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NEWS#17 - RECONHECENDO OS SINAIS

04 de setembro de 202617min
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Na última News do Clube trouxemos dados e informações relacionados a estudos que alertam para a crescente onda de dificuldades emocionais ocorrendo em vários países pelo mundo . Diante deste cenário, defendemos a conectividade afetiva familiar como a melhor ação protetiva contra o sofrimento emocional e, até, contra alterações comportamentais. E, fechamos informando que voltaríamos a abordar este assunto para falar sobre como reconhecer e agir quando o problema já está dentro de casa.

É bem verdade que falar sobre sinais comportamentais nos dias de hoje é um enorme desafio. Há sobra de informação, desinformação, suposição e exageros que, até, confundem comportamentos coerentes a contextos etários e fases da vida com transtornos emocionais.

Então, como lidar com isso?

Como podemos reconhecer problemas emocionais quando eles já estão instalados dentro de casa, prontos para nos surpreender?

A resposta que especialistas comportamentais nos dirão será para atentarmos para mudanças de comportamento, ainda que sutis, como:

* Reações emocionais desproporcionais como explosões de raiva, tristeza, irritabilidade, impaciência.

* Ansiedade e medo de falhar.

* Perda de interesse por atividades que antes geravam alegria.

Também podem surgir quebras na rotina habitual, tipo:

* Insônia ou sono excessivo.

* Pesadelos e dificuldades para adormecer.

* Perda de apetite ou compulsão alimentar.

* Sintomas físicos sem causas óbvias, cansaço constante, dores de cabeça, dores de estômago, etc

Na escola e em relações pessoais, devemos observar:

* Mudança de círculo social, evitar contato com amigos de longa data ou isolamento.

* Queda no rendimento escolar.

* Recusa repentina de ir à escola.

INDO ALÉM DISSO

É comum ouvirmos dos pais que, diante de uma lista como esta que acabamos de citar, uma das maiores dificuldades é conseguir separar as fases naturais do desenvolvimento, como pré-adolescência e adolescência, de algo mais profundo.

Por isso, hoje, o nosso convite é para refletirmos um pouco mais à fundo sobre como podemos melhor observar como vai a saúde emocional da nossa família.

E, se ajustarmos o nosso olhar para todos aqueles que vivem debaixo do mesmo teto? Que perguntas, percepções e reflexões poderemos encontrar?

Pense um pouco: se para nós, adultos, mesmo com toda a nossa experiência de vida e maturidade, muitas vezes é difícil falar e expressar o que sentimos, imagine para quem ainda nem sabe reconhecer ou compreender seus próprios sentimentos.

Imagine ter que lidar com que um caldeirão de informações públicas e confusas sobre identidade e pertencimento - graças as redes sociais e ao acesso 24/7 à web - na infância e adolescência; os períodos da vida onde ainda nem sabemos ao certo quem somos.

O QUE A SUA HISTÓRIA ENSINA

Pense um pouco na sua infância e adolescência. Que sentimentos incompreendidos você guarda na memória? Olhando hoje para trás, seja sincero: você sabia distinguir bem o que te colocava em risco?

O que seus pais falavam que parecia colocar um abismo entre vocês?

Por outro lado, quais eram os momentos em que você se sentia mais próximo, mais confiante e seguro na sua relação familiar?

É bem verdade que não podemos comparar a infância e adolescência de quem a viveu na era analógica com quem ja nasceu nativo digital. Nesse lugar, nós mesmos, que vivenciamos a transição de uma era para outra, ainda não conseguimos dimensionar em sua totalidade os custos de tudo isso.

Mas, podemos sim, calibrar nossa observância sobre sentimentos básicos imutáveis geração após geração. As aflições, os medos, as angústias podem até ter mudado de formato, mas continuam sendo sentimentos que nos conectam. Em todas as fases da vida, desejamos:

* Pertencimento

* Aprovação

* Valor reconhecido

* Conexão social saudável

* Acolhimento

* Segurança

E sofremos quando nos deparamos com:

* Agressividade

* Abandono

* Isolamento social

* Indiferença

* Rejeição

Hoje, 4 de setembro, via uma matéria publicada no site da Revista Crescer que afirma:

Adultos felizes hoje, carregam com eles duas memórias específicas sobre sua infância: terem recebido carinho e afeto dos pais, e, terem sido ter sido acolhidos pelos pais em momentos difíceis.

A BUSCA POR PERTENCIMENTO É REAL

Temos ouvido de forma repetitiva:

Crianças e adolescentes se tornam vitimas de abusos porque caem em armadilhas que manipulam suas vulnerabilidades emocionais, sociais, comportamentais e cognitivas.

Quem ataca, oferece:

* Aceitação e Pertencimento

O manipulador facilmente atrai quem busca por autonomia e autoafirmação, tem curiosidade e fome por aceitação social. Mas, há também crianças que se tornam presas fáceis por sua ingenuidade, inocência e falta de entendimento natural da idade.

De uma forma ou de outra, depois será o medo da punição ou do julgamento que enfrentará, que tornará a vítima refém do seu algoz.

Com certeza, você ja ouviu de diversas fontes que ao identificar sinais de alerta, devemos investir no fortalecimento do diálogo, do vínculo afetivo, na educação preventiva e no letramento digital.

Exatamente porque sabemos de tudo isso, te pergunto:

Porque, na maioria dos casos, só acordamos quando os sinais estão escancarados?

Isso sem falar naqueles que nem conseguem enxergar o que está acontecendo. Não sei você, mas tenho a impressão, que hoje, uma parte de nós está vivendo na luta constante para vencer a sombra invisível do mal que nos cerca. A outra, está ignorando que o mal é real.

ATENÇÃO

Vamos conseguir lidar com o que nos dispomos a olhar com a devida atenção. E atenção, na esmagadora maioria das vezes, requer observância. Esse é um dos nossos maiores desafios: Atenção.

E, sinceramente, o que entendemos por atenção hoje?

Fomos sugados para o incrível mundo da dispersão digital, que, reconheçamos ou não, afeta diretamente nossa qualidade de atenção no mundo real. Parece exagero?

Deixa eu te mostrar como não é:

Sua demanda por atenção cresceu.

Isso é um fato. Antes mesmo do enorme crescimento das redes sociais, desde que o mundo digital passou a caber na sua mão, seu tempo e atenção foram alcançados de maneira nunca antes vivenciada pelos seres humanos. E, não tem como negar, isso se reflete em todas as áreas das nossas vidas.

Mais demanda, mais cobranças.

Como desdobramento da demanda de atenção, todo o nosso entorno foi afetado e passou a nos cobrar mais. Afinal, se tudo se tornou “mais fácil e acessível”, teoricamente, deveríamos dar conta de mais coisas.

Só que a conta não fecha!

Se temos mais cobranças, menos tempo e atenção sendo disputada como moeda mercadológica, qual o resultado?

Maior dificuldade para darmos conta de tudo.

E quando aplicamos isso à realidade de mães e pais, o alcance é ainda maior.

FILHOS DEMANDAM TEMPO E RESPONSABILIDADES.

PRECISAM DE CUIDADOS E REQUEREM ATENÇÃO ESPECIAL.

Some a esses desafios, outros tantos individuais.

Aqueles que só você tem a dimensão do que significam no seu dia a dia. E então, se olharmos somente a partir desta perspectiva, fica fácil decretar:

NÃO VAMOS DAR CONTA!

Quando escrevi o livro, “O Reino de Orekare”, um dos personagens mais importantes que inseri na história foi Antônio, o pai de Pedro, o protagonista da trama. Antônio é um pai que acredita que tem tudo sob controle. E, de verdade, ele ama sua família, seu filho, e está se esforçando para dar tudo de melhor a eles.

Infelizmente, Antônio está tão imerso na batalha para dar conta, que nem percebe como isso tem afetado sua relação com o filho e até com seus próprios sonhos e objetivos pessoais. Por isso, no capitulo 3, para dar ao leitor a dimensão de como isso impacta em Pedro, abri um capítulo inteiro para que possamos conhecer seu coração. Ele ama o pai e se esforça para agradá-lo. Mas, ele também precisa que o pai o veja como o menino que ele é, com seus sonhos e talentos.

Cada família tem seus desafios emocionais particulares. Mas, em todos os cenários familiares há um fator comum:

Se a saúde emocional dos pais não estiver bem, como a dos filhos poderá ser saudável?

O QUE FAZER?

ESCOLHAS!

Um dos maiores problemas que temos hoje é a dificuldade em sair desse flow e conseguirmos atuar de forma preventiva e ativa para salvar a nossa saúde mental e emocional em meio a inúmeras demandas e cobranças diárias.

Contudo, precisamos fazer escolhas. E as escolhas que estamos fazendo hoje são fundamentais para a nossa saúde e também para a saúde emocional das nossas famílias.

De novo, pense um pouco: quantas vezes nós mesmos, adultos, temos enorme dificuldade de expressar o que estamos sentindo e pensando dentro de casa?

Quantas vezes temos dificuldades em dialogar com quem amamos e nos fazer compreendidos?

Some a isso o fato de que, como responsáveis por nossos filhos, estamos tão imersos em dar conta de tantas responsabilidades - nos esforçando em fazer nosso melhor - que nem avaliamos como vai a conectividade afetiva nas nossas relações.

DITO ISTO,

INVESTINDO EM VOCÊS

O que acontece quando nos sentimos deslocados, reprovados ou desvalorizados?

Consciente de que o ser humano anseia ser amado, deseja ser parte de algo e foi criado para viver em sociedade - e a família é o núcleo central disso - podemos afirmar que essa necessidade natural é tão inerente, inseparável e forte em nossa base emocional que, quando um desses pilares é abalado, se ele não for devidamente restaurado, sua quebra pode causar até danos irreparáveis.

Contra o mau que bate à porta, todas as respostas que estão hoje sendo afirmadas e reafirmadas só se tornarão efetivas quando, nós, os adultos, pudermos também vencer essas mesmas dores.

Porque, na prática, estamos lidando com questões emocionais similares, que transicionam por gerações.

É em casa, onde primeiro aprendemos a interpretar o mundo, as circunstâncias, os relacionamentos. Em família recebemos as primeiras aprovações, rejeições, alegrias ou tristezas da vida. E, tudo isso, vai se conectar profundamente ao entendimento de quão amada e aceita uma pessoa, realmente, se sente.

A forma como cada história é construída começa dentro de casa, nas nossas relações parentais. Então, a melhor resposta sobre como podemos reconhecer sinais comportamentais, é:

Comece observando atentamente suas relações familiares.

Observe se você tem realmente ouvido com a atenção necessária o que seus filhos tem a lhe dizer.

Observe-se.

Nós precisamos nos autoconhecer para poder nos tornar melhores em sermos quem somos, sem perder de vista o outro.

Autoconhecimento é o melhor caminho para a prevenção e compreensão sobre como podemos vencer a crise emocional e mental deste tempo. E ele também é fundamental para que possamos estabelecer essa conectividade afetiva familiar mais profunda, pois quando olhamos para o outro a partir deste lugar de observância e gentileza, podemos ver além do aparente.

POR FIM

Que bom que você está aqui conosco, pois o simples fato de ouvir ou ler esse conteúdo, já é um investimento em autoanálise e observância familiar. Não esqueça: a boa mudança chega quando somos nós que resolvemos mudar.

Todo o nosso conteúdo é feito com muita curadoria e carinho, para que nesses 20 minutinhos juntos aqui, você possa refletir um pouco sobre como podemos agir de forma preventiva e ativa para a sua saúde emocional e da sua família.

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Obrigada pela sua companhia!

Nos vemos em breve!

Até lá!


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