Episódios de Boletim Folha

PF diz que Valdemar desviou emendas, e Dino bloqueia valores

10 de julho de 20265min
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Inflação desacelera em junho com queda nos preços de alimentos. E Fachin diz que Brasil tem cem magistrados ameaçados por facções criminosas.

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Participantes neste episódio2
G

Gustavo Simon

Host
J

Jéssica Cruz

NarradorJornalista
Assuntos3
  • Valdemar Costa NetoValdemar Costa Neto · emendas parlamentares · desvio de dinheiro público · Flávio Dino · PL
  • IPCA e Inflaçãoinflação · preços de alimentos · IPCA · IBGE
  • Proteção e remuneração de magistradosmagistrados · facções criminosas · Edson Fachin · crime organizado
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JCJéssica Cruz

Oi, eu sou Gustavo Simon e esse é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 10 de julho de 2026. Polícia Federal diz que Valdemar Costa Neto desviou emendas e Flávio Dino bloqueia R$119 milhões de presidente do PL. Inflação desacelera em junho com queda nos preços de alimentos. E Fachin diz que o Brasil tem 100 magistrados ameaçados por facções criminosas. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

A decisão veio depois de a Polícia Federal apontar que Valdemar estaria direcionando emendas parlamentares mesmo sem ter mandato no Congresso. Segundo a PF, as emendas foram forjadamente encaminhadas e desviadas, e o próprio político pode ter sido o beneficiário final. Cerca de R$104 milhões já tinham sido pagos. Ao todo, são 21 emendas sob suspeita, empenhadas entre junho de 2024 e março desse ano, e voltadas principalmente para as áreas de saúde e turismo.

A defesa de Valdemar negou que ele tenha praticado qualquer crime, e afirmou que a decisão de Flávio Dino parte de premissas frágeis e criminaliza a atividade político-partidária. A ordem de Flávio Dino se baseia na Operação Transparência, que foi deflagrada em dezembro do ano passado. O alvo naquele momento foi a ex-assessora Mariângela Fialec, conhecida como Tuca e ligada ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira. A PF diz ter identificado em conteúdos no celular da assessora que Valdemar usava os serviços dela para destinar recursos conforme os interesses dele, o que configuraria desvio de dinheiro público.

Ainda de acordo com a PF, as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas com observações sobre os recursos que seriam encaminhados aos ministérios. Para dar ares de legalidade, nomes de parlamentares eram incluídos nas tabelas de forma fraudulenta, como se eles fossem os solicitantes das emendas. Na decisão, Dino também suspendeu a execução das despesas ligadas às emendas e mandou o presidente da Câmara, Hugo Motta, apresentar em 10 dias os documentos de tramitação dos valores sob suspeita.

A inflação desacelerou a 0,16% em junho depois de marcar 0,58% em maio. O dado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, foi divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE. A desaceleração surpreendeu analistas do mercado financeiro, que esperavam uma inflação maior. A variação de 0,16% é a menor para o mês de junho dos últimos 3 anos. O principal motivo foi a queda de 0,24% nos preços de alimentação e bebidas, com destaque para café, frutas e carnes.

O IPCA acumulado em 12 meses ainda está acima do teto da meta de inflação. Ficou em 4,64% contra o limite de 4,5% definido pelo Banco Central. É o segundo mês seguido fora da meta. Por região, 4 capitais registram inflação acima de 5% no acumulado de 12 meses: Goiânia, Aracaju, Recife e Fortaleza. Por outro lado, 3 capitais ficaram abaixo dos 4% no mesmo período: Belo Horizonte, Rio Branco e Curitiba. Com os dados desta sexta, o IPCA fechou o primeiro semestre de 2026 com uma inflação acumulada de 3,36%.

É a maior alta para o período de janeiro a junho em 4 anos, desde 2022. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou que 100 magistrados estão sob algum tipo de ameaça no Brasil por atuarem em processos que tratam de organizações criminosas e lavagem de dinheiro. Desse total, 79 receberam medidas protetivas depois de serem ameaçados. Fachin não detalhou em quais instâncias essas autoridades atuam, ou seja, não há números de quantos são juízes, desembargadores ou ministros de tribunais superiores, mas todos trabalham na área criminal e sofrem represálias pela atuação contra o crime organizado.

Os números foram apresentados por Fachin durante a inauguração de uma nova estrutura do Tribunal de Justiça de São Paulo especializada em crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o presidente do Supremo, juízes da área criminal têm maior exposição a ameaças não só porque eles decretam prisões e condenações, mas também porque atingem os pontos de vulnerabilidade econômica das facções, bloqueando patrimônio, determinando a apreensão de bens e interferindo em fluxos financeiros.

Faquinha disse ainda que o crime organizado é mais do que uma questão de segurança, classificando o problema como uma ameaça ao Estado de Direito. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta-feira. A produção é de Daniel Castro e Gustavo Luiz e a edição de som de Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Bom fim de semana e até mais!