Brasil tem mais de 8 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever
Bancos e casas de apostas vão ter que bloquear recursos de bets ilegais. E STF anula absolvição e reabre caso de Mariana Ferrer.
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Laura Lever
Gustavo Luiz
Jéssica Cruz
- STF anula absolvição e reabre caso Mariana FerrerAndré de Camargo Aranha · Mariana Ferrer · Alexandre de Moraes · Humilhação da vítima em audiência · Nulidade de provas obtidas mediante desrespeito · Carmen Lúcia · André Mendonça · Cristiano Zanin
- Bloqueio de recursos de apostas ilegaisDecreto de Lula · Casas de apostas online sem autorização · Ministério da Fazenda · Identificação e bloqueio de dinheiro · Dario Durigan · Wellington Lima e Silva · Influenciadores que anunciam serviços ilegais · Responsabilidade solidária de instituições financeiras
- Analfabetismo no Brasil8,4 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas · Meta do Plano Nacional de Educação · Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua · IBGE · Taxa de analfabetismo em 2025 · Regiões com maior índice de analfabetismo
Laura Lever:Oi, eu sou a Laura Lever e esse é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 19 de junho de 2026. Brasil tem mais de 8 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever. Bancos e casas de apostas vão ter que bloquear recursos de bets ilegais. E STF anula absolvição e reabre caso de Mariana Ferrer. O Brasil tem 8,4 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever. Essa taxa vem tendo quedas consecutivas no país, mas a meta do Plano Nacional de Educação era erradicar o analfabetismo nessa faixa da população até o fim de 2024. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, referentes ao ano passado, e foram divulgados nesta sexta pelo IBGE. A pesquisa considera pessoas analfabetas aquelas que não conseguem ler nem escrever um bilhete simples. Em relação ao total da população com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo no Brasil em 2025 foi de 4,9%, uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao ano anterior. É a primeira vez que o país fica abaixo da marca de 5%. Em 2016, quando começou a série histórica desse indicador, a proporção era de 6,7%, ou mais de 10 milhões de pessoas analfabetas. Analfabetas. Mais da metade dos brasileiros que não sabem ler ou escrever estão no Nordeste, região onde mora pouco mais de um quarto da população total do país. Depois, o Sudeste tem 20% da população analfabeta, seguido por Sul, Norte e Centro-Oeste. O IBGE mostrou ainda que uma em cada três crianças de 2 e 3 anos que não frequentava creche no ano passado não estava matriculada por falta de vaga. Apesar de avanços, o país também continua longe de cumprir a meta de cobertura nessa etapa escolar. O presidente Lula assinou na sexta um decreto para bloquear recursos financeiros de casas de apostas online que operam sem autorização do Ministério da Fazenda. A medida afeta também bancos que receberam ou registraram movimentações de bets irregulares. A ideia é que o governo possa identificar os responsáveis pelas plataformas e depois bloquear o dinheiro ligado às apostas. O ministro Dario Durigan disse que existem 300 operadores por trás dos 50 mil sites que já foram derrubados. Registrados no país e que eles usaram 37 instituições financeiras para distribuir os pagamentos. Todas essas empresas são reincidentes e aparecem em outras investigações da Polícia Federal. Segundo o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, entre 41% e 51% das bets que operam hoje no Brasil são ilegais. Pelo menos 25 milhões de brasileiros apostam nessas plataformas. O governo também tem feito contato com influenciadores que anunciam serviços ilegais nas redes sociais. Até agora, já foram derrubadas 800 dessas contas. Uma portaria publicada na quinta regulamentou a chamada responsabilidade solidária de instituições que permitirem transações com bets ilegais. Isso quer dizer que as pessoas físicas e jurídicas que divulgarem essas casas de apostas também vão ser responsabilizadas. A Secretaria de Prêmios e Apostas e a Receita Federal fixaram um prazo de 24 horas para que as instituições notificadas adotassem medidas restritivas para impedir novas transações. O governo ainda não tem uma estimativa do potencial arrecadatório da medida. O Supremo Tribunal Federal anulou por unanimidade a absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora Mariana Ferrer. Agora, o caso deve ser reiniciado na primeira instância, em Santa Catarina. A decisão foi tomada na noite de quinta. Os ministros seguiram o entendimento do relator, o ministro Alexandre de Moraes, de que constrangimentos impostos influenciadora numa audiência do caso anulam as provas apresentadas pelo empresário. Moraes destacou que a influenciadora foi humilhada pelo então advogado do réu e que o fato de o promotor e o juiz não terem interrompido esse abuso cerceou o depoimento da vítima. Na audiência, em 2020, a defesa de Aranha mostrou fotos de Mariana Ferrer quando era modelo, dizendo que ela posava em posições ginecológicas. O advogado ainda atacou o nível dela e a acusou de fingir chorar. Ao votar no Supremo, a ministra Carmen Lúcia, única mulher da corte, disse que mulheres são descredibilizadas quando choram, mas que todo ser humano tem direito de chorar. Os demais ministros também votaram pela anulação das provas. André Mendonça e Cristiano Zanin não participaram do julgamento. A decisão vai servir de parâmetro para todos os tribunais do Brasil. O STF definiu que em processos sobre crimes sexuais, provas obtidas mediante desrespeito aos direitos fundamentais da vítima são nulas, que as audiências precisam ser gravadas com concordância da vítima e que sentenças não vão ser anuladas quando amparadas em provas independentes ao depoimento da vítima. A defesa de André de Camargo Aranha disse que ele é inocente e que a decisão do STF tem a ver com a atuação dos profissionais de justiça, não com o comportamento dele. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é do Gustavo Luiz e da Jéssica Cruz, e a edição de som também é da Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Bom final de semana e até mais.