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Ideal Superior e Estabilidade: Como Ter uma Referência Permanente em Meio ao Caos do Dia a Dia

21 de julho de 202620min
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📖 Baseado no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", capítulo "Em Torno da Meta Ideal".

Ronny usa a analogia do peão e do giroscópio nos aviões para explorar como um ideal superior funciona como referência interna estável em meio às tempestades da vida. Reflete sobre como os ideais materiais são referências frágeis e circunstanciais, enquanto um ideal de aperfeiçoamento e identificação com a criação mantém o "horizonte" interno independente das circunstâncias externas. O episódio conclui que a vida se transforma num grande laboratório de aperfeiçoamento individual quando se cultiva essa referência.

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Participantes neste episódio1
R

Ronny Janovitz

HostAdm. Empresas
Assuntos4
  • Dualidade e MaterialismoFragilidade de ideais externos · Estabilidade de ideais internos · Perfeição da criação
  • Amadurecimento e perspectiva de vidaSuperação pessoal contínua · Identificação com a criação · Sentido da vida
  • Efeito giroscópico e estabilidadePrincípio da física · Horizonte artificial em aviões
  • Deus como idealReferência interna permanente · Força para vencer resistências · Aperfeiçoamento psicológico
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RJRonny Janovitz

Oi, eu, Roni, tudo bem? Você lembra de brincar, ou você já viu alguém brincar de peão? Peão, aquele objeto de madeira. Hoje em dia tem uns brinquedos novos de outras, de outros materiais, mas o peão de madeira, aquele tradicional que enrolar, parece uma coxinha, com a ponta dele tem um tipo um prego assim, uma ponta rígida de ferro, de metal. E aí a gente enrola um barbante, um cabo ao redor dele, bem enroladinho, e lança ele no chão em alta rotação.

Bom, se você não brincou de peão, você sabe o que é um peão, né? Muito bem. O peão é fascinante, né? Por que que o peão é fascinante? Porque ele é um negócio que se você colocar ele parado, obviamente não fica de pé na ponta, claro que não. Mas quando ele entra em alta rotação, ele se beneficia de uma lei da física, de uma, não sei se é uma lei, mas é um princípio da física, que é o princípio da, tem um nome isso, da rotação, não é da rotação, mas é um princípio que acaba criando uma estabilidade, que é estabilidade própria de quem tem movimento, entendeu?

Olha que interessante, é como se assim o movimento alto que o peão realiza em torno do próprio eixo, ele garante uma estabilidade, uma, é uma rigidez no espaço. Acho que a regra é essa, rigidez no espaço, ou algo parecido, que é o efeito giroscópico. Mas Por que que é legal brincar de peão? Porque o pessoal cria uma condição, né, a criança, ou enfim, quando você gira um peão, você cria uma condição que você tá superando uma série de fatores que normalmente estariam afetando aquele objeto, são afetados de outra forma.

Você dá para o peão uma estabilidade que nenhuma outra força tira, até que o peão começa a perder rotação. Começa, obviamente, porque a gente gira ele com barbante, né, ou seja, como for. Mas tem uma hora que ele começa a perder rotação, ele começa a bambear, até a hora que ele simplesmente cai de volta, né. Esse é o princípio, por exemplo. E olha que peão tem milênios, tá, pessoal. Você acha que a história diz que encontrou peão em escavações assim, peões de argila, eu acho, de 3.000, 4.000 anos, 5.000 anos atrás.

É uma coisa assim que é um princípio, é um brinquedo, é algo que foi experimentado pela humanidade muito tempo já, e é o princípio dos instrumentos mais precisos hoje de estabilidade. Então um avião, por exemplo, tem um instrumento chamado horizonte artificial. O horizonte artificial é um instrumento que é exatamente um peão dentro, é o giroscópio, que é um disco de metal girando a altíssima velocidade, e que ele, por estar girando a altíssima velocidade, quando o avião liga no solo, né, na terra, ele cria e começa a girar estável no chão.

E aí ele mantém esse eixo, sabe? O giroscópio é um instrumento que gira em qualquer eixo, qualquer eixo. O avião pode estar descendo, subindo, indo para um lado, para o outro, se fosse um avião de acrobacia, pode estar dando um loop, não importa, o giroscópio mantém o horizonte aonde ele começou o movimento, exatamente como ele começou o movimento no chão. Então ele sempre mostra para o piloto qual é o movimento do avião, porque o giroscópio fica mantendo aquele, aquela referência de quando ele começou a girar na terra.

Então o piloto olha para esse instrumento e sabe se está descendo, subindo, né? E indo para o lado ou para o outro. É uma referência, ou seja, a tempestade, os ventos, a escuridão não afetam o giroscópio, ou não afetam quem se vale do giroscópio para poder tomar a decisão de que movimento faz. Não afeta o piloto, que o piloto tem giroscópio, então ele não tem medo da tempestade, da escuridão, porque ele tem essa, essa, vamos dizer assim, essa referência que não é afetado pelos fatores externos.

No caso do giroscópio, a própria energia do avião mantém o giroscópio girando desde o momento que ele liga, né? Muito bem. Acho que hoje em dia já tem instrumentos mais tecnológicos que não usam nem o disco, o disco físico mais, né? Mas eu já ia entrar em outro assunto. Mas vamos voltar ao peão, que é o mais importante, é o giroscópio. O que acontece no dia a dia E o que acontece no dia a dia quando a gente vive a vida com os ideais mais relacionados à vida material, né?

Quando o nosso ideal é fazer uma viagem X, por exemplo, daqui a X tempo. E às vezes, várias vezes, eu vivi esse ideal, né? Fiquei sonhando com a viagem que eu ia fazer um ano, 8 meses depois, 2 anos depois, sei lá. Ou quando o ideal era ter a primeira casa própria, ou ter o primeiro carro, trocar de carro para o carro que eu queria, sei lá, o ideal era, sei lá, escolhe alguma coisa, né? Quando os ideais eram praticamente tarefas ou conquistas da vida externa, o ideal era, por exemplo, na época da adolescência, era namorar com a menina tal lá da escola.

Quando o ideal ele é, né, se move por aquilo que tá fora da gente, acaba obviamente sendo uma referência que ela ajuda e funciona para alguns movimentos, né, da vida. Então a gente acaba se esforçando para obter aquilo, para chegar naquela condição, para viver aquela experiência, mas tem muito pouca força, né, para vida. É uma referência muito frágil para vida, exatamente porque ela trata ou ela se refere a algo que é externo.

Agora imagina que a gente comece ou fortaleça o cultivo de um grande ideal, do ideal superior, que é um ideal de assim de transformar a própria vida numa grande obra, num grande trabalho de superar a si mesmo, de evoluir, de realmente assim buscar a constante superação de todos, todos aqueles pontos negativos que existe dentro de cada um de nós, a nossa psicologia, né, na nossa mente, com vistas a se identificar cada vez mais com a perfeição da criação.

Não porque a gente quer ser perfeito, mas porque a gente quer ir se afastando das limitações que a vida externa, né, que a vida comum, a vida terrena acaba nos causando. As circunstâncias da vida são muitas, e eu sempre falo isso porque esse é um ponto para mim que é vital. Quando eu entendi que as circunstâncias da vida, as experiências, os fatos vão se alternar continuamente, porque isso é próprio da vida terrena, e eu precisaria entender como é que essas alternâncias todas abrem para mim possibilidade de fazer disso algo útil.

Ou melhor, quando as coisas não vão na direção que eu quero, não acontecem como eu quero, como é que isso pode de alguma maneira ser útil para minha vida? Como é que eu posso aproveitar isso como uma experiência que sirva, que some, né? Não que subtraia, que some para mim, né? Que some algo na minha vida, no meu haver. Ou seja, como é que a gente faz então para que essa experiência, ou essa vida que parece muitas vezes inexplicável e sem sentido para tanta gente— uma parte da vida não faz sentido.

Eu lembro que eu olhava para a vida e não fazia sentido para mim quando era jovem. Eu falei assim, pô, mas qual o sentido de viver esse caos todo? Essa correria toda, qual o sentido disso? E se você olha às vezes só para essa vida terrena, tem coisa, tem época, tem experiência que você fala assim: qual o sentido disso? Porque realmente não parece ter sentido, não é assim? Quantas coisas a gente já não viveu, cada um de nós, que fala assim: meu, para que que eu tô vivendo isso?

Por que que eu tô vivendo isso? Por que que isso acontece comigo? E a sensação imediata assim, pô, mas isso aqui não queria que fizesse parte da minha vida, eu não queria passar por isso. Mas por algo a gente passa, né? Ainda que a gente não saiba qual é esse algo. Mas obviamente não existe nada aleatório na vida, né? Nem as coisas que acontecem às vezes de surpresa não são aleatórias per si, elas são surpresas para gente muitas vezes, né?

Mas os movimentos que afetam cada um de nós e nós em conjunto respondem, isso eu compreendo assim hoje de uma forma mais clara, respondem a muitas engrenagens que se movem no mundo metafísico. Nada é realmente assim, não é um jogo, não é um cassino. A vida terrena e a vida humana não é um cassino, é que a gente muitas vezes não vê a causa, né? A gente não identifica a causa, ou a causa já tá um pouco mais distante no tempo, ou a causa já tá mais sutil de ser, não é tão direta, mas enfim.

Mas frente a essa realidade de uma vida então que é uma experiência curiosa em que a gente alterna tantas sensações, né, tantas coisas acontecendo, tantas experiências diferentes, se a gente tiver um peão, ou melhor, um giroscópio dentro de nós, igual avião tem, ou igual outros, né, outras máquinas também tem. Se a gente tiver uma referência que possa nos manter sempre alinhados, né, ao horizonte, se a gente puder, independente das tempestades que a vida apresente, independente da escuridão que às vezes A gente tá passando por uma área, né, que tá escura.

E durante algumas horas do dia, literalmente tá escuro, e às vezes metaforicamente alguns dias, algumas horas estão escuras. Quantas vezes escurece o ambiente mental e parece ter uma tempestade dentro da minha mente? Eu vivi isso tanto na minha vida, tanto, tanto, tanto. Nesse momento Faz muita diferença ter esse instrumento que mantém a referência do horizonte, sabe? Então assim, como é que a gente tem um, como é que, o que que seria um giroscópio interno, né?

O que que seria essa, esse instrumento de precisão que mantém a referência do horizonte? A logosofia aponta que Esse instrumento pode e deve ser uma meta elevadíssima, superior. Essa meta, esse ideal, um ideal de viver uma vida de superação, de aperfeiçoamento, essa vida de se identificar com a criação, que é perfeita, né? Então essa identificação, ela ela exige, ela pressupõe a busca pelo aperfeiçoamento, porque a identificação com a criação, com o pensamento criador, é identificar-se com a perfeição.

Então a gente precisa ir aperfeiçoando tudo que vai contra isso, né? A gente precisa ir tirando, né? A gente precisa ir, vamos dizer assim, se desfazendo das pecinhas que vão contra isso, e são tantas dentro de mim ainda, dentro da minha psicologia. Eram muito mais e eram muito maiores, mas ainda são tantas ainda. Por isso que é um ideal, não é assim: ah, eu quero, legal, aperta o botão aí, agora sim eu me identifiquei, eu quero me identificar com a criação.

Não, impossível, porque é preciso um processo que nos aproxime gradualmente dessa dessa meta ideal, porque é preciso ter esse tempo em que a gente vai realizar esse aperfeiçoamento. E aí o campo experimental, o laboratório desse processo, é a própria vida. E finalmente fica claro, então, nessa hora que eu chego nesse ponto da reflexão para mim, que então faz sentido que a vida então seja, até como a Logosofia define, um grande laboratório.

A vida pode se tornar um grande laboratório do aperfeiçoamento individual quando a gente tem essa referência interna, esse giroscópio, quando a gente tem essa, esse ideal da superação cada vez mais firme, mas como uma força maior, como uma meta maior dentro de cada um de nós, sentida não só pela, não só pensada, mas sentida pelo coração como algo que se quer profundamente. Quanto mais forte é esse ideal, maior é a força dessa referência.

Quando cada dia eu sou chamado a viver umas tantas e tantas opções, eu sou chamado a me conduzir nesse meio das experiências, dos acontecimentos diários, desde que eu acordo até a hora que eu durmo. Como é que eu me coloco? Como é que eu navego tudo isso? Como é que eu faço as escolhas? Como é que eu opto no dia a dia? Como é que eu opto na vida? Como é que eu opto na Seja coisa pequena e simples da vida no dia, ou seja uma decisão grande ou importante que tem que fazer na vida.

Como é que a gente vai se movendo? Como é que a gente vai navegando a vida sem uma referência dessa clara, clássica assim? Que eu digo clássica no ponto assim imutável, como o ideal de aperfeiçoamento. É como se ele se tornasse então a grande referência em que a gente pode a todo momento olhar e falar assim: ah, aqui eu sei como eu quero me portar. Eu quero me portar de modo a que essa experiência, esse fato, essa opção, essa conduta, o que eu vou falar agora precisa servir a esse ideal, né?

Eu preciso me portar a serviço desse ideal, porque é o meu ideal, não é ideal de alguém. É o meu ideal. Você percebe que é uma questão de então de ter uma referência, ter algo dentro de cada um de nós que vai tirando a gente dessas, desse caos do dia a dia, né? Especialmente vai nos, de alguma maneira, vai nos servindo de referência quando a gente tá influenciado por uma série de pensamentos, né, que no dia a dia vão querendo atrapalhar tudo isso.

Então, quando alguém fala o que eu não queria, o que eu não gostei, quando alguém faz o que eu não queria, o que eu não gostei, aí quando as coisas não acontecem como eu queria, ou quando surge um problema que eu não queria ter que enfrentar, ou quando, enfim, qualquer coisa. Isso no dia a dia tem um monte dessas situações. Ter essa referência do que se busca daquilo que se tá, que tá se mirando, né, na vida. Quando essa referência é algo tão elevado como um ideal de superação, de evolução, vai ficando mais clara e óbvia a opção que a gente deve fazer a cada instante da vida, porque já não faz sentido optar por ser como eu sempre fui.

Faz sentido aperfeiçoar a forma de ser? Faz sentido deixar de ser aquilo que me impede de me aperfeiçoar, de chegar nessa meta ideal? Faz sentido largar essas pecinhas defeituosas? Faz sentido o esforço Para não ser como eu era antes naquilo que sempre me prejudicou. Faz sentido, claro que faz. Mais do que sentido, vira algo assim, vira uma necessidade, né? Eu preciso ir me desvinculando dessas características negativas da minha psicologia.

Eu preciso ir, eu preciso me desprendendo dessas, dessas cracas, né? Que nem aquela craca que prende no casco dos barcos, né? Eu preciso ir me desprendendo dessas coisas, mas isso só faz sentido quando esse ideal vai se tornando uma referência cada vez mais forte para cada um de nós. Porque enquanto não se cultiva, né, esse ideal, a gente acaba usando como referência outros, mas esses outros ideais geralmente estão voltados a algo fora de nós.

Ainda que pareçam que vão nos dar aquilo que a gente busca, né, vão nos trazer felicidade, o problema é que esses ideais não são uma referência permanente, são referências geralmente tão circunstanciais quanto as próprias experiências e alternativas do dia a dia. Em torno de uma meta ideal, em torno de um ideal superior, A logosofia dá muita importância a isso, não é à toa. Por quê? Porque o objetivo do conhecimento logosófico é exatamente, é também, talvez seria melhor falar, também é nos conduzir rumo a esse ideal.

Então são dois momentos, são dois movimentos também, são dois momentos e dois movimentos. Primeiro o começar o cultivo, né, ou fortalecer o cultivo de um ideal superior, de aperfeiçoamento, de superação, de identificar-se com o próprio pensamento criador. E segundo, quando isso começa a fazer diferença no dia a dia, todo dia, quando a gente começa a sentir que tem uma força, a nossa vontade começa a se sentir mais capaz de vencer as resistências dos pensamentos, as deficiências psicológicas que impedem ou que querem nos impedir de ser assim cada dia melhor.

Muito bem, tem bastante coisa para a gente fazer, né? Ainda bem que tem bastante coisa para a gente fazer, porque senão não ia dar para ter essa meta, esse ideal. Ainda assim, é um processo. Nesse processo, eu tô aqui, eu conto com você, a gente tá junto, né? E vamos seguir juntos. Boas reflexões, fique bem e até o próximo episódio.

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