A Mulher que Nunca Amou - Cap 10 O som metálico
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Isabel
Mãe de Marco
Marco
- Caso Isabela NardoniPerseguição e ciúme doentio · Simulacro de vida (boneca) · Culpa e incapacidade de amar · O anel de rubi
- História de amor ou obsessãoAmor confundido com posse · Fidelidade como caráter · Incapacidade de retribuir o amor
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Episódio 10 – O som metálico O asfalto ainda exaltava o calor de um dia sufocante, quando o brilho dos faróis cortou a escuridão como lâminas. Marco sentiu o extinto rugir no peito, antes mesmo de processar o perigo.
Não houve tempo para gritar. Com um movimento bruto e preciso, ele envolveu os braços da mãe, sentindo o tecido leve do vestido dela sobre seus dedos, e se atirou contra a vegetação, à margem da estrada.
O mundo se tornou um borrão de terra. Folhas secas e o som ensudecedor de borracha queimada. O impacto que seguiu não foi apenas um barulho. Foi uma vibração que sacudiu o solo sobre seus corpos. O carro de Isabel não apenas colidiu. Ele pareceu ser devorado pela árvore secular.
que guardava a curva. O estado do metal se dobrando ecoou pela noite, seguindo pelo som do vidro se estilhaçando em milhares de diamantes cruéis que brilhavam sob a luz da lua. Por um segundo, o silêncio que se seguiu foi o pior que o estrondo. Marcos tossiu.
Tão cheiro de gasolina e fumaça invadindo seus pulmões. Ele ajudou a mãe a se levantar. As mãos dela estavam tremendo contra o seu peito. Fique aqui. Ele sussurrou, a voz rouca, antes de correr em direção a um monstro de metal retorcido, que segundos antes era um veículo.
O motor ainda estalava, esfriando sobre o sereno. Dentro da cabine esmagada, Isabel era uma figura frágil. O airbag estourado parecia uma nuvem pálida ao redor dela.
Quando Marcos se aproximou, o cheiro de sangue se misturou ao perfume caro que ela sempre usava. Uma combinação nauseante de vida e fim. Isabel abriu os olhos. O sorriso que surgiu em seus lábios era fraco, manchado de vermelho, mas carregava uma lucidez terrível.
Ela observava como quem finalmente entende a última peça de um quebra-cabeça. Durante meses, ela tentara controlar o incontrolável. Movida por um ciúme que era, na verdade, o reflexo de sua própria incapacidade de amar. Eu fiz tudo, tudo o que tivesse ao meu alcance. Ela arquejou.
cada palavra sendo uma batalha contra a estrutura de ferro que apreendia contra o banco. Marcos não respondeu. Seus olhos foram atraídos para o banco de trás. No meio daquela destruição, algo parecia intacto. Um embrulho de pano, cuidadosamente colocado. O coração de Marcos saltou para a garganta. Um bebê?
A possibilidade de uma vida inocente ali, em meio àquela carcaça, fez seu estômago revirar. Ele estendeu a mão, o braço pesado como se estivesse movendo-se sobre a água. Seus dedos tremiam, buscando o calor da pele, o movimento de um pulmãozinho.
O choro que daria sentido. Aquela tragédia. Mas ao tocar o embrulho, o que sentiu foi o choque térmico do frio. Suas unhas rasparam no plástico rígido.
Não havia vida. Ele puxou o pano, revelando uma boneca de porcelana e plástico, com cabelos pretos e brilhantes, idênticos ao de Isabel. Era um simulacro da vida. Uma mentira moldada para preencher o vazio de uma mulher que não sabia habitar a própria realidade.
Marcos engoliu seco, a mão fechando-se em volta do pescoço inanimado do brinquedo. O silêncio da boneca era o grito mais alto daquela estrada. Isabel desviou o olhar de Marcos para a mãe dele, que observava a cena a poucos metros, pálida como um fantasma. Naquele último lampejo de consciência, a verdade a atingiu. Marcos nunca a traíra.
A fidelidade dele não era uma obrigação, era o caráter dele. Algo que ela nunca possuiu. A culpa mais pesada que as ferragens esmagou o que estava no seu peito.
Ela o vira como um traidor, mas não era o que ela imaginava. E agora, vendo arriscar a vida para tentar salvá-la, ela percebeu que nunca tinha sido capaz de retribuir aquele sentimento. Ela sabia que ele o amava, mas sentia a culpa por não poder o amar. A visão de Isabel começou a embaçar as portas do mundo, tornando-se cinzentas. A expiração antes curta...
Tornou-se uma subiu distante. Ela sentiu o frio da morte subindo por suas pernas. Uma dormência que prometia o fim daquela agonia mental. Marcos, ela tentou, mas a voz já pertencia ao vento. A chuva começou a cair. Era como um choro pesado que descia do céu escuro.
Marcos sentiu os braços da mãe envolverem seus ombros, puxando-o para longe do perigo de uma explosão iminente. Ali, no meio daquela estrada deserta, Marcos era o retrato da desolação.
Em uma mão, ele segurava a boneca quebrada, cujo cabelo preto agora grudava no plástico sobre a água da chuva. Na outra, segurava o peso da sobrevivência. Ele estava salvo. Sua mãe estava viva. Mas o preço daquela liberdade...
Tinha um sabor amargo de uma tragédia que poderia ter sido evitada Se o amor não tivesse sido confundido com posse O único som que se escutava era da chuva Que apagava o brilho dos faróis Deixando o único brilho, o anel de rubi de Isabel Que era de sua mãe
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