Justiça bloqueia R$ 670 milhões de banco do bispo Edir Macedo, alvo da PF
Bolsonaro presta depoimento de 5 minutos à polícia sobre arma apreendida. E Datafolha mostra que 59% apoiam classificar PCC e CV como terroristas.
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Laura Lever
- Operação contra Banco DigimaisBloqueio de R$ 670 milhões · Banco Digimais · Edir Macedo · Operação Miragem · Polícia Federal · Fraudes contábeis · BTG Pactual
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- Classificacao Faccoes TerroristasPCC · Comando Vermelho · Classificação como terroristas · Atuação dos EUA em território brasileiro · Donald Trump · Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Olá, eu sou a Laura Levery e esse é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 24 de junho de 2026. Justiça bloqueia R$670 milhões de banco do bispo Edir Macedo, alvo de operação da PF. Bolsonaro presta depoimento de 5 minutos à polícia sobre arma apreendida. E datafolha mostra que 59% apoiam classificar PCC e CV como terroristas. A Justiça Federal em São Paulo bloqueou ontem R$670 milhões do Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono do canal de TV Record.
O banco foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, que cumpriu 9 mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao banco. O objetivo é investigar um suposto esquema de fraudes do Banco Digimais. A justiça também autorizou a quebra de sigilos bancários e fiscal dos investigados. Entre os alvos de busca e apreensão estão diretores e conselheiros do Digimais, além de diretores de uma gestora de fundos que prestava serviços para o Banco de Edir Macedo.
O bispo não estava na lista de mandados da operação desta terça. De acordo com a investigação, o Banco Digimais manipulava balanços contábeis para esconder a real situação financeira da instituição fraudar operações diante dos órgãos de controle. A suspeita é que a supervalorização de um mesmo ativo tenha gerado uma renda fictícia de R$199 milhões nos balanços do banco. O Banco Digimais vinha enfrentando perdas financeiras e, em abril, o BTG Pactual chegou a fechar um acordo de intenção de compra da instituição.
O BTG disse que não comentaria o caso no momento. O Banco Digimais afirmou que está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações. Até a conclusão desse boletim, Edir Macedo não tinha retornado o pedido de comentários feito pela Folha. Jair Bolsonaro prestou depoimento ontem à Polícia Civil do Distrito Federal sobre a arma registrada em nome dele que foi apreendida com um dos seguranças do ex-presidente durante uma blitz na semana passada.
De acordo com os advogados, as declarações de Bolsonaro reafirmaram a versão da defesa. Na última quarta, eles disseram que o ex-presidente pediu o conserto da pistola depois de ter constatado uma falha no equipamento. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, pediu que a defesa explicasse por que Bolsonaro mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e por que às vésperas do encerramento da prisão domiciliar ele teria pedido o conserto da arma.
O depoimento de ontem foi gravado em vídeo na casa de Bolsonaro. A polícia deve decidir os próximos passos depois de ouvir também o segurança e de ter o laudo de uma análise da pistola. Esse caso pode ser decisivo para a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro. Moraes concedeu o benefício por um prazo de 90 dias, que em tese termina amanhã. A expectativa é de que o ministro defina se manda ou não Bolsonaro de volta à unidade conhecida como Papudinha. 59% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Ao mesmo tempo, 3 em cada 4 pessoas rejeitam a possibilidade de Washington atuar contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo federal. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Especialistas disseram à Folha que o apoio à classificação das facções como terroristas significa um grito de socorro de uma população que tem a rotina afetada pela atuação de facções.
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de maio apontou que 41% dos brasileiros vivem em áreas onde percebem a influência do crime organizado. Ao mesmo tempo, datafolha mostra que a percepção sobre a real intenção do governo Donald Trump com a classificação está está polarizada. Enquanto 50% concordam que os Estados Unidos querem combater as facções para ajudar a população brasileira, 47% afirmam que Washington usa o problema como desculpa para mandar no Brasil.
Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Daniel Castro e Jéssica Cruz e a edição de som também é da Jéssica. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais.