Siara Holanda
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- Desafios de Saúde e ResiliênciaProblemas na Coluna · Cirurgias · Parada na Vida · Aumento de Peso · Dor e Medicação
- Carreira de Dança e Mudança para PortugalDança Jazz e Balé · Programas de Televisão no Brasil · Bailarina do Irã de Costa · Campeonato de Dança · Chegada a Portugal
- Relacionamento com Rui Bandeira e FamíliaConhecendo Rui Bandeira · Relação Séria e Duradoura · Filha Bárbara Bandeira · Enteado Tiago · Família Feliz
- Infância e Sonhos de DançaInfância no Brasil · Mãe Solteira · Colégio de Freiras · Filme Flashdance · Escola de Dança
- Crescimento Profissional da Filha BárbaraLinguagem Comum na Arte · Força e Superação de Bárbara · Apoio Materno · Talento e Criatividade · Bárbara como Cometa Halley
Seara Holanda é uma mulher que é um exemplo de superação e resiliência. Saiu do Brasil com destino a Portugal, perseguindo o sonho da dança. Apaixonou-se e por cá ficou. Mulher do cantor Rui Bandeira, mãe da cantora Bárbara Bandeira. Não é de todos cessivo afirmar que é o pilar de uma família feliz. E hoje está comigo para uma conversa olhos nos olhos. Olá, Seara. Boa tarde.
Olá, Tânia. Bem-vinda. Obrigada pelo convite. Bem-vinda à nossa tarde. Olha, eu podia dizer-te que estás muito luminosa e não é das lancholas. Estás efetivamente muito luminosa porque estás a passar uma fase da tua vida muito bonita. Mas antes de chegarmos à Ceara que hoje tenho aqui à frente dos meus olhos, temos que ir conhecer a Ceara pequenina que nasceu e cresceu no Brasil. Então, como é que foi a tua infância?
Eu sou filha de pais separados, né? Fui criada por uma mãe solteira, mas tive a sorte de ter uma pessoa que ajudou a minha mãe a me criar. Minha mãe trabalhava muito, muito, muito, muito de sal a sal e a Maria fazia sempre todo o resto do trabalho.
Na escola, eu estudei num colégio de freiras durante bastante tempo, mas eu era aquela menina muito sonhadora. E ainda o sou. Ai, credo, eu vou chorar horrores. Não vais. E olha, e se chorar, chora, não há problema nenhum. E desde pequenininha.
Se calhar é melhor por isto mais para a vida. Eu prometi para mim mesma que eu já não ia chorar, porque eu choro muito. Não faz mal, faz bem. Mas é isso. A Seara, desde pequenina, na escola eu sempre gostei de arte. Eu não gostava muito de... eu não tinha muitos amigos. Sempre estava metida no vôlei, eu participava da seleção de vôlei da escola.
quando havia situações de apresentações de dança, desfiles, eu era a menininha de recado dos professores. Portanto, eu sempre estava metida nas artes. Certo, e em palcos. Mas há uma...
Um filme na televisão que muda completamente a tua vida e que acende uma luz que tu não sabias que estava ali. É, eu tinha oito anos e eu estava sentada no chão da sala da minha casa, ainda com uma televisãozinha pequenina, daquelas caixas pretas, né? Era as que havia? É, em cima de uma cadeira, porque nós tínhamos mudado há pouco tempo.
E eu vi o filme Flashdance naquela altura. Havia vários filmes de dança, né? Mas o Flashdance me chamou a atenção porque ela era solo. E eu sempre fui muito assim, sozinha e solo. Em tudo na minha vida. E quando ela fez o passo no casting, no movimento, no final do filme, ela fez o passo, tipo assim, eu olhei para aquilo, eu tinha oito anos, e eu disse assim...
Eu sou isso. E então pedi a minha mãe para me inscrever na escola de dança que havia perto de casa, que era da mesma professora de educação física da minha escola. Ela era professora de jazz e de balé. E então, minha mãe não conseguia, porque disse que não conseguia pagar.
Mas aí, pronto, não sei, ela falou com a professora e as coisas lá. Lá se fecharam não entra essa cor, não é? Sim. E foste crescendo assim e depressa percebeste que a dança é o mundo, mas que o balé nem sequer era o teu lugar favorito. Tu gostavas de jazz, não é? De dança jazz e de dança. Eu entrei...
Tinha iniciantes, intermediários e adiantados, tanto no balé quanto no jazz. Eu entrei logo no balé e achei aquilo muito... Para já correu mal porque a primeira aula foi aula de espagata. Abertura, como nós chamamos, né? E eu sofri horrores. E eu disse assim, nossa, isso não vai ser para mim.
E depois era muito parado, muito, muito, muito parado. E eu disse, não, não, eu sou mais mexida, sou mais intensa. Então fui para o jazz. Fiquei somente uma semana, era para ficar seis meses na fase de iniciantes. Fiquei uma semana e imediatamente me passaram para o intermediário. Exato. E percebeste que o teu lugar era ali. Era ali não necessariamente no Brasil, porque aos 18 anos tu vens para Portugal.
por uma vitória pessoal tua, e isso é muito importante. Tu tornaste bailarina do Irã de Costa, mas isto aconteceu num campeonato, num casting grande, não é? Como é que foi? Eu já trabalhava em programas de televisão no Brasil, liderava um balé num programa de televisão, fazia outros dois programas de televisão, mas também trabalhava na parte de produção, de tudo isso. Eu sou do tempo que anotava a fita cassete.
Do câmera, entrevista, pessoa tal, do minuto tal, minuto tal. Então, eu sempre estive envolvida nessa parte. Em várias áreas. No palco, no vídeo, cá fora, cá atrás, tipo, tudo. Sempre foi o meu mundo, assim. É como... Eu não sei explicar. Acho que eu era tão nova, mas aquilo, eu era mesmo aquilo. Até hoje, não tenho como fugir para outra coisa.
Como é que foi esse campeonato que tu ganhaste e como é que foi a chegada a Portugal de uma miúda que, por mais despachada que fosse, tinha só 18 anos? É, eu tinha, na altura tinha 17. Primeiro foi-me feito o convite direto. O Irã fez-me o convite diretamente através de pessoas que conheciam o meu trabalho no meio. Então, ele precisava de uma loira e de uma morena.
E eu era morena, só que nós tivemos muita dificuldade de encontrar uma loira. E então ele tinha conhecimentos também no meio, não é? E tinha um programa de televisão lá local que ele disse, olha, nós vamos precisar fazer um casting para uma loira. E vamos fazer numa televisão local.
Mas apareceram tantas morenas, tantas... O Brasil tem muito mais morenas, né? Claro, tal como Portugal, né? E assim, morenas bem morenas e lindas e avantajadas. E eu sempre fui aquele corpinho... Tinha... E eu sempre fui, tipo... Nunca tive um corpão muito brasileiro, aquelas coisas assim mais...
Redondas. Sim. E bonitas também. Nunca tive. E então eu era muito dança, dança, dança. E eu estava passando uma fase complicada, que foi quando a Maria foi... Então foi descoberto o problema de saúde da Maria. É a tua segunda mãe? Uhum. E eu andava nessa correria. E então... Então...
O casting teve muitas morenas, então eles disseram pra mim assim, Ciara, afinal, o seu lugar não está garantido. E o casting pra morena também vai ser a Valeira. Ok. Então vai ser uma loura e uma morena, temos que escolher. Então foi bem difícil. Porque eu, por exemplo, estava a noite inteira no hospital e de manhã cedo eu tinha que ir pro programa de televisão ao vivo pra concorrer, né?
Foi quando descobrimos que a Maria teve um cancro do nada. Do nada. E então fiquei nessa correria. E eu cá atrás, como já trabalhava com dança há muito tempo,
Eu estava cá atrás ensinando as minhas rivais a dançar, porque elas estavam ali, mas nem sequer... Não sabiam. Algumas nem sabiam dançar, né? E eu estava ali, porque assim, eu só queria era dançar. Pudesse me pôr onde fosse, no maior palco, no menor palco, de qualquer jeito. E a minha mãe nunca tinha me visto dançar pessoalmente. E isso foi importante para ti. E naquele dia, como o hospital era mesmo do lado do estúdio...
Eu tava dançando numa parte do... Foram várias eliminatórias e nesse dia foi a final. E... Eu já tô toda destruída. Não tá nada. E eu tava no palco dançando. E eu olhei pro lado e tava a minha mãe. Acho que foi a única vez.
que ela me viu dançando assim, pessoalmente, ao vivo. E naquela altura eu não tinha muitas possibilidades, porque era preciso uma roupa, era preciso um biquíni, eu não tinha nada disso, então eu inventava coisas, não é? Eu, por exemplo, peguei um sutiã e uma cueca minha, tirei aqueles lacinhos que são de lingerie e fui.
Peguei uma sandália minha que já está aqui, tirei, virou assim uma outra sandália e fui. Bem, e a verdade é que tu ficaste em primeiro lugar. E foi. E venci por unanimidade. Certo. É verdade. E isso é inacreditável. Quando chegas, há de ter sido uma adaptação complicada, certo? Mas como é que tu conheces o Rui, o Rui Bandeira, que todos conhecemos e vos reconhecemos enquanto casal há tantos e tantos anos, com uma filha, com uma Bárbara?
E um enteado teu como o Tiago, que é como se fosse filho, bem sei, porque vocês vivem os quatro numa família feliz. Mas como é que conheceste o Rui? Foi neste âmbito também dos espetáculos, não é? Nós fazíamos os programas de televisão, na altura, Big Show C, Roda dos Milhões, todos os programas de televisão. E eu cruzava-me, já tínhamos cruzado com ele. E o facto, é uma coisa boba, mas eu sempre gostei de homens de cabelo comprido.
E ele me chamou a atenção na altura, com aquele cabelo comprido. Só que estávamos numa festa de rádio e ele...
Resolveu, pronto. Meteu-se comigo e convidou-me para irmos beber um copo. E eu, na altura, nem sabia o que era beber um copo. Eu até disse, meu Deus do céu, que estranho, tipo, vamos ali só beber um copo. Exato.
Que estranha forma de paquerar uma pessoa, né? Ainda não sabia nada disso. No Brasil não é assim. Não. E então, eu disse na altura que não podia, não é? Porque o Irã era muito, muito, muito rígido conosco. Não deixava ninguém se aproximar de nós. Aliás, ele tinha toda a responsabilidade da nossa estadia. Claro, claro. Então, não deixava nem praticamente ninguém se aproximar de nós.
e também não deixava que nós nos aproximássemos de ninguém. Por exemplo, sair à noite para alguma coisa. Mas tu furaste isso? Eu tive permissão do Irã e da tia Marla para encontrar com o Rui. Daí a ter se tornado uma relação séria e tão duradoura, o que é que foi preciso?
Ele, logo no início, ele disse pra mim, estranhamente, ele disse pra mim, eu tô com você, eu quero estar com você, mas não é pra brincar. Ele disse isso, só isso. E ele mostrou isso. O fato, eu já tive outros relacionamentos, né, no Brasil, aliás.
E ele tinha aquilo que eu realmente procurava num relacionamento que era uma coisa séria. Uma coisa pra sempre, pra ficar, não é? Pra sempre. E ele foi sempre demonstrando isso. Então, eu, quando eu tinha show, ele vinha nos meus shows. Quando ele tinha show, eu ia nos shows dele. E então...
Foi assim, ele sempre deu essa estabilidade de querer estar comigo sério. Sim, como uma equipa. E entretanto, engravidaste também da Bárbara. Mas há uma história de saúde frágil no teu percurso.
Desde problemas graves na coluna que obrigaram a quatro intervenções cirúrgicas o que para uma bailarina. Enfim, é a morte do artista, não é como se costuma dizer. E tantas outras coisas que te foram acontecendo. Como é que foste lidando com isso? Como é que se lida com isso? É assim, eu estou numa fase... Nesse momento eu estou numa fase difícil com isso, porque agora eu estou sentindo verdadeiramente o preço disso.
Porque eu queria agora, nessa fase nova da minha vida, muito poder voltar a dançar. Queria muito, muito, muito poder voltar a trabalhar na dança. E não posso. Isso agora está caindo, sim, muito. Mas...
Foi preciso isso, Tânia. Eu, quando saí da dança, eu precisei virar uma manicure na altura. E eu tinha que... Eu não tinha rede de apoio, então eu tinha que... Eu tinha que cuidar da minha filha. Eu tinha que ser o suporte de tudo, da minha filha. E então... Um dia eu vou fazer uma entrevista dessa sem chorar. E então foi esse o preço. Foi esse o preço.
E agora pronto, é o que nós temos. Agora tenho que procurar outros caminhos, outras coisas. Que te façam feliz. Mas nunca vai ser igual. Sim, porque nós sabemos o que nos faz felizes, obviamente. Eu preciso de outro lenço. Eu de todos. Tens aqui lenços. Eu sabia que vocês iam fazer isso comigo.
Eu não estou a fazer nada, juro. Há depois, paralelamente...
Há um problema na coluna, há tristeza que daí advém ao facto de teres ficado parada, não só fisicamente, mas parada na vida. Tu aumentaste muito o teu peso. Foi. E nós também sabemos o que é que isso significa. Sim, significa para um homem, mas o que é que significa para uma mulher numa fase da vida. Principalmente uma mulher que olhava só espalho e gostava do corpo como tu o tens hoje.
Nessa altura, o que isso significava para ti? Estranhamente, assim, eu não tive nenhum problema, posso ser sincera para você, eu nunca tive problema com a minha imagem.
No espelho, nunca. Gorda, magra, careca, cabeluda. Eu sempre fui muito eu, muito tranquila com isso, sabe? E acho que foi por isso que demorei tanto tempo também naquela fase, porque eu romantizava. Antes do clique mudar, né? Eu romantizava isso. E então, o meu problema era o eu, por exemplo, eu estava naquela altura...
na estrada com a minha filha, fazendo tudo com ela, também tendo toda a questão de casa, tudo para fazer. E eu não tinha capacidade para fazer. Eu, literalmente, eu sou nordestina. E nós somos um povo, assim, casca grossa. Nós aguentamos muita coisa.
e eu queria andar e não conseguia. A unidade da dor, eu tinha uma medicação muito forte. Eu queria andar e não conseguia, eu queria ficar de pé e não conseguir, eu quis, eu não conseguia, eu queria sentar e não conseguia. Então, eu fui, fui, fui, fui, fui até...
Até não aguentar mais? Até literalmente não poder mais. E eu mesmo assim, deitada no hospital, assim, no computador. No telemóvel, as enfermeiras assim, tipo, quem está trabalhando aqui sou eu ou é você? Sempre, sempre, sempre assim. Então, o mais difícil foi emocionalmente, mentalmente, eu não ter capacidade física para fazer o que era necessário fazer. Então...
E como eu sou muito independente, né? Eu sou imigrante já há muitos anos. E isso também fez com que eu... Eu tenho dificuldade em pedir alguma coisa para uma pessoa. Para fazer por mim. O que você consegue sempre resolver sozinha? Eu tive que... Eu aprendi a ser assim. Não só na minha infância.
Enquanto, na minha infância, eu nunca tive apoio de ninguém, de nada. Tudo aquilo que eu quis fazer na dança, na arte, tudo, eu nunca tive apoio. Apoio mesmo. Eu nunca tive ninguém que chegasse assim e dissesse assim, uau, é mesmo muito boa. Ou família, ou amigo, ninguém. Nunca tive.
Se a área é isso, ou que investisse em mim, na minha arte, nunca tive. Sempre fui eu a buscar tudo, mesmo na escola, eu era a chacota da escola. Bullying naquela altura, uau! Eu era a chacota da escola, tipo... No outro dia eu estive no Brasil e falando com a minha professora, ela disse pra mim, essa de dança, ela disse pra mim, Seara, até hoje fala-se de você nessa escola. Tá vendo?
Porque eu tive um bullying severo, severo, severo, de ter que ser escoltada por professores para ir para casa, porque participei de um desfile de rainha do colégio. Eu não pertencia...
A manada. Eu não pertencia àqueles grupinhos de meninos e meninas que às vezes saíam da escola e ficavam ali brincando ou fazendo coisas erradas. Eu não pertencia a isso. Eu sempre fui muito sozinha, queria dançar, queria jogar, queria desfilar. E eu, pronto, qualquer coisa naquela altura na escola é bem difícil.
E então eu sempre fui tranquila com isso. Não importava. Nunca travei nada na minha vida. Por exemplo, eu fazia um programa de televisão, eu fazia um anúncio, eu sabia que no dia seguinte na escola ia ser terrível. Mas eu preferia isso. Então, é isso. Fui sempre construindo a minha vida muito sozinha. A tua casca e a tua carapaça. Mas como é que foi ir assistindo?
ao crescimento profissional da tua filha. Como é que tu hoje em dia olhas para a Bárbara enquanto mulher, que também no fundo teve um crescimento como os pais, no sentido em que foi conquistando o seu espaço, também nos palcos, também na arte, também junto dos fãs. Como é que vocês olham-os para os outros em casa? É assim, eu acho que fica mais fácil isso, porque como todos nós gostamos...
Da arte, não é? A nossa linguagem é só uma. Mesmo que eu seja da dança e eles do canto, não é? Fica muito fácil. No caso do Rui, nós já nos conhecemos assim, não é? Nesse meio. Não temos muito outro meio, assim. Mas no caso da Bárbara, assim, eu...
Humildemente eu falo isso, eu vejo muito, é óbvio que ela tem coisas do pai dela, principalmente avós e tudo isso, mas eu vejo muito de mim na minha filha. Ela é muito mais forte que eu. Ela me superou assim em tudo.
E eu desde ela muito nova, muito nova, eu sempre quis ser para ela aquilo que eu não tive. Que foi exatamente aquela pessoa de que, olha, eu quero dançar. E a minha família queria que eu fosse médica.
Mas eu quero dançar, com 14 anos. E, ah, mas dança não dá nada, não dá nada. A minha arte me tirou de um lugarzinho lá do Brasil, do Conjunto Nova Metrópole, e me trouxe para cá, a minha arte, a minha dança. E quando a minha filha, desde nova, queria estar nesse mundo, eu só fiz por ela o que tinha que fazer. Vamos.
Você quer fazer isso? Vamos. Você quer participar desse casting? Vamos. Você quer gravar esses vídeos para a internet? Vamos. Grava aí. Eu estava ali sempre. Vai, grava, grava. É para segurar um candeeiro? Eu vou segurar. Vamos lá, vamos lá, vamos lá, bora. Eu sempre fazia isso. E que relação têm hoje em dia? Já são duas mulheres, já não é uma mulher e uma menina. É, mas ela vai ser sempre. É a tua menina. Eu olho para a minha filha e vejo as mãozinhas dela pequenininhas assim.
Ela vai ser sempre a minha babinha. Ela... Ela é tudo o que eu sonhei para a minha filha, que a minha filha fosse um dia. Eu acho que ir muito mais, porque ela me ensina muitas coisas. Eu aprendo muito, muito, muito com ela. Mas vai ser sempre, sempre, sempre a minha pequenininha.
Sempre, sempre. Ela é absurdamente... Eu queria muito que as pessoas conhecessem mais essa Bárbara, sabe? Ela é absurdamente talentosa.
Esse resultado, esse reconhecimento todo do público, não é por ser minha filha, obviamente, mas ela é absurdamente competente naquilo que faz. Absurdamente talentosa, absurdamente criativa. Às vezes também tem esse sangue brasileiro de viagem na maionese, ideias, ideias, ideias, e vai, vai, vai. E parece que as coisas não são, mas torna real, sabe? E é isso.
É isso, tem uma equipa incrível trabalhando com ela, mas ela é a cabeça de tudo, de tudo isso que ela faz. E há muito, muito, muito, muito mais para vocês conhecerem dela. Ela é... Ela é especial. Ela é um cometa Halley. Assim ela queira, estamos cá todos para a ouvir e para a abraçar sempre.
Mas não é só ela, é tu também. E eu tenho imagens que gostava que tu visses. Ai, não faço. Credo. Credo. O que é que vão fazer comigo?
Eu já tentei, tentei saber, mesmo quando não tinha ninguém a quem dizer. Mas hoje eu sei, já consigo ver, mesmo quando mais ninguém de mim queria saber.
Aprendi-me
Que eu possa ser como sou. E agora somos nós. Aqui no seu lado. Só eu e tu. Aqui no seu lado. Para poder enviar. Seja como for.
Eu vou dizer que eu sou como eu, não tem ninguém acreditar. Eu vou bem como tu, para servir. Eu posso ser como eu sou. Eu posso ser como eu sou. Eu posso ser como eu sou.
Que possa ser como sou Que possa ser como sou
O Rui é o teu príncipe encantado ou os príncipes encantados não existem? O Rui é o teu príncipe encantado ou os príncipes encantados não existem? Não existem. Os príncipes encantados não existem. Existem pessoas reais, não é? É.
com... Existem mesmo... Eu sou muito assim, eu vivo muito, sempre vivi muito, a minha filha diz que eu sou muito sonhadora e muito... Mas não existem. Nós somos seres humanos que somos falhas, que mesmo somos diferentes, nós damos tudo de nós e pode não ser suficiente para o outro.
Mesmo, é difícil, eu conheci o Rui muito nova, eu tinha 18 anos, né? A minha leitura da vida era uma, hoje a minha leitura da vida é completamente diferente. E não existem porque a gente pensa que é perfeito. E nada nessa vida é perfeito. E ainda bem. Nada.
Nada. Nós não somos perfeitos. Nós, por vezes, erramos. E aí que percebemos mesmo que somos seres humanos, porque às vezes nós erramos com a pessoa que nós mais amamos. E não existe. O mundo da fantasia só existe mesmo para...
para nos fazer sonhar e para nos fazer buscar, mas mesmo, mesmo, mesmo chegando lá, nós encontramos a imperfeição. E é preciso, acho que o segredo mesmo da vida é mesmo esse, é nós conseguirmos conviver e viver no meio das imperfeições, na minha imperfeição, na tua imperfeição. Nas todas as pessoas que amamos, não é?
Pedra esta. É. Eu sou isso, Tânia. Eu sou isso. Por isso que eu estou assim hoje. Eu amo lantejolas, amo o brilho, amo tudo que brilha. As lantejolas, o palco, as luzes. Eu sempre amei tudo que brilha. E eu sou, aliás, até a Ivete Sangalo uma vez virou-se para mim e disse assim.
Quem é essa brilhosa? Sou eu. E eu amo tudo que brilha. Eu visto isto às 10 da manhã, a hora que for. E eu sou brilhante, assim. Eu trouxe esse brilhante justamente porque ele representa, assim, e muita gente me dá na cabeça por causa disso. Como é que você veste uma roupa dessa, uma hora dessa? Mas eu sou assim. É muito difícil viver assim no mundo, porque o mundo é muito padrão, né? E eu não sou nada, nada, nada padrão.
Não te preocupes com isso. Acho que já falámos o suficiente. Nunca será o suficiente. Não. Mas está aqui a Maria, não é? Tirando a minha filha, tenho a minha mãe, meu pai, meu marido, não é?
Muito do que eu sou é por causa dela, porque ela é a pessoa mais, o ser humano mais incrível que eu conheci na face da Terra. Na Terra. Toda doação de amor que ela teve pra mim, sem o ser nada dela. A doação de amor, a doação de vida que ela teve pra mim. Eu, eu, é outra coisa.
A minha filha não chegou a conhecer ela. E é outra coisa que carrego dificilmente nessa vida. Conhece através de ti. Por onde for, floresta. É. Eu estava no Brasil com a minha filha numa viagem que fizemos as duas para passar o Réveillon lá. E...
Estávamos a passar por uns azulejos na praia e nós compramos alguns e a minha filha quis me oferecer esse. E isso quer dizer que por onde eu for, seja continuar estando onde estou, ou seja, ir para outros novos caminhos na minha vida, eu tenho sempre que florescer. Você vê que tem o Brasil, tem a Europa, tem tudo, né?
E ela me deu isso, então é meio que um lema assim na minha vida. Eu tento, pelo menos que seja, né? É tudo que você está vendo aqui. Eu sou... Me orgulho muito, muito, muito, muito de ser brasileira.
Muito. Eu sou brasileira em tudo na minha vida. Em tudo. No meu jeito de ser. E foi muito difícil aqui estar num país que eu sou completamente diferente, né? Por exemplo, a minha forma de ser, eu sou muito comunicativa, muito de toque, muito de espampanante. E aqui são mais frios, diferentes, né? E o Brasil é a minha força.
O Brasil é a minha força, é aquilo que eu levo para o mundo, para todo lado e... Vou-te fazer a última pergunta porque não temos mais tempo. Tens 45 anos e é uma idade linda. Eu vou fazer 50 para o mês que vem. Ah, lá. Daqui a 5 anos, quando tiveres 50 anos, como é que gostavas que estivesse a tua vida? Gostaria de não ter...
Algumas questões de saúde que estou a tentar resolver agora, né? Que estejam orientadas. Gostaria que a minha filha e a minha família estivessem incrivelmente bem, porque eles estando bem, eu estou muito, muito, muito bem.
Mas para mim, gostaria de que alguns projetos que ficaram por esse caminho, que pudessem se concretizar. E gostaria de estar um pouco mais perto da minha família do Brasil e que a minha filha também estivesse mais perto deles. E...
Que eu continue assim, em paz. Só isso. Que eu continue tranquila e... Mas também sou aquela pessoa de que... Eu estou aqui para tratar do que for preciso. O que for que aparecer pelo meio do caminho, eu espero ter as mesmas capacidades que tive para chegar lá. Até agora para resolver. Sim, sim, sim.
Ciara, obrigada. Obrigada eu, Tânia. Chorei horrores. Vou ficar... Gosto muito de você, já te disse isso há pouco. Você é uma queridinha lá em casa, porque...
Toda a forma criada, leve que você tem de ser... É muito reconfortante estar aqui a falar de coisas tão difíceis para mim. Mas é bom, é bom porque...
Esse registro fica, e é por isso que eu estou aceitando também fazer algumas coisas destas, porque eu queria que esse registro dessa história da minha vida ficasse contada para as outras gerações que vão vir por aí. Gostei muito de falar contigo, olhos nos olhos.
Ai, chorando. Mas eu também estou chorando. Espero que nunca na vida, desde uma entrevista destas, sem chorar. Obrigada, Ciara. Obrigada a eu. Já estou um beijo grande. Obrigada a todos aqui. E até sempre. Até breve. E que fica esse recado para as pessoas que estão precisando se...
Se orientar na vida, cuidar de você, principalmente para as mulheres que estão precisando desse toque. Vai para cima. Isso. Vamos para cima. Vale a pena. Obrigada. Obrigada a eu. Até sempre.