar em computador de gaming, coisa parecida, e ele está ficando cada vez mais próximo desses Frontier Models, que são os últimos modelos que a OpenAI e a Antropic estão...
rodando, né? Mas é isso, eu acho que quem tem o poder computacional vai conseguir rodar todas essas inferências que a AI precisa rodar.
É, a gente está criando expectativa para o tópico sobre China, porque vai saber se esses modelos open source chineses estão espionando as pessoas que estão usando eles. Mas uma coisa que esse movimento deixou muito claro, já era claro, mas está ficando cada vez mais claro, é como a barreira de entrada está ficando cada vez mais difícil para alguém competir.
Com esses grandes... Com esses... High scalers, vamos dizer assim. Quem tem esses data centers gigantes e quem tem esses modelos gigantes. Porque mais capacidade vai melhorar o produto para o usuário. Mas ela está tornando a corrida inalcançável para laboratório, startup e o país sem acesso a bilhões e bilhões e bilhões de infraestrutura.
Totalmente, concordo 100% com isso. Aliás, eu acho que essa é uma corrida que já está ganha. Hoje, para um player entrar novo e falar, cara, eu vou construir data center, ou eu tenho até mesmo os modelos locais.
de, desculpa, os modelos base, da base da pirâmide de LLM, cara, essa corrida tá perdida já, entendeu? Não tem como você treinar mais um modelo que vai competir com o Chet PT ou que vai competir com o modelo da Antropic. Cara, honestamente, não tem mais. Essa corrida já tá ganhando. Mesmo porque os próprios modelos, eles se auto-evoluem, né?
Ele se auto evolui, o Antropic, a OpenAI, eles próprios falaram que eles estão usando o próprio produto da Antropic, o próprio produto da OpenAI, para melhorar o próprio produto, então é assim, é uma bola de neve. O que falta hoje em dia para todos esses caras é mais dados, né, porque falta dado, tudo que existia disponível de data para treinar os modelos os caras já consumiram, o que falta hoje é dado, dado sintético não é igual, ele acaba poluindo o modelo no final.
O dado sintético, para quem não sabe, é dado que o próprio computador cria o dado para preencher lacunas. É uma coisa muito usada em machine learning, que às vezes você precisa preencher todas as lacunas e você usa um algoritmo que ele cria dado sintético. A gente chama de sintético, mas é um dado falso. Ele cria um dado falso para preencher lacuna, para que o modelo de machine learning consiga fazer o cálculo.
E eles até tentaram usar dado sintético pra conseguir fazer o treinamento desses novos modelos, mas eles viam que poluíam e o resultado ficava pior no final do dia, né? Mas sim, eu acho que tá cada vez mais difícil. Eu até, só pra concluir, eu até vi um cartoon do New York Times, não sei se era do Times ou do The New Yorker, não lembro qual que era. Eu vi hoje de manhã.
que estava dizendo assim, São Francisco hoje em dia, e aí tinha um monte de barraquinha do cara vendendo a pá, vendendo shovels. E aí aparecia um outro cara com a mochilinha assim, e um dos vendedores de pá falava assim para ele, ah, você está aqui para fazer mineração?
você está aqui para fazer mineração eu estou vendendo pá, o cara fala, não, não, não, eu vim vender pá também, o que isso quer dizer? Lá em São Francisco está cheio de empresa que está tentando solucionar o mesmo problema, entendeu? Que são esses problemas de AI, que cara aparentemente não é mais um problema o que está hoje dando dinheiro é você prover o serviço é você ser o minerador, você falar assim, tá bom, agora eu vou pegar todos esses algoritmos mil que tem de inteligência artificial e eu vou usar isso tchau
para solucionar problemas reais da empresa. E voltando um pouco para o primeiro assunto do mundo real, eu vou usar toda essa inteligência, esse poder computacional que existe disponível hoje no mundo e no mercado e vou solucionar problemas reais. E aí entra a parte do serviço, que aí, de acordo com o Cartoon, é o cara que tem que comprar a pá, que no caso aí seriam os modelos de AI, e usar isso para fazer a mineração, que no caso seria um serviço para resolver o problema das pessoas.
Esse é exatamente o gancho para o nosso próximo tópico. Mas antes de passar para o próximo tópico, eu queria falar uma coisa antes de ser a questão da Antropic, que voltou à tona um tema que a visão da Lomansk vai se realizar. Aquela questão de você ter compute orbital, de você ter data center no espaço. Data center no espaço não precisa de refrigeração, que é um dos grandes vilões que estragam aqueles ecossistemas onde os data centers estão inseridos. E provavelmente... ...
E energia solar também, energia nuclear. Então, assim, faz muito sentido na ficção científica, mas também é um jeito de dizer que a Terra já está ficando pequena para toda a ambição de AI. Então, assim, é muito legal que a própria Antropic falou agora, deu as mãos para o Elon Musk e falou, olha, Musk, você não é louco, a gente topa quando você começar a colocar a data center no espaço a jogar parte do nosso processamento lá. Então, já que a gente vai desenvolver o nosso mercado de previsão,
Todo episódio agora eu estou fazendo as previsões e quando eu tiver um pouco mais de tempo eu vou desenvolver o nosso polimarket, o nosso caos interno aqui de previsões. Mas vai uma previsão aqui. O primeiro data center no espaço vai estar operacional em 2031.
Ah, justo, justo. Talvez até antes, hein? Eu não arrisco. Daí as pessoas vão votar se acham que é antes ou acho que é depois. A minha previsão é 2031. Ah, boa. Eu acho também que vai acontecer mais breve do que a gente imagina aí, com certeza, porque a lógica é muito...
simples assim, de que vale a pena colocar lá em cima, né? E essas máquinas no final, elas não são pesadas. O grande problema de colocar coisa no espaço é o peso, né? O mais pesado, o mais difícil é, mais combustível gasta e mais dinheiro custa pra colocar lá em cima. Essas máquinas no final não são tão pesadas, então faz sentido.
Mas vamos lá para o próximo tópico, que você já fez o gancho perfeito, que é a gente poder usar AI, a gente poder usar essa computação toda para resolver casos reais. E o Google, o Google Cloud divulgou um relatório na semana passada, ele atualizou, na verdade, o relatório onde lista casos reais de AI, de grandes organizações. Ele começou com 101 casos.
e agora chegou a 1.302 casos. O primeiro exemplar desse relatório foi em 2024, dois anos atrás. Eram 101 casos, agora ele está em 1.302 casos publicados. E é uma peça de posicionamento comercial do Google, mas é um termômetro super valioso para mostrar que a conversa saiu de o que dá para fazer com AI para onde a AI já está sendo colocada em produção.
E é muito bacana porque o assistente, ele deixou de ser passivo e os casos cada vez mais estão mostrando o uso de agentes de AI, que é quando a gente, ele toma uma... Que é o que a gente fala aqui no nosso Between Futures todo episódio, quando o agente, ele é proativo, ele toma uma ação, ele toma uma ação no lugar do usuário, ele automatiza um processo, ele até, algumas vezes, ele acaba substituindo...
trabalho humano. E é super bacana ver como que isso está evoluindo no mundo real e acho que, Rodrigo, é bacana você compartilhar. Eu sempre gosto de chamar você porque você está nesse mundo real, de fazer automação com AI para os seus clientes. Fala um pouco do que você leu nesse relatório do Google e fala um pouco do que você está vendo nos seus clientes também de caso real de uso da AI para que as pessoas possam escutar isso de quem faz.
Cara, eu acho assim, esse relatório do Google é sensacional porque também dá um pouco de veracidade para o uso de AI. Eu acho que tinha muita gente ainda e tem muita gente que é um pouco cética ainda, que fala assim, tá, mas e aí, funciona, dá para fazer, não entendo onde eu posso usar aqui no meu negócio e tal. E a realidade é que tem...
inúmeras oportunidades de automação dentro do negócio, basta você ter a cabeça criativa de enxergar o problema e entender onde que a AI ali vai ajudar. Às vezes a inteligência artificial não é a melhor solução, às vezes a melhor solução é escrever um script de Python automático, mas que ele é acionado pela AI, que é onde a maioria do meu trabalho revolve em volta disso. Eu não é que eu ponho a AI lá dentro dos meus clientes.
e ela magicamente começa a solucionar problemas. Não, não é assim. Meus clientes me passam um workflow. Vou te dar um exemplo aqui. Eu tenho um cliente que ele é franchisor do Burger King. Ele tem 33 restaurantes aqui.
no sul da Flórida do Burger King. E ele tinha um problema em que ele tinha vários invoices de serviços vindo para cada um dos restaurantes. Então, manutenção de ar-condicionado, manutenção do forno, do fogão, whatever. Cada restaurante tinha um invoice de uma empresa diferente. A FPL, o que for, tinha um invoice diferente. E, cara, ele tinha todo um processo manual que ele tinha que pegar esses invoices.
catalogar esses invoices, categorizar, mandar para o contador, e quando ele mandava para o contador, ele também tinha que mandar com contexto, esse é da loja tal, esse é da loja tal, esse é da loja tal. Cara, e esse é um workflow, por exemplo, extremamente automatizável, e você não precisa necessariamente da inteligência oficial. Eu construí um script de Python que puxa todos esses dados, faz a categorização dentro de uma série de parâmetros que a gente definiu, mas aonde a AI entra? A AI assiste tudo isso.
O agente é que aciona esse script de Python. Então ele sabe que toda quinta-feira, o relatório tem que ir na sexta-feira, toda quinta-feira ele tem que acionar esse script. O que ele faz? Ele aciona o script, ele gera o resultado, aí ele verifica o resultado, a inteligência artificial. Se tem algum problema com o resultado, aí é que ela avisa o ser humano. Então é aí que está a automatização, aí que está a inserção do agente. É em você fazer o agente...
controlar o computador. É exatamente isso que ele está fazendo. Muita gente acha que é isso, que você vai conectar a AI dentro do banco de dados da empresa e aí você vai poder fazer uma pergunta para ela e ela magicamente vai conseguir resolver um problema. Não, não é assim. Você tem que entender exatamente qual o problema que você tem que resolver, entender qual é a melhor maneira de usar a AI para fazer esse tipo de coisa.
E por um outro lado também, eu tenho pessoas que me procuram que falam assim, cara, eu quero uma secretária virtual, eu quero alguém que eu possa, num chat, perguntar eu recebi algum e-mail importante hoje de manhã? Não, não precisa se preocupar com seus e-mails, está tudo sob controle.
eu tenho alguma reunião hoje à tarde? Sim, tenho uma reunião tal hora. Eu quero remarcar essa reunião para quinta-feira. Você pode remarcar para mim? E o agente vai lá, manda e-mail, fala com o cara, remarca a reunião e a pessoa só interage com o agente. Isso é uma coisa que eu uso...
muito, assim, também, o agente dentro desse contexto, né? Que é uma coisa diferente. E essa semana, por exemplo, eu tive uma pessoa que veio falar comigo e falou, Rodrigo, eu estou num processo de fazer inventário e, cara, eu estou falando com um monte de advogado, estou fazendo vários inventários diferentes e eu estou um pouco perdida.
E eu coloquei um agente que fez toda essa gestão para essa pessoa. Então, assim, tem diversos usos. Até para mim, eu tenho um servidor aqui em casa com vários computadores, né? E cada um desses computadores faz uma tarefa diferente aqui para mim, dentro do meu ambiente local, né? E tem um aplicativozinho, um algoritmo, que chama Watchtower. O Watchtower, ele verifica todos os containers de Docker que estão rodando, todos os algoritmos.
E ele puxa update, ele vê se está tendo algum problema ou não. E eu via que esse Docker, o Watchtower, ele me mandava uma mensagem todo dia de manhã, mas cara, uma mensagem extremamente técnica, né? Aí eu falei, cara, eu posso colocar a inteligência artificial aqui, a inteligência artificial vai ler essa mensagem técnica e ela vai me dar uma resposta não técnica, do tipo, está tudo bem com o seu servidor, não tem nada que você precisa fazer agora. Ou não, o algoritmo X precisa da sua atenção por causa disso, disso, disso.
E, cara, funcionou super bem. Então, assim, usos, mil usos para a inteligência artificial. O que as pessoas têm que ter em mente é identificar o problema e mapear esse fluxo de trabalho. O problema identificado e o fluxo de trabalho mapeado é uma questão de você saber aonde você vai colocar a inteligência artificial e onde você vai colocar a automação. São coisas diferentes aí, né?
identificar o problema, mapear o problema e fazer aquilo que a gente já discutiu no podcast também, que você tem fluxos determinísticos, aquele fluxo onde o resultado é sempre igual dependendo da entrada e a AI é um fluxo não determinístico, que ele pode tomar uma decisão, que ele pode raciocinar em cima. E tem uma coisa que a gente falou no nosso último episódio, no episódio 10 também, que hoje em dia está ficando mais barato fazer um protótipo do que fazer a reunião para planejar aquele protótipo.
Então é barato e as empresas têm obrigação, na minha opinião, de experimentar. Mas uma coisa que eu queria trazer aqui é que são cinco padrões que emergiram desse relatório do Google de 1.302 casos reais de uso de AI generativa. O primeiro padrão...
é que os assistentes estão virando times de agentes. Então, por exemplo, ele deu o exemplo onde você tem um agente de supply chain, que é de cadeia de suprimentos, que conversa com agente de compliance, que pode acionar um agente de forecasting, de saber quanto que precisa comprar, quanto que não precisa comprar. Então, essa orquestração entre times de agentes é algo que está emergindo e está ficando cada vez mais poderoso. Um segundo padrão também, que apareceu no relatório,
é que cada vez mais as empresas estão usando linguagem natural como tradutor de legado. Então você tem linguagem natural conversando com SAP, que vai ser nosso próximo tópico. Você tem linguagem natural conversando com mainframe, conversando com COBOL, conversando com dados que moram em silos, conversando com planilha, planilhas de Excel que estão lá perdidas em alguma pasta.
E é interessante quando você tem a AI fazendo a pesquisa, fazendo a classificação, fazendo a conversa com aqueles dados, porque muitas vezes, muitos insights surgem dessa conversa. Isso, para mim, acontece direto. Não é um tópico hoje, mas depois eu vou falar um pouco sobre o second brain, sobre o cérebro que eu estou criando para mim. É bizarro que eu peguei todo o conteúdo que eu produzi na minha vida.
Eu coloquei de uma maneira que eu vou contar um outro dia e hoje eu consigo conversar comigo mesmo e tirar insight de como que eu penso. Acaba sendo um negócio bizarro. Terceiro padrão que também emergiu...
é que as empresas estão usando a mídia generativa como uma fábrica de baixo custo. Então as marcas conseguem transformar uma hipótese criativa em centenas ou milhares de variações personalizadas em horas.
E isso se conversa com o quarto padrão que emergiu do relatório, que é a multimodalidade, que está digitalizando o mundo físico. Então as empresas estão conseguindo fazer vídeo ao vivo, planta arquitetônica, estão conseguindo pegar e interpretar dado de sensor, de gôndola, de fábrica, de robô. Tudo está virando input para os modelos multimodais. E, finalmente, o quinto padrão que emergiu
do relatório, que foi um tópico que a gente também falou no nosso episódio 10, no último episódio, que é cibersegurança. A cibersegurança está indo para autorremediação via agente. Aquilo que você tinha antes, equipes...
tratando do assunto, a velocidade está tão grande que você não consegue ter um humano cuidando da saúde de segurança. Você precisa ter um exército de agentes protegendo a sua fortaleza, a sua empresa, porque senão alguém vai entrar lá.
E eu acho que são todas coisas, na verdade, que já estão acontecendo, tá? Eu já vejo a maioria dessas coisas aí no meu dia a dia aqui de trabalho. Múltiplos agentes, por exemplo, qual que é o uso disso, né? Muita gente acha que não, é uma AI diferente.
para finanças, uma AI diferente para logística. Na verdade, não é isso, né? Um agente nada mais é do que um arquivo que você tem lá que ele carrega uma persona, carrega uma personalidade dentro do mesmo sistema de inteligência artificial. Mas mais do que isso...
ele contém a informação que você precisa usar para a logística. Por exemplo, logística precisa acessar a pasta XYZ. Finanças não precisa acessar a pasta XYZ. Precisa saber de algumas informações que estão lá dentro, mas não precisa acessar a pasta. Então você tem essa...
você consegue conter um pouco o blast radius aí da inteligência artificial, em que você fala, tá bom, logística vai trabalhar dentro deste silo, finanças vai trabalhar dentro deste silo, e o orquestrador vai pegar a informação que está saindo desses dois silos, tá? E centralizar e juntar isso numa...
numa coisa só, tá? Então, acho que isso é importante esclarecer para as pessoas que às vezes as pessoas acham, ah, mas tá, e aí? É um agente mesmo? Uma AI diferente que roda cada uma das coisas? Não. É o mesmo algoritmo. Só que o que a gente chama de agente é esse silo que tem o especialista, que é a persona, e o acesso à informação que precisa ser trabalhada dentro daquele vertical, dentro daquela área, né?
número dois, o que você falou aí de usar linguagem natural, é exatamente o que eu tava descrevendo aí do Watchtower, né, que eu tô pegando um dado que é extremamente técnico que, cara, eu perdi a tempo olhando aqueles logs todos, que tudo bem, não era muito denso, mas eu tinha que bater o olho e prestar atenção pra uma coisa que, assim, eu não preciso nem mais bater o olho, entendeu? A AI me fala, está ok ou não, não está ok, preciso da sua atenção aqui nesse ponto, né?
E aí eu acho que isso é um reflexo de uma longa trajetória que a gente teve aí de, cara, começar a adquirir dados de absolutamente tudo, né? Hoje em dia a gente tem sensor em todas as partes de...
de cadeia logística, do carro, da vida, da saúde. E aí a gente tem um tsunami de dados que a gente fala, tá bom, agora o que eu faço com essa montanha de dados? Dado não é informação, é muito diferente. O dado gera informação, informação vem dos dados. Agora, o que eu acho que a AI está fazendo de uma forma muito inteligente e muito...
boa, de uma forma eficiente, entender todos esses dados e gerar uma informação pertinente. E às vezes a gente como humano não tem a capacidade de analisar todos os dados que a AI consegue analisar. Então a AI vai, entra, analisa tudo e dá uma resposta, uma opinião pra você que honestamente a gente como ser humano não teria capacidade de olhar tudo e não tem a capacidade de analisar.
dessa forma holística e chegar numa conclusão. A gente precisa transformar dados em pequenas partes de informação.
E aí você vai agrupando essas informações pra chegar numa conclusão. A AI tem a capacidade de olhar tudo de uma vez e chegar numa conclusão de cara, né? Ainda mais com o crescimento das janelas de contexto, né? Que é um tópico que a gente já falou aqui também. Nossa, isso mudou, mudou tudo assim pra mim. Hoje em dia, a janela de contexto de um milhão, e eu bato no limite sempre da janela de um milhão, já não vejo a hora dos caras enfiarem 10 milhões aí de tokens de janela de contexto.
Porque, cara, realmente fez muita diferença, assim. Muita, muita, de uns meses pra cá.
Mas tem uma crítica que o pessoal fala que a linguagem natural, você interagir com sistemas antigos com linguagem natural, ele democratiza o acesso, mas ele mascara a complexidade. E realmente ele faz isso, ele democratiza o acesso e mascara a complexidade. E posso dar a minha opinião? Tudo bem, porque essa complexidade dos sistemas vai ficar cada vez mais irrelevante a partir do momento que você tem os agentes de AI e os modelos de AI cada vez mais inteligentes.
Você pega um SAP antigo, você pega um Oracle antigo, você pega um sistema legado feito em COBOL, que é super complexo, você coloca uma camada de linguagem natural, qualquer pessoa consegue interagir com aquele sistema. É, eu concordo, mas tem uma analogia que eu gosto bastante, que é em aviação, né? Porque aviação, cara, você tem um mar de informação, um mar de dados que é jogado na sua cara, e você precisa, tanto que o piloto de avião, geralmente ele tem uma sequência que ele passa...
o olho no cockpit, em que ele está sempre fazendo essa sequência que ele passa o olho no cockpit, porque ele olha lá a altitude, velocidade, velocidade de subida, e aí ele forma uma imagem na cabeça dele do que está acontecendo com a aeronave.
O que está mudando hoje em dia? Hoje em dia, a passagem de olho do piloto é feita por um sistema de AI e aí o cockpit só avisa você quando tem algum problema com algum desses sistemas. Caso contrário, a informação não é nem mais mostrada para você. Mas no caso do piloto, ele ainda...
esse sistema de AI pare de funcionar ou realmente dê uma pânica, ele precisa tomar uma decisão baseada nos dados que ele está olhando, ele precisa ainda trabalhar da maneira tradicional, que é passar o olho e tomar a decisão em cima dos dados. Eu acho que é um pouco disso que você está falando. Ele simplifica...
Mas tá bom, e aí? Se tiver um problema com o COBOL que a AI não está conseguindo resolver, vai ter que existir alguém ainda que vai conseguir entrar lá, ler o código em COBOL e dar uma solução. Apesar de que eu acho que isso vai sumir. Pessoalmente, eu acho que COBOL e essas linguagens vão ser substituídas por coisas muito melhores que a AI vai fazer. Só que, por enquanto, ainda não aconteceu.
Mas a gente chegou num ponto ótimo para a gente abrir nosso próximo tópico. E eu vou fazer até uma pausa dramática aqui. Próximo tópico é sobre o momento Kodak da SAP.
Momento Kodak da SAP. A SAP, ela fechou a porteira das APIs para que as empresas possam usar AI com o sistema corporativo da SAP. A SAP, para quem não sabe, é uma empresa de ERP, Enterprise Resource Planning. É o sistema que todas as grandes empresas usam. Você tem alguns grandes players dessa área. Você tem SAP. Principalmente a SAP é a Oracle. Acho que são os grandes expoentes dessa categoria de ERP.
E a SAP é uma das empresas que controla uma das infraestruturas mais críticas de todas as grandes empresas do mundo. Mas, para mim, ela acabou de ter o momento Kodak dela, que ela não está enxergando a próxima onda, que está chegando e está tentando se proteger pelos incentivos do negócio atual. A SAP viu que a AI ia impactar o negócio dela.
Em vez dela abraçar e acelerar, ela está fazendo exatamente o contrário. Ela está tentando se proteger. Ela publicou uma nova política de APIs agora em abril, abril de 2026, dizendo, na essência, que os clientes e parceiros devem usar só as APIs publicadas da SAP, só aquelas listadas no que eles chamam de SAP Business Accelerator Hub, ou na documentação de produto.
e que vários usos ficam restritos, principalmente os usos que exigem extração de dados, exigem integrações com sistemas autônomos ou generativos, ou seja, qualquer uso fora da arquitetura aprovada pela SAP está proibida pelo termo de uso. Os usuários ficaram malucos, porque eles estavam criando valores enormes.
por conta do uso de AI, e a SAP acabou de fechar a porteira, e para mim é o momento Kodak da SAP, aquele momento onde a Kodak, para quem não sabe, ela inventou uma parte central do futuro digital da fotografia, ela inventou a câmera fotográfica.
Só que a câmera fotográfica ameaçava uma das principais categorias de lucro recorrente da Kodak, que era a venda de filme fotográfico. Filme, revelação, toda a química, o papel que a Kodak vendia. E a Kodak falou, não vou levar isso para o mercado e vou tentar defender o meu. O que aconteceu com a Kodak? Deve ter gente que está ouvindo o nosso podcast e que nem sabe o que é Kodak.
E eu usei de propósito, que é Momento Kodak, porque a Kodak fazia propaganda falando Momento Kodak, quando você tirava aquela foto, revelava, pá, pá, pá. A SAP, para mim, está na versão corporativa do Momento Kodak. A AI precisa circular pelos dados e processos do RP, mas essa circulação ameaça o controle, o preço e a arquitetura do modelo atual. E aí, Rodrigo, Momento Kodak da SAP?
Eu, pessoalmente, não entendi porque a SAP tomou essa decisão. Não faz sentido, assim. A gente está caminhando para um mundo em que essa abertura e essa conexão entre os dados, entre o cluster de...
de databases, e esses sistemas de inteligência artificial generativa são de extrema importância, porque todos os exemplos que eu usei aqui no tópico anterior, por exemplo, envolvem dados e tomar uma decisão. Dados e tomar uma decisão. É sempre esse processo. Mesmo um fluxo de trabalho envolve analisar dados de alguma fonte, seja um e-mail que você precisa ter acesso.
uma comunicação, alguma coisa, mas isso é dado para computador, isso é data. E a ERP fazendo isso, francamente, eu não consigo entender. Eu sei que a, desculpa, a SAP, eu sei que a SAP já é uma empresa legacy, né?
muita gente trata a SAP já como uma coisa mais engessada, mas é uma empresa importante ainda, especialmente para governo. Tem muitas... Não, mas não só governo. Desculpa te entrar aqui. Ela é legacy, mas ela é praticamente o sistema circulatório, o cérebro das grandes empresas globais. Então, exatamente. Então, muitos dos sistemas ainda rodam dentro desse software da SAP. Agora...
acelera o processo de troca. É que é muito difícil trocar um ERP. É uma coisa que eu escuto constantemente dos clientes, que é difícil. Mas, de novo, se você tem um agente de inteligência artificial que tem a capacidade de falar, tá bom, eu vou fazer essa troca para você aqui, eu vou analisar o que está rolando hoje nessa MP e vou trocar isso para um sistema melhor. A própria, quando eu faço os meus algoritmos aqui, guardados as devidas proporções, tá?
ele me indica, ele fala assim, olha, não, eu acho que você não precisa mais usar isso aqui, tem uma solução melhor, porque ele sabe que tem uma solução melhor, ele vai lá, me indica e, cara, 90% das vezes eu vou lá e acato a sugestão do próprio sistema que está me sugerindo uma coisa diferente, né? Enfim, chama atenção, eu até entendo um pouco que eles estejam tentando proteger aí o...
a principal fonte de renda deles, mas, de novo, acho que falta a visão aí de entender para onde que as coisas estão caminhando, né? É, para mim, assim, não dá para lutar contra, tá? Eu já falei aqui no nosso podcast sobre os departamentos de prevenção e inovação. A SAP, quem tem processo muito engessado no SAP, quem cuida disso, quem está por trás disso faz parte de departamento de prevenção e inovação.
esse anúncio da SAP para mim é um tiro no pé, como a gente fala em termos comuns. Eu já contei aqui também daquele Locomotive Act de 1867 na Inglaterra, que quando estava começando a Revolução Industrial, máquina a vapor falava, se você está andando num veículo movido a vapor, você tem que ter uma pessoa andando com uma bandeira vermelha, chamou de Red Flag Act.
uma pessoa com uma bandeira vermelha na frente pra falar que aquele veículo tá chegando pra não atropelar os cavalos. Então, assim, é uma... Pra mim, o que a SAP fez foi uma declaração de que ela ficou pra trás. Assim, uma declaração pública, fiquei pra trás, não sei o que tá acontecendo.
vou continuar a ganhar meu dinheiro porque todo mundo é refém e escravo da minha tecnologia, principalmente grandes empresas e governos e problema de vocês essa é a atitude que eu acho que eles estão tendo, eles acham que as pessoas dependem
da tecnologia deles. E eu acho que eles vão descobrir muito rápido que, cara, assim, a força, a vontade de trocar e sair de um ecossistema que não está mais favorecendo o seu fluxo de trabalho, talvez seja maior do que essa escravização aí do algoritmo deles, que mantém você preso dentro desse ecossistema aí deles.
Sabe o que é mais engraçado? Que o CEO da SAP, o Christian Klein, ele falou que o dado do cliente é do cliente. E realmente o dado do cliente é do cliente. Em teoria, o cliente poderia usar o dado dele do jeito que ele quiser. A decisão é do cliente no final do dia.
É, só que o que eles mandaram lá é que não, o dado do cliente é do cliente, mas você não pode pegar para colocar no agente, para treinar o agente ou para fazer alguma coisa automática, ou para fazer alguma automação. Então, assim, tem uma questão jurídica aí que os grupos de usuários de SAP vão levar para frente. Mas, no final das contas, para mim é aquilo. É uma declaração de que ficou para trás. Por mais que a SAP fala que não está bloqueando o dado, o único caminho viável para você acessar um dado passa pelas APIs controladas.
E aí, como fica? Passa pelas APIs. Até tem algumas coisas que eu preciso fazer aqui de alguns fluxos de trabalho que não tem API em que eu boto o agente para navegar a interface guiada, o UI do software. E, cara, funciona, mas não é igual ao API. API é, meu, você olha lá exatamente onde você quer dentro do banco de dados e pega o que você precisa muito rápido. Se você tem que navegar a UI, aí
cara, você pode até conseguir extrair e chegar no mesmo lugar, mas de novo, não é igual. Eu acho que eles estão tentando retardar o avanço a EJI, porque de novo, se eu soltar um agente para navegar a interface do software deles, o agente vai lá e navega vai conseguir extrair o mesmo dado vai demorar
muito mais, mas vai conseguir extrair o dado. Então, eles têm que ter isso em mente também. A API não é a única, é a melhor, mas não é a única maneira de extrair os dados lá do sistema deles.
É, eu quero até contar a história da Kodak aqui, porque eu acho que é legal para quem nunca ouviu falar o nome Kodak, que hoje em dia deve ter gente que nunca ouviu falar o nome Kodak, mas a Kodak era absolutamente líder de mercado. Onde você ia no mundo, você tinha a câmera da Kodak. Em 1975...
um engenheiro da Kodak com 24 anos, chamado Steve Sasson, ele criou a primeira câmera digital. Ele era uma geringonça que era pesado, tinha uns 2 quilos, com um sensor, uma lente de Super 8, que era uma câmera, uma filmadora, um gravador digital em fita cassete, tem muita gente aqui que não sabe nem o que é fita cassete. Usava 16 baterias, pilha mesmo, com alguns conversores e tal, e ele gerava uma imagem preta e branca de 100 por 100 pixels.
Lembra essas imagens que a gente está fazendo hoje, que são não sei quantos megapixels, 40 megapixels, mais de 4K, bababá? É assim, o que a gente tem hoje é milhões de vezes maior em termos de resolução do que levava naquela época, e a câmera levava 23 segundos para exibir uma imagem numa TV.
Não, pra gravar. Desculpa, 23 segundos pra gravar e mais 30 segundos pra mostrar numa TV. E todos os executivos da Kodak falaram, ó, não é legal, porque isso daí não tem filme, não tem papel e não tem consumível. Como que eu vou continuar a vender os químicos pra quem vai revelar uma foto? Não foi pra frente, cortaram o projeto. O engenheiro que criou aquilo em 1975 e aí
Chegou em 1989, 14 anos depois, ele estava trabalhando na Kodak ainda. E ele criou uma câmera onde tirava foto com 1.2 megapixels. E os executivos falaram, olha, não vamos colocar no mercado. A gente ainda, uma das nossas maiores linhas de receita, ainda é venda de papel para revelação de filme. Ninguém vai querer ver uma foto em uma tela de TV.
Resumo da história, ninguém lembra da Kodak. É muito parecido com o que está acontecendo para a SAP. Aquela falta de visão de falar, o mundo está indo para um lado, em vez da gente abraçar, a gente vai cortar. Eu vou dar até um exemplo. Eu tenho uma prima.
que ela trabalha com imagem, ela é consultora de imagem. E ela está fazendo uma crítica enorme, porque o chat GPT agora teve um meme, meme não, ficou viral, que com o chat GPT 5.5 você consegue fazer uma consultoria, uma análise de imagem sua.
onde você manda uma foto e o chat GPT cospe lá um relatório lindo, falando quais são as suas cores, qual que é o batom que você tem que usar, qual que é a maquiagem que você tem que usar, qual que é o tipo de roupa que você tem que usar, tal, tal, tal. Daí eu estava conversando com essa minha prima e ela falou, ah, não, mas esse relatório que o chat GPT está gerando está 80% errado.
O que eu falei para ela? Está 80% errado hoje, independente do que significa errado, porque é muito subjetivo. Mas daqui a seis meses eu tenho certeza que vai estar 80% certo. Não dá para você lutar contra. Você tem que abraçar aquilo e você tem que ver qual é o melhor jeito de você abraçar aquela tecnologia para o seu objetivo, seja pessoal, seja profissional, seja de negócio, seja corporativo. E as empresas que não entenderem isso, para mim, vão ter os seus momentos Kodak.
É, concordo 100%. A diferença é que hoje em dia acho que é muito evidente o caminho que as coisas estão indo, né? Essa decisão realmente da SAP aí não...
Na minha cabeça aqui não faz muito sentido, não. E é uma empresa de software, né? E é uma empresa que deveria abraçar a mudança, né? Que deveria estar avançando. Mas não, ela acabou de, digo de novo, declarar que ela é uma empresa de legado. Não é uma empresa de futuro. Exatamente. Mas vamos lá, próximo tópico, Rodrigo. E esse tópico a gente vai ser polêmico.
E vai ser um tópico legal da gente conversar aqui. Até aproveitando que vai ter uma visita do presidente brasileiro ao presidente dos Estados Unidos e sobre a polarização do mundo entre Estados Unidos e China, que são os dois grandes expoentes dessa corrida pela AI, essa corrida pela superinteligência, essa disputa por tecnologia, indústria e influência.
E assim, nisso, o Brasil, e nós dois somos brasileiros, tem um dilema enorme, que ele tem que escolher para qual lado ele vai se juntar. E é uma verdade. E o Brasil parece que, por questão ideológica, ele já escolheu. Ele está se juntando ao lado mais chinês do que ao lado dos Estados Unidos, apesar do pragmatismo que o país deveria ter para fazer negócio.
Com os Estados Unidos. O ponto interessante é que isso não é só uma briga comercial. O que está acontecendo entre os Estados Unidos e a China é uma disputa sobre quem define os padrões da próxima infraestrutura do mundo. Os padrões de chips, de energia, dos veículos elétricos, os minerais críticos, a cloud, a AI, telecom, logística, finança.
Para o Brasil, a discussão fica até mais complicada, porque o Brasil não é só um comprador estrutural da China, mas ele acabou virando fornecedor de material básico para a China. A China está comprando o país.
e está explorando o país, assim como a gente fala que os portugueses fizeram lá no passado. A China está pegando tudo quanto é recurso rico, todas as commodities, todo recurso básico do Brasil, levando para a China, está fazendo o que ela tem que fazer, e está com isso crescendo mais rápido.
Fiz uma introdução aqui, começa a falar que depois eu trago mais dados, porque é muito complicado esse momento, a gente pensar essa geopolítica que está acontecendo a 10 mil pés de altura, como se fala. Exatamente, acho que é um momento extremamente complicado, é um momento de realinhamento da ordem global.
Eu acho que a China está tomando algumas decisões corretas, corretas da perspectiva deles. Por exemplo, eles estão apostando muito na África, eles estão construindo toda a infraestrutura da África hoje em dia.
quem está construindo é a China. Infraestrutura de portuária, infraestrutura ferroviária, infraestrutura de estrada, energia, tudo quem está fazendo lá é a China. E se você olhar a taxa de natalidade...
global, a África é o único continente, os países da África são os únicos países, com raríssimas exceções, que tem uma taxa de natalidade positiva ainda. Todos os outros países vão perder população daqui até o final do século, eles vão perder população. E uma vez que você começa a perder população, para você virar a chave de novo e começar a ganhar, é muito difícil, porque é uma coisa exponencial.
Quanto menos gente você tem, menos gente você tem fazendo um filho. E aí não basta mais ter só dois filhos ou 2.1, na verdade, para ter a taxa de reposição. Precisa ser maior, precisa começar a ter três filhos para começar a crescer de novo. E por que isso é importante? Porque uma economia em crescimento precisa de pessoa, precisa de consumidor. Geralmente a gente consome coisas, carro, compra imóvel, compra eletrônico.
até uns 60 anos. Depois disso, você começa a cair muito no que você faz de consumo, porque você já tem o carro, já tem o imóvel, não precisa mais consumir tecnologia tanto quanto antes. Então, o cenário econômico muda demais nessa perspectiva.
E eu acho que a China enxergou isso, apostou na África, em construir infraestrutura lá, sabendo que as próximas economias que vão crescer de forma agressiva estão lá. E eu acho que eles fizeram uma aposta certa nesse sentido. O Brasil, onde é que ele entra nesse contexto aí, na minha opinião?
é justamente no que você falou aí da matéria-prima. O Brasil é muito rico no material que precisa para você fazer todas essas coisas, para fazer carro, para fazer bateria, para fazer computador, para fazer cabo de eletricidade, para fazer navio, para fazer todas essas coisas. O Brasil é rico nisso e muito pobre em capacidade industrial. O Brasil teve um certo boom industrial aí no meio do século passado, mas isso já ficou para trás, a indústria brasileira está...
extremamente atrasada e é uma indústria de base ainda, não faz nada extremamente avançado e até se você pegar a indústria automobilística, por exemplo, no Brasil, cara, mudou completamente do que era há uns anos atrás. Antes você tinha grandes montadoras no Brasil e hoje em dia, pelo menos as montadoras europeias, todas saíram.
Está sendo dominado pelos chineses. A BYD e outras está sendo absolutamente dominada. Está sendo dominada pelos chineses. E eu acho que o exemplo do carro é um exemplo interessante, porque eu... Cara, aqui nos Estados Unidos, bom, se eu moro aqui também, você sabe, não tem carro chinês. E a última vez que eu fui para o Brasil, eu vi um... Build Your Dream lá, o carro chinês, BYD. É, o BYD, é.
E, cara, eu estava no manobrista do shopping e parou um BYD de um cliente e eu fui trocar ideia com o cara. Falei assim, meu, nossa, nunca tinha visto esse carro, não sei o que, deixou entrar, o cara deixou entrar no carro, não sei o que, comecei a bater papo com ele. Era um CD do BYD, não lembro qual que era, mas um CD top, tá? O carro que o cara tinha lá era um carro top do BYD. Cara, eu fiquei impressionado com a tecnologia, preciso confessar aqui, eu fiquei impressionado.
Inclusive, recentemente, eu li uma matéria com o CEO da Honda, japonês, o CEO da Honda global. E ele visitou uma fábrica na China, ele voltou e falou assim, eu não tenho como competir contra isso, não tenho como. É impossível a Honda ter qualquer tipo de competição com o que eu vi lá na China. Então, quando você começa a ver essas coisas, você fala assim, cara, isso é...
É assustador a capacidade de produção que a China desenvolveu nos últimos 20, 30 anos. E eu acho que é um wake-up call para os Estados Unidos para começarem a fazer alguma coisa a respeito disso.
Do outro ponto de vista, a América Latina sempre foi vista como o quintal da América, o quintal da América do Norte, o quintal dos Estados Unidos. Eles tratam os países da América Latina como o quintal deles. Tanto que a operação do Trump lá na Venezuela foi um escancarado, cara, a gente faz o que a gente quiser aqui no nosso quintal e não dá para ter alguém que não...
concorda com a nossa visão aqui no nosso quintal, né? Peraí, você está muito perto de nós aqui para fazer parte do outro tipo de visão, né? E eu acho que o Brasil corre esse mesmo risco, não de ter uma operação que vai lá, vai sequestrar o Lula, nada disso, não acho que isso acontecer no Brasil, tá? Mas eu acho que o Brasil corre o risco de ter uma...
uma divisão com os Estados Unidos parecida com o que a Venezuela teve na época do Maduro e do Hugo Chávez, em que os Estados Unidos não queriam saber da Venezuela, a Venezuela virou inimigo do Império Americano. E eu acho que o Brasil corre o risco de cair dentro dessa mesma categoria se ele começar a se alinhar mais e mais com a China.
militarmente falando, o Brasil é uma piada, não tem nem o que falar. Então eu não acho que é esse o medo que os Estados Unidos têm de ter um aliado chinês que vai adicionar à China um poderio militar que possa vir a desafiar os Estados Unidos na América do Sul. Não acho que isso é um problema, porque o Brasil realmente é uma piada militarmente e o poder que o Brasil tem é muito, muito fraco.
Porém, se o Brasil começar a comprar material bélico da China, aí o jogo é diferente, entendeu? Aí o jogo é bem diferente. Então, momento delicado para o Brasil.
O problema maior é que existe uma divisão clara no Brasil entre esquerda, direita e pouquíssima gente no centro. E, cara, a gente sabe, esquerda vai se alinhar com a China, direita vai se alinhar com os Estados Unidos. Ponto, não tem o que discutir, é evidente isso.
É, mas eu acho que a sociedade brasileira, ela tem um desafio enorme, tem que escolher com quem ela quer se alinhar, porque quer queira, quer não, o Brasil está sofrendo o que a gente pode chamar de uma colonização moderna. E assim, a cultura chinesa é muito diferente da cultura americana.
Nós dois moramos nos Estados Unidos, a gente tem um alinhamento maior com a cultura americana, é uma cultura baseada em consumo, uma cultura baseada em liberdade, é uma cultura baseada em meritocracia, uma cultura baseada em princípios econômicos mais liberais, que é aquilo com que a gente se identifica.
A China é uma autocracia, ela é uma ditadura, você não tem liberdade de expressão, você tem uma cultura de trabalho diferente, você tem uma grande parcela da população que é uma parcela da população que ainda é muito pobre, está entrando na classe média e tem que ser alimentada, e a China está usando esse processo de colonização moderna para alimentar essa população. Você tem aquela cultura de trabalho, 995.
Das 9 da manhã até as 9 da noite, 5 dias por semana. Que é bem diferente dos Estados Unidos. Você tem uma cultura de estudo bem diferente. Então, assim, a sociedade brasileira, ela vai ter que decidir se ela vai querer ser mais parecida com a sociedade chinesa ou com a sociedade americana, porque esse processo, ele está...
acontecendo. A gente tem um padrão reconhecível aqui de dependência onde você tem de um lado a extração e a agroexportação ou seja, o Brasil a China está extraindo e está importando os produtos de agronegócio e as commodities brasileiras e o Brasil está importando manufatura e infraestrutura estratégica até o que você falou no caso de defesa, no caso de veículos tanto, só que quando o mesmo parceiro
compra os recursos e vende os produtos industriais e financia a parte da infraestrutura, porque a China está financiando tudo, tudo quanto é posto de energia no Brasil é financiado hoje pela China. Um monte de fazenda é financiado pela China, um monte de mina é financiado pela China. A China está ganhando poder estrutural além do poder comercial. E é exatamente isso que está acontecendo. Só para compartilhar alguns números.
A China absorve cerca de 30% das exportações brasileiras e é responsável por 30% das importações brasileiras. Então, assim, é o maior parceiro com o Brasil. E 80% do que o Brasil exporta, mais de 80% do que o Brasil exporta para a China, é soja, petróleo, minério de ferro e carne.
Enquanto o Brasil importa carro, importa chip, importa nave espacial. Então, assim, é muito desequilibrado isso. Eu acho, sim, acho que você tem total razão e acho que esse é o problema. Parece que a escolha já foi feita quando a gente olha para esses dados, né? Porque essa relação simbiótica entre os dois países já se formou, já existe.
Eu acho que o grande problema em escolher um lado é o seguinte. Você tem por um lado a China que produz bens de consumo extremamente baratos, tá? E você falou aí nave espacial, carro, não sei o quê. Eu vou mais para baixo. Eu estou falando panela de pressão. Pressure cooker elétrica. Air fryer chinesa, entendeu? Geladeira chinesa. Quando você bota isso...
Esses bens de consumo chineses baratos, e não são ruins, não são ruins, não são aparelhos ruins. Antes a China, de novo, vai ter gente aqui que não vai lembrar disso, mas há muitos anos atrás, quando a gente falava assim, isso aí é made in China, tinha uma conotação que era falso, especialmente no Brasil, que tinha lá 25 de março, cheio de coisa falsa. Quando você falava assim, isso aí é made in China, você tinha essa conotação negativa com aquele bem de consumo. Hoje em dia é o oposto.
tudo é feito na China e as coisas que estão saindo de lá são muito boas. Então, assim, eu acho que o jeito com o qual eles estão comprando a população brasileira é com essas coisas. É escova de dente elétrica que o brasileiro nunca teve acesso e agora, de repente, ficou barato porque vem da China que produz isso de maneira muito mais barata. Parece uma coisa muito boa.
em que você está dando mais coisas para o Brasil, mas uma hora essa conta vai chegar. Uma hora que a China vai ter o controle da infraestrutura brasileira elétrica, cara, acabou. Eles vão falar assim, ah, tá bom, Brasil, vocês não querem fazer o que a gente está pedindo, então a gente vai virar a chave e vai desligar a hidrelétrica, vai fechar o porto, que é nosso, entendeu? Por que os Estados Unidos bateram tanto na tecla de devolver o controle do canal do Panamá?
para os americanos, porque eles começaram a perceber que a China estava tentando tomar o controle daquilo lá e que, cara, se fecha o canal do Panamá, peraí, de repente os Estados Unidos não podem mais passar por ali com tudo, não é só com um navio de carga, de petróleo, não, inclusive, não sei se os porta-aviões passam ali, mas eu sei que antigamente passavam.
Então é um caminho extremamente estratégico. E eu acho que, de novo, uma hora a conta vai chegar. Acho que o brasileiro está sendo comprado por esses bens de consumo baratos chineses sem ter a visão de enxergar que isso vem com toda essa parte cultural.
e política chinesa, que são completamente diferentes do brasileiro, porque querendo ou não, o Brasil cresceu sob total influência do Império Americano, culturalmente falando. É música, é cinema, é literatura. Cara, tudo isso veio dos Estados Unidos. A gente tem...
como nação, uma origem ocidental. O Oriente é completamente diferente do ponto de vista cultural. Valores, cultural, moral, tudo. A guerra cultural não chegou ainda, mas eu acho que vai chegar. A gente não pode esquecer também que um dos fatores que fez os Estados Unidos vencerem a Guerra Fria foi a cultura americana.
Foi o rock and roll, foi Hollywood, entendeu? Que foi um produto de exportação do Ocidente para o resto do mundo que vendeu o sonho americano para o resto do planeta. E eu acho que a China vai tentar fazer a mesma coisa. A guerra cultural não chegou ainda, mas vai acontecer. Outra previsão aqui, eu só não consigo colocar uma data.
Não, não, coloca a data, porque a gente vai colocar no nosso edition market. Eu acho que daqui a cinco anos, no máximo, a gente está em 2026, vamos falar até 2030, a gente vai começar a ver mais filme chinês, seriado chinês e algumas coisas produzidas para disseminar a cultura chinesa dentro dessas culturas que são ocidentais, para tentar mudar um pouco essa visão e é uma cultura, é propaganda. Propaganda, é isso.
Não, a gente já tá vendo isso. Você pega os filmes da Pixar, cada vez mais tem o personagem de olho puxado. Não quero fazer xenofobia, não quero falar nada disso. A questão é cultural mesmo. E o que falta pro Brasil é a estratégia de decidir o que ele quer como futuro, porque é um fato.
Minha opinião, o brasileiro fica perdendo muito tempo nessa briga direita e esquerda, enquanto não olha de forma pragmática o que está acontecendo, enquanto não decide quais são os valores, do que não quer abrir mão, do que quer abrir mão, como que quer viver, como quer deixar de viver. Então, por exemplo, nós dois moramos nos Estados Unidos.
Para nós dois, liberdade de expressão é uma... Assim, a gente vive com liberdade de expressão. A gente vive com liberdade de ir e vir. A gente vive com a questão de que a gente pode ser reconhecido pelos nossos próprios méritos. A gente não precisa ficar convencendo nenhum partido ou alguém para a gente poder ter uma ação empreendedora. A gente não precisa ter um sócio do governo para poder ter sucesso.
E isso são valores que pra gente são importantes. Isso será... O Brasil tem que discutir de forma estratégica se quer esse tipo de valor ou se quer, por exemplo, viver de uma forma mais autocrática. Ou numa forma mais ditatorial. Quer queira, quer não.
Você tem hoje cerca de 1,5 bilhão de pessoas vivendo em democracia. Você tem muito mais gente vivendo em ditadura ou sistemas mais autocráticos. Você tem mais, sei lá, 3 bilhões, talvez até mais. Mas é uma escolha que o Brasil vai ter que ter enquanto sociedade. E a gente vai colocar para o nosso bote anotar aqui a previsão do Rodrigo. Até 2030 a gente vai começar a ver a influência chinesa muito mais forte no Brasil. E a gente vai ter que ver algum ponto.
para que o nosso prediction market saiba que isso aconteceu, para a gente ter um negócio mais determinístico. Cultural, acho que essa é a influência cultural. A influência dos bens de consumo já chegou, e a China tentando comprar terras no Brasil também. Hoje você anda no interior do Brasil, as fazendas, os chineses vão lá e compram tudo. Eu lembro que isso há anos atrás, vai fazer uns 3, 4 anos.
eu tive uma viagem de trabalho que eu tive que fazer no Brasil, em que eu fui para o interior visitar uma fazenda. E me chamou a atenção que, cara, as caminhonetinhas que você via de empresa lá, agora todas elas com escrito em chinês do lado e o nome da empresa ocidentalizado embaixo. E aí eu comecei a perguntar, eu falei, cara, o que são esses carros? Ele falou, não, porque os chineses compraram, os chineses compraram, os chineses compraram. Então, eles estão também... E aí
comprando terras, que cara, no Brasil, assim, tem um valor tremendo isso, né? Porque é onde você põe comida, é onde você põe essas coisas. E aí, de novo, eu acho que falta visão no brasileiro, que é exatamente o que você falou, de saber enxergar isso.
e falar, tá, isso aqui é um problema, porque aqui tem certas questões de soberania nacional, que a gente precisa manter o controle destas coisas, tá, infraestrutura elétrica, infraestrutura portuária, isso precisa estar no controle da população brasileira, do Brasil, né, do brasileiro. Agora,
Eu não acho que o brasileiro tenha capacidade para ter essa discussão. Eu acho que a gente fica preso realmente nessa briga política de esquerda e direita. Não consegue enxergar o problema além disso, de esquerda e direita. E eu acho que a população não está preparada. A gente precisa também entender que o Brasil...
ele tem uma divisão social, um vale social gigantesco. Então, você tem pessoas muito simples que ainda não têm acesso a bens de consumo básico, às vezes, e aí que eu acho que a China está...
vendendo sonho chinês pra esses caras, tá? Que o cara que não tinha air fryer, que não tinha máquina de lavar louça, cara, agora ele vai ter a air fryer que vai fazer pra ele o que ele sempre sonhou em ter, mas, de novo, isso vem com um custo que afeta o resto do Brasil inteiro, enquanto que do outro lado a gente tem uma elite que...
consegue vir para os Estados Unidos, comprar os bens de consumo que quer num preço muito mais acessível e consegue ter uma vida dentro de uma bolha elitista aí dentro do Brasil, que é uma vida extremamente confortável, extremamente confortável, tá? Então o Brasil tem essa situação muito delicada, só que...
A democracia decide quem tem mais pessoas, né? Mais pessoas indo para um lado, a democracia fala mais alto. E eu acho que é isso que está acontecendo. Você tem muito mais pessoas fora dessa bolha da elite, vivendo do outro lado do vale, e que quando chega nas urnas para tomar uma decisão, cara, ele está muito feliz em ter a air fryer chinesa, ter o BYD mais simples dele lá, elétrico, entendeu? Que, porra, nunca sonhou em ter carro elétrico na vida dele.
e no final do dia esse cara está escolhendo o outro lado. O que falta é a inteligência de ambos os lados, tanto da elite como da população que vive do outro lado, para entender que isso vem com preço, isso tem um custo aí que vem por trás disso, do mesmo jeito que tem um custo em se alinhar com os Estados Unidos, está óbvio que tem, você tem que também estar alinhado com as ideias americanas. Mas é uma escolha, sempre tem um custo. A escolha, exato, é uma escolha.
Não tem como fugir disso. Não é... A gente não está falando que... Eu não vou me atrever a falar que um é melhor ou pior. O que eu vou falar é... Tem que escolher. Tem que escolher o lado. Tanto você como eu, a gente escolheu um alinhamento muito maior com a cultura americana. Onde tem liberdade, onde tem meritocracia, onde tem oportunidade.
É uma economia baseada em consumo, é uma economia onde o serviço é muito valorizado e que é diferente de alguns valores éticos e morais do que vem do Oriente.
Eu acho interessante, eu adoro esse assunto, desse alinhamento cultural aí, porque antes você tinha a religião falando muito alto, né, por trás disso. Então você tinha o cristianismo, por exemplo, que vinha da Europa ali, que, cara, era uma coisa que unia todo mundo dentro de um...
teto só ali, de uma ideia só, né, e como as pessoas estão ficando cada vez menos religiosas, eu acho que você perde um pouco dessa identidade também que existe entre o povo ocidental, né, e...
Então, de novo, é uma situação diferente, porque tem menos união hoje entre o Ocidente do que você tem no Oriente. Eu acho que o chinês se sente muito mais chinês do que o brasileiro se sente brasileiro, o americano se sente americano, entendeu? Eu acho que está muito fragmentada essa identidade social nos países.
Por outro lado, o chinês, tem um livro muito legal que se chama O Caminho da Seda. O Império Chinês foi um dos maiores impérios do mundo e que dominou o mundo até 200 anos atrás. O Império Chinês só não dominou o mundo nos últimos 200 anos. Será que a gente está vendo esse retorno? Isso é algo que a gente vai ter que discutir mais.
Exatamente. Uma coisa que eu acho interessante também quando a gente analisa a China, duas na verdade, é que o chinês, ele se chama de chinês há quase 3 mil anos. Ele se identifica chinês como há quase 3 mil anos. E a língua também é uma coisa que mudou muito pouco nesses últimos 3 mil anos, 2 mil anos de evolução da língua, mudou muito pouco.
Então é muito fácil, se você nasce na China, se identificar como chinês. Porque é uma história que vem há muito tempo atrás. Sendo que, cara, quando você olha o Brasil, os Estados Unidos, são países e nações que têm poucos séculos de vida, né? Comparado com a história de milhares de anos da China. A gente vai ter que voltar nesse assunto, e a gente vai ter que voltar até no assunto de religião também, porque está surgindo religião de AI, Rodrigo. Então assim...
Vamos, acho que a gente deu uma pincelada aqui nessa questão, nessa decisão histórica e estratégica que o Brasil tem que fazer e a gente vai ter que se aprofundar mais nisso e até falar, compartilhar um pouco como Estados Unidos está encarando isso, porque a gente está vivendo isso de dentro, né? Mas a gente já está uma hora e vinte aqui conversando, só para finalizar, vamos finalizar um pouco mais leve o nosso podcast de hoje?
que o Codex da OpenAI, ele voltou, ele lançou, na verdade, o Codex Pets, que são como se fossem pets, como se fossem... É, o Tamagotchi, né? Como se fosse aquele assistente pessoal que fica no seu computador enquanto a AI está pensando. E todo mundo falou, pô, o clipe da Microsoft voltou. Para quem não lembra, o Word, o Excel.
Tinha um negócio irritante há 15, 20 anos atrás, que era um clipe de papel que ficava na sua tela, enchendo o saco, que não ajudava em nada e falava, eu posso ajudar? E você falava, pode. Só que você falava qualquer coisa e ele não te ajudava. E ficava lá dançando, ficava pulando, ficava indo de um lado para o outro. E agora o Codex lançou isso com o Codex Packs, que são um pouquinho mais inteligentes, que eles mostram feedback para o operador.
o que a AI está fazendo. O que você acha? Você acha que a gente está vendo só uma fofura cosmética de produto ou o nascimento de uma nova linguagem de interface para os agentes autônomos? Cara, eu acho que é um pouco dos dois, né? Eu acho que é um pouco de fofura que eles querem colocar dentro do sistema, mas também eu acho que é tentar...
humanizar, entre aspas, aí esses sistemas, trazer para uma coisa mais que a gente como ser humano se identifica mais, né? Porque o jeito que a gente se relaciona hoje com o sistema de AI, ou é com texto, ou é com voz, e eu diria que pouca gente usa ainda voz para realmente interagir com o sistema, porque, cara, ler e escrever, acho que ainda é um pouco mais rápido, né?
E eu acho que eles estão tentando mudar isso pra ser uma coisa mais humana, tá? Porque com texto e áudio, você ainda sente que você tá falando com o computador no final do dia. Agora, se eles põem uma cara bonitinha lá, ou um personagem, ou qualquer coisa desse tipo, cara, você tá interagindo com...
alguém, tem uma persona ali por trás, né, deixa de ser simplesmente um sistema. Eu acho que isso é um pouco perigoso, mas eu também acho legal, por um lado, assim, o clipe, ele era, era meio idiota na época, mas, cara, eu acho que se eu pudesse escolher hoje, eu escolheria o clipe de novo, entendeu? Que eu pudesse...
estar lá e pedir coisas pra ele, pra ele fazer no meu computador, esse tipo de coisa. Ou o próprio Tamagotchi, eu adorava Tamagotchi quando eu era criança. Só que acontece, eu acho que quando a gente tá trabalhando de forma invisível, eu pelo menos, quando eu mando a gente fazer alguma coisa, eu adoro ver qualquer movimento.
eu gosto, por exemplo, no Open Glock ele mostra aquele uso de tools parcial fazendo streaming do que ele está pensando então assim, é uma questão de feedback, né? mas o usuário no final das contas ele pode escolher o que ele quiser, se ele quer uma barra de progresso ou se ele quer um bichinho fofinho para interagir com ele e no final das contas é uma nova forma de você interagir com a máquina que é bacana tchau
É, eu acho que esse é o lance, é deixar o usuário escolher o que ele quer. Se eles empurrarem um patch deles aí, eu acho que vai ter uma reação igual as pessoas tiveram no clipe aí da Microsoft. Agora, se eu posso escolher com quem que eu vou falar, eu posso inventar o meu próprio personagem, isso é muito legal. Eu, por exemplo, quando eu monto os meus agentes para os clientes, eu falo para eles darem o nome, e aí eu vou montando a personalidade do agente para o cliente, que é...
E, cara, cada cliente dá o nome. Tem um que chama Lori, o outro que chama Angel. Tem um cliente que deu de Angel. E aí, o que eu faço? Eu pego um pouco a descrição que o cliente me passou e eu vou lá e eu crio uma imagem, eu crio um avatar para essa gente e eu ponho lá na fotinho do Telegram. Para ele...
pra ele ter um pouco disso que a gente tá discutindo, um pouco mais humanizado, pra não parecer que simplesmente tá falando com um sistema mas eu acho legal deixar o usuário escolher Ah, mas eu acho que isso é muito comum eu, por exemplo, faço a mesma coisa eu coloco a fotinho, cada gente tem a sua fotinho cada gente tem a sua personalidade, cada gente tem o seu nome e essa antropomorfização acho que eu falei certo a palavra uh-huh
É um jeito de a gente quebrar a barreira de relação com a tecnologia. Então é extremamente importante. Rodrigo, a gente vai ter que voltar nesse assunto, sobre a antropomorfização da AI. Já falamos sobre isso, mas a gente vai ter que se aprofundar, porque está avançando cada vez mais. E juntar com robótica também, hein? E juntar com robótica, humanoides, tudo. Eu estou, inclusive, hoje, em Las Vegas, porque eu estou visitando uma empresa de robôs.
que a gente está considerando investir. Então, assim, é tudo assunto quente. Mais um episódio 11 do nosso B2Futures. Conversa muito boa, Rodrigo. Muito obrigado, então. Como sempre, hein? Valeu, Pripas. Valeu. E se alguém tiver qualquer crítica, sugestão, tema para a gente discutir, só mandar aqui. Valeu, pessoal.
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