TRAVESSIA: Ato XI - O Recomeço
Recomeçar não é apagar o que passou.
É permitir que o passado encontre um novo lugar dentro de nós.
No Ato XI de O Intervalo, o recomeço aparece como um segundo nascimento. Não porque uma vida antiga desapareça, mas porque já não conseguimos habitá-la da mesma forma.
Este episódio percorre o encontro entre quem fomos e quem estamos nos tornando.
Há partes da nossa história que permanecem. Outras precisam ser deixadas para trás. E há aquelas que só encontram sentido quando olhamos para elas depois da travessia.
Como Jano, voltado ao mesmo tempo para o que passou e para o que ainda se abre, o recomeço exige esse duplo olhar: reconhecer a estrada percorrida sem permitir que ela determine todos os próximos passos.
A imagem da fênix lembra que renascer não significa voltar intacto.
A flor de lótus reforça outra possibilidade: crescer justamente a partir daquilo que parecia escuro, denso e difícil.
Recomeçar, então, não é negar as marcas.
É incorporá-las.
É seguir com elas sem continuar preso a elas.
Mais do que começar do zero, O Intervalo propõe começar de outro lugar.
Porque toda travessia verdadeira modifica quem chega ao fim.
E talvez seja justamente por isso que o fim nunca seja apenas um fim.
Às vezes, é o primeiro instante de uma vida que finalmente pode começar de novo.