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PF diz que Vorcaro bancou hotéis para Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa

17 de junho de 20266min
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Polícia apreende arma de Bolsonaro com militar do Exército durante blitz. E Lula faz discurso com recados a Trump durante cúpula do G7.

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Laura Lever

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  • Bancada de hotéis para Hugo Motta e Ciro NogueiraDaniel Vorcaro · João Barradas · Raimundo Nogueira · Lisboa · Fórum Jurídico de Lisboa · Gilmar Mendes · Banco Master
  • Porte e Posse de Armas· SegurancaInvestigação de Jair Renan Bolsonaro · Reacao de Eduardo Leite · TDAH · Supremo Tribunal Federal · Alexandre de Moraes
  • Cúpula do G7SAF · Donald Trump e a NASA · G7 · Protecionismo · Crime organizado transnacional · Elon Musk
  • PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro· PoliticaEduardo Bolsonaro e STF · Supremo Tribunal Federal · Alexandre de Moraes · Caso Kristin Rossum · Carmen Miranda · Flávio Dino
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LLLaura Lever

Oi, eu sou a Laura Lever e esse é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 17 de junho de 2026. PF diz que Ivocaro bancou hotéis para Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa. Polícia apreende arma de Bolsonaro com militar do Exército durante blitz. E Lula faz discurso com recados a Trump durante cúpula do G7. Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que Daniel Vaccaro, do Banco Master, bancou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, e do senador Ciro Nogueira em Lisboa, no fim de 2024.

Vaccaro ainda teria pedido um reforço para garantir a privacidade dos dois na viagem. Os documentos integram o material enviado pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e que teve o sigilo retirado ontem. O período das hospedagens coincide com a data do Fórum Jurídico de Lisboa, evento que é conhecido como Gilmarpalooza por ser capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes. As reservas foram feitas no hotel Four Seasons.

Segundo os documentos, Vaccaro ainda demonstrou grande preocupação com a privacidade de Motta e Ciro e pediu especial atenção de um assistente para garantir que não fosse possível ver o que acontecia dentro dos espaços que eles frequentariam. Até a noite de ontem, a defesa do senador não tinha se manifestado. Em entrevista, aos jornalistas, o presidente da Câmara disse não ver problema em ter tido as hospedagens pagas por Vaccaro.

A Polícia Federal também encontrou mensagens indicando que Vaccaro ordenou o pagamento de R$350 mil em dinheiro vivo para Ciro. O material se soma a outros indícios que a PF já tinha sobre as benesses que o senador recebia do ex-banqueiro, que incluíam mesadas de até R$500 mil, voos em jatinhos particulares e viagens de luxo. No mês passado, Ciro foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Entre uma das principais suspeitas estava de que o senador, que foi ministro da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro, teria apresentado o projeto de interesse de Vaccaro em troca das regalias.

O episódio do Café da Manhã de hoje fala sobre os desdobramentos e novidades do caso Master. Tá lá no Spotify, ouve lá. Uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi apreendida na noite de segunda numa blitz da Polícia Militar do Distrito Federal. A pistola Glock calibre 9mm e um carregador estavam com um militar do Exército que teria se apresentado como integrante do GSI, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, vínculo que o órgão nega.

O militar, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, aparece como integrante da equipe de segurança de Bolsonaro em registro do STF. O carro em que ele estava foi parado na blitz pelos agentes, que inicialmente fariam um teste do bafômetro. Durante a abordagem, um dos policiais percebeu uma pistola no chão do carro. Nesse momento, Estácio teria fechado o vidro repentinamente. O PM disse então que abriu a porta e recolheu a arma.

Segundo a Polícia do Distrito Federal, Estácio primeiro disse que a pistola era dele mesmo, o que não bateu com os dados de registro. Ao ser questionado novamente, ele admitiu que a arma pertencia a Bolsonaro. Na delegacia, contou em depoimento que levava a pistola para ser consertada e que pretendia devolvê-la no dia seguinte. Bolsonaro está em prisão domiciliar em Brasília desde o dia 27 de março. Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 24 horas para que ele explique por que mantém uma arma e um carregador em casa e o motivo de ter pedido reparo no equipamento.

Até a noite de ontem, a defesa do ex-presidente e de Stácio não tinham se manifestado. Também ontem, a 1ª Turma do STF condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro por coação pela atuação dele nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário "povo brasileiro" e impedir a análise da trama golpista. A decisão foi unânime, com votos dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Carmen Lúcia e Flávio Dino. Com a condenação, Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos e teve mandato cassado, se torna ficha suja e fica impedido de disputar as eleições por até 8 anos.

Ainda cabe recurso da decisão. O presidente Lula criticou o avanço do protecionismo e do unilateralismo em discurso durante a cúpula do G7 ontem. A fala foi interpretada como um recado a Donald Trump, que estava presente na reunião. Lula participou da sessão ampliada da cúpula, que reúne as maiores economias do mundo. Sem citar diretamente o presidente americano ou o tarifaço dos Estados Unidos, ele disse que o protecionismo tem ressurgido como uma resposta falaciosa para a complexidade dos problemas atuais.

Lula também voltou a defender que o combate ao crime organizado transnacional seja feito respeitando a soberania dos países. As declarações acontecem num momento de tensão entre Brasília e Washington. No mês passado, a Casa Branca classificou facções criminosas como organizações terroristas, designação da qual o governo brasileiro discorda. Dias depois, outro incômodo: a recomendação de um novo tarifaço sobre produtos importados do Brasil.

Lula ainda usou a cúpula do G7 para criticar o neoliberalismo e a extrema concentração de riqueza. Ao falar de desigualdade, o presidente brasileiro cutucou Elon Musk e disse que o primeiro trilionário da humanidade é resultado de décadas de políticas pró-bilionários. Essa é a décima vez que Lula participa de um encontro do G7. O Brasil não integra o grupo, mas costuma ser convidado para algumas reuniões. Na foto oficial dessa edição, que aconteceu na França, Lula e Trump posaram juntos, mas não se cumprimentaram.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Gustavo Luiz e Thiago Betônico e a edição de som é de Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com.

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