Episódios de CNC: NAS ARTES, NAS LETRAS E NAS IDEIAS

Marcos Soromenho Santos, 80 anos do Centro Nacional de Cultura, em 2025

08 de maio de 20266min
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Publicamos a intervenção introdutória de Marcos Soromenho Santos na sessão “Memórias Vivas”, realizada a 18 de dezembro de 2025 por ocasião das comemorações dos 80 anos do CNC.
Participantes neste episódio5
A

Augusto Ferreira do Amaral

Convidado
G

Guilherme Oliveira Martins

Convidado
M

Marcos Soromenho Santos

Convidado
M

Maria Calave

Convidado
P

Pedro Roseta

Convidado
Assuntos3
  • Primeira fase do Centro Nacional de CulturaContexto histórico pós-guerra · Os três amigos fundadores · Influência de grupos monárquicos e católicos · Primeira atividade: emissões culturais por rádio · Origem do nome: Centro Nacional de Cultura e Esportes
  • Estatutos e Cursos no CNCConflitos internos e saída da Mocidade Portuguesa · Mudança de sedes e fixação na Rua António Maria Cardoso · Curiosa proximidade com as instalações da PIDE
  • O legado das pessoas queridasAusência de fundadores vivos · Pedido de partilha de memórias a Augusto Ferreira do Amaral · Manutenção do grupo monárquico no centro
Transcrição17 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O meu nome é Marcos Suromeiro, sou membro da direção e quero... a mesa já foi apresentada, mas eu de qualquer maneira lembro. Tenho aqui à minha esquerda o presidente da direção, Maria Calave, ao seu lado Guilherme Oliveira Martins, presidente do Grande Conselho e membro da direção executiva. À minha direita, Augusto Ferreira do Amaral, presidente do Conselho Fiscal.

e ao seu lado Pedro Roseta, Presidente da Assembleia Geral. Estou aqui no meio de todos os Presidentes em exercício do Centro Nacional de Cultura em 2025 e eu queria começar esta sessão por fixar a data de 1945, 13 de maio, em Fátima. Há três amigos entre os 25 e os 29 anos.

um médico, um filósofo, um estudante de engenharia, do técnico, que ao voltarem de Fátima...

Quero lembrar que este dia é o quinto dia depois da rendição em Berlim das tropas alemãs às tropas russas, portanto ainda não estava consolidado o fim da guerra, mas todos sabíamos que era para lá, todos sabíamos que era para lá que se caminhava, vinham desta...

deste local em que se rezava pela paz do mundo e decidem os três fundar uma instituição dedicada à cultura.

São eles Afonso Potelho, António Siabra e Gastão da Punha Ferreira. Quando chegam a Lisboa, vão reunir um grupo de cerca de 100 pessoas da idade deles, portanto, dessa faixa etária dos 20 aos 30 anos, oriundos basicamente de um grupo de monárquicos.

que será o grupo mais forte nesse núcleo de 100, e um outro grupo católico, os três eram monárquicos e católicos, com experiência no CADC. Não sabem bem que coisas práticas é que podem fazer pela cultura, mas aparece a possibilidade, porque estávamos no fim da guerra.

de uma ediçora de rádio, que naquele tempo as rádios eram emitidas por umas gerimboças grandes que não se podiam locomover facilmente e que ficava num andar do lado de São Roque.

pelo que houve a possibilidade de arrendar esse lugar e poder começar a transmitir emissões culturais por rádio. Foi esta a primeira atividade que a Instituição Internacional de Cultura quis fazer. Não havia muito dinheiro para isso. Foi um ter com um terceiro grupo, além dos monárquicos e dos católicos, que era um grupo de homicidade portuguesa.

que tinham acesso a mais capital e fundam o Centro Nacional de Cultura e de Esportes, foi o primeiro nome que nós tivemos. A cultura era o aglutinador geral.

Os desportos vinham da sociedade portuguesa. A ideia de centro vem das potências dos católicos, sobretudo do CADC, que é o Centro Académico de Democracia Cristã de Coimbra. E o nacional vem dos monárquicos que querem, de facto, promover a cultura em geral, mas com a noção de que partiam de Portugal e...

E é com esse espírito que é fundada esta instituição. Este grupo vai manter-se coeso por muito pouco tempo, porque esse rádio que transmitia as emissões de Portugal, que era assim que se chamava,

discos, os discos, ainda não havia discos de vinil, na altura era uma coisa que se chamava goma laca, que era uma, que se partia facilmente, apareceram os discos partidos, esses discos pertencem à mocidade portuguesa, a mocidade portuguesa terá aproveitado essa desculpa para criar ali uma confusão, os monárquicos também já não se sentiam muito confortáveis com a presença do grupo da mocidade.

e acaba por haver uma primeira cisão logo no segundo ou terceiro ano.

do início da vida do centro, com a saída da mocidade, com o fim do acesso à rádio e então, como vimos agora neste filme que acaba de passar, o Centro Nacional de Cultura começa a passear aqui pelo Ceado e tem três sedes muito próximas aqui desta, acabando por se fixar aqui na rua António Maria Cardoso.

ao lado das instalações da PIDE, o que não deixa de ser curioso, porque a partir daí a coisa evolui mais ou menos como nós vimos. Ora bem, já não está ninguém vivo desses primeiros sócios, muitos de nós conhecemos bastantes.

e convivemos com eles. Eu queria pedir aqui ao Augusto Ferreira do Amaral, que conviveu com muitos deles, do grupo monárquico inicial que se mantém nesta altura até mais ou menos 1957-58, dominar a vida do centro, que pudesse partilhar connosco alguma memória que pudesse dar esse tom de atividade, de cultura e lúdico que o centro sempre faz.

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