Lula critica Trump, fala em mau exemplo para democracia, e americano diz que Brasil é país politicamente difícil
Vorcaro pagou propina de R$ 400 mil ao mês a agente da PF por informações sigilosas. E Banco Central corta Selic para 14,25% em decisão unânime.
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Gustavo Luiz
- Investigação e contato com VorcaroPropina de R$400 mil · Informações sigilosas · Daniel Vorcaro · Banco Master · Polícia Federal · Henrique Vorcaro · Marilson Roseno da Silva · Manuel Mendes Rodrigues
- Papel da oposição na democraciaLula critica Trump · Mau exemplo para democracia · Donald Trump · G7 · Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · STF
- Banco Central corta SelicCorte de 0,25 ponto percentual · Taxa Selic em 14,25% · Decisão unânime · Guerra no Oriente Médio · Banco Central dos Estados Unidos · Fed · Jerome Powell · Kevin Walsh
Gustavo Luiz:Oi, eu sou Gustavo Luiz e esse é o Boletim Folha. Hoje é quinta-feira, dia 18 de junho de 2026. Lula critica Trump, fala em mau exemplo para democracia e americano diz que Brasil é país politicamente difícil. Forcaro pagou propina de R$400 mil ao mês a agente da Polícia Federal por informações sigilosas. E Banco Central corta Selic para 14,25%, em decisão unânime. O presidente Lula criticou Donald Trump ontem durante a cúpula do G7 na França. Em conversa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, captada por um microfone aberto na sala, Lula disse não suportar o comportamento do governo americano. O diálogo entre os dois aconteceu num contexto informal, sem a presença de representantes de outros países. Pela gravação, é possível escutar apenas parte da conversa. Em determinado momento, Lula fala a palavra "imperador", termo que já usou em outras ocasiões para criticar as ações de Trump. Lula também falou em "mau exemplo para a democracia". Em entrevista a jornalistas, Trump disse que conversou sobre tarifas com Lula durante o G7 e chamou o Brasil de um país "politicamente perigoso". Trump ainda errou ao comentar sobre o clã Bolsonaro. Ele contou ter ouvido dizer que um Bolsonaro Jr., que está concorrendo a um cargo público e vinha bem nas pesquisas, tinha sido preso. A afirmação de Trump vem um dia depois de o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ter sido condenado pelo STF por tentar intimidar o Judiciário brasileiro interferir no julgamento da trama golpista, mas Eduardo tá nos Estados Unidos. Depois dessa entrevista de Trump, Lula afirmou que o americano não conhece o Brasil e disse para ele ficar longe do processo eleitoral brasileiro.
Voz B:Pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil Isso é um problema do Brasil.
Gustavo Luiz:A Polícia Federal encontrou indícios de que Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagava R$400 mil em propina todo mês a um agente aposentado da própria PF para conseguir informações sigilosas. Os pagamentos eram feitos por Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, ao policial federal Marilson Roseno da Silva. Segundo as investigações, Marilson criou um mecanismo de vazamento dentro da Polícia Federal, cooptando servidores da ativa com presentes e pagamentos via Pix. Pelo menos outros 5 agentes teriam participado do esquema. A infiltração garantiu a Vorkar o acesso a dados de sistemas internos. De acordo com a PF, foi assim que o ex-banqueiro passou detalhes de um processo aberto contra ele a um site jornalístico para "esquentar" essas informações e usá-las numa peça de defesa depois. Os advogados de Daniel Vorcaro disseram que não comentariam o caso. Até à noite de ontem, a defesa de Henrique Vorcaro não havia se manifestado. A Folha não localizou a defesa de Marilson Roseno, que está preso preventivamente. Além da propina aos agentes, a PF também encontrou um comprovante bancário no valor de R$7 milhões na casa de um bicheiro que teria sido contratado por Vorcaro. Segundo as investigações, Manuel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo Dom, integrava a milícia do ex-banqueiro no Rio de Janeiro e perseguia desafetos. Uma das intimidações citadas pela PF teria sido feita contra o chefe de cozinha e o capitão de um navio de Vorkário, em Angra dos Reis. O ex-banqueiro suspeitava que eles tivessem gravado festas. Diálogos encontrados no celular de Vorkário mostram que ele ordenou "sacode" contra os ex-funcionários. A Folha não localizou os advogados de Dom. O Comitê de Política Monetária do Banco Central fez ontem um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic e definiu a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e veio em linha com o que era esperado por analistas do mercado financeiro. A expectativa agora é sobre como o órgão deve se comportar na próxima reunião, em agosto. Há chances de que esse tenha sido o último corte desse ciclo de reduções. O Banco Central começou a baixar a Selic em março deste ano, quando a taxa estava em 15%. De lá para cá, foram 3 cortes de 0,25 ponto percentual. Economistas ouvidos pela Folha avaliam que a volatilidade dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio passou a desafiar o controle da inflação, e isso pode fazer o Copom adotar um ritmo mais cauteloso de redução na taxa de juros daqui para frente. No comunicado de ontem, o colegiado disse que o tamanho atual do ciclo de queda vai ser definido "à luz de novas informações". Ontem também foi dia de o Banco Central dos Estados Unidos, o Fed, definir a taxa de juros do país. Na primeira reunião presidida por um indicado de Donald Trump, o órgão decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75%. Por lá, a decisão foi atribuída a uma taxa de desemprego relativamente baixa e inflação ainda longe da meta. Trump vinha defendendo uma queda drástica de juros como forma de impulsionar a economia e acusava o antigo presidente do Fed, Jerome Powell, de não baixar a taxa por uma questão política. Mas a mudança no comando do órgão não alterou o cenário. A decisão de manter os juros no atual patamar foi unânime, inclusive com o voto do novo presidente, Kevin Walsh. Esse foi o Boletim Folha que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Thiago Betônico e a edição de som é de Jéssica Cruz. O boletim usou áudios da GloboNews e do canal Gov. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais.