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Quando a Vida Não Segue o Nosso Plano — A Lição das Árvores

01 de julho de 202622min
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📖 Baseado no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", capítulo "Adaptação Psicológica".

Ronny explora a adaptação como um mandato supremo da Criação, presente em toda a natureza. Diferentemente das árvores que se adaptam sem escolha, o ser humano possui consciência e inteligência, mas frequentemente resiste à mudança, preferindo que a vida se adapte a seus planos. Essa resistência é a raiz do sofrimento. O episódio convida a reconhecer que cada alternância da vida é uma oportunidade de superação interna e desenvolvimento consciente.

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Participantes neste episódio1
R

Ronny Janovitz

HostAdm. Empresas
Assuntos6
  • Adaptação às estações e à vidaAdaptação na natureza (árvores, plantas) · Adaptação humana e resistência à mudança · Sofrimento como consequência da resistência à adaptação · Logosofia e as leis universais de adaptação
  • Reflexões sobre a vida e o sofrimentoPlanos de vida versus a realidade das circunstâncias · A crença ingênua de que a vida se adaptará aos nossos planos · Resistência à mudança como raiz do sofrimento · A necessidade de mudar a forma de se colocar frente à vida
  • Mães em situações de adversidadeNão se definir pelo estado psicológico atual · A possibilidade infinita de superação e melhoria · Alternâncias da vida como oportunidade de desenvolvimento · Transformar desconforto em oportunidade de aprendizado · Desafios difíceis como presentes para o despertar da consciência
  • Resistência à mudança e ao novoResistência em mudar a forma de se colocar frente à vida · Preferência por que a vida se adapte ao indivíduo · Inércia mental e fraqueza na busca por conhecimento · Medo de que a forma atual de ser defina o indivíduo
  • Propósito Compartilhado e ResponsabilidadeConsciência, inteligência e capacidade de análise humana · Custo maior do não exercício da capacidade de adaptação · Cobrança e responsabilidade proporcional à capacidade
  • Consciencia e MudancaA escolha entre adaptação consciente ou sofrimento · O conhecimento como ferramenta para a escolha do caminho · A importância de não se sentir sozinho na jornada
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
RJRonny Janovitz

Oi, eu Roni, tudo bem? No último podcast, no último episódio, eu falei que a gente precisava mergulhar nisso, né, nesse assunto que é a adaptação, o poder de adaptação que cada um de nós tem frente às circunstâncias e fatos da vida, e que na verdade o ponto é exatamente ser ou não poder Esse é o ponto, esse é o detalhe, porque na adaptação, ou nesse ato de adaptação, existe um mandamento que eu entendo que realmente é um mandamento do pensamento criador.

Olha só, tudo, tudo na criação daquilo que a gente conhece se adapta. Não é uma questão de de opção. Olha que interessante que é isso. Pensa no mais básico. Aqui na frente da minha janela tem a— eu não tô vendo ainda porque tá escuro lá fora, mas tem um bosque aqui, um monte de árvore bem alta, aqui tem um monte de eucalipto, sei lá o que mais. Pensa assim, durante o ano, nas 4 estações e na loucura que elas têm variado, essas estações, né, Tá tudo meio doido o tempo, o clima.

Essas árvores, assim como as plantas pequenas, elas se adaptam a cada uma das características que o clima oferece ao longo do ano. Às vezes com variações bruscas no mesmo dia. Isso aqui em São Paulo é super comum. Tem dia que a gente amanhece com frio e passa um calor gigantesco durante o dia, depois cai de novo a temperatura. Não é à toa que é uma época que todo mundo fica meio gripado, pega assim muita resfriada, fica resfriado, gripe, tudo isso.

Mas essas árvores, elas não têm o dilema. Vejam, olha que interessante, elas não ficam se debatendo todo dia com a questão: "Me adapto ou não me adapto à mudança do tempo hoje, ou nesse mês, nessa época do ano?" Aí você fala: "Ah, Roni, que bobagem, né? Claro que não, mesmo porque elas não têm condição de, não pensam, não são..." Perfeito. E nisso, exatamente por elas não terem essa opção, nisso demonstra, ou nisso está uma prova, na minha compreensão, que esse é o mandato supremo, ou seja, adaptar-se as mudanças que a vida, no caso, a vida da árvore, que a vida oferece, que a vida impõe, não é uma opção, é uma necessidade, que é uma lei.

Não é à toa que a Logosofia eleva essa condição a uma das leis universais, como as várias que comandam a criação, porque não é questão de pensar se vale a pena se adaptar. Quando as circunstâncias mudam, a flora, a fauna, os átomos de qualquer ser se adaptam, e os átomos também de objetos ou de daquilo que ainda não tem vida como a gente conhece, né, como eu estava falando no último episódio da água, também obedecem. Ou seja, tudo que existe na criação se adapta às mudanças constantes que as condições externas impõem.

Então assim, isso precisa ser para nós uma Isso tem que ter uma força instrutiva para a gente que seja inequívoca. Porque assim, esse não é o exemplo de uma coisa na criação, é tudo na criação. Tudo. E isso tem que se constituir numa lição, quase como se fosse assim, é quase como se fosse um MBA, vai, a gente pode olhar para isso E pensar que isso é um MBA sobre adaptação e sobre um poder que a gente, como espécie privilegiada que somos, deveríamos ser, mas somos, do ponto de vista de potência, em potência temos toda uma capacidade que ainda que não esteja desenvolvida totalmente, ou às vezes longe disso, essa potência, essa capacidade existe de desenvolvimento.

Então, nós, com a consciência, com inteligência, com o poder de analisar, de julgar, de discernir, com essa capacidade de buscar conhecimento que possa explicar o porquê das mudanças da vida, na vida, né, que a vida impõe, que a vida oferece, é maior ainda a responsabilidade frente a tudo que muda na nossa vida. E por conta disso, obviamente, quando a gente não exerce essa capacidade de se adaptar às mudanças da vida, para nós tem um custo muito maior.

Bom, isso é outra coisa lógica, né? Quando existe uma capacidade maior, quando essa capacidade não é exercida, o custo é maior. É igual como a gente cobra, como é que a gente cobra uma criança, né, de 2, 3 anos, que faz, quebra um negócio, empurra um negócio assim, um vaso de vidro, sei lá, que alguém por acaso deixou ao alcance dela e cai no chão, um copo. Como é que você vai cobrar a responsabilidade de uma criança dessa idade?

Agora, se a criança tem 8, 9 anos, você já dá aquela, ó, mais atenção, né, filho? Você tá vendo que isso aqui é de vidro, é delicado, isso cai e quebra. Você não pode simplesmente andar por aí sem perceber isso, né? Então, quanto mais capacidade tem, mais cobrança, ou vamos dizer assim, mais custo tem, né, o não exercer essa capacidade. E frente à vida, certamente não ia ser diferente. Como eu falei, a árvore não escolhe, né? Ela se adapta por um mandato divino.

Por quê? Porque tem que se adaptar. Parece que essa é uma condição de fato universal. A gente acha que é uma questão de assim: "Ah, a vida mudou, ou esse aspecto da vida mudou, essa experiência mudou, não tá indo do jeito que eu queria, do jeito que eu escolhi, do jeito que eu planejei." Que é isso, né? Muitas vezes a gente planeja uma coisa e fala: "Não, eu planejei uma experiência." Então eu sempre quis viver isso. É legal, mas aonde está escrito que porque a gente quis ou planejou viver, a gente vai viver como a gente quis e planejou?

Obviamente que em lugar nenhum. Ah, mas às vezes a gente consegue. Sim, o que não invalida o que eu acabei de falar. Onde está escrito, né, que o ser humano viveria a experiência e as experiências que escolheu para si, do jeito que quis, quando quis, como quis. Você fala: "Roni, não está escrito em lugar nenhum." Lógico, mas veja se a gente não passa uma parte boa da vida, ou se a gente não passou uma boa parte da vida, acreditando que seria assim.

Razão essa pela qual a gente sofre. Eu já sofri muito na vida quando as coisas não saíram, né? De acordo com o plano. É igual aquela história que o pessoal fala, eu não sei de onde que é, que eu não acompanho futebol, mas o pessoal fala: "Tem que combinar com os russos", porque acho que algum técnico ou jogador da seleção brasileira de muito tempo atrás falou: "Não, vamos jogar assim, jogar assado, vamos fazer tal tática, tal jogo, para poder ganhar o jogo".

Ele falou: "Ah, você já combinou isso com o adversário?" Quer dizer, porque todo plano vai encontrar a realidade no instante em que começa o jogo, seja um plano de jogo ou jogo da vida, né? Então, se todo plano ele vai ter que lidar com uma realidade que não é como planejado necessariamente, e geralmente não é, como é que a gente se coloca frente a isso? Como é que a gente vai viver uma vida e vai ser feliz se a vida não sai como a gente planejou, queria?

Chega a ser uma pergunta boba, né? É boba quando a gente está tratando já dentro de uma reflexão mais clara como essa. Mas quantas vezes eu não acreditei nisso? Quantas vezes eu não esperei? Veja, às vezes você fala: "Ah não, René, lógico que faz sentido, imagina." Seria uma ingenuidade enorme acreditar que a vida seria, ou que as coisas vão acontecer como a gente gostaria. Sim, acho que é fácil de dizer isso. Agora, quantas vezes eu já não me coloquei frente à vida dessa forma, como se fosse, como se sim, como se as coisas fossem acontecer como eu queria?

Claro, muitas vezes. Eu muitas vezes sucumbi a essa ingenuidade e que eu vou dizer que assim, não é nem questão de ser ingênuo, porque ingenuidade às vezes dá a impressão que a gente só é bobinho, né, assim, ah, inocente. E ingenuidade não é inocência, né, primeira coisa. Porque ingenuidade é ruim e ela acaba trazendo junto, ela é parte de um conjunto maior de problemas internos. Por exemplo, Por que que eu quero que as coisas saiam como eu planejei?

Porque muitas vezes eu sei que se não saírem, ou se as coisas mudarem, se as circunstâncias mudarem, eu vou ter que mudar a forma como eu me coloco frente às circunstâncias, às experiências, à própria vida. E eu sinceramente tenho sempre uma resistência a mudar. A forma como eu me coloco à vida e às coisas. Eis o ponto para mim. Chegamos no ponto, ó, chegamos no ponto do problema do Roni. Muito bem, eu falo para você com muita confiança que você que está me ouvindo, eu sei que está me ouvindo porque a gente está interessado na mesma coisa, né, que é essa compreensão cada vez mais ampla, mais clara de como é que a gente se coloca frente à própria vida.

Então eu falo com muita tranquilidade de expor aqui minhas dificuldades, minhas fragilidades tantas para você, porque eu sei que você recebe elas com muito respeito, né? Então esse é o ponto principal da minha fragilidade principal, onde eu sou mais deficiente nesse sentido, é isso, quer dizer, Há uma resistência em mim a mudar a forma como eu me coloco frente à vida, e por isso que eu resisto tanto se as circunstâncias e experiências acabarem mudando ou não saindo como eu gostaria.

Porque quando não sai, não acontece como eu quero, eu me vejo frente a essa necessidade, essa quase, é praticamente uma obrigação assim, eu preciso me adaptar a mudança. E há uma resistência. A minha psicologia, minha mente, resiste ainda, sempre oferece. Veja, não é que de vez em quando oferece uma resistência. A minha mente ainda sempre oferece uma resistência a fazer uma mudança na forma como eu me coloco frente às experiências da vida.

Aí você fala assim: ah, Roni, que decepcionado que eu tô com você. OK, não tem problema você me julgar um pouco, mas o ponto é: a despeito disso, isso não quer dizer que então a gente está condenado a sofrer frente a cada mudança, no meu caso, né, a sofrer frente a cada mudança das circunstâncias da vida, porque sim, há uma resistência na minha mente e essa resistência é óbvia que ela é clara no porquê que ela existe, por quê?

Porque é mais cômodo eu ficar e ser do jeito que eu sempre fui até então e ficar torcendo, esperando que a vida me dê as circunstâncias e experiências que se adaptem ao jeito que eu sou. É quase uma inversão, sabe assim? Eu inverti toda a lógica. A minha mente comum, cômoda, como sempre foi em relação à própria existência, Prefere que a criação, que a vida, que o mundo se adapte e ofereça o que eu quero, porque o contrário exige esforço.

Esse é o ponto. Então sim, há uma inércia, há um componente de inércia mental na minha mente, há uma fraqueza, claro, né, uma fragilidade óbvia, há uma resistência a ter que fazer o esforço de recolher, de buscar os elementos, buscar o conhecimento que possa ser necessário para favorecer uma compreensão mais ampla acerca do que eu estou vivendo e, consequentemente, uma mudança na forma de me colocar frente à vida. A preguiça, a falta de vontade, a medo.

Eu tenho medo, né? Porque às vezes, porque eu ainda acredito muitas vezes que eu sou desse jeito e que essa forma de ser me define. Mas quando eu me recordo que nenhum de nós, eu a princípio, né, posso falar sempre por mim somente, mas isso se aplica a cada um de nós, eu não sou, eu não me defino pelo estado atual da minha psicologia. Da minha mente, dos pensamentos atuais. Eu tenho a possibilidade de ser cada vez mais, cada vez melhor.

Eu tenho a possibilidade de me superar infinitamente, em pequenas porções que seja, claro. Nada dá salto mesmo na natureza, na criação. Então a possibilidade é infinita. Então eu não posso me definir na condição atual que eu estou. E a condição atual que eu estou não pode definir quem eu sou. Percebe a lógica que está implícita nisso? Isso é uma notícia linda. Por quê? Porque nenhum de nós precisa sentir-se incapaz porque frente a uma circunstância, uma experiência da vida que muda, que se alterna, ou uma novidade que a vida apresenta que não era "Não tava previsto, não é do nosso agrado." Nada disso representa um obstáculo real, porque na essência cada uma dessas alternâncias da vida, elas podem ser transformadas na oportunidade, no ponto de partida de um esforço individual interno, de ir em busca dos elementos que a gente precisa.

Para consolidar uma mudança necessária na nossa forma de ser. Pegou a sutileza? É como se essas alternâncias abrissem, cada uma delas, ao mesmo tempo que nos trazem um desconforto inicial, e às vezes é muito grande, mas elas abrem oportunidade de que a gente vá buscar o que é necessário e que às vezes ainda está faltando na compreensão, né, para inteligência compreender aquela mudança, o significado dela e a necessidade que eu tenho de me recolocar frente àquela mudança na vida.

Ou seja, há um mandato supremo nessas condições, nessas experiências, que são experiências que se acumulam Na vida, acho que assim, não é quase o tempo todo, mas é muito, né, de a gente ser surpreendido pela vida caminhar num sentido, de um jeito que a gente não queria. Isso acontece desde coisas pequenas, todo dia. Ah, tem um compromisso, aí o trânsito tá o caos hoje em São Paulo, sei lá. Pô, é uma coisa que não sai como eu gostaria naquele momento, mas isso não tem valor, né?

Não é isso, não é sobre isso que eu estou falando, não é sobre o inconveniente do trânsito, mas como isso acontece todo dia, ou coisas similares, na vida, naquilo que concerne a própria vida, isso também acontece de forma constante. E aí então a gente precisa olhar para isso assim: bom, então isso não é um incômodo apenas, isso não é uma dificuldade apenas, não é somente um desafio e às vezes o desafio parece gigantesco. Então eu falo desde as coisas pequenas como exemplo, mas eu tenho vivido nos últimos anos experiências que têm me colocado frente a desafios que, assim, inclusive alguns eu julguei que eu não ia conseguir sobreviver a eles.

Lógico que sobreviver literalmente sim, mas que assim, que eu ia, eles iam me arrasar, iam me jogar na lama. E se assim não foi, por que que não foi? E por que que não tem sido? Porque de fato cada uma dessas circunstâncias ou experiências da vida que vão se alternando na maior parte das vezes, e eu friso isso só pra— porque pra mim isso fica mais claro a cada dia da minha vida, que a maioria desses fatos e circunstâncias se alternam sem o nosso controle.

Isso é uma constante na minha vida, em vários aspectos. Cada uma dessas alternâncias Ela tem alguma ligação direta com a própria existência, com a vida que deveria ser uma vida consciente, já que eu deveria estar vivendo. É como se cada uma dessas alternâncias tivesse um papel a cumprir na minha vida, no despertar da minha consciência para a verdadeira vida, verdadeira razão de estar aqui na Terra. Aí você vai falar assim: "Ah, Roni, mas isso é uma visão poética, né, de que, puxa, os problemas, as experiências difíceis, as surpresas difíceis que a vida apresenta, você vai querer colocar isso como um presente.

Tá bom, eu acho que sim, hoje seria um stretch, né, hoje seria um exagero falar que eu vejo assim, exatamente assim, mas eu tenho caminhado para entender cada vez mais de fato assim. O convite que o conhecimento transcendente, esse que a logosofia oferece, né, é um convite para que a gente possa se capacitar nesse sentido, de começar a olhar para a vida e para essas alternâncias todas, experiências, se não como um presente ainda, mas no mínimo como oportunidade de promover em cada um de nós um passo decisivo de superação em relação a algum aspecto da nossa psicologia que ainda resiste a mudar a forma como nós somos.

A adaptação é de fato um poder, se a gente conseguir exercê-lo com consciência dessa oportunidade, ou Se adapta às mudanças da vida, o ser humano, ou sofre. Talvez por isso mesmo que tanta gente sofre tanto, por tanto tempo, frente às experiências da vida. O caminho se abre para cada um de nós. A questão é como é que a gente vai se colocar frente a tudo isso. Conhecimento está à disposição e é o que nos capacita a escolher a melhor forma de caminhar.

E eu tô junto e espero que você fique junto pra gente caminhar com essa força, né, que a gente sente quando a gente sente que a gente não tá sozinho nessa luta. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.

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