Episódios de Vinho Faz

Ele criou um CINEMA para as videiras | Marcelo Rozental | Vinho Faz Podcast #12

07 de maio de 20261h27min
0:00 / 1:27:52

Tem gente que olha para um morro e vê um obstáculo.
Marcelo Rozental olhou para o mesmo morro e viu um “cinema das videiras”.

Neste episódio do Vinho Faz, Felipe Vasconcellos conversa com Marcelo Rozental, engenheiro civil, empreendedor e fundador da Casa Rozental, sobre a decisão de transformar uma encosta íngreme na Serra do Rio em um dos projetos mais obsessivos e autorais do vinho brasileiro.

Uma conversa sobre visão, precisão e construção. Sobre alguém que passou a vida inteira erguendo prédios, estradas e empresas — até decidir construir um terroir. Terraço por terraço. Rua por rua. Videira por videira.

Porque o vinho não é o fim.
É o começo.

🍷 Neste episódio você vai descobrir:

• Como nasceu o “cinema das videiras” na Serra do Rio
• Por que Marcelo trata cada terraço como um vinhedo independente
• O que levou um engenheiro de 60 anos a entrar na faculdade de enologia
• Como funciona a viticultura de precisão da Casa Rozental
• Por que a Serra do Rio precisa criar o próprio protocolo de vinho

👥 Convidado

🔹 Marcelo Rozental
Fundador da Casa Rozental

🎙️ Host

Felipe Vasconcellos
Produtor Vinícola Fortuna, empreendedor e criador do Vinho Faz

🔗 Siga o Vinho Faz

📍 Instagram – / vinhofazpodcast
📍 Canal – inscreva-se e ative as notificações

Se você acredita que vinho é cultura, território e negócio…
esse podcast é pra você.

Assuntos12
  • Casa Rosental: O "Cinema das Videiras"Transformação de encosta íngreme em vinhedo · Visão de Marcelo Rozental · Construção de terroir
  • Repensar objetivos e visão de futuroPaixão, determinação e trabalho como pilares · Construção de uma nova região vitivinícola · O vinho como promotor de amizades e memórias
  • O Papel da Mulher na ViticulturaAplicação de conhecimentos de engenharia na construção de terraços · Movimentação de terra e recuperação do solo · Construção do receptivo e adega subterrânea
  • Uvas CriollasAnálises de solo por terraço · Tratamento independente de cada terraço/rua · Irrigação setorizada
  • Vinhos e EnologiaCriação de um protocolo para a Serra do Rio · Potencial da região para vitivinicultura · Desafios da viticultura na região (chuva, mofo)
  • Formação e Carreira de Marcelo RozentalEngenheiro civil e empreendedor · Decisão de empreender no vinho aos 60 anos · Graduação em viticultura e enologia
  • A Casa Rosental: Produção e FilosofiaVinícola boutique com produção artesanal · Foco na qualidade da matéria-prima (uva) · Proposta enológica de mínima interferência (sem barrica)
  • Iniciativas de Enoturismo na Serra do RioMovimentação da economia local e geração de renda · Experiências imersivas e harmonizadas · Divulgação do potencial da região
  • Papel de CristinaParceria e apoio desde o início · Responsabilidade pelo enoturismo e atendimento aos visitantes · Curadoria de produtos regionais para harmonização
  • AVIVA: Associação dos Viticultores da Serra do RioForça do grupo e empreendedorismo dos associados · Projetos para o desenvolvimento do enoturismo · Busca por regulamentações diferenciadas para pequenos produtores
  • Microvinificações e ExploraçãoTestes de cortes e novas variedades (Sémillon) · Fabricação de equipamentos personalizados (tanques refrigerados) · Busca por qualidade e identidade do vinho
  • Características da Munich Wine
Transcrição231 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

40 análises de solo onde outros mandam duas. Eu acho que uma pessoa sã não entra muito nisso, então somos todos meio malucos. Obsessão em safra. Normalmente vai pro laboratório quase 5 quilos de areia, de terra, de saiba. Caramba, nossa, muita análise. E faz todo sentido. Eu imaginei aqueles terraços e as videiras todas.

sentadas nas suas poltronas. Como que é o nome dele? Alguém sabe ele? Produção? Eu não falava com ninguém sobre ele, mas vou te falar. É espetacular. Eu anotei, depois eu vou escutar, vou ver, vou assistir. Mas se eu tenho uma uva boa e eu tenho uma cantina boa, eu vou ter um produto bom.

Tem uma aqui que eu separei uma pergunta muito curiosa. Tô dando a receita do bolo inicial. Eu tô anotando tudo aqui, ó. Enfim, deixa pra lá sapar. A gente tá chegando e estamos chegando pra incomodar. Muito bom. Rosental, obrigado demais. Saúde. Saúde, prazer é meu, obrigado. Tem gente que olha pra um morro e vê um obstáculo.

Tem gente que olha para o mesmo morro e vê terraços, videiras e futuro. O vinho faz isso, transforma a parede em paisagem, obsessão em safra.

Eu sou Felipe Vasconcelos, produtor de vinho e fundador da Vinícola Fortuna e este é o Vinho Faz. Conversas de quem faz vinho sobre o que ele faz. O convidado de hoje é Marcelo Rosental, engenheiro civil, mestre pela UF, ex-professor de pós-graduação, fundador de construtor em 1984. Homem que passou a vida inteira construindo prédios, empresas, estradas.

Até que veio a pandemia e com ela a busca por um pequeno, entre aspas, terreno na Serra do Rio para preparar a aposentadoria. O terreno não ficou tão pequeno e a aposentadoria, essa ficou para depois.

Quando o filho viu o terreno pela primeira vez, bateu nas costas do Marcelo e disse Parabéns, pai, você comprou uma bela parede. Acha aspas. Marcelo olhou para aquela parede e viu outra coisa. Viu terraços, viu videiras, viu a casa Rosental. Fez movimentação de terra, recuperou o solo, plantou a primeira muda em 2022.

E porque não bastava produzir, precisava entender. Aos 60 anos, entrou na graduação de viticultura e enologia. Aliás, faltam menos de dois meses para se formar. Em junho de 2026, ele se forma enólogo. Talvez o primeiro enólogo com vinhedo próprio no Rio de Janeiro.

A Casa Rosental é uma vinícola boutique em secretário, Petrópolis, produção pequena, artesanal, garrafas numeradas. Viticultura de precisão levada ao extremo. 40 análises de solo onde outros mandam duas. Cada terraço tratado como um vinhedo separado. E quem recebe o visitante? O próprio Marcelo e a Célia, sua esposa e parceira desde o primeiro dia. Essa introdução já...

Já demonstra um pouquinho do que vem por aí. Vamos abrir o vinho? O vinho já está aberto. Nós abrimos, então, um Família Eloy, que é nosso parceiro deste episódio. E que, aliás, a gente já degustou. Hoje nós tivemos a honra do Zé Carlos, o produtor aqui da Família Eloy. Ele abriu com a gente, ele nos serviu. E conversar sobre o que acontece quando um engenheiro decide que construir prédio já não basta.

E resolve construir um terroir. Seja muito bem-vindo ao episódio número 12 do Vinho Faz, Marcelo Rosenthal. Saúde. Saúde, obrigado, Felipe. Prazer é meu. E também não tem como agradecer ao Zé Carlos pela recepção que eu tive aí em cima. Conhecer toda a Vila Toscana, uma coisa maravilhosa, uma experiência imersiva, muito gratificante. Que transporta a gente mesmo. E obrigado pelo convite.

Muito bom, é um prazer tê-lo aqui. Vamos contar um pouquinho dessa história. A gente sempre separa em alguns blocos. O primeiro é a parede. Eu quero que você explique um pouquinho disso. Vêm os terraços, a obsessão, o legado. Claro, você como produtor e depois como encontrar a Casa Rosental. Que, aliás, vamos fazer uma conexão que eu trouxe aqui. Eu comentei, tá em Secretário Petrópolis. E...

Você está a 30 e poucos quilômetros daqui do Borgo, daqui de Areal. É, a gente está a menos que isso, porque aqui é quilômetro 38, a gente tem 13, estou a 27 quilômetros daqui. Isso dá o quê? Uns 30 e poucos minutos? 30 e poucos minutos. É muito perto, muito rápido, muito próximo.

Muito legal, ou seja, a região nossa realmente vem se fortalecendo e que a propósito, ele vai falar, mas eu já bebi um vinho, um Sauvignon Blanc que é espetacular para muitos, o melhor Sauvignon Blanc da Serra do Rio de Janeiro, mas isso eu quero que você fale e a gente se aprofunde nos números como produtor. Marcelo, você conta aqui antes da pandemia.

Todas as viagens tinham, obrigatoriamente, uma passagem por regiões vitivinícolas. Bordeaux, Borgonha, Alsácia, Chile, Argentina e por aí vai. Então você era um anófilo de carteirinha. Mas tem uma diferença entre amar vinho e decidir produzir. Qual foi esse momento em que você cruzou essa linha?

O que acontece é que a pandemia fez todo mundo parar um pouco e olhar para dentro, ver o que está acontecendo, o que a gente pode fazer e como vai ser o nosso futuro. E nesse momento eu e minha esposa, minha parceira, casamos em 89, então você vê quanto tempo tem aí.

A gente resolveu começar a procurar terrenos aqui na serra. Na época até o corretor ia na frente num carro com máscara, a gente tinha outro carro, nosso carro com máscara. Mas uma coisa pequena, uma coisa era com 5 mil metros, que ela gosta de plantar, tem as frutas dela, o jardim. E eu sempre gostei do campo, não tenho origem de campo, mas quando o moleque tinha um sítio em Teresópolis, enfim.

Então era um desejo nosso começar a nos preparar para a aposentadoria. E aí a gente viu alguns terrenos e o corretor chegou e a gente não estava gostando nenhum. O corretor chegou e falou, mas tem um outro que eu vou te mostrar. A gente começou a ir, ele no carro da frente, como eu disse, a gente no carro de trás. A estrada já estava bem longa, já estávamos 5, 6 quilômetros mais lá de chão. Eu cheguei para a minha esposa e falei, ó.

não vai dar, vamos voltar, ela é, tá muito longe e tal, e chegamos. Quando a gente chegou, abriu o portão e a gente viu a entrada, já foi uma primeira paixão que a gente teve. E aí subindo, né, subindo e vai subindo, porque eu tenho...

quando a gente chegou no terreno em si, que era realmente todo com mato, era uma encosta bem, com uns 15%, 25% em declinação em alguns pontos, eu olhei para frente e vi aquele visual e aquilo lá realmente foi encantador, foi como se fosse realmente, deu um estalo, na minha esposa também deu esse estalo, e o vinho ainda não estava, a uva não estava nesse projeto.

E a gente, então, resolveu embarcar no terreno primeiro. Após o terreno, então, a gente viu, a gente já tinha essa paixão pelo vinho, sempre do lado de lá da mesa, realmente, na parte de degustar, visitar, consumir. E a gente começou a ver, quer dizer, eu falo muito de coincidência, minha esposa diz que coincidência não existem, que já está tudo pré-determinado.

E aí esse terreno todo estava na direção norte-sul. Ou seja, as videiras, plantando as videiras, elas teriam o sol o dia inteiro. Eu brinco até com os visitantes que nos falam o dia e a noite toda também. Então, a partir do momento que a videira está aqui e o sol está aqui...

a gente começa a ter curva de visibilidade, ou seja, cada platôzinho desse, eu falo muito sobre isso, é como se você estivesse num cinema-stadium, antigamente você ia no cinema, mais antigos como eu, a gente chegava pra pessoa da frente, chega pro ladinho que eu quero ver a tela, a pessoa te incomodava de ver a tela. Fizeram o cinema-stadium, acabou esse problema.

E a coincidência de ir a nosso terreno, estar toda na direção norte-sul, que faz com que o sol estivesse aqui, as videiras aqui, fez exatamente, eu imaginei aqueles terraços e as videiras todas sentadas nas suas poltronas. Ou seja, a videira de baixo, ela nunca faz soma na videira de trás. Então, o viado tem uma insolação muito grande.

Então foi evoluindo, foi evoluindo, a gente teve um contato com uma engenharia agrônoma que estava fazendo paisagismo, eu falei, ah, queria plantar umas uvas aqui e tal, ela falou, não, porque você não planta ali? E quando eu fui ver, já estava com um trator, com reto de escavadeira, com tudo, fazendo os primeiros terraços. Na verdade, o primeiro terraço foi onde...

seria a nossa casa principal, que é bem no alto. Então eu cheguei para a minha esposa, a gente decidiu onde fazer a casa dos hóspedes primeiro, para poder acompanhar a casa principal e acompanhar a construção do vinhedo. Não preciso dizer que hoje a gente ainda está na casa de hóspedes, o vinhedo está todo lá e a casa principal até hoje está no platô só. E ninguém se arrepende de nada. Não, pelo contrário, ela diz que não quer a casa principal. Eu ainda quero fazer a casa principal lá em cima.

Muito bom. E essa história que seu filho viu ali, uma parede, ele não conseguia enxergar? Não, não. E calhou ainda quando eu fui levá-los, ele e o meu outro mais velho. Hoje eles têm 29, 32 anos. A gente tinha uma cachorrinha, a Rani e tal, que já tava meio doentinha e tal, levei ela também. E assim que botei ela no terreno, ela caiu. Então ele falou, tá vendo como é íngreme isso aí e tal? Então ela já tava meio velhinha e tal, ela caiu.

E aí ele chegou, realmente, essa história verídica, ele chegou, bateu nas minhas costas, parabéns, pai, eu não tenho filha mulher, então, eu gostaria de ter uma filha mulher que consertou ela a chegar, que isso, pai, foi legal, pá, tal, mas filho homem.

eles pegam mesmo se eles tem alguma coisinha, ele pega esse então mais novo, ele chegou, parabéns pai tu comprou uma bela parede mas realmente é como você disse antes já tinha ido com a minha esposa, naquela parede já tinha visto o meu platô principal já tinha visto a casa de ódio o projeto já estava bem já estava encaminhado na nossa cabeça legal

Num exercício de visualização, tudo tava ali. Tá, talvez a engenharia tenha ajudado nisso, não sei. Mas exatamente onde eu pensei a casa principal, eles estavam ali em cima, eu desci o mato alto e tal. Se eu soubesse que tinha tanta cobra como eu sei que tem hoje, talvez não tivesse descido. Mas desci, eu falei, pô, olhei assim, vi a rua chegando, falei, pô, se eu fizer um platô aqui, eu vou pegar exatamente a rua ali. E é onde a gente fez o platô pra casa principal e tal. Enfim, eu vi que ali tinha um potencial muito grande pra gente fazer.

O que algumas pessoas falam, uma paisagem que remete ao Douro, que a parte do Douro é toda também platôs, algumas até fazem colheita com...

com cordas e tal, enfim, com rapel. Então eu vi, eu tive essa sensação que a gente estava no caminho certo. Legal. Isso favorece as videiras. E isso tem uma curiosidade, dependendo do patamar, eu lembro disso na Borgonha, em algum passeio também no turístico de uma das vinícolas lá.

Quanto mais para cima, ou seja, do morro, mais dificuldade a videira tem para encontrar água, as raízes, elas precisam fazer isso. Então, num terra menor, isso já vai dando diferença dos patamares ou não? Dá muita diferença, por isso até a sua introdução é realmente a gente faz isso, quer dizer, a gente considera cada terraço ou cada rua um vinhando separado. Por quê?

muito mais pela chuva. Então, se você tem um terreno plano, a chuva vai vir e ele vai alagar, não é bem o termo, mas ele vai ser distribuído ali naquela área uniformemente. Essa água ou esses sedimentos, não tem um arrasto de sedimentos. Como a gente está em terraços, a gente tem um arrasto de sedimento muito grande e...

Por teoria, a matéria orgânica está sempre em cima, né? Então, você tem um arrasto maior. Por teoria também, por isso, a rua teria que ser a última. E não é. A melhor rua é uma rua do meio. Não me pergunta por quê. Não sei se o terraço ficou mais para dentro. Enfim. Mas isso me obrigou, embora não foi...

não era o protocolo, eu senti que havia muita diferença nas brotações, nas frutificações, no vigor em cada terraço. E aí eu pensei nisso e falei, bem, tem que começar então a tratar isso independente.

E a partir do que eu tratei independente, ou seja, a gente conseguiu com que eles todos tivessem similaridades na sua evolução. Essa colheita desse ano, a gente está realmente com uma homogeneidade maior. É uniforme. Você vê aquilo.

Tem unidade. Por exemplo, na primeira colheita, a gente, a Sauvignon Blanc, que a gente consegue colher melhor, tinha pés que davam 1,5 kg e tinha pés que davam 500 gramas. Então, a média foi 1 kg por pé. Eu tenho mil e poucos pés, fiz uma tonelada e pouquinho.

que foi um bom número, mas você vê uma diferença de três vezes, uma que está com 500, uma que está com 1.500, então por que não tudo dá 1.5 a quilos, ou 1.500 gramas? E aí eu comecei a fazer essas análises separadas, e comecei a ferro de irrigação também por setor, ou seja, a nossa ferro de irrigação era toda setorizada. Por rua? Por rua.

Então eu vejo que a rua A precisa de mais amônia, mais nitrogênio, mais calcário, qualquer coisa que seja o que ela está precisando mais, a gente faz tratamentos diferentes em cada rua. E são quantas ruas? Quantos patamares? São de A até K e de 1 até 5. São umas quase 20. É o que? Umas 20? Quase 20, é. Quase 20. A até K e 1 até 5. Umas 20 ruas.

terraço. E cada rua é uma varietal ou não? Elas estão sempre juntas, mas as varietais tintas estão mais pra cima e as varietais brancas estão mais pra baixo. Alguma decisão técnica? Na época, sim, me passaram isso como se fosse uma parte técnica, talvez por causa da insolação, mas eu não vejo hoje muito, porque pelos terraços a insolação está constante em todo o vinhedo, então eu não vejo muita...

não vejo essa diferença se traduzindo ali no vinho em si já, não percebe? não, tanto que a Sauvignon Blanc tá embaixo e ela efetivamente sempre foi uma produção bem melhor que as tintas pra mim Marcelo, já também acelerei aqui vou pro bloco do produtor, porque a gente tá nesse assunto que é muito interessante, depois eu volto ali na origem em alguns outros detalhes, a sua visão aqui pra Serra do Rio de Janeiro a sua primeira o plantio foi em 2022 e depois

E a sua primeira colheita foi em 2000 e... 24. 24. Dois anos depois. Você já fez então, hoje, 24 e 25. Fiz duas colheitas e esse ano a gente vai pra terceira.

E como que foi, na sua visão, assim, na prática, essa evolução? Porque a vinificação, ela no início foi terceirizada e agora é uma vinificação própria. Como é que é isso? Não, a gente ainda, a gente, como eu não tenho um mapa, inclusive, né? A gente ainda faz a vinificação terceirizada, mas a ideia é a gente ter todo o processo. O que eu faço? Eu tenho um laboratório, eu tenho uma área de vinificação pequena.

onde eu faço pequenas vinificações, 100, 150 garrafas, ou até menos, microvinificações com 20, 30 garrafas, que servem como laboratório para o que a gente vai lançar no ano que vem, no ano seguinte. Então a gente faz cortes, a gente vê...

Uma coisa até interessante também, que hoje já tem uma tendência de você fazer corte dentro das suas próprias uvas. Ou seja, por que não pegar a cirrá que nós temos, você tem, pegar uma parte dela, colher uma época, pegar outra, colher outra época, colher outra época. Então você vai ter mais acidez numa, você vai ter mais álcool na outra e misturar tudo. Ou seja, isso é uma tendência que está começando até hoje de você fazer cortes dentro do seu próprio vinhedo das suas uvas, considerando colheitas diferentes.

Porque a gente tem os microclimas. Totalmente. Hoje chamam até de nanoclima. Cada vez é igual a medicina. Antigamente era médico. Hoje você tem o especialista do especialista. Exatamente isso. Hoje a gente tem que tratar a viticultura como especialista. Ou seja, microclima, microtratamento. Uma série de ver a uva de maneira diferente. É uma lupa mesmo. Você não tem mais espaço para...

Deixar lá e ver o que vai acontecer. Isso não existe. Não. No nosso mundo, impossível. Legal.

Barrica você usa? Não, eu até falo muito isso, quer dizer, é uma proposta enológica nossa. Não vou dizer, nunca vou usar barrica. Eu acho que pelos próximos 3, 4 anos não usaremos barrica. Por quê? Como a gente faz essa degustação e faz a visitação, nas épocas próximas colheitas as pessoas pegam realmente a uva, provam e tal. Então eu quero que o meu...

consumidor, o meu visitante, ele ao provar um caso arrozental, ele vai sentir 100% do que a uva que ele viu lá no campo, que ele provou, forneceu para ele. Não é crítica, barrica, nada disso, não tem nada a ver crítica, é uma proposta enológica.

de que pelo menos nesse momento que a gente está começando a formar o nosso nome, a nossa identidade, eu quero que ela não tenha nenhum fator exógeno a isso. Até comento muito, é legal, quer dizer, por exemplo, é...

É permitido no Brasil, né, você adicionar até 3% do volume de açúcar pra você começar a ter um teor alcoólico maior no seu vinho e tal. Tudo bem, direitinho. Aqui na Serra do Rio, a gente nunca vai... Não tem, não conheço ninguém que faça isso. Quer dizer, a gente não precisa botar produtos exógenos à uva, né, pra ter uma uva de qualidade.

Então eu quero que o nosso consumidor, quando ele está tomando um caso rodental, ele está sentindo 100% da uva. Não tem baunilha, não tem especiarias, tirando a pimenta preta do Serra, que já é dele e tal, enfim. Ele vai sentir a uva em si.

Interessante. E nesse ponto que você trouxe, tá muito claro que você foca ali no terroir com a mínima interferência, e agora, daqui a dois meses, você mesmo assinando o seu próprio vinho. O que você acha que nesse nosso, vamos falar nosso terroir aqui, essa região toda, de várias vinícolas, e claro, no seu especificamente, a gente tem...

que você já conseguiu identificar na nossa terra de sobra e o que falta, o que seria pra gente, de repente, algo que a gente precisa resolver, que no Sul já tem ou em outro destino do mundo tem? A primeira coisa que sobra e é muito bom é o sol.

Eu até falo muito isso, até com outras pessoas também, a gente tem que começar a ter o protocolo da Serra do Rio, porque não adianta a gente pegar o protocolo do Rio Grande do Sul, que pegou o protocolo de Bordeaux, que pegou o protocolo...

da Borgonha, que está nos livros, não adianta. A gente tem que começar a ter o nosso protocolo. A gente tem muito mais sol, como já te falei, do que a França tem. E a gente tem muito mais mídia do que a França tem. Então, por que não a gente começar a fazer uma desfolha maior, ou seja, tirar essa quantidade de folhas que às vezes precisa ter de um metro e pouco, metro e vírgula dois por quilo e tal.

Não sei, talvez a gente não precise disso, já que a gente tem tanto sol durante tanto mais tempo do que os outros terroir. Então, a primeira coisa que eu falo muito é isso, a gente tem que começar a ter o nosso protocolo. É tudo muito recente, né? A gente pode pegar o nosso desbravador, o Aranha, acho que a primeira vinificação dele, não sei se foi em 2014 ou 2017, enfim.

Mas a gente está falando de oito, nove anos aí, quer dizer, em todas as regiões que você conhece vinícolas são centenárias ou milenares. Então a gente está começando, mas temos que começar com as nossas pernas agora, ou seja, criar os nossos protocolos, ver as nossas vantagens, ver as nossas deficiências, como é o caso do Mildo, e traçar um protocolo para isso.

lógico que a roda já existe, a gente vai pegar a roda, mas vamos adaptar a roda para a nossa realidade, fazer ela ficar mais redondinha aqui, menos redondinha ali, para a gente criar o nosso protocolo. Então, eu vejo isso, quer dizer, a gente tem muita coisa boa, nós temos essa parte do sol, nós temos uma colheita num período seco que é maravilhoso, poucos lugares do mundo tem isso.

Mas nós temos também nossas deficiências, nós temos a chuva, a gente tem o humilde pesado, a gente tem uma série de coisas que nos atrapalham. Então, novamente, protocolo. Perfeito. Que ele venha logo. E você tem uma iniciativa também, hoje vice-presidente da Aviva. Sim. De repente poderia até falar sobre a Aviva, que é a Associação dos Viticultores aqui da Serra do Rio de Janeiro. Lógico, é um prazer e é um orgulho a gente fazer parte dessa associação. Eu acho que... E aí

nós sozinhos não vamos chegar a lugar nenhum. O que a gente tem é a força de um grupo de pessoas que resolveu arregaçar a camisa, arregaçar a manga e trabalhar. Até conversei rapidamente contigo, quer dizer, a característica do viticultor da Serra do Rio e estenderia mais um pouco do viticultor...

uma boa parte de Minas Gerais, do Espírito Santo e uma parte de São Paulo que não estava fazendo os vinhos de mesa, que começou com os vinhos finos, são viticultores que não têm uma tradição familiar pesada, de uma origem de família que veio de pai para filho, ou seja, a terceira, a quarta, a quinta geração que está fazendo isso. Não, nós somos, em sua grande maioria, empresários ou gerentes ou em cargos de confiança ou cargos de...

de decisão numa empresa que resolveram, por paixão ao vinho, não tem outra razão para isso, arregaçar as mangas e fazer isso. Todo mundo poderia estar... Minha esposa, a gente não viaja mais, antigamente viajava todo ano, agora a gente viaja para a Serra, toda quinta-feira.

Então é um grupo de empreendedores, a Viva, ela é um grupo de empreendedores, e os que estão fora da Viva, mas que em breve estarão juntos, tenho certeza disso, é um grupo de empreendedores que acreditou na sua paixão do vinho e que aqui tinha...

um potencial pra você fazer vinhos, e o que eu digo mais, fazer vinhos de qualidade, né? Prova disso são os prêmios, a família Eloy, a Tassinari, a gente já ganhou nossas medalhinhas também, enfim. A gente tá chegando e estamos chegando pra incomodar.

Boa. Faz um sauvein blanc maravilhoso. Isso porque eu não experimentei os outros ainda. Eu vou lá e vou num sábado. Vai ser um prazer. E que a gente vai falar sobre isso. Inclusive, quem atende o próprio Marcelo e a Célia fazem esse atendimento aos sábados, lá na Casa Rosental. Enfim, tem que colocar nessa agenda logo. Você fala, é uma vinícola boutique. A produção é pequena, as garrafas são numeradas. Quantas garrafas vocês produzem por safra hoje? A primeira safra a gente produziu 1.100 garrafas.

Foram 739 garrafas do Sauvignon Blanc, 343 garrafas do Sirá e 20 e pouquinhas garrafas do Cabernet Sauvignon.

Depois eu te falo do cabelo da Sauvignon. Muito bom. A segunda safra agora já foi melhor. A gente vai produzir em torno de 2 mil garrafas. Abaixou um pouquinho da Sauvignon Blanc, porque a gente teve um probleminha do mil e tal, mas foram 576 garrafas da Sauvignon Blanc.

126 garrafas de Cabernet Franc, que essas foram feitas na própria Casa Rosental, vinificadas lá. Em torno de 100 garrafas de vários blends, cortes que a gente está fazendo, com brancos, com tintos. A gente tem, inclusive, um corte que eu fiz e uma parte está indo para a vinificação fora, que a gente chama de terraços, que é um corte com todas as nossas tintas. Marcelin, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Serrat.

É um corte que ficou bem legal. Então, ainda não foi envasado, vai ser envasado nas próximas duas semanas. Eu acredito que a gente vai chegar esse ano a duas mil garrafas. Isso com quantas plantas? Quatro mil pés. Quatro mil pés. E você tem pretensão de ampliar? Por enquanto, zero. Já tive opção.

A ideia nossa realmente é ficar nesses 4 mil pés, porque é uma proposta nossa, lógico, e eu quero novamente isso, eu quero conhecer meu vinhedo todo. Eu quero saber, eu ando meu vinhedo tranquilamente, então não tem por que eu ter problemas, alguns problemas que ainda aconteciam e tal.

Então eu quero ter, esse talvez seja um problema meu, sou meio centralizador, eu reconheço isso, mas então eu quero ter o vinhedo sob controle, se eu tiver muita planta eu vou perder esse controle. Então eu prefiro ter poucas matrizes, poucas videiras e trabalhar bem elas. É, isso é muito interessante e vai carregar esse título de vinícola boutique, investir muito em qualidade.

Você faz a microvinificação, então testa esses produtos, como você tinha comentado. Sim. E você mencionou, novos cortes estão por vir. Poderia, de repente, a gente falar sobre esse corte? É, eu vou te falar. Em especial. Eu não falava com ninguém sobre ele, mas vou te falar. Há quatro anos atrás, faço parte da ABS também, como associado, eu estava num grupo de degustação. E ele é o nosso...

coordenador, tal, a gente faz de degustações cegas, trouxe um corte branco que eu fiquei apaixonado. Depois, a gente foi ver, tal, era um corte bordalês, que era Sauvignon Blanc com Sémion.

Esse corte, então, ele vem com todo aquele aroma, com toda aquela potência aromática, né, que a Sauvignon Blanc tem, que a gente bem conhece, mas a Sémion, ela trouxe corpo, ela trouxe licor, ela trouxe estrutura ao vinho, ficou uma coisa maravilhosa. Então, há três anos atrás, eu plantei os primeiros pés de Sémion, não conheço ninguém que tenha plantado, então foi mais... a gente não tinha referência para saber se nem se daria, se não daria. Ano passado, ele deu muito pouquinho.

com esse pouquinho a gente fez em torno de 20 garrafas desse corte, que pra mim ficou muito bom e a colheita desse ano da SEMEON tá prometendo já tô vendo os cachos, já estamos na fase já tá na fase de fechamento de cacho ela tem até um um ciclo um pouquinho mais rápido nesse momento mais do que a Sauvignon Blanc? mais do que a Sauvignon Blanc, ela começou antes e não sei quando vai ser a colheita, né porque aí a gente faz as análises no campo pra ver, né, acidez, briques e tal

Mas a gente acredita então que esse ano, 2026, a gente vai fazer esse corte comercialmente, ou seja, uma parte da Sauvignon Blanc vai ter ela varietal e outra parte vai ter ela com corte que vai ser o percentual de Sauvignon Blanc é maior e um percentual de Sémion para dar essa estrutura a esse corte. Muito bom, eu nunca tinha ouvido falar e eu já escutei o corte bordalês, mas dos tintos. É o corte bordalês dos brancos.

Então isso vem de fato lá de Bordeaux? Vem de Bordeaux e a Austrália também faz muito ele. Legal. A Austrália também tem muito. Na verdade eu bebi dois vinhos dele. Bebi um francês, um de Bordeaux, que foi às cegas.

E o orientador Rueler indicou também um australiano, eu comprei também, muito bom, falei, é isso. Vamos nessa, vamos embarcar nessa também. Muito bom. E uma pergunta um pouco mais técnica ainda dentro dessa área como produtor, o laboratório da Casa Horizontal monitora SO2 livre, teor alcoólico e alguns parâmetros químicos. Sim. Qual que é o maior desafio que você enfrenta hoje enquanto produtor?

E o que é mais difícil, assim, porque é curioso, né? O que as pessoas, elas imaginam quando elas visitam? E qual é a reação delas quando elas saem de lá, quando elas provam os vinhos? Tem alguma relação direta? Eu acho que sim, eu até fiquei muito satisfeito semana retrasada. Em fevereiro tinha um sommelier, Rodolfo.

Rodolfo Massa. E ele queria muito fazer a visitação, não tava conseguindo. Aí eu ia receber os amigos domingo, eu falei, vem aqui domingo, te recebo. Ele foi lá, adorou. E semana retrasada ele voltou lá, ele, a mulher dele, com mais seis sommeliers.

Uma delas é a Adriana. E era a primeira vinícola do Rio que ela estava conhecendo. E ela postou logo em seguida, achei muito legal, ela botou vocês precisam ir na Serra do Rio, ver o que está acontecendo na Serra do Rio, porque vocês não têm ideia do potencial desses empreendimentos. E elogiou muito o nosso vinho, falou muito bem dos nossos vinhos, porque ela só tinha provado o nosso vinho.

Mas isso é uma... Aí como a viva é uma coisa que eu bato muito e já tentei também com a Bess algumas coisas. A primeira coisa que a gente tem que fazer como associação, estou só fodendo um pouco do assunto, é isso, é fazer com que o Rio de Janeiro saiba que existe vinícolas de qualidade no Rio de Janeiro. Antes de qualquer coisa, eu estou falando de sommelier que nunca tinham tomado vinho do Rio.

O Aranha mesmo, eu escutei a conversa dele, ele falou que tem mais dificuldade em vender para o Rio do que para Fortaleza. Mas a gente tem que ter um movimento nosso de mostrar para a pessoa que mora no Rio, Niterói, no estado do Rio, primeiro.

que basta ele pegar um carro uma hora e meia ele tá aqui se ele vier pra cá então e uma hora e meia ele tá na Itália enfim, mas ele tem qualidade e o que é legal ele tem uma opção de alguma vinícola que ele vai adorar se ele quer uma uma visita mais imersiva ele tem as vinícolas que são mais imersivas, se ele quer uma coisa mais abrangente, ele tem as vinícolas mais abrangentes se ele quer uma coisa, enfim a gente tem hoje aí talvez mas

com o enoturismo, chutaria umas 10 vinícolas, não sei. Vamos ter mais, todas estão se preparando para isso, mas com certeza quem vem hoje para a Serra do Rio sai muito impressionado positivamente com o que tem visto. E no Google a gente só recebe 5 estrelas, 5 estrelas, 5 estrelas, espero que continue assim, mas é um trabalho que a gente faz e talvez até por isso que as pessoas vêm esperando assim, qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu

despretensiosas. Despretensiosamente, ah, vou lá, vou beber um vinho, tal, né? O Aranha falou disso, vou beber uma porcaria lá qualquer, vamos lá ver. É, tem um político que veio aqui, tal, foi lá no Ideraldo, e...

O Hideraldo toda hora falava do vinho, ele falou, puta, vou ter que beber esse vinho do Rio, cacete. Depois que bebeu, ele até, o Hideraldo me ligou, Marcelo, preciso fazer um vídeo contigo. Falei, peraí, Hideraldo, tô sem camisa, vou botar camisa e tal, vou botar camisa e fala, Hideraldo. Alguém quer falar contigo? Aí o político lá do outro lado, pô, parabéns, vinho maravilhoso e tal. Então a gente tem que quebrar essa barreira.

das pessoas acharem que antigamente a gente tinha muito isso com vinho brasileiro vinho do sul então a gente tem que começar primeiro falar pras pessoas que existe segundo quebrar a barreira, vem conhecer vem provar, vem na Família Eloy, vai na Tassinari vai na Inconfidência vai no Vale dos Desejos vai na Casa Rosental vai em todas as vinícolas vai

Vai na que você quiser, mas venha e que você vai com certeza, você vai se impressionar positivamente. Esse é o comentário que eu tenho visto até hoje. Se você pegar o meu Instagram, você vai ver umas chamadinhas lá sobre isso. Isso é muito bom. Quando eu sempre puxo aqui e vou falar, eu fico com receio de faltar alguma, mas me ajudem e coloquem nos comentários aqui do YouTube, do Spotify.

Mas nós temos hoje, então, com o Eno Turismo, a gente tem aqui a família Eloy, que fica no Borgo Del Vino, a gente tem a Casa Rosental, a Vinícola Tacinária, o Marcelo Aroca, tem a Casa Vinos hoje em dia, desculpa, Maurício Aroca, da Casa Vinos, o Ideraldo, no Vale dos Desejos. Você tem.

Marcelo Maturano tá em Teresópolis, recebe bem lá também. Tem a Terras Frias, você tem a Fatoria Vinhas Altas, você tem a Autos do Rio, acho que também tá com Minoturismo. Autos do Rio, só que já foram umas oito. Pra mim são essas. É que eu faço o caminho, eu tenho que vir pelo roteiro que eu tenho na cabeça. É, pelo mapa, mas deve ser isso, mais oito. E eu reforço isso aqui, no meio da nossa conversa, porque as pessoas...

como você falou, elas não tem ideia do que está acontecendo aqui. Tem que vir. E dá para ficar já hospedado, seja aqui no Borgo Del Vino ou em outra hospedagem, e sentir isso, rodar, ficar dois, três dias por aqui, e ir nessas vinícolas. E aí é muito legal o que a gente, quando digo a gente, são os viticultores, com endoturismo principalmente, estão fazendo para a região em relação à movimentação. Nós somos pequenos, recebemos grupos pequenos.

Mas, por exemplo, na semana passada, quatro casais que foram nos visitar, eles primeiro viram onde era a Casa Rosental e depois procuraram hospedagens próximo à Casa Rosental para poder nos visitar. Ou seja, o comércio começou, as pessoas de hospedagem começam a se movimentar.

E aí, o que eu comentei contigo, que a gente faz a degustação harmonizada e fazemos só com produtos da região. Quando a gente foi fazer a curadoria, o cara, tem um queijo da Serra Canastra maravilhoso. Eu sei, é maravilhoso, mas é da Serra da Canastra, é de Minas, eu quero coisas do Rio. Então, a gente só usa produtos da região, da região serrana.

E não vendemos esses produtos, porque a gente quer que assim que acaba a degustação, o nosso visitante saia, vá para o centro de secretário. Lá tem uma loja, que não é nossa, não temos nada a ver com isso. Uma loja que vende os produtos, as pessoas até chegam, a degustação da Rosenthal já tem lá tudo separado, e acaba consumindo os outros produtos da região que tem lá.

E aí vai no artesanato que está do lado. E aí vai na choperia secreta que também está do lado. Enfim, a gente movimenta a região. Isso que eu acho que é o mais importante. A gente está conseguindo fazer, ainda pequenos, já estamos com uma movimentação na região que já se sente essa diferença. E eu acho que a gente tem essa função também, essa parte social muito pesada, muito legal. E ele vai desenvolvendo essa economia, vai puxando os negócios, gera renda, gera emprego.

É realmente impressionante, porque gera um destino. Não é simplesmente, ah, tem uma atração lá. Não, você começa a vir pra cá porque tem vários negócios acontecendo. Eu estive na Embrapa em setembro, e numa das palestras da Embrapa, o pesquisador lá chegou e estava falando sobre a viticultura e falou

Nada contra o alface, mas você já viu alguém fazer vamos visitar o pé de alface lá em Bento. Não tem isso, entendeu? Então a cenoura, não tem, mas a uva tem. Então a uva, ela tem esse poder de fazer essa movimentação. Espetacular. Vamos voltar um pouquinho aqui pra origem, pra essa tal da parede. A Célia, sua esposa, ela te apoiou desde o início, você falou aqui.

a compra do terreno até a primeira muda ali. E você não precisou nem convencê-la. Foi algo muito natural. Assim, eu imagino, ela precisou ser convencida. E qual que é o papel da Célia hoje na Casa Rosental, além do que as pessoas veem?

Você já me contou, eu queria que você reforçasse isso e claro, se tem alguma informação a mais porque ela recebe pessoas junto com você aos sábados. Sim, a Célia, toda essa parte de noturismo, toda a parte de primeiro, a gente como a gente tem essa proposta intimista a gente não faz reservas robotizadas, ou seja, você vai entrar no WhatsApp vai vir só a primeira chamada mas depois não vai ter. Diz que um se você quer reserva, não é isso a gente quer o contato, então tá bom!

Chegou no WhatsApp, a Célia já responde direto e começa realmente uma troca de informações personalizada para aquela pessoa. Você vai chamar pelo nome, ela é super simpática, fez comunicação, eu sou engenheiro, enfim, deixa para lá essa parte.

Mas ela vai, então ela faz toda a parte primeiro do receber esse cliente, né? Que nos procurou. Depois ela faz toda a parte do agendamento desse cliente. E até a parte que depois a gente vai emitir, que a gente só faz reserva antecipada, porque como somos pequenos, a gente não... Se programa, se organiza, trabalha com agenda. É, e já teve gente, mas já, ah, vou, vou, e nunca vai. Então não é isso.

bem flexível, se a pessoa não puder ir já teve, a gente devolveu mas tem que ser antecipado pra criar realmente um vínculo então ela faz tudo isso e toda a parte também da curadoria é ela que trata dessa parte, ela vê os fornecedores, ela faz a mesa e tal então no sábado que a gente recebe ela de manhãzinha já vai pro receptivo já prepara todas as mesas deixa tudo preparado as louças e tal e

A gente recebe às quatro horas da tarde, quando não mais doze e pouco ela também já vai lá e já começa a separar toda a parte do que vai ser servido nessa harmonização com os nossos visitantes. Muito bom. Por que é quatro horas da tarde? Para pegar o pôr do sol. Aqui a gente, na Serra, tem uma brincadeira muito legal, que é quem tem um pôr do sol mais bonito, ou sunset, se você quiser, mais charmoso. Então, a gente tem um pôr do sol muito bonito, como os nossos...

parceiros aqui também, nossos amigos também tem, e é mais um motivo para as pessoas virem e ficarem alguns dias, vai ver o pôr do sol nosso, depois vem aqui e vai ver o pôr do sol, depois vai em outras vinícolas ver o pôr do sol, mas na hora do sunset algumas pessoas, a gente para a degustação quando pedem, vai todo mundo pra fora num deck que a gente tem sobre o vinhedo, é um deck de madeira que é em balanço sobre o vinhedo, né, já que tem a parede, vamos aproveitar a parede.

e já que ela tá lá abre-se mais um espumante se for o caso, o pessoal vai, curte bate a foto e volta pra dentro pra degustação de novo pra terminar os vinhos muito bom, o horário é é perfeito ainda mais agora, entrando na temporada de inverno é um convite mesmo ao prazer, como diria um narrador que eu não me lembro o nome é um convite ao prazer como que é o nome dele? alguém sabe ainda? produção?

Tem um narrador que eu gosto muito. Não, né? Ela não é da minha época. Um cara novo ali. Olha isso. Falando de idade, Marcelo. Idade. E essa área assim não é minha área também, não. Isso é um problema. Se fosse quem fez o cálculo estrutural de algum lugar, eu poderia te falar. Para futebol, não. Vamos lá. O terreno da Casa Rosental é extremamente íngreme. Isso está muito claro em tudo que a gente vem falando. Você é engenheiro.

projetou os terraços ali, seguindo as curvas de nível, para viabilizar esse vinhedo. O quanto ali da sua formação de engenharia civil está dentro desse vinhedo?

Tá bastante. Primeiro, pela própria concepção das curvas de nível, né? Onde serão os terraços, onde vai estar o terraço, qual a curva que você vai pegar para fazer isso. Segundo, na parte de o quanto você pode cortar desse terraço, você tem limitações, você não pode sair cortando o que você acha que dá para cortar.

E a parte da construção do receptivo, que a gente criou uma área específica para degustação, que a gente chama de receptivo, que é uma área com o pé direito alto, quase 5 metros de altura. É uma área pequena, mas uma área de porte da nossa vinícola. E com uma adega subterrâneazinha também pequena. Tudo que eu digo pequena é de acordo com o que a gente faz de produção. Uma adega para 5 mil garrafas.

Então toda essa parte foi a construção civil, foi o deck em balanço, né? Ele tá sobre o terraço, ele tem três metros de balanço, assim, que você fica em cima das videiras, você vê as videiras embaixo. Então na parte de movimentação de terra inicial, não tenho dúvida que essa experiência na execução de obras foi muito proveitosa. Muito bom. E vocês mandam 40 análises de solo, que história é essa pro laboratório? No chrono.

Eu percebi isso e falei, não, preciso me aprofundar nessa pergunta. É, porque o protocolo é o seguinte, né? Você tem uma área, você vai fazer uma análise de solo de uma área plana dessa mesa aqui, você vai pegar em vários pontos distintos, primeiro todo o solo de 0 a 20 centímetros desses vários pontos, e depois o solo de 20 a 40 centímetros de vários desses pontos.

Esse solo de 0 a 20 desses vários pontos, você vai misturar e vai tirar uma amostra representativa. E esse solo de 20 a 40 você vai misturar e vai tirar uma amostra representativa. Por quê? Você entende que essa mesa aqui, toda ela está mais ou menos com a mesma característica de solo. Então, pessoas com áreas talvez de 3, 4 hectares mandem para o laboratório.

Duas análises, uma de 0 a 20 e uma de 20 a 40. O fato de nós termos terraço, a chuva faz com que a água, ela faça o arrasto de matérias que tem para cima para vários outros terraços, para vários outros platôs. Isso a gente percebeu que a gente tinha diferença em brotações, em desenvolvimento, em vigor das plantas.

Então eu percebi que a única maneira da gente fazer essa correção era entendendo que cada terraço, cada rua daquela, teria que ser tratada como um vinhedo separado. Então a rua A tem uma análise 0 a 20 e 20 a 40. Vai para o laboratório.

Duas análises. A Rua B tem uma análise de área 20, 20 e 40. De vários pontos da rua também. E assim sucessivamente. Ou seja, cada rua a gente considera um vinhedo independente e de cada rua nós mandamos duas amostras do laboratório. Normalmente vai pro laboratório quase 5kg de areia, de terra, de saibro. Caramba! Nossa, muita análise. E faz todo sentido. Total.

E aí vem uma cutucada, se a gente puder, dar no poder público, que a gente precisa de ajuda, não é ajuda financeira e tal, mas o governo do estado tem um laboratório de solo em Itaperuna. Eu fui cotar e é mais caro a análise em Itaperuna do que um laboratório particular aqui em Minas Gerais. Então, a gente tem que chamar os governantes para cá, independente de partido, a viva em si é a partidária, nós não temos partido, mas nós precisamos que... É...

que o enoturismo, que está começando a aparecer muito até na câmera estadual, né? Você vê vários deputados falando aí sobre o enoturismo, que a gente tenha esse apoio, que a gente tenha estradas asfaltadas, por exemplo, eu estou numa RJ, eu estou numa estrada estadual e cheia de buraco, cheia de barro, de terra. São sete e meio, sete e meio, é. Então a gente tem que dar para o visitante, seja carioca, seja do Rio, seja fora do Rio.

condições dele chegar em todos os vinhedos com qualidade e estruturas do Ematerra ou da Pessagro, enfim que te apoiem eu falei que eu tive até em março eu estava na Embrapa, tudo bem que a Embrapa é federal mas ela tem uma, fica no Rio Grande do Sul ela apoia lá o pessoal e eles tem uma Ematerra forte, você vai pra Minas Gerais você tem uma Epamig forte uma Epamig atuante, ela vai nos viticultores qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu

Eu fui em vários viticultores, uma das professoras é da IPAMIG, ela foi lá e levou a gente. Você vai para...

para a EPAGRE lá em Santa Catarina, que a gente foi agora também, eles fazem um trabalho grande com os viticultores locais, fizeram depois a denominação, a identificação de procedência dos vícios de altitude, e tem uns trabalhos belíssimos nas uvas PIV, não sei se você já ouviu falar sobre as uvas PIV, que são as uvas mais resistentes à doença, me pede para falar em alemão, que é PIV, it's Halloween, blá blá blá, não sei o nome.

é a abreviação dela, é P-I-W-I, PIV, são uvas PIV, começou na Alemanha em 2010, 2015 e a Ipagre é detentora aqui dessa técnica, inclusive faz uma uva, faz um esporte enxerto que é único no mundo que faz esse esporte enxerto resistente à tracnose, ou seja, ela vende royalties desse esporte enxerto, mas são centros de excelência de pesquisa. Então a viticultura deles tem um apoio muito forte disso. A gente tá... Tá gelo nisso aí.

estamos jogados, a gente não tem apoio. Tem apoio, a gente precisa de apoio. Eu não sei nem porque eu entrei nesse papo. Não, isso tudo fortalece, ajuda. A gente precisa ter um apoio desses centros de pesquisa. Isso tudo porque a gente falou dos laboratórios. E o custo é muito alto. Você defende a economia local, a gente também, o tempo inteiro está defendendo isso, fazer com o produtor local. E de repente a gente se vê obrigado, por custos altos, ter que ir para outro estado para mandar as amostras.

E por que eu faço o SO2 lá? Porque eu preciso de uma resposta rápida no vinho naquele momento. Se eu tivesse um laboratório aqui, eu mandava para o laboratório aqui e na memória falava, Marcelo, é tanto. É o que é o IPAGRE faz lá com os viticultores dele. Então, como eu estou fazendo vinificação em pequena escala, você tem que ver como é que está o SO2. Você tem que ver como é que está o seu ácido. Como é que está o ácido, está legal. Como é que está o pH. Então, você tem que ter essas...

Aí eu tive um bom laboratóriozinho que me atende bem. E funciona bem já. Funciona. Muito bom. Você disse que aprendeu com um professor. Abre aspas. Você pode fazer um vinho ruim de uma uva boa, mas nunca vai fazer um vinho bom de uma uva ruim. Como que essa frase mudou a sua forma de trabalho no campo?

Exatamente nessa viticultura de precisão. Para mim, o primeiro ponto e o mais importante é a matéria-prima.

Ou seja, se eu tiver uma senhora cantina com uma prensa pneumática, com uma engarrafadora que vai fazer 1.500 garrafas por minuto, por hora, vai jogar vácuo e a uva for de péssima qualidade, não vai adiantar nada desse investimento. Você vai jogar dinheiro fora e você vai ter o vinho ruim. Então, antes de pensar em você ter esse produto de cantina,

e de ponta, você tem que pensar em ter uma uva de ponta. Então, todo o nosso esforço inicial foi em ter uma matéria-prima de ponta. Como a gente está em terraços, a nossa mecanização é zero, não anda trator, é tudo manual, não tem trator, não tem nada. E a gente tem esse cuidado desde o início e na hora da colheita, quer dizer, 100% das uvas que vão para a cantina, ou seja, 100% das uvas que vão para a finificação, são uvas sãs.

Se você pegar, assim, um estudo de como montar uma cantina, você vai ver que eles botam lá a mesa seletora, que fica aquela mesa e a pessoa vai separando. Você não precisa dela. Não precisa disso. A uva que está chegando lá, elas são uvas 100% sadias. Você descarta? Zero. Vai tudo pro chão. Vai descartar. Tá picadinho, vai pro chão. É mesmo? Tá coisado, vai pro chão.

A gente tem uma perda grande? Tem uma perda grande, mas vai uma uva de qualidade. Na cantina, pode estragar o vinho? Pode, mas aí já estamos no segundo passo. Mas se eu tenho uma uva boa e eu tenho uma cantina boa, eu vou ter um produto bom. Quer dizer, então, que tem lá um cachinho mais ou menos, esse já era.

Nossa. Como é que foi a primeira colheita? Marcelo, a sensação que você teve ao colher pela primeira vez, imagino você, Célia, família, amigos, como é que foi esse momento? O que você lembra? O que você se recorda disso? Olha, eu diria que tem vários primeiros momentos muito marcantes, né? Boa. Então, antes da colheita, eu tive o terraço pronto, que já foi um marco, uma coisa.

tá vendo? Olha o que que ficou. Você vê as ruas, você vê tudo. Depois do terraço, a gente tem a plantar as mudas. Eu plantei a primeira muda também. Eu fui lá e plantei a primeira muda. Por sinal, ela tá muito bonita até hoje. É, muito bom. Então, é, também foi um marco.

E aí sim, a gente depois vai ter a primeira colheita, que aí é uma festa, a gente acorda às seis horas da manhã, a gente colhe com o tempo frio, isso é muito legal, faz uma colheita rápida, é importante essa colheita ser rápida. E até vamos cutucar um pouquinho o pessoal do Sul, né? É bom a gente cutucar eles de vez em quando. Boa, manda bala.

Aqui na Vindima, né, quando a gente, vamos começar, vamos ver pra gente fazer também essa visitação de Vindima, a pessoa não vai estar no verão, ela vai estar no inverno, então ela vai colher numa temperatura muito agradável, 11 graus, 12 graus, 13 graus, não vai estar suando, vai ter nada disso, vai ser, é uma colheita mais agradável. Boa. Né? Então, mas a primeira colheita, sim, a gente marcou.

6 horas da manhã, o pessoal todo chegou às 6 horas da manhã, 9 graus a temperatura, me lembro, até hoje. Isso influencia bastante. Muito, muito. Novamente, vamos voltar à qualidade da uva. A uva, ela tem, o que faz a fermentação são as leveduras, né? A fermentação alcoólica, que é a transformação da glicose existente na uva, né?

Por isso que eu falei, por exemplo, da capitalização, que é a colocação de açúcar, que você paga vinhos de 15 mil dólares que colocaram açúcar. Quem sou eu? Só mais uma cutucadazinha. Mas você paga 15 mil dólares num vinho que colocou açúcar pra metar o teu alcoólico, né? A gente aqui, eu já falei que não precisa. Mas então, todas as uvas, elas têm...

em volta dela, naquela casca que se chama pruína, que é aquela serinha branca em volta da uva, você vai ver agora na sua primeira colheita, e lá está cheio de leveduras que se chamam leveduras nativas, são leveduras indígenas existentes. Se você colhe numa temperatura mais quente, e sempre vai ter um pouco de suco, a possibilidade de ocorrer uma fermentação espontânea é enorme. É enorme.

Então é sobre o nosso sol viamblan, não é um mistério, eu escrevo isso no rótulo, algumas partes eu não escrevo, mas essa parte eu escrevo. Como é que é o nosso processo da sol viamblan? A gente colhe e a solva vai direto para uma câmera fria, a 5 graus. Por quê? O frio não permite que a levedura faça o metabolismo, nem faça a fermentação do açúcar. Então ela fica em torno de 3, 4 dias numa câmera fria. Depois disso...

Estou dando a receita do bolo inicial. Estou anotando tudo aqui. Depois disso, a gente faz uma pré-maceração a frio. Ou seja, por que o nosso Sauvignon Blanc... Várias perguntas. Olha aí, vamos lá. Por que ele tem aquela cor? A gente não pega e prensa direto a uva. A gente antes... A gente desengasça, ou seja, tira o engasso. Com essa retirada do engasso, você perde um pouco de líquido. O suco, o sumo. E esse suco fica em contato com a casca 24 horas antes da pressagem.

E aí com algumas coisas. E aí você consegue... Alguns segredinhos que não dá pra revelar. Que aí você consegue extrair mais aroma, você consegue extrair mais sabor e você consegue extrair mais cor. E aí sim, depois começa algum processo anológico lá pra frente. Mas então é tudo... Dá trabalho? Dá trabalho. Mas te dá um vinho diferente? Te dá um vinho diferente. Muito diferente. Muito bom.

uma satisfação minha foi um conhecido nosso que estava fazendo uma degustação a cegas, botaram nosso vinho e ele chegou e falou, esse aqui é do Rosental. Ou seja, esse eu conheço. Deu uma identidade. Legal. Deu uma identidade. Mas a gente está aprendendo. Sobre o nosso Alveillon Blanc 24, como eu gosto de vinho mais encorpado, por isso também desse corte com o Semillon, novamente, não existe o vinho bom, não existe o vinho ruim. Existe o vinho que você gosta.

eu até numa das degustações da ABS, eu não sou fã do Merlot, e bem no início eu dei uma nota baixa lá no Merlot, numa degustação que eu estava fazendo. E aí o coordenador, assim, de maneira muito educada, não dirigindo diretamente para mim, mas falou, pessoal, quando a gente faz uma avaliação, a gente não vai pelo nosso gosto, a gente vai pelo que a gente está bebendo. Então, se você está bebendo um Merlot...

Ele não vai ter um tanino acentuado, ele vai ser mais leve, ele vai ter uma cor mais... Mas é isso que você espera de um Merlot. Então, você não pode dar nota baixa para um Merlot se é isso que você espera dele. E tem gente que quer isso. Como se uma pessoa que não gostar de caber no Sauvignon vai falar, pô, esse vinho está astringente, está com tanino mais forte, estou sentindo uma pirazena no fundo, fraquinha. Enfim, é a característica do vinho. Se ele tem essa característica, ele merece uma pontuação boa por isso.

mas então depois disso a gente faz essa pré-maceração, extrai esses aromas, extrai esse sabor e começa esse processo. É espetacular. Eu anotei, depois eu vou escutar, vou ver, vou assistir e vou aprender. Imagino quem esteja vendo ou ouvindo, está com um caderno, caneta na mão. É uma aula e alguns segredos revelados. Sim, principalmente a Semyon também aí que ninguém sabia. Esse corte...

Mas a gente não tem acesso a eles ainda. Quando você for lá, eu vou abrir uma garrafa pra eles provarem. Ah, das 20? Que privilégio. Vamos marcar a dia. Vou chamar o Zé e a gente vai... Vai ser um prazer receber vocês lá. Levar a família. Cara, que bacana. E ano que vem, teremos esse corte disponível comercialmente. Em 2027 ali, é provável. Provavelmente assim, em fevereiro de 2027 já vai ter esse corte. Muito bom. Maravilhoso. Você disse que...

por defeito, entre aspas, se envolve demais em todos os seus projetos. Você falou que é centralizador aqui comigo. E tem essa dificuldade em delegar. E é normal te ver roçando no vinhedo. É isso mesmo? Você entende isso como uma qualidade, como um problema? É uma obsessão? Ela tá te atrapalhando ou ela te ajuda? Às vezes ajuda, mas às vezes atrapalha, né? Porque realmente já rocei algumas vezes, mas pô, você não tem...

Pessoa pra isso? Tem, tem dois rapazes lá registrados direitinho e tal. Mas tem hora que eu chego e vejo lá aquele matalto e falei, ah, me dá a roçadeira e roço, entendeu? Ah, me dá eu faço o desponte, faço a desfolha faço... Não tem, não tem porque...

não sei se ansiedade não sei o que é, mas me incomoda ver aquele mato alto, então se ele tá fazendo outra coisa, se ele tá fazendo lá algum matifolha tá bom, não tem problema, vai lá, continua me dá, aprendi a usar roçadeira, bota os equipamentos e tal e aí passa um vizinho, vê, começa a rir pô, é você mesmo, Marcel sou eu muito bom

Isso aqui eu tô trazendo um pouquinho dessa sua... Que você trouxe pra mim nos bastidores da obsessão. Você contou que em outro empreendimento... Você entrou como sócio sem ter expertise e não deu certo. Disse que aprendeu. O primeiro prejuízo é sempre o menor, porque é o mais barato. Essa lição, ela já tá na raiz da Casa Rosental? 100%.

foi um empreendimento longo, um empreendimento tecnológico e tal, mas não era a minha área, eu sempre fui do mercado imobiliário, construções, administrações, e era um negócio novo que eu não conhecia o negócio. Enfim, quando a gente decidiu vamos fazer uma vinícola,

Então, a primeira coisa que eu fiz é, vou me qualificar para ter uma vinícola. Isso eu até aprendi na parte da construção, a gente faz algumas administrações, e isso é até uma ideia de algumas franquias, por exemplo, sem falar o nome de franquia, mas...

Por exemplo, você não precisa ser um excelente chapeiro pra fazer um sanduíche muito bom numa hamburgueria, mas você tem que saber como faz isso. Eu, na minha parte, assim, eu não preciso ser um excelente pintor, mas eu tenho que saber como ele vai aplicar massa, eu tenho que saber como ele vai aplicar, como ele vai lixar aquela parede, como ele... Eu tenho que saber.

né, então a primeira coisa que eu fiz foi me qualificar, né, na época, na época não, ainda sou engenheiro civil, né, você já falou do mestrado, mas aí então eu falei, bem, faculdades são todas no Rio Grande do Sul, não dá pra fazer, vamos fazer uma pós-graduação, me inscrevi na pós-graduação, aí me liga a pessoa da faculdade da pós-graduação, mas senhor Marcelo, o senhor, qual a sua formação? Eu falei, seu engenheiro civil, mas pode, esse curso é pra...

engenheiro agrônomo pra biólogos e tal, falei, deixa eu te explicar falei que tava montando viagem e tal, aceitaram eu acho que ia aceitar, que é uma universidade particular enfim, mas aceitaram eu fiz a pós-graduação mas a pós-graduação não me dá

primeiro não me deu tanto conhecimento quanto o curso me deu, mas não me dá a legalidade de assinar meu vinho. E eu tenho o meu sonho de assinar o meu vinho. Quando você olhar atrás do vinho, vai estar responsável técnico, Marcelo Marrosental, CRQ, Conselho Regional de Química, tal. Isso já em julho eu estou dando entrada no CRQ.

Porque só precisa do certificado. Então eu fiz isso e depois falei, bem, não dá. E aí apareceu essa oportunidade dessa faculdade. É uma faculdade semipresencial, era a primeira turma. Eu falei, pô, na época eu tinha 60 anos, estou com 63, faço 64 em outubro. Eu falei, pô, com 60 anos de idade, vou entrar numa faculdade.

crianças de 18 anos, 19 anos, eu já dei aula pra esse pessoal até, eu dava aula pra pós-graduado, porque eu não dava aula pra graduado, eu dava aula pra pós-graduação. Falei, pô, pegar esse pessoal todo, mas vamos lá, é importante. Entrei no primeiro dia de aula, a idade média da turma é 50 anos.

São todos, ninguém de primeira graduação. É todos engenheiros, médicos, advogados, dentistas, como a Luciana também acabou entrando depois. Todo mundo, eu não conheço ninguém lá que seja primeira graduação. Ninguém. Mas todos ou viticultores há muito tempo.

até já falei, tenho colegas de faculdade que são grandes viticultores do Rio Grande do Sul, mas não eram enólogos, ainda não são, vão ser daqui a dois meses. Legal. Então era uma demanda que estava reprimida e entraram, era uma turma quase de 90 pessoas, hoje acho que são 50, metade foi... Vai ficando pelo caminho. Temos alguns colegas aqui do Rio de Janeiro que são da minha turma, tem o Caiafa e o Antunes também.

Luiz Eduardo é seu calor. Ele vai levar trote. Muito bom. Então, eu tinha que qualificar, entrei e foi um achado, porque com essa baleabilidade, ou seja, a gente tem as aulas sempre presenciais, tem as aulas online, e em seis meses nós nos reunimos, a turma.

com a faculdade, com instrutores, com professores, e vamos para centro de pesquisa. Então, nesse tempo, a gente já foi para a EPAGRE, ficamos uma semana, a IPAMIG uma semana, a Embrapa o Vivinho uma semana, dentro de vinícolas uma semana, dentro de outra vinícola, e isso te faz o dia a dia. Você começa a ver o que as pessoas estão fazendo de certo e, sem citar nomes aqui, numa das que a gente ficou, que estão fazendo de errado.

Eu até depois cheguei, não vou falar o nome aqui, não vou ser assim, é indelicado, mas cheguei depois pro responsável e falei, ó, quando você precisar, assim, você pergunta se eu tenho esse equipamento. Se eu tiver, o custo é legal, você pode comprar também, que você tem uma vinícola bem maior que a minha. Porque fazer a colheita de olho, entendeu? Hoje a gente não tá mais nesse sentido de fazer a colheita de olho. Pra fazer a colheita,

A gente vê como é que está a acidez, a gente vê como é que está o Bricks e principalmente, a gente faz degustação de baga. Eu tenho até um episódio muito interessante que foi esse ano, inclusive. Eu estava no Rio, terça-feira, e aí eu pedi para o rapaz do campo ver como é que estava o Bricks das uvas e tal. Ele me ligou, o Marcelo já está 23 aqui, está subindo. Falei, então marca para todo mundo, vamos fazer a colheita amanhã.

cheguei, subi a serra, seis horas da manhã eu tava no campo, que é dez pessoas lá pra colheita, pra fazer rapidinho. Começa a colheita da Sauvignon Blanc, eu boto uma baga na boca, ela tava extremamente ácida. Aí eu falei, para todo mundo. Parou todo mundo, peguei algumas bagas,

um número mais, uma amostra mais representativa, alguns cachos inteiros mesmo, levei para o laboratório, fiz análise e o Brix estava abaixo. Falei, para todo mundo, daqui a uma semana a gente vai voltar e vai fazer.

E tinha degustação no sábado, eu tinha mais ou menos um litro e meio de Sauvignon Blanc, cheguei na degustação e falei, hoje vocês vão ter o prazer e o privilégio de tomar um suco de Sauvignon Blanc, que é uma coisa típica. Serviu o suco, todo mundo adorou, uma semana depois o Brix chegou no nível que teria que chegar. Enfim, não há espaço, como eu te botei até no início, pessoal, não há espaço mais para você trabalhar com amadorismo.

Então, você ver como é que está a sua uva, a matéria-prima, é primordial. Então, você tem que ter um minimozinho lá, um refratômetro, se tiver uma titulação legal, você vê como é que está a acidez, e a gente faz isso direto. Que bacana, muito bom. Poderia falar, de repente, a faculdade que oferece esse curso? Para quem quiser fazer, imagino que a cada semestre deve ter... A cada semestre, exatamente. É a Faculdade Paulista, Católica Paulista.

é o curso de graduação, ou seja é um curso em enologia e viticultura então na teoria você sai com dois cadastros, um da enologia que vai ser pro CRQ

E outro da viticultura que vai ser para o CREA, que é da parte da agronomia. Ou seja, para você passar as receitas de defensivos ou tal, você precisa estar qualificado para isso. Então você tem essas duas vertentes. O Rio Grande do Sul...

entende que o CREA pode ser assinado como o pessoal do Rio Grande do Sul. O CREA do Rio Grande do Sul entende que o CREA é o suficiente para ser enólogo. O CREA do Rio, não. Então, é pelo CRQ que a gente vai fazer isso. Perfeito. O que você aprende sobre dupla poda?

Ou não, é só ciclo tradicional? É só ciclo tradicional. Como a gente tem vários alunos da região sudeste, tem uma parte muito pequena sobre a dupla poda. Mas aí vamos puxar a sardinha para o nosso lado, que está para sair a nossa faculdade. Exato.

Livre do Vinho, né? Universidade Livre do Vinho. Vinho do Vinho, da Uva, que de acordo com o nosso magnífico reitor, o reitor se tem que chamar de magnífico, é uma parte formal disso, né? Nosso magnífico reitor, Leonardo Cury, vai ser voltada pra dupla poda, né? E novamente vai cair naquele primeiro ponto que eu falei, vamos criar os protocolos pra gente, né?

não adianta, eu posso trazer agora um viticultor famosíssimo de bordô pra cá, ele não vai falar pô, que isso? Não funciona eu tive Napa Valley no final do ano agora e visitei umas vinícolas vinícolas boutique lá são que fazem até 750 mil garrafas essa é a vinícola boutique é a boutique lá tá bom

Eu fui na Henry Wines, que eles consideram vinícola boutique. Fui em outras também, naquelas Montelena e tal, mas fui na Henry Wines que eu gostei mais, que é menorzinha, faz 250 mil garrafas. E aí a gerente do campo tava lá e eu explicando pra ela que a dupla palavra não entendeu. Eu fui lá na videira dela e falei, a gente faz assim, na primeira poda assim, ela olhando assim e tal. Quem que é esse cara? Aí depois falou, e a barrica? Eu falei, a gente não bota vinho na barrica lá. O quê?

tem vinho tinto sem barrica é o senhor Hendry precisa ouvir você falei meu e-mail tá aí, eu fiz a reserva e ela foi uma simpatia foi, depois se quiser você corta, mas pelo tempo, mas eu achei super legal porque, o tempo é seu e tá maravilhoso, ela foi eu tinha reservado com ela uma degustação de quatro vinhos, quatro vinhos tintos

E ela começou com os brancos. Aí foi com branco, tal. Primeiro vinho, segundo vinho, terceiro vinho, quarto vinho. Ela saiu, a Célia. A minha esposa, o que você reservou? Falei, aquela lá de quatro vinhos, mas ela falou pra pagar. Eu queria pagar antes, ela falou não pagar na hora, tal. Aí daqui a pouco ela volta, começa os tintos, primeiro tinto, segundo tinto.

Aí ela disse, bicho, ela vai te cobrar uns mil dólares essa degustação. Eu falei, eu fiz a reserva pra degustação dos quatro tintos. Aí chega uma hora, ela fala você quer mais alguma coisa? Eu falei, eu queria provar teu cabernet sauvignon, que eu adoro cabernet sauvignon. Ela fez um vertical de cabernet sauvignon pra mim, dela. Nossa, que espetáculo. Cinco, seis cabernet sauvignons. Aí ela saiu, foi atrás dela e falei bem, eu queria acertar contigo. Quanto é que é? Ela falou, nada.

Uau. Falei, como não? Ela falou, não, você veio aqui, você foi super tal, você é nosso colega, você é do Brasil, do Rio e tal, viticultor também, adorei a coisa sobre a dupla poda, adorei saber sobre... Se você quiser, você compra o nosso vinho e ainda vou te dar um desconto. Cumpri o Cabernet, sou o vinho deles mais caro, me deu 30% de desconto ainda, levei um vinho feliz da vida e...

Foi super simpática. Então, mas a gente, quer dizer, o Murilo, o Regina fez história. Isso que é uma revolução. É uma revolução. É incrível mesmo. O que se faz com a videira, com essa técnica espetacular. Eu estive em Napa Valley, gostei demais, mas tem muitos anos. Quero voltar lá e aí já com meu próprio vinho, a experiência é diferente. A gente vive outros momentos.

Tem uma aqui que eu separei uma pergunta muito curiosa. Pra mim é curioso. Você fabrica seus próprios equipamentos? Como é que é isso? Tanques refrigerados? É, como eu faço muita coisa também de microvinificação, não existe muita coisa, tanques refrigerados pequenininhos e tal.

e tanques de alumínio, de aço inox, então o que eu fiz? Por exemplo, eu preciso manter meu vinho, quando a gente faz a vinificação, eu quero manter meu vinho e fique em uma temperatura constante. Então, por exemplo, esse cabernet franco ficou em 16 graus durante quase todo o tempo que era para ficar após a malolática. E como fazer isso num tanque de polipropileno? Então eu fiz, furei o tanque, botei serpentina.

umas serpentinas grandes de ponta a ponta. Comprei o chiller pequeno, liguei esse chiller, ele ficava ligado 24 horas, quer dizer, tem um termostato. Na temperatura que eu quero, esse chiller entrava água, saía da serpentina, mantinha a serpentina gelada.

E o vinho ficou espetacular, porque a hora que eu... Até a precipitação, o tartarato, ficou super tudo preso na serpentina. Ela, em contato com o vinho, refrigera muito mais do que uma camisa, né? Que tá do lado de fora dos tanques, ou seja, não é o processo correto. Não é o correto, não é o processo padrão, até porque... Mas você tem que ter uma serpentina higienizada, tirar ela de vez em quando, fazer a lavagem e ela vem realmente com bastante... com os tartaratos, tudo preso nela, tal.

E a gente vai criando. E agora eu tô criando uma coisinha pra gente ver o humilde. Vamos ver como é que vai ser isso. Eu tô vendo isso aqui, alguma coisa pra combater ele. É isso? É, mas tem uma coisa muito experimental ainda pequena pra... Eu tô na fila lá, eu quero. Tem que ser viandos pequenos. Nossa tem como o seu, uma vinícola boutique, são 5 mil plantas lá. Então, é isso aí. Aí dá. Se quiser experimentar lá, tá à disposição outro terroir.

Lá tem bastante sol. A gente está... Talvez não. O vinhedo mais baixo aqui da Serra do Rio de Janeiro, a gente tem uma propriedade, daria até para plantar 430 metros. A gente plantou 290, num vale, 290 metros de altitude. Quer dizer, o mais baixo. O seu lado tem quantos? A parte mais baixa. Um quilômetro de distância. Vai de 630 a 700. 630 a 700? É.

mais alto é 700, mais baixo é 625 legal nosso lá tá 290, quer dizer, é muito baixo é, tem mais calor, então não adianta você vai ter que ter o seu o seu manejo sim, é diferente de tudo o Matheus me dá assistência lá e a gente tem que empurrar pra cá, pra lá é complexo, você vê o caiafa

Tá em 1.400. Então, passou pra verão. Não dá pra fazer. A uva lá dele não matura no inverno, que é menos 35 graus, sei lá. Agora vai pro ciclo tradicional. Vai. Eu tô doido pra bater um papo com ele também. Acabou que a gente não conseguiu conciliar a agenda. Já falei com ele, ele já tava marcado. Eu tive que ajustar a agenda e agora a gente tá... Daqui a pouco ele vem também. Vai ser muito bacana. Meu colega de faculdade. É? É. Ah, que legal. Muito bom.

Sobre a Viva a gente comentou, então a gente poderia de repente, a gente vai chegando ao fim, eu tenho mais duas perguntinhas aqui.

Antes, a gente poderia falar então da Viva, pra quem ainda não está na Viva, ou estou na Viva, a gente tem lá, são quantos hoje? Hoje somos 32. 32. Caso queira também participar, entrar. Como é que faz hoje pra procurar a Viva? É Instagram também. É Instagram, é. E eu acho legal, novamente pra não ser indelicado, eu tive com um produtor num evento aí, falei, ah, por que que, pô, vem pra cá, ele falou, ah, o que que a associação pode fazer por mim?

Eu falei, não é bem assim, pô. A gente tá começando, o que você pode fazer pela associação também, né? Então, a Viva, ela tá cheia de projetos. E o Deraldo tá dando um duro danado também. Todo mundo da diretoria tá trabalhando legal. O Deraldo não para. Uma hora tá aqui, outra hora tá ali. Até brinco com ele, falo que tá viajando o tempo todo. E a gente já conseguiu uma visibilidade. Eu não podia também deixar aqui de não falar, eu falei do poder público, mas de elogiar o Gutinho.

Porque é... Eu não sei se qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu qu

o que ele fez, o que ele vem fazendo pela região serrana. Aí, lógico que ele fala de Arial e tem que falar de Arial, ele é prefeito de Arial, mas o que ele vem fazendo no turismo na região serrana é de tirar o chapéu. Ele teve essa visão até antes da gente. E que, aliás, Guti em breve vai se tornar produtor também. Ele comentou aqui no episódio. Segundo ele, vai se tornar produtor e vai estar na viva, claro.

ele já é sócio honorário já é, já é, exato mas não podia não deixar de falar do Gutinho que realmente fez vários trabalhos junto com o Sebrae e tal mas a Viva já está conseguindo várias coisas, já conseguimos e até posso antecipar também, ainda é muito embrionário, a Viva junto com outras três associações da região sudeste, a gente também agora está começando a trocar ideias para tentar regulamentações melhores e

A gente não quer benefício, não é isso, a gente quer simplesmente que seja tratado diferente o pequeno produtor, como tem as pequenas empresas e as grandes empresas. Então, por exemplo, a gente não faz sentido uma cantina, uma vinícola que faz 10 mil garrafas, 15 mil garrafas, ter o mesmo grau de exigência de uma vinícola que faz 10 milhões de garrafas. Primeiro que o controle que nós temos em 10 mil garrafas é muito pequeno, quer dizer, eu...

O controle que eu tenho dos meus tanques é muito maior que um cara que tem vários tanques de 10, 15 mil litros cada tanque e tal, enfim. Nossos tanques são pequenos, meu maior tanque é de mil litros.

Não faz sentido, então, a gente já está se reunindo com outras associações, porque já existe uma brecha na legislação para o vinho colonial, não é uma brecha, uma legislação para o vinho colonial, que basicamente foi feita para agricultores do Rio Grande do Sul, onde está limitada em 20 mil litros, que daria umas 26 mil garrafas disso. E eu acredito que 26 mil garrafas hoje...

Na região sudeste, pouquíssimas pessoas. No Rio de Janeiro, acho que ninguém faz ainda. Mas em São Paulo, com certeza, talvez algumas vinícolas mais antigas estejam fazendo. Mas mesmo assim, no pequeno produtor, eu chutaria que mais de 95% dos viticultores dessa região estão nessa faixa abaixo de 26 mil garrafas.

Então a gente, já como associação, mas a gente também nos juntando a outras associações também de dupla poda, com mesmos problemas, com as mesmas soluções que a gente, começar a criar um grupo de trabalho realmente para começar a ver o que a gente pode fazer para melhorar para todos. Isso é muito bom. Marcelo, você disse que a gente tem o privilégio de vivenciar o nascimento de uma região vitivinícola.

Qual é a sua responsabilidade nesse nascimento? O que você quer que lá na frente digam? Não, isso aqui, quando falarem da história, Marcelo Rosenthal, Casa Rosenthal, tem o teu dedo, tem o teu DNA.

Eu realmente acredito fielmente de que todos estamos tendo uma oportunidade única de vivenciar o nascimento de uma nova região vitivinícola no mundo. Eu realmente acredito nisso. Primeiro...

pelo que a gente já conseguiu fazer e segundo, pelo empenho de todos nós associados e não associados viticultores da região. Ou seja, a gente está fazendo um trabalho realmente um trabalho de qualidade, um trabalho sério e um trabalho responsável. Então, eu espero que daqui a...

20, 30 anos, quando falarem do nascimento da região vitivinícola do sudeste brasileiro, do Rio de Janeiro, que só falava de praia, de búzios e tal, que a gente vai estar falando de um grupo de produtores que tiveram a ousadia e a visão de enxergar ali um modo de unir a sua paixão.

a um bem-estar da região também. Você vê muito isso, pelo menos em secretário, a gente vê muito isso. Eu ando na rua, sendo secretário, você passa, quando vai ver, já acabou. Então é muito pequenininha.

Mas todo mundo se conhece, todo mundo se ajuda, todo mundo quer que o outro vá pra frente. Então o rapaz do leite, o pessoal do leite lá, que vende o queijo, ele me indica, eu indico ele e tal. Existe uma corrente lá do bem. Então eu acho que daqui a 30 anos, 40 anos, quando estiverem falando, eu não vou estar mais aqui, mas tudo bem, estiverem falando desse nascimento, que vejam isso que foi feito um trabalho de qualidade.

e os prêmios todos que todos ganhamos nisso aí, o prêmio e reconhecimento que todos ganhamos muito bom

A gente vai chegando ao fim. Tenho sempre duas perguntas clássicas. Uma, inclusive, se parece com essa que a gente acabou emendando. Mas é uma curiosidade. Você bebe vinho todo dia? Como é que é seu consumo com vinho? Eu bebia mais antes de ser viticultor. Pra te falar a verdade. É, bebia mais. Agora eu bebo mais, realmente, de quinta a domingo. Antes eu bebi um pouquinho todo dia. Orientação médica. Resveratrol um pouquinho todo dia.

Hoje eu bebo menos, até porque durante a degustação também bebo, né? Bebe, vai bebendo. Eu bebo pra provar o vinho antes, eu faço questão de antes servir o vinho pro nosso convidado ver se o vinho tá legal e tal. A gente até brincava, eu e a minha esposa, como a gente não tem uma produção tão grande, a gente falava que essa produção vai ser só pra gente mesmo, né? Vai ser só pra gente mesmo. Então é...

eu bebia mais do que eu bebo hoje, mas... O que que é bebia? O que que é bebia? Bebia, por exemplo, quase um... Não uma tacinha, uma dosezinha quase todo dia. Eu tava fazendo essas contas, esse final de semana, inclusive, numa viagem.

Quando tá viajando, ó, aí esquece. Exato. A viagem aumenta essa média. Ela joga lá pra cima. E aí, imagina. Posso servi-lo? Pode. Mais um olhinho aqui, ó. Obrigado. Esse ar da família. Tá maravilhoso. Então, eu tava preocupado, porque a minha primeira colheita vem agora.

A gente fica fazendo conta, a gente fica naquela expectativa gigante. Mas enfim, eu falei, digamos que eu faça, sei lá, 500 garrafas. Peraí, quantas garrafas eu mesmo consumo? E aí eu comecei a fazer esse retrospectivo. Por isso que eu te perguntei. Eu cheguei numa conclusão que eu bebo por ano uns...

100 litros por ano. Quase 100 litros por ano. É muito forte. A média da Europa, Portugal, é o quê? 50, 70? Portugal são 80 garrafas, que dá menos que 100 litros. 8 vezes 5, 40, 60 litros. 60 litros. Aliás...

Eu bebo 75 litros. 100 garrafas. Essa é a conta que eu cheguei nesse final de semana. Tá, você tá acima da... É. 75 garrafas. Você tá no nível português. Você tem alguma descendência? Eu sou ital... Tenho a cidadania italiana. Tá. A Itália não, a Itália tá... Eu acho que é 30, 40. É mais baixo. 30, 40? É mesmo? Eu fui pesquisar. Na verdade, um amigo meu... Percapta, né? É, pesquisou.

E o brasileiro, acho que é 3, 4. É, é. O potencial que eles... Por ano. Agora, e a região do Rio? Essa era a minha pergunta. E a região do Rio? Até se você pegar a média do Brasil, o maior volume é de vinho de mesa, não é de vinho de mesa. Perfeito, perfeito. É claro que é uma brincadeira. A Serra do Rio de Janeiro, aqui, a Aviva, se a gente pegar a média de consumo da Aviva... Eu não sei, a gente não estaria em Portugal, mas a gente talvez estivesse numa Itália, numa... Em 50.

50 litros por ano, vai, talvez. Talvez uma média de um italiano, de um espanhol. Muito bom. Eu tô gravando isso aí que eu quero ver daqui a um tempo eu reviver isso e pensar, caramba, é isso mesmo? Mas eu prefiro falar, minha esposa, se a gente bebesse uma garrafa por dia, daria 360 garrafas no ano já, né?

Então, se a gente fez 739 Sauvignon Blanc, daria pra dois anos. Pois é, eu fico preocupado com essas quantidades iniciais, porque a videira entrega menos, claro, na primeira colheita, segunda, e eu duas garrafas por semana, vai, são 52 semanas no ano, a gente dá uma de 100 garrafas. 100 garrafas, é, 75 litros. Duas garrafas, porque o que você falou, no final de semana, às vezes não são duas, são três.

E durante a semana uma, pelo menos ali, parcialmente. O vinho tá... Na viagem vai uma por dia, né? Vai. Três dias de viagem. Napa Vale, por aí vai. É. A brincadeira fica séria. Muito bom. Rosenthal, obrigado demais. Prazer é meu.

Vamos fechar com duas perguntinhas. Uma é, se daqui a 100 anos, a gente falou agora de 30 anos do nascimento da região, se alguém abrir uma garrafa de um vinho feito na Casa Rosental, pode ser o Sauvignon Blanc com Semião? Pode. Talvez seja o grande, grande legado. O que você gostaria que essa pessoa entendesse sobre o que vocês construíram? O que estaria escrito ali?

que seria uma marca de vocês e que ajudasse outras pessoas? É, primeiro, foi, acho que até começamos com isso, que é a paixão, né? Ou seja, o viticultor, diferente de outras culturas, né? É uma cultura perene. Se você, falando do alface, você botou alface, 30 dias depois você tá colhendo alface, tá vendendo seu alface. A uva, não. O vinho, não. O vinho você vai botar lá.

e vai primeiro preparar seu terreno e tal, daqui a três anos você vai vender sua primeira garrafa. Então, acho que uma pessoa sã não entra muito nisso, então somos todos meio malucos pra entrar nisso, né? Não tem muito jeito nisso. Então é daqui a seis anos que a pessoa, quando estiver bebendo o nosso corte da Serra do Rio, não vamos chamar mais, que ele veja que naquela garrafa, que ele veja que naquela garrafa,

Teve primeiro muita paixão, muita determinação, muito trabalho para entregar para ele, para que está abrindo aquela garrafa, um produto de qualidade. A gente sabe que perfeição nunca vai ter, até pelo nosso papo, antes que uns gostam de uma coisa, outros gostam de outra, não quer dizer que seja bom ou ruim, são só diferentes. Mas que a gente realmente, na Casa Rosental, todos nós nos esforçamos muito.

para que ele tenha naquela garrafa um prazer memorável, um sentimento e um orgulho de estar bebendo aquele vinho. Muito bom, um prazer memorável, muito bom, muito bom. Marcelo, para você, o que o vinho faz? Vinho...

Primeiro faz amizades. Eu sei que isso é meio batido, mas não tem como não fazer isso. A gente estava numa degustação, talvez há um mês atrás, dois meses atrás. Era aniversário de casamento de um dos visitantes lá.

Aí eu falei, o Cabernet Franc, você tá o que aprovado? Ele falou, não, vai lá dentro, pega o Cabernet Franc, abre, serve pra todo mundo aqui, é meu aniversário de casamento e eu quero comemorar com todos vocês. E ficaram amigos, tal, enfim. Então, esse vinho faz amizade, primeira coisa, eu acho que não tem como fugir disso. Você não tem como... ...

sair desse estigma ou dessa breguice de falar isso, mas eu realmente acredito nisso. Até porque, por isso, a gente, na Casa Rosental, a gente só faz uma degustação por dia, porque é uma proposta nossa, novamente, não é que seja certo, seja errado, é uma proposta nossa. Você vai entrar às quatro horas da tarde, a hora que você vai sair, eu não sei, já teve gente saindo oito e meia, nove horas.

Normal as pessoas ficam três horas, pelo menos, vão embora às sete horas normalmente. Mas as pessoas ficam, conversam, se divertem. O Aranha até falou isso uma vez, ele falou aqui, quer dizer, ele só serve três rótulos, porque no quarto ninguém vai mais sair e vai ficar um conversando com o outro. E é verdade, as pessoas parecem que já são amigas há mais tempo e tal, realmente o vinho tem esse poder de aproximar.

E o que eu acho mais legal é esse poder de guardar memórias. Eu acho muito legal você, se de repente vai estar aqui e falar, pô, eu bebi esse vinho em Napa Valley, ou na Família Eloy, ou na Tacinar, enfim, em qualquer lugar, na Casa Rosental. Eu bebi esse vinho, me lembrou isso. A memória que você tem daquilo, ela vai ficar pra sempre. Isso é muito bom.

Uma coisa que nunca vão te tirar é isso. Você pode ter planos governamentais, você pode perder tudo, mas o que você aprendeu e o que você guardou, isso ninguém vai te tirar. Conhecimento, memória, viagem. Muito bom. Quanto mais você investe, mais você. Sim. Ninguém te tira. Maravilhosa essa conversa. Marcelo, obrigado. Obrigado mesmo. Muito bom.

Marcelo Rosental, engenheiro que virou viticultor, construtor de terraços e de um novo terroir em secretário Petrópolis. Um homem que, aos 60 anos, decidiu voltar para a sala de aula para aprender cada molécula do vinho que produz. Obrigado por essa conversa tão inspiradora. Saúde. Saúde, o prazer é meu. Obrigado. Vinho espetacular.

Muito bom. A Serra do Rio de Janeiro. Muito bom. E se essa conversa te provocou, não guarda só pra você. Compartilha com quem acha que é tarde demais pra começar, com quem sabe que obsessão e paixão são a mesma coisa quando o assunto é certo. Com quem sabe que o vinho faz muito mais do que se imagina. Faz amizade.

Manda no WhatsApp, compartilha aí nas redes sociais esse episódio. Se você curtiu, se gostou, dá agora mesmo. Vai, cinco estrelas aí no Spotify. Inscreva-se em nosso canal do YouTube. E é assim, o vinho faz, cresce de mesa em mesa. Até a próxima conversa. Saúde. Salute. Mais um. Mais um. Merece.

Anunciantes1

Casa Rozental

Vinho
external