Episódios de Amiga, tá tudo bem ser meio doida

deixar ir

06 de maio de 20269min
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quantas versões de nós mesmas vivem dentro de nós? tudo que fomos faz parte do que somos, então é importante pensar que essas partes de nós não passaram, mas seguem aqui, acompanhado cada passo nosso. uma reflexão sobre a carta do enforcado, o apego e tudo que o futuro pode ser.

Assuntos3
  • O livro Meridiana e a dualidade ir/voltarA pergunta 'é mais fácil ir ou voltar?' · A importância de abraçar todas as versões de si · Repetição de padrões e novas consequências · Meridiana · Eliane Alves Cruz
  • Reflexão sobre versões passadasGabi do passado vs. Gabi de hoje · Cabelo rosa como reflexo de personalidade · Carta do Enforcado e o apego · Prometeu castigado por Zeus
  • Conexão com versões passadas e essênciaMaternidade e saudade da adolescência · Resgatar a essência · Deixar ir dores e castigos · RBD
Transcrição25 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi, minhas amigas meio doidas, como é que vocês estão? Gente, primeiro preciso pedir desculpa, né? Porque eu desapareci, eu fiquei meio mal de saúde. Enfim, coisas que acontecem, né? O nosso corpo físico sempre vai estar aí dando sinais do nosso emocional ou adoecendo por si só também, né? Dando sintomas de um corpo físico que vive no mundo. Mas agora tá tudo bem.

E aí eu acho que talvez esses dias que eu precisei ficar de repouso, cuidar mais de mim, focar principalmente na minha alimentação, né? Não tava conseguindo comer muita coisa. Eu fiquei refletindo muito sobre as minhas versões do passado, sabe? E quantas Gabis já existiram.

que ficaram pra trás ou que ainda estão aqui de alguma forma. E aí a minha pergunta pra você, minha amiga, é a seguinte, você sente que alguma parte sua, assim, ficou pelo caminho? Porque eu tava pensando exatamente nisso esses dias, sabe? Eu vi uma foto minha de cabelo rosa, e eu tive cabelo rosa entre 2018 e 2020, assim. Acho que, isso, no início de 2020 foi quando eu voltei pro louro escuro.

Que é a cor natural do meu cabelo. E desde então eu tô assim, né? Meu plano, inclusive, era ficar um tempo com a dor escura e ficar loura. E ficou assim. E aí, tipo, Gabs, por que você está falando sobre cor de cabelo pra gente? Mas é porque eu acho que de alguma forma isso reflete com muita profundidade a minha personalidade, sabe? E aí eu fiquei pensando muito na carta do enforcado.

Pareceu pra mim um post no Instagram, que era dessas páginas místicas, né? E aí era o desenho, né? Ilustração, assim, da carta do enforcado. E escrito várias vezes. Let it go, let it go, let it go, let it go, né? Deixe ir, deixe ir, deixe ir. E porque a carta do enforcado, como qualquer arcano maior, ele tem muitos significados. Mas ele tem uma coisa de um apego também, assim. Porque no tarô mitológico é Prometeu sendo castigado por Zeus.

E ele fica ali, né, de pendurado, sofrendo aquela penalidade, ele não consegue sair daquele lugar. Então, tem um pouco dessa coisa, da dificuldade do deixar ir, da dificuldade do movimentar. E, enfim, a gente tem vários episódios aqui do podcast que falam sobre movimento, mas, às vezes, também o...

Estar estático é bom, né? Estar parado é bom, sentir que você tem raízes. Só que o problema do enforcado é esse, ele tá num castigo. Então, ele tá preso em algo que não é bom pra ele. E...

Eu fiquei refletindo muito, pensando muito sobre essa coisa do seguir, do movimento, do deixar ir embora e ao mesmo tempo sentir uma saudade. E aí falando essa questão do cabelo, que é um exemplo claro, como eu penso assim, quando eu vejo essas fotos de quando eu tinha o cabelo rosa, que me dá uma saudade, uma nostalgia. Eu acho, ah, é tão bonito, fica tão bonito em mim o cabelo cor de rosa, combina tanto comigo.

Mas quando eu paro pra pensar, hoje eu falo, cara, não faz sentido eu pintar o meu cabelo de cor de rosa mais. Eu não sou mais a Gabriela, de 2019. E ao mesmo tempo que isso pode ser bom, isso me traz, assim, uma certa angústia. E aí, recentemente, eu li um livro muito interessante. Assim, um livro, nossa, maravilhoso. Tem muitas coisas desse livro que me marcaram profundamente, assim, passagens e etc. E...

É um livro que tem muitas questões sociais, muitas questões raciais. Então, aqui eu vou focar única e exclusivamente na questão...

Do ir e vir mesmo, do que deixou pra trás, mas é um livro que eu deixo de recomendação, tá gente? Que é o Meridiana, da Eliane Alves Cruz. É um livro muito forte, é um livro muito bem escrito. E acho que é uma boa recomendação. É um livro que você lê muito rápido, porque apesar de ter temas muito densos, né? Essa questão racial, social, de machismo também. A escrita dele é muito bem feita e muito fluida. Então você entra ali num ritmo que dá pra você ler o livro de uma vez só.

Mas voltando aos fatos, esse livro ele começa com uma família mudando de casa, e aí a filha mais nova tá criança e fala com o pai, ela pergunta assim, pai, é mais fácil ir ou voltar? E aí o pai responde pra ela que é fácil voltar quando você precisa de alguma coisa que ficou pra trás.

E essa pergunta permeia o livro inteiro, mas eu acho muito forte, assim, porque às vezes quando a gente lembra do passado e a gente sente que a gente não cabe nele, porque a gente deixou alguma coisa embora, é porque a gente passou mesmo por isso.

Mas tem momentos que a gente vai precisar voltar, porque alguma coisa a gente deixou, percebe? Então, eu acho muito importante a gente conseguir olhar para o nosso passado, por mais que não seja fácil, tá, gente? Porque não é de forma leve, sabe? E abraçar todas as versões da gente que existiu. E tem duas frases, assim, desse livro que eu marquei aqui, que eu grifei quando eu estava lendo, que eu acho super importantes, assim.

Que é, não importa pra onde a gente vá, sempre existe um chão no qual seu coração ficou enterrado. E que é isso, né? Assim, a gente sempre vai ter um lugar que nossas raízes estão. Então, tem lugar que mesmo que não seja fácil, a gente precisa voltar.

E a outra frase que eu marquei é, os fatos até podem se repetir, mas não precisam gerar as mesmas consequências. Então, tem coisa na nossa vida que vai acontecer de novo, que vai soar familiar. E isso tem até uma coisa da psicologia, né? Do eterno retorno, da filosofia, na verdade. Do eterno retorno, na psicologia tem a questão de repetição de padrão, mas...

Mesmo que os fatos se repitam na nossa vida, é claro que a gente precisa ter atenção quando a gente tá repetindo algum padrão, mas... A gente pode escrever diferente. Não é porque aquela narrativa tá familiar de alguma forma que ela vai ser igual, porque você não é a mesma pessoa.

Que viveu aquela história antes. E nem os outros envolvidos necessariamente são as mesmas pessoas, né? Mesmo que sejam os mesmos personagens, não são mais as mesmas pessoas que eram antes. Então, essa coisa do deixar ir, tem muito isso também. E ficar aberta às possibilidades, né? Eu já falei que eu tenho muita dificuldade de lidar com...

com possibilidade sem ar aberto, mas é algo que eu tenho trabalhado muito em mim. E eu acho que é importante a gente conseguir fazer isso, pra gente ter um pouco mais de leveza na nossa vida, de fato. Percebem? E curiosamente, assim, né, eu atrasei a gravação, porque eu tava passando mal, gravação desse episódio, mas eu achei muito cirúrgico, porque na madrugada de hoje, uma amiga minha de infância,

postou um texto, hoje ela tá casada, ela é mãe, e ela postou um texto sobre processo da maternidade, e eu achei tão bonito porque ela resgatou umas fotos da nossa adolescência, e ela foi falando sobre como ela vendo o filho dela dormindo, tava dando uma saudade da época que ela ficava em casa vendo o clipe do RBD, e aí, ela resgatou essas fotos, e eu senti uma coisa...

tão profunda, uma conexão justamente com o que eu tinha escrito para esse episódio, que as nossas versões, elas sempre vão estar dentro da gente. E talvez aplaudindo o nosso progresso, talvez precisando serem resgatadas, precisando que a gente retorne a elas de alguma forma, mas que esse processo faz toda parte do nosso amadurecimento e que de tempos em tempos a gente vai se encontrar, ou talvez...

confrontar essas nossas versões anteriores e, consequentemente, o que nós somos hoje. E, enfim, a vida, ele vai de vai e vem mesmo, né? É...

Eu não queria dar um spoiler do livro, então vou falar aqui, mas quem quiser ler o livro e não gostar de spoiler, pule os próximos 30 segundos desse episódio. Que um dos personagens, né, como eu falei no início, é uma mudança, um dos personagens depois volta, anos depois. Depois de muitas consequências, depois de muitos atravessamentos, ele volta pra essa casa antiga. E é...

É algo muito importante, assim, porque tem essa coisa de resgatar a minha essência, né? Então, qual é essa essência? De tempos em tempos, a gente precisa, de fato, se conectar com ela. Então...

Enfim, que a gente deixe os fatos e as dores e os castigos, né? Retomando de novo a figura do enforcado. Que a gente deixe todas essas coisas irem embora. Mas que a nossa essência, que o que nós somos, que o que nos move, né? O que a gente sente como paixão na nossa vida, que a gente não perca. É isso, minha amiga. Um beijo e até o próximo episódio. Tchau.

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