#13 – Relacionamentos (Parte 2): Família — Papéis & Limites
Família pode ser amor… e pode ser a escola onde aprendemos a engolir coisas 😄
Nesta parte, olhamos para os papéis que ocupámos (a forte, a boazinha, a mediadora, a invisível…) e para o custo que isso tem na vida adulta — inclusive nas relações profissionais e com figuras de autoridade.
E depois vamos ao ponto mais libertador: limites. Como pôr limites com família sem entrar em culpa ou guerra — e com a permissão que tanta gente precisa de ouvir: posso amar e ainda assim dizer não.
Vamos falar de:
👥 papéis familiares (forte, boazinha, mediadora, invisível…) e como aparecem hoje
💸 o “custo” desses papéis (energia, ansiedade, ressentimento, autoabandono)
🏢 como isso se repete no trabalho e em relações de autoridade
🧱 limites com família sem culpa nem conflito constante
🗣️ frases e atitudes práticas para dizer “não” com amor e coerência
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#CuraEmocional #Espiritualidade #Autoconhecimento #Círculo
- Estabelecer limites com a famíliaLimites sem culpa · Limites sem guerra · Dizer não com amor · Dizer não com coerência
- Papéis familiaresPapel da forte · Papel da boazinha · Papel da mediadora · Papel da invisível · Custo dos papéis familiares
- Culpa e vitimizaçãoSentimento de culpa · Papel de vítima · Superar a culpa · Processo de evolução individual
- Custo dos papéis familiaresCusto em energia · Custo em ansiedade · Custo em ressentimento · Custo em autoabandono
- Crescimento através da dorDor como parte do crescimento · Aprender a cair · Não interferir no processo alheio
- Confiança no potencial alheioConfiança no processo individual · Acreditar no potencial da pessoa · Apoio sem interferência
- Repetição de papéis no trabalhoPapéis familiares no trabalho · Papéis familiares em relações de autoridade
Família pode ser amor e pode ser a escola de mestria onde aprendemos a engolir coisas. Na parte 2 falamos dos papéis que ocupamos na família. A forte, a boazinha, a mediadora, a invisível e como isso aparece hoje nas nossas escolhas, incluindo no trabalho e em relações de autoridade. E vamos ao tema mais libertador também, como pôr limites com a família sem entrar em culpa ou guerra.
com frases práticas, com exemplos reais e aquela permissão que tanta gente precisa. Posso amar e ainda assim dizer não.
Este é o Encontro Luminoso, um espaço de partilha honesta, de espiritualidade vivida com os pés na terra. Sem perfeições, sem personagens, apenas mulheres reais, ferramentas diferentes e aquele amor que te ajuda a conectar com a tua própria verdade. Aqui vais ouvir vivências, trupções, gargalhadas e dicas práticas que fazem diferença no teu dia a dia. Pronto é para voltar a ti? Então, abrimos o círculo.
Estamos de volta no Encontro Luminoso e este mês falamos de relacionamentos. E vamos à família. A família é amor e também é escola. E às vezes é a escola onde aprendemos a calar, a agradar ou carregar o mundo. E é sobre isso que vamos falar neste episódio. Portanto, buckle up, meteu o cintinho, bora lá. Porque vou começar com as minhas perguntas existenciais.
Que papel ocupamos na família? Porque nós temos muitos papéis, não é? A forte, a boazinha, a mediadora, a invisível. E para além de que papel ocupamos, como é que ele aparece hoje nas nossas versões adultas? E gostava também, se não for pedir muito, que falassem sobre o custo que isto tem na vossa vida. Porque às vezes assumir estes papéis tem um custo bastante grande. E vou começar por ti, Catarina.
Olha, já fui a boazinha. Já fui a boazinha. E acho que, assim, por volta dos 38, 39, sinto que passei a reventação nessa altura e que este papel deixou de me servir. Mas, assim, o papel desde cedo mesmo, acho que desde que eu me conheço, é de mediadora, de mediar.
E sei que vim mesmo para assumir este papel e se calhar porque tenho muitos planetas em balança, a justiça, a diplomacia e tenho facilidade geralmente em ver os dois lados, o que é bom. Mas por outro lado também, para quem sente...
Sofre demasiado com a empatia. Mas em termos de papéis, neste momento, como já disse, fui boazinha. Fiz o papel de boazinha durante algum tempo, mas o papel de mediadora é, sem dúvida, o papel que continua... Mais presente. Mais presente, sim. E eu...
E talvez também assumir alguma liderança, no sentido de ser a quem resolve. E, portanto, se calhar não sou assim o exemplo melhor. Mas sim, sempre... Ou seja, assumi muito estes dois papéis, de mediadora e da resolução de problemas. E lá está, a mediadora também, não é? Resolução de tanto conflitos como nas coisas.
práticas do dia a dia, mas também sei, tenho trabalhado no sentido de deixar de dar sempre o corpo às balas. Aos poucos tenho delegado e tenho partilhado as decisões, não ficarem só comigo, não é? Porque por trás desta liderança também revejo se calhar alguma necessidade de controlar.
E, portanto, tem sido um trabalho tanto interno como externo esta partilha destas responsabilidades. Sim, estou no caminho. Isso, ao fim e ao cabo, imagino que tenha a cabo por ter peso na tua vida, não é? Porque quando assumimos esses papéis de mediação ou de...
de tentar liderar ou assumir a responsabilidade de algumas coisas o espaço é limitado ao fim e ao cabo para podermos fazer também as nossas coisas, que impacto é que achas que isso tem na tua vida? quer pessoal profissional whatever sim porque é verdade aquilo que estás a dizer porque
Quando tu assumes este papel de resolução, tu não estás só... E num ambiente quer de família, quer de amigos, etc. Mas aqui estamos a falar da família. Tu não estás a trabalhar só...
ou estas responsabilidades não são só tuas, acarretam também outras... E consequências para outros também, sim. Consequências para outras pessoas, exatamente. E lá está, não é bom nem sentir esta pressão de que está tudo sob a tua responsabilidade, nem para a pessoa que tem essa responsabilidade, nem para os outros, não é? Porque no fundo estás a delegar tudo.
No outro, e para além de saíres do teu papel na família, porque acabas por assumir perante os pais, por exemplo, agora aqui um exemplo, tu ao assumires determinadas responsabilidades, estás a sair do papel de filho, não é? E estás-te a pôr num papel quase de...
no progenitor. E não é isso que se... A matriarca. Exatamente. Tantas coisas acabam de ficar as posições um bocadinho trocadas. Não quer dizer que a partir do momento em que somos todos adultos todos temos a sua cota de responsabilidade na família. No entanto essa responsabilidade K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K
não pode ou não deve ser exclusivamente de uma pessoa. Estamos todos a trabalhar para, no fundo, para a união, para que aquele sistema resulte. E nesse aspecto acarreta tempo, acarreta, para mim, neste caso, para quem assume essa responsabilidade.
Tempo, chatiças, mente ocupada, tempo, agenda ocupadíssima, com coisas que não são só nossas, não é? Sim. São de todos, ou pelo menos daquele sistema familiar. E é muito importante aí depois entrar nesta partilha de responsabilidade e também do...
aprender a colocar limites e delegar delegar às vezes é um grande desafio eu vivi muito essa dificuldade profissionalmente de delegar para que é que eu vou delegar depois vai ser mal feito e vai sobrar para mim na mesma com menos tempo então eu faço já mas realmente delegar é um aprendizado
lá está porque isso também vem da necessidade de controle isso também já me aconteceu a nível de trabalho quando tu tens quando trabalhava no ateliê várias pessoas a estagiar e às vezes eu pensava se eu me vou sentar a explicar isto quando eu posso fazer isto em 5 minutos e está descaixado mas é realmente importante tanto para ti porque no princípio vai ser mas é realmente importante
vai-te despender mais energia e mais tempo porque estás a passar a pasta a outra pessoa, mas ao fim de um X tempo, não é? Aquelas tarefas que tu foste pegando já estão à partida, não é? Se a pessoa também tiver essa vontade, já não ficam do teu lado.
e largares esse controle, não vai ser feito, se calhar não vai ficar perfeito, ou não vai ficar à tua maneira, mas vai funcionar da mesma. É aqui um equilíbrio. Antes feito que perfeito. É uma coisa que eu tenho aprendido. Antes feito que perfeito. Fátima. No meu caso, tenho coisas semelhantes com a Catarina. Eu sim que, sobretudo na parte da minha infância, adolescência,
Tanto eu quanto a minha irmã sempre tínhamos que ser as perfeitas para tudo. Porque se não havia perfeição ou era tudo até esse nível, as consequências não iam ser muito positivas. Sobretudo pela parte do meu pai. Então, sempre eu senti, sobretudo isso sinto mais na adolescência. Aí foi quando comecei a perceber...
que a pressão que eu punha em mim, pelo sentido da perfeição, até eu ficava distante com o tempo, até me custava muito mais, era muito mais difícil para mim conseguir fazer esse trabalho de uma maneira prática. Não, demorava o dobro para poder conseguir para o fazer dessa forma que eu sabia que tinha de ser. E isso para mim era muitíssima pressão, muita. E já foi só na universidade quando eu...
fui largando aos bocadinhos e a sentir que tinha de ser livre. Porque era mesmo assim, eu tinha de ser livre. Também é verdade que havia outro papel dentro da família. A minha irmã sempre foi quase como uma mãe para mim. E a minha mãe foi sempre como uma amiga para mim. E isso, para mim, provocou-me uma certa confusão durante muitos anos, até que os papéis aos bocadinhos...
Ainda agora, aos bocadinhos, vão-se recolocando de uma certa forma. Mas aqui o que eu mais gostaria de dizer é que, no fundo, não temos de julgar se estamos num papel ou noutro papel. O que temos é simplesmente de, com o passar dos anos e da vida, por consciência, nessa forma ou nessa função com a qual nós ficamos.
E perceber que se isso a mim por dentro não me está a fazer bem, eu tentar amoldar ou reacomodar de uma outra forma. E só com esta melhora que eu sinto, o que eu vou sentir internamente, a minha família também se vai a adaptar a esses cambios. Então, o importante é perceber que isto não é nem bom,
nem mal. É simplesmente natural. É nós estarmos num ambiente que é a nossa família e, devido a certas circunstâncias, seja pela personalidade, seja pela vida em si ou não, nós adaptámonos a essa forma. É a própria natureza. Não é grave. É simplesmente perceber que, depois de viver certas coisas, nós a pormos essa consciência, podemos mudar para melhor para nós.
E se depois, agora, o que eu sinto, por exemplo, é que, sim, sou mais, não fico nessa boazinha tanto, mas sou mais essa mediadora, mas que fica a uma certa distância. Que no silêncio percebe muito mais do que a falar. Já na minha família todos falam muito. E eu também soube falar muito. Mas aprendi a saber que... A observar mais. A uma certa distância tudo se faz muito mais fácil.
Tipo como se for um papel secundário, onde se conseguem ver muito bem onde está cada coisa e cada ser, e ver de que forma se pode ajudar nesse ambiente, mas a uma certa distância, para saber respeitar até onde sim e até onde não. Porque em Portugal eu acho que não é tão assim, mas por exemplo na Espanha acontece muito que...
tanto nas amizades quanto na própria família, o que for, a gente, tu tens de fazer isto, não, não, é que é melhor com isto. Entram, tu tens a tua vólia, a tua própria energia, e aí entra qualquer um. Ou tu pedes uma pequena permissão de até aqui podes e até aqui não, ou senão toda a gente já está a te dizer ou aconselhar o que tu tens mesmo de fazer. E se não o fazes... K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K
então marcar esses limites também se considera também é mesmo importante mesmo, porque se não os marcas de certa forma é como que aqui toda a gente olha se tu não vais vou eu se tu não queres fazer isto faço eu não, não, calma cada um tem o seu próprio isso também acho que realmente é importante respeitar sempre essa liberdade do outro o outro
Que na família onde há muita confiança e nas amizades onde também pode haver muita confiança, às vezes não é fácil respeitar essa liberdade. E é essencial, para mim é essencial mesmo. E às vezes até assumindo determinados papéis na família, não é? Que podemos fazê-lo com milhares intenções, mas ao fim e ao cabo, muitas vezes nem estamos a ajudar o outro.
Se calhar o outro não vai experimentar ou não vai aprender coisas que podia aprender fazendo ele. Portanto, acabamos sem querer por privar. Isso vai também muito com o controlo do que estavam a falar também. Sim. O querer controlar e a outra pessoa fica aí que não sabe muito bem o que faz. Mas isso que tu disseste é realmente importante, que é, ok, eu reconheço este meu papel, ou me serve e gosto de o fazer, gosto de o ter. Ui. Gosto de o fazer, gosto de o ter.
Ou então este papel realmente não me serve mais e vou deixar de o fazer. Porque há muita gente que se mantém no papel num sentido de obrigação. Aí está. E ver que isso é natural. O facto de mudarmos é natural. E não tem má. Porque as pessoas ficam muitas vezes com culpa. A dizer, estou a fazer sempre desta forma e de repente vou mudar. O que é que vai acontecer? A família vai ficar toda perturbada. E não tem nada a ver. Sim, sim, sim. Então isto leva-me aqui à segunda pergunta.
que é como é que podemos pôr limites com a família e também com as amizades mais próximas, muitas vezes acabam por ser família, não é a família que nós escolhemos, mas vamos mantendo aqui também muito o foco na família, porque às vezes em família há determinados passos que nos são mais difíceis. Como é que nós podemos pôr estes limites sem entrar em culpa, que acabaste de referir, ou em guerra-conflito? Catarina.
Eu estava a ouvir-vos e fez-me todo o sentido aquilo que a Fátima estava a dizer e o exemplo que tu também deste, Sofia, em relação ao querer assumir este controle, esta necessidade de querer assumir o controle, acho que tive muito tempo nesse papel, e também de proteger os outros em relação a uma situação que de alguma forma nós conseguimos antecipar.
E para ver que se isto for por este caminho, isto vai dar as neiras, não é? E então, como gostamos, temos tendência a proteger para que o outro não sofra. E é muito isto, ou seja, é muito esta capacidade de partilhar as responsabilidades e gerir este sentimento de culpa em mim e nos outros. Eu não consegui, eu não tenho.
de assumir, de me sentir culpada, por neste momento eu não conseguir responsabilizar-me por tudo. E, portanto, acho que há aqui esta adaptação que a Fátima estava a falar do papel, este papel serviu-me por determinado tempo, porque ou estava bem assim, ou...
Ou conseguia chegar a todo lado e agora por situações já não consigo, ou simplesmente já não o quero, já não o revejo nesse papel. E eu acho que passa exatamente por nos posicionarmos, ou seja, mais uma vez, como é que eu estou em relação a isto, a esta determinada situação, como é que eu me sinto, e depois então aí...
conseguirmos posicionar e perceber o que é que eu posso dar, ou o que é que eu posso dar, mas sem me encolher, sem me prejudicar, sem me esgotar. E isso é muito importante ter noção dos nossos limites e conseguir expressar com clareza aos outros, porque por vezes...
Os outros, se nós não dissermos, não sabem, nem sequer se apercebem, que para nós está a ser demasiado. Penoso. Sim, mas porquê? Porque eles nunca estiveram neste papel, eles estiveram muito pontualmente e não conseguem perceber.
quer dizer, é difícil a outra pessoa que não passa pelo mesmo, não é? Conseguir perceber que para outros pode ser, este papel pode ser demasiado exaustivo. Sim, porque às vezes até pensam que nós o fazemos porque realmente queremos e que nos dá gozo. E de alguma forma às vezes são coisas aprendidas que nós pensamos não, isto é o papel que eu tenho de ter. Mas muitas vezes as pessoas assumem não, ela faz isto porque faz feliz. Então deixa.
E nem sempre é assim também. É verdade isso. E até faz um bocadinho o ciclo do que estávamos de episódios anteriores, não é? De como é que a criança se adaptou àquela família. Para justificar a sua pertença, não é? Nós somos muito espertos a criar os temas. Isto tem tudo ligação. É isso tudo. Num sistema familiar, a criança vai assumir o papel que acha que
que tem de assumir para pertencer. Nem mais. E é isso. Ou seja, a partir do momento em que a criança cresce e tem um olhar próprio sobre si mesma e consegue perceber se esse papel ainda serviu durante a infância para proteger e para sentir segura, mas agora pode não servir mais. E eu acho que é isso.
esse entendimento primeiro com nós próprios e depois a capacidade de delegar e partilhar e expressar com clareza para que os outros também, para que a família também entenda e arranjarem a melhor forma de ser titular para que não seja uma sobrecarga para ninguém. A partir do momento em que...
um elemento de todo o sistema familiar se consegue posicionar portanto, se cada um fizer o seu papel, não é? Ou basta um conseguir esse movimento, depois todos os outros terão que acompanhar não é? Sim e eu acho que é isso para ser sem culpa ou guerra, acho que é
mais uma vez, o olhar para dentro, saber como é que se conseguia perceber esse sentir e depois expressar, sem apontar o dedo, obviamente. Sim, sim. Comunicar com essa clareza e de coração. Exatamente, e de coração. E depois também tem a ver com a capacidade do outro entender ou não, não é? Mas isso já não é connosco.
já é com eles exatamente, Cecília Cecília, tu estás mulher ai que eu vejo-te tão bem a nossa Cecília fez um upgrade de equipamento eu tinha de dizer isto, portanto agora já não vai viajar tantas vezes exato é bom, é bom, por acaso é vejo-te com mais definição também e nós a ti então
tão bom. E não estar a bloquear é tão bom. Olha, aqui em relação a este tema, também é importante referir, acho eu, em termos da culpa ou da guerra, é que dentro do sistema familiar também há muitas pessoas que facilmente se colocam no papel de vítima de uma forma muito forte. Eu falo por experiência própria.
em que ainda é mais difícil uma pessoa conseguir libertar-se da culpa e conseguir colocar limites. Porque depois existe aqui uma inversão de papéis que acontece logo na infância e quando dás por ti já és tua mãe. E a mãe ou o pai é que são os filhos. O que me ajudou muito...
Aqui é assim, durante anos, culpa era a emoção que eu mais vezes sentia, principalmente em relação à minha mãe. E não é nada fácil superar. Então houve aqui duas coisas que me ajudaram muito a superar a culpa. Uma delas foi entender que cada pessoa está no seu próprio processo de evolução.
e que estarmos constantemente a interferir, estamos a prejudicar o crescimento. E então isto ajuda-nos a mantermos um bocadinho mais distanciados e não estarmos sempre a apagar os fogos. Isso é muito importante, sim.
Sim, porque isso foi o que eu fiz durante muito tempo, às tantas, também com dois filhos para criar, e de repente, meio solteira, eu digo, calma, eu já não consigo apagar tantos fogos. Às vezes é por necessidade, não é? No meu caso aconteceu um bocado por necessidade. Mas o encaixar isto é muito importante, porque enquanto a pessoa sentir culpa, a tendência vai ser sempre ajudar. E a tendência de quem se vê como vítima vai ser sempre ultrapassar o limite.
Sempre. Não há hipótese. E então, se nós conseguirmos mudar esta perspectiva, não é? E pensar, ok, eu posso dar conselhos àquela pessoa, posso ensiná-la, se calhar, a navegar pela vida de uma forma melhor, é uma coisa, mas estar constantemente a navegar por ela é outra, e aí eu já estou a prejudicar.
Isto já vai ajudar a que a pessoa se consiga distanciar um pouco. Até porque, espiritualmente, estamos mesmo a infringir uma lei universal. Porque esse crescimento precisa de ser feito. E se nós estamos sempre a colocar as mãozinhas por baixo para amparar todos os golpes das pessoas, estamos constantemente a interferir nesse crescimento. Então, como é que a pessoa cresce? No fundo é.
A criança começa a andar, os toddlers começam a gatunhar e depois querem andar. As crianças têm que cair para ganharem força ao levantar-se. É no levantar que elas ganham a força muscular nas coxas, nas pernas, para conseguirem dar mais uns passinhos. Se os pais estão sempre ali a parar as quedas, a criança vai demorar muito mais tempo a começar a andar do que se a deixar de cair.
tem que ser assim e vai sofrer muito mais quando cair exatamente e estar mais sensível pronto e depois a segunda é que também me ajudou muito a libertar-me da culpa e isto é difícil com quem já se vê como vítima mas que é eu deixar de olhar para a pessoa como vítima eu acreditar no potencial da pessoa porque a culpa eu K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K
vem da pena. Não é da compaixão, mas é da pena. E se eu sinto pena por uma pessoa, significa que eu não acredito no potencial daquela pessoa, que eu não acredito no poder interno que aquela pessoa tem de dar a volta por cima. E a pessoa pode até não ter essa força, mas se eu também não acreditar...
não vai ajudar, só vai prejudicar. É uma coisa que se sente, eu até posso não dizer, mas sente-se. Eu tenho pena de alguém e se está aqui, está na energia, a pessoa se sente. Então a própria pessoa também está a validar, ok, ela não acredita em mim, eu ainda vou acreditar menos em mim. E é assim, no caso da minha mãe, coitadinha, ela passou por muito coitadinha, lá está, coitadinha.
Ela passou efetivamente por muito. E isto, a culpa foi uma coisa muito, muito difícil de eu superar. Ela perdeu um filho. Ela tinha um marido violento. Alcoólico. Viu em mim a mãe. Eu era a única pessoa que a podia salvar. Imagina, ela ainda está viva, felizmente. Ainda está neste registro, não é? Ela ainda é... Ainda se coloca como filha.
Ainda se coloca como filha. Mas o que torna ainda mais difícil é eu conseguir colocar limites. Mas preciso de os colocar. E eu sei que ela também já percebeu isso. Ok, eu sei que posso ir até aqui. Porque senão, para a minha própria sanidade mental, às tantas não dava. O que é que me ajuda aqui? É eu saber que tudo o que faço por ela é com amor.
Sei que não faço mais por ela, por ser também por amor e porque ela também está no processo de evolução dela. Porque por algum motivo ela passou pelo que passou, porque precisava de passar. A alma dela precisou de fazer esse crescimento e eu estou aqui a fazer o melhor, mas eu também não posso ir para além de mim mesma, não é? Lá está, para amparar. E tentar ao máximo respeitar.
Isto que eu considero mesmo uma lei universal. Porque uma coisa é nós ensinarmos as pessoas a pescarem. Outra coisa é estarmos sempre a levar-lhes o peixinho já pescado. E já sem espinhas e todas as coisas já preparadinho no prato. E já todo arranjadinho, exatamente. É isto. E a guerra pode haver, não é? Pode haver a revolta do outro lado.
E quantas famílias que já se afastaram por causa disso mesmo, dessas guerras, houve muitas pessoas que se afastaram das famílias precisamente por causa disso, porque tentavam pôr um travão, um limite, e as famílias continuam, e continuam, e continuam. É preciso ter uma força interior muito grande, quase com uma frieza, que parece uma frieza, mas não é uma frieza.
É estarmos num lugar em que nos honramos a nós mesmos. Não, eu preciso de mim. Eu preciso de mim e se a outra pessoa decidir ficar zangada comigo, chateada comigo, eu não posso fazer nada. Sinto muito, lamento, mas eu não posso fazer nada. Mas eu não vou continuar a esvair-me, energeticamente, fisicamente, mentalmente, pela outra pessoa. E isto é nós honrarmos também.
Sabes que comigo, eu às vezes, pronto, se fosse há uns anos atrás, pensava que poderia ser uma potencial psicopata, mas sei que não sou. Mas sabes que o facto de hoje em dia ter consciência dos seres divinos e das almas maravilhosas, tão sábias e tão experientes que somos, isto realmente ajuda-me muito a respeitar o caminho do outro.
Porque a gente não sabe qual é o plano de vida, o plano de alma daquela pessoa e tem de passar por aquelas experiências. Portanto, vai muito a par daquilo que tu estavas a dizer. Então, não é que haja falta de empatia, é realmente o dar espaço para que a pessoa possa experimentar aquilo que precisa de experimentar para chegar onde precisa de chegar, que foi também ao fim e ao cabo a minha experiência. Eu precisei de penar 13 aninhos com o corpo a gritar-me para realmente as coisas começarem a fluir.
Então, não há arrependimento. Há um plano, há um guião.
Há um plano e é muito profundo. Exatamente. E é muito único. E o manamento nem sempre entendemos também. Eu imagino de lá em cima com um script, com um guiado. Então como é que vai ser? Tipo novela mexicana. Então, olha, depois vai-te acontecer isto e vai ser um drama. Eu imagino uma coisa assim do género. Porque realmente, não é? Há histórias que são verdadeiras novelas mexicanas. Mas é desde esses desafios que nós nos reencontramos.
Então acho que esse respeitar, por mais que custe às vezes ver o outro, o outro se calhar precisa mesmo de passar por certas provações para chegar onde precisa de chegar. Exatamente. Isto agora não tem nada a ver, mas acaba por ter. É o propósito que a Cecília estava a dizer há pouco, quando um bebê começa a gatinhar e a dar os primeiros passos.
E se os pais estão lá sempre a amparar a queda, o bebê não ganha força muscular e não aprende a cair, porque até para cair é preciso saber cair. Exato, é preciso classe. Para não se magoar é preciso aprender a cair. Os rapazes nesse aspecto treinam muito bem, porque eles próprios logo de início se mandam para o chão para treinar como é que as quedas são menos dolorosas.
as raparigas, em geral estou não querendo aqui pôr ninguém em caixinhas, mas em geral é isso os rapazes treinam mais a força de raparigas mais físicas eu estava-me a lembrar de um exemplo que aconteceu na nossa escola Sofia, na nossa escola preparatória que era uma miúda que não sabia correr que nunca tinha corrido na vida eu lembro-me disso eu lembro-me disso eu lembro-me disso
Então, a primeira vez que a miúda foi correr, obviamente a miúda não sabia, aprendeu a correr, mas não sabia parar, não sabia travar, então foi contra uma parede. Isto para dizer o quê? Não vale a pena tentarmos proteger quer as crianças ao máximo, quer as pessoas que gostamos, porque inevitavelmente vai haver o dia em que vão precisar de fazer...
andar, caminhar, correr o que for e talvez se essa mesma criança tivesse aprendido a correr desde miúda tivesse tido essa liberdade esse espaço se calhar o embate não tinha sido tão forte e portanto não vale a pena realmente nós estarmos aqui a tentar amparar a vida constantemente as quedas dos outros K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K
porque cada um tem mesmo o seu próprio caminho. E não estamos a proteger, é que no fundo só estamos a prejudicar ao tentar fazer isto. Exato, aí o impacto foi maior, não é? Exatamente, foi contra uma parede. Exatamente. Literalmente. Portanto, isto acontece, isto é no fundo um exemplo.
prático do dia-a-dia, e se calhar até é um bocadinho absurdo, mas é o que realmente acontece quando achamos que estamos a proteger. O embate vai ser maior. A dificuldade eu acho que é muito, tem a ver com a culpa, eu acho que as pessoas muitas vezes acabam por amparar, porque é mais fácil entrar já por aí do que sentir culpa, não é? E os familiares muitas vezes fazem, os familiares são os que estão mais à vontade, fazem mesmo que estão.
da pessoa se sentir-se culpada, não é? Porque estão no mimimi, porque estão nessa vitimização. E eu vejo muito isso também com filhos em relação a pais e às vezes até estão enraifecidos porque os pais não dão a volta por cima, estão sempre nessa vitimização. Por isso é que eu digo, não é fácil. E para mim também não foi fácil, foi todo um percurso um bocado doloroso.
Mas isto é na família, mas isto começa desde pequeninos, já com crianças que também se sentem culpadas, não é? Em relação aos pais, em relação aos amigos, isto da culpa. É difícil uma pessoa conseguir descalçar essa bota. A mim foi o que me ajudou, foi mesmo esta noção de que as pessoas precisam de sentir dor. Porque eu...
que é isto que incomoda muitas pessoas, é o facto de sentir dor. E as pessoas que nós amamos também não queremos que elas sintam dor. Tudo se resume a isso também, um bocado. Eu não quero que a pessoa sinta dor. Só que a dor faz parte do crescimento. Lá está, as quedas que a criança dá fazem parte...
da aprendizagem dela para andar. Sim, não é com abracinhos nem com miminhos que tu decides, ai vou crescer. Vou crescer com abracinhos. Geralmente é isso do desconforto. Eu gostaria de adicionar aqui em relação a essa vitimização, a esse sentimento de culpabilidade, a essa dor. Sempre há uma outra parte e o que seria realmente ótimo é introduzir a confiança.
Se eu estou a fazer de mãe e a minha mãe está a fazer de filha ou ela é a vítima, se eu confio internamente em que eu posso mudar e que ela, ao seu jeito, também se vai acomodar a esses câmbios,
já está, que depois fica ótimo, que depois não fica... Tanto faz, a confiança é essencial, até para a dor, é confiar que eu vou cair, mas eu depois levanto, e pronto. E eu confio que estarei deitada no chão, mas depois, passado um tempito, já estou a andar novamente. Exatamente.
A mim vem-me muito no tema da educação, mas também de filhos para pais, e ao contrário, é confiar que o meu filho pode fazê-lo. Tem certa dificuldade com certa matéria, mas eu confio, eu apoio, eu sirvo de apoio, mas eu não posso introduzir-me no seu papel e, ai, coitadinho, não, não, não.
mais tarde ou mais cedo ele vai conseguir e inclusive como professor ou como mestre, para os alunos é essencial essa confiança porque há muitos que não confiam tu não consegues, tu não vais fazer o que é isto? a confiança para um próprio é a primeira mas para com os outros é essencial também e sempre ter essa confiança de base com dor ou sem ela sim
Na próxima parte vamos falar do amor. Vamos ao amor romântico. Vamos falar de quando é escolha e de quando é sobrevivência. Até já.
E por hoje ficamos por aqui, para o sistema nervoso não panicar. Se algo tocou em ti, não tentes perceber tudo. Escolhe apenas uma coisa para aplicares este mês. Uma. E se este episódio te ajudou, partilha, porque a cura em grupo multiplica a energia. Obrigada por estares connosco. Até ao próximo Encontro Luminoso e que este mês te aproxime ainda mais da tua essência.