Episódios de Grimório Botânico: Plantas Medicinais

Ginkgo biloba: A Árvore que Sobreviveu aos Dinossauros

08 de maio de 202621min
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Este episódio explora o Ginkgo biloba, uma das espécies vegetais mais antigas ainda existentes.
Da sua resistência evolutiva e reprodução primitiva ao uso na medicina tradicional chinesa e em suplementos modernos, a discussão conecta botânica, história, química e saúde em torno de uma árvore considerada um verdadeiro fóssil vivo.
This episode includes AI-generated content.
Assuntos6
  • Superação e ResiliênciaSobrevivência a eventos catastróficos · Resistência a extinções em massa · Adaptação evolutiva · Fóssil vivo
  • Cannabis medicinalMedicina tradicional chinesa · Extrato EGB-761 · Glicosídeos de flavonoides · Lactonas terpênicas · Inibição do Fator de Ativação Plaquetária (PAF) · Melhora da circulação periférica · Efeitos no cérebro e cognição
  • Biologia e Morfologia da Ginkgo BilobaGimnosperma decidua · Sementes nuas · Folhas em leque bilobadas · Nervura dicotômita · Reprodução dioica · Espermatozoides nadadores
  • Usos e Cuidados com a Ginkgo BilobaArborização urbana (árvores machos) · Uso culinário na Ásia (sementes) · Toxicidade de sementes cruas · Interação com anticoagulantes · Cuidados pré-cirúrgicos · Diferença entre chá caseiro e extrato
  • Mecanismos Biológicos de ProteçãoResistência a solo pobre e seca · Tolerância a invernos rigorosos · Resistência a fungos, doenças e pragas · Tolerância à poluição urbana · Resistência ao fogo
  • Sinais de alerta para saúde cognitivaPrevenção de Alzheimer e demência · Declínio cognitivo leve · Velocidade de processamento
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O vento que acabou de passar por você carregava sementes. Antes dos livros, antes das farmácias, antes até dos nomes que damos as coisas. As plantas já sabiam curar. Elas guardaram o segredo em raízes, em resinas, em espinhos e flores. E hoje, nesse exato momento, elas estão sussurrando esse segredo, bem aqui, para você. Feche os olhos por um segundo. Sinta o cheiro de terra molhada. Você está entrando no Grimório Botânico.

Imagina só, por um momento, um organismo capaz de resistir a eventos catastróficos absolutos. E, tipo, não estamos falando de uma chuvinha forte, sabe? Ah, não. Ou de uma seca de verão isolada, né? Exato. Estamos falando da capacidade literal de sobreviver a meteoros caindo, ao congelamento profundo de várias eras glaciais seguidas.

E até a níveis absurdos de radiação, além de toda essa poluição tóxica e pesada das cidades modernas hoje em dia. É muito louco isso. Um sobrevivente supremo que ficou, assim, praticamente inalterado por algo entre 200 e 270 milhões de anos. É um nível de resiliência que simplesmente subverte toda a lógica evolutiva que a gente está acostumado a observar.

Com certeza, porque geralmente quando a gente pensa em evolução, a primeira imagem mental que vem é aquela da adaptação constante, né? Das espécies mudando de forma o tempo todo para lidar com novos predadores ou com um clima diferente. Exatamente. Mas aí a gente olha para esse organismo que encarou de frente as piores extinções em massa do planeta.

Inclusive aquela que varreu os dinossauros do mapa. Isso. E a planta simplesmente continuou lá, de boa, fazendo o que ela sempre fez.

E é bem por isso que a gente pode olhar para a gingo biloba não só como uma árvore de calçada qualquer, sabe? Ou um daqueles suplementos famosos de farmácia. Nossa, sim. Ela é, na verdade, uma verdadeira cápsula do tempo biológica. Exato. O DNA dessa planta guarda segredos de um mundo que existia muito, mas muito, antes de qualquer ancestral humano sequer sonhar em andar sobre duas pernas.

Eu fico fascinada com isso. E tentar desvendar a jornada incrível dela, lá da pré-história, até a nossa farmacologia moderna, é o que ajuda a entender como ela mexe com o nosso próprio corpo, né? E o que torna toda essa trajetória ainda mais fascinante é perceber que as ferramentas de sobrevivência que ela usava lá no passado, o remoto, são exatamente o que a gente tenta usar hoje para proteger a nossa saúde.

As estratégias biológicas dela são muito peculiares. São demais. É uma sobreposição perfeita entre a botânica mais ancestral possível e o que a gente entende hoje sobre a circulação e o cérebro humano. É, mas vamos recuar um pouco e falar dessa biologia primitiva dela.

Porque, olha, parece coisa de ficção científica. Sem dúvida. Só para dar uma noção da escala de tempo, a ginkgo biloba é o único membro sobrevivente de toda uma ordem inteira de plantas. A ordem ginkgoalis, né? Isso mesmo. E essa linhagem inteira remonta lá ao período Permiano. Ela dominou geral as florestas nos períodos Jurássico e Cretáceo.

Mas aí o clima mudou, os continentes se moveram e, tipo, quase tudo dessa ordem simplesmente desapareceu. E só sobrou ela. É bizarro pensar como uma árvore consegue fazer isso, fisicamente falando o que ela é. Bom, no jargão botânico, a gente classifica ela como uma gimnosperma decidua. E traduzindo isso pra gente? Traduzindo quer dizer que ela tem sementes nuas, sabe? Algo meio parecido com o que a gente vê nos pinheiros.

Ah, entendi. Mas diferente dos pinheiros, ela perde as folhas no outono. Exatamente. E olha, não é uma plantinha discreta, não. Uma árvore madura é um colosso que chega fácil ali a 30, 40 metros de altura. Caramba, 30 metros? Com aquele tronco maciço, né? Muito maciço. Mas a assinatura visual inconfundível dela está mesmo na folhagem.

Aquele formato clássico e icônico de leque. Eu acho lindo. E a própria nomenclatura revela isso, sabia? As folhas são bilobadas.

Ah, divididas em dois lóbulos. Daí o biloba. Perfeito. Elas têm uma textura que parece quase um couro. São bem espessas. E tem o que a gente chama de nervura dicotômita. Que é quando as veias da folha começam na base e vão se dividindo em duas de novo e de novo até chegar na borda, né? Isso. É um padrão estrutural incrivelmente primitivo. E o comportamento dela no outono é assim, um espetáculo à parte.

Porque ela não perde as folhas aos poucos ao longo de várias semanas, que nem a maioria das árvores. Não, é um evento super dramático. É, a clorofila se decompõe, aparecem os pigmentos ali de baixo, e as folhas ganham um tom amarelo-dourado brilhante, né? Quase luminoso. Fica lindo. E aí elas caem de forma muito abrupta. Em coisa de dois ou três dias, quase todas as folhas daquela copa gigantesca vão pro chão de uma vez só.

Fica aquele tapete denso e dourado em volta do tronco, é lindo. Mas ao mesmo tempo ela é super agressiva para se defender, né? Muito agressiva biologicamente. A fisiologia da ginkgo tolera condições que fariam quase qualquer outra planta morrer rapidinho. Tipo o quê? Crescer em solo pobre? Sim, solo sem nutrientes nenhum. Ela suporta secas longas, invernos absurdamente rigorosos e resiste de forma quase inexplicável a fungos, doenças e pragas.

E até o fogo, né? Eu li que a casca dela resiste muito às chamas. Resiste demais. E o mais chocante pra gente hoje, ela lida com a fuligem e com o monóxido de carbono das nossas cidades modernas como se nada estivesse acontecendo. Gente, é muita resiliência. Mas assim, a parte que me deixou mais chocada nessa história toda foi como ela se reproduz. Ah, essa parte é uma loucura.

Porque até aqui, beleza, é uma árvore grande e forte. Mas a reprodução dela soa muito alienígena para os padrões modernos. É que a ginkgo é uma espécie de oica. Ou seja, tem árvore macho e árvore fêmea separadas, é isso?

Exatamente. O que já isola ela de boa parte das árvores modernas que normalmente têm os dois sexos na mesma flor. E como funciona? Nas gingôs, os machos produzem umas estruturas pequenas, os amentílios, que parecem uns cones macios. A função deles é só soltar pólen no vento. E as fêmeas?

As fêmeas têm óvulos emparelhados na ponta de umas hastes. Depois que rola a polinização, esses óvulos viram sementes com uma capinha carnuda, tipo uma mecha pequena. E aí tem um detalhe sensorial, digamos, bem intenso, né? Quando essas sementes caem no outono e a camada de fora começa a apodrecer no chão. A famosa sarcotesta. E ela libera um odor, olha, terrível.

Terrível é apelido. O pessoal compara com manteiga rançosa, queijo estragado, ou, sendo bem direta, com o cheiro de vômito. É, andar debaixo de uma árvore fêmea no outono não é a melhor das experiências, oides. Isso. A ginkgo biloba tem espermatozoides que nadam. A gente precisa parar um segundo pra analisar isso. É, não é o que a gente espera de uma árvore.

Como assim espermatozoides de planta nadando no topo de um galho, a 30 metros do chão, onde não tem rio, não tem lago? É um conceito que quebra a nossa intuição botânica moderna. Na maioria das plantas com sementes de hoje, o pólen cai na flor, cria um tubo seco e injeta o DNA lá no óvulo. Mas a ginko ainda carrega o mecanismo da época que as plantas dependiam da água da chuva no chão para se reproduzir, tipo as samambaias e os musgos.

Sério? E como ela adapta isso para a altura? Quando o pólen voa e cai na parte feminina, ele forma um tubo. Mas a sacada é que a árvore fêmea cria uma câmera microscópica cheia de fluido lá no alto do galho. Uma piscininha particular para o pólen. Isso. E o pólen não entrega o DNA direto. Ele meio que se rompe e joga esses espermatozoides multiflagelados dentro dessa piscininha.

E eles literalmente nadam através desse fluido criado pela árvore até alcançar o óvulo para fertilizar. Exatamente. Eles têm múltiplos flagelos, como se fossem vários cílios batendo super rápido para nadar. Isso é muito raro em planta moderna, né? É uma raridade quase absoluta. Tirando a ginkgo, só as cicadáceas, que são umas plantas bem antigas que lembram palmeiras baixinhas, ainda mantém isso.

o que só confirma o status de fóssil vivo dela. Sem dúvida. Para você ter ideia, a gente acha fósseis de dezenas de milhões de anos com folhas idênticas às que estão na calçada hoje. O design era tão bom que a natureza nem precisou mudar. E aí vem a nossa conexão humana, né? Porque se uma planta cria uma armadura tão perfeita contra fungo, praga e radiação, era questão de tempo até a humanidade olhar e pensar. Como eu roubo isso para mim? Exato.

Como a gente usa essa resistência no nosso próprio corpo? E essa busca milenar vem lá da Ásia. Isso nos leva direto para as regiões montanhosas remotas da China, porque quando as eras glaciais limparam a ginkgo do resto do mundo, algumas sobreviveram por lá, nos vales chineses. E lá ela não só encontrou refúgio, mas foi totalmente integrada na cultura e na medicina. A medicina tradicional chinesa documenta o uso dela há quase 5 mil anos.

E não é só lenda passada de boca em boca, né? De jeito nenhum. A medicina empírica deles era super sofisticada e deixou registros muito minuciosos. Tem o Ben-Kao Gangmu, por exemplo, que é um compêndio do século XVI. Que já descrevia o uso dela com uma precisão impressionante.

Sim, eles não faziam tipo um chá qualquer e falavam, ah, isso aqui faz bem. Eles sabiam mapear certinho o efeito. Usavam partes específicas para problemas respiratórios, asma, tosse crônica. Ajudava a reduzir o catarro. Isso.

E o mais interessante para a farmacologia de hoje é que eles notaram que a planta estimulava a circulação e a vitalidade cognitiva. Ajudava muito na clareza mental e na longevidade dos mais velhos. É incrível como a observação de várias gerações percebeu isso alterando o fluxo de energia do corpo. E tudo isso muito antes de inventarem o microscópio. Pois é. E essa utilidade toda fez ela virar quase sagrada.

Monges começaram a plantar e proteger as gingôs em volta de templos, principalmente no Japão e na Correia. E viraram símbolos de resistência. Mas aí como é que essa árvore sagrada e asiática atravessou o mundo e virou queridinha nos laboratórios do Ocidente? O pulo do gato aconteceu no século XVIII. Entre 1730 e 1784, viajantes e botânicos levaram sementes para a Europa. Mas no começo eles não estavam nem aí para a medicina, né?

Zero interesse médico no começo. Eles ficaram maravilhados foi com a estética diferentona dela, as folhas em leque. E com o fato de que os insetos e fungos europeus não matavam ela. Exato. Virou um sucesso absurdo no paisagismo urbano. Mas de enfeite de rua em Paris para remédio, o que mudou? A virada de chave foi na Alemanha Ocidental, lá nos anos 60.

Os cientistas começaram a estudar fitoterápicos e olharam para os textos chineses antigos sobre vitalidade cerebral. Mas fazer um chá tradicional não era muito seguro, né? A potência variava muito. Variava demais dependendo de onde a folha cresceu e ainda tinha substâncias irritantes na folha in natura.

E foi aí que a ciência alemã entrou em cena. Isso. Eles desenvolveram técnicas bem rigorosas para isolar só os princípios atidos e padronizar. Daí nasceu o famoso extrato EGB-761.

que é um dos extratos de plantas mais estudados da história. E é aí que a gente entra na química do negócio. O que acontece lá dentro do corpo? O principal é entender que a eficácia não vem de um ingrediente mágico só. É uma sinergia, uma química bem complexa, que a árvore desenvolveu para se defender da radiação e dos insetos.

Uma verdadeira orquestra química. E tem dois grupos de substâncias que brilham aí, certo? Certo. O primeiro grupo, que formam os 22 a 27% do extrato, são os glicosídeos de flavonoides. Nomes bonitos, tipo quercetina e caimferol. Isso. Isorhametina também. Eles são basicamente antioxidantes superpotentes que combatem o estresse de oxidativo.

A quercetina eu já vi muito em rótulo de cosmético anti-idade. Eles combatem os radicais livres. Exatamente. O nosso corpo produz radicais livres o tempo todo. São moléculas instáveis que roubam elétrons de células saudáveis, danificam o DNA e causam envelhecimento e inflamação.

E os flavonoides da ginkgo vão lá e doam elétrons para neutralizar esses caras, parando a destruição. É uma baita linha de defesa. Mas aí a gente tem o segundo grupo, que é de 5 a 7% do extrato. As lactonas terpênicas. Que são compostos que só existem nessa árvore, né? Tipo os ginkolídeos e a bilobalida. Só nela.

E a função principal deles, e a mais procurada pela medicina, é inibir o PAF, que é o fator de ativação plaquetéria. E o que é esse fator? É um sinal químico que manda as plaquetas do sangue grudarem umas nas outras. Os ginkolídeos bloqueiam esse sinal. O sangue fica menos viscoso, mais fluído.

E eu adoro uma analogia para tentar visualizar isso melhor. Imagina que o nosso sistema circulatório é tipo uma malha de trânsito numa metrópole gigante. É uma boa forma de ver.

Com os anos, dietas ruins e inflamações, as ruas vão deteriorando, as pontes estreitam, os canos enferrujam e o trânsito, que são as plaquetas, começam a engarrafar. As plaquetas ficam ativadas demais, batem umas nas outras e travam tudo. Isso. E aí a energia e o oxigênio simplesmente não conseguem chegar nos bairros mais periféricos da cidade. Que é o que a gente chama na medicina de deficiência circulatória periférica.

E quando a gente ingere essas lactonas da ginkgo, é como se entrasse uma equipe de manutenção de elite na cidade de madrugada. Perfeito. Eles cancelam as chamadas falsas, que mandam os carros se amontoarem, que seria a inibição do PAF.

E depois vão lá, limpam a rua e até alargam as avenidas congestionadas, relaxando as paredes dos vasos. A famosa ação vasodilatadora. E no dia seguinte, o trânsito flui lindamente até a periferia. Que no nosso corpo são as extremidades, mãos e pernas. E claro, o centro de comando que é o cérebro. Exato.

Melhorar a microcirculação lá nos capilares cerebrais significa que os neurônios recebem muito mais oxigênio e glicose. E ainda ajuda na faxina, tirando as toxinas de lá. Mas assim, agora eu preciso ser meio cética. Pode falar. Se a gente entra numa farmácia, a caixinha do suplemento meio que promete que nosso cérebro vai ser blindado, que não vamos ter demência e vamos ter memória de jovem. A ciência moderna valida toda essa promessa?

A sua cautela é super necessária para separar a ciência do marketing. A gente precisa olhar para as revisões rigorosas de grandes ensaios clínicos, sabe? E o que elas dizem? Quando a pergunta é, tomar ginkgo todo dia previne Alzheimer ou demência em pessoas saudáveis? Os resultados são bem decepcionantes.

Sério? Então não serve para prevenir do nada? Os dados são mistos ou inconclusivos para prevenção absoluta em quem não tem sintoma. Não é um escudo mágico. Entendi. A ideia de tomar desde os 40 anos como garantia não se sustenta tanto. Não de forma unânime. Mas, e aqui tem um grande mas, quando a gente olha para quem já está com o declínio cognitivo leve da idade, os dados são bem mais fortes.

Ah, então ela ajuda a restaurar quem já está perdendo foco? Exato. Melhora a velocidade de processamento nesses casos, porque restabelece aquela microcirculação que já estava debilitada. E pelo que entendi, na parte de circulação periférica, o efeito é super comprovado, né? Indiscutível. Pessoas com claudicação intermitente, por exemplo.

que é aquela dor crônica na perna ao caminhar por má circulação. Isso. Essas pessoas conseguem andar muito mais sem dor com o extrato. E também tem melhora enorme para casos crônicos de zumbido no ouvido de origem vascular e para vertigem. Porque ela desentope e solta o fluxo de sangue que estava gerando problema lá no labirinto. Exatamente. A planta resolve entupimentos biológicos.

E falando em usos práticos assim, tem a questão do plantio e dos perigos que muita gente ignora. Sim, tem os cuidados. Porque para a arborização de cidade grande, ela é perfeita para engolir poluição, mas só devem plantar as árvores machos, né? Para não ter a semente com aquele cheiro de vômito. É uma regra de ouro dos urbanistas. E falando na semente, na Ásia eles usam o miolo dela na culinária milenar. Em sopas, refogados, tem o sabor amendoado.

Mas tem um perigo gigante aí, a gente precisa deixar claro. A semente não pode ser comida crua de jeito nenhum, certo? De jeito nenhum. O consumo cru ou mal preparado é letalmente tóxico.

Elas têm muita gincotoxina, que atrapalha os neurotransmissores no cérebro. E comer cru pode dar convulsão severa e até a morte, especialmente em criança. É muito sério. Muito. A natureza tem as suas defesas. E, olha, até os extratos de folha da farmácia precisam de muito cuidado, apesar de serem a forma padrão de uso, tipo de 120 a 240 miligramas por dia.

Mas se ele afina o sangue, quem toma remédio anticoagulante tem que ter cuidado redobrado, né? Risco de hemorragia e contusões graves. É perigoso misturar. E para quem vai passar por cirurgia médica ou no dentista, tem que parar de tomar ginko pelo menos duas semanas antes. Faz todo sentido, afinal ela impede a coagulação de fechar o corte.

Mas aí eu fico pensando, e aquela pessoa que vê essas informações maravilhosas na internet, vai num parque no outono, pega umas folhas douradas do chão e faz um chá em casa para tentar estudar melhor? Nossa, fazer isso é jogar fora toda a ciência dos últimos 50 anos. É uma péssima ideia. Por que o chá da folha e natura é tão ruim?

Porque a folha bruta é lotada de ácidos dinquicólicos. E eles são toxinas fortes e superalergênicos. Podem causar reações severas. Então o extrato de laboratório tira isso? Sim, o processo no laboratório tem várias lavagens que reduzem esses ácidos para níveis inofensivos e ainda concentra as partes boas. O chá caseiro é uma roleta russa química. Você não sabe a dose de nada.

O laboratório purifica a natureza para ela não agredir o nosso corpo frágil. Uma excelente forma de resumir.

E olhando para trás, para tudo que a gente explorou aqui, essa árvore é mesmo um monumento vivo, né? Ela atravessou extinções brutais, viu os dinossauros, virou sagrada nas montanhas e hoje está nos nossos microscópios para entender circulação e cérebro humano. É uma história que entrelaça a força bruta da sobrevivência com a precisão da farmacologia moderna. A natureza testando soluções há milhões de anos que a gente usa hoje.

E todo outono, quando cai aquele tapete dourado nas ruas, a gente está literalmente esbarrando na vastidão inimaginável do tempo.

O que deixa uma pulga atrás da orelha fascinante para quem está ouvindo a gente. Conta para mim. Se uma única espécie de árvore guardou uma farmácia tão complexa e sutil que pode modular o nosso cérebro e o nosso sangue desse jeito... O que mais tem por aí, né? Exatamente. Que outros enigmas monumentais sobre os limites do nosso corpo estão escondidos agora, sabe? Nas florestas, nos pântanos, só esperando a nossa curiosidade ir lá e decifrar.

É, muda totalmente o jeito de olhar para a natureza no trajeto para o trabalho. A gente tem que manter essa curiosidade viva e reverenciar as conexões do nosso corpo com o passado do planeta. Fica aí a reflexão. Até a próxima exploração, gente!

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