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Irã acusa EUA de planejarem ofensiva terrestre em meio a negociações

30 de março de 20265min
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Governo derrota oposição e rejeita relatório da CPI do INSS que pedia indiciamento de Lulinha. E nove a cada dez casos de estupro de vulnerável terminam sem resolução no Brasil.

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Maurício Meireles

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Assuntos3
  • Risco de Desabastecimento no Brasilsistema judiciário · Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
  • Invasao Terrestre IraMohamed Bager Galibaf · Marco Rubio · presença militar dos EUA
  • CPMI do INSSLulinha · Alfredo Gaspar · investigação de corrupção
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Oi, eu sou Maurício Meirelles e esse é o Boletim Folha. Hoje é segunda-feira, dia 30 de março de 2026. Irã acusa Estados Unidos de planejarem ofensiva terrestre em meio a negociações. O governo derrota a oposição e rejeita relatório da CPI do INSS que pedia indiciamento de Lulinha. E nove a cada dez casos de estupro de vulnerável terminam sem resolução no Brasil.

O presidente do parlamento do Irã, Mohamed Bager Galibaf, acusou ontem os Estados Unidos de planejar em segredo uma ofensiva terrestre, enquanto publicamente dizem que querem uma negociação para acabar com a guerra. Segundo o jornal The Washington Post, o Pentágono avalia incursões terrestres que durariam várias semanas com forças especiais, mas sem realizar uma invasão de grande escala.

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, tinha descartado essa hipótese na sexta-feira. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região, com envio na sexta de um navio de assalto à frente de um grupo naval que inclui cerca de 3.500 fuzileiros. A Marinha do Irã disse que um porta-aviões dos Estados Unidos vai ser atacado se entrar na área de alcance de tiro iraniano.

Enquanto isso, os ataques seguem. O Irã afirmou ter atingido instalações industriais no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, e bombadeios deixaram mortos no território iraniano. Existe ainda o risco de ampliação do conflito, com a entrada de aliados do Irã, como os rebeldes UTIs no Iêmen. Em paralelo, países como Turquia, Paquistão e Arábia Saudita tentam negociar uma saída diplomática para evitar uma escalada ainda maior.

O governo derrotou a oposição na CPI do INSS e conseguiu barrar o relatório final da comissão na madrugada de sábado, depois de uma sessão que durou mais de 15 horas. O parecer pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, além de políticos, empresários e um ex-ministro. Na lista também estava o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como careca do INSS.

Apesar de a oposição controlar cargos-chaves da CPI, a votação terminou com 19 votos contra e 12 a favor. Dessa forma, a comissão encerra os trabalhos sem uma conclusão formal e sem enviar recomendações à Procuradoria-Geral da República. A investigação apurava um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, que pode ter desviado cerca de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.

No parecer, o relator Alfredo Gaspar, da União Brasil de Alagoas, afirmava que Lulinha teria atuado como facilitador de acesso a órgãos do governo e possível sócio-oculto de Camilo Antunes. O texto também pedia a prisão preventiva dele. A comissão foi marcada por acusações dos dois lados. A oposição afirma que o governo atuou para proteger aliados e barrar investigações.

Já os governistas dizem que o relatório tinha motivação política e ignorava suspeitas ligadas ao governo Bolsonaro. O relatório também ampliava o escopo da investigação, a incluir o caso do Banco Master e sugerir o indiciamento de Daniel Vorcaro. Segundo a CPI, havia indícios de relações entre o empresário e políticos influentes de diferentes partidos, além de conexões com autoridades de alto nível.

o que aumentou a tensão política em torno do caso. A sessão final teve bate-boca e troca de acusações entre parlamentares. A comissão foi marcada por tensão do início ao fim, inclusive com decisões do Supremo Tribunal Federal que limitaram medidas de investigação e impediram a prorrogação dos trabalhos. Nos bastidores, a leitura que o desfecho reflete o peso político do caso, com potencial de impacto eleitoral e pressão de diferentes grupos para encerrar a investigação.

E nove em cada dez casos de estupro de vulnerável no Brasil terminam sem uma decisão final da Justiça. Um levantamento feito pela Folha com mais de 40 mil processos entre 2020 e 2026 mostra que cerca de 93% dos casos nem chegam à fase em que o juiz decide se o réu é culpado ou inocente. Nos estupros gerais, excluindo os de vulnerável, 97% dos casos não passam dessa fase inicial.

Na prática, isso significa que a maioria dos casos fica parada ainda no início da tramitação. Mesmo entre os processos de estupro como um todo que avançam, a resposta judicial é limitada. Pouco mais de 20% resultam em condenação em primeira instância, enquanto uma parcela mínima de 2% termina em absorvição. O crime de estupro de vulnerável, que envolve vítimas menores de 14 anos ou pessoas sem capacidade de consentir, representa a maior parte dos casos de violência sexual no país.

Três em cada quatro casos de estupro se encaixam nessa categoria. Os dados também mostram que o sistema enfrenta dificuldades estruturais. Processos são interrompidos por fatores como prescrição, morte do acusado ou falhas na investigação, além da sobrecarga do judiciário. Em muitos casos, o prazo para uma sentença, que deveria ser definido por lei, acaba sendo ultrapassado.

Um estudo recente de um Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima que o país tenha 822 mil casos de estupro por ano, o equivalente a 2 por minuto. Só 8,5% das ocorrências são levadas à polícia. O resultado é um cenário em que grande parte das denúncias não chega a uma conclusão e permanece sem resposta definitiva da justiça.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A edição de som é de Rafael Conkler. Essas e outras notícias você pode encontrar em folha.com. Até a próxima!

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