Como ANDERSON NOISE construiu um império global saindo do zero no Brasil
Como ANDERSON NOISE construiu um império global saindo do zero no Brasil📌 Inscreva-se no canal Refresco Sonoro e ative o sininho 👉 https://www.youtube.com/channel/UCZslnegGXhkng6Wt30Tv0Nw 💖 Se esse conteúdo te tocou, manda um VALEU clicando no botão aqui abaixo!Seja membro do Refresco Sonoro e esteja ao lado dos seus ídolos:https://www.youtube.com/channel/UCZslnegGXhkng6Wt30Tv0Nw/joinParticipe do grupo no Whatsapp:https://chat.whatsapp.com/Cenury4asQG9tskbIVsWOe📍Disponível no Spotify, YouTube e principais plataformas.📲 @refrescosonoropodcast🎙️ Apresentação: Michel Palazzo & Rafael Oliveira🎛️ Produção, Áudio e Vídeo: Rafael Oliveira & Cristher Oliveira🤝 Apoios: @BullguerOficial O primeiro smashburger do Brasilhttps://bullguer.com/ @VegaCrypto_ Conquiste sua liberdade financeirahttps://www.vegacrypto.xyz/📩 Contato comercial:sonororefresco@gmail.comAnderson NoisePioneiro da Música Eletrônica no BrasilDesde o final dos anos 80, o mineiro Anderson Noise é figura central na indústria da música eletrônica, desempenhando um papel fundamental na consolidação do gênero no Brasil. Sua trajetória rendeu o reconhecimento de ícones globais, como a lenda Carl Cox, e uma posição de destaque na imprensa especializada: segundo a Ilustrada (Folha de S.Paulo), Anderson Noise foi o responsável por colocar o Brasil no mapa mundial do Techno. É considerado o primeiro DJ fora do eixo Rio-São Paulo a alcançar grande sucesso e influenciar gerações de DJs desde os anos 90. Com passagens por mais de 33 países, ele une técnica refinada e uma sensibilidade única na construção de sets memoráveis, reafirmando sua influência tanto na cena nacional quanto internacional.Com mais de 38 anos de carreira, o artista possui um extenso catálogo de lançamentos em diversas gravadoras e alcançou números impressionantes de vendas. Seu próprio selo, a Noise Music, consolidou-se como o primeiro label brasileiro de Techno, celebrando seu 26º aniversário em abril de 2025. Ao longo de sua jornada, Anderson recebeu dezenas de prêmios e foi eleito o melhor DJ por dois anos consecutivos pela DJ Mag Brasil. Além disso, figurou na prestigiada lista Top 100 da DJ Mag UK por três anos seguidos, alcançando a 26ª posição do mundo em 2008.Sua versatilidade é evidenciada por colaborações marcantes com artistas de peso, como João Carlos Martins, Milton Nascimento, Daniela Mercury, Lulu Santos e o Jakob Bro Trio, entre muitos outros. Além de sua carreira solo, Noise mantém cinco projetos distintos: o 7777, focado em House e Disco Music; o 37 37, ao lado do DJ Mau Mau, reunindo dois ícones da cena; o trio Nie Myer, com Henrique Portugal e Lelo Zaneti (Skank), fundindo eletrônica, Jazz e Bossa Nova; o duo AC 360, com Carla Elektra; e o B2B com seu irmão Alvinho L Noise, os Noise Brothers.Pioneiro por natureza, Noise revolucionou a cena noturna de Belo Horizonte nas décadas de 90 e 2000 ao lado de Marcelo Marent (em memória), realizando mais de 48 festas underground em locais inusitados. Sua visão vanguardista também deu origem à Rádio Noise, a primeira rádio online de música eletrônica do Brasil, e ao Bloco Noise Music, o primeiro bloco de música eletrônica de Minas Gerais, lançado no Carnaval de 1999.Dotado de uma energia rara e uma resiliência característica dos grandes mestres, Anderson Noise é um artista que transforma desafios em inovação. Sua vida e obra, repletas de histórias fascinantes, podem ser exploradas em detalhes na biografia “O Barulho da Lua”, escrita pela jornalista Claudia Assef.
- Anderson Noise: Trajetória e LegadoPioneirismo na música eletrônica brasileira · Influência global e reconhecimento internacional · Carreira solo e projetos paralelos · Festas underground em Belo Horizonte · A importância da intuição na música · A relação com o Clube da Esquina e Michael Jackson · A concepção do nome 'Noise' e 'Barulho da Lua' · A evolução da tecnologia na música eletrônica · A importância da mídia física e do vinil · O futuro da música eletrônica e a inteligência artificial · A relação entre skate e música eletrônica · O impacto do livro 'Barulho da Lua' · A cena de Belo Horizonte e a dedicação ao Techno · A importância do networking e da música autêntica · A relação com São Paulo e a vida em BH · A música eletrônica brasileira e seus estilos · A evolução da mixagem e o uso de CDJs vs. Vinil · O Techno como gênero musical · A comparação entre House e Techno · A importância da pesquisa musical para DJs · A relação entre música e memória afetiva · A energia do público brasileiro e argentino · A história do selo Noise Music · A resistência e polêmicas no Techno · A realização pessoal e profissional de Anderson Noise · A rotina e espiritualidade de Anderson Noise · A importância da comunidade e dos amigos na carreira · A conexão com São Paulo e a cena clubber · A influência da inteligência artificial na música · A importância do movimento e da mídia física
- A cena eletrônica brasileira: passado e presenteO 'momento de ouro' da música eletrônica brasileira (1998-2003) · O papel do Drum and Bass e do Techno na projeção do Brasil · A evolução dos estilos e a saturação do mercado · A valorização do trabalho dos pioneiros pela nova geração
- Formatos de Gravação e Mídia FonográficaFundação e consolidação do selo · Distribuição internacional e qualidade de prensagem · A transição do vinil para o digital e o futuro das prensagens · Critérios para lançamento de demos e a importância da música
- Dia do Disco de VinilO valor do vinil como mídia física · A logística e o peso do transporte de discos · A conexão com o público através do movimento · A exclusividade e a atemporalidade dos discos
- Música EletrônicaReconhecimento como pioneiro e ícone do Techno · Impacto na cena nacional e internacional
Sejam bem-vindos a mais um episódio do Refresso Sonoro Podcast. Esse podcast é pra você que é fã de música eletrônica, gosta de lazer e entretenimento, vai nas festas, é fã de DJs pela música. A gente costuma dizer que o Refresso Sonoro são doses de conhecimento para ouvintes curiosos. Então, se você está aqui, seu curioso, considere-se se inscrever e seguir nossas plataformas. A gente está toda quarta-feira, às oito da noite, com uma aula aqui pra você.
que traz nomes da indústria da música, principalmente DJs, mas ele é aberto a toda a cadeia produtiva. Queria lembrar você que a gente tem a condição de você assistir vídeos de forma exclusiva, é só você virar membro a partir de R$11. Outra coisa legal, e eu tenho que falar, graças aos nossos parceiros, a gente também está aqui, inicialmente a Bulger, o primeiro Smashburger do Brasil.
Com 45 restaurantes, é o primeiro smashburger do Brasil, galera. Vale experimentar. E a Vega House, a Vega Crypto, que é onde a gente grava nossos episódios. Aqui nesse estúdio, recebendo nossos professores da música. É uma grande honra falar que hoje...
Provavelmente é um dos capítulos dessa história que a gente começou há pouco tempo, não faz nem um ano, de trazer histórias e conhecimentos para você. O artista que está aqui hoje conosco, ele ultrapassou todos os ciclos dos últimos 30 anos na música eletrônica. Ele viajou o mundo inteiro, é um brasileiro, ele é um mineiro. Ele tem livro escrito trazendo um pouco de conhecimento para você. Aliás, você pode entrar no site dele e comprar esse livro. Todas as lojas estão por lá.
O papo de hoje não é só profundo, ele é um cara que traz intuição nas coisas que faz. Comentou aqui em backstage que quando ele observa a pista, de forma intuitiva, o disco vem à mão dele. É uma das coisas mais nobres que eu já ouvi na minha vida e eu estou muito feliz por esse papo. Estou arrepiado desde já, nem falei o nome dele, mas é uma grande aula hoje. Bom dia, boa noite, Rafaelo!
Bom dia, boa tarde, boa noite. Anderson Nois, que prazer estar aqui, cara. Prazer é meu. Muito obrigado pelas palavras. Imagina, muito obrigado por estar aqui, cara. Eu sei que...
a gente está tentando falar faz um tempo, e você prontamente acompanhou um pouco da história, e prontamente se disse que estaria em São Paulo nessa data, a gente marcou. Muito obrigado, viu, cara? Muito obrigado. Eu que te agradeço. Comprei teu livro, o box saiu, e foi uma grande honra pra mim. Queria lembrar você que depois desse papo é só entrar no site do Anderson e dar uma olhada aonde comprar. Tem alguma coisa que faltou nesse livro? Você esqueceu e lembrou depois? Nossa, tem muita coisa.
Tem muita coisa. Quem sabe na edição 2? De onde vem esse teu... Estar à frente do tempo, Anderson? Você acha que vem isso da sua educação, cara? Porque desde que eu te conheço dos anos 98, 99, você estava à frente do tempo. Ah, eu não costumo falar. Muita gente fala isso, né? Que eu costumo andar na frente do tempo.
Mas entra muito naquela conversa que a gente estava tendo aqui antes, que é a questão da intuição.
Eu sou um cara privilegiado, graças ao Papai do Céu, sempre tenho boas intuições, sempre quando eu tô conectado mais tranquilo, eu te digo que eu tô mais felizinho, eu consigo ter boas ideias. Não são todas que eu consigo colocar, né, não é nem 2% que eu consigo colocar em...
em prática, mas sim, tem muita coisa que consegui fazer primeiro, conseguir ajudar, conseguir mostrar também. Então tem esse lado do Anderson que é bem forte, que acaba refletindo na minha carreira, no que aconteceu no Brasil até agora.
E a coisa foi andando. Você disse a questão da atuição de uma forma muito decidida. Quando você entendeu que a atuição, a intuição na música é importante? A música principalmente. O fato de você intuitivamente saber o disco daquela hora.
e dar o play, e realmente funcionar na pista. Como é que você sentiu que a intuição você deveria ouvir a mais? Teve algum momento específico na sua carreira que a intuição foi a diferença? Tem vários, mas eu...
Eu não estou atribuindo essa intuição a mim não, tá? Estou atribuindo essa intuição ao que eu acredito, uma energia numa coisa maior. Então, quando eu estou conectado, que eu estou muito feliz e eu estou extremamente focado, eu acho que eu me conecto com essa energia que me faz mostrar alguma coisa.
que pode surpreender alguma coisa nova, alguma coisa que as pessoas estão precisando. Eu acho também que tem uma coisa que me ajuda muito também, a questão de ser grato e toda vez que eu entro que eu estou agradecendo para tocar ou para conversar com uma pessoa, eu acho que as coisas fluem melhor.
Então eu acho que isso tem a ver com uma coisa que não é uma coisa de eu, é uma coisa do que está ao redor, entendeu? Acho que é um assunto que merece a reflexão e o olhar de cada um do jeito que a pessoa pensa. Muito bom, muito bom. Anderson, qual foi um disco assim que não era tradicional e você entendeu que não precisava ser?
para tocar a tua alma, assim. Um disco que te chamou a atenção por não ser, por ser inesperado, uma coisa, a primeira vez que você levou um, desculpa o termo, mas um soco na cabeça, assim, de ouvir e falar, opa, vou pesquisar mais sobre isso. Soco na cabeça? É, aquele disco disruptivo na tua vida, sabe? Clube da Esquina? É. Eu acredito que Clube da Esquina...
Como é que foi os próximos dias ali com esse disco ao seu ar? É tipo assim, por exemplo, eu cresci a escutar no Clube da Esquina, né? Esse lance da minerada ali, o que eles fizeram e ainda tem vários deles vivos pra...
para... foi o primeiro movimento, grande movimento musical que aconteceu de Minas para o mundo, que isso é uma coisa sensacional. Mas eu acredito que as coisas do Michael Jackson também me chamaram de formação quando eu era pequeno. Isso é muito...
porque não era só ele que fazia, tinha uma galera por trás dele, tudo que acontecia ali era... Que galera, hein? É, então eu acho que esses discos aí, as coisas ali que os mineiros estavam fazendo, junto com esses americanos ali...
também estavam fazendo Jackson 5 dessa época aí que eu atribuo essa época porque essa época foi muito rica para mim né eu era molequinho já comprando disco né comprava pelo telefone nessa época ou ainda não ia na loja mesmo no rbh tal
Não, o telefone demorou demais, né? É verdade, chegou depois ainda. Telefone demorou demais. Na verdade, meu pai que me incentivou, né? Porque eu queria comprar os discos e ele falou, não, você vai pintar parede comigo, isso com sete anos, né?
E aí o dinheiro que você ganhar, você vai lá e compra. Eu fui um cara que dei muita sorte, porque a minha tia, a Aparecida, ela trabalhava na sessão de discos do Jumbo Eletro, que chegava tudo lá também. Aí eu tinha o desconto dela, então eu conseguia comprar mais discos. Então quando você vê aquela prateleira minha...
a vertical, a parte de cima ali, são todos os discos que eu comprei até os 16 anos, mais ou menos. Se você não segue o Anderson Noise no Instagram, vale conferir o respeito que ele trouxe na forma de organizar o seu repertório, os seus discos. É lindo, é maravilhoso, nunca vi nada parecido. Esse nome, Barulho da Lua, Anderson, é um negócio meio místico, assim, cara. Como é que foi o Noise?
A concepção do noise e como foi o barulho da lua, a concepção do nome do livro? A concepção do nome do livro foi muito rápido, do jeito que apareceu o nome, porque na verdade eu estava com uma ideia e quem quebrou essa ideia do nome foi a Cláudia Sef. Ela chegou em casa e falou, não.
Tem que ser alguma coisa com a lua e com o barulho. Aí ela já deu o nome de cara, é barulho da lua. E deu super certo, né? Sobre o noise, o nome de onde vem o noise, na verdade, o noise eu me dei o nome de noise. Mas, na verdade, porque quando eu comecei a tocar profissionalmente,
Eu falei, cara, pra mim fazer as coisas andarem eu vou ter que alugar equipamento também, que eu montei minhas caixas e tal, tinha uns toca-discos e tal, que eu comprei trabalhando também, e aí eu falei, eu preciso fazer um cartão, na época todo mundo tinha um cartão.
E aí todos os sons eram equipe tal, equipe 1, era som total, né, cara, eu vou contra isso, vou fazer barulho, aí botei noise lá.
Aí, em 92, o nome Nós, eu fui ganhar só em 92. Sabe dessa história? Conte. Eu fui tocar na inauguração de uma loja que chamava DJs, lá em Belo Horizonte. Aí a dona, a Sandra...
que é amiga minha, ela virou e falou assim, o cara tava fazendo flyer, o convite, ele falou que vai ter DJ, a loja é de DJ, ela falou, vai ter o DJ que vai abrir, é o Anderson, do Som Noise. Ah, coloca aí, Anderson Noise. Aí ela deu o nome. Que dia, hein? Esse dia rodou o mundo.
Mas eu ganhei dela o nome. Como eu ganhei o nome também. Às vezes todos vão falar, o nome foi você que... Você tem as ideias, não? Às vezes as ideias estão do meu lado. Você vai me dar uma ideia boa aqui, eu vou praticar ela. Vou botar ela em prática. Quantas coisas já aconteceram assim, que amigos meus me deram de presente. E que eu também pude dar pra eles. Sim, sim, é verdade.
É verdade. Ô Anderson, uma dúvida pessoal. Você sempre foi um cara, como eu disse, à frente do tempo, mas pelo lado bom das coisas. E isso significa também estar com a tecnologia ali perto. Só de entrar no teu site, eu já vi a sua conexão com a tecnologia absolutamente. Você tem plataformas em plataformas ali, você está muito conectado com tudo.
Na concepção do livro, foi mais terapêutico ou também deu uma chorada? Foi um pouco doloroso também em alguns momentos? Porque assim, por que eu disse isso? Porque aparentemente tem uma certa frieza, mas na verdade você é um cara profundo pra caramba, cara. Então assim, a concepção do livro, foi mais terapêutico ou também trouxe algumas dores? Pelo momento atual que a gente vive. Você sabe por que que eu...
tive a ideia de ter um livro, de fazer um livro, poucas pessoas sabem também. Pelo tanto de registro que eu tenho, e grande parte dos registros em fotografia, que foi o Nino Andrés que fez, eu tenho caixas e caixas na minha casa de fotos das festas antigas que eu fazia, junto com o Marcelo Marent. E aí as pessoas chegavam, viam aquelas fotos, falavam, cara, você tem que fazer um livro disso aqui.
Tanto eu escutar as pessoas falarem, você tem que fazer um livro, você tem que fazer um livro. Eu falei, cara, eu vou fazer um livro. Aí na hora que eu tava começando a separar, eu falei, poxa, mas eu só vou botar as fotos. Alguém tem que escrever. Se alguém liguei pra Cláudia, eu falei, eu topo. Aí as coisas começaram a andar. Um beijo, Cláudio Acer. Obrigado pela contribuição de tantos anos escrevendo coisas incríveis.
A rádio noise foi também disruptiva, cara, mais uma vez à frente do tempo. Você acha que a rádio noise, de uma certa forma, incentivou, democratizou ainda mais os DJs a contribuírem com esse movimento? Não só radiofônico ou de manter uma constância em sets? Enfim. Então, o louco da rádio noise também, ela nasceu de uma E aí
eu captei, né? A intuição, ela vem de você captar, né? Então, você tem uma antena boa, você vai captar essa energia e vai mandar ela pra você fazer isso acontecer. Então, várias pessoas chegavam pra mim ali, né? No final dos anos 90. Nós gravamos sete, cara. Eu gravava o sete em fita cassete. Inclusive, tem alguns em fita cassete bem legais.
Aí a internet chegou ali no final dos anos 90, e eu comecei a observar aquele movimento, eu falei, cara, esses sets tem que estar aqui, que as pessoas vão começar a ouvir, vai ser aqui, tá todo mundo pedindo pra ouvir. E aí pintou a coisa de trabalhar com o UOL, e aí eu acho que a rádio noise ficou muito grande mesmo, já logo de entrada, porque... E aí...
A Rádio Noise foi a primeira rádio de DJ em uma plataforma digital. Só por isso, comenta aí, Anderson Noise aqui, cara. Primeira rádio de DJ em uma plataforma digital. Desculpa te contar. Foi a segunda rádio digital do Brasil. A primeira rádio digital do Brasil é a do Zé Simão.
Aí, tava dentro do UOL. A rádio era... O meu site era hospedado dentro do UOL. Baita por causa. Era personalidades do UOL. Aí o UOL colocava na home do UOL. A home do UOL é uma coisa gigante. Milhões. Cara, tinha dia que, tipo assim, tinha sete que dava... Num dia dava 17 mil cliques, ouvintes.
dava 20 mil num dia, eu falava, cara... Absurdo. Absurdo. Então eu atribuo também essa coisa que a rádio ficou muito grande também e começou a chamar a atenção das pessoas, que já logo no início eu já tava conectado com uma empresa grande e sem querer, não foi uma coisa...
Quem te apresentou, Walt? Desculpa a pergunta. Foi a época que o Renato trabalhava lá? Eu ia falar disso também. O Renato Coy me colocou lá. Ele era designer. Então, ali... E ali tinha o Felipe... O Felipe que me ajudava. O Felipe Vargas. Já ouvi falar do Felipe Vargas. Muito bacana o Felipe. Ele me ajudava. E o Renato trabalhou muito tempo lá dentro.
como design, ele é um puta design. Inclusive as primeiras capas do Noise Music era o Renato que fazia. Ele fez o Copacabana? Não, o Copacabana foi a Fabiola. A gente teve... o Noise Music ele teve... Os três primeiros foram o Renato...
Aí depois entrou a Fabiola, que é aquelas capas do Abelhas, do Copacabana, do Tornado com o Jamie Anderson. Aí entrou a Dinah depois, que era aquela com os desenhos dos rostos, né? E aí depois da Dinah entrou o Cacofonia, que está até hoje no Noize Music.
Mais uma vez à frente do tempo, né? Se não me engano, o Noise Music já era distribuído por selos ingleses, preissagem internacional, era um disco super... muito bem cuidado na questão de packing, de embalagem, de design. Enquanto seus amigos falavam, gravam sete, você lançou a Rádio Noise. Não, mas a Rádio Noise veio primeiro... Não, o Noise Music veio primeiro que a Rádio Noise. Por quê? E em que momento você falou assim, eu acho que eu vou ter uma gravadora pra mim.
Nossa, muito tempo eu queria ter, muito tempo. Eu acho que a conexão que eu e o Renato tinha, o Renato Cohen, naquela época, ele apostou também, ele ajudou muito pra coisas acontecerem. Então, o Noise Music deve muito a ele também, ele fez muita coisa pra acontecer, não só a música.
Eu lembro que foi ele que achou o cara que fazia o corte, porque os três primeiros que a gente fez, são discos que tem uma puta qualidade, foram prensados aqui no Brasil. O 001, 002, 003. Isso. Inclusive o 003 eu quero comprar um e não acho. Discogs não tem? Tem, mas está 70 dólares, 50 dólares lá fora. Eu vou comprar ele, vou vender meu carro e vendo para você.
Anderson Noise, você acha que... Como é que você classifica a música eletrônica brasileira, cara? Porque eu me lembro que nessa época aí, a gente tocava muito a música dos gringos, mas teve um movimento ali de ouro para a música brasileira eletrônica através daqueles hits que a gente sabe quais são, né? Do Mark, do Guilherme, do Renato, do Pato, de mais alguns. E seus também.
Mas o que é a música eletrônica brasileira hoje? Olhando pra trás e vendo o que temos hoje. Como é que a gente vai... Como é que você classifica isso, cara? O que seria a música eletrônica brasileira? Esse tema é profundo, né, Aderson? Ele é bem profundo. Eu acho que a gente pode começar falando de uma coisa que eu acho que... Se todo mundo tá bebendo dessa água hoje... Todo mundo tá viajando o mundo e tocando e subindo em grandes palcos.
a gente deve primeiramente ao drama and bass brasileiro e depois ao techno. Então esses dois estilos que hoje rolam um preconceito gigante em cima dele, são poucos os lugares que a gente vê que dão abertura para esses dois estilos, são os responsáveis pelo Brasil estar no mapa da música eletrônica. Eu acho que começa por aí, a gente tem que reverenciar esses...
esses estilos, como os artistas também que fizeram a gente, o Brasil, falar que o Brasil existia, porque eu acho que você também presenciou uma época que estava no mato ali, e aí o que acontece? Brasileiro, quando não falava de brasileiro fora, só a gente que falava dos gringos.
Então assim, a gente deve muito ao que o Mark fez, ao que o Patife fez, pra depois vier o Renato, o Mau Mau, e aí a gente já sabe a história toda, mas começou ali, né? Começou ali. Começou ali.
Foi a primeira vez que o Brasil ganhou os holofotes de uma forma tão consistente, né Anderson? Com certeza. Tão consistente, cara. Muito momento de ouro, cara. Você acha que a gente viveu o momento de ouro naquela época, Anderson, olhando assim pra trás? Porque hoje tá tudo mais rápido, mas não tá durando muito. Você acha que ali foi o momento de ouro ou tem muito ainda pra acontecer, cara? Eu acho que aquela época ali de...
de 98 a 2002, 2003, eu acho que ali era a seleção de 1970. E passou rápido, né, cara? Passou muito rápido, né? Ali a gente viveu o grande momento que foi a hora que todo mundo falou olha a bossa nova aparecendo aí, né?
Foi uma coisa meio assim, tipo, a gente viu a bandeira do Brasil estampada em várias revistas e flyers do mundo inteiro. As pessoas estampavam a bandeira do Brasil, eles chegaram. Isso é muito legal. E eu sou extremamente orgulhoso de participar desse movimento. Total, cara.
Total, nossa, me lembro. Eu me lembro de cada dia, Anderson, mas passou tão rápido, cara. Passou muito rápido, cara. Muito rápido, muito rápido. Você se lembra do... das suas primeiras viagens?
alguma história assim que deve ser lembrada. Acho que você viajou mais de 50 países, cara. Você chegou a conhecer um pouco dessas culturas ou aquela vida de logística intercontinental não te deu tanta chance de permanecer nas cidades e conhecer um pouco mais? Tem muita coisa pra falar aí, né? Posso falar da primeira? Eu acho que é muito legal falar. A primeira viagem que eu fiz...
internacional para tocar, né? Foi a primeira viagem que eu fiz também, depois foi centenas, né? É... foi eu e o Mau Mau.
O Paulinho que organizou tudo, a gente era DJ do Bass e aí tava um alemão lá e ele viu a gente tocando. Era tanto eu como o Mau Mau, eu era residente mensal, Mau Mau era residente direto ali. Aí ele convidou eu e o Mau Mau, a gente viajou junto.
Cara, parecia que a gente estava chegando em outro planeta. Que planeta era esse? É. Qual era o país? Era na Alemanha. Alemanha. É. Então ali foi a primeira. Quem mais você me perguntou? Se viajando mais de 50 países... Não, não deu 50 não. Ah, duvido que não. Não, não deu 50. Você esqueceu uns aí, Anderson? Não.
Bom, é 33 que eu saiba. 33. Mas eu tenho, tipo assim, Inglaterra tem mais de 50 estampas, por exemplo. Tem país que eu fui muitas vezes. Você tinha tempo de conhecer um pouco dessa cultura local? E como é que você aproveitava o seu curto espaço de tempo nesses países? Por que passou tão rápido? A pergunta mais ou menos é para entender se você conseguiu...
entender dessas culturas locais também. Ah, eu entendi os países que eu tinha amigo, né? Então eu ficava mais tempo por causa dos amigos. Eu não conhecia ninguém, eu bati e ia embora. Então, assim, países que me conectaram muito, né? A Inglaterra mesmo é um. Eu acho que é o país que eu mais fiquei. Agora, o que eu queria ficar mesmo e passar muito tempo...
É o Japão, né? E toda vez que eu ia, eu ficava muito tempo, então eu ficava 15 dias, isso era muito. Por que o Japão, Anderson? Eu sempre tive uma...
uma loucura, né? É engraçado. As coisas que a gente se conecta e gosta, pelo menos comigo, elas acabam aparecendo mais na minha vida. Então, a Inglaterra, pra minha geração, era um país, assim, ainda continua sendo um país que era aquele país que colocava essas coisas na frente. E o Japão, por essa coisa da...
toda a modernidade do Japão, mas a questão do Japão pra mim ser o país mais diferente do mundo, do Japão ter as pessoas mais educadas do mundo. Eu falo, cara, esse país e...
Feliz que conquistei vários amigos lá também. O Satoshi Tomi é de lá, né? Sim, ele é de lá. Leifak também, né? Não, Leifak é alemão, né? Desculpa, tem mais um. Kenich. Kenich. Aliás, esse cara foi o primeiro álbum que eu comprei, Anderson. Que era pra... Como é que fala quando o cara não...
Tem as bolinhas pro cego, pro Embraer, ele fez o álbum dele, tem o álbum dele vermelho, com as bolinhas Embraer, cara. Até cego consegue ler o nome dele no álbum. Então, ele é o primeiro, o álbum dele, eu postei um disco dele.
nesses vídeos que eu faço que ele ganhou um VMB Europa em 96 com o videoclipe dele. Assiste esse videoclipe. Vou assistir. É sensacional. O Kenichi é um dos presentes que eu ganhei. Então a gente já fizemos... Você conheceu lá?
Eu conheci ele lá, ele já me conhecia também, ficamos muito amigos, somos amigos até hoje. Fizemos, ele tem release no Noise Music, inclusive, primeira vez que ele lançou no Noise Music. Tem faixa Mi dele, que é Nishi Anderson Noise. Ele é o primeiro do Japão a aparecer no mundo.
Foi antes do Satoshi Tumi? Foi antes. É mesmo. Que alma, que alma. É, foi antes. Então, o Kenish, a gente fez, e ele é um cara que é alucinado com Vale Tudo. Inclusive o nome da música é Vale Tudo e do outro lado é Tudo Vale. Aí, teve uma vez dessas que eu tava no Japão, ele, tipo, eu não sou muito fã de Vale Tudo, né?
respeito, legal e tal, mas eu nunca imaginei que ia acontecer isso. Ele me convidou, estava o Fabrício também em Porongaba comigo, amigo meu trabalhou muito tempo no Nois Music comigo, e aí a gente foi numa... essas lutas gigantes no estádio, porque lá no Japão é muito grande, e ele comprou as cadeiras para a gente lá na frente, uma fortuna a cadeira, eu falei, cara, não precisava disso e tal.
A gente ficou lá vendo e cheio de brasileiro lutando, ele vibra.
E a gente fez uma música também, o último trabalho nosso, inclusive estou vendo aqui Ayrton Senna, nesse último álbum do Ayrton Senna, é eu, ele e o Renato Retier. Naquele projeto recente? Isso, a gente está lá. Onde as pessoas ouvem? Está no Spotify, nas plataformas todas. Sim, está. Muito bom, muito bom. Anderson, a gente tem nossos discos, somos privilegiados, não vendemos, mantivemos nossa coleção.
Mas parece que tá um movimento de anos pra cá, de crescimento da cultura do disco e tal. Você acha que a gente tá sendo muito vanguardista? Ou por que o vinil é tão especial pra quem quer ser DJ, cara? Ou pra quem é DJ? Como é que a gente explica isso pra uma geração que não viveu isso, cara? Eu acho que é o momento, não é só o vinil. Eu acho que é a mídia física. Eu tô vendo uma coisa em cima da mídia física, né?
que aquela coisa... Porque aquela época do... Como chamava aquele negócio da pandemia? Que era o digital, que o Neymar tava comprando por uma grana? Como é que chama aquele... Que é o token, né? Como que chamou isso? NFT? NFT, a gente nem lembra o nome mais, nem lembra disso mais. Essa foi assustadora, hein?
Foi muita grande... Isso foi outro dia. Isso foi outro dia. Mas o lance do vinil, ele tá... Ele vem... Eu não coloco o que é o vinil. Coloco tudo que é físico. Quadro.
tudo que é físico, tá tendo um valor muito grande, porque existe uma coisa no mundo, com as pessoas também, né, depois que vem aquela coisa, ai, vem aquele filme ou seriado, sei lá, minimalista, todo limpo, sem nada, aí vem uma galera, pô, que minimalista, o que é, a gente tem as coisas aqui físicas, né, então você vê, tipo, uma coisa engraçada que eu acho também, né.
Hoje em dia a gente vai pagar alguém. Ah, toma o dinheiro aqui. Cara, eu não quero dinheiro. Cara, pega o dinheiro. Cara, guarda o dinheiro. Isso aqui, dinheiro hoje, uma nota, tá valendo mais do que ela mesmo. Você pode vender a nota.
As pessoas não querem. Moeda. Neguinho desprezando moeda. Moeda agora tá valendo uma grana as moedas, que o neguinho tava jogando fora. Não, não quero isso não. Passando pra frente. Então, foi a mesma coisa com o vinil. O neguinho jogando o vinil fora. Que papo legal. Que papo legal, Anderson. Neguinho jogando o vinil fora. E agora todo mundo desesperado. Eu mesmo falo, ó, tá jogando fora? Joga, por favor, joga lá em casa.
Joga na minha lixeira, vou passar o endereço aqui. Joga na minha lixeira. Cara, é insolente. Sabe, então é a mídia física, tá? É a mídia física e se hoje a gente vê vinyes tão caros, né? A gente vê, por exemplo, tá rolando uma coisa que é assim.
Estão fazendo 200 vini só porque é o que o cara consegue fazer. Mas sem querer o cara tá fazendo o disco dele e valeu uma grana porque ele paga ali os discos com 100, 150 que ele vender. Se ele guardar 10...
O dinheiro que ele vai ganhar daqui 10 anos é um dinheiro que ele não espera, sabe? Porque o que a gente vê é tipo assim, os discos estão arrancando como 15, 20 euros, tá? Esses discos estão esgotando e aí eles estão entrando numa faixa ali de 40 a 60 euros.
Já na segunda virada ali, né? Não. Comprou, acabou? Acabou, já vira, porque aí tem uns que compraram a mais e tá vendendo. Tem cara que já tá nessa onda já há muito tempo. Décadas. E tá comprando os discos a mais, sabe que aquela música é boa e sabe que ele vai ganhar dinheiro. Então eu vou pagar meu disco daqui um, dois anos. Então eu falo com muita gente. Cara, você quer investir? Investir em cultura? Compra disco, cara. É verdade.
Mas você comprar disco, existem várias coisas. Eu falo que um grande lance de você comprar disco, que é a maior dica que eu dou, se chama armazenamento. Se você não souber armazenar seus discos e colocar ele encostado numa parede, ele pode morfar e você perder ele. Você não vai perder o disco, você vai perder a capa dele.
contar uma história em backstage aqui, o Anderson chegou meia hora antes do nosso papo aqui e viu que a gente está montando aqui a nossa... Enfim, temos uns discos nossos ali no canto. A primeiro comentário do Anderson Nois no Refresso Sonoro. Esse disco está tomando sol.
É uma coisa tão... Detalhe. Não, mas é uma coisa assim... Você vê, um especialista, né? É óbvio que não pode tomar sol. Pena um disco diminuindo. Anderson, o que você diria pro Anderson de 88 nos dias de hoje com um mercado saturado entre artistas e celebridades querendo se tornar DJ que pudesse contribuir de alguma forma pra quem quer realmente com propósito desenvolver uma carreira? Qual o maior... Ah...
O maior ensinamento que você viu nesse tempo de 88 pra cá? O maior. O maior ensinamento... Não, mas você sempre fez uma pergunta justamente em cima, que é uma coisa meio polêmica que você tá me perguntando aí, né? Tá na cabeça das pessoas a polêmica. Pra mim é um papo de amigo assim, irmão. Série DJ desde 88.
E hoje a gente está vendo um bagulho muito saturado. Posso fazer uma correção? Faz o que você quiser. Tá bom. Na verdade é o seguinte. Em 88 foi a primeira vez que eu toquei. Foi no dia 2 do 2, dia de Emanjá, de 1998. Foi a primeira vez que eu toquei fora da minha casa.
Então eu comemoro esses 38 anos de carreira dessa forma. Mas que eu compro disco, eu compro desde os 7 anos. Então já tem 49 anos. Que eu toco dentro de casa, que eu comecei a virar DJ, eu tinha 16 anos. Então já era pra me ter comemorado 40, eu não comemorei ainda. Vai ter a hora certa de comemorar.
Você quer mesmo que eu te responda isso? Com maior franqueza, professor. Tá, eu vou te falar uma coisa. De coração. Eu acho que, tipo assim, o Anderson lá de 88, 98, de 20, 30, 40 anos atrás, ele tomou muita porrada de falar muita coisa que não...
que foi bom para muita gente se beneficiar, e para ele não foi coisas que ele falava. Então, sei lá, de repente essa pergunta sua pode ser boa para o Gemini responder.
Você é um Gemini pra mim, porque tudo que você dizia, eu lia tudo. Aonde aparecia teu nome, eu clicava, Anderson. E isso formou o pouco da educação e do conhecimento que eu tenho da música eletrônica. Tá, mas eu vou te falar a verdade. Você tá querendo que eu falo isso? Mas eu acho o seguinte...
eu acho, é um assunto até pouco delicado, perto de tanto de merda que está acontecendo hoje, é até pouco delicado, e isso eu falaria sem medo algum. Mas o que eu tenho para falar sobre isso é o seguinte, que a gente está vivendo um momento...
tão legal e tá florando de um ano pra cá eu tô sentindo, de um ano e pouco pra cá eu tô sentindo uma coisa tão boa que tipo assim, as pessoas, principalmente ali uma geração de 28 a 38, essa geração, que não teve tanto, foi a geração depois da nossa, assim, essa geração tá valorizando tanto o trabalho que a gente fez.
Então eles estão buscando tanta informação, tá querendo estar do lado da gente pra ver o que a gente faz, que tipo assim, qualquer aventureiro que entra pra ser DJ ou o que for, falar o que for, não faz diferença mais. Porque na verdade quem interessa pra gente na música, quem tá interessado...
em ver coisa boa, essa pessoa vai lá ver a gente tocando. E essa pessoa é que interessa pra gente. Lindo. É isso. Boa. Tá bom. Tem uma relação de skate com o techno que te traz inspiração? Você gosta de skate, não? Quando eu era pequeno eu tinha um skate, mas eu caí no chão o tempo inteiro. Mas de tanto cair, te inspirou alguma coisa?
Não, por que você tá falando de skate? Ué, eu sei que você gosta. Mas eu não ando de skate. Não sei. Então, é muito doido, porque tem um amigo meu, o Bruno Lima, morava, ele é brasileiro, morava em Boston, agora ele tá morando em Nova York. E teve umas vezes que eu tava lá com ele lá, que ele andava de skate, e teve uma vez que eu fui montar no skate, eu caí, ele fez um vídeo, eu acho que você pode ter visto esse vídeo.
Então, acho que... Foi isso. Hã? Acho que foi isso. Foi isso que marcou, entendeu? Mas o que é muito doido, que a partir desse dia que eu caí de skate, olha como é que o algoritmo é louco, né? Aí sempre aparece coisa de skate pra mim. Eu sempre mando pro Bruno, né? Que, na verdade, assim, dos meus amigos, o que tem mais conexão com skate é ele.
E é engraçado você me perguntar de skate, toda hora me parece coisa de skate pra mim. E eu falo, caralho, tem alguma coisa no skate aí que eu tenho que ver aqui na minha antena. Olha só que doido. Nem tanto que a gente, acho que foi, deve ser por causa disso, eu falei isso pra você, tem uma arte do Bob Burnquist aqui, que é um skatista.
Eu não me toquei, não me toquei. Ô Anderson, qual que é o feedback que você recebe após ter um livro publicado, cara? Como é que é essa experiência? Porque você já publicou talvez uma centena de discos fonográficos, registros fonográficos. Agora, bibliográficos, como é que é o feedback?
Então, eu posso falar um feedback mais legal que eu já tive? O que você quiser. Tá. Teve um amigo que falou assim, tem pouco tempo isso. Pra mim foi o que mais chamou atenção. Ele tava com o livro na mão, eu tava na casa dele. Aí ele olhou pro livro assim e falou assim, sabe esse livro?
Esse livro vai ficar igual o tênis, o disco do tênis do Lobojo. Eu falei, sério, se for acontecer isso, é foda. Porque aquele disco do tênis do Lobojo, ele andava com o disco, dando disco pra todo mundo. E quando ele morreu agora, tava todo mundo, tipo assim, cara, quem ganhou um disco do tênis aí tem largado. Apareceu um desse. Hoje é fácil de comprar esse livro, né? Se tem nas livrarias e coisa e tal.
Mas tudo que é fácil hoje, amanhã fica difícil, né? Então, assim, eu achei o mais diferente, mas é muito legal que... Eu vejo nas pessoas que são mais interessadas por história, por ter uma coisa... Falando assim, ó... Aqui eu posso, igual você mesmo falou, ainda há pouco, eu posso pegar esse livro e mostrar pro meu filho e minha filha pra...
Falar, ó, leia aqui que você vai entender muita coisa da música eletrônica, porque o livro não fala só de mim. Mas eu gosto desses feedbacks que vêm também de pessoas como você falou ainda há pouco, que é legal, eu posso entregar para o meu filho e ele ler para ele entender com o que eu trabalho. Entendeu? E a gente tem poucos registros no Brasil, né? Então isso é uma coisa...
que eu torço pra ter mais. Outro dia até falei com o Camilo, falei, cara, a gente tem que juntar os livros que a gente tem e fazer um encontro desses livros com a gente tocando, a gente debatendo sobre o processo que é pra fazer um livro, pra incentivar mais pessoas a fazer livro e incentivar mais pessoas a leitura no Brasil também. Eu vi um negócio muito interessante ontem.
na hora que eu tava correndo, é um cara que tem uma lan house, você já chegou a ver isso? Ele tem uma lan house, então ele viu que os meninos iam lá e ficavam querendo julgar, mas não julgava, porque não tinha dinheiro. Mas eu olhava. Ficava olhando. Aí ele criou uma modalidade lá que cada criança que lia o livro por 20 minutos, liava 10 minutos de uau.
Sabe o impacto que tem isso? Puta, animal. Animal. O cara tá... Pelo menos chegou pra mim, eu acho foda a ideia do cara. Só que... O cara foi muito além disso. Ele chegou e fez o seguinte. Olha que puta ideia do cara. A criança vai ler, mas a criança tem que falar o que ela entendeu pra ele. Se ela convencer, é que ela ganha os 10 minutos pra julgar. Ou seja, tem que entender, tem que ler.
Tem que estudar. Então o impacto da ideia desse cara é um dos mais legais que eu vi, pelo menos nos últimos dias. E o resultado na prática é instantâneo. É instantâneo. O cara já enche o cérebro de inteligência, bate uma ideia com o cara e tem o benefício. Tem o benefício, né? Ou seja, olha aí a lição para você se aventurar com cautela nesse mercado de disc jockeys.
Anderson, você tem uma... Eu não sei o tamanho da sua coleção, mas deve ter ali... Sei lá. Uns 10 mil discos? Não, é mais de 6, 7, sei lá. Vai chegar em 10 mil ou algo mais.
Essa cena de BH que você constrói com seus sets longos, etc., é magnífico. Mas você também tem uma presença com o clube de São Paulo, que na verdade nem nasceu em São Paulo, que é o The Edge, por exemplo. Sim. E é algo magnífico, porque 25 anos de história, né?
Então, eu vi o D.Ed nascer das mãos do Renato ali no projeto, né? Eu já tocava pro Renato antes, né? Desde 96 eu toco ali com o Renato. Tem esse privilégio aí, essa bênção aí, tá tocando com ele lá, nas festas que ele fazia. E o D.Ed, eu comecei a tocar... Eu não toquei na inauguração lá. Eu toquei no primeiro mês e já virei residente mensal lá, em Campo Grande.
Ah, já começou em Campo Grande. Eu comecei em Campo Grande, então eu tô presente no clube agora já fazem 26 anos, né? Você deu um espetáculo ou não? Sei lá, quando o mundo tá aqui? Renato! Ou faz um negócio assim e tal, não? Não, não, não. Isso é tudo mérito do Renato. Pô, mas você tava desde o início, né? Sim, mas a gente conversa, sei lá, se tem alguma coisa que ele pegou a antena dele, igual a gente falou assim, falou, isso aqui é legal que ele falou, tá tudo uma merda, não sei, mas...
que eu tô ali no clube desde o início, eu tô e sou um cara extremamente grato por isso. O Anderson, a gente pode dizer que atualmente é a marca mais histórica, ativa.
Ativa, histórica, acho que é o clube que mais abre, tem noites abertas durante o ano. O Renato deixa vivo aí essa coisa de ter noite de drum and bass, de tecno, muitas de house, Psytrance tem noite, é genial isso.
Pra quem via São Paulo algum dia, ele te encontra nas noites de... Tem alguma especificidade das suas noites? Não. Às vezes é a Airy After. Ou eu tô na nave ou no Super After. Só que são sábado pra domingo, né?
Às vezes eu toco na Freak Chic com vinil. Ano passado mesmo eu toquei duas ou três vezes na Freak Chic. E aí, obviamente, vai mais pro house. Sim, que eu adoro tocar também. Então tem uma galera em São Paulo, a cada o quê? Um mês? Dois meses? É só dar uma olhadinha na programação, certo?
Ah, 45 dias, mais ou menos. 45, dois meses. Antes era um mês, aí pulou pra 45. O que você usa lá? Você usa CDJs ou só na Freak Chic que você faz o vinil? O vinil certo? Só na Freak Chic, é. Por que na Tecno não?
É, tem que fazer uma edição. Vou combinar com o Adina, boa ideia. Comenta aí, edição técnico no Vinyl, Anderson Lais. Sim, certeza. Tem que ser uma coisa muito bem combinada em função de ter a estrutura certa e tal.
Você ainda tem essa paixão de levar esses discão aí pelo Brasil todo? Como é que é essa parada? Porque eu lembro que você usou também uma época o Tractor, se eu não me engano. Usei, teve uma época a Natives e eu fiquei muito tempo sem comprar disco também por causa disso, eu fiquei muito tempo nessa onda digital, né? Você foi um dos primeiros, inclusive, que eu vi usar isso daí. É, mas hoje eu acho que você não usaria, né, ou ainda usa?
Eu não tenho problemas de não usar. Se precisar de usar, eu usaria. Mas eu dou preferência para tocar com vinil.
Ainda mais que as pessoas estão falando, nossa, está muito legal os seus sets, esses últimos estão, o feedback está muito grande, porque acaba que eu misturo, nessas noites que eu faço no front, quando é a noite inteira, eu começo com house, vou lá para o tecno, mas aí eu já saio, começa a ficar o final da noite, eu já toco até disco music, volto no house, toco...
Toco o que der na cabeça. Vou na intuição. O Lelê não era DJ, né? Uai, todo mundo não era DJ. Todo mundo virou DJ, né? Você ensinou o Lelê a tocar? Não. Não? Não. Mas Lelê... Você aprendeu quando eu vi. Faz, não sei, uns 5 anos.
Ele toca bem. Mas eu acho... Sua pergunta era além disso aí. Não. Ah, pra mim viajar. É, porque eu acho que os discos que você tem, Anderson, eu vejo aqui meus discos, as músicas, a gente comprou bem os discos, cara, as músicas são atemporais. Por exemplo, entre você hoje levar o Tractor pra tocar aquela música nova que você quer e só levar teus discos impressos, registrados, imprensados, o público nem vai perceber. Você tem um arsenal atemporal.
Então, eu acho que o que manda nisso tudo é estrutura.
Sim, tem que ter uma estrutura para colocar os toca-discos. A pessoa tem que saber montar isso. E tem uma outra coisa além disso que eu acho muito importante. A pessoa precisa conectar o público para esse público que eu estou indo tocar ou quem vai tocar vinil, estar aberto para ver isso. Porque senão o trabalho... Às vezes eu converso com uma pessoa...
que está querendo contratar, agência, a gente conversa isso e fala, cara, não é fácil carregar os vinis. Você já viu a distância que é... Eu confesso que nos últimos dias eu melhorei bastante as minhas costas por causa que a Carla, minha mulher, ela...
me obrigou a fazer alongamento e eu tô me sentindo muito melhor, mas tava duro. Que bem. Então, agora imagina só, você vai... quando eu vou tocar num lugar, eu vou com uma case gigante desse tamanho, que eu despacho, que vou assim com o coração na mão na hora que você despacha, e aí você para pra pensar assim, cara, eu tenho que levar o que eu vou tocar mesmo lá em cima.
Aí eu levo um tanto assim lá em cima. Esse tanto que eu levo lá em cima é muito pesado. Então, por exemplo, igual eu vou tocar em Goiânia agora, com três horas de sete. Vou levar um tanto lá em cima e mais uma case lá embaixo. Porque eu realmente não sei o que eu vou tocar, mas tem uns que eu quero muito tocar e levo na mão. Já perderam três cases minhas, tá? Principalmente fora do Brasil.
Foi uma vez no Brasil e duas fora. Inclusive um DVD meu tem mostrando essa case perdida, que inclusive não chegou a tempo pra tocar numa noite da privilégio do Mauro Picotto, que tocava eu, ele, o Paco Suna e o Adam Beyer. Aí o Paco Suna me emprestou os discos e o Picotto também um pouco. Então eu toquei com os discos deles nessa noite. Aí...
esses que eu levo em cima do avião, agora imagina só, eu tiro esses, pensa só isso, esses que é pesado pra caramba, tiro da bancada lá de casa, boto no elevador, tiro do elevador, boto no Uber, tiro do Uber, vou até no balcão, vou no balcão, coloco no raio-x, tiro do raio-x, E aí
vou até no portão, entro no portão, coloco no bagageiro, tiro do bagageiro, vou até no outro voo, entro no outro voo, coloco no bagageiro, e isso carregando a bolsa. Tiro do bagageiro, vou até no hotel, tiro do carro do hotel, paro na recepção, vou até no quarto.
Aí do quarto eu tiro, levo para o evento. Aí até ali é a metade. Não sei quantas vezes deu aqui. Acho que deu 18 vezes. Então conta isso ao dobro. Então é de 26 a 32 vezes que eu puxo e levanto. Puxo e levanto com a mochila atrás.
E com o preço que é o vinil, isso vale alguma coisa, né? Vale. Vale sim. Ai, meu Deus. Vale seu comentário, desse decoimento aqui. Meu Deus do céu. Já tocou pra você só ou você toca pra pista? Como é que é esse teu forma de pensar quando você discoteca, Anderson? Eu gosto de tocar pra mim. É? É. Eu gosto de tocar pra mim. É bom mesmo. Tá querendo rir? Não.
Mas é assim, eu gosto, depois corta esse aí, né? Eu gosto de tocar pra mim. Tem uma coisa que eu tô fazendo ultimamente que eu tô adorando. Porque o Mark mesmo me incentiva com muitas coisas. Ele falou outro dia, um tempo atrás, na pandemia, eu falei, cara, você tem que tocar aí com seus discos. E eu não toquei. Não toquei por vários motivos.
Acho que o maior porque eu tava em pânico na época, tomando aqui tanto de remédio, que antes da pandemia eu já tava com ansiedade demais, eu sou um cara, né? E na pandemia me deu um troço muito estranho, que eu achava que eu não sabia tocar mais, que eu não sabia o que tava acontecendo, e eu não, né? E passou-se um tempo e eu voltei a ter esse tesão com os discos de novo.
também era a época, não era pra mim fazer isso, coisa e tal. Aí eu, essa coisa minha, na pandemia eu tive a ideia, mas eu não botei ela em prática. Eu falei, cara, sabe o que eu vou fazer com isso? Vou usar esse tempo que eu tô vindo aqui, mas eu vou usar com as pessoas. Então, eu tô fazendo uma live duas, três vezes por semana, eu ligo na Twitch.
e aí chama Clean My Records, eu vou pegando só disco que tem anos que eu não ouço. E tem hora que, assim, quem tá na live, e eu mesmo falo, caramba, olha isso, que legal. Então foi uma forma que eu encontrei pra poder me conectar mais ainda com as pessoas e poder também ouvir esse arsenal de coisas legais que tem ali nas prateleiras.
Vai ao ar, que dia? Não tem dia certo. Que eu falo com as pessoas, ontem mesmo. Sempre na Twitch? Sempre na Twitch. Ontem mesmo eu encontrei, mas não tem pretensão nenhuma, tá? Não, é sem pretensão. Não é tipo assim, ah, eu tô esperando tipo um milhão de pessoas pra ver. Não, não tem nada disso. A única, só tem a intenção. A intenção é ouvir uma música que tem muito tempo que eu não ouço.
ouvi um disco que tem muito tempo que eu não ouço. E você que tá disposto a descobrir esses discos junto comigo, entra na Twitch, mas como que faz? Ontem mesmo encontrei com um amigo na rua, o Vini, e falou, nossa, eu não tô recebendo mais notificação. Eu falei, a Twitch parou de mandar. Então você vai lá, dessegue e segue de novo e clica em notificar, porque na hora que eu entro...
te chama, porque eu não tô marcando horário, porque tem que ser uma coisa tipo assim, ah, hoje é duas da tarde, amanhã pode ser oito da noite, sabe? Tô inspirado pra fazer isso agora? É, vai. Eu vou lá e também não separo, ontem tava o pessoal, porque eu fico conversando com a galera ali, e aí o neguinho pergunta, que disco é? Eu falo, aí eu falo também, puta, eu lembrei, eu toquei essa música em tal lugar, então é muito doido, assim, é muito legal o negócio. Muito legal, isso.
Isso é super legal, cara. Cleaning my records. Cleaning my records. Muito bom. O Anderson, evoluiu pouco a questão da mixagem, ou é isso mesmo, assim? Não tem grandes avanços, né? Não mudou muito, né? Um bom mix é um bom mix, e sempre vai ser um bom mix, da forma... na essência dele mesmo, né? Não tem nenhuma...
Ela mudou nesse sentido, né? Eu acho que o que mudou foi a questão dessa entrada do sync, né? Do CDJ com o sync ali. Então se perdeu muita coisa do DJ, né? Então acaba que os holofotes foram pro CDJ, mas já tá perdendo os holofotes pro vinil.
Você vê que cada dia tem mais gente interessada e eu vejo que as noites que eu faço tocando com vinil vai mais gente do que as noites que eu faço tocando digital. Porque as pessoas sabem que vão ouvir coisa diferente.
Isso demonstra também uma... Agora a gente vendo com todo esse parâmetro de... É o ciclo, né? Tudo é o ciclo. Do estilo musical, já teve lá em alta o Troom Bass, aí depois veio o EDM, aí o House de novo e sempre...
e os equipamentos também né. Depois foi Tecno. Sempre foi essa onda de estilo e também agora porque não teve realmente evolução, mas hoje a gente viu essa disparidade. Hoje a gente chegou num momento tecnológico já extremamente avançado. Se tem digital, se quiser ser DJ e tocar com o celular você consegue, só com ou...
você ter o analógico com o vinil. Eu acho que o vinil está dando essa disparidade novamente, se destacando pela exclusividade também. Pode ser isso também, essa... Porque tem muitas músicas que até a gente com a coletânea do Michel, a gente vai vendo que tem muita coisa exclusiva, que é difícil você encontrar hoje, até nas plataformas digitais.
Então pode ser também um ciclo tecnológico que não acontecia antes porque não tinha tantas ferramentas tecnológicas. A gente tem o tractor, tem aquele phaser, né? Que é só, você coloca só o comentinho lá, ele consegue ler com o vinil. Mas tem uma coisa do que você está falando que é interessante a gente falar, né? A gente vai voltar que as pessoas estão querendo mídia física. Sim. E a gente vai voltar numa coisa que é o seguinte.
O gesto de tirar o vinil, buscar um outro, esse movimento, tudo que tem movimento, as pessoas gostam de movimento. Entendi. Então o interesse delas tá sendo muito grande. Você vê que, por exemplo, tem DJs hoje que tão tocando com rolo, toca fita de rolo, o cara poderia gravar o set ali.
botar todos, vários num rolo, né? Mas o cara grava uma música num rolo, tira o rolo, enrola, vai lá, enrola de novo, solta no rolo. Isso!
Esse movimento faz as pessoas criarem essa conexão. Entendi. Que hoje acaba sendo ali no CDJ, é muito frio, né? Que você tá ali, que é muito, é muito interessante, porque você tem a facilidade de muitas conexões ali, de você fazer looping na hora. Você tá vendo ali o... A praticidade, a facilidade é muito grande. Sim. Eu acho sensacional você andar com...
Um pendrivezinho e chega lá e chega um milhão de música, né? Sim, é muito fácil. Mas literalmente... Não é artesão, mas não é artesão. Mas é... Acaba sendo, tipo assim, realmente que o Anderson falou, essa coisa mais mecânica, ela tá voltando, porque é o visual, né? Você tá movimentando, você tá vendo que aquilo tá acontecendo de verdade. E às vezes mesmo você vê outros DJs fazendo, utilizando todos os recursos do CDJ, pegar um exemplo aqui, que nem o James Hype. Você vê... E aí
interessantíssima a apresentação dele. Mas, de um certo modo, se você pegar um outro DJ de Run MC, de Timberless, é muito mais frio. É muito mais frio no CDJ do que você tá ali no físico. Você tá ali fazendo, você pega tudo na mão. Ô Anderson, o tecno é um som que sobrevive, é o gênero que mais sobrevive. House, tecno, é um gênero bem longevo.
Como é que você vê o ciclo atual com essas novas vertentes? Hoje tem Tecno além de ser a base, mas parece que eles estão mixando com várias outras influências. Ouvir falar em Psy Tecno, ouvir falar em Tecno melódico, ouvir falar num Tecno de BPM de Drummond Base, tem Tecno para tudo que é lado. Isso é bom ou ruim para o Tecno? Eu acho que não é muito bom não.
Não sei, eu acho... Podia inventar outro nome, né? Tem coisa que não é tecno. Tem coisa que tá mais pro lado de trens do que tecno. Tem coisa que tá mais pro lado de progressive do que tecno. E sei lá, às vezes me faço pensar porque a pessoa fala cara, nome tecno é muito legal, eu acho esse nome, né? Apesar que eu acho que também, assim...
Às vezes eu até falo isso, que o maior, eu considero o maior estilo da música eletrônica é o house, não tem como competir com o house, porque o house ele tem o instrumento mais poderoso que Deus criou, que é a voz humana.
Uau! Que definição, cara! Que definição! É, o house, ele vem ali de uma coisa pós-disco, uma coisa feliz, o tecno, ele vem ali daquela coisa das indústrias, da galera de Detroit ali, você vê que fazia carro e tal, tem as famílias que faziam carro ali.
essa coisa do gelão ali, apesar que o house também vem um pouco perto desses lugares, mas a procedência do house é uma coisa mais feliz. Às vezes as pessoas ficam, até falo isso muito com as pessoas próximas, eu falo isso muito, que não tem como comparar house com tecno.
A intenção da house music é totalmente diferente da intenção do tecno. Eu acho house music o maior estilo por N detalhes, mas o tecno ele me cativa demais também, apesar que eu toco muito house, quando se precisa tocar house, o tecno ele me cativa pela...
a energia que ele tem. Você comentou que vou ouvir o Mark hoje. É um set de Drummond Basenhouse? Você sabe? Não sei, mas eu gosto de ouvir. Não importa. O Mark, eu escuto ele qualquer set que ele fizer eu vou estar feliz. Anderson, a topografia de BH ali, ela é mais montanhosa do que industrial, aquela atmosfera tal.
aparentemente, posso estar completamente errado, mas é a minha perspectiva. O Tecnular, quem são os caras além de você que dedicou a vida pro Tecno em BH? Teve mais gente?
Meu irmão. Alvinho. Um abraço, Alvinho. Alvinho falava comigo no Orkut. Obrigado, viu, querido? Era teu fã já. Era muito jovem. Alvinho, eu acho que é o cara mais dedicado do técnico ali que eu vejo. Não é porque é meu irmão, não. Mas o Alvinho, ele tá com uma...
uma sequência de lançamentos já há mais de cinco anos, que ele faz nove releases, no mínimo nove por ano, com três, quatro tracks, cada EP. Então é muita track que ele tá fazendo. Então ele é foco 100% no tecno, dedicação merecidamente. Por que o EP voltou a ter muita força de cinco anos pra cá, Anderson? E aí
Eu nunca parei pra pensar nisso, não. Não? Boa sua pergunta. Mas você percebeu que nomes que respeitamos tá vindo de EP e não de single? Você percebeu isso? Não, não tinha olhado assim. Mas tá. Tá. Tô vendo mais EPs. E as gravadoras que estão recebendo uma ou duas músicas sozinhas, se o cara não tiver lastro, não adianta muito, não. Não adianta, não. É verdade o que você falou.
Muito boa essa pergunta. Como é que você recebe demos pro Noise Music? Como é que é? Você tem um ritual de ouvir? Ou é quando você tá com vontade de ouvir? Você deve receber algumas demos, né? Sim, recebo. E aí, como é que o cara chega no Anderson Noise pra ouvir a sua música? Ele chega pelo site. Ele tem que escrever alguma coisa na sua opinião ou só um link e basta? Não precisa escrever nada. O que tem que ser a música, né?
E você tem uma política assim? Ah, não gostou nem responde? Ou gostou... Ah, não. A gente responde. É? A gente responde. Mesmo não a gente responde. A não ser que seja uma coisa que não tem nada a ver. A pessoa manda uma coisa que... Sei lá, um EDM.
Uma coisa... Que não tem o perfil do selo. É, e tem uma coisa que eu até falo isso pras pessoas que vêm perguntar pra mim. Ah, e como que eu mando o demo? Cara, escreve o nome da pessoa, do dono do selo. Olá, Anderson.
eu produzo há tanto tempo e tal, pelo menos dá um oi, olá, tudo bem? Agora, tem gente que você vê que copiou, né? E manda um olá só, sem nome, e às vezes tem uns que vem até o nome, o e-mail de outros selos, aí você fala, cara, mandou pra todo mundo. Então, eu acho que pra você chegar num selo, essa coisa de você ter a coisa que, o foco nele,
te dá um ponto a mais. Apesar que tem muito selo hoje que nem houve, não abre nada, porque já tem a turma dele e pronto, não vai lançar. Não adianta mandar. Os teus maiores feitos como produtor e outros selos que não o seu, Anderson?
além, obviamente, de uma boa música, o networking foi o ponto principal ou você realmente foi a guerra e foi atrás aonde você queria chegar, na gravadora que você queria chegar? Ou foi mais o networking? Eu ouço muito o networking aqui nesse papo do Refri Sonoro, e eu tô chegando à conclusão, uma coisa que eu nem considerava tanto, mas que o networking é, de fato, muito importante na carreira do cara. É muito importante. Então fica a pergunta, um dos maiores selos que você lançou.
Networking foi fundamental ou foi a tua garra de atrás, ter paciência e contactar os caras? Olha, eu nunca parei pra pensar isso não, mas eu acho que se for olhar assim, tipo... A Alcateia, que foi um vinil meu que saiu. Maravilhoso. Pela Jericho. Ufa, essa música é maravilhosa. Pelo selo Jericho. É muito bom esse selo, né?
Pela áudio também. Cara, não sei se... Eu acho que foi por causa da música. O que soltou também pelo Cielo do Carl Cox também, eu acho que também foi por causa da música, porque eu já mandei outras coisas pra ele e ele não gostou. Ele solta o que ele gosta. Não adianta mandar se ele não gosta. A pessoa não vai lançar o que ela não gosta.
Claro, concordo. Com certeza. Mas nessas três, o networking estava presente. Independente da experiência musical. Coincidentemente ou não, não tinha networking ali. Você já era um cara que estava viajando, já conhecia os caras. Não. Ou você foi atrás, fora a Jericho, por exemplo. Mandei para eles, eles aceitaram. Legal. Nunca aperto a mão, né? Não, nunca apertei a mão.
O selo do Thomas Heckman também eu mandei, eu não esperava que ele soltasse, ele soltou, o vinil também, mas eu tinha tocado com ele, eu toquei depois dele na festa do Alex S. SP Groove? SP Groove.
Puta, tem muita coisa que soltou, tem que ver, assim, eu não... Tem muita coisa que eu não lembro, assim. Cara, network é bom, mas o que vai vender mesmo, o que vai fazer acontecer, é se a música tem a ver com selo, aí ela vai conseguir lançar no selo. Essa é... Não é porque você... Não adianta você ser um puto amigo meu e a sua música não tem nada a ver com nós, isso que eu não vou soltar.
Não é network, é a música. Pra mim não é network, desculpa. Você comprava o disco só de ver a gravadora que era, Anderson? Já comprei muito. É? Não mais. Tipo assim, tem alguma gravadora que você compra de olho fechado? Não.
Os da Soma. Nossa, Soma, você sabe que eu tenho... Um dos caras tem mais disco da Soma. Tem um monte de disco da Soma que eu quero comprar agora, mas disco tá muito caro. Eu não consigo comprar tudo que eu vejo. Eu tô comprando... Exatamente o que eu sei que eu vou comprar. Vou tocar. Porque tá muito caro o disco. Ainda mais... Passou naquela fase, né? Vamos, vamos. Enche a sacola aí e tal. Nossa, enchi a sacola demais, né?
Será que essa geração atual, Anderson, a gente tem uma comunidade aqui que se inspira muito nos papos, será que eles um dia vão entender a importância de entender o catálogo de uma gravadora e não só olhar um top 10 genérico?
Então, você tá falando de top 10, né? Tem uma coisa assim, né? Quando me pergunta assim, tipo, Anderson, o que eu devo fazer pro meu set ser bom? E tem a ver com o catálogo também. Eu acho que catálogo de uma gravadora é uma coisa. Você comprar um catálogo de uma gravadora, você tá comprando uma história.
ou você comprar um catálogo de um artista, você está comprando a história. Seja digital, né? Eu acho que o digital ainda, talvez vão inventar um código do digital do ano tal, eu acho que isso pode ser até uma ideia pra galera, um codificado, digital do ano de 2008, aí está lá, codificado, que é de 2008, ah, de 2023, sei lá.
talvez comece a ter um valor diferente para as pessoas, mas não sei, vai ter que arrumar um código desse, coisa para ter valor, porque as coisas, eu acho que a música, ela é aliada também à coisa visual, e o digital, ele perdeu isso.
Então, por exemplo, se você tem, você compra, igual você tem a coleção aqui do Daft Punk, vários, né? Você compra o disco, não é só por causa da música, você compra por causa da capa, do visual, da história, do tanto que você gosta.
Tem toda uma coisa atrelada. O digital não, você tá comprando ele só porque você vai tocar mesmo. Ou porque você vai ter que ouvir uma hora. Não tem essa associação com o visual, que é a coisa que a mídia física tem. Mas a questão do top 10, igual você tinha falado, eu acho que é uma das coisas mais perigosas que eu vejo todo mundo hoje.
Todo mundo não, né? Uma grande parte aí das pessoas, dos DJs, ouvindo só o top 100 do estilo dele. E aí, que é um resultado extraordinário. Porque eu falo, ó, a probabilidade de você se dar mal, ou seja, de quem tá tocando antes de você tá tocando 4, 5 ou 10 músicas que você vai tocar, ela é muito grande.
e a coisa que faz um DJ ser grande, faz um DJ ser diferente, é a pesquisa dele. Então, tanto é que eu falo assim com os novos DJs, eu falo que é uma coisa que eu faço muito, eu dedico mais tempo, muito mais tempo ouvindo e pesquisando do que tocando. É muito mais do que uma viagem que você faz para...
para a Ásia, então você fica dias viajando para tocar duas horas. Então proporcionalmente deveria ser isso numa pesquisa musical, se utilizar quatro dias de pesquisa, de audição, para duas horas de discotecagem ou de prática.
Foi isso que levou o Anderson Noyze pra uma média de 40 países? Foi, né? Sim, foi, né? É isso. Em que momento você descobriu que o Tosset tava sendo algo fora da curva naqueles anos 2000, principalmente, que era quando eu dançava muito as suas pistas?
até pela idade e por não ter uma família tradicional na época e tal, eu tava muito presente ali no teu set. Em que momento que você sentiu que o negócio tava redondo, assim? Porque você vai amadurecendo o set, né? Você vai amadurecendo a entrega e chega num ponto que você é um cara extremamente pronto pra qualquer palco, qualquer club.
Que momento ali? Foi em algum evento específico? Foi o dia a dia? Foram teus empresários? Foi o feedback do público? Como é que você media isso na época? Porra, tá ficando legal isso aqui, meu. Tô entregando e o povo tá gostando. Olha, na época eu não parava pra ver isso não. Eu saía tocando. Nunca parei pra falar, isso tá legal. Eu não olhava, não tinha esse olhar.
Hoje eu tenho esse olhar. Eu acho que nos últimos seis meses eu posso dizer que tá legal. Tá bem legal. Sabe? Porque é diferente de você entrar ali na Twitch e ver eu limpando o disco do que você ver na intuição ali tocando dentro do front ou em outro lugar, no dead. É totalmente diferente. Eu imagino.
Quando caiu sua última lágrima numa pista assim, que você lavou a alma e seus pelos de braços subiram? Você se lembra? Um evento especial? Pode ser de qualquer época da sua vida. A última vez que eu chorei, a vez que eu chorei mais, foi o show do Milton Nascimento lá no Mineirão, que foi o último dele. Nunca chorei tanto na minha vida. O que veio à sua cabeça? Não, foi o que eu senti. O que você sentiu? E se veio alguma coisa na sua cabeça? Teve alguma memória afetiva?
A música ela tá aliada à memória afetiva, né? Ela liga os sensorezinhos ali e começa a dar uns choquinhos que você vai, né? Chorou o show todo ou tipo em alguns momentos? Em muitos momentos. É, Anderson. É. Lavou a alma. Lavei a alma.
A música tem esse poder de fazer ser. Eu falo que ela é uma máquina do tempo, né? É porque, que nem se você vê o Milton Nascimento. Quando você falou do Milton Nascimento, porque minha mãe gosta muito de Milton Nascimento, meu pai, ele é músico de bar, é que você falou, já veio toda aquela minha memória de infância, de estar num bar acompanhando com meu pai, minha mãe, meu pai tocando. E ela é muito disso de você viver isso, né?
A gente imagina que no show dele... Você também tem esse... Eu sempre comento com o Michel. O seu pai tá com quantos anos? Meu pai tá com 56.
Mesma idade que eu. Toca no bar ainda. Beija e lição. Te amo, pai. Anderson, o Brasil tem algo muito especial que você não encontrou em lugar nenhum do mundo? Tem. Os brasileiros. O que o brasileiro tem, cara? O brasileiro tem a melhor energia do planeta.
Mesmo naqueles países que você tocou, que a música eletrônica foi fundada... Eu tô falando assim, se a gente for olhar de pista, de pista eu não vou colocar o Brasil na cabeça não.
De pista, a gente tem Argentina aqui do lado, que tem... os argentinos sabem fazer uma... sabem deixar um DJ mais feliz do que no Brasil. É impressionante a energia deles. Qual é a sua tese pra isso? Esse fenômeno? Eu não tenho tese, porque eu nunca consegui ficar muito tempo na Argentina. Eu já toquei várias vezes em grandes clubes e grandes festivais lá, mas eu nunca fiquei muito tempo lá. Mas é surreal o que eles fazem. Assim, eu acho que pista...
que eu já vi, que eu já presenciei, que eu curti, se for escolher três eu colocaria Irlanda, Japão e Argentina. As três que o público... Mas se você tá perguntando de país, eu acho que o país mais legal do mundo é o Brasil. Também acho, também acho. Não tem igual, mas ficamos no meio a meio.
Tem muita gente linda e boa, como também tem muita gente mal intencionada também, que tá procurando defeito do outro pra detonar, né? Isso eu não acho legal. Antigamente nem tinha isso, né, Anderson? Não. Coisa chata, né? Isso, né, cara? A gente tem um mundo hoje muito mais maldoso, né? Coisa chata, cara. Coisa chata, muito chato.
O Noise Music chegou a... Em que momento o Noise Music não prensou mais os discos e foi só pra streaming, Anderson? Ou ainda você pensa em retomar algumas prensagens e tal? Qual que é o seu critério pra isso? É só uma questão de números e tal? Ou de mercado, assim, tipo... Um release e outro você pensa em imprimir ainda?
É números, né? Você precisa de dinheiro no caixa pra você fazer vinil, ainda mais do jeito que o vinil aumentou o preço agora, né? Se você quer fazer um bom vinil hoje, tá 9,50. 9,50 euros é um vinil legal pra você fazer. Mais, mais, mais, mais, mais é 100 reais cada um. Muito mais. Foda, né? É, pra chegar aqui, ele vai chegar o dobro, né? Então ele vai chegar aqui a 170 reais. Né? Então eu acho assim...
Você estava perguntando, o Noise Music, ele parou de prensar quando deu aquele buraco no mercado que você falou ali fora, que foi a época, você falou com boas palavras, que ninguém sabia o que ia acontecer.
Você falou do Beatport, o Beatport procurou a gente e eu falei, cara, eu não tenho cabeça para ver o que é isso agora, eu não sei o que fazer. Eu acho que eu não soube lidar bem com a questão da chegada do digital, eu não fui inteligente com isso, eu reconheço, eu não soube atravessar essa barreira.
Eu acho que a época que o Noize Music surfou, que foi a época que ele fez, os 18 vinis que ele fez, não tem o que que achar. Foi genial. Foi perfeito. O seu disco tava no mundo inteiro, eu me lembro da distribuição. No mundo inteiro, na mão dos melhores DJs. A coisa era tão impressionante. E maravilhoso. Aliás, quem distribuiu era Prime?
Ou Triple Vision? Não, era Prime. Era Prime, né? Era Prime. É porque a divulgação era pela Rocket Science. Pra você entender, galera, nessa época quando o Anderson tinha esses releases sendo lançados de forma regular, uma distribuidora boa fazia muita diferença, porque ela conseguia pôr o disco nas principais cenas do mundo. E isso exigia uma logística muito inteligente e acesso às lojas.
E tinha uma outra coisa também, né? A Rocket Science, que era tipo... Como tem os lugares que chega o promo, eles faziam o... Botavam no envelope do vinil o sheet lá, a folha, né? A folha com o release e tal, e chegava na casa dos DJs. Os números eram tão impressionantes, pra você ter uma ideia.
Sabe quantos promos a gente fez do pontapé, o Noise Music fez? Está mó grana esse... No discógrafo eu vi, está mó grana esse pontapé do Noise Music. Porque o Noise Music era do... O pontapé era do Noise Music. Aí o Carl Cox viu eu tocando. Que música é essa aí, querido Anderson? Não, a gente entregou o disco pra ele. Entreguei o disco pra ele. Falei, toma aqui. Estava esperando ele chegar pra entregar.
Existia uma coisa pra... Uma conversa que, se ele quisesse, poderia ir pra ele. Já existia uma conversa bem... Eu te fiz essa pergunta. Hoje as pessoas fazem no máximo... Nós estamos fazendo uma média de 200 vinis quando está soltando nesses labels legais ainda. Quantos promos você acha que a gente fez do pontapé? É o número da época. Se eu não me engano...
E olha que teve... Quase ninguém tinha o disco. Mil cópias. Não, não, não. Você tá falando muito. Você tá falando promo. Promo. 50. 50. Hã? 50. 50 era o número que fazia, né? A gente fez 500. Que puta ideia, mano. Caraca. Só uma eduição. Não, foi 500. E você lembra o desespero do povo atrás desse disco? Eu tenho o White Label da Intec, mas o do Noise Music não. Aliás, eu vou buscar esse disco pra minha coleção.
Existe uma grana. Eu imagino. Eu imagino. Mas eu tenho ele aí, o branquinho. Pra quem não sabe, o White Label ainda não tinha o rótulo, não tinha o selo. Você não sabia nem de onde era, às vezes. Complicado. O Tecno hoje é música pra elite? Ou ainda existe resistência? Ainda tem um movimento de resistência, Anderson? Estou vendo uns boatos aí ao redor do mundo, envolvendo polêmicas. Será que está tendo respeito?
Respeito como? Não sei, cara. Tô vendo polêmica envolvendo o técnico. Tô vendo um som em alguns momentos sendo tratados com falta de respeito, cara. Será que é o momento que tá acontecendo? Será?
É delicado, né? Eu vou te lembrar uma coisa aqui, polêmica, né? Você lembra uma época que DJs no Brasil eram... que a gente tomava dura no aeroporto?
Porque tinha uma época que tinha uns traficantes que eram DJs e tal, falavam que DJ era traficante, que tinha, cara... Você lembra dessa época? Óbvio, a gente... No início de 2000. Não podia nem falar pras namoradas, pro pai das meninas, que a gente era DJ, cara. Eu lembro, claro. As pessoas saem espalhando as coisas. É lógico que tem umas merdas que tão rolando aí, eu não sei direito quem que é, nunca vi.
não tô aqui pra falar de polêmica também, mas não entendo. Mas eu acho que o que você tá falando aí, eu não sei. Tenho que perguntar pro Gemini pra ele me falar o que tá acontecendo. Vou perguntar pro David Clark, então. Isso aí vai dar confusão. Anderson Noyes, tem algum DJ que você queria tocar e nunca tocou junto, cara?
Não, que eu me lembre não. Então você é um cara realizado. Eu sou bem realizado, bem feliz. Tem alguns lugares no mundo que eu quero ir, mas que eu não fui ainda, mas irei. E tem outros que eu fui e eu quero voltar logo. Mas se for falar de realização, Papai do Céu me deu muito mais do que eu imaginava quando eu era jovem. Você nem imaginava, Anderson?
nem metade do que você conquistou rodando 40 países? Nunca imaginei que eu ia conseguir fazer isso tudo que eu fiz. Sério, cara?
Eu venho de uma família muito humilde, né? Você não é um cara que tinha uma ambição desde os sete anos? Não, sete anos não. Sete anos você tava descobrindo tudo. Mas, por exemplo, aí nos 18 e tal, você não... Não tinha ambição. Não tinha ambição. Tanto é que eu fui ver o que era um DJ, eu fui ver um DJ a primeira vez, eu tinha 16 anos, eu já era DJ.
Porque na verdade eu virei DJ por causa de um cara que é o mesmo que eu de irmão pra mim, o Robério. Robério, ele virou pra mim, eu tinha uma garrar, e aí eu fui na casa dele. Aí ele falou assim, sabe o que você precisa ser? Você precisa ser DJ, cara, você já é DJ. Como é que o DJ é? Ele tinha dois tocadices na casa dele.
Ele falou, vou te dar um outro tocadice, aí a gente vai na loja, você compra um mixer, eu comprei um tônus. Aí ele falou, você vai pegar essa música aqui, aí vai vir a outra, aí você vai gravar a fita. Isso eu tinha 15 pra 16 anos.
Aí a gente começou a sair e no Santa Teresa Cine Show, comecei a ver o Tadeu tocar. O Tadeu era o DJ que tocava lá, mas ele tocava muito música nacional, tipo Paralamas, The Curie, essas coisas. David Bowie, não tocava música eletrônica. Isso pra 15, pra 16 anos.
Caraca, eu não tinha visto um DJ. Eu comecei a tocar e nunca tinha visto um cara fazer uma mixagem. Muito doido isso. Muito. Mas é legal você dizer isso, cara. Porque são poucos que dão a mão pra nós nesse início, né? Por exemplo, similar a você, um colega deixou um mixer na minha casa um tempo. Isso é tão importante pra nós, cara, porque a gente é um momento que aprende muita coisa, né?
Além desses caras, Anderson, que pegou você ali e teve a visão de falar que você era um DJ. Nessa jornada aí, você foi um cara de ser mais intuitivo, empreender de forma independente? Muita gente também fez parte dessa tua globalização. Nossa, a minha carreira sem meus amigos não seria nada. Não seria nada. Eu sou um cara extremamente...
Grato, realizado, feliz demais, primeiramente pelos amigos que eu ganhei, pelas amigas que eu ganhei, que a música me deu. Por causa do meu amor à música, porque sem eles, poderia falar nome de vários aqui agora, que eu fico até com medo de esquecer, eu posso falar alguns, né, dos vários, mas se não fossem eles, eu não teria chegado aqui.
Essa consciência é muito nobre, cara, é importante. Eu acho que no livro todo mundo consegue ver quem são as pessoas que mais me incentivaram, porque eu faço questão... Eu faço não, né? Eu falei pra Cláudia e ela incluiu e ela conversou com eles, está todo mundo ali. Não preciso falar aqui agora, mas todo mundo... Né.
Posso falar vários, dá medo de esquecer, tem o Robério, o Rogério, o Robinho, a Alice me ajudou demais, o problema é que eu falo, eu esqueço as coisas. Eu lembro das coisas, a Sandra, a Alice, Barreto.
Ela, na época que foi uma das fases mais difíceis da minha vida, que foi em 94, ela me pegou assim, né? Eu falei, amiga, eu preciso te fazer uma festa lá no hospício, ela é psiquiatra. Ela me ajudou a fazer essa festa, ela me ajudou com muita coisa. Ela não mora no Brasil tem muitos anos.
Paulinho, Mark, Edu, Patife, o Luiz Eurico, Renato Ratier, então, puta merda. Lele, puta merda, é muita gente, cara. Como é que começou essa sua conexão com São Paulo, Anderson?
Você vinha pra ouvir os amigos? Como é que era? Então, na verdade, eu comecei a tocar aqui por causa da Mau Mau, também o cara que sempre esteve do meu lado. Eu comecei a tocar aqui, que eu fazia uma noite lá em Belo Horizonte. São Paulo sabe que é minha casa, que eu tenho vários amigos. Aí eu comecei a fazer uma noite lá em Belo Horizonte num clube que chamava Pagã. Da Anésia.
que foi dona do Bar Nacional também. Aí, um dos primeiros DJs que foram tocar lá, foi o Eduardo Corelli, a Selma Self-Service. E aí, ele me conectou com vários DJs. E aí, levei o Mau Mau, levei Renato Lopes direto. Nossa, muita gente. Muita gente foi. Aí, velho,
isso foi em 94. Em 95 eu comecei a tocar em São Paulo. Em 96 eu já tocava ali na... Era a época do Hells, eu tocava no Hells, tocava tudo que era lugar, Nation, tudo que era lugar. Eu já estava tocando em tudo que era lugar, e aí um belo dia o Paulinho me ligou, Silveira, falou assim, vem cá, eu faço flyer aqui no base.
A gente tá querendo que você venha tocar aqui. Foi lógico. Eu lembro desse dia como se fosse hoje. Eu tava numa avenida lá em Belo Horizonte, na Pedro II, era cheia de ferro velho, eu tava comprando coisa no ferro velho pra fazer a decoração de uma festa. Vim tocar no base, a gente ficou amigo, aí começou o povo do base, o anjo, todo mundo lá.
começou a gostar do meu trabalho, cara. Que clube legal, eu me lembro. Moins DJs estiveram ali. São ótimos. Então a minha primeira residência em São Paulo foi no Base.
Depois tive residência, puta, num monte de lugar, cara. Mas um lugar, talvez um lugar que eu toquei muito naquela época ali, que era muito legal também, a Louca. Ah, ali lavava a alma. É, era bem legal ali. Circuito, fui residente. Uau, era demais também.
Teve muita coisa legal. E aí eu criei esse vínculo grande com São Paulo. E morei em São Paulo... Eu não sabia disso. Eu morei em São Paulo por 11 anos. Para ter uma facilidade de viajar? Também porque eu queria. E eu só voltei para Belo Horizonte porque eu queria estar mais tempo com meu filho, com minha mãe, com meu irmão. Minha irmã mora fora, eu queria estar mais ali. Mas...
Tem interesse de voltar? Eu e a Carla, a gente conversa muito e a gente quer voltar, sim. Porque ela morou aqui também. É mesmo, Agus? É. O que São Paulo tem pra você voltar? Porque a gente comentando ali, comentamos de BH, sendo um lugar incrível pra morar, né? Lá é incrível. Te falta algo? Não. Assim, aqui eu trabalharia muito mais, né? Tem muito mais lugar pra tocar. Tem muito mais gente...
Sempre querendo que eu toque. Então, o que complica pra mim vir tocar sempre é a logística, né? Faz sentido. Às vezes tem pessoas que não pode, não quer pagar a logística, né? Anderson Noice, se um artista te mandar um link do SoundCloud com 10 faixas e você gostar delas, mas ele disser que foi 100% feito com IA, qual vai ser sua reação? Nunca pensei.
Já ouviu falar em suno? Sim, já vi. Já ouviu alguma coisa? Já ouvi as coisas. Mas eu vou te confessar uma coisa. Eu fiz um teste uma vez no suno. Com o que eu imaginava que poderia soar, não deu certo.
Ou eu não sei fazer prompt, que eu tava lá o tempo inteiro escrevendo. Ah, só um dia só. Você sabe fazer prompt. Não tem como não. Essa sua intuição aí, escreve 100 páginas ali, querido.
E aí, Rafael? Imagina o prompt do Anderson Weiss daqui 20 anos. O que a gente vai lembrar disso? É, se juntar todos os registros vai fazer bastante coisa boa. Eu imagino o que tem dentro da cabeça desse cara. Um gênio, sempre à frente do tempo. Não, então, eu já ouvi falar que fazer prompt hoje tá ganhando maior grana, né? Sim.
Não sei, talvez eu possa trabalhar pra alguém aí Fazer um prompt Não sei se é de música Você é um cara, vai fazer pra você um dia É porque eu tô vendo isso aí acontecer, Anderson Da mesma forma que tivemos Resiliência quando chegou o CDR Quando chegou o CDJ Quando saiu do cassete foi pro vinil Quando saiu do vinil foi pro CD Depois CD, pendrive Tractor Vai chegar IA, cara É óbvio que vai chegar, mano E aí
Já chegou. Mas vai chegar muito mais. Tipo assim, ah, você que fez? Pô, que legal, vamos trocar uma ideia aí. Como é que foi? Ah, fiz um prompt lá, não sei o que. Eu acho que vendo isso... Estou vendo isso chegar rápido. Fica a sua opinião. Também assim, eu tenho uma opinião minha e depois, por próprio Anderson, eu acho que isso está acabando gerando nichos de estilos musicais também.
É que nem assim, não tem como comparar uma coisa digital ali feita por computadores, porque você vê que quando você escuta uma música ali feita por um prompt, algumas coisas são muito interessantes, mas você vê que ele alucina em alguns pontos ali, você vê que um kick muda do nada, um clap de outra forma, você vê ali que tem uma cadência. Mas isso dá pra editar. Dá pra editar. É, na verdade...
O Michel falou um negócio interessante, né? Vai acontecer isso. A gente teve uma época também que o pessoal falava Ah, não, isso é música de computador. Isso não é máquina.
Então teve essa resistência, né? Então eu acho que também pensando dessa forma vai ser inevitável mesmo, então... Não sei, a gente tem que ouvir, né? Tudo na vida a gente tem que gostar. Música você não tem como explicar, né? Eu acho que às vezes pode ser uma ferramenta que... Não sei, pra artistas, acho que o Deadmau5 fez alguma coisa recente, tipo, algumas coisas feitas em Prompt, mas pela própria cabeça dele.
Ele digitando lá o prompt lá e lançou. Foi alguma coisa assim que eu escutei. Eu tenho que confirmar essa informação. Mas ele pegou, ele fez um EP lá, só com a cabeça dele, dos promptes, e lançou. E você vê que tem a ver com a sonoridade dele. Como hoje, o próprio... A gente tem o suno...
Tem uma outra ferramenta que acho que é paga também, que eu não me recordo o nome também, que ele faz também bastante a parte de arranjo, de vocal, que você pode pegar e escrever uma letra ali, X, e falar, eu quero esse timbre parecido com o timbre do Michael Jackson. E a CI, ela consegue aproximar perto desse timbre vocal. O Jeff Mills já deu algum depoimento sobre isso?
Kevin Sanderson, alguém nessa galera? Eu vou pesquisar, meu. É bom porque, tipo assim... E o dia que esses caras fizerem alguma coisa, o Anderson vai ouvir. Não, tipo assim, são coisas...
É que você vê, são coisas que podem sair da mente de um artista, que pode ser de uma outra visão, né? Tem a visão dele criando e uma coisa ele dando a entender pra máquina, pra entender o seu pensamento musical é um... Interessante. Interessantíssimo. Ô Anderson, como é que é o seu dia a dia, cara? Como é que é a tua rotina, meu?
Você tem um processo bem definido ou você vai conforme a intuição? Tem um processo, todo dia eu acordo e agradeço ter acordado. Olha pro céu, agradece, olha como é que é. Tem uma espiritualidade, tem uma conexão? Eu começo agradecendo e eu tô ficando tipo uma hora sem ligar o telefone. Faço um café, dá uma lida, dá uma...
Ler o que? Eu não compro jornal, se eu for ler eu vou ter que ligar o computador ou o telefone, aí não vai ser uma hora. Ah, mas pra quem tem 10 mil discos deve ter uns livros lá que você gosta de dar uma olhada, não? Não, eu não tenho, não dá esse tempo não, isso aí tem que ser na hora que tá ouvindo um disco, mas eu não começo de... É difícil ter um dia que eu começo, ah, eu quero ouvir essa música assim, sabe? Primeiro eu tenho que agradecer e me alimentar, primeiro, aí...
Café com açúcar ou sem açúcar? Sem açúcar. Nunca? Não gosto de açúcar? Não gosto. Não, gosto de açúcar. Eu sou um cara viciado em doce. Você é viciado em doce? Adoro doce. Mas... Gabate tá bom? Eu não tenho problema não, graças a Deus. Ótimo, ótimo. Que bom. E aí, beleza. Aí depois vai lá. E-mail. Ligações, como é que é? Eu primeiro ligo pra minha mãe e pro meu filho. Todo dia.
É, porque a minha mulher já tá em casa, então eu já vi ela. Que legal. É, aí depois começa o dia. Aí eu vou ver o WhatsApp e tal. Porque o WhatsApp se tornou uma coisa urgente, né? Muito doido isso. Muito. E se você tá online, a pessoa acha que você tá disponível. É. E sua cabeça vai a outro lugar. Complicado, né? Ah, mas o tempo que é ótimo, né? Pra você falar com Keish no Japão, mandava um fax.
Ou você manda um WhatsApp. Aliás, não é o WhatsApp, é o WeChat, né? É, mas eles estão usando o WhatsApp já tem um tempo já. Deu certo. Que bom. Bom, foi um grande prazer, Anderson. Todo meu. Eu quero te fazer um ping-pongzinho aqui. Mas antes tem uma perguntinha, que é... O barulho da lua.
Se hoje o som do mundo silenciasse por um minuto e você tivesse o poder de escolher a última frequência que a humanidade ouviria antes do silêncio absoluto, que música ou frequência seria essa? Nossa, é muito simples. Para mim é simples. Milton Nascimento, Clube da Esquina.
Ok. Se você chegou até aqui, se considere buscar pelo Anderson Nois nas redes se você não o conhecia. E claro, se inscrever e deixar um comentário aqui pra nós. Anderson, você falou do Clube da Esquina e Milton Nascimento, mas eu quero um disco que mudou sua vida além desses. Pode ser um terceiro disco. Azimuth. Ótimo. Uma cidade que soa como o Tecno.
Berlim. O clube que mais te dá saudades. The end. O tecno em uma palavra. Energia. A sua maior saudade da cena dos anos 90.
Nossa, são várias, mas a maior era o sorriso das pessoas. Um DJ que é uma referência na forma que você atua ou se inspirou em alguma coisa? Vai ter mais perguntas de DJ ou só essa?
São vários DJs. Fica à vontade. DJs que me inspiram, que eu acho foda. Mark, Laurent Gagné, Carl Cox e Mau Mau. Uau. O horário nobre de um line-up pra você ou isso não impacta? Independe.
Independe, depende da... de como você está inserido nessa noite. Ou nesse festival. A pista perfeita tem que ter o quê? Energia linda. Uma viagem que o técnico te proporcionou e você não esqueceu. No Vale Japão.
Não vale Japão? Não. Japão já foi falado e Londres também já foi falado. É mesmo? Lembra de uma terceira país aí. Coreia do Sul. Uau! Seu. O que você ouve quando precisa do seu silêncio? Ouvi teu interior. Tentar me acalmar. E o que você ouve? Não ouço. Ah, tá. Entendi. O barulho da lua em uma frase?
Uma frase? Muita intenção boa.
.com.br Tem toda a lista das lojas e não deixa de adquirir. É como o barulho da lua. É o congresso. Não deixa de adquirir. Tá? Anderson Noise, eu tenho certeza que esse episódio, celebrando nossas 50 edições, inicialmente pra mim, que vem dedicando minha vida como sócio Rafael pra esse projeto, é emocionante. Tô arrepiado. Não é... Você pode ver.
Mas eu tenho certeza, cara, que isso aqui um dia vai ter milhões de pessoas que assistiram. Eu tenho certeza disso. O que você vê... O negócio não é um número, são as pessoas. Então, cara, o que você vê, Anderson Noyes, você pros próximos tempos aí, períodos e ciclos da música eletrônica com a sua intuição? Essa câmera é sua, caso eu queira usá-la ou não. O que eu vejo... É, eu sei que você não tem bala de cristal, tá, querido? Mas você tem muita bagagem.
Então, é difícil falar do futuro, né? Eu sei. Eu acho que... Eu não tenho o que falar agora, me pegou de... Eu até tinha pensado algumas coisas esses dias pra trás sobre o que era o futuro, agora eu não vou lembrar o que poderia ser o futuro da música eletrônica.
Mas eu desejo que seja bem próspero pra todos nós que trabalhamos duro com isso. Boa. Quem fez aquela tua foto icônica com aquele óculos gigantesco? É o Nino Andrés. Uau, cara. Essa foto me chamou muita atenção.
Esse foi o Anderson Noises, 50 edições, cara. É impressionante a emoção de estar com esse cara aqui do meu lado, do Rafinha também. Esse podcast é para você que quer buscar conhecimento com propósito, pessoas reais que fizeram a cena com propósito, longevidade, história, entrega. É para você toda quarta-feira, cara. Estamos em todas as plataformas. Considere-se se tornar membro.
comente o que você achou, o que você te tocou, que parte desse papo foi o mais interessante pra você, e considere também, se um dia você produzir, entender o catálogo da Noise Music e falar com o Anderson. Ele tá de portas abertas, pelo que eu entendi.
E um feedback desse cara aqui, se ele gostar, não tem preço. Rafinha, é sempre uma honra estar com você. Obrigado por acreditar nesse sonho. 50 edições. Tamo junto, Michel. Possível e claro, nossos convidados. Obrigado, Michel. Obrigado, Anderson. Obrigado, cara. Obrigado pelas dicas de hoje. E se precisar de ajuda da gente, a gente tá aqui. Obrigado, cara.
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