Trump diz que acordo com Irã acabou, e EUA fazem novos bombardeios
PF faz buscas na casa de Jair Bolsonaro, mas não encontra novas armas. E Cenipa aponta distração de pilotos, segurança frágil e falha da Anac em queda de avião da Voepass.
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Jéssica Cruz
- Conflito EUA-IrãAcordo de cessar-fogo · Bombardeios · Estreito de Ormuz · Donald Trump · Irã
- Pena de BolsonaroPrisão domiciliar · Armas · Jair Bolsonaro · Alexandre de Moraes
- Acidente na TijucaCausas do acidente · Distração de pilotos · Segurança frágil · Falha da ANAC · VoiPass · CENIPA
Oi, eu sou Jéssica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é quinta-feira, dia 9 de julho de 2026. Trump diz que acordo com Irã acabou. Estados Unidos fazem novos bombardeios. PF faz buscas na casa de Jair Bolsonaro, mas não encontra novas armas. E CENIPA aponta distração de pilotos, segurança frágil e falha da ANAC em queda de avião da Voipass. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem o fim do acordo de cessar-fogo com o Irã e voltou a atacar o país com novas rodadas de bombardeios.
A fala de Trump e a onda de ataques vieram em resposta a ofensivas de Teerã contra 3 navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. O Irã revidou os ataques americanos lançando mísseis e drones contra bases do país no Golfo Pérsico, entre elas no Bahrein, e no Kuwait. Trump falou durante a cúpula da OTAN na Turquia chamando os iranianos de mentirosos e loucos e dizendo que não podemos ter lunáticos com armas nucleares.
Depois, afirmou que os Estados Unidos poderiam atacar fortemente o Irã novamente e que as negociações acabaram. Mas disse também que pretendia falar com os negociadores americanos porque o Irã Quer negociar? Do lado iraniano, a chanceleria disse que o acordo com os Estados Unidos não está mais valendo e condenou a volta das sanções ao petróleo do país. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baher Kalibaf, que é o principal negociador do país, publicou no X: A era de intimidação e extorsão acabou.
Não vamos ceder. O regime também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz novamente, caso sofra mais ataques. Na terça-feira, Teerã tentou fazer uma demonstração pública de poder, com mais de 10 horas de cortejo fúnebre pelo aiatolá Ali Khamenei, 4 meses depois de ele ter sido assassinado no começo da guerra. A retomada da tensão na região já afeta o mercado mundial. O preço do petróleo chegou a subir mais de 8% e as bolsas da Ásia e da Europa caíram.
A Polícia Federal cumpriu ontem um mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde ele está em prisão domiciliar. A ação para checar se Bolsonaro ainda estava com alguma arma foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os advogados de Bolsonaro disseram nas redes sociais que já tinham informado a localização dos armamentos e que nada foi encontrado ontem. E que é, abre aspas, lamentável que o ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação, fecha aspas.
Moraes autorizou a busca porque identificou uma divergência entre o número de armas registradas em nome de Bolsonaro e as que já tinham sido entregues às autoridades. A prisão domiciliar de Bolsonaro, que cumpre pena pela trama golpista, foi prorrogada por tempo indeterminado na sexta-feira. Moraes também determinou na decisão a entrega de todas as 10 armas do ex-presidente. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos finalizou um relatório sobre a queda do avião da VoiPass, que matou 62 pessoas em agosto de 2024.
A conclusão do CENIPA é que as condutas dos pilotos da empresa e da ANAC contribuíram em conjunto para a tragédia. A aeronave viajava de Cascavel, no Paraná, para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A coluna da jornalista Mônica Bergamo teve acesso exclusivo ao relatório. O documento foi enviado a autoridades da França e do Canadá. Porque a fabricante do avião é francesa e os motores eram canadenses. As conclusões só vão ser divulgadas ao público depois de uma revisão dos dois países.
Sobre os pilotos, o CENIPA apontou um estado de distração durante o voo, desrespeito a procedimentos e coordenação ineficiente na cabine durante a emergência, que foi causada por um excesso de gelo nas asas. O órgão apontou ainda uma cultura de segurança frágil na Voepass. Segundo o documento, a falha no sistema de degelo era conhecida por pilotos e técnicos antes da decolagem, mas a tripulação optou por seguir com o voo sem tomar medidas para reduzir o risco.
Sobre a ANAC, o texto diz que a agência fez auditorias e inspeções na Voipass antes do acidente e identificou não conformidades técnicas, mas que esses sinais não foram suficientes para embasar decisões capazes de controlar os riscos. A ANAC diz que não teve acesso ao documento e que só vai se posicionar quando receber a versão oficial. A Voipass afirmou que não se pronunciará antes da conclusão das investigações e que segue colaborando com as autoridades.
Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Daniel Castro, Gustavo Luiz e Laura Lever. A edição de som é minha. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!