Qual a principal mensagem deste um ano de coluna?
Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, trata dos temas mais relevantes sobre Meio Ambiente e mudanças climáticas. A coluna vai ao ar às 6ªs, 7h45, no Jornal Eldorado.
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Raissem
Márcio Astrini
- Mensagem Principal sobre ClimaRelação entre mudanças climáticas e o dia a dia · Desafios de pauta climática no Brasil · Clima e desigualdade social · Responsabilidade de quem toma decisões · Impacto de catástrofes climáticas
- Catástrofes Climáticas no BrasilRio Grande do Sul · Recife · Eventos de chuva extrema · Deslizamento de terra · Seca na Amazônia
- Encerramento da ColunaÚltima coluna de Márcio Astrini · Prêmio da PCA para Raissem · Origem da coluna no INCOR · Cobertura de COP
- Fenômenos Climáticos GlobaisEl Niño · Temperaturas de superfície dos oceanos · União Europeia · Governo americano · Agência de ciência dos Estados Unidos
- Ação para Proteger o Meio AmbienteSeparação e reciclagem do lixo · Voto consciente · Urna eletrônica
Planeta Eldorado, com Márcio Astrine. Sempre às sextas aqui, Márcio Astrine com a gente para um olhar para as mudanças climáticas. Hoje, infelizmente, é a nossa última coluna. Não sei se haja alguma novidade, mas por enquanto a nossa última coluna. Astrine, bom dia, bem-vindo.
Muito bom dia, bom dia para os ouvintes, bom dia Raissem, e aliás, bom dia Raissem, parabéns pelo prêmio da PCA, né Raissem, que você merecidamente ganhou.
aí essa semana, um prêmio muito merecido. Você sabe que eu estava te ouvindo lá, o seu discurso, você estava falando exatamente sobre essa decisão de encerrar as transmissões da rádio e tudo mais, que é uma situação triste para todos nós, e eu estava lembrando ali, quando eu estava vendo o seu discurso, de como foi o pouco que surgiu a ideia dessa coluna aqui, que é a última que a gente está fazendo, se persistir mesmo essa decisão, e você sabe que...
Tudo começou lá no INCOR, no Instituto do Coração, sabia disso? Ah, é? Não, não sabia. Como é que foi? Pois é. Uma situação inusitada. Todo ano, na Semana do Meio Ambiente, eles organizam lá um debate. E às vezes eu tenho a honra de ser convidado para ir. E num desses debates, a Carol Herculin é quem está fazendo a mediação. Ah, lembro que ela foi lá, sim.
Exatamente, e você sabe que é bom falar no Incor, né, sobre clima, porque você vai falando sobre clima, então às vezes dá um pouco de depressão ali, de desespero, mas como você já tá no Incor, você tá ali com a sala lotada de médico, a assistência tá garantida, e foi ali mais ou menos, acho que no bate-papo que a gente teve, porque...
Sempre que tem conferência de clima, a gente aqui no Observatório do Clima, a gente faz alguns boletins diários para tentar explicar o que aquela coisa ali significa, enfim, aquela sopa de letrinhas, de diplomatas e tal, o que isso tem a ver um pouco com a realidade. E aí eu ofereci. Eu falei, olha, se a rádio quiser, a gente já faz para TVs, para cultura, para vários outros veículos de comunicação.
Eu imagino que foi dali que foi nascendo a ideia que a gente fez. O ano passado a gente fez toda a cobertura de COP. Isso, foi tudo. Você entrava segundas com a gente, né? E aí depois passamos para essa coluna sextas depois do fim da COP, né?
E foi um ano, um pouco mais, um tempo bom, deu para a gente falar com bastante gente, aqui a gente trouxe cientistas, a presidência da COP, a ministra Marina Silva que veio, então é um tempo curto, mas eu imagino que bem aproveitado, eu aprendi muito com vocês, eu agradeço demais esse espaço e a generosidade sua, a gente está sempre conversando.
Tem a gente também que aprendeu muito com você, Astrine. Agora, você diria que tem um tema ou alguma mensagem que seria a principal desse balanço que a gente está fazendo? Eu tenho. Eu tenho uma obsessão, na verdade, sempre quando eu falo de clima, que é tentar fazer essa relação do quanto que essa coisa toda de mudança climática tem a ver com o nosso dia a dia, com a conta de luz que chega no fim do mês, com o preço do arroz, do café.
E você sabe que falar sobre clima num país como o Brasil, ele é muito desafiador, é um desafio, porque é uma agenda que não vai ser popular na vida das pessoas, ou pelo menos da grande maioria da população. A gente tem problemas no Brasil.
que eles são problemas estruturais, eles são problemas de sobrevivência das pessoas. Tem muita gente hoje que está aí lutando por um prato de comida, por um emprego, muita gente que não tem um teto, que vive em regiões de violência extrema. Quer dizer, é um pessoal que está concentrado em sobrevivência, na batalha do agora e tal. E quando essa agência da sobrevivência está ali, imposta na vida da maioria das pessoas, todo o resto do debate fica...
em outro plano, em um plano inferior. Se você pegar países, por exemplo, que já resolveram esses problemas sociais mais imediatos, essa agenda de clima é uma agenda muito importante, está muito viva no debate. Se a gente pega países como a Alemanha, você vê lá a representação de quem trabalha meio ambiente, clima dentro do parlamento alemão, é uma coisa muito grande.
porque é uma pauta importante, mas isso infelizmente não é o nosso caso. E clima para um país como o Brasil não vai precisar ser popular para ser importante, então é uma agenda de responsabilidade, porque faz com que as coisas piorem num país já tão desigual como o nosso.
A cobrança muito é essa, Raíssa. A insistência é muito que a gente tenha essa agenda sendo levada mais a sério por quem toma decisão, porque uma enchente, um deslizamento de terra, uma seca prolongada, é nesses momentos que esse contingente de pessoas que já sofrem no país, que já precisam do básico e não têm, vai aumentar ainda mais o sofrimento deles. Então, esse clima e desequilíbrio...
faz com que desigualdade aumenta, com que as políticas públicas mesmo, distribuição de renda, elas virem ali um enxugar gelo, machuca muito o dinheiro dos cofres públicos. Então essa é a mensagem que eu acho mais importante, que clima não é uma coisa de diplomata ali numa conferência ou de ambientalista, tem a ver com o dia a dia nosso, com a pobreza, com todo supermercado, como o país vai se projetar daqui para frente e essa para mim é a mensagem principal.
Bom, até porque a gente já teve vários exemplos de como essas catástrofes climáticas castigam a população aqui no Brasil, no mundo como um todo, mas aqui no Brasil o caso do Rio Grande do Sul. E são situações que infelizmente podem acontecer mais vezes, não é, Asrini?
Podem acontecer mais vezes, de forma mais grave, e estão acontecendo com mais frequência. A gente está vendo exatamente agora o Recife e o Rio Grande do Sul que você citou. O Recife, na região metropolitana, a gente teve eventos agora de chuva extrema, seis mortos, muito problema de deslizamento de terra, mais de duas mil pessoas atingidas.
mil pessoas abrigadas, que é uma situação que já tinha ocorrido em 2022. O estado de Pernambuco teve ali uma tragédia climática muito grande, com 133 pessoas que morreram, mais de 120 mil pessoas afetadas. O Rio Grande do Sul é a mesma coisa, agora.
Na semana passada, quatro mortos desabrigados, recorde de chuva em alguns municípios, e essa tragédia em 2024, com 184 mortos. Eu fiquei muito impressionado, porque quase todos os municípios, naquela época, em 2004, quase todos os municípios do Rio Grande do Sul, foram afetados, mais de 2 milhões de pessoas atingidas. E esse ano a gente tem El Ninho, né, Raíssa? E a gente falou bastante disso aqui nas últimas semanas.
Eu estava lendo hoje uma matéria que saiu no Financial Times e tem uma declaração de alguns cientistas da agenda de clima da União Europeia e eles estão dizendo que as temperaturas de superfície dos oceanos, essa temperatura já está bem alta, no mês de abril elas estão praticamente iguais ao recorde histórico que foi exatamente do ano de 2024.
E no Oceano Pacífico, ali na faixa tropical, a gente já tem as medições mais quentes já registradas para o mês, para as águas de superfície. Então nós vamos ter esse ano um el ninho, ele deve vir forte, tem muita dúvida.
quanto a essa intensidade, mas os cientistas estão muito preocupados mesmo de a gente ter aí uma circunstância climática bastante grave, desencadear um cenário, como a gente viu em 2024 no mundo, o que é muito perigoso. Em 2024 a gente teve recordes de temperatura, recordes de problemas acontecendo no planeta, não precisamos mais disso.
A gente está vendo todos esses casos acontecendo e aí fica a pergunta, né? Se dá tempo ainda de reverter, pelo menos tentar minimizar tudo isso. E aí, se você pudesse escolher, Astrine, uma ação para ser feita para proteger o meio ambiente, qual seria essa ação?
O tempo dá, né, Raíssa? É um tempo que ele está cada vez menor, né? Ele está cada vez mais curto, então você vai ter que fazer cada vez mais esforço, porque tem menos tempo, mas ainda dá tempo, e eu acho que todo mundo pode fazer a sua parte, mas tem uma coisa, se eu fosse destacar, que é o que eu acho mais importante, que eu recomendo.
para todo mundo fazer nessa agenda de clima, que é uma ação de separação e reciclagem do lixo. Não é a separação e reciclagem do lixo da nossa casa, essa eu acho que a gente tem que fazer também, ela é muito importante, mas eu estou falando da separação e reciclagem do lixo na hora que a gente se encontra ali com a urna eletrônica, no dia da votação. Quando a gente for votar, a gente pensa muito bem naquilo que pode ser reaproveitado e depois fazia isso.
Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso. Coisa se fazia isso.
naquilo que vale a pena reciclar e naquilo que a gente precisa realmente descartar e jogar no lixo, porque no final das contas, o que vai ser feito ou o que não vai ser feito, tudo é resultado dessas escolhas que são feitas ali na hora da gente apertar o botãozinho verde.
Então, para o clima, essa ação aí de você separar o que é lixo, que tem que ser descartado na hora do voto, daquilo que pode ser reaproveitado, é fundamental. A gente está vendo, por exemplo...
Exatamente o que está acontecendo nos Estados Unidos. Você sabe que o governo americano agora quer desativar a agência de ciência dos Estados Unidos, que cuida do clima, já retirou ali boa parte dos recursos, já diminuiu muito a capacidade deles, fez com que, inclusive, muitos dados dessa agência de clima, que monitora eventos climáticos nos Estados Unidos, boa parte dos dados fossem retirados do ar,
do site, diminuir o orçamento. Então, esse tipo de coisa que vai tornando essa batalha de clima, que já é muito difícil, ainda mais complicado. E o resultado a gente vai vendo aí nas situações como no Rio Grande do Sul, aqui no Brasil, ou na seca na Amazônia, ou agora no Recife, ou anteriormente no Recife e por aí afora.
Muito bem, últimas reflexões aqui nessa fase importantíssima que a gente teve no Eldorado com o Márcio Astrine, que é secretário executivo do Observatório do Crime. Eu lembro também, Astrine, que a gente começou te ouvindo como fonte no primeiro momento também, de vez em quando a gente entrevistava.
E aí a gente foi criando toda essa conexão. E eu vou contar uma coisa agora para os ouvintes que eles não sabem, mas que eu sei, você sabe, a Laís sabe, o Nelson sabe também, o Moacir que a gente ficou sabendo que nós dois nascemos no mesmo dia. Não do ano, né? Vamos deixar claro, eu sou mais velho. Mas nascemos no mesmo dia, né, Astrine?
Exatamente, 21 de maio, a gente até, porque parece que tinha essa ideia de no dia 21 de maio a gente abrir a coluna cantando, mas não vamos chegar até lá, então eu acho que pelo menos nessa parte aí os ouvintes se deram bem.
A gente não oferecia essa catástrofe para eles. Foram poupados disso, né? Exatamente. Mas vamos ver ainda o que poderemos ter de novidades. Acho que a vida é sempre feita de reencontros, né? Também despedidas, reencontros. E você, Astine, com certeza é um cara que a gente quer muito reencontrar, tá bom? Deixa o meu abraço, abraço a toda a equipe aí para você e o nosso agradecimento.
Eu que agradeço muito, Raíssa, muito obrigado mesmo para você, para toda a equipe, toda a equipe do Jornal, Laís, o Mô, o Emanuel, e para os ouvintes, né, por todo esse período, todas essas conversas e o espaço para a gente ter falado de clima. Então hoje não dá para falar até sexta que vem, mas um bom fim de semana para todos, e eu espero que a gente tenha trazido aqui nesse espaço um pouquinho mais de clima, né, e da gente ficar um pouco mais próximo.
dessa agenda. Agradeço demais a generosidade de vocês e dos ouvintes. E tenha certeza que você conseguiu tudo isso, sim. Tá bom? Um abração. Um abraço. Obrigado.