Episódios de Boletim Folha

Na Marcha para Jesus, Flávio Bolsonaro fala em guerra espiritual e Messias diz que evento não é comício

05 de junho de 20266min
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Jairinho é condenado a 43 anos por morte de Henry Borel, e Monique é solta depois de receber perdão. E morre a iraniana Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, aos 56 anos.

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Participantes neste episódio11
G

Gustavo Simon

Host
A

André Mendonça

ConvidadoJurista
E

Emmanuel Macron

ConvidadoPresidente francês
F

Flávio Bolsonaro

ConvidadoPolítico
J

Jorge Messias

ConvidadoMinistro do STF
L

Leniel Borel

ConvidadoPai do menino
M

Marjane Satrapi

ConvidadoArtista
M

Mathias Ripper

ConvidadoProdutor, ator e roteirista
M

Monique

ConvidadoProfessora
R

Ronaldo Caiado

ConvidadoPolítico
T

Tarcísio de Freitas

ConvidadoGovernador
Assuntos3
  • Anulação da condenação de GarotinhoJairinho · Henri Borel · Monique Medeiros · Leniel Borel · Lei Henri Borel
  • Seguir a JesusFlávio Bolsonaro · guerra espiritual · Jorge Messias · Lula · Tarcísio de Freitas · Daniel Vorcaro · Banco Master · Donald Trump
  • Morte de Ali LarijaniMarjane Satrapi · Persépolis · Mathias Ripper · Mahsa Amini · Mujer, Vida, Liberdade · Marie Curie · Emmanuel Macron
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GSGustavo Simon

Oi, eu sou Gustavo Simon e esse é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 5 de junho de 2026. Marcha pra Jesus vê Flávio Bolsonaro em portão eleitoral com fala sobre guerra espiritual. Jairinho é condenado a 43 anos por morte de Henri Borel e Monique é solta depois de receber perdão. E morre a iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis. A Marcha para Jesus atraiu políticos ontem a São Paulo, incluindo o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o advogado-geral da União Jorge Messias, que representou Lula, o ministro do STF André Mendonça e mais nomes da direita, como o presidenciável Ronaldo Caiado.

Antes de subir no trio, Flávio Bolsonaro se esquivou de perguntas sobre a nova ameaça de tarifácio do governo de Donald Trump sobre sobre o Brasil. O pré-candidato do PL tem sido associado à taxa porque encontrou Trump dias antes de o governo dos Estados Unidos anunciar a proposta. Ele disse a jornalistas que estava no evento para orar pelo país, não para tratar de política, e que estava ali como cristão, não como candidato. Mas, no trio, o político impôs um tom eleitoral, disse que o Brasil vive uma guerra espiritual e que "o mal vai ser expulso do governo nesse ano".

Jorge Messias também discursou e afirmou que Lula o enviou à marcha para levar palavras de amor e de comunhão e para dizer que ali não era um lugar para comício. Sobre dividir espaço no trio com bolsonaristas, Messias falou a jornalistas que "na mesa de Jesus tem lugar até para Judas". Lula tem chamado os opositores de "traidores da pátria". O evento também foi o primeiro encontro público de Flávio Bolsonaro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Desde a revelação do pedido de dinheiro que o senador fez a Daniel Vorkar, dono do Banco Master, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Tarcísio já disse que o filho do ex-presidente precisa explicar muitas questões sobre esse tema. Flávio não respondeu se conversou com o governador ontem. Segundo o monitor do debate público da USP, do Cebrap e a ONG More in Common, a Marcha para Jesus teve no horário de pico 34 mil pessoas.

Foi a 34ª edição do evento organizado pela Igreja Renascer em Cristo. O tema desse ano foi "Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor". O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão pela morte de Henri Borel, de 4 anos, que era enteado dele. O crime aconteceu em 2021, no apartamento em que eles moravam no Rio de Janeiro. Os jurados reconheceram a prática de homicídio duplamente qualificado e de crime de tortura contra a criança.

A professora Monique Medeiros, mãe do menino, foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho e recebeu pena de 1 ano e 4 meses, considerada cumprida. Monique foi solta na tarde de ontem depois que a Justiça concedeu perdão judicial. Isso porque os jurados concluíram que ela não agiu com dolo. A juíza ainda fixou a indenização de R$400 mil por danos morais, a ser paga por Jairinho a Leniel Borel, pai do menino. Ao definir a pena do ex-vereador, a magistrada afirmou que Henry foi submetido a intenso sofrimento físico e psicológico.

No caso de Monique, a juíza afirmou que ela era ré primária e avaliou que foi alvo de cobrança social desproporcional. O Ministério Público e a defesa de Jairinho informaram que pretendem recorrer da decisão, alegando que houve tratamento desigual entre as defesas de Jairinho e Monique. O pai de Henry disse que o perdão a Monique era uma terceira morte do filho dele. O julgamento demorou 11 dias e se tornou o mais longo da história do Rio de Janeiro.

Jairinho e Monique começaram o caso como aliados e sustentavam que o menino tinha sido vítima de um acidente doméstico, o que os laudos negam. A ruptura entre eles aconteceu depois da prisão do casal. Monique passou a dizer que sofria violência doméstica e psicológica e que foi orientada a mentir. O caso teve repercussão nacional e levou à criação da Lei Henri Borel. Que ampliou mecanismos de proteção a crianças vítimas de violência, incluindo medidas protetivas de urgência.

A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu ontem, aos 56 anos. Ela ficou conhecida quando lançou, em 2000, a história em quadrinhos autobiográfica Persépolis, em que relata a infância no Irã, a repressão e a partida para a Europa. O comunicado divulgado pela família diz que ela morreu de tristeza, mais de um ano depois do falecimento de Mathias Ripper, seu marido e o amor da sua vida. O produtor, ator e roteirista morreu em abril do ano passado.

Marjane Satrapi nasceu em Rasht e, aos 10 anos depois da Revolução Islâmica de 1979, foi obrigada a ir para um colégio religioso e a usar véu. Ela se exilou na França em 1994 e se naturalizou em 2006. Satrapi continuou denunciando por toda a vida o regime dos aiatolás e apoiou os protestos que eclodiram em 2022 depois da morte de Mahsa Amini. O último livro que ela lançou, em 2023, a coletânea de HQs "Mujer, Vida, Liberdade", fala sobre esse movimento.

Persépolis foi adaptada para o cinema e premiada pelo júri no Festival de Cannes e indicada ao Oscar de melhor animação. A artista também produziu obras que extrapolaram o mundo dos quadrinhos. Em 2020, exibiu uma série de pinturas e, em 2019, dirigiu a cinebiografia Radioactive, sobre Marie Curie. O presidente da França, Emmanuel Macron, homenageou Satrapi. Disse que ela foi uma artista extraordinária que transformou a infância iraniana em um conto universal.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta-feira. A produção é de Laura Lever e Magê Flores. A edição de som de Rafael Conkli. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais.

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