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Balança Descalibrada: Por Que Damos Valor Excessivo ao Que Não Importa e Ignoramos o Que Tem Valor Real

27 de julho de 202620min
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📖 Baseado no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", capítulo "O Equilibrio no Juízo dos Valores".

Ronny usa a analogia da balança de feira (que não mede gramas) versus a balança de precisão de ourives (que pesa fios de cabelo) para questionar com que instrumento interno estamos medindo o valor de cada experiência vivida. Ele reflete sobre como a balança do nosso juízo está descalibrada — dando valor excessivo ao circunstancial e valor nulo ao que deveria importar — e convida à reflexão sobre como recalibrá-la.

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Participantes neste episódio1
R

Ronny Janovitz

HostAdm. Empresas
Assuntos4
  • Renúncia e Troca de ValoresValor excessivo ao circunstancial · Valor nulo ao que importa · Perda da essência da vida · Avaliação de experiências diárias
  • Valores pessoais e filosofia de vidaBalança interna · Capacidade de julgar · Correção da balança do juízo · Leitura fiel do valor
  • Balança de feira vs. precisãoBalança de feira · Balança de ourives · Medição de peso bruto · Precisão em gramas
  • Fatores Psicossociais e Influências NegativasIdentificação com deficiências · Atuação por influência da mente · Valor absurdo a coisas sem valor · Valor nulo ao que tem valor
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RJRonny Janovitz

Oi, ô Roni, tudo bem? Você conhece obviamente balança de feira, né? Feira de rua, né? A gente comprar melancia, abacaxi, melão, batata, cebola. Essas feiras ou as balanças que tem nessas feiras, né? Assim como balanças que desde, né, séculos são usadas pelo ser humano para comercializar os produtos que que a gente produz na natureza são balanças que aguentam pesos muito altos. Então uma melancia, né, melancia pesa alguns quilos geralmente.

São balanças que estão lá para medir esse peso bruto, né, essas coisas assim, vários e vários quilos, né, aguenta 10 quilos, aguenta 20 quilos. Mas uma balança dessa tem a particularidade Que não faz muita diferença para feira, né? Embora, enfim, se ela tiver bem regulada, senão faz muita diferença. Mas quando a gente vai para feira, a gente não tá preocupado com uma grama, né? Um grama, um grama não faz diferença para gente. Quando cada um de nós quer olhar a balança e a pessoa, o vendedor medindo lá, pesando, está preocupado saber se tem, né, 300, 500 800 gramas, se tem um erro de 1 grama, de 1 grama, não faz diferença.

Muito bem, então vamos pensar o seguinte: a gente cresce para vida, e eu vou dizer como é que foi comigo, né? A gente cresce para vida, e o que eu aprendi, absorvi da cultura, do que eu fui capaz de observar Eu cheguei na vida, na jovem, vamos dizer assim, jovem adulto, e olhei para a vida, falei: bom, a imagem do que vai ser a vida tá claríssima. Para mim tava claríssima, era realmente crescer como eu tinha crescido, né, alcançar a idade teoricamente adulta, né, com 18 anos.

Mas a gente não é exatamente é um ser formado com 18 anos, mas enfim, maioridade. Aí ali para frente era trabalhar, estudar ainda, mas já trabalhava desde cedo. Aí ver se eu ia encontrar alguém para formar uma família, eventualmente. Aí eventualmente ter filhos, trabalhar, trabalhar, trabalhar, envelhecer, seguir trabalhando. E quando ficasse mais velhinho, um dia essa vida ia cessar. Aí você olha para essa, para essa imagem e fala assim, puxa, é, no final é uma imagem que você pode resumir realmente em meia dúzia de fases da vida, né?

E todo mundo meio que repete essa fase, essa sequência de fases da vida meio que no automático. E aí talvez cada um desses seres humanos que chega ao final desse ciclo realmente deve em algum momento parar e pensar: mas será que dá isso? E qual o problema de viver a vida com essa imagem, com esse conceito? O problema é que como é que a gente pesou, como é que a gente pesou na balança cada um dos fatos que a gente viveu, cada uma das experiências, cada um dos dias que a gente viveu?

Como é que a gente pesa um dia pesar na vida hoje, né? Digo pesar porque é como se fosse assim medir o valor, né? Como é que a gente mede o valor, a importância, o significado do que a gente vive num dia de vida? Às vezes a gente não mede. Quantos dias passaram na minha vida e eu não medi nada? Isso rima, mas é triste, né? Quantos dias eu não perdi simplesmente porque passaram, passaram sem nenhuma consciência acerca do que eu tinha vivido.

Passaram como se os dias fossem nada. E olha que teve dias, né, muito, muito difíceis, muitos dias muito difíceis, porque cada dia às vezes tem um problema diferente. E ainda assim, muitos, ou a grande parte desses dias, que significado teve? Ou seja, qual foi o valor que eu retirei das coisas que eu vivi em cada um desses dias? O que leva a um perigo, um risco muito maior: qual o significado da vida? Porque vão passar muitos dias e vai ter um dia que a vida terrena cessa.

Muito bem, ainda que se acredite realmente em geral que aí quando acaba a vida terrena acaba tudo, né? E eu hoje entendo de forma muito clara que isso não faz nenhum sentido, né? Até porque quando a gente nasce, cada um de nós já carrega, né, já traz e mostra, né, já dá mostras claríssimas de que cada um de nós tem uma herança individual que nos faz tão diferentes, tão característicos, desde pequenininho, né, desde nascimento praticamente.

Mas voltando ao ponto, que que adianta a gente, ou não é que adianta, é assim, qual o valor que a gente retira dessa experiência humana se a gente muitos dias não consegue nem retirar o valor das experiências que a gente vive Continuamente. É como se a gente tivesse essa balança da feira e a gente tivesse acostumado a pesar essas coisas aí todas. Ah, quero meio quilo de batata. Na feira vende banana por unidade, né, por dúzia, mas no mercado vende banana por quilo.

Não sei se hoje já mudou isso na feira de rua, mas em geral tudo se vende por peso, né? Ou quase tudo. Então uma coisa é a gente ter uma balança que fica preparada, foi feita para medir essas coisas todas na feira. Agora você imagina se eu chegasse na feira e eu pedisse para qualquer um desses vendedores colocasse um, pegasse uma aliança Aliança dessas de ouro, e pedisse para ele me dar o peso, o valor real dessa aliança, e desse para ele colocar na balança para ele poder medir o peso da minha aliança.

Sabe qual o problema? O problema é que a balança do feirante, ela não foi feita para medir 6 gramas, 8 gramas, que é o peso geralmente na aliança. O ponteiro nem se move. Se você botar uma aliança, você botar um diamante, né, uma pedra preciosa ali de anel, a balança vai dizer que não tem nada ali. O atrito das peças da balança não são nem feitos para vencer, eles nem se movem se não tiver pelo menos uma quantidade mínima Muitas vezes são quantidades de 50, 60, 80, 100 gramas.

Ela nem se move, não é que ela se move pouco, ela nem— é como se tivesse nada ali. E se você olhasse essa cena, você ia achar esquisito. Obviamente que o que tem nesse prato da balança tem muito mais valor do ponto de vista monetário do que tudo que a balança— você poderia colocar em cima dessa balança em termos de frutas e legumes. Mas a balança tá dizendo que aquilo não tem valor nenhum. Ela tá dizendo que não tem nada ali. Engraçado, né?

Curioso, né? No mínimo, né? E aí você fala assim: ah, mas tudo bem, Roni, mas não tem lógica essa sua reflexão, porque a balança não foi feita para isso. Esse é o ponto. O ponto é exatamente esse. E agora pega essa reflexão e pensa o seguinte: com que balança cada um de nós está medindo o valor de tudo o que a gente vive, da própria vida em si, mas especialmente das experiências, dos fatos, circunstâncias que a gente é chamado a viver todo dia?

Qual balança é essa? A balança dos conceitos comuns que a gente foi absorvendo ao longo de séculos na cultura que a gente vive hoje, a balança que tá, que cada um de nós tá usando para medir a importância das coisas na vida, é a balança correta? Aí alguém pode falar: é a balança que a gente tem, né? Sim, o que não resolve nada, né? Porque se a gente tiver medindo a vida e o dia a dia, as experiências, as sutilezas que ocorrem cada dia, seja essas sutilezas o que a gente vive às vezes numa conversa com alguém, seja os apertos, seja as oportunidades, a gente, né, conhecer falar com muitas pessoas ao longo do dia no trabalho, não importa, seja dificuldade que um familiar apresenta, seja uma dificuldade no convívio, na convivência entre a gente e alguém, não importa o quê.

Se a gente está medindo e dando valor a tudo isso com a balança errada, A chance da gente tá perdendo a essência do valor da vida é enorme. Esse é o problema. E eu vou dizer por mim, obviamente não posso dizer por mais ninguém, mas eu tava vivendo a vida no começo da minha vida adulta, eu tava vivendo a vida e pesando esses fatos, circunstâncias, experiências do dia a dia E a própria vida em si com a balança errada. Eu tava querendo medir essa sutileza das experiências diárias com a balança de feira.

Aí você fala assim, ah, tá bom, Roni, qual é a balança? Então fala logo, né? Qual que é a balança que é para usar? E eu te retorno a pergunta, qual é a balança que é para usar? Os ourives, né, e pessoal que mexe com joias, esse tipo de, assim como o pessoal que mexe com laboratórios de química, biologia, que mexe, né, se lida com coisas de peso muito sutil, pelo menos peso físico muito sutil, trabalham com balanças extremamente, extremamente precisas, mas Veja, balanças que são preparadas para lidar com essas coisas que são décimos de grama, às vezes centésimo de grama.

Você fala assim, coisa que só faz sentido mesmo no uso desse, né? Não faz sentido para a gente no dia a dia da vida, ninguém vai usar isso. Mas para poder entender o valor real de um fragmento de algo muito valioso, ou quando está estudando outros elementos, né, e seres, né, bactérias, as coisas, enfim, qualquer coisa que precise se ir a fundo, e são coisas que no mundo físico são muito sutis, tem que usar essas balanças de altíssima precisão, ao ponto que são, olha só, são balanças que elas ficam dentro de uma redoma de vidro.

Já viu isso? Ou de uma proteção de vidro, tipo assim um aquário. Por quê? Porque a respiração da gente, da pessoa que tá medindo ali em cima da balança, pressiona e muda completamente. Então, tão sensível que é que muda a medida, muda a leitura da medida. Então assim, alguém andando perto desloca um ar e muda a medida. Mas são balanças que podem pesar o fio do cabelo, sabe? Balanças que pesam qualquer coisa, basicamente, né, que seja possível da gente colocar nelas.

Aí você fala assim: bom, então qual é a balança correta? Essa? Veja, a questão não é qual é a balança, a questão é qual é a capacidade cada um de nós tem de medir o real valor da vida, mas em especial de tudo que ocorre todo dia. A cada dia ao longo da vida. Em cima do quê? A balança do nosso, né, vamos dizer assim, ah, mas é o juízo, né, essa capacidade nossa de julgar as coisas e dar o valor que o nosso julgamento, que a nossa razão atribui a cada coisa.

Sim. E qual é a precisão, qual é a correção dessa balança? Ou seja, como é que a gente garante que a balança do nosso juízo, né, que o nosso juízo, nossa capacidade de julgar tudo a cada dia que ocorre com a gente, que a gente vê, que a gente observa, que a gente experimenta, que a gente sente, que a gente pensa, ou observar os pensamentos que estão querendo mover a nossa vontade. Qual é a medida? Qual é a capacidade? Qual é a garantia que a gente tem que essa balança interna nossa tá funcionando na sua plenitude?

Que tá bem calibrada, que ela tá de fato nos entregando uma leitura, né, que é o visor da balança ali, que a leitura tá correta. Porque de novo, for na feira e colocar 1, 2, 3, 4 alianças na balança, não vai mostrar que não tem nada ali. A balança vai dizer: não existe nada aqui. Aí você vai olhar, fala: não, não é verdade, o que tem aí tem um valor monetário altíssimo. Mas a balança vai insistir: não tem nada aqui. Quantas vezes ao longo do dia ou dos dias a gente tá passando riquezas, tesouros que estão passando pela nossa vida, que estão nos impactando de alguma forma, e a gente simplesmente entende que não tem valor algum.

E o pior, que é o pior, quanto valor a gente às vezes tá dando para coisas da vida que não tem valor exatamente assim igual. Quantas vezes eu dei um valor excessivo, por exemplo, às coisas materiais? Esse é um ponto fácil, né? Sim, de observar quantas vezes eu dei, quantas vezes eu atribuí muito valor, quantas vezes a minha vaidade atribuiu muito valor às coisas que eu conquistei do ponto de vista material ou status, cargos, e enfim, tudo que tá relacionado a isso.

Ah, teve uma época da minha vida que eu dei muito valor a isso. Você percebe que eu tô falando assim, a balança do nosso, do nosso juízo, ela está, me parece pelo menos, em geral, né, totalmente descalibrada. E ao dar um valor excessivo tudo que não tem basicamente valor transcendente, né, porque são todos valores circunstanciais. Veja, as coisas materiais físicas têm valor, mas é o valor específico para os fins que elas cumprem.

Então assim, há muito valor em trabalhar. Trabalho não só dignifica o homem, né, o ser humano, mas o trabalho é a fonte, né, da nossa sobrevivência, do nosso conforto, da nossa saúde. Como capacidade, né, de manter a saúde, obter saúde, de se locomover, de ir, de experimentar, de fazer o que quer. Então o trabalho é muito importante, mas a importância é essa. Então assim, nesse sentido, me parece que essa avaliação do significado, né, do trabalho, da conquista material, estaria bem, estaria assim bem equilibrada a balança, estaria bem calibrada, vai.

E agora, o problema é quando eu dei e eventualmente venha a dar um valor desmedido a cada um desses pontos, por exemplo. E tem outros centenas de pontos que a gente precisaria avaliar. Ah, mas fulano falou torto comigo. Que valor que cada um de nós dá para isso? Ah, ciclano não fez o que eu queria. Não fez como eu esperava que ele fizesse, fez outra coisa. Que valor que a gente dá para isso? Ah, mas eu não queria estar vivendo essa situação, eu queria estar vivendo outra situação.

Que valor que a gente dá para a situação que a gente tá vivendo? Porque eu queria estar vivendo outra situação. Que valor que eu dou para minha minha incapacidade e minhas deficiências psicológicas. Pior é isso, né? É dar valor para o que não tem. Quantas vezes eu valorizei minhas deficiências psicológicas acreditando que elas eram eu, que eu era elas? Quantas vezes eu atuei, e de vez em quando ainda atuo, por influência de forças da minha mente, que são esses pensamentos, e alguns são deficiências mesmo da minha psicologia, e que eu acho que são eu mesmo, quando na verdade não são.

Mas se curvarem a minha vontade, se a minha vontade se curva à pressão desses pensamentos, é como se fosse eu no momento, né? E aí eu sou capaz de dar um valor absurdo a coisas que não tem valor nenhum. Ou pior, dá um valor nulo àquilo que deveria ter verdadeiro valor para vida. Você percebe que o ponto é que a gente tá com a balança descalibrada, provavelmente. Aí você fala: legal, tá bom, estamos mesmo. Como é que a gente calibra a balança?

Essa é a pergunta que a gente deveria estar se fazendo. Como é que a gente calibra a balança Essa balança interna da capacidade de julgar o real valor de tudo, tudo que passa pela vida e tudo que a gente passa. O que que precisa para calibrar essa balança? O que que precisa para que essa balança comece a nos dar leitura fiel sobre o que tem valor mais ou menos na vida? Essa reflexão de hoje. Próximo episódio a gente segue, vamos mergulhar um pouquinho mais nisso. Boas reflexões, fique bem e até o próximo episódio.

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