Governo Lula fala em ataque grosseiro e calcula impacto do novo tarifaço
Congresso entra em recesso sem votar 6x1, taxa das blusinhas e PEC da segurança. E Fifa avalia possível punição à Argentina por faixa sobre as Malvinas na Copa.
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Gustavo Luiz
Jéssica Cruz
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Oi, eu sou Gustavo Luiz e esse é o Boletim em Folha. Hoje é sexta-feira, dia 17 de julho de 2026. Governo Lula fala em ataque grosseiro e calcula impacto do novo tarifaço. Congresso entra em recesso sem votar 6 por 1, taxa das blusinhas e PEC da segurança. E FIFA avalia possível punição à Argentina por faixas sobre as Malvinas na Copa. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu ontem as falas do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o presidente Lula teria priorizado o próprio ego e faltado com boa-fé nas negociações envolvendo o novo tarifácio de 25% sobre produtos brasileiros.
Vieira disse que as declarações foram inaceitáveis e ofensivas ao governo e ao povo brasileiro e que Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo. A tarifa, confirmada na noite de quarta-feira pelo governo Donald Trump, entra em vigor no próximo dia 22. A decisão encerra a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio do país, que foi aberta em julho do ano passado para apurar supostas práticas comerciais injustas no Brasil.
Os americanos citam o Pix e os índices de desmatamento brasileiro como justificativa para a imposição das tarifas. Segundo as contas do governo, o tarifaço atinge 18% das exportações brasileiras ao país, o equivalente a US$7,4 bilhões. Cerca de 2.100 itens estão isentos, como carne, café, laranja, suco de laranja e peças para fabricação de aviões. Os Estados Unidos ampliaram essa lista depois de ouvir empresas e associações em audiências na semana passada.
Entraram nela itens como café solúvel, mel orgânico, couro, madeira, remédios, antiguidades, obras de artes e roupas usadas. A justificativa é de que são insumos importantes para a indústria americana e tem pouca oferta doméstica. Mas nem todos os pedidos foram aceitos e setores como máquinas agrícolas, calçados, vestuário novo e açúcar orgânico vão ser taxados. Uma autoridade da Casa Branca disse que os canais ainda estão abertos para negociação, mas reclamou que o governo americano tentou negociar com o Brasil durante um ano, sem sucesso.
O governo Lula afirmou que nunca deixou a mesa de negociações e que as demandas apresentadas foram irrazoáveis. O Planalto também disse que vai acionar a Lei de Reciprocidade para responder às medidas e continuar diversificando parcerias comerciais para outros produtos brasileiros, e que vai reforçar a linha de crédito para exportadores afetados. O Congresso Nacional vai entrar em recesso hoje sem votar pautas como o fim da escala 6 por 1, a criminalização da misoginia, a PEC da Segurança Pública e a regulação da inteligência artificial.
A análise dessas propostas deve ficar só para depois das eleições, porque além do recesso ainda tem o funcionamento reduzido do Poder Legislativo durante o período da campanha eleitoral. O governo Lula tem pressionado para que alguns temas sejam analisados antes disso. O senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, afirma que a PEC do fim da 6 por 1 é uma prioridade absoluta do Planalto e não descarta a votação dela em agosto.
Outro ponto pendente é a medida provisória que acabou com a taxa das blusinhas, o imposto sobre compras no comércio eletrônico internacional. A proposta nem sequer começou a tramitar por divergências entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A cobrança do tributo pode voltar a partir de 11 de setembro. Até novembro, restam só duas semanas de votações no plenário. Líderes dizem que a tendência é pautar apenas temas que não gerem polêmica.
E a FIFA estuda uma possível punição à Argentina pela exibição de uma mensagem política depois da vitória da semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra. Na ocasião, alguns jogadores carregaram uma faixa no gramado com os dizeres As Malvinas são argentinas, em referência à disputa pela soberania do arquipélago travada historicamente com o Reino Unido. O ápice aconteceu na Guerra das Malvinas, vencida pelos britânicos na década de 1980.
O Código de Conduta da FIFA proíbe faixas, bandeiras, panfletos, vestimentas, e outros materiais de natureza política ofensiva e/ou discriminatória dentro dos estádios. A entidade disse que, como é procedimento padrão, o comitê disciplinar está analisando os relatórios da partida e avaliando as circunstâncias antes de decidir sobre possíveis medidas. O presidente argentino, Javier Milei, disse que o uso de faixa é válido e lícito por ser um sentimento que tá dentro de todos os argentinos.
Em 2014, a FIFA multou a Associação do Futebol Argentino em US$33 mil pela exibição de uma faixa com as mesmas palavras num jogo amistoso. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Daniel Castro, Laura Lever, e a edição de som é de Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!