A Trilha Sonora da Sua Vida — Você Sabe Quem Está Escolhendo Ela?
📖 Baseado no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", capítulo "O Senso de Colocação Como Norma de Conduta".
Partindo do lema de uma rádio de rock paulistana ("a trilha sonora da sua vida"), Ronny desenvolve a metáfora de que, embora ninguém controle o roteiro que a vida apresenta, cada um escolhe diariamente os pensamentos — a "trilha sonora" — que toca por trás de cada tarefa e experiência. Ele conecta essa escolha ao trabalho logosófico de criar e cultivar pensamentos conscientes.
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Oi, é o Roni, tudo bem? Hoje eu tenho uma pergunta para você: qual é a trilha sonora da sua vida? Sabe que esse era o lema de uma rádio que estreou em São Paulo, que inaugurou em 2001, que era a Rádio Kiss FM? Ela existe ainda, mas ela usou por um bom tempo, por muitos anos, ela usou esse lema. A trilha sonora da sua vida, porque era uma rádio que tocava rock, toca rock aliás. É que agora eles mudaram, acho que no meio desses anos todos eles mudaram para o lema: não deixe o rock sair de você, né?
Então era uma coisa muito legal porque eu realmente, eu, né, na minha geração, eu realmente reconheci, acho que a geração da maior parte dos adultos hoje, eu reconhecia como sendo de fato a trilha sonora da minha vida, que era o rock, desde adolescente e por muito tempo. Obviamente depois vieram outros, né, a música, vieram outros estilos, mas o rock é algo que para mim é essencial. E aí é lógico, as variações dentro do rock, cada um tem gosto de um lado, de outro, né, mas realmente era a trilha sonora da vida.
Agora, obviamente que a pergunta eu não fiz. Eu sei que você certamente pensou em música, né? E cada um de nós tem certamente as suas preferências, né? Minha mãe, por exemplo, só para lembrar, eu acho engraçado porque me marcou muito, né? Minha mãe, ela, trilha sonora da vida dela é um cantor francês chamado Charles Aznavour. Eu lembro porque eu ouvia isso direto quando era criança, né, tocar em casa, porque é o que ela gostava de ouvir.
E eu fiquei até meio traumatizado de tanto que eu ouvi esse negócio, né. Aí tinha uma empregada, ficou muitos anos em casa na época da minha também infância, um pouco mais velho, que ela na hora do almoço ouvia Roberto Carlos. Tinha uma rádio, Rádio América, que tinha um programa da meio-dia a uma que era Roberto Carlos Especial, todo dia. Então eu almoçava na cozinha todo dia ouvindo Roberto Carlos. Talvez daí eu não consigo mais ouvir Roberto Carlos desde então.
O programa chamava Roberto Carlos Especial. Olha, eu não consigo ouvir Roberto Carlos mesmo. Então assim, cada um, você pode estar achando assim, meu, o que que isso tem a ver com a gente, né? Mas cada um de nós tem essa trilha sonora, né, que marcou a vida ou alguma época da vida. Tá bom, então está claro, e o porquê disso é óbvio, né? Agora vamos pensar o seguinte: a música tem esse efeito em cada um de nós, e tem esse efeito de recordar coisas de épocas, né?
Muito isso. A música nos faz ir e viver e reviver muitos Muitas sensações, muitos momentos, muitas coisas. Isso é muito legal, que a gente ouve uma música, ela traduz muitas coisas, né? Ótimo. Agora vamos pensar o seguinte: todo dia, como se fosse um filme. Até porque, se tem uma coisa que impacta muito, né, é trilha sonora de filme. Quem nunca reparou nisso? Todo mundo, né? Cada filme que a gente gosta geralmente tem uma trilha sonora muito boa.
E quando a trilha sonora é marcante assim, a gente lembra do filme, lembra da música, e um lembra o outro. Você vê que é um negócio que vai se, vai se, vamos dizer assim, vai se tornando uma coisa única, né? As sensações, a recordação, a música em si, o que aconteceu, a história em si também dos filmes, das coisas que a gente assiste. Então parece que a trilha sonora, a vida tem uma trilha sonora, ou seja, a vida tem por cima dos fatos todos que acontecem, parece que tem uma trilha sonora acontecendo o tempo todo.
E da onde vem a trilha sonora quando se refere à própria vida da gente, não as coisas que a gente assiste, o que a gente ouve, né? Eu te digo facilmente, é como se a cada momento do dia eu tivesse uma mesa dessa de edição de som, e é como se eu tivesse escolhendo a cada momento do dia qual é a música que tá por trás daquilo que eu tô fazendo, que eu tô experimentando, que eu tô vivendo. É por isso que muitas vezes Eu posso fazer a mesma coisa em dias diferentes ou enfrentar os mesmos desafios, as mesmas situações ou coisas muito similares, e eu posso estar num mood, num humor totalmente diferente de um dia para o outro.
É como se eu escolhesse a música, né, que toca por trás de tudo que eu faço, tudo que eu vivo, experimento ao longo dos dias. Às vezes até a gente tem uma música, né, tem gente que gosta de ouvir música enquanto faz alguma tarefa, ou enfim, no carro, quando tá no trânsito, né? Ou tem gente que a parte de criação assim, quem tá criando coisa, né, pessoal de arte ou de que cria conteúdo, muitas vezes gosta de uma música para manter o ambiente mental propício à criação.
Eu não sei, que eu não sou dessa área direito, não conheço, mas O que eu sei e que eu sinto e observo em mim é que no fundo, no fundo, é como se eu colocasse uma trilha sonora na minha mente para cada momento da vida, do dia a dia. Mas não é de música, então não é uma trilha sonora, né? Mas é como se fosse. Por quê? Porque eu escolho com qual— não vou dizer qual humor, né, eu vou viver e fazer as coisas, mas é É mais ou menos isso.
Quem nunca fez uma tarefa de mau humor? Eu fiz várias vezes na vida isso. E quem não fez a mesma tarefa de bom humor algumas vezes, ou muitas vezes, ou quase sempre? Pode ser que quase sempre seja com mau humor aquela tarefa, ou quase sempre com bom humor, ou uma variação entre isso. E aí fica óbvio que é como se a gente pudesse escolher mesmo o que que tá tocando, né, na mente, o que que tá, que tá por trás, qual o pano de fundo que tá passando enquanto a gente realiza aquela tarefa.
E eu te digo que isso faz uma diferença enorme, e você sabe disso também, né? Tem tarefas que são necessidades ou coisas que a gente realiza no dia a dia que tem que fazer, não tem opção. Sei lá, do ponto de vista simples, tem que cozinhar e lavar louça. Eu, por exemplo, eu adoro cozinhar e eu passei a gostar de lavar louça. Tem gente que só lava ou só cozinha, né, e o outro faz outra coisa. Eu gosto de cozinhar e de lavar louça, que eu sinto assim que eu fiz completo, né.
E obviamente não quero deixar trabalho para ninguém. Nunca gostei. Então eu cozinho, lavo a louça. Como é que eu posso fazer isso? Arruma a cama, não sei o quê, arruma meu quarto. Quando tem que limpar, eu limpo. Como é que eu faço essas coisas? E como é que a gente vive cada uma das tarefas diárias, né? Não tô falando tarefa de casa, eu tô dando exemplo tarefa de casa que é mais fácil de partir daí para a gente entender o que interessa mais para vida, o que importa mais.
Mas as tarefas do dia a dia, seja trabalho, seja tarefa em casa, ou seja enfrentar um trajeto, né, de locomoção de qualquer forma, são as coisas no dia a dia que em geral a gente não tem opção de não fazer. A questão, o mais claro, mais óbvio, é que a opção está em qual é a trilha, né, sonora que tá passando na mente enquanto a gente faz aquilo, vive aquele momento. Como é que a gente tem escolhido viver cada uma das coisas? Como é que a gente tem escolhido?
Como é que cada um de nós tá vivendo os dias? E é uma coisa incrível, né, porque os dias quase se repetem. Veja, meus dias são muito parecidos do ponto de vista físico, né? Quem olha de fora, não, acorda 4:50, não sei o quê, aí faz, né, não sei o quê, babai, depois não sei o quê, não sei o quê, né, e aí depois vai dormir, 11 horas vai dormir. Então quem olha de fora, a vida parece uma repetição com as variações pequenas do dia a dia, mas a vida parece uma repetição.
E aí a gente se pergunta, tá bom, então E como é que cada um de nós vive a vida? Como é que cada um de nós enfrenta os desafios, desde os pequenos do dia a dia até os grandes? Com que música vai? Eu tô falando isso para a gente lembrar da trilha sonora, mas obviamente eu não tô tratando de música, né? Não é esse o ponto. Qual é o estado interno que cada um de nós tem escolhido para viver o dia a dia. E aí o que fica óbvio, e por isso eu usei a palavra, é que é uma escolha.
Todo dia eu tenho uma opção, todo dia, e muitas vezes ao dia. Eu já falei isso algumas vezes porque assim, para mim isso é tão óbvio hoje em dia que eu fico surpreso como é que eu demorei tantos anos para perceber isso, que é uma opção a forma como eu vou viver cada experiência da minha vida. E obviamente que isso é mais importante quando a gente trata das experiências mais importantes da vida, né? Lavar louça não é uma experiência importante da vida.
Mas como eu falei, se eu não conseguir encontrar uma forma feliz de passar por todas as coisas que eu tenho que fazer durante o dia a dia, vai ser difícil encontrar felicidade nos fatos, nas experiências, nas circunstâncias mais importantes do dia a dia e da vida. Porque não adianta a gente achar que vai conseguir resolver o que é difícil se a gente não consegue resolver o que é fácil. Então assim, como é que a gente vai ser feliz com tantos desafios que a vida apresenta Se a gente não consegue ser feliz realizando as tarefas do dia a dia que se repetem ao longo da vida, com alguma variação, aí você fala: Roni, mas não é importante, né?
As coisas do dia a dia você tem que fazer mesmo, qualquer jeito tá bom. Bom, para o objetivo das coisas, sim, qualquer jeito tem que fazer mesmo. Importante é fazer para que a coisa esteja feita, solucionada e resolvida, né? Mas a questão é como é que a gente vai passar por aquilo. E pode parecer uma bobagem, mas assim, faz muita diferença fazer as coisas com gosto ou fazer as coisas com desgosto, com um pouco de descontentamento.
Faz muita diferença, não para aquela coisa que tá sendo feita. Veja, a louça, Vou dizer de novo, do básico, né? A louça não se importa se eu tô bem-humorado, mal-humorado, feliz ou descontente. Para louça não faz diferença nenhuma, até porque a louça não tem preferência, né? Mas para minha vida faz diferença se aqueles, se aquele tempo que eu fiquei naquela tarefa, ele foi um tempo de recarga de energia Hoje foi um tempo de escape de energia, sabe?
Eu perdi muito tempo na minha vida passando pelas circunstâncias e fatos do dia a dia e me desgastando com eles. E eu não tô falando dessas coisas simples de tarefa simples de casa, eu tô falando de cada momento que durante o dia Eu, ao longo dos dias, eu vivo aqueles, essas confrontações, sabe, com as situações todas que acontecem que não estão do jeito que eu queria. Quando as coisas andam para um lado que eu não quero, quando tem que enfrentar um desafio que eu não queria, quando tem que resolver um problema mais sério que eu não queria ter que resolver.
Todas aquelas situações que parecem que a vida é cheia delas e não cessam nunca, né? Como é que a gente passa por esses momentos? A gente tá gastando energia ou a gente tá aproveitando para recarregar as energias? Aí você fala assim, pô, mas como é possível, Roni? Como é que a gente vai recarregar energia se é um problema para resolver? Aí eu volto à questão da trilha sonora. Qual é a trilha sonora que a gente tá colocando por trás, né, de cada um desses momentos da vida?
E se eu não estou falando de música, porque eu não estou falando de música, qual é o pensamento, quais são os pensamentos que vão estar na mente em ascendência, né, em destaque durante aquela situação, aquela experiência, aquela circunstância ou fato da vida? Porque isso é uma escolha. Se a gente não pode controlar o roteiro, né, e eu entendo que a gente não controla o roteiro, o roteiro da vida é igual o filme. Eu vou lá assistir no cinema o filme, na televisão a série, eu não controlo o roteiro, nenhum de nós controla.
Quem controla o roteiro é quem produziu o filme, já foi. O filme, a série, o que seja, vai ser daquele jeito, a história tá escrita. Eu posso não gostar da história enquanto ela tá se passando e tá se desenrolando, e eu não tenho como escolher um outro roteiro. E a vida é exatamente isso, na minha compreensão. Não tem como escolher o roteiro que a vida vai apresentar. Mas isso para mim é a diferença entre ser arrastado pela vida ou construir uma vida cada vez mais feliz.
Mas a opção de qual é a forma como a gente vai passar por cada uma dessas experiências faz toda a diferença. Se a gente não escreve o roteiro, a gente tem a opção de colocar a trilha sonora que a gente quer para cada momento da vida em cima do mesmo roteiro. Então o mesmo roteiro pode receber uma trilha sonora triste, pesada, cheia de descontentamento, cheia de amargura, cheia de ressentimento, de ingratidão. Ou o mesmo roteiro pode receber uma trilha sonora totalmente diferente, uma trilha sonora de estímulo, por ter que descobrir algo que não descobriu ainda, alguma capacidade, algum desenvolver alguma capacidade que não tem ainda para poder suplantar um desafio.
Uma trilha sonora com entusiasmo, com otimismo, porque a vida não é aquilo, essa dificuldade, o desafio do momento não representa a própria vida. Então não tem por que deixar de ser otimista com a vida ainda que tem um problema para resolver e pode ser também que for hoje, atualmente, né, nessa época. Mas esse problema vai passar, obviamente, um dia. Então a trilha sonora que a gente vai passar por cada capítulo da vida é uma escolha nossa.
A trilha sonora pode estar repleta de gratidão. Você fala, ué, Roni, gratidão a quê? Cheio de problema na vida, como é que você vai ser grato, né? Esse é o ponto. O que que é um problema na vida de fato? E por que que um problema é algo ruim, né? Essa é uma concepção equivocada que a gente acha. Acho que a gente acreditou nisso, aceitou isso e não se perguntou por quê. Os problemas estão aí para a gente se superar, não é verdade?
Ah, é, mas eu não queria ter que passar por tanto problema. Bom, eu falei, o roteiro, o roteiro não é a gente que escreve, da desse filme da vida. Mas a gente pode escolher sim. Essa é a opção todo dia que a gente tem: escolher qual é a trilha sonora desse roteiro, desse filme. E essa é a opção que precisa ser destravada dentro de cada um de nós, porque na teoria é uma opção. Agora, por que que eu vivi muitos momentos e anos da minha vida com muita amargura, angústia, ansioso.
Se era uma opção, como é que eu ia passar por cada uma das situações? Porque eu não tinha conhecimento para fazer as opções. Então não adianta a gente falar assim: ah, é verdade, é uma opção, eu escolho a trilha sonora, a vida me apresenta o roteiro e eu que escolho a trilha sonora. Tá bom, como é que faz isso no momento do aperto? Ou seja, Na teoria é isso, mas como é que faz isso na prática? Como é que a gente muda essa chave dentro de nós para parar de escolher a trilha mais difícil, dura, e escolher a trilha feliz, né, estimulante, alegre, cheia de esperança com o futuro?
Bom, essa é a, esse é o desafio, essa é a chave que precisa ser virada. E é um processo virar essa chave, como sempre, como tudo, né? E para isso o conhecimento logosófico vem, eu entendo, é exatamente capacitar cada um de nós. Na medida que a gente vai conhecendo esse mecanismo interno, vai conhecendo os pensamentos vai aprendendo a criar pensamentos. Uma das coisas mais incríveis que eu acho que eu aprendi com a logosofia é criar pensamentos.
Por quê? Porque eu não tenho todos os pensamentos que eu queria ter para exatamente escolher a trilha sonora da minha vida. Eu não tinha. Eu tive que, eu pude criar muitos pensamentos ao longo dos anos para que eles servissem e sirvam, e cada vez com mais força, com mais, com mais corpo na minha mente. Esses pensamentos sirvam a esse propósito de viver a vida com alegria, com entusiasmo, com esperança, com otimismo, independente do roteiro do momento.
Aí você vai falar, Rony, mas na teoria, de novo, a teoria é fácil, como é que faz? Faz exatamente dessa forma, decidindo que eu não quero mais, como eu decidi que eu não queria mais que alguém, que os pensamentos quaisquer escolhessem a trilha sonora. Eu queria ser o dono dessa decisão, e para isso é preciso realizar esse processo de depuração mental. É preciso conhecer os pensamentos, é preciso criar pensamentos novos se a gente não tiver insuficiente quantidade aqueles pensamentos que vão atender a nossa, né, o nosso querer, nossa vontade.
E é possível realizar isso, mas é um trabalho no mundo interno de cada um de nós. Esse é o trabalho diário com os pensamentos, esse é o trabalho diário na própria mente, esse é o processo que a Logosofia ensina a realizar, esse é o processo de superação, porque vai superando, cada um de nós vai aprendendo a superar as próprias condições internas na própria mente. E a mente começa a ser moldada, né, em termos de pensamentos desses agentes todos do mundo mental, à luz dessa imagem.
Começa a ser um ambiente com mais pensamentos favoráveis, né, a trilha sonora feliz, e menos pensamentos que faziam a trilha sonora ser triste, e outras características negativas que a vida tem também quando a gente não tem esse controle, essa posse do mundo interno de cada um de nós. Então eu volto à pergunta: se o roteiro da vida não é a gente que escreve, e certamente não é, Todo mundo que tem experiência de vida suficiente sabe disso.
Se o roteiro da vida é dado, né, são, é uma engrenagem muito maior que define isso, mas a gente pode escolher qual é a trilha sonora, por que que a gente não vai trabalhar, escolher que essa trilha sonora seja mais feliz a cada dia? Qual é a trilha sonora que você quer para sua vida? Essa é a questão, e é uma opção. Boas reflexões, fique bem e até o próximo episódio.