A Própolis da Mente — Como Blindar Sua Paz Contra os Pequenos Ataques do Dia
📖 Baseado no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", capítulo "Fundamentos de uma Ética Superior".
Ronny usa a própolis — substância com que as abelhas blindam a colmeia contra ameaças externas — como metáfora para a necessidade de proteger a mente contra pequenos contratempos diários. Ele descreve como, sem consciência do mundo interno, esses incômodos triviais geram uma reação desproporcional que "anula" temporariamente toda a paz e felicidade já conquistadas, e apresenta o conhecimento logosófico como o caminho para reduzir essa vulnerabilidade.
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Oi, eu Roni, tudo bem? A gente fala das abelhas e acredita muito as abelhas, a criação do mel, né, a produção do mel. E é fato, né, acho que é uma imagem que acho que desde criança pequena a gente conhece primeiro sobre a natureza, né, da forma de viver dos animais, são esses insetos. E maravilhosos, né, que são um grande exemplo em muitas coisas. É impressionante como organização, né, e a disciplina de um enxame de abelhas é um negócio impressionante.
Mas a gente conhece elas pelo mel, só que elas produzem também uma substância que não é todo mundo que lembra, mas que é uma das coisas mais incríveis que que a natureza nos dá também. Outro exemplo importantíssimo, porque as abelhas produzem a própolis. Eu até achava que era o própolis, mas pode ser que seja os dois, mas fui pesquisar e a referência era a própolis. E a própolis é uma substância que ela é, olha que incrível, ela é ao mesmo tempo, ela é uma substância meio oleosa assim, meio cera, porque ela é tipo uma substância de blindagem, de proteção da colmeia.
A própolis, ela é antibactericida, antiviral e antifungo. É tipo assim, não dá para ser mais perfeito que isso, sei lá, não dá. Ela é anti tudo. Ela é uma substância que ela ataca ou elimina toda e qualquer ameaça dessas biológicas que uma colmeia pode enfrentar. Então, como é que elas usam a própolis? Elas Vão vedando as entradas da colmeia e vedando frestas e vedando também o lugar das larvas, tudo. Para quê? Para que qualquer elemento estranho que o vento traga ou que outro inseto que pouse ali traga não crie nenhum risco.
Ao desenvolvimento normal da colmeia. E aí você olha isso e fala assim: puxa, que legal, né? Queria, eu queria. Bom, aliás, quem quiser própolis, né, existem produtos que são sprays com própolis, que são aliás muito bons para quando tá incomodado, né, na região das vias aéreas aqui da boca, da garganta. Tem uns sprays de própolis muito bom, né, com mel, ou tem própolis em líquido, né, extrato de própolis, que se pinga, dá para fazer chá.
E eu descobri isso faz alguns anos, que é muito bom para ajudar na recuperação dessas nossas, né, desses nossos estados de enfermidade nessa região aqui. Mas não é sobre isso. O ponto é que essa blindagem é uma capacidade que a gente queria e certamente gostaria muito de ter. E não tô falando de saúde física, não. Tô falando de saúde mental, saúde psicológica. Não seria maravilhoso se a gente conseguisse blindar a mente para todos esses pequenos eventos que acontecem quase todo dia, praticamente todo dia, vai, esse pequeno evento em que alguma coisa acontece de uma forma que causa um desagrado, sei lá.
Tem coisa simples, né, que acontece desde que assim, puxa, sei lá, o elevador demorou mais do que devia, o trânsito tá ruim, não sei o quê, tá, o restaurante tá cheio com fila, espera, sei lá, fui na farmácia, não tinha o que eu precisava, não consigo encontrar alguém no trabalho falou um negócio que eu não gostei em casa, alguém falou que eu não gostei, sei lá. Pensa nas quantas vezes ao longo do dia, nas várias possibilidades de alguma coisa acontecer que sai um pouco, ou às vezes muito, do que cada um de nós esperava que acontecesse.
E eis o perigo, olha só, eis o perigo que mora na mente humana, né? Eu digo sempre pela, olhando a minha, observando a minha vida, o perigo que é quando acontece alguma coisa fora do previsto ou do esperado. Em geral, a tendência é que aquilo cause um desgosto, um incômodo na mente. Você já observou isso? Tem certeza que já? Pode ser que você não tenha observado tanto, tanto, com tanta frequência como eu. Na minha mente, né, isso sempre muito frequente.
Era, nossa, na minha juventude, então assim, quando eu me deparei com a vida e tinha pouquíssimo conhecimento para lidar com isso, eu era um contínuo, né, descontente, porque todo dia alguma coisa me deixava descontente. Aliás, a gente observa isso em criança. Essa é uma das primeiras fragilidades que a gente observa na mente humana, é aquele descontentamento que a criança, isso a criança fica assim super saliente, super claro.
Quantas vezes você vai tirar a criança de um, né, da que ela tá fazendo, e ela fica muito descontente. É aquela hora que ela não quer ir embora da festa ou na casa do amigo, ou não quer ir embora, sei lá, onde tiver. Ela não quer mudar de atividade, né, para parar para tomar banho, para jantar, sei lá, seja para o que for. Ou seja, há uma tendência nossa, da nossa mente, de receber como um agravo, né? É como um agravo que se faz ao próprio ser quando alguma coisa sai do que a gente gostaria, uma coisa vem diferente.
E você vê que assim pode ser coisas bobas, mas muitas vezes causa um estrago. Você lembra de alguma vez? Você já observou que isso é uma constância? Não é algo constante na vida? Causa um estrago de às vezes assim deixar a gente de mau humor. Bom, criança, isso é muito claro. A gente vê a criança às vezes fazer birra, né, essas reações que escancaram o descontentamento, né, o desgosto, porque a situação ou acontecimento, um fato aconteceu e a criança não queria.
Então aquilo é um grande agravo. É um problemão, né? Então é engraçado de olhar. Às vezes não é engraçado, né? Aliás, quando é com o nosso filho não é engraçado, mas é engraçado de olhar para isso, né? Para essa situação. Eu tô lembrando aqui de experiências assim e ver como fica assim latente, escancarado, como essa é uma fragilidade da mente humana. E provavelmente é uma fragilidade de todas as mentes humanas em proporções diferentes.
Mas aí, voltando aqui à vida adulta, isso continuou muito acentuado em mim durante adolescência, juventude, começo da vida adulta. E qual o problema disso? O problema desses, dessa reação, é uma reação praticamente instintiva e uma reação por conta da falta de capacidade de compreender e de dar, atribuir o peso correto a esse tipo de ocorrência. Porque, claro, pode ser realmente alguma coisa, né? Podem ser muitas coisas, podem ser incômodos, mas o quanto nos incomoda é o ponto.
Porque qual que é o risco? E eu passei por isso tanto, quantas vezes. Como eu falei, não é questão só de ficar de mau humor. Veja, se fosse só isso, talvez eu falo assim, é um problema, mas é um problema pontual. Problema que quando a gente fica de mau humor, quando a gente fica desgostoso, incomodado, acontece um processo que é muito triste, porque é como se eu Toda vez que aconteceu isso na minha vida, é como se eu naquele momento assim eu negasse tudo de bom que tem já na minha vida, tudo de belo, tudo de feliz que eu já vivi, que eu já conquistei.
É, sabe, é um momento de negação. A sensação que eu tenho é que é um momento de negação. Isso é muito triste, porque por conta de um elemento assim, de acontecimento externo, geralmente, geralmente é externo, ou seja, a gente não é 100% responsável por aqui, por aquele fato, aquela circunstância, causa essa, que não é só um esquecimento, é uma realmente uma negação de todo o bem, a felicidade, a paz que a gente tinha até o momento anterior.
Olha que, olha que falando assim, falando, não é possível, isso é um absurdo. Pois é, tô rindo de nervoso, né? É um absurdo. Você percebeu como é assim? Chega quando a gente olha assim de forma científica, né? Quando a gente faz essa análise do fato, é um absurdo. Mas é um absurdo que acontece de tanto em tanto na minha mente. Eu não sei se todo dia acontece, mas quase todo dia acontece algum momento, alguma coisa me pega desprevenido.
Aí tem um momento de desgosto, um momento de incômodo. E aí, que que é o pior? É que em geral a tendência era esse momento, esse momento sim, se perdurar por muito tempo. Esse é um dos grandes aprendizados, aliás, que eu hoje tenho praticado. Hoje não, né, mas que hoje eu já colho os frutos da prática com conhecimento logosófico. É exatamente nessa, no desenvolvimento de uma capacidade cada vez maior de ao ter consciência sobre a realidade do mundo interno, e melhor ainda, né, à medida que a gente vai conhecendo essas fragilidades, essas características da própria mente, observando as deficiências que geram esse tipo de incômodo, a gente começa a ficar mais atento para que assim, quando acontecer um momento desse Ok, o ideal é que não haja nem a reação de desgosto, né, de incômodo.
Não faz sentido. Mas ok, ainda que a reação aconteça, ela precisa ser assim muito efêmera, né? Tem que ser um negócio assim extremamente circunstancial, porque o problema é quando aquilo começa a perdurar na mente. Mantendo aquela, o azedo, o sabor azedo na própria mente, e o impacto que isso causa na nossa, nosso equilíbrio interno, nas energias, na nossa disposição, na nossa forma de viver os minutos seguintes, às vezes as horas seguintes.
E o perigo é acumular momentos assim que perduram E começa a ficar uma constante. Aí você vê gente, e eu lembro de uma época que eu praticamente vivia em permanente descontentamento com a vida. Por quê? Exatamente por causa disso. Assim, eu vivia vários momentos em que eu era pego, né, assim, de surpresa, não tinha consciência nenhuma praticamente sobre o que tava acontecendo na minha mente. Aí esses momentos aconteciam com alguma frequência durante o dia, eventualmente, E pior, perduravam bastante, então meio que emendava um no outro.
Se você imagina, e dá para se entender porque que tanta gente passa uma parte da vida, ou a vida, desgostoso, descontente com a vida. Você percebe qual o problema, qual o grande problema disso? E a gente conhece gente que passa uma boa parte do tempo Descontente com tudo. E pior, aí o que que gera com isso? Aí fica reclamando o tempo todo porque tudo não tá como deveria estar, como poderia estar. Reclama desde do político, que com certeza a gente tem razão de reclamar, mas não é o caso, ao acontecimento minúsculo.
Aí tudo vira um problema, tudo é uma reclamação, nada tá bem na vida. Porque, e obviamente que sempre problema tá fora, né? Porque desde que eu falei lá, desde o político até o trânsito que tá aqui na rua, é tudo, nada tá favorável. Olha, olha como é que a gente vai perdendo, você vê como a gente vai perdendo a capacidade de ser dono do próprio mundo interno, e a gente vai cedendo a própria felicidade, a paz internas, a gente vai cedendo essa o que seria natural de sentir a esses acontecimentos externos que têm pouca importância para a vida, mas que assumem essa importância por descuido, por falta de consciência acerca da realidade do mundo interno, por não ter nem a capacidade de observar o mundo interno às vezes, como era no meu caso quando era uma adolescente, vivia, né, vivia descontente com tudo.
É triste porque, como eu falei, né, é uma anulação a esses estados, esses momentos em que isso acontece e permanece. É uma anulação de todo o bem, felicidade e paz que a gente já conquistou. E a gente já conquistou muitas coisas felizes na vida. Mas essas coisas felizes, essa paz, as alegrias, as conquistas da vida ficam sempre sob o risco de coisas assim sem importância, que estão fora de nós, anularem às vezes por um tempo, por um período, que é o período que a gente fica descontente, fica agoniado, fica amuado, fica chateado, fica bravo, sei lá, não importa qual a reação.
Mas que essas coisas são totalmente externas e circunstanciais vão anulando a consciência, que já não é muita, acerca de tudo que a gente já fez de bem, já conquistou de alegria e felicidade na vida, que deveria estar trazendo uma paz cada vez mais duradoura dentro de nós mesmos. Não. A mente vai recebendo esse ataque desses elementos externos. Aí eu lembro de novo das abelhas que cuidam da colmeia com esses elementos que blindam, né, com a própolis, que é essa camada que blinda a colmeia para esses elementos estranhos que sempre colocam a colmeia sob risco se entrassem.
E o risco às vezes é de entrar um fungo, dizima a vida. Da colmeia, dizima, dizima, acabou, mata todo mundo. Isso que eu vejo acontece comigo quando eu permito que um elemento desses estranhos, às vezes minúsculo, né, em relação à vida, de importância minúscula, me pega desprevenido, ou seja, sem defesa na mente, causa um descontentamento, causa uma reação, causa um estrago, causa um desgosto. Momentâneo. E naquele instante, pelo tempo que perdurar aquela reação, é como se eu negasse tudo de bom, de maravilhoso que eu já vivi, que eu tenho, que eu sou, que eu já conquistei, por conta de um, de um nada.
É surreal pensar nisso, mas essa é a realidade ainda da minha mente. De tanto em tanto ela é pega despreparada. Eu, né, a minha mente, a mente é minha. A falta de consciência, a falta de atenção quanto ao mundo interno me coloca vulnerável ainda a viver esses momentos. Não são muitos mais, mas eu ainda às vezes me pego vivendo e falo assim: não é possível que eu fui pego de surpresa aqui de novo, que eu tomei essa rasteira de novo, né?
Então, por que que eu tô— por que essa reflexão hoje? Porque o ponto é exatamente esse. O que o ensinamento logosófico tá sempre me alertando e muitas vezes chamando a minha atenção é exatamente para que essa vulnerabilidade seja cada vez menor, para que esse estado de inconsciência, de desatenção quanto ao mundo interno É um estado de fragilidade que coloca sob risco toda a paz, alegria e felicidade conquistada na vida. Eu não quero, eu não vou seguir vulnerável a isso, eu não quero mais, cada vez eu quero menos.
Mas para isso é preciso conhecimento e prática da vida consciente. Por isso que o método logosófico tem tanta dedicação, tanto ensinamento dedicado a isso, a conhecer a si mesmo, conhecer engrenagem do mundo interno, para que a consciência e inteligência possam ir se tornando cada vez mais capazes de nos deixar ser donos, né? Para que a gente, na verdade, se torne capaz de ser dono dessa engrenagem e desse mundo que é nosso. A gente tem que ser que nem as abelhas, a gente tem que ir blindando esse tesouro maravilhoso que é a nossa colmeia interna para preservar de qualquer desses elementos estranhos que vivem chegando nas fronteiras da mente todo dia. Boas reflexões, fique bem, até o próximo episódio.